terça-feira, 25 de agosto de 2026
ARTIGO - Egrégora do Pensamento (VCPJ)
EGRÉGORA
DO
PENSAMENTO
Valdester Cavalcante Pinto Júnior*
Aforismo e sentença são duas modalidades
eternais. Orgulho-me de expressar em dez palavras o que um ou vários exprimem
num ou em vários volumes. (FRIEDRICH WILHELM NIETZSCHE, filósofo e
linguista tedesco. Rocken, 15.10.1844; Weimar, 25.08.1900).
Há um lugar — talvez imaginário, decerto mais necessário do que a própria realidade — onde o pensamento se reúne, antes de a palavra se converter em sentença e a diferença restar transmudada em condenação.
Ali, por um instante, a pessoa humana abandona a confortável certeza de estar sempre correta e se concede a rara extravagância de escutar.
Chamemos de EGRÉGORA esse local: uma inteligência não pertencente a ninguém, mas que nasce entre muitos. É um locus invisível, onde as consciências, ao contrário de experimentar o enfrentamento, ousam pensar umas com as outras.
Vivemos, entretanto, em um curioso século de antigas paixões. O ódio, que outrora necessitava de espadas, descobriu a elegância das palavras. Aprendeu a vestir-se de argumento, a se manifestar feito convicção, a pedir aplausos, enquanto desumaniza.
De efeito, a pouco e pouco, o outro parou de ser semelhante para tornar-se adversário. Entrementes, o adversário se fez inimigo; e este adverso, por algum estranho capricho da inteligência, decidiu parecer indigno de existir. Talvez nos faleça, por consequente, não mais informação, mas sabedoria.
Precisamos, com efeito, reaprender a olhar, sem transformar nossa óptica em julgamento, escutar, deixando de preparar o veredicto e discordar, não convertendo em pecado a divergência.
Impõe-se, ainda, nos recordemos do que nossas paixões fazem questão de ocultar:
–
a razão é suscetível de ser brilhante, entretanto, a humanidade é anterior a
ela;
– ninguém possui o monopólio da verdade e, talvez, a primeira virtude de uma inteligência esteja em desconfiar da própria certeza;
– esta reunião de pensamentos conforma, portanto, uma pequena egrégora contra a grande epidemia da indiferença;
– nossas ideias não representam trincheiras, mas pontes; e
– nossas palavras não servem para fabricar inimigos, mas a fim de devolver ao outro o rosto que o preconceito lhe surripiou.
Tudo isto ocorre porque o mundo não é feito somente do que acontece, mas também daquilo que acreditamos estar sucedendo.
O universo, por conseguinte, é composto de histórias por nós narradas, verdades repetidas, medos recebidos como herança e, ainda, pelos futuros que somos capazes de imaginar.
Eis, quiçá, nossa responsabilidade:
– pensar é também escolher o mundo que ajudamos a transformar em possível.
– Se o ódio aprendeu a reunir multidões, que o cuidado aprenda a jungir consciências.
Se a intolerância encontrou voz, que a humanidade encontre linguagem.
Se a violência se tornou hábito, que a lucidez se torne resistência.
Se nos
disseram que o mundo é assim e que nada há a fazer, permitamo-nos a mais subversiva
das esperanças: imaginar que é possível ser diferente.
Que nossa Egrégora do Pensamento seja esse encontro improvável entre razão e sensibilidade, dúvida e esperança, pessoas que não pensam igualmente, mas ainda acreditam no outro como digno de ser ouvido.
Certamente, a civilização não sinaliza o formulado contra os outros, mas o que logramos estabelecer, sem deixar ninguém de fora da condição humana.
E talvez seja esta a nossa tarefa:
–
pensar juntos, para que o mundo não precise continuar sendo algo cogitado pelo ódio, em
vez de ser refletido por nós.
RESENHA - A Propósito da Hbilidade Natural de Vianney Mesquita (IG)
A propósito da
Habilidade Natural,
de Vianney Mesquita
Ítalo Gurgel*
O texto do Vianney, confrade ilustre e
amigo preclaro, distingue-se, desde o título, pela agudeza de uma formulação
que contrapõe à Inteligência Artificial a expressão Habilidade Natural — HN,
achado vocabular ao mesmo tempo engenhoso e provocador
A declaração afronta tema de incontestável atualidade e o faz sob perspectivas particularmente relevantes: a autoria, a honestidade intelectual, a formação do conhecimento, o respeito às fontes e a responsabilidade de quem subscreve e publica um texto.
