quarta-feira, 2 de setembro de 2026

CRÔNICA - O Peso dos Encontros (VCPJ)

 

O Peso dos Encontros
Valdester Cavalcante Pinto Júnior*

 

Fortíssimo é quem se escuda por trás de sua fraqueza. (PIERRE DE LUZ, historiador e biógrafo francês. O mesmo Pierre Paul Soulanges Émile Henry de la Balnchetaí. 1893-1956)

           

Não sei até onde vai dar essa peleja. Não escolho essa palavra por acaso. Há vocábulos e expressões que já transportam uma pequena tragédia sonora, e peleja me parece uma delas. Pronunciá-la é quase admitir que estamos diante de uma luta que ninguém desejou, entretanto, por alguma ironia da existência, somos obrigados a travar. 

O convívio com pessoas que não sabem dividir espaços – e que, para completar a obra, só parecem encontrar alguma satisfação quando logram se convencer de que são somente elas – tem o curioso poder de transformar um lugar de trabalho em um pequeno teatro de guerra. 

Há criaturas que não ocupam um espaço – usurpam-no. Não dividem a luz – precisam apagá-la ao redor. Não convivem – estabelecem territórios. E, como toda pequena tirania, têm início por coisas aparentemente insignificantes, até que respirar no mesmo ambiente se torna quase um ato de resistência. 

É curioso observar o modo como algumas pessoas precisam diminuir os outros para experimentar a própria grandeza. Assim, passam a vida medindo presenças, contando aplausos e disputando a atenção alheia, sob um constante e vigoroso aparato de holofotes luminosíssimos, como se a existência fosse uma cerimônia na qual só houvesse um protagonista. 

Que pobreza de espírito deve ser essa de precisar que o outro desapareça para sentir-se inteiro! 

Há, porém, situação ainda mais sutil nessa história. Existem encontros que nos tornam maiores. Depois deles, saímos mais leves, dispostos, bem capazes de criar, pensar e agir. E existem os que fazem exatamente o contrário. Não deixam feridas visíveis, o que é uma grande vantagem para quem as provoca, mas retiram lentamente nossa disposição para a vida. 

É assim que certos ambientes nos latrocinam, sem levar a mão ao bolso em tempo algum. Primeiramente, conduzem o entusiasmo. Depois, a espontaneidade. Em seguida, transportam a vontade de falar. A posteriori, até o que antes nos dava prazer já parece um esforço desnecessário. 

É então que descobrimos uma verdade pouco conveniente: às vezes, não é o trabalho que nos cansa. São os encontros. E o maior equívoco dessas pequenas disputas está, certamente, em imaginar que a convivência exige a vitória de alguém, como se fosse necessário haver um vencedor para o outro existir. O mundo, felizmente, todavia, é mais generoso – e mais sensato — do que certas pessoas. Somos diferentes, pensamos de maneiras distintas, ocupamos lugares diversos. E é exato dessa pluralidade a nascer alguma coisa que merece ser chamada de mundo comum. 

O problema é inaugurado quando alguém acredita que um espaço compartilhado é uma ameaça à sua importância. De tal sorte, já não basta marcar comparecimento, impondo-se, porém, a necessidade de ser magnificamente notado ao lume dos refletores. Sobra insuficiente fazer bem, sendo preciso que ninguém realize melhor. Não satisfaz meramente ter voz. Impende silenciar os demais. 

E assim, pouco a pouco, a convivência deixa de ser encontro e se perfaz competição. Esta, sem dúvida, é a mais ordinária de tirania: aquela que não precisa de grandes poderes, uniformes ou decretos. Resolve uma pessoa convencida de que sua importância depende da insignificância dos outros. Há, porém, uma espécie de força muito mais rara: a de não precisar esmagar ninguém para permanecer de pé. 

Há grandeza em dividir a luz. Inteligência em reconhecer o brilho alheio. Liberdade em não precisar ser o único. Eis minha peleja: não vencer nem tomar o lugar de ninguém, tampouco disputar a condição de protagonista. Cumpre somente preservar em mim aquilo que certos encontros insistem em corroer  a alegria, a dignidade, a capacidade de criar e, sobretudo, a liberdade de existir sem transformar o outro em adversário, pois um ambiente é até passível de ser compartilhado por muitas pessoas e, ainda assim, a somente uma pertencer – psicológica e enfermiçamente.


domingo, 30 de agosto de 2026

ANOTAÇÕES - Mais Loisas Que Coisas (AG)

 MAIS LOISAS
QUE COISAS
Aluísio Gurgel *

  

O MALAMÉM 

A professora perguntou qual era a entidade mais poderosa da cristandade e ele respondeu na bucha: “O malamém!” Ela quis a justificativa e ele discorreu: “No fim do Pai Nosso, a gente sempre pede ‘mas livrai-nos do malamém!’”

