terça-feira, 19 de maio de 2026

ARTIGO - Lúcio Brasileiro e Eu (RV)

 LÚCIO BRASILEIRO
E
EU
Reginaldo Vasconcelos*



Iniciei minha atividade jornalística com a coluna intitulada “Vida Moderna”, no suplemento “TC Revista”, tabloide editado por Ciro Saraiva, que era encartado nas edições de sábados do jornal Tribuna do Ceará, por volta de 1976, e para mim a música tema dessa época é “Wuthering Heights” (Morro dos Ventos Uivantes), composição da inglesa Kate Bush, inspirada no clássico romance de mesmo nome da também britânica Emily Brontë.

Então, quando reuni uma coletânea de artigos da minha coluna no jornal, para publicar em livro, em 2021, procurei LB nos estúdios da TV Jangadeiro onde ele apresentava um programa de entrevistas, para lhe pedir que escrevesse um prefácio. Fui muito bem recebido, mas ele quis reduzir a tarefa a escrever uma aba de capa, que ele nunca escreveu, pois, a capa dessa minha primeira brochura era destituída de “orelhas”. 

Mas nesse primeiro encontro pessoal que eu tive com LB eu notei o seu incômodo com qualquer contato físico, aceitando o aperto de mão com resistência e desconforto, como também a mão no ombro, muito mais a intimidade de um abraço, o que já me fez perceber a sua restrição a estímulos externos. Claro que por disciplina social LB se condicionava a apertar mãos e receber os amplexos necessários. 

Não estive mais com ele, até que a Academia Cearense de Literatura e Jornalismo resolveu agraciá-lo com a Medalha Parsifal Barroso, em 2014, seu “Jubileu de Diamante” na imprensa. Eram então 60 anos de jornalismo ininterrupto, um recorde mundial. A façanha não tem registro no Guinness Book porque o amigo Antenor Barros Leal tentou, mas não conseguiu encontrar toda a sequência de artigos publicados por LB nos jornais de Fortaleza, de modo que não seria possível provar a sua contínua e sexagenária maratona jornalística. 


Em 2024 o empresário Beto Studart resolveu produzir a biografia de LB, me contratou para escrever a obra, a que o próprio LB quis dar o título “A Vida Como Obra de Arte”.

Beto Studart promoveu uma apoteótica noite de autógrafos na Praça BS, convidando e recebendo o creme de la creme da sociedade cearense, verdadeiramente um grande happening para a história da cidade.



Lúcio Brasileiro, obviamente, tinha outra canção para incensar a sua memória do ingresso na imprensa, que inclusive pediu e foi executada no piano de Felipe Adjafre e cantada por César Barreto, na noite do lançamento da sua biografia – música cujo título é “Tudo Foi Ilusão”, composição de Anísio Silva, um bolero nacional – o gênero musical mais apreciado no Brasil dos anos 50. 

Ficamos amigos desde então, e logo em seguida ele partia para a Espanha de navio, e como só embarcaria no Rio de Janeiro, e iria até lá por via aérea, para não pagar por excesso de bagagem, deixou a mala principal comigo, para enviar pelo Fernando Lima, videomaker que gravou as entrevistas que tivemos com ele para o livro, o qual iria para a Europa no mesmo navio, a partir de Fortaleza.


 
Em dezembro de 2024, LB nos convidou para a reunião de final de ano que ele promovia no seu restaurante Ugarte, no Cumbuco, evento que denominava “Escola Unidos do Natal”. 

Ele queria homenagear o seu biógrafo principal, Beto Studart, que idealizara a obra e viabilizara o meu trabalho, mas este não pôde se fazer presente desta vez. 

Eu ainda recebi LB na Tenda Árabe, recinto da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, aonde, a pedido, ele foi gravar um depoimento pessoal sobre a opereta “A Valsa Proibida”, objeto de um documentário histórico que estávamos produzindo, com o cineasta Roberto Bomfim, sob os auspícios do Benemérito Ivens Jr.

