quinta-feira, 31 de julho de 2014

ARTIGO (RMR)

SAUDADES DE RIO BRANCO
Rui Martinho Rodrigues*

Barão do Rio Branco
A diplomacia brasileira já foi respeitada. Herdou de Rio Branco o discernimento para vislumbrar os interesses nacionais, realismo político, noção de conveniência e oportunidade de exercer protagonismo e o respeito aos mais caros princípios da diplomacia, tais como não intervenção nos assuntos internos de países soberanos e escrupulosa observância das regras de neutralidade nos conflitos entre terceiros.

Política internacional é jogo pesado. Exige o reconhecimento do próprio peso relativo. Mussolini pegou na rodilha sem poder com o pote. Perdeu. Franco, mais sábio, permaneceu neutro e ganhou. China, Índia, Rússia, potências nucleares muito mais influentes, mostram-se mais moderadas do que o Brasil na questão de Gaza. Os países árabes não demonstram tanta sensibilidade quanto ao conflito citado. Egito, Síria, até o “partido de Deus” permanecem distantes do Hamas, grupo político havido como terrorista.

O Brasil foi o único país a retirar o embaixador de Israel. Perdeu status de neutro e de possível mediador. Sem força militar, sem influência, entramos no jogo sem ficha. Nem na América do Sul lideramos. Bolívia, Equador, Argentina e Uruguai são influenciados é pela Venezuela. Somos uma economia voltada para dentro. Pouco importamos ou exportamos. Temos menos de dois por cento do comércio mundial. Não podemos ameaçar com embargos. Israel mantém com o Brasil programas de cooperação tecnológica e industrial, como é o caso do projeto de um míssil. O Hamas nada tem a oferecer.

A tese da “desproporção” da força é falsa. Desproporcional é o uso continuado da força após cessada a agressão. Os disparos contra Israel não cessaram. Os bombardeios de Israel são antecedidos de avisos. O Hamas não aceita um cessar fogo, quer apenas uma pausa para ultimar novos ataques. Mostra indiferença com o sofrimento do próprio povo, que usa como escudo.

Buscamos mais protagonismo do que os árabes e todos os governos do mundo. Faltou realismo, pragmatismo e autocrítica.


*Rui Martinho Rodrigues
Professor – Advogado
Historiador - Cientista Político
Presidente da ACLJ
Titular de sua Cadeira de nº 10

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