sexta-feira, 21 de agosto de 2026

SONETO - Zelito Oitentão (VM)

 ZEILTON OITENTÃO
[Palmácia (Japão), 22 de agosto de 1946]

Vianney Mesquita*
 

Da vetustez o Criador fez o Santuário de toda a sabedoria, da justiça inteira, e o tabernáculo das mais heroicas virtudes. (ANA SOFHIA SWETCHINE: escritora e salonnière. Moscou, 22.11.1782; Paris, 10.09.1857). 

 

O Dr. José de Freitas Lourenço, administrador de empresas – aposentado do INCRA, com o filho, Dr. Alysson Alves Freitas, engenheiro civil e empresário

 

Zeilton – José de Freitas Lourenço,
Camarada/irmão, nato em Palmácia,
Padrão do siso e da perspicácia,
Prendado de brandura e de bom senso.
 
Sereno, mas afeito à eficácia,
Titulado em Gestão, com saber denso,
Do Paraíso é um cristão pretenso
Sem conformar, porém, qualquer audácia.
 
Agora – dia vinte e dois de agosto –
Bem de corpo e de alma, mui disposto,
Não retrata um cursor de desenganos.
 
Avezado à moção dos exercícios,
Assomou a milhares de artifícios,
Com vistas a transpor os oitent’anos.


ARTIGO - Habilidade Natural (VM)

 HABILIDADE NATURAL-HN
Declaração
 Vianney Mesquita*

 

Porque entendo absolutamente necessário, acho oportuno declarar que, nas escritas por mim produzidas e publicizadas, onde quer que o sejam, somente recorro à HABILIDADE NATURAL – HN, com suporte em estudos efetivados em estabelecimentos escolares amparados pela legislação nacional, por intermédio de pessoas afeitas a matérias diversas, em universidades e ambientes de prova (laboratórios, e.g.), bem como em informações obtidas com amparo na autodidaxia praticada à extensão da experiência. 

Em adição, atesto que, ao fazer menção a obras e ideações doutros produtores desses bens, como instituições e órgãos semelhados, procedo às notações bibliográficas das quais me vali, consoante as ordenações legais do País, em particular, do direito autoral, inclusas as preceituações da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. 

Entendo que, à INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – IA, conquanto seja magnificamente aditada no tempo fluente, porém com estremas de emprego, só é factível de a ela se socorrer em situação de dúvidas as mais diversas – por exemplo, de natureza histórica – conforme se procede com as consultas a dicionários, volumes gramaticais e correlatos. 

Assim, toda escrita e qualquer produto editorial assente na IA e não na HN, embora, como divisado hodiernamente, em textos “magnificamente” escritos (às vezes com 90 por cento de “auxílio” da IA e não pelos autores), deixa de retratar intenção e SABER NOVO, no entanto, somente repetição do que já se encontra expresso em achados naturais e descobertas de investigadores, quer em tempos recentes ou em períodos mais transatos. 

Fortaleza, 20 de agosto de 2026. 

* João VIANNEY Campos de MESQUITA. 

 

Comentário: 

Nesta manhã de 21 de agosto, telefonou-me o confrade Stênio Pimentel, demonstrando-se ainda assente na disciplina rígida da sua formação de “homem do mar”, que militou na Armada do Brasil, na fase áurea da sua juventude.

E que ainda está afeito à formalidade de quem, na maturidade, foi longamente enquadrado nos rigores funcionais da administração bancária, exercida por ele em várias instituições financeiras, nacionais e estrangeiras. 

Ligou, então, para, em posição de sentido e em continência, comunicar a este Presidente haver aplicado um neologismo autoral em mensagem que postou no nosso Grupo de Whatsapp.

Explicou que a palavra que aplicou, dirigindo-se carinhosamente a um coirmão da entidade, não repousa nos dicionários do idioma português, e que, portanto, ainda não está abonada pela lexicografia nacional. 

Esse telefonema e o seu teor, por uma coincidência magnífica, tangenciam o texto do dia anterior, remetido ao Blog pelo Professor Vianney Mesquita, um terceiro confrade, o maior experto em linguística românica da nossa Academia. 