 

BALU 

Necessário, somente o necessário. O extraordinário é demais!

 

TROPEÇO 

Não sabe dizer? Não diga. Depois você encontrará quem lhe sugira aprender. Lembre-se de criticar tudo o que aprender. O processo se converterá num moto contínuo até parar um dia. 

 

DESABAFO 

É necessário muita paz de espírito para ver o sofrimento de dois filhos se degladiarem e se manter calmo com toda sinceridade e respeito a esse sofrimento que nem nosso é e que jamais deveria eclodir assim tão devastadoramente ao nosso redor. O recado é breve: alguém se deixou contaminar por alguém. Resta saber quem. Se estiverem todos de acordo, o melhor será acalmar os ânimos e entender que eu não preciso ser materialmente prejudicado pelas consequências da fraterna disputa, estamos entendidos?


FADO E MORADIA 

Morar em ti
É como um fado
Que um dia
Ela cantou
Nunca senti
Tal desagrado
Que a apatia
Experimentou
Do seu querer
Eu bem senti
O que é amar
É meu prazer
Entrar em ti
E me aquietar

 

FRASES I

A mágoa às vezes é a pior das dores.
Nenhum dos dois merecia isto, lamento.
Dói quando você sofre.
A vida é uma frase.

 

FRASES II 

Certa feita, Mauro Reis e Solemar cantaram em homenagem as frases que amanheceram escritas nos muros, desejando abaixos e vivas gerais. Foi um tempo em que se lutou pela liberdade de expressão.


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

RESENHA - Habilidade Natural (Vianney Mesquita) (SN)

 HABILIDADE NATURAL
(Vianney Mesquita)
e o risco da maquinização do humano
Sousa Nunes*

 

A linguagem é a morada do ser. (MARTIN HEIDEGGER, pensador e reitor acadêmico alemão. 26.09.1889 – 26.05.1976).

 

 

O breve e indispensável artigo do confrade Vianney Mesquita sobre a Habilidade Natural — HN, em face da Inteligência Artificial, é uma defesa da dignidade do ato de pensar. E, vindo de sua lavra, não surpreende que a reflexão se exprima pensada, cogitada e ponderada, numa linguagem primorosa, em que o erudito convive, sem afetação, com a harmonia da língua. 

Concordo com o citado mestre, quando reivindica, para a criação intelectual, a primazia de experiência, leitura, investigação, memória cultivada e exercício pessoal da inteligência. A máquina é capacitada a consultar, ordenar, combinar e restituir, com espantosa velocidade, aquilo que o engenho humano acumulou. Existe, entretanto, a distância essencial entre a informação recomposta e o pensamento amadurecido – o conluio da resposta instantânea com o saber conquistado na intimidade silenciosa da reflexão. 

Eis um dos grandes perigos atuais: a fase da máquina está a destruir o tempo humano. Este é aquele de leitura demorada, escuta, reflexão e contemplação. É o período em que uma ideia repousa em nós antes de encontrar a palavra que a exprima. À época da máquina é a mesma da pressa, do automatismo, resposta imediata, superfície. E, quando a velocidade substitui a meditação, sobra depauperado, também, o vocabulário — e, empobrecendo-se a linguagem, estreita-se o próprio mundo interior. 

Heidegger deixou-nos a luminosa advertência, exprimida à epígrafe, de que a linguagem é a morada do ser. Se habitamos o mundo pela linguagem, perder a intimidade com as palavras é, de algum modo, desperdiçar parcelas de nós mesmos, porquanto somos também o que conseguimos nomear, pensar e dizer. Por isso, abandonar a escrita pensada, criativa, reflexiva e contemplativa significa consentir, pouco a pouco, em uma perigosa maquinização do humano. 

E ocorre-me Manuel Bandeira, no inesquecívelMomento num café” (em Estrela da Manhã, 1936): diante do enterro que passava, todos cumpriam maquinalmente o gesto convencional; apenas um homem interrompeu o automatismo e descobriu-se, por um instante, diante da vida, da morte e do mistério de existir. A palavra decisiva talvez seja justamente esta: maquinalmente. Há o risco de que estejamos ingressando numa civilização que lê automaticamente, escreve instintivamente, responde inconscientemente, e, por fim, vive maquinalmente – unificando as referidas moções comunicativas. 

É contra esse empobrecimento que o valioso texto do erudito Vianney Mesquita adquire especial oportunidade. Conduz-nos a lembrar de que nenhuma tecnologia deveria dispensar o ser humano da aventura insubstituível de formar o próprio pensamento. 

