sábado, 18 de maio de 2024

NOTA ACADÊMICA - 4ª Reunião da Arcária Alencarina

4º REUNIÃO
DA
ARCÁDIA ALENCARINA

Teve lugar no jardim da Tenda Árabe, na noite deste dia 14 de maio, a 4ª Reunião da Arcádia Alencarina, da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo. 

O evento contou com a presença dos árcades Reginaldo Vasconcelos, Pedro Bezerra de Araújo, Adriano Jorge, Vicente Alencar, Sávio Queiroz Costa, Rui Martinho Rodrigues, Luciara Aragão e Stênio Pimentel Gomes. 

Como convidados o confrade César Barreto, o ator Ricardo Guilherme e o tenor Franklin Dantas. 

O tema central dos debates foi o projeto de montagem de uma performance teatral sobre Silvano Serra e a sua peça A Valsa Proibida, convertida em opereta pelas canções compostas em parceria com Paurilo Barroso na década de 40, e encenada tantas vezes no País, inclusive no Teatro José de Alencar, pela “Comédia Cearense”, desde 1957. 

A primeira reunião arcádica a céu aberto, sob a prata de uma lua crescente, teve a data fixada para homenagear o confrade Stênio Pimentel, filho de Silvano Serra, radicado no Rio de Janeiro, presente a Fortaleza para assuntos acadêmicos, que exatamente naquele dia completava gloriosos e hígidos 82 anos de idade.

Na oportunidade, César Barreto fez uma rápida palestra sobre a "jovem guarda" musical cearense dos anos 60, 70, 80 e 90, da qual foi protagonista, assunto de seu novo livro “Os Sons do Rataplans”, e executou com voz e violão uma bela canção de sua autoria e do poeta Luciano Maia, intitulada "Resultado", cuja letra trata poeticamente das questões ambientais. 

Rui Martinho Rodrigues, por seu turno, brindou o grupo com uma rápida reflexão sobre a arte teatral, e o latinista oficial da ACLJ, Pedro Bezerra de Araújo – após apresentar um estudo sobre a melhor tradução da expressão jurídica "fumus boni juris", que seria "perfume do bom direito, e não fumaça", fez uma homenagem na língua litúrgica vaticana aos três confrades recentemente falecidos – Wilson Ibiapina, Cássio Borges e José Maria Chaves. 

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CRÔNICA - Treze Anos da ACLJ (MQB)

 

Treze anos da ACLJ.

Uma crônica.

Manoela Queiroz Bacelar*

 

Cheguei antes das 19h, como combinado. Sapatos pretos de salto alto. Pelerine. Uma ajuda providencial e simpática para o laço do torçal amarelo arrumado ainda no foyer.



As pessoas se acomodavam no auditório do Palácio da Luz que, naquela noite, era a casa dos treze anos. Por algumas horas, a majestosa e vetusta edificação deixava-se rejuvenescer. Cal, pedra, madeira, tijolo, livros e memórias, tudo restou mais incauto, mais inocente, mais leve.

Ao centro do salão, bem à frente da assistência, uma mesa menor com três cadeiras, três nomes e três velas para acomodar três mulheres. O fogo parecia atraente. Sentei-me de frente para minha chama, ao lado de uma bela Graça, que seria mais tarde homenageada. Nossa terceira companheira seria Patriciana, cuja ausência comprovava o quanto as mulheres somos demandadas. 

A poucos metros da mesa feminina, uma mesa maior, mais alta, mais solene, en face, como se diz no balé. Uma mesa masculina, composta por sete homens com o presidente Reginaldo ao centro, iniciou os trabalhos de uma pauta animada a ser cumprida pelos acadêmicos. Acompanhada por familiares, amigos e convidados a noite teve direito a clarinada com arauto, hino, música, banda em uniforme verde-oliva, fotografias, um telão com projeção audiovisual, vinho do Porto e um coquetel. 

A cerimônia foi conduzida pelo confrade Vicente e sua voz bem colocada. Antes das atividades propriamente ditas, um silêncio fraterno pelos irmãos do Sul. Assim acontecia a celebração de treze anos de criação da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo – ACLJ, A palavra foi dada ao confrade Rui que discorreu sobre a delícia do contraditório. Inaugurado na Grécia antiga, o modelo epistemológico do pensamento teorético foge aos achismos tão protagonizados no agora.

