quinta-feira, 4 de outubro de 2012

ENSAIO


JUIZ NÃO ACUSA. JUIZ NÃO ADVOGA.


Pode até ser que José Dirceu seja inocente, no escândalo do mensalão. Como tudo na vida acontece, é sempre possível que ele esteja nisso como aquele sitiante da anedota, injustamente acusado de zoofilia, por sua própria mulher, que o encontrou no estábulo de cuecas, em situação inexplicável.

Como a vaca mexesse muito enquanto ele tirava leite, e derramou o leite do balde sobre ele, ele tirou as suas calças molhadas e amarrou as pernas dela com uma corda. 

Depois, o azarado homem da anedota subiu no banquinho da ordenha, bem atrás do animal, e amarrou sua cauda nos caibros do estábulo com um barbante, para que o bicho, ao espantar as moscas enquanto ele ordenhava, não abanasse a sua cara. Foi nessa situação que a mulher dele o encontrou.

José Dirceu, como Ministro Chefe da Casa Civil, era como um vice-rei da república brasileira. Ou como um primeiro-ministro no presidencialismo do PT. Homem vivido e viajado, esperto e experiente. Acreditar que Delúbio e Valério fizessem um salseiro daqueles, em nome do partido dele, em nome do Governo, com cinquenta milhões de reais, sem que ele percebesse, é um exercício de boa-vontade gigantesco.  Mas... quem sabe... pode até ser.

Quanto a José Genoíno, acredito sim que ele não tenha tido uma participação ativa na materialidade dos fatos, muito menos que esteja entre os autores intelectuais dos crimes, pois se trata de um asceta ideológico, um patriota, um ex-guerrilheiro, jovem idealista preso e torturado durante o regime militar, homem sem luxo e sem ambições maiores, tipo de gente que não gosta de lidar com dinheiros e que não cuida de negócios.

Acredito mesmo que José Genuíno esteja nisso como Pilatos no Credo. Mas acontece que ele está no Credo, e dele não tem como sair. Era o presidente do partido, assinou empréstimos fictícios, afiançou operações fraudulentas. Somente uma tese de incapacidade civil por demência o livraria desse fardo.

O que não se pode admitir, nem com a maior boa-vontade, é que um ministro do Supremo Tribunal Federal formule seus votos acusando a arraia miúda da quadrilha com a virulência de um jovem Promotor de Justiça, e que faça a defesa dos prováveis mandantes dos mesmos crimes com todos os cacoetes dos velhos advogados de defesa.

É claro que um juiz vogal, componente de um colegiado, membro de um tribunal, tem todo o direito, e até a obrigação, de posicionar-se pela condenação de um acusado, ou pela sua absolvição, caso esteja convencido de sua inocência, considerando a prova dos autos e examinando a lei penal. Mas ele não pode muito mais do que isso.

Um ministro do Supremo deve expor sua tese absolutória, e pode defendê-la com unhas e dentes. A tese. Não as pessoas. Ele não pode dar testemunhos pessoais do caráter dos réus, nem daquilo que sobre eles traz a imprensa, como faria, com muita propriedade, um bom advogado de defesa.

Ele não pode insistir com os demais ministros de maneira irresignada, resistir, gesticular com as mãos trêmulas, dramatizar, desqualificar as teses da acusação, como faria um bom advogado, na sustentação oral da defesa.

Exposta a tese, com a máxima riqueza de argumentos, mas sem nenhuma paixão, o membro de um colegiado tem que esperar e se resignar aos votos dos demais, sob pena de inescusável suspeição.

Esta república ainda está muito doente. Que Deus continue se apiedando de nossas almas!

Por Reginaldo Vasconcelos       

RESENHA - DIRETO DA REDAÇÃO



 O Direto da Redação, programa que vai ao ar de segunda a sexta pela TV Cidade, às 8:15 da manhã, apresentado pelos analistas sociais Alfredo Marques e Freitas Júnior, membros da ACLJ, entrevistou, na edição desta quinta-feira, dia 04 de outubro, o juiz de direito Cid Peixoto do Amaral Neto, da 3ª Vara Cível da Comarca de Fortaleza, a respeito do Judiciário cearense.