Fiel à sua reconhecida erudição e ao zelo que sempre dedicou ao vernáculo, o autor não se limita a registrar uma preferência pessoal: suscita uma reflexão necessária sobre os limites entre o auxílio instrumental e a substituição do trabalho criador. Pode-se concordar ou não, integralmente, com a rígida separação estabelecida entre HN e IA; permanece, contudo, o mérito maior da declaração: lembrar que nenhuma ferramenta, por mais avançada que seja, dispensa o discernimento, a experiência, a consciência ética e a responsabilidade autoral.
Num tempo em que a tecnologia
frequentemente se antecipa à reflexão sobre seus próprios efeitos, Vianney traz
ao debate uma advertência lúcida, corajosa e oportuna.
domingo, 23 de agosto de 2026
NOTA SOCIAL - Maracanaú Saúda o Jornal O Estado
EDILIDADE
DE MARACANAÚ
SAÚDA JORNAL O ESTADO
PELOS SEUS 90 ANOS
A Câmara de Vereadores de Maracanaú (município da Zona Metropolitana de Fortaleza), na pessoa de seu Presidente, o advogado Raphael Pessoa Mota, recebeu, nesta quinta-feira, 20 de agosto, a Diretoria do tradicional jornal cearense O Estado, colabores do periódico, e representantes da imprensa cearense, para oportuna homenagem antecipada, tendo em vista que no próximo dia 24 de setembro o noticioso estará completando 90 anos de existência, data em que a Assembleia Legislativa do Ceará dedicará à veterana empresa jornalística uma Sessão Solene, a requerimento do Deputado Heitor Ferrer.
Foram agraciados com diplomas de honra ao mérito os dirigentes de O Estado, Soraya de Palhano Xavier, Diretora-Presidente; Gabriela de Palhano Torres, Diretora Institucional; Eduardo de Palhano Xavier Torres, Diretor Executivo, este principalmente representando o seu avô, patriarca da família, Venelouis Xavier Pereira, homenageado in memoriam.
Também recebeu o mesmo título honorífico o advogado e jornalista Reginaldo Vasconcelos, Presidente da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo (ACLJ), Conselheiro do Jornal O Estado.
Agraciados ainda os articulistas de O Estado Macário Batista e Barros Alves – jornalista, poeta, bibliófilo e assessor parlamentar – e ainda o Presidente da Associação Cearense de Imprensa (ACI), Eliézer Rodrigues.
Estavam presentes na solenidade, acompanhando o Presidente Reginaldo, os Membros Titulares da ACLJ Rui Martinho Rodrigues, Adriano Jorge, Pedro Bezerra de Araújo, Roberto Bomfim e Vicente Alencar, que posam na fotografia com os confrades Barros Alves e Soraya de Palhano, que também integram a referida confraria lítero-jornalística.
Falaram (nessa ordem) o Presidente da Câmara Municipal, Raphael Pessoa Mota, a Diretora do Jornal O Estado, Gabriela de Palhano, a Presidente Soraya de Palhano Xavier, Reginaldo Vasconcelos, Presidente da ACLJ, o jornalista Barros Alves e o Prefeito Roberto Pessoa.
A reunião foi encerrada com preces católicas – o Pai Nosso e a Ave Maria – pronunciadas em latim pelo acadêmico acelejano Pedro Bezerra de Araújo.
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
SONETO - Zelito Oitentão (VM)
ZEILTON OITENTÃO[Palmácia (Japão), 22 de agosto de 1946]
Vianney Mesquita*
Da vetustez o Criador fez o Santuário de toda a sabedoria, da justiça inteira, e o tabernáculo das mais heroicas virtudes. (ANA SOFHIA SWETCHINE: escritora e salonnière. Moscou, 22.11.1782; Paris, 10.09.1857).
O
Dr. José de Freitas Lourenço, administrador de empresas – aposentado do INCRA,
com o filho, Dr. Alysson Alves Freitas, engenheiro civil e empresário
Zeilton – José de Freitas Lourenço,
Camarada/irmão, nato em Palmácia,
Padrão do siso e da perspicácia,
Prendado de brandura e de bom senso.
Sereno, mas afeito à eficácia,
Titulado em Gestão, com saber denso,
Do Paraíso é um cristão pretenso
Sem conformar, porém, qualquer audácia.
Agora – dia vinte e dois de agosto –
Bem de corpo e de alma, mui disposto,
Não retrata um cursor de desenganos.
Avezado à moção dos exercícios,
Assomou a milhares de artifícios,
Com vistas a transpor os oitent’anos.