 

Ironia do destino, parece que ele foi inconsciente agradecer ao Stênio Pimentel, membro da ACLJ, filho do autor da peça de teatro referida, de pseudônimo “Silvano Serra”. Stênio conta que na sua tenra juventude reconheceu LB e o retirou do ônibus em que ambos transitavam, para tomar banho e um pouco de café em sua casa, pois o jovem jornalista vinha de uma festa e estava muito embriagado. 

Já no natal de 2025, convidados novamente para o seu Natal do Ugarte, nós fomos ao Cumbuco no helicóptero de Beto Studart, além do próprio Beto e do Flávio, seu irmão, estavam também conosco os jornalistas Fernando César Mesquita e Egídio Serpa. Foi a última vez que nós vimos LB. 



Na manhã seguinte à sua morte em Portugal, no dia 23 de abril, a sua irmã Norma comentou comigo ao telefone que, triste com o passamento de LB, entretanto confortada por não ter havido sofrimento, considerando que ele não suportaria a prostração da velhice que possivelmente o atingiria, fazendo-o depender de terceiros na sua intimidade, ele que sempre fora tão independente e reservado. 

Na mesma manhã recebi o relato de uma grande amiga dele sobre as circunstâncias da morte, quando se dirigia a Ibiza, na Espanha – cidade em que ele localizava as origens da sua família materna, os Quezado. Mas o voo atrasou por três longas horas em Lisboa. Ele então teria consumido bastante vinho no bar do hotel, caído e socorrido ao hospital, onde veio a falecer. 

No mesmo dia me enviaram uma sequência de áudios e de entrevistas em que LB estava despedindo-se, dizendo estar pronto para se encontrar com Deus, afirmando que queria morrer em Ibiza e que desta vez estava indo para nunca mais voltar. 

Era sabido que, ao morrer, ele queria ser cremado e que as suas cinzas deveriam ser lançadas no mar de Ibiza, pela amiga cearense Maria de Jesus Witt, dona do restaurante “Es Molino de Sal”, em Fermera, próximo a Ibiza.

Soube que Maria de Jesus e seu marido teriam decorado um dos seus iates para fazer o lançamento das cinzas de LB no mar de Ibiza, mas não sei se a família dele cooperou. Ele também deixou dito no livro de memórias que suas exéquias acontecessem em Fortaleza, na Igreja Cristo Rei, e que os seus amigos, na ocasião, vestissem todos ternos pretos... mas isso eu sei que não aconteceu, infelizmente.

  

ARTIGO - Eu e Lúcio Brasileiro (RV)

EU

LÚCIO BRASILEIRO
Reginaldo Vasconcelos*

 

A coluna de jornal com que Lúcio Brasileiro estreou na imprensa cearense, tanto o seu pseudônimo quanto a atividade jornalística, foi publicada na edição de 13 de agosto de 1955 da Gazeta de Notícias – exatamente quando nasci, mais de 70 anos atrás, contados da data destas notas atuais. 

Na verdade, quando a coluna “Pela Sociedade”, assinada por ele, começou a circular, Lúcio Brasileiro tinha apenas 16 anos, e eu, sete meses de existência.

Cresci nos anos 60 ouvindo falar no jovem jornalista, maldito e detratado pela nossa classe média, porquanto ele já cortejava seletivamente o “ecossistema” dos “clubes elegantes” da cidade (principalmente o Ideal), que eram frequentados pelo estrato social composto por empresários e políticos, entidades que discriminavam fortemente a ninguendade popular. 

Os clubes eram associações fechadas e com um número restrito de integrantes, e com um crivo apertado para a admissão de um novo sócio, que pudesse vir a superar suas muralhas para frequentar seus restaurantes, suas piscinas, suas festas. 

Lúcio Brasileiro contou com o beneplácito dos colegas bem-nascidos dos bons colégios do passado, e, afinal, conseguiu a simpatia dos mais ricos e importantes, reportando inteligentemente na coluna social suas vidas glamorosas.