PINGA FOGO

Os comentaristas iniciaram o primeiro bloco do programa, como de hábito, pela seção Pinga-Fogo, comentando o fim da programação eleitoral obrigatória, no rádio e na televisão.

Notaram que quando a propaganda se inicia, ainda na fase esclarecedora e informativa sobre os candidatos, até desperta algum interesse. Para o fim torna-se um massacre para a população, uma chateação institucional sem fim, com a repetição de seus jingles enjoados, seus apelos melosos, suas promessas impossíveis, suas mentiras renovadas.

Alfredo marques lembra que, embora chamada erradamente de “propaganda gratuita” ela é paga, pois o erário é quem custeia os caríssimos espaços que ela ocupa na mídia. Portanto, é o dinheiro da população que financia essa farra da de besteiras, derramadas no “pé do ouvido” das pessoas.

Freitas Júnior em seguida comentou a nova declaração de ex-deputado Ciro Gomes, que “Lula não é Deus” e que “Elmano não existe”. Que Lula não é Deus a gente já sabe, até porque o ex-presidente desta vez não está conseguindo transferir prestígio aos seus candidatos a prefeito. Humberto Costa, por exemplo, candidato a prefeito de Recife, muito fraco nas pesquisas, vai representar uma derrota melancólica ao PT de Pernambuco. Já Elmano de Freitas existe, tanto que está incomodando ao candidato do Governo.

Acrescentou Freitas Júnior que vê uma certa incongruência no ataque de Ciro ao ex-presidente, pois o Governo Federal é quem esta bancando a administração estadual, carreando verbas federais, desde os tempos de Lula, e em Sobral Lula continua apoiando o Veveu Arruda, do PSB, candidato dos Ferreira Gomes à Prefeitura.


Alfredo Marques recomendou que Inácio Arruda, o candidato do PC do B à Prefeitura, pode ir fazendo as malas em demanda de Brasília, que as pesquisas lhe garantem índices mínimos de intenção de votos.

E lamentou que Marcos Cals esteja também tão mal cotado, a despeito de um currículo tão bom, e da sua indiscutível dignidade, como pessoa e como homem público. “É uma vergonha!”, rematou.

Porém Alfredo diz que nada está garantido em termos eleitorais, pois já se viu pesquisa de boca de urna do IBOPE ser desmentida na apuração dos votos.   

Falando em julgamento do mensalão pelo Supremo, diz Alfredo que está na hora de ver os Ministros se engalfinharem e “rasgarem a toga”, uns condenando e outros absolvendo as maiores figuras do PT. Freitas diz que até aqui o STJ esta de parabéns, porque tem demonstrado indepenência.   

A propósito do tema, Freitas informa que o réu Henrique Pizzolato, ex-Diretor de Marketing do Banco do Brasil, está na Europa, embora condenado. “Será uma fuga?” – ele provoca. Dizem que volta domingo, para votar. Será que volta?

ENTREVISTA


O Dr. Cid Peixoto do Amaral Neto, qualificado por Freitas Júnior como um dos juízes mais operosos do Estado, veio ao programa falar das soluções pré-processuais que tem defendido, com o objetivo de melhorar a prestação jurisdicional.

Diz o magistrado que as mudanças administrativas necessárias para melhorar os serviços jurisdicionais já estão muito batidas, de modo que ele está propondo uma mudança cultural, que altere paradigmas.

Alfredo Marques indaga se ele quer reduzir a cultura da litigância que afeta os brasileiros. Sim – respondeu Cid Neto. Se há excesso de litigância alguma coisa está errada. Penso que advogados poderiam solucionar os conflitos, antes de ingressarem em Juízo, como acontece nos EUA. Os escritórios procurariam entre si conciliar os conflitos e evitar processos. Para tanto a OAB poderia dar uma grande contribuição, criando um ambiente para que isso acontecesse.