Parabéns, doutíssimo confrade e ínclito mestre palmaciano. Sua reflexão merece os mais elevados encômios, porque, ao defender a Habilidade Natural, postula, em última instância, o que ainda nos cabe preservar: a soberania da inteligência humana, o lavor da palavra e o tempo interior sem o qual não há verdadeira criação. 


terça-feira, 25 de agosto de 2026

CRÔNICA - O Tribunal do Céu (TL)

 



ARTIGO - Egrégora do Pensamento (VCPJ)

 

EGRÉGORA
DO
PENSAMENTO
Valdester Cavalcante Pinto Júnior*

 

  

Aforismo e sentença são duas modalidades eternais. Orgulho-me de expressar em dez palavras o que um ou vários exprimem num ou em vários volumes. (FRIEDRICH WILHELM NIETZSCHE, filósofo e linguista tedesco. Rocken, 15.10.1844; Weimar, 25.08.1900).



Há um lugar — talvez imaginário, decerto mais necessário do que a própria realidade — onde o pensamento se reúne, antes de a palavra se converter em sentença e a diferença restar transmudada em condenação. 

Ali, por um instante, a pessoa humana abandona a confortável certeza de estar sempre correta e se concede a rara extravagância de escutar. 

Chamemos de EGRÉGORA esse local: uma inteligência não pertencente a ninguém, mas que nasce entre muitos. É um locus invisível, onde as consciências, ao contrário de experimentar o enfrentamento, ousam pensar umas com as outras. 

Vivemos, entretanto, em um curioso século de antigas paixões. O ódio, que outrora necessitava de espadas, descobriu a elegância das palavras. Aprendeu a vestir-se de argumento, a se manifestar feito convicção, a pedir aplausos, enquanto desumaniza. 

De efeito, a pouco e pouco, o outro parou de ser semelhante para tornar-se adversário. Entrementes, o adversário se fez inimigo; e este adverso, por algum estranho capricho da inteligência, decidiu parecer indigno de existir. Talvez nos faleça, por consequente, não mais informação, mas sabedoria. 

Precisamos, com efeito, reaprender a olhar, sem transformar nossa óptica em julgamento, escutar, deixando de preparar o veredicto e discordar, não convertendo em pecado a divergência. 

Impõe-se, ainda, nos recordemos do que nossas paixões fazem questão de ocultar: 

– a razão é suscetível de ser brilhante, entretanto, a humanidade é anterior a ela;

– ninguém possui o monopólio da verdade e, talvez, a primeira virtude de uma inteligência esteja em desconfiar da própria certeza; 

– esta reunião de pensamentos conforma, portanto, uma pequena egrégora contra a grande epidemia da indiferença; 

– nossas ideias não representam trincheiras, mas pontes; e 

– nossas palavras não servem para fabricar inimigos, mas a fim de devolver ao outro o rosto que o preconceito lhe surripiou. 

Tudo isto ocorre porque o mundo não é feito somente do que acontece, mas também daquilo que acreditamos estar sucedendo. 

O universo, por conseguinte, é composto de histórias por nós narradas, verdades repetidas, medos recebidos como herança e, ainda, pelos futuros que somos capazes de imaginar. 

Eis, quiçá, nossa responsabilidade: 

– pensar é também escolher o mundo que ajudamos a transformar em possível. 

– Se o ódio aprendeu a reunir multidões, que o cuidado aprenda a jungir consciências. 

Se a intolerância encontrou voz, que a humanidade encontre linguagem. 

Se a violência se tornou hábito, que a lucidez se torne resistência. 

Se nos disseram que o mundo é assim e que nada há a fazer, permitamo-nos a mais subversiva das esperanças: imaginar que é possível ser diferente.

Que nossa Egrégora do Pensamento seja esse encontro improvável entre razão e sensibilidade, dúvida e esperança, pessoas que não pensam igualmente, mas ainda acreditam no outro como digno de ser ouvido.       

Certamente, a civilização não sinaliza o formulado contra os outros, mas o que logramos estabelecer, sem deixar ninguém de fora da condição humana. 

E talvez seja esta a nossa tarefa: 

pensar juntos, para que o mundo não precise continuar sendo algo cogitado pelo ódio, em  vez de ser refletido por nós.


RESENHA - A Propósito da Hbilidade Natural de Vianney Mesquita (IG)

 A propósito da
Habilidade Natural,
de Vianney Mesquita
Ítalo Gurgel* 

 

 

O texto do Vianney, confrade ilustre e amigo preclaro, distingue-se, desde o título, pela agudeza de uma formulação que contrapõe à Inteligência Artificial a expressão Habilidade Natural — HN, achado vocabular ao mesmo tempo engenhoso e provocador

A declaração afronta tema de incontestável atualidade e o faz sob perspectivas particularmente relevantes: a autoria, a honestidade intelectual, a formação do conhecimento, o respeito às fontes e a responsabilidade de quem subscreve e publica um texto. 

