segunda-feira, 9 de outubro de 2017

ARTIGO - As Armas e a Gasolina (RV)


AS ARMAS E A GASOLINA
Reginaldo Vasconcelos*



Neste dia 02 de setembro, dez rifles automáticos se hospedaram no 32º andar do hotel Mandalay Bay, na cidade americana de Las Vegas, e dispararam contra a multidão que assistia a um show de música country a céu aberto. O massacre produziu mais de quinhentas vítimas, sessenta delas fatais.




Segundo a grande mídia, que é politicamente correta, a culpa dessa tragédia seria dos chineses que inventaram a pólvora, e produziram a primeira arma de fogo confeccionada com bambu, no Século IX da Era Cristã, bem com da 2ª Emenda da Constituição Americana, editada em 1791, que  garante aos estadunidenses plena liberdade armamentista.

Coincidente e tragicamente, apenas três dias depois, um galão de gasolina adentrou na Creche Gente Inocente, na cidade de Janaúba, em Minas Gerais, entrou em ignição e imolou em torno de cinquenta pessoas, e dentre elas produziu cerca de dez mortos, a maioria criancinhas de quatro anos.




Porém, neste segundo caso, não se atribui a culpa ao inventor da gasolina, o alemão Nicolaus Otto, pelos idos de 1860, nem se culpou à Petrobrás, que fabrica o produto e o distribui nos postos de combustíveis pelas esquinas do País.

Aliás, caminhões andaram atropelando pessoas de propósito, no ano passado, na França e na Alemanha, e não se viu nenhum protesto contra os inventores desses monstros semoventes, Karl Benz e Gottlieb Daimler (esses alemães...!).

Muito menos se disse algo contra Alberto Santos Dumont por inventar o avião, quando três deles, repletos de inocentes, se precipitaram contra as Torres Gêmeas em Nova Iorque e sobre um bosque na Pensilvânia, no fatídico 11 de setembro de 2001, vitimando milhares de pessoas.

O que se quer evidenciar com essa sarcástica ironia é o seguinte: armas de fogo não foram inventadas, e não são produzidas, tampouco vendidas, para vitimar gente de bem.

Assim também com os combustíveis, os veículos terrestres e os aviões, os quais, malgrado sua nobre função, também podem ser eventualmente usados para produzir carnificinas.

Sendo assim, é inútil aos pacifistas inglórios tentar “desinventar” a arma de fogo, como se isso fosse possível, para evitar que, caindo em más mãos, ela possa causar  tragédias. É aquela velha ideia do marido traído que quer vender o sofá da sala, em que a mulher recebe o amante, para evitar o adultério.

Quando ocorreu o massacre em Los Angeles, esses insensatos arautos da paz voltaram à carga contra os instrumentos da barbárie, como se a causa do evento funesto não tivesse sido o louco suicida que os instrumentalizou contra o seu povo.

Mas logo em seguida veio o holocausto de Janaúba, para mostrar que quando um maluco não tiver acesso aos fuzis automáticos, e tiver a pulsão patológica de produzir mortes em massa, ele usará dinamite, um avião, um caminhão, um galão de gasolina...

Em suma, a sociedade internacional precisa centrar seus esforços no controle dos sociopatas, isso sim – entendendo que as armas de fogo foram inventadas, inclusive, para auxiliar nessa tarefa. Elas existem para que os justos frágeis e os solitários pacíficos se protejam contra os agressores mais fortes e contra os facínoras numerosos. São, portanto, um instrumento de equilíbrio de poder e de garantia de justiça. 

Na Idade da Pedra, os homens de maior compleição física barbarizavam os mais franzinos; os grupos mais numerosos massacravam as tribos menores. Na antiguidade e no medievo já prevalecia a astúcia dos imperadores, manobrando com os números e os músculos de seus exércitos atrozes, que escravizavam os vencidos, lhes estupravam as mulheres, decapitavam doentes, velhos e crianças.