Freitas indagou sobre como se criaria essa pré-instância. Dr. Cid lembra que mudanças no Código de Processo Civil já criaram a necessidade de audiência prévia, para fim conciliatório, mas eu estou propondo uma audiência sem processo, extrajudicial, para posterior homologação. Sei que grande parte das pessoas está inclinada a aceitar isso. O problema é que há sempre alguém que sai ganhando com a demora do processo.

Alfredo insistiu: “Como fazer isso?”. Criando uma metodologia, a partir de um ambiente criado pela OAB. As campanhas de conciliação, promovidas pelo Judiciário, são muito boas, mas representam uma grande despesa, com a mobilização de pessoal e com a expedição de documentos   diz Cid Net.

Freitas Júnior pergunta sobre a acessibilidade das pessoas ao Poder Judiciário. O inciso LXXVIII do artigo 5ª da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional nº 45, diz que “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.” Isso precisa ser observado. Foi a resposta.

Até porque, segundo Cid Neto, com o advento dessa emenda constitucional a União se responsabilizou pela eficácia do processo, e que portanto deveria promover uma isonomia do Judiciário em todos os Estados, para que todos tivessem a mesma estrutura, e consequentemente a qualidade do serviço fosse a mesma, como acontece com a Justiça Federal e do Trabalho.  

Alfredo Marques reconheceu que, tecnicamente, a acessibilidade está facultada a todos. E pergunta ao Dr. Cid: “Na sua vara, o jurisdicionado tem amplo acesso?”.

Sim, mas isso é uma obrigação. Eu tenho o hábito de examinar pessoalmente, todo dia, os pedidos de audiência com advogados e com as partes, para os receber, na medida do possível. Receber a todos não seria viável. O meio eletrônico facilitaria muito.

Alfredo feriu o problema da lentidão da Justiça. “Eu penso que as leis e as práticas são boas. Mas precisamos adorar novos mecanismos para se obter agilidade" – respondeu Cid Neto. Aliás, todas as melhorias recentes têm advindo do Conselho Nacional de Justiça, o CNJ.

Enfim, concluiu Freitas Júnior, o que se espera é um melhor acesso à Justiça, e uma menor litigância das pessoas. São coisas interligadas.

“Eu sou otimista” – acrescentou Cid Neto. “Eu acho que a sociedade ainda está um pouco doente, na sua ânsia por justiça”  diz o magistrado. Adianta que esse amadurecimento das pessoas vai acontecer, no sentido de que procurem a conciliação, antes de ingressarem em Juízo.  


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

RESENHA - DIRETO DA REDAÇÃO





O Direto da Redação, programa que vai ao ar de segunda a sexta pela TV Cidade, às 8:15 da manhã, apresentado pelos analistas sociais Alfredo Marques e Freitas Júnior, membros da ACLJ, entrevistou, na edição desta quarta-feira, dia 03 de outubro, a professora e ativista Rosa da Fonseca, a respeito do movimento político-ideológico encabeçado por ela e a ex-prefeita Maria Luíza Fontenele, chamado Crítica Radical.


PINGA-FOGO

Os comentaristas iniciaram o primeiro bloco do programa, como de hábito, pela seção Pinga-Fogo, comentando a proximidade das eleições, e o fim da propaganda eleitoral, que consiste numa chateação institucional.


Parabenizaram à TV Cidade pelo debate que realizou entre oito candidatos à Prefeitura de Fortaleza, na noite de segunda-feira, dia primeiro de outubro, com a competente mediação do jornalista Ogg Ibrahim, da TV Record.

Alfredo Marques lamentou sem seguida que o Ceará figure com o campeão nacional em políticos “fichas sujas”, com candidaturas impugnadas. Mas parabenizou ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral.