No seu artigo “Habilidade Natural” o Mestre Vianney inaugura essa expressão (HN), fazendo um contraponto à novel “Inteligência Artificial” (IA), e frisando que não a aplica na sua lavra literária, porque segue o seu próprio cabedal intelectual, citando as fontes dos estudos que empreende. 

Os dois abordam aspectos semelhantes, mas distintos, quando Vianney propugna pelo uso clássico da língua, ainda que de forma original e criativa, enquanto o Stênio revela que os dicionários são fontes relativas de consulta, já que apenas reúnem termos encontradiços em obras gráficas que os lexicógrafos coligiram. 

Assim, as edições dicionárias, analogicamente, são como papagaios que aprenderam e registram um grande número de verbetes, que se atualizam em novas edições – como novos papagaios que aprendam a falar. Porém, se os vocábulos elencados estão corretamente escritos e aplicados, só os filólogos o dirão. 

Criar neologismos, enfim, é perfeitamente permitido aos redatores cultos que precisem suprir lacunas semânticas no idioma que dominam, a bem da clareza, da sintonia fina da retórica e do discurso, desde que aplicando radicais condizentes com o latim, com o grego, com o árabe, com a gramática primordial do idioma. 

Vianney Mesquita, por seu turno, expressa nas entrelinhas que a IA tem sabença de textos alheios de que vai sendo informada e de que se vai apropriando, para aplicar combinações mais ou menos coerentes, porém não possui sapiência própria para criar fórmulas novas de dizer de forma bela e correta, inovando artisticamente ao comunicar a humana cerebração, que é insuperável. 

Reginaldo Vasconcelos 

       

 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

RESENHA LITERÁRIA - Sobre uma "Libação Prévia" (SN)

  Sobre uma
“Libação Prévia”
 Sousa Nunes*

Há textos que se limitam a anunciar um livro; outros, mais raros, começam por lhe preparar a atmosfera. A Libação Prévia no Ritual de um Lançamento Invulgar, de Vianney Mesquita, pertence a esta segunda espécie. Antes de ser comentário ao romance “Dona Quitéria – a Senhora de Caraúbas”, de Ítalo Gurgel, é um testemunho de amizade intelectual — e a amizade, quando servida pela cultura e pela fidelidade, também constitui uma forma superior de crítica. 

Vianney não se aproxima do livro com a frieza do anatomista. Aproxima-se dele como quem chega a uma casa conhecida, reconhecendo-lhe os umbrais, os retratos, as vozes antigas e a claridade das janelas. Seu ensaio traz consigo o lastro de uma convivência de muitos anos e, por isso mesmo, a leitura que nos oferece não é apenas literária: é também humana. Por detrás do romancista Ítalo Gurgel, ele distingue o professor, o jornalista, o poeta, o homem de amizades duradouras — e, sobretudo, o escritor que, ao chegar ao romance, não renuncia às raízes de sua formação nem aos vínculos de sua memória. 

O ensaio do ínclito confrade Vianney Mesquita possui, ademais, uma característica que imediatamente denuncia o seu autor: a abundância culta, a erudição profunda. Sérgio Milliet, Stendhal, Eça, Zola, Cronin, Conan Doyle, as Brontë, Camões, Virgílio, Homero, Oliveira Paiva, Chesterton e Wilde comparecem à sua conversação como velhos conhecidos chamados à mesa. Não constituem ornamentos adventícios: pertencem ao mundo espiritual de quem escreve e ajudam a revelar a extensão de uma vida consagrada aos livros e à reflexão percuciente. 

Há ainda, em sua página, a graça peculiar do polemista. Vianney sabe que a crítica pode iluminar uma obra, mas sabe igualmente que pode, por vezes, pretender substituí-la. Daí os seus floreios de espada contra os “criticastros”, temperados por uma ironia que ora sorri, ora mostra os dentes. Contudo, vencida a escaramuça, permanece aquilo que verdadeiramente lhe importa: proclamar a singularidade de Dona Quitéria e resguardar ao futuro leitor o prazer da descoberta. 