Logo LB obteve “permanentes” – carteirinhas que abriam exceções e davam ingresso a determinados desprovidos de fortuna financeira e de poder, notadamente os mais destacados jornalistas. Dentre estes, LB brilhou exponencialmente, jovem bonito por trás de um pomposo bigodão, olhando de cima os pobres mortais que não ostentassem algum prestígio – inclusive os colegas de profissão que não obtinham os mesmos privilégios e ficavam ressentidos.

Mas ele se destacou principalmente porque passou a prestar uma verdadeira “mentoria” de boas maneiras e de elegância ao grand monde alencarino, personalidades que se reuniam regularmente com ele nas rodas de baralho, em suas casas e no cassino do Ideal. Era um Ceará ainda muito provinciano e pouco viajado além-fronteiras, e mesmo além-divisas do Estado, num tempo em que eram muito “distantes” os grandes centros nacionais – a cidade do Rio de Janeiro, então Capital do País, e São Paulo, o maior polo industrial.

Lúcio Brasileiro tornou-se íntimo de governadores e de celebridades em geral, frequentando todos os grandes eventos da Capital cearense, dimanando noções intuídas e aprendidas de etiqueta social – o que a população machista da época considerava “frescura”, regramentos de conotação efeminada. Aliás, uma das pechas que lançavam injustamente contra ele era de “homossexualismo”, um gravíssimo labéu naquele tempo.

Lúcio namorava beldades, mas não se vinculava a alguma delas por noivado ou casamento, o que reforçava as suspeitas quanto à sua orientação sexual, pois era um tempo em que, por volta dos 18, 20 anos, todos os rapazes se casavam, raríssimas e malvistas exceções, enquanto as moças da mesma idade que não fossem desposadas passavam a ser vistas na condição de rejeitadas. 

Mas LB flanava sobranceiro sobre a maledicência popular, sem responder às invectivas, no máximo lembrando o belo provérbio que certa vez eu o ouvi articular: “Ladram os cães... e a caravana passa”. 

Porém, em certo momento, os cães não se limitaram a latir, mas resolveram morder a caravana que passava. Lançaram a público gravíssimas suspeitas absolutamente infundadas de que LB tivesse o hábito hediondo de praticar necrofilia – um distúrbio psíquico que causa atração sexual por cadáveres insepultos. 

O jornalista Augusto Borges trazia para si o demérito de haver deflagrado esse boato, me contando, pessoalmente, que, na redação de um jornal em que ambos trabalhavam, um grupo de jovens repórteres acompanhava, de madrugada, o “fechamento” da edição, quando alguém lançou o desafio sobre qual deles teria coragem de ingressar no cemitério. 

Ainda segundo Augusto Borges, o grupo teria se dirigido ao Cemitério São João Batista, subornado o porteiro, e somente LB teria se disposto a adentrar no campo-santo, aprofundar-se nele e retornar tranquilamente. Então, no outro dia, numa brincadeira de mau gosto, Augusto teria publicado uma nota no jornal dando conta de que LB fora visto vagando a desoras entre os túmulos na necrópole. 

Mas o próprio LB me apresentou outra versão, dizendo que retornava de uma noitada no Country Clube com Gisa, sua namorada, conduzindo-a à casa dela, próxima ao Cemitério. Então, ele tentou convencer o porteiro a deixá-los entrar, para terem a experiência exótica de namorar entre os sepulcros. 

Talvez o LB quisesse emular com a sua bela namorada cenas de cinema, arte que ele tanto apreciava, quem sabe lembrando Norka Ruskaya, dançarina russa que performava sobre túmulos, ou a brasileira Luz Del Fuego.  

Aí passou um carro de reportagem d’O Estado, que publicou no outro dia que ele fora visto ali em altas horas – em nota do seu parente Venelouis, o dono do jornal. 

Seja qual for a versão real  talvez as duas verdadeiras, primeiramente aquela a que Augusto Borges referia, e depois esta que ele mesmo relatou – a tragédia que se seguiu foi a exploração do fato pelos que deploravam LB, na imprensa e fora dela. 