Freitas Júnior registrou o protesto de Geraldo Accioly, Coordenador de Projetos Especiais da Prefeitura de Fortaleza, contra as últimas invectivas de Ciro Gomes contra o candidato do PT ao Governo Municipal, Elmano de Freitas, que segundo ele, seria “pau mandado” de Luizianne Lins.  Alfredo notou que mesmo o Governador Cid Gomes parece estar tendendo a adotar o estilo agressivo do irmão, nesta campanha.

Alfredo pontuou em seguida que “blogs de Fortaleza” denunciaram que a vereadora Toinha Rocha, que sempre se portou como paladina da moralidade administrativa na Câmara Municipal, seria funcionária da Assembleia Legislativa há 20 anos, sem ter feito concurso e sem comparecer ao expediente.

Freitas Júnior, mais incisivo, revelou que a matéria sobre a Toinha, que é filha do falecido radialista e deputado Paulino Rocha, foi veiculada no blog do jornalista Roberto Moreira, do Diário do Nordeste, na data de ontem, dia 02. E se indaga por que razão notícias que tais somente aparecem no período eleitoral.

Roberto Moreira, membro da ACLJ, é um jornalista criterioso, que na matéria manifesta a sua indignação, sentindo-se traído, por ter muitas vezes elogiado a correta atuação da vereadora. As fontes é que se tornam mais atentas aos políticos quando se aproximam as eleições.


ENTREVISTA




A professora Rosa da Fonseca, militante do movimento Crítica Radial, veio ao programa anunicar o livro Projeto Alternativo, recentemente lançado pelo grupo a que pertence, que apresenta a tese sociológica que defende, obra está à venda na Rua João Gentil, nº 47, na Gentilândia.


Indagada por Alfredo Marques sobre a Comissão da Verdade, instalada pelo Governo Federal para apurar os crimes contra os opositores do regime militar, iniciado com a revolução de 1964, Rosa da Fonseca disse que essa comissão não cumpre a sua função porque não visa a punição dos torturadores. A anistia, ocorrida há 33 anos, não foi aquela pela qual ela havia lutado – segundo avaliou, pois até hoje os torturadores não responderam por seus crimes.

No caso da guerrilha do Araguaia, disse que o próprio Major Sebastião Curió, que chefiou a repressão, confessou a barbárie. A impunidade dá ensejo a que novos crimes aconteçam – segundo entende a entrevistada.  


Quanto à indenização concedida aos torturados, pelo Governo Lula, disse Rosa que ela tira o foco da luta democrática, porque buscando reparar aqueles crimes políticos, perdoa criminosos hediondos. Isso mancha a sua tese ideológica. Sofrimento não tem preço, e portanto não pode ser quantificado em moeda – é que pensa a professora.

Provocada por Alfredo Marques, Rosa defende que a comissão deveria ser da verdade, da memória e da justiça – com encaminhamento dos culpados ao Judiciário. “Constatar é importante, mas não é suficiente”. Rosa diz que o cometimento de tortura contra jovens idealistas, que já estavam presos, é algo de altíssima gravidade.

Freitas Júnior pontua que o caráter não punitivo da Comissão da Verdade teria sido uma demonstração de força política dos militares.

Abordando a campanha movida pela Crítica Radical contra o voto, consulta Freitas Júnior qual o sentido de defender a abstenção. “Não seria melhor escolher um candidato?”

Rosa insistiu que não. Que melhor será não votar em ninguém, pois todos os dez candidatos são vendedores de ilusões, porque não poderão entregar o que prometem.

Alfredo Marques indagou se a entrevistada realmente considera que votar seria referendar um embuste, porque todos os candidatos seriam mercadores de utopias. A resposta foi contundente: “votar é um gesto de barbárie!”.


Rosa informou que vai haver um ato público promovido pela Crítica Radical, na Praça do Ferreira, no próximo sábado, dia 06. Que entre outras performances, os militantes do movimento vão entoar uma vaia aos políticos – ao que Freitas emendou que os políticos, durante a campanha, já são vaiados todos os dias.

Mas Freitas Júnior se posicionou pessoalmente contra à campanha do não voto. “É preciso votar. Estando no inferno, vamos lidar com os demônios”. Rosa discorda, argumentando que cinquenta por cento do povo não quer votar – segundo recente pesquisa do Diário do Nordeste.