E nisso reside talvez a melhor virtude de sua prelibação: Vianney aproxima-nos do romance sem no-lo retirar. Indica-nos a porta, mas não invade conosco os aposentos. Diz-nos que ali estão a família, a terra, a memória, a religiosidade sem ostentação, a experiência humana transfigurada pela ficção; e detém-se a tempo, reconhecendo que todo verdadeiro romance deve conservar, até o instante da leitura, alguma região inviolada de mistério. 

Ítalo Gurgel encontra, assim, em Vianney Mesquita, não simplesmente um leitor antecipado, mas uma testemunha afetuosa de sua chegada ao romance. E Vianney, celebrando o livro do amigo, acaba por oferecer-nos também um pouco de si mesmo: sua erudição, suas fidelidades, suas implicâncias, seu humor e essa antiga confiança na literatura como território onde a memória pessoal pode alcançar uma duração maior que a vida. 

Esta Libação Prévia cumpre, portanto, o que promete o título: ergue a taça antes da cerimônia. E fá-lo com a generosidade de quem sabe que, nas repúblicas das letras, os melhores brindes não são os que celebram somente o livro que nasce, mas também as amizades que o tempo não conseguiu envelhecer. 

Parabéns, grandes mestres! O gigante leitor, que nos oferta essa maravilhosa prelibação, e o romancista, que nos aguarda no dia 1º de setembro, com o fruto de seu espírito invulgar.  



 

Comentário: 

Posto, enfim, no sossego do meu quarto d’hotel, em S. José dos Campos, dou-me a satisfação de reler as apreciações críticas do confrade Vianney Mesquita acerca de “Dona Quitéria: A Senhora de Caraúbas”, romance histórico que o amor à terra natal, em boa hora, inspirou-me. Desvanecido é como me quedo diante do texto – tão rico e tão marcado pela “abundância culta” e “erudição profunda” de que fala outro dileto amigo, Sousa Nunes, ao comentar o comentário (desculpem-me o poliptoto). 

Vianney extraiu do romance predicados destilados pela genuína amizade que cultivamos e que prosperou, ao largo de muitos anos, no rastro da admiração e respeito mútuos. Encheu-me de imodéstia perceber que o confrade colheu, em minhas páginas, amostras de originalidade, atributo que enxerga como “a circunstância mais ressaltada nesta obra cabalmente singular, absolutamente original”.

Mais adiante, senti fisgadas de orgulho (para não dizer “vaidade”), quando o mestre palmaciano me anteviu oferecendo ao público das nove nações lusófonas “este volume de insuperável axiologia literária”. Imaginei meu livrinho nas vitrinas de Luanda; em Maputo, um lançamento agendado; já em Lisboa, uma palestra. Dá-se, porém, que, antes disso, há um longo caminho a percorrer. E essa trilha começa a 1º de setembro, quando “Quitéria” será apresentado à constelação de amigos que comparecer ao Ideal Clube, onde a missão de apresentar o livro foi entregue – para gáudio meu – ao confrade Souza Nunes. Estão assegurados, nessa lida, mais uma vez, a elegância, a sensibilidade e o descortino.



REPORTAGEM - Vitórias Marcantes do Nosso Silogeu (VM)

 VITÓRIAS MARCANTES
DO NOSSO SILOGEU
Vianney Mesquita – Cátedra número 22*

 

Não vos preocupeis com os que vos não conhecem, porém, vos esforceis por serdes digno e conhecido.


(Kong Qiu – Confúcio – pensador chino. Qufu. Jining, 551 a.C.; Lu, 479 a.C.).

 

O enredo cronológico curto e suntuoso e esplêndido e animador da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo – ACLJ (15 anos) deixa qualquer um de seus componentes diretos referto de bom orgulho, alegria e regozijo; evidentemente, salvante os instantes de tristeza e saudade, quando, exempli gratia, acontecem incontáveis imprevistos – naturais, porém, inesperados – segundo ocorreu com a recente transportação, para o patamar celeste (10.07.2026), do Senador, intelectual e polímata cearense Cid Saboia de Carvalho, Presidente de Honra deste Sodalício, de quem fui aluno (Faculdade de Direito da UFC) e colega, no Departamento de Comunicação Social e Ciência da Informação (UFC), homenageado na sua seção especial do dia 11 transato, no auditório da Academia Cearense de Letras. 