Em dois momentos da minha infância, testemunhei a malícia pública contra ele, quando, uma vez, fui ao mercado e vi uma obra de literatura de cordel sobre “O homem que come defunto” – e parte do povinho interpretava o verbo “comer” literalmente, “antropofagicamente”, o que era ainda tão absurdo quanto grave. 

De outra feita, LB passou em seu automóvel, um Simca Chabord, diante do Colégio Castelo Branco, do qual minha casa era defronte, e a estudantada que estava na calçada explodiu em vaias, apupos e gritos referentes ao boato ofensivo. Mas ele continuou impassível ao volante do seu carro – os cães ladrando e a “caravana” indo em frente.

Sim. Nada o abalava, naquela toada do adágio popular: “O que vem de baixo não me atinge”. De fato, não atingia, até porque a nata da sociedade dedicou a ele um jantar de desagravo, no Náutico Atlético Cearense, e consta que os colegas causadores do escândalo em alegada boa-fé, foram até lá se desculpar. 

Neno Cavalcante, irmão mais jovem de LB, contou que o diretor da TV Ceará, Guilherme Neto, quis dar à vítima da boataria, que trabalhava na emissora, uma oportunidade de defesa. Convidou-o a gravar uma entrevista com o Narcélio Limaverde, mas LB pareceu não dar nenhuma importância à calúnia que sofria, desviando-se da resposta que o entrevistador quis provocar: 

– Lúcio, qual foi a coisa que mais lhe entristeceu na sua vida? 

Ele respondeu: 

– Foi quando disseram que eu sou analfabeto. 

De fato, ele nunca recrudesceu, nunca reagiu e nunca pareceu estar abalado com a campanha contra ele. Nunca nutriu ressentimento contra os colegas causadores do imbróglio, razão pela qual o jornalista Ciro Saraiva teria dito que: “Lúcio Brasileiro não se importa com nada, nem consigo mesmo”. 

A contrario sensu, a primeira pergunta que fiz a LB para a sua biografia foi sobre a razão de não se ter ele casado, rapaz bonito e elegante, tão bem relacionado como era. A sua resposta foi aguda: “Não casei porque gosto tanto de mim mesmo que nunca me quis dividir com outra pessoa”. 

Eu evitei transcrever a resposta nesses termos no livro sobre ele para não passar a ideia falsa de que ele fosse egoísta, o que não era. Pelo contrário, era humano, generoso, solidário. Era mesmo desprendido e caridoso. Certa vez ele vendeu o próprio carro para financiar uma festa em homenagem a um amigo. Perguntado o porquê dessas suas esquisitices, a resposta recorrente era apenas: “Porque eu sou assim...”. 

É que LB tinha traços de autismo moderado – era solipsista, autorreferente, excêntrico, pontual, organizado, sistemático, excepcionalmente focado e inteligente, dotado de memória prodigiosa, que lhe possibilitava ter de cor todos os fatos, todas as datas, todos os locais e todas as escalações dos times de futebol das seleções. Ele respondeu sobre Copas do Mundo em um programa de TV que dava prêmios por respostas acertadas, mas ele só permaneceu respondendo até obter a quantia necessária para o pagamento de uma dívida, cedendo o espaço restante para outro respondente. 

Lúcio Brasileiro não se incomodava com quem estivesse contra ele, pois o respeito daqueles cujo afeto lhe importava o satisfazia inteiramente – seus maiores amigos (que ele classificava como seus “irmãos civis”), e os seus grandes protetores e eventuais provedores na nossa “alta sociedade”. Entre os irmãos civis de LB posso citar Lustosa da Costa e Frota Neto, Sabino Henrique e Pádua Lopes, Paulino Rocha e Tarcísio Tavares, João Soares Neto e Fernando César Mesquita, todos esses jornalistas.

 

Ivens Dias Branco e José Macedo despontam entre os grandes empresários que tiveram por ele estima paternal, enquanto o casal Virgílio e Luiza Távora resplandecia no altar votivo do seu amor e de sua eterna gratidão.