Os entrevistadores, finalizando, mandaram abraços aos professores Maria Luíza Fontenele e Jorge Paiva, que são os outros mentores do movimento.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

RESENHA - DIRETO DA REDAÇÃO




O Direto da Redação, programa que vai ao ar de segunda a sexta pela TV Cidade, às 8:15 da manhã, apresentado pelos analistas sociais Alfredo Marques e Freitas Júnior, membros da ACLJ, entrevistou, na edição desta terça-feira, dia 02 de outubro, a ex-senadora acriana Marina Silva,  Ministra do Meio Ambiente no primeiro governo Lula, e candidata à Presidência da República pelo Partido Verde, em 2010.

A ex-ministra começou respondendo a indagação de Alfredo Marques, sobre se seria muito difícil fazer política séria no Brasil. Diz ela que o grande problema é que a lógica dos partidos é “o poder, pelo poder”.


Indagada ainda sobre a reação do Governo Brasileiro, surpreendido com o seu aparecimento nas Olimpíadas, demonstrando prestígio internacional, Marina respondeu que ela apenas foi alvo de uma gentileza do Comitê Olímpico, em virtude de sua condição de ativista ambiental. 

Também foi perguntado a Marina sobre suas ligações  com o Ceará, de onde seu pai saiu para a Amazônia, incorporado ao chamado Exército da Borracha. Disse ela que ainda tem parentes em Messejana e Paracuru, mas não mantém com eles um relacionamento mais estreito. Diz ela que os pais criaram sete filhas e um filho no Acre, de modo que a maior parte da família é acriana.

Freitas Júnior quis saber, na opinião da Marina, se o Código Florestal aprovado no Congresso atendeu mais aos ruralistas, ou aos ambientalistas. Ela declarou que, na verdade, a versão aprovada não atende ao Brasil. Acrescentou que o grande problema é a visão retrógrada dos políticos e empresários, que ainda estão presos aos métodos predatórios de desenvolvimento.

Freitas perguntou se as concessões que o novo código vez ao agronegócio seria mesmo um “mal necessário”, como defendem os ruralistas. Respondeu Marina que não há necessidade de se conviver com mal necessário, quando se pode procurar o “bem necessário”.

Segundo a entrevistada, os ruralistas preferem manter o padrão de pecuária do Século XX, de baixa tecnologia e baixa eficiência, se louvando das grandes extensões de terra, sistema que oferece um emprego para cada 80 hectares. Por isso a grande pressão sobre o cerrado, sobre a caatinga, sobre as florestas.

Disse Marina que com a aprovação do novo Código Florestal essa será a primeira vez que o país vai retroagir, anulando avanços ambientais obtidos em governos anteriores. Em vez de querer passar nos testes ambientais, para produzir de forma sustentável, se prefere mudar os testes, desprezando o meio ambiente.


Alfredo Marques perguntou também porque só se fala no problema da redução das matas ciliares, que têm que ser mantidas na margem dos rios. Marina respondeu que a mídia elegeu esse tema porque é mais fácil de explicar e de entender.

Para rios como o Amazonas era exigida a recuperação de uma faixa de 500 metros de matas, e com a nova lei essa exigência foi reduzida para apenas 100 metros. Porém, para além do problema das matas ciliares, há a anistia concedida aos desmatadores – disse a ex-ministra.

Acrescentou que houve um verdadeiro “telequete” na Câmara Federal, dos ambientalistas contra o deputado relator Aldo Rebelo, e, no Senado, contra o Senador Luiz Henrique, donos da visão mais atrasada em matéria ambiental que o País já conheceu.

Esse Senador Luiz Henrique fez inclusive uma lei para destruir a legislação ambiental em seu Estado, Santa Catarina. Aliás, a maioria do atual Congresso é até contra os índios. Regularização de novas terras indígenas será impossível nessa legislatura – afirmou Marina Silva.