Séculos mais tarde, a estrutura serviu de base para o método científico e para a elaboração do pensamento dialético (Hegel e Marx). Tal como uma vigilância das opiniões, que se sustenta na coreografia do diálogo, a dinâmica afasta-se dos solilóquios herméticos e, portanto, estéreis. No fundo é uma com-versa que se coloca aberta, reflexiva, cheia de escuta atenta e se desloca em contrapontos apresentados por interlocutores respeitosos que argumentam no lugar de se digladiarem.

 

Esse modelo cognitivo busca a tentativa de se construir um conhecimento, com raízes no terreno da argumentação, da retórica e do discurso contraditório. Constitui a estrutura cognitiva dominante nos agrupamentos de tradição eurocêntrica, ao lado de outros sistemas válidos e legítimos do pensamento humano que forjaram a linguagem em grupos sociais de diversas tradições, como, por exemplo, os da oralidade indígena brasileira.

 

Escutava com atenção as palavras do mestre quando me indaguei sobre a beleza que seria o encontro das diversas formas do pensar humano e do benefício que teríamos enquanto espécie no âmbito das nossas habilidades relacionais, sem falar na potencialização do conhecimento per se produzido pelos diferentes saberes e fazeres.

 

Passada minha digressão, ative-me à oração do confrade Reginaldo que se lastimou dos extremismos que caracterizam a oposição pueril de opiniões erguidas em monólogos muita vez intransigentes. Ao mesmo tempo, ressaltou o papel essencial da ACLJ, concebida como uma arena suíça, neutra, livre da paixão às posições, receptiva às discussões dialógicas, saudáveis e, por isso, prazerosas. Ele ratificou a fala de seu antecessor, e, no meio da minha audição, anotei uma palavra que nunca escrevi: faina. Vou adotar.

 

Na sequência da pauta, um momento de memória e afeto. Foram homenageados três confrades que se transportaram para o infinito. Um engenheiro, um médico, um jornalista. Cássio, José Maria e Wilson, este último é a razão pela qual escrevo esta crônica, pois fui convidada a participar da ACLJ por sua intenção.

 

As falas breves e emocionadas dos confrades Marcos André, Vicente e Fernando César encheram o salão da saudade que sucedeu o deleite da apreciação de um vídeo produzido por Wilson, num passado recente, sobre os nossos artistas cearenses Fausto Nilo, Fagner, Ednardo e Belchior.

 

O ato subsequente foi de júbilo quando tomou posse à cadeira de número 31, o novo confrade Geraldo. Num discurso passional, demonstrou seu grande amor pela esposa e pela filha. Reverenciou seus antepassados e nos revelou a incrível história de seu homônimo pai, que sobreviveu a um naufrágio.

Obedecendo ao rito de concluir atividades pendentes de assembleias passadas, a confreira Graça recebeu das mãos do capitão de fragata, Daniel Rocha, a comenda que leva o nome de Rachel de Queiroz, a filha mais amada do Quixadá, a primeira mulher imortalizada na Academia Brasileira de Letras, também conhecida como Rita de Queluz. De onde Rachel teria inventado esse mágico pseudônimo?

 

Por fim, a entrega da comenda chanceler Airton Queiroz a José Roberto Nogueira foi adiada para uma futura oportunidade em razão de sua ausência.

 

A sessão foi encerrada pelo confrade Lúcio e a noite findou com o tradicional brindecom vinho do Porto, retratos para a posteridade, abraços, sorrisos, restinhos de conversas, despedidas, lembranças à família e até a próxima. Para minha satisfação pessoal, pude ter dois dedos de prosa com o confrade Rui sobre as circularidades do pensamento. Lembrei da moçambicana Paulina Chiziane, primeira mulher africana a receber o prêmio Camões. Ela nos provoca: “Afinal, o mundo é redondo... e que é o remoto numa bola redonda?”.
 

Na minha memória, a trilha sonora da noite fez-se vívida. A gravação instrumental da música Oração ao Tempo, do Caetano Veloso, foi ouvida em algum momento inicial da celebração. Os treze anos da ACLJ marcam o tempo, um tempo, qual tempo? Enfeitiçada pela melodia circular, não consegui esquivar-me da poesia, da letra... as palavras, essas danadas que nos escapam; sempre elas:

 

(...) E quando eu tiver saído o teu círculo

Tempo, tempo, tempo, tempo

Não serei nem terás sido

Tempo, tempo, tempo, tempo (...)