Quanto às mulheres que atravessaram o sua vida, além da já referida namorada Gisa, constam uma anônima aeromoça, morena voluptuosa a que Tarcísio Tavares se refere; a bela Kitti Mourão, uma grande paixão que o acometeu; a Wanda Palhano, que narra a festa, o flerte, a dança, que iniciaram sua íntima amizade.

 

Principalmente Fernanda Quinderé e Wilma Patrício, suas grandes amigas, desde sempre e para sempre.

   

segunda-feira, 18 de maio de 2026

ARTIGO - Não há Civilização Sem Mineração (CRA)

 NÃO HÁ CIVILIZAÇÃO
SEM MINERAÇÃO
Carlos Rubens Alencar*

 

Em um planeta onde só 11% da superfície é útil, minerais sustentam energia, tecnologia e a própria vida. E ninguém fala sobre isso. 

Acordei esta semana pensando em Galileu Galilei e o reconhecimento da ignorância.

Desde que as redes sociais foram criadas, a informação mudou. O empobrecimento dos conceitos é visível. Munidos de um “brinquedinho” na mão, todos acham que podem tudo. Alguns, como Tristan Harris, já se arrependeram. Difundir opiniões sem base científica virou um clique. E audiência não falta. 

Há quem, captando o momento, vire influenciador. É uma nova profissão. 

Nosso planeta orbita o Sol, move-se com a galáxia e nunca retorna ao mesmo ponto do espaço. As alterações do polo magnético produzem transformações na atmosfera e no clima. 

O desenvolvimento humano, desde os primórdios, sempre esteve ligado à energia. Nunca o mundo dependeu tanto dela. 

E é aqui que ocorre uma grave desinformação: sustentabilidade e desenvolvimento dependem de minerais. O planeta tem 510 milhões de km², mas dois terços são mar. Excluídas as áreas geladas, desertos como Saara e Atacama, florestas como a Amazônica e as áreas urbanas, sobram 60 milhões de km² úteis. É nessa fração que estão os minerais que sustentam a civilização e a própria vida. Não há vida sem mineração. 

Enfim, tomei café, fui à janela e lembrei do Esteves da Tabacaria e da “ilusão do conhecimento”. A verdadeira inteligência traz humildade de saber que há sempre mais a aprender, enquanto o orgulho cega.


quarta-feira, 13 de maio de 2026

DUAS NOTAS ACADÊMICAS

 ACADEMIA CEARENSE
DE
LITERATURA E JORNALISMO
 
INAUGURA A SALA
IRMÃOS XIMENES
DA SUA
 
ARCÁDIA ALENCARINA 

No dia 03 deste mês de maio, um dia antes da sua data aniversária, a ACLJ inaugurou a sede social da Arcádia Alencarina, estamento que representa o seu “núcleo duro”, “estado maior” ou, ainda analogicamente, o seu “sínodo episcopal”. Mais literalmente, na sua nomenclatura interna, a sua Decúria Diretiva.

 

A Arcádia Alencarina (em latim, coetus quindecim) é composta pelos cinco diretores e mais dez, dentre os quarenta membros titulares da ACLJ (em latim, quadraginta numerati), que se dispuseram a subsidiar financeiramente a entidade como um todo, e atuar como conselho consultivo e administrativo a um só tempo.


 

Os 15 árcades acelejanos instituíram um fardão para uso em suas reuniões bimensais, à semelhança daquele adotado pela Academia Francesa em 1635 (que a Brasileira quis homenagear em 1897, e que envergonha atualmente) – conservadas as suas becas rituais (as ditas "pelerines"), para as grandes Assembleias Gerais da Academia.


 

A sede social da Arcádia Alencarina, denominada “Sala Irmãos Ximenes”, recentemente inaugurada, suprimiu a rotina itinerante dos “fardonados”, que até a sua 8ª Reunião instalavam-se em salões de festa de condomínios edilícios, por jardins de residências, inclusive o quartel da Escola de Aprendizes Marinheiros. 