Acrescentou que hoje o ativismo não é mais dirigido – pela UNE, pelo DCE, pelos sindicatos. Hoje as pessoas são autoras do seu próprio ativismo. Acho bom estar sem partido porque eu faço da política um ato de amor. Desse modo fico livre para escolher os melhores. E por isso estou apoiando o Heitor Ferrer. 
"Heitor teve um gesto de humildade, ao me procurar em Brasília para me pedir orientação em matéria de política ambiental. Sequer me pediu apoio político, mas eu resolvi apoia-lo", disse Marina. “Candidato que tem máquina, é a máquina que ganha a eleição, não é o eleitor”. "Penso que quem ganha eleição assim 'ganha perdendo'. Eu prefiro 'perder ganhando', embora o ideal seja 'ganhar ganhando'”.

Freiras Júnior lembrou que a Presidente Dilma Rousseff não quis se apropriar de seu legado ambiental e está apoiando a política contrária. Perguntou então sobre o futuro político da ex-senadora, que ao responder já foi ao cerne da pergunta: “Eu não sei se serei candidata à Presidência em 2014”.

Alfredo Marques pontuou que vinte milhões de votos certamente lhe “cacifam” para ser a sucessora da Presidente Dilma – “talvez fundando um novo partido” – considerou Freitas Júnior. “O movimento ambiental é maior do que qualquer partido” – rematou Marina Silva. A lógica dos partidos costuma ser o poder pelo poder.

Respondendo a Alfredo Marques sobre o julgamento do mensalão pelo STF, Marina foi lacônica, mas precisa: “As instituições virtuosas nos corrigem quando falhamos nas nossas virtudes. Embora eu seja contra a qualquer forma de violência, quando eu estava no Ministério 725 pessoas foram presas pela Polícia Federal, por crimes ambientais".    

Freitas Júnior pediu que a entrevistada deixasse uma palavra para o eleitor Fortalezense. “Os candidatos que prometem que vão fazer isso e aquilo para as pessoas não são muito confiáveis. Prefiro aqueles que prometem fazer as coisas, com as pessoas” – filosofou a ex-senadora. 


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

HEBE CAMARGO PARTIU


Hebe Camargo já contava oitenta anos, e até  um pouco mais, e estava gravemente enferma com incurável afecção. Sábado passado, ela partiu.

Estranhamente, algumas pessoas se demonstram perplexas e inconformadas com esse fato, como se a dama suprema da televisão brasileira, ao morrer, houvesse experimentando algo estranho, e raro, e inédito na rotina do Universo.

Hebe foi uma laranja que coloriu lindamente, com o seu intenso amarelo ouro, o pomar em que vicejou na juventude. E perfumou o laranjal, na sua exuberante madureza artística. E embelezou longamente as fruteiras virtuais das salas de visitas do Brasil.

Ela forneceu um dulçor melífluo, com uma deliciosa acidez adstringente, ao licor televisivo brasileiro. Ao final, se extingui placidamente do plano físico, já exaurida do sumo doce e do vigor cítrico que tanto serviu ao seu país.

De mim, há muito tempo instituí com clareza o lugar hermético aonde hão de estar indo essas pessoas – as que me comovem a mim na convivência mais direta, as que comoveram o mundo com o seu brilho esfuziante.

Aquele é o sítio aonde certamente seguirei também um dia, célere e ufano, em busca dos mais queridos entes idos, e para a espera, por meu turno, dos amados seres que ainda fiquem por aqui.

Susto, lágrimas, espanto, tristeza, tudo isso manifestam as pessoas pranteando a Hebe, como se não estejamos todos lá em algum tempo, seguindo para o mesmo incógnito destino, que se não for auspicioso, não poderá ser torturante.

As dores, as angústias, os medos, a ansiedade, tudo isso são agonias da matéria, coisas do carne, males que acometem os corpos enquanto navegam para a morte. A vida é o mar – ora plácido, ora revolto; ora alegre, ora tenebroso. A morte é a praia e a terra firme. A morte é a inteira paz de espírito. Até um dia, Hebe Camargo.    