 

quinta-feira, 9 de maio de 2024

NOTA ACADÊMICA - 13ª Assembleia Aniversária da ACLJ

 13ª ASSEMBLEIA
ANIVERSÁRIA
DA ACLJ 

Obteve sucesso pleno a 13ª Assembleia Geral Aniversária da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, a ACLJ, ocorrida na noite do dia 06 de maio, no auditório principal do Palácio da Luz, no centro de Fortaleza, conduzindo o cerimonial o acadêmico Vicente Alencar. 

O evento recebeu do representante da Marinha de Guerra Brasileira ali presente, Capitão de Fragata Daniel Rocha, Comandante da Escola de Aprendizes-Marinheiros, a subida classificação de "BRAVO ZULU"  termo do jargão internacional dos homens do mar que indica ter sido a faina "impecável".

Na imagem, a Banda de Música do Exército, cumprindo a tradição de executar o Hino Nacional, e em seguida a Ode Alencarina, o hino da ACLJ, na abertura das Assembleias Gerais da ACLJ.

Da Mesa Diretiva, após a Clarinada Triunfal, pelo Arauto Jean Navarro, o Presidente da ACLJ Reginaldo Vasconcelos, finalizando a sua fala inicial, que abaixo reproduzimos, pediu um minuto de silêncio pelas vítimas da tragédia climática que atinge o povo gaúcho no momento.


Também compunham a mesa o Professor Doutor Rui Martinho Rodrigues, Presidente Emérito; o Senador Lúcio Alcântara, na função de Presidente de Honra; o bibliófilo José Augusto Bezerra, Membro Benemérito; o Coronel Adyr Sampaio,  e o Comandante Daniel Rocha, convidados especiais; e o Prof. Doutor Jório da Escóssia, Membro Consorte da ACLJ.


 

Na Mesa de Honra feminina estavam o Dra. Graça Dias Branco da Escóssia e a Dra. Manoela Queiroz Bacelar, ambas Beneméritas da ACLJ. 

Durante a solenidade o advogado Geraldo de Lima Gadelha Filho tomou posse na Cadeira de nº 31 da quadraginta numerati da Instituição, patroneada por Pedro Henrique Saraiva Leão, sucedendo ao médico e professor José Maria Chaves, que fora jornalista e radialista no passado, o decano da casa, falecido em 04 de março deste ano.

Geraldo Gadelha recebeu a pelerine das mãos de sua mulher, Dona Laudecir, e o diploma lhe foi entregue pelo proponente do seu nome, o acadêmico Dorian Sampaio Filho. Ao final proferiu o seu discurso, com gentis referências ao acadêmico por ele sucedido e ao Patrono da Cadeira. 

Na oportunidade a ACLJ prestou tributo póstumo aos três  acadêmicos mais recentemente falecidos, Wilson Ibiapina, Cássio Borges e José Maria Chaves. Sobre a pessoa de Ibiapina falaram o jornalista e acadêmico Fernando César Mesquita e o cantor e compositor Raimundo Fagner, Membro Honorário; sobre Cássio Borges seu filho e confrade Marcos André proferiu sentida fala; e sobre José Maria Chaves pronunciou-se o confrade Vicente Alencar.




A chave de ouro do evento foi a entrega da Medalha Troféu Rachel de Queiroz – Honra ao Mérito Feminino à Dra. Graça Dias Branco da Escóssia,  que lhe fora outorgada em dezembro do ano passado, mas que ela não tinha podido comparecer para receber na data azada, por motivo de viagem profissional. 

A láurea lhe foi entregue pelo Capitão de Fragata Daniel Rocha, Comandante da Escola de Aprendizes-Marinheiros no Ceará, em agradecimento ao patrocínio concedido pelo Grupo M. Dias Branco à restauração do “Navio de Pedra”, equipamento pedagógico daquela instituição militar de ensino.




 

Compareceram ainda, além dos já referidos, os acadêmicos Ulysses Gaspar, Totonho Laprovitera, Luciara Aragão, Adriano Jorge, Barros Alves, Aluísio Gurgel do Amaral Júnior, Dorian Sampaio Filho, Edmar Ribeiro, Stênio Pimentel Gomes, Altino Farias, Pedro Bezerra da Araújo, César Barreto, Sávio Queiroz Costa, George Tabatinga e o Benemérito Deusmar Queirós. Nas imagens, o tradicional brinde com vinho do Porto, a foto coletiva, e o coquetel de confraternização no salão nobre.  

Minhas Senhoras e Meus Senhores.