O nome da sala é um preito post-mortem ao poeta Paulo Ximenes, o primeiro membro do grupo inaugural da Arcádia Alencarina a falecer, também o último a desencarnar de uma prole de seis, do qual era o primogênito.

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A
ACADEMIA CEARENSE
DE
LITERATURA E JORNALISMO
PROMOVE A SUA
15ª ASSEMBELIA ANIVERSÁRIA
 
DÁ POSSE AO
DR. NONATO DE CASTRO
E
OUTORGA O TÍTULO DE
CERENSE DO ANO 2026
AO
DR. NEURI FREITAS
PRESIDENTE DA CAGECE 

No dia 05 deste mês de maio, um dia após a sua data aniversária, a ACLJ promoveu uma Assembleia Geral em comemoração à efeméride natalícia, no auditório principal do Palácio da Luz, evento que atraiu um público suficiente para superar os cento e cinquenta assentos do plenário, supridos por dezenas de cadeiras extras do estoque do Palácio.



Durante a solenidade, tomou posse na Cadeira de nº 23, patroneada pelo saudoso jornalista e deputado Dorian Sampaio, Nonato de Castro,  tendo sido proposto seu nome pela Prof. Dra. Luciara de Aragão e Frota, e pelo gráfico e editor Dorian Sampaio Filho.

A Cadeira de nº 23 era sede vacante desde o passamento do jornalista João Bosco Serra e Gurgel, falecido em 2024.

 

Cumprindo o Item Especial da cerimônia, a ACLJ outorgou ao Presidente da Companhia de Água e Esgoto do Ceará, a Cagece, Neuri Freitas, o título de Cearense do Ano 2026.


 

A láurea faz o reconhecimento público do mérito de ter superado o desafio de vencer a seca de 7 anos e a pandemia da Covid-19, ao longo do seu mandato de 10 anos.

E fê-lo sem solução de continuidade na prestação do serviço essencial de fornecer água potável à Capital e a mais 152 municípios do Estado – recolhendo os seus efluentes para descartá-los tratados, portanto, sem prejuízo à Natureza.

Ao final, foi apresentado o vídeo da retrospectiva 2026. Para acessar, acione o link abaixo. 

https://drive.google.com/file/d/1r0KXsRKaFSD2zsEeXvbHQK5cGeVJbFFm/view?usp=sharing


Terminada cada solenidade, foi apresentado o clip com o Cântico Alecejano, a Canção da Academia. Para acessar, acione o link abaixo.


domingo, 3 de maio de 2026

FILOSOFIA - "Perdido Numa Esquina de Kensington" (CRA)

 “Perdido numa esquina
de Kensington”
Carlos Rubens Alencar*



Levei tempo para compreender que não há “eu” separado. Os cortes epistemológicos falham porque pretendem dividir o que é indivisível: Deus, ou seja, a Natureza.

Qual é o prazer da conquista? Compreender que a luta não é minha. É a substância pulsante neste modo finito que sou. A caverna não é prisão. É proposição. Platão quis transcender o fenômeno. Spinoza demonstrou a necessidade da sombra como consequência da lei. A negação é um afeto. A exigência de resposta é inadequação do entendimento. 

E compreendo: não há silêncio de Deus. Há conhecimento inadequado. Deus não fala porque é. A totalidade não se dirige à parte. A lei não se comunica com o caso particular. As coisas têm sentido íntimo? As coisas têm causa. Têm necessidade. Isso basta. É absoluto. É Deus. 

A imaginação sonha mil horas sem fim. Mas o limite do pensamento, e da beatitude, é conceber adequadamente: o melhor é o presente. Porque só no presente a eternidade se concebe sob o aspecto da compreensão do tempo. Convém que nos esforcemos por livrar-nos das paixões tristes. 

Que compreendamos nossa potência de agir. Temos um compromisso, não com a humildade que nasce da impotência, mas com a liberdade que nasce do terceiro gênero de conhecimento. E diante da substância, o intelecto indaga: vida minha, vida, olha o que é vida? Responde-se: sabe-se. Porque conhecer as causas é o mesmo que agir.