Foi a partir do advento da arma de fogo que a justiça foi possível, que a democracia se tornou viável, e é apenas em função delas que os pacifistas de hoje podem agitar suas bandeirolas.   

A paridade de armas tem o poder de igualar anões a gigantes, proteger o cidadão dos seus agressores, resguardar as famílias contra os delinquentes, de modo que, na verdade, e Estado precisaria conter a arma bandida e estimular a arma lícita, já que ele não tem o poder da onipresença, nem pode prever quando e onde as injustas agressões ocorrerão. 

Mas, no Brasil, pressionado por esses sonhadores do Éden, o Poder Público faz o contrário: não estabelece mecanismos eficientes de contenção do crime, não controla o poder de fogo dos criminosos, e, ainda por cima, proíbe a arma cidadã, o que mais estimula a bandidagem.

Mas os nefelibatas do politicamente correto preferem que as pessoas de bem morram aos magotes, como indefesos cordeiros, pelos campos e cidades, em vez de lhes serem concedidas condições eficientes para promover a autotutela, enfrentando os lobos sociais em igualdade de condições.

Claro que é preciso haver controle sobre a venda de álcool e gasolina, de explosivos e de armas, neste caso por meio de exame psicológico e do estudo da vida pregressa dos pretensos compradores – inclusive dos que se queiram habilitar a dirigir e a pilotar – mas também é óbvio que isso não evitará totalmente que os infaustos aconteçam.

O que a polícia não deveria fazer é ir à mídia pregar que a população não se defenda, não reaja aos bandidos, que entregue tudo, que se deixe roubar e seviciar – depois de haver sido proibido por lei que o cidadão de bem tenha a sua arma de defesa. O mote dessa política pública se resume no seguinte: “Já que não podemos combatê-los, juntemo-nos a eles”.

Enfim, não é aceitável que o Poder Público venha fazer o discurso do bandido ("Quem usa arma é policial ou bandido"), legitimando o seu instrumento ilícito e desarmando a sociedade. É preferível o axioma latino, abusus non tollit usum – o eventual abuso de algo não deve inibir o seu correto uso.




COMENTÁRIO:

Sou absolutamente concorde em relação ao comentário lúcido e veraz do Dr. Reginaldo Vasconcelos, não apenas relativamente ao conteúdo, como também, e principalmente, no que toca ao continente de seus textos muito bem aquinhoados de estilo, estrutura e fausto vocabular.

Não é à toa que sou seu consulente na seara jurídica e fã número um da sua literatura correta, lógica, sobradamente racional e plena de estro e beleza e sensibilidade.

Folgo com dizer esta verdade insofismável “para Roma e para o Mundo” – “urbi et orbi”.

Aliás, esta é a Academia certa e este jornal eletrônico constitui um orgulho meu, por acolher tantos escritores e intelectuais da mais alteada ordem, consoante são o Mestre ora sob escólio, Arnaldo Santos, Geraldo Jesuino, Rui Martinho, Altino Farias ... e todo mundo de lá. Todo mundo, de verdade.

Benedicamos Domino!

Vianney Mesquita

Um comentário:

  1. Sou absolutamente concorde em relação ao comentário lúcido e veraz do Dr. Reginaldo Vasconcelos, não apenas relativamente ao conteúdo, como também, e principalmente, no que toca ao continente de seus textos muito bem aquinhoados de estilo, estrutura e fausto vocabular.
    Não é à toa que sou seu consulente na seara jurídica e fã número um da sua literatura correta, lógica, sobradamente racional e plena de estro e beleza e sensibilidade.
    Folgo com dizer esta verdade insofismável "para Roma e para o Mundo" - "urbi et orbi".
    Aliás, esta é a Academia certa e este jornal eletrônico constitui um orgulho meu, por acolher tantos escritores e intelectuais da mais alteada ordem, consoante são o Mestre ora sob escólio, Arnaldo Santos, Geraldo Jesuino, Rui Martinho, Altino Farias ... e todo mundo de lá. Todo mundo, de verdade.
    Benedicamos Domino!

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