Fiel à sua reconhecida erudição e ao zelo que sempre dedicou ao vernáculo, o autor não se limita a registrar uma preferência pessoal: suscita uma reflexão necessária sobre os limites entre o auxílio instrumental e a substituição do trabalho criador. Pode-se concordar ou não, integralmente, com a rígida separação estabelecida entre HN e IA; permanece, contudo, o mérito maior da declaração: lembrar que nenhuma ferramenta, por mais avançada que seja, dispensa o discernimento, a experiência, a consciência ética e a responsabilidade autoral.  

Num tempo em que a tecnologia frequentemente se antecipa à reflexão sobre seus próprios efeitos, Vianney traz ao debate uma advertência lúcida, corajosa e oportuna.


domingo, 23 de agosto de 2026

NOTA SOCIAL - Maracanaú Saúda o Jornal O Estado

 EDILIDADE
DE MARACANAÚ
SAÚDA JORNAL O ESTADO
PELOS SEUS 90 ANOS

 

A Câmara de Vereadores de Maracanaú (município da Zona Metropolitana de Fortaleza), na pessoa de seu Presidente, o advogado Raphael Pessoa Mota, recebeu, nesta quinta-feira, 20 de agosto, a Diretoria do tradicional jornal cearense O Estado, colabores do periódico, e representantes da imprensa cearense, para oportuna homenagem antecipada, tendo em vista que no próximo dia 24 de setembro o noticioso estará completando 90 anos de existência, data em que a Assembleia Legislativa do Ceará dedicará à veterana empresa jornalística uma Sessão Solene, a requerimento do Deputado Heitor Ferrer. 

Foram agraciados com diplomas de honra ao mérito os dirigentes de O Estado, Soraya de Palhano Xavier, Diretora-Presidente; Gabriela de Palhano Torres, Diretora Institucional; Eduardo de Palhano Xavier Torres, Diretor Executivo, este principalmente representando o seu avô, patriarca da família, Venelouis Xavier Pereira, homenageado in memoriam.

 

Também recebeu o mesmo título honorífico o advogado e jornalista Reginaldo Vasconcelos, Presidente da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo (ACLJ), Conselheiro do Jornal O Estado.



 

Agraciados ainda os articulistas de O Estado Macário Batista e Barros Alves – jornalista, poeta, bibliófilo e assessor parlamentar  e ainda o Presidente da Associação Cearense de Imprensa (ACI), Eliézer Rodrigues.

 

Estavam presentes na solenidade, acompanhando o Presidente Reginaldo, os Membros Titulares da ACLJ Rui Martinho Rodrigues, Adriano Jorge, Pedro Bezerra de Araújo, Roberto Bomfim e Vicente Alencar, que posam na fotografia com os confrades Barros Alves e Soraya de Palhano, que também integram a referida confraria lítero-jornalística.

  

 


Falaram (nessa ordem) o Presidente da Câmara Municipal, Raphael Pessoa Mota, a Diretora do Jornal O Estado, Gabriela de Palhano, a Presidente Soraya de Palhano Xavier, Reginaldo Vasconcelos, Presidente da ACLJ, o jornalista Barros Alves e o Prefeito Roberto Pessoa.



Após a solenidade, o Prefeito Roberto Pessoa recebeu o grupo em seu gabinete, distribuiu e recebeu publicações, agraciando a todos, ao final, com estatuetas de maracanãs – ararinhas que dão nome ao município, confeccionadas por um artesão local.

A reunião foi encerrada com preces católicas – o Pai Nosso e a Ave Maria – pronunciadas em latim pelo acadêmico acelejano Pedro Bezerra de Araújo. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

SONETO - Zelito Oitentão (VM)

 ZEILTON OITENTÃO
[Palmácia (Japão), 22 de agosto de 1946]

Vianney Mesquita*
 

Da vetustez o Criador fez o Santuário de toda a sabedoria, da justiça inteira, e o tabernáculo das mais heroicas virtudes. (ANA SOFHIA SWETCHINE: escritora e salonnière. Moscou, 22.11.1782; Paris, 10.09.1857). 

 

O Dr. José de Freitas Lourenço, administrador de empresas – aposentado do INCRA, com o filho, Dr. Alysson Alves Freitas, engenheiro civil e empresário

 

Zeilton – José de Freitas Lourenço,
Camarada/irmão, nato em Palmácia,
Padrão do siso e da perspicácia,
Prendado de brandura e de bom senso.
 
Sereno, mas afeito à eficácia,
Titulado em Gestão, com saber denso,
Do Paraíso é um cristão pretenso
Sem conformar, porém, qualquer audácia.
 
Agora – dia vinte e dois de agosto –
Bem de corpo e de alma, mui disposto,
Não retrata um cursor de desenganos.
 
Avezado à moção dos exercícios,
Assomou a milhares de artifícios,
Com vistas a transpor os oitent’anos.