ARTIGO - Habilidade Natural (VM)
HABILIDADE NATURAL-HN
Declaração
Vianney Mesquita*
Porque entendo absolutamente necessário, acho oportuno declarar que, nas escritas por mim produzidas e publicizadas, onde quer que o sejam, somente recorro à HABILIDADE NATURAL – HN, com suporte em estudos efetivados em estabelecimentos escolares amparados pela legislação nacional, por intermédio de pessoas afeitas a matérias diversas, em universidades e ambientes de prova (laboratórios, e.g.), bem como em informações obtidas com amparo na autodidaxia praticada à extensão da experiência.
Em adição, atesto que, ao fazer menção a obras e ideações doutros produtores desses bens, como instituições e órgãos semelhados, procedo às notações bibliográficas das quais me vali, consoante as ordenações legais do País, em particular, do direito autoral, inclusas as preceituações da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT.
Entendo que, à INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – IA, conquanto seja magnificamente aditada no tempo fluente, porém com estremas de emprego, só é factível de a ela se socorrer em situação de dúvidas as mais diversas – por exemplo, de natureza histórica – conforme se procede com as consultas a dicionários, volumes gramaticais e correlatos.
Assim, toda escrita e qualquer produto editorial assente na IA e não na HN, embora, como divisado hodiernamente, em textos “magnificamente” escritos (às vezes com 90 por cento de “auxílio” da IA e não pelos autores), deixa de retratar intenção e SABER NOVO, no entanto, somente repetição do que já se encontra expresso em achados naturais e descobertas de investigadores, quer em tempos recentes ou em períodos mais transatos.
Fortaleza, 20 de agosto de 2026.
* João VIANNEY Campos de MESQUITA.
Comentário:
Nesta manhã de 21 de agosto, telefonou-me o confrade Stênio Pimentel, demonstrando-se ainda assente na disciplina rígida da sua formação de “homem do mar”, que militou na Armada do Brasil, na fase áurea da sua juventude.
Ligou, então, para, em posição de sentido e em continência, comunicar a este Presidente haver aplicado um neologismo autoral em mensagem que postou no nosso Grupo de Whatsapp.
Explicou que a palavra que aplicou, dirigindo-se carinhosamente a um coirmão da entidade, não repousa nos dicionários do idioma português, e que, portanto, ainda não está abonada pela lexicografia nacional.
Esse telefonema e o
seu teor, por uma coincidência magnífica, tangenciam o texto do dia anterior,
remetido ao Blog pelo Professor Vianney Mesquita, um terceiro confrade, o maior
experto em linguística românica da nossa Academia.
No seu artigo “Habilidade Natural” o Mestre Vianney inaugura essa expressão (HN), fazendo um contraponto à novel “Inteligência Artificial” (IA), e frisando que não a aplica na sua lavra literária, porque segue o seu próprio cabedal intelectual, citando as fontes dos estudos que empreende.
Os dois abordam aspectos semelhantes, mas distintos, quando Vianney propugna pelo uso clássico da língua, ainda que de forma original e criativa, enquanto o Stênio revela que os dicionários são fontes relativas de consulta, já que apenas reúnem termos encontradiços em obras gráficas que os lexicógrafos coligiram.
Assim, as edições dicionárias, analogicamente, são como papagaios que aprenderam e registram um grande número de verbetes, que se atualizam em novas edições – como novos papagaios que aprendam a falar. Porém, se os vocábulos elencados estão corretamente escritos e aplicados, só os filólogos o dirão.
Criar neologismos, enfim, é perfeitamente permitido aos redatores cultos que precisem suprir lacunas semânticas no idioma que dominam, a bem da clareza, da sintonia fina da retórica e do discurso, desde que aplicando radicais condizentes com o latim, com o grego, com o árabe, com a gramática primordial do idioma.
Vianney Mesquita, por seu turno, expressa nas entrelinhas que a IA tem sabença de textos alheios de que vai sendo informada e de que se vai apropriando, para aplicar combinações mais ou menos coerentes, porém não possui sapiência própria para criar fórmulas novas de dizer de forma bela e correta, inovando artisticamente ao comunicar a humana cerebração, que é insuperável.
Reginaldo Vasconcelos
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
RESENHA LITERÁRIA - Sobre uma "Libação Prévia" (SN)
Sobre uma
“Libação Prévia”
Sousa Nunes*
Há textos que se limitam a anunciar um livro; outros, mais raros, começam por lhe preparar a atmosfera. A Libação Prévia no Ritual de um Lançamento Invulgar, de Vianney Mesquita, pertence a esta segunda espécie. Antes de ser comentário ao romance “Dona Quitéria – a Senhora de Caraúbas”, de Ítalo Gurgel, é um testemunho de amizade intelectual — e a amizade, quando servida pela cultura e pela fidelidade, também constitui uma forma superior de crítica.