Por Reginaldo Vasconcelos
   

RESENHA - DIRETO DA REDAÇÃO





O Direto da Redação, programa que vai ao ar de segunda a sexta pela TV Cidade, às 8:15 da manhã, apresentado pelos analistas sociais Alfredo Marques e Freitas Júnior, membros da ACLJ, na edição desta segunda-feira, dia 01 de outubro, comentaram as notícias mais polêmicas do momento político nacional.

Os comentaristas abriram o programa anunciando o debate de hoje, na TV cidade, às 23:00h, entre os candidatos à Prefeitura da Capital.

Anunciaram também a aproximação do Tweetfor, o megaevento promovido anualmente no bosque do Hotel Marina Parque, momento de encontro físico e confraternização dos que se comunicam regularmente pelas redes sociais da Internet. Será no dia 20 deste mês de outubro, e os interessados em participar já podem procurar a organização.



Alfredo e Freiras também registraram edição especial do Direto da Redação, no dia 05 de outubro, última sexta-feira antes do dia de eleições, com a luxuosa participação do cientista político Arnaldo Santos.

Arnaldo Santos, que além de jornalista é sociólogo e pesquisador, é membro fundador da ACLJ. Ele está entre os mais lúcidos e ilustrados especialistas em administração pública e em matéria eleitoral. Suas últimas obras versam, uma sobre o impeachment do então  Presidente Fernando Collor e outra sobre a história do Banco do Nordeste.

Na sequencia do programa, Freitas Júnior abordou matéria do O Povo sobre pesquisa que o jornal encomendou ao Instituto Datafolha, dando conta de que propostas de dinheiro, favor ou benefícios para votar em um candidato já foram feitas a 17% dos eleitores de Fortaleza, seja nestas eleições ou em pleitos anteriores, mostra a pesquisa O POVO/Datafolha, que entrevistou 1.143 eleitores, o que corresponde a 17% do eleitorado.  

Segundo a reportagem, as ofertas foram aceitas por quase um terço dos que foram abordados: 5% do total de eleitores ouvidos pelo Datafolha admitem já ter trocado voto por dinheiro ou outra forma de favorecimento.

Avalia Alfredo Marques que isso apenas retrata a condição de miserabilidade de nosso povo, que se sujeita a vender a própria alma em troca de pequena vantagem financeira. As propinas eleitorais estão estimadas entre 50 e 100 reais. Isso é uma vergonha dupla, pela indignidade do gesto, e pela constatação da necessidade aguda das pessoas.


Freitas Júnior denunciou que candidatos estão contratando um grande número de pessoas, a 50 reais, com pretexto de funcionarem como “fiscais” de suas coligações, no dia da eleição. Ele alertou as autoridades de que essa prática pode esconder uma forma de compra de votos disfarçada.

A propósito, Alfredo Marques advertiu que essa pequena quantia recebida para votar em um candidato pode não compensar, quando o eleitor constatar que eram falsas todas as suas promessas de campanha, e que faltam vagas nos hospitais e nas escolas públicas, que o sistema de transportes não funciona a contento, enfim, que a administração que ele ajudou a eleger por uma mixaria é um fracasso.       

Freitas Júnior também frisou a informação de que o encontro entre o Governador Cid Gomes e a Prefeita Luizianne Lins, para resolver o impasse sobre as obras na Via Expressa não deu em nada, pois não se chegou a nenhum acordo sobre a quem caberiam as desapropriações necessárias.

Alfredo recomendou à população que pode esquecer as melhorias prometidas para a mobilidade urbana em Fortaleza, cujo trânsito já está um inferno, e que vai se tornar péssimo para moradores e turistas que nos visitarem durante os grandes eventos desportivos. Disse ele que o encontro de Governador e Prefeita foi apenas para “bater foto” e fazer oba-oba.

Segundo Freitas, deu no O Povo que Cid Gomes declarou que não se chegou a um consenso porque Luizianne radicalizou. Que o secretariado municipal é “de faz de conta”, comportando-se como um grupinho despersonalizado.