Sou um entusiasta, realmente exaltado em virtude do êxito inconteste da comentada arcádia – científica, cultural, jornalística, humanitária et reliqua – cuja oportunidade de a esta me relacionar foi ensejada pelo ilustrado e atual Presidente, precípuo, até agora, e a quem me remeto à continuação. Ele deu-me, pois, a ensancha de crescer na qualidade de escritor despresumido, pois minha produção, grande no tamanho – 25 livros – e mediana ou decerto exígua sob o prisma da profundez temática, foi grandemente encorpada, em razão dos escritos arrimados no desenvolvimento da Arcádia, que, desde a fundação, em 2011, edito neste periódico, reunindo-os para configurar as ditas publicações. 

Em adição, a sinopse da triunfante ACLJ, inserta nos anais históricos do Ceará e do Brasil, ainda manifesta – aos acompanhantes de sua síntese vinculada a ocorrências e datações vitoriosas, por intermédio de pessoas a ela conchegadas e pela via dos meios de propagação coletiva – a sensação veraz de que constitui um instituto magnificamente desenvolvido, onde a inteligência e a cultura afloram e cursam, reiteradamente, à proporção temporal. Efetivamente, não se registam hiatos, quebras nem transições suspensivas, em razão das corretas, oportunas e animosas intenções, primorosamente levadas a efeito, mediante constantes promoções vinculadas aos propósitos acadêmicos, sob a longa manus academicista do Presidente, a quem neste lance me reporto. 

Tais circunstâncias, positivas e verdadeiras – é justo, real e obrigatório exprimir – remansam na atuação apaixonada, atilada e urbanita do seu fundador, o advogado e jornalista Reginaldo Airton Pequeno de Vasconcelos, escritor a mancheias e cidadão de predicados inexcedíveis, que não se cansa de propugnar pela ascensão da ACLJ como um dos mais operosos ateneus do Brasil, jamais havendo deixado que a organização continuasse a cursar sem intervenção, controlo e severidade. Causídico, periodista e escritor primoroso de várias obras, sob matérias engenhosas e de caráter genial, RV é reverenciado por todos os acadêmicos, consoante se reportou o professor Cid Carvalho, numa entrevista gravada transmitida na reunião mencionada há pouco. 

Na sessão há instantes referida, também, foi a vez de receber como imortal perpétuo, na Cátedra número um (que era do Dr. Cid Carvalho) o Professor Doutor Lúcio Gonçalo de Alcântara, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, ao transitar de Membro Benemérito para a dita circunstância academicial – a dignidade de efetivo titular. O ex-Governador, médico, intelectual-escritor, sucessivamente Prefeito de Fortaleza, Senador do Brasil, ex-Presidente da ACL e do Instituto do Ceará, em sua alocução, expressou que não vai substituir o insubstituível CSC, mas somente o suceder, quando patenteou seu recato de cidadão simples, o que muito agradou a todos os espectadores da aludida assentada presencial. 



Realmente satisfatório é conhecer e provar da simpleza pessoal do Acadêmico Lúcio Alcântara, que, também em seu discurso ligeiro, improvisado e sem papel, demonstrou exímia capacidade de proferir ideações racionais, sem em qualquer momento escorregar em palavras e dicções, empregando vocábulos em senso exato, porém não descendendo à vulgaridade da dita “vala comum”, tampouco subindo ao firmamento vocabular desnecessário, como sói acontecer, reiteradamente, com oradores inábeis, do que, em matéria de elocução, o neo imortal da ACLJ é a estrema positiva exemplar. 