Esta Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, a ACLJ, completou no último sábado 13 anos de existência, que transcorreram com grande êxito, como se pôde ver na sequência fotográfica projetada.

Nesse período produziu congraçamento entre os confrades, amigos das letras impressas ou expressas – seja no nobre pergaminho dos trabalhos livrescos, seja no papel jornal, rude e efêmero, seja nos microfones da radiofonia de Marconi – hodiernamente, também nas telas e telinhas eletrônicas. 

A ACLJ tem realmente sido feliz na sua missão de produzir beleza artística e beletrística, promovendo grandes eventos culturais, acolhendo em sua casta mais distinta os beneméritos do Estado, os grandes mecenas, os principais promotores do progresso cearense, dentre eles três componentes desta Mesa. 

Fazendo ainda reconhecimento de valores literários, artísticos, empresariais, em nome da sociedade cearense como um todo, pelo estímulo dos títulos de honra ao mérito que concede.

Concomitantemente, buscando revelar, premiar e impulsionar novos talentos, como também trabalhando para o resgate da memória alencarina. 

Mas, principalmente, fazendo o registro histórico dos fazeres e dizeres característicos do Estado, como na edição do glossário “Dialeto Cearense”, por exemplo, do “Manual de Redação Profissional”, e de biografias importantes, como a do recordista mundial, com 70 anos de militância ininterrupta na imprensa. 

Falo de Lúcio Brasileiro, hoje aos 85 anos, cuja história de vida, desde a infância, foi prospectada e resenhada em obra monumental que está no prelo no momento, produzida pelos nossos melhores quadros acadêmicos, idealizada e viabilizada pelo Benemérito Beto Studart, que na data de hoje comemora o próprio aniversário com a família em Miami, e por isso está ausente. 

Superando as perdas daqueles que inelutavelmente vão tendo que evoluir para outro plano da existência, deixando vácuos de saudade entre os que ainda permanecem na faina, vivemos, até aqui, momentos de muito afeto e muita luz, navegando entre os abrolhos do destino, manobrando a nossa nau literária e jornalística com denodo e alegria. 

Porém, infelizmente, como sabemos, nesta quadra da História não vivemos anos dourados no Planeta, mas uma sáfara fase de guerras e de conflitos intestinos. 

E o Brasil se insere de forma dramática nessa realidade deplorável de dissenções e intolerância – inclusive internamente às instituições e às famílias. 

O País está imerso no que a sociologia denomina “polarização calcificada” – aquela de viés passional que não se pacifica no diálogo, nem se encontra um denominador comum para conjuminar ideias e ideais, para concatenar compreensões e colimar o objetivo nobre do bem comum e do progresso nacional. 

Isso porque quando sentimentos odientos imperam, e o culto a personalidades divide as massas, a melhor lógica e o pensamento racional não funcionam. 

A nossa confraria, embora laica, isenta e neutra, por força do seu próprio Estatuto, a ela pertencem católicos, protestantes, judaístas, umbandistas, espíritas, agnósticos – e ela não está imune à cisão de pensamento sobre qual seria a melhor solução para a Nação e para o Mundo. 

Não obstante, estou certo de que entre os nossos confrades, todos livres pensadores, cada um é movido por absoluta probidade e boa-fé, pelas mais pias e humanitárias intenções, a partir dos princípios mais justos e honestos que imaginam e que concebem – embora cada qual pervagando uma das trilhas divergentes. 

Todavia, quando, enfim, a bruma das paixões de dissipar, e ficar evidente a tese filosoficamente equivocada, os acadêmicos que a tenhamos perfilhado deveremos ter a bravura moral de reconhecer o nosso engano, para então recebermos a compreensão e a solidariedade fraternal daqueles dos quais vínhamos divergindo – tendo em vista que a matéria prima da nossa confraria são a fraternidade, a virtude, o talento, a beleza literária e a elegância jornalística – e não a discórdia humana e os conflitos sociais. 

Em suma, para que preservemos a higidez do ambiente acadêmico que reinou por treze anos, e para que comemoremos muitos mais aniversários no mesmo clima afetuoso e fraternal em que vivemos até hoje, o meu alvitre, o meu conselho, a minha proposta, é de que todos assumamos o compromisso de nunca discutirmos entre nós convicções irremovíveis, causando desperdício de tempo e desgastes pessoais, e de jamais tripudiarmos contra aqueles inditosos confrades cujos castelos de areia imaginários derruírem no futuro, pela evolução das evidências.

 Muito grato,

Tenho dito.