Estranhou Alfredo Marques que a Prefeita se elegeu com o apoio de Cid Gomes, que até há apenas três messes atrás a apoiava, como apoiou durante longos sete anos.

O comentarista fez então exibir um filme publicitário da última campanha municipal, em que o Governador se desmancha em elogios a Luizianne e seu "grupinho", pedindo votos para ela. Ninguém estranhe se estiverem juntos novamente, no segundo turno.

Diante disso, Freitas pontuou que “a política é apenas um jogo de conveniências”, conforme afirma o ex-governador Gonzaga Mota. Alfredo concluiu que Cid Gomes deve está desapontado porque teria subestimado o candidato da Prefeita.

Os comentaristas apresentaram a contradição das últimas pesquisas para a Prefeitura de Fortaleza, quando um dos institutos de pesquisa, o IBOPE, dá 25% de intenção de votos a Roberto Claudio, colocando-o à frente de Elmano de Freitas, enquanto o Instituto Datafolha divulga que o candidato da Prefeita é quem estaria na frente, com a preferência de 24% dos eleitores consultados.

Freiras Júnior considerou que a contradição pode se dever a diferença da metodologia entre os dois institutos, mas Alfredo discorda. Segundo ele um dos institutos errou de forma gravíssima, sem prejuízo de que os dois podem estar errados. Não se pode confiar em pesquisas que apresentem resultados estatísticos tão díspares, consultando ao mesmo grupo social.

Mudando de tema para o cenário nacional, Freitas se manifestou a favor de alguma forma de premiação penal a Roberto Jefferson por haver delatado a quadrilha, no caso de ser ele condenado pelo STF, no julgamento do mensalão.

Alfredo Marques é contra, avaliando que Jefferson é um ladrão comum, que brigou com os comparsas pela partilha do butim. Para ele, nessa história toda, só quem tem mérito são o Ministério Público e o Supremo Tribunal.

No Ceará, ele lembrou, roubaram até “os penicos” e até agora tudo ficou por isso mesmo – referindo-se ao escândalo do desvio da verba destinado à construção de banheiros populares. Freitas oportunamente fez o registro de que a Justiça acaba de bloquear os bens de Teodorico Menezes, ex-presidente do TCE, e de seu filho, o deputado Teo Menezes, envolvidos nesse escândalo.

Os analistas sociais abordaram a escalada da violência e da insegurança pública na cidade de Fortaleza, como em todo o Estado do Ceará, enquanto o Governador vai à Coreia propor negócios internacionais, falando em nome da Petrobrás, sem autorização da estatal, o que irritou a sua Presidente, Maria das Graças Foster. Freitas defendeu a boa intenção de Cid Gomes, enquanto Alfredo lamenta o desperdício de tempo e de combustível de avião.

A dupla tratou ainda das últimas declarações de Aécio Neves, que considera Lula o líder de uma facção criminosa. Consideram uma indelicadeza do político mineiro, tendo em vista que o seu partido também andou envolvido em outros escândalos financeiros.

Voltando ao cenário local, tomando a BR 222, comentaram por fim os apresentadores do Direto da Redação o adiamento da inauguração do Hospital Regional de Sobral, anunciada pelo Governador Cid Gomes, por recomendação do Ministério Público.

O Governador diz que a razão da desistência é o fato de que a obra ainda não está inteiramente concluída, mas a providência deve estar ligada ao momento eleitoral. Afinal, a festa ia consumir, somente em cachê à cantora baiana Ivete Sangalo, a bagatela de 600 mil reais.


Des. Edgard Amorim
Dr. Lindival de Freitas
Finalmente, Freitas Júnior agradeceu ao Desembargador Edgard Carlos Amorim, do Tribunal de Justiça do Ceará, e ao Jornalista Marcus Vale, que fizeram publicar matérias elogiosas à figura de seu pai, o advogado José Lindival de Freitas, recentemente falecido.