Aprouve-me bastante, também, deparar a personalidade do Dr. Carlos Rubens Alencar, também imortal da ACLJ, pois o não conhecia in persona. Com ele conversei rapidamente, máxime acerca de pedido de desculpas em decorrência de um comentário por mim postado em relação a um texto de sua autoria editado na nossa folha virtual, tentando corrigi-lo, numa sem-razão e em escorrego crasso. Dele recebi, com expressões leves e pedagógicas, os ensinamentos reparadores – oportunidade em que comprovei sua fina educação e seu caráter de ser urbano por excelência, transparente e delicado. Immense joie! 

De efeito, então, expresso o que não tive condição de fazer durante a Reunião da Arcádia Cearense (núcleo de excelência e conselho consultivo da ACLJ), realizada no dia 10 imediato antecedente, em razão de uma inflamação na garganta.

 

Ser partícipe da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo conforma um contentamento pouco experimentado, pois, além dos fatos de alteado valor cultural, amistoso, científico et alii, repetidamente praticados, topam-se seres humanos de excepcional qualidade, como, entre outros e tirante os já citados, Rui Martinho Rodrigues, Cândido Albuquerque, Beto Studart, os Dias Brancos, Adriano Vasconcelos, Antonino Carvalho, Aluísio Gurgel, Amaro Pena, Vicente Alencar, Sávio Queiroz, Pedro B. Araújo... 

Constitui ingente glória!


sábado, 15 de agosto de 2026

NOTA ACADÊMICA - Sessão da Saudade de Cid Saboia de Carvalho

 “DOA A QUEM DOER”

A SESSÃO DA SAUDADE DE
CID SABOIA DE CARVALHO

 

A Academia Cearense de Literatura e Jornalismo (ACLJ) promoveu, na noite deste dia 11 de agosto, no Palácio da Luz, em Fortaleza, uma Sessão da Saudade dedicada à memória do Professor Cid Carvalho, jornalista, advogado, Senador da República Constituinte, um dos mais tradicionais e prestigiosos radialistas cearenses.


Da E para a D: General Júlio Lima Verde, Carlos Rubens, Lúcio Alcântara, Reginaldo 
Vasconcelos, Rui Martinho Rodrigues, Antonino Carvalho, Miguel Ângelo de Azevedo Nirez 

Cid Saboia de Carvalho era titular fundador da Cadeira de nº 1 da ACLJ, patroneada por seu ilustre genitor, o também jornalista e advogado Jáder de Carvalho, o terceiro detentor do título de Príncipe dos Poetas Cearenses, na sequência sucessiva determinada pela Academia Cearense de Letras (ACL), à qual pai e filho pertenciam.


Além de imortal da ACL, o Prof. Cid Carvalho integrava também o Instituto do Ceará – Histórico, Geográfico e Antropológico, a Academia Cearense de Retórica, a Academia Cearense da Língua Portuguesa, dentre muitas outras entidades culturais. E apresentava três dos programas radiofônicos mais longevos da cidade.

 


Ao meio-dia, de segunda a sexta, pela sintonia da Rádio Cidade, nas frequências AM e FM, ele produzia a crônica “Doa a Quem Doer”, tratando, em três minutos de elocução, um dos temas mais momentosos do cenário nacional, falando de improviso, opinando com aguda proficiência, com o seu grave e enérgico timbre e tom de voz.

 

Ele faleceu aos seus 90 anos, no dia 10 de julho, deixando ao microfone o seu primogênito, Antonino Carvalho, também jornalista, advogado e professor, que mantém no ar e no mesmo horário e sintonia o noticioso “Antenas e Rotativas”, que se seguia àquela crônica. 

Na sequência, Cid Carvalho trazia à sua audiência uma terceira peça radiofônica, a “Crônica do Meu Sentimento”, uma longa reflexão saudosista sobre as coisas e pessoas do seu próprio passado, inseridas na história da cidade, texto que afagava a memória dos mais antigos e informava os mais jovens sobre as interessantes evoluções da sociedade. 



Ao final da Sessão da Saudade cumpriu-se a tradição de proceder à sucessão do falecido confrade na sede vacante legada por ele, neste caso dando posse ao Dr. Lúcio Alcântara na Cadeira Primordial da nossa quadraginta numerati, o qual transitou da sublime categoria honorífica de Membro Benemérito para a dignidade de efetivo titular.