O ensaio do ínclito confrade Vianney Mesquita possui, ademais, uma característica que imediatamente denuncia o seu autor: a abundância culta, a erudição profunda. Sérgio Milliet, Stendhal, Eça, Zola, Cronin, Conan Doyle, as Brontë, Camões, Virgílio, Homero, Oliveira Paiva, Chesterton e Wilde comparecem à sua conversação como velhos conhecidos chamados à mesa. Não constituem ornamentos adventícios: pertencem ao mundo espiritual de quem escreve e ajudam a revelar a extensão de uma vida consagrada aos livros e à reflexão percuciente.
Há ainda, em sua página, a graça peculiar do polemista. Vianney sabe que a crítica pode iluminar uma obra, mas sabe igualmente que pode, por vezes, pretender substituí-la. Daí os seus floreios de espada contra os “criticastros”, temperados por uma ironia que ora sorri, ora mostra os dentes. Contudo, vencida a escaramuça, permanece aquilo que verdadeiramente lhe importa: proclamar a singularidade de Dona Quitéria e resguardar ao futuro leitor o prazer da descoberta.
E nisso reside talvez a melhor virtude de sua prelibação: Vianney aproxima-nos do romance sem no-lo retirar. Indica-nos a porta, mas não invade conosco os aposentos. Diz-nos que ali estão a família, a terra, a memória, a religiosidade sem ostentação, a experiência humana transfigurada pela ficção; e detém-se a tempo, reconhecendo que todo verdadeiro romance deve conservar, até o instante da leitura, alguma região inviolada de mistério.
Ítalo Gurgel encontra, assim, em Vianney Mesquita, não simplesmente um leitor antecipado, mas uma testemunha afetuosa de sua chegada ao romance. E Vianney, celebrando o livro do amigo, acaba por oferecer-nos também um pouco de si mesmo: sua erudição, suas fidelidades, suas implicâncias, seu humor e essa antiga confiança na literatura como território onde a memória pessoal pode alcançar uma duração maior que a vida.
Esta Libação Prévia cumpre, portanto, o que promete o título: ergue a taça antes da cerimônia. E fá-lo com a generosidade de quem sabe que, nas repúblicas das letras, os melhores brindes não são os que celebram somente o livro que nasce, mas também as amizades que o tempo não conseguiu envelhecer.
Parabéns, grandes mestres! O gigante leitor, que nos oferta essa maravilhosa prelibação, e o romancista, que nos aguarda no dia 1º de setembro, com o fruto de seu espírito invulgar.
Comentário:
Posto, enfim, no sossego do meu quarto d’hotel, em S. José dos Campos, dou-me a satisfação de reler as apreciações críticas do confrade Vianney Mesquita acerca de “Dona Quitéria: A Senhora de Caraúbas”, romance histórico que o amor à terra natal, em boa hora, inspirou-me. Desvanecido é como me quedo diante do texto – tão rico e tão marcado pela “abundância culta” e “erudição profunda” de que fala outro dileto amigo, Sousa Nunes, ao comentar o comentário (desculpem-me o poliptoto).
Vianney extraiu do romance predicados destilados pela genuína amizade que cultivamos e que prosperou, ao largo de muitos anos, no rastro da admiração e respeito mútuos. Encheu-me de imodéstia perceber que o confrade colheu, em minhas páginas, amostras de originalidade, atributo que enxerga como “a circunstância mais ressaltada nesta obra cabalmente singular, absolutamente original”.
Mais adiante, senti fisgadas de orgulho (para não dizer “vaidade”), quando o mestre palmaciano me anteviu oferecendo ao público das nove nações lusófonas “este volume de insuperável axiologia literária”. Imaginei meu livrinho nas vitrinas de Luanda; em Maputo, um lançamento agendado; já em Lisboa, uma palestra. Dá-se, porém, que, antes disso, há um longo caminho a percorrer. E essa trilha começa a 1º de setembro, quando “Quitéria” será apresentado à constelação de amigos que comparecer ao Ideal Clube, onde a missão de apresentar o livro foi entregue – para gáudio meu – ao confrade Souza Nunes. Estão assegurados, nessa lida, mais uma vez, a elegância, a sensibilidade e o descortino.