 



Dr. Lúcio Gonçalo de Alcântara, médico, intelectual, sucessivamente Prefeito da Capital, Governador do Estado e Senador da República, ex-presidente da ACL, a mais antiga academia literária do Brasil – e do Instituto do Ceará, entidade triciencial, o mais veterano e mais importante estamento cultural do nosso Estado. 

Lúcio Alcântara enfatizou em seu discurso de posse que “sucede” ao Professor Cid Carvalho na Cadeira nº 1 da ACLJ, e na condição de seu Presidente de Honra – aclamado que foi para essa dupla investidura – mas que não o “substitui”, significando, em gentil exercício de semântica e de modéstia, que o seu antecessor seria insubstituível. 


A propósito, tamanha era a audiência de Cid Carvalho no rádio, e o afeto que ele granjeava no seio do povo era tão grande que, quando se foi acertar com o um parque de estacionamento, localizado defronte ao Palácio da Luz, para permanecer aberto até o fim da solenidade, ao saber a quem era dirigida a homenagem póstuma da noite, o gerente Ivanildo sentiu-se honrado em nos servir e viabilizou o compromisso sem delongas. 

Sendo o Dr. Cid adepto da doutrina espiritista, a recomendação geral era de não se manifestar tristeza e consternação, pois a saudade é natural, mas o espírito de quem faz a passagem para o outro plano da existência, em se tratando de quem viveu plenamente, de forma tão inspirada e gloriosa, pede a conformação aos desígnios divinos, que reflete felicidade e alegria aos parentes e amigos. 




 Cobertura vídeofotográfica: CL Produções

NOTA ACADÊMICA - 10ª Reunião da Arcádia Alencarina

 10ª REUNIÃO DA
ARCÁDIA ALENCARINA

 

A Academia Cearense de Literatura e Jornalismo realizou a 10ª Reunião da Arcádia Alencarina, na Sala Irmãos Ximenes, na noite do dia 10 de agosto, tendo na sua Mesa de Honra o Dr. Lúcio Gonçalo de Alcântara – médico, intelectual e político cearense, Prefeito da Capital, em seguida Governador do Estado e depois Senador da República. 

 

Também compuseram a Mesa a confreira Liana Ximenes Lessa, que por feliz coincidência estava gozando férias das suas lides de Procuradora da Fazenda Nacional, em Brasília, de passagem por Fortaleza com a família. 

Completava a trindade da vertente transversal da mesa T o Coronel Nonato de Castro, odontólogo e professor, o decano dos presentes e o terceiro “acelejano” não “fardonado” a prestigiar a reunião. 

O Presidente Emérito, Rui Martinho Rodrigues, proferiu sua tradicional fala de abertura e o Presidente Reginaldo Vasconcelos fez a contextualização histórica e afetiva da sala, a razão do seu nome, os cuidados com o tratamento do ar ambiente.

O confrade Cesar Barreto falou sobre o seu livro Canções de Nejar, Luciara Aragão e Frota apresentou a coletânea História, Memória e Sociedade, que ela organizou, e a Gabriela de Palhano se manifestou sobre os 90 anos do Jornal O Estado, a serem completados no próximo 24 de setembro, e que vai ser homenageado na Câmara de Vereadores de Maracanaú em sessão do dia 20 de agosto, e pela ACLJ, na data do seu aniversário. 

O Dr. Pedro Bezerra de Araújo fez a leitura de um texto autoral sobre a importância dos pais no contexto das famílias, assunto relacionado ao dia consagrado aos genitores de cada um, segundo a tradição brasileira, data que transcorrera um dia antes. 

Liana e Nonato fizeram suas manifestações pessoais sobre a mágica vivência do momento, e Dr. Lúcio também discursou, encerrando a reunião. Após a solenidade, houve o tradicional brinde com vinho do Porto e todos assinaram o Livro de Ouro da Entidade, antes de ser servido o jantar.