terça-feira, 4 de agosto de 2026

CRÔNICA - O Futebol Deveria se Chamar Pelé (CRA)

 O FUTEBOL DEVERIA
SE CHAMAR PELÉ
Carlos Rubens Alencar*

  

A Copa acabou e ficou a ressaca. É nesse vazio que a gente volta a falar dele. 

Edson Arantes do Nascimento nasceu em 23 de outubro de 1940, em Três Corações, Minas Gerais. Cresceu em Bauru, São Paulo, jogando descalço no campinho de terra. 

E aos 17 anos, em 1958, na Suécia, reinventou o que a gente entende por futebol. 

Desde então, em 100 anos de Copa, um nome virou régua. Chega um craque novo: Será melhor que o Pelé? Cai um recorde: Mas o Pelé fez antes. 

Ser Rei é isso, como disse Paulo Vinícius Coelho: Ser coroado aos 17 e passar 70 anos sendo a comparação. 

Puskas tinha o canhão.

Di Stéfano, a elegância.

Cruyff, o cérebro.

Garrincha, o drible de outro planeta.

Beckenbauer, a imponência.

Maradona, o carisma.

Ronaldo, a explosão.

Messi, a modernidade.

Cristiano, a obsessão pelo gol. 

Todos gigantes. Mas todos jogaram o esporte do Pelé. 

Foram 3 Copas do Mundo: 1958, 1962 e 1970. Foram 1283 gols oficiais. Jogou de ponta, de 10, de volante. Até de goleiro já foi. 

Levou o Santos para a África e para a Ásia em excursões históricas. Em 4 de fevereiro de 1969, na cidade de Benin, na Nigéria, a Guerra de Biafra fez um cessar-fogo para o povo ver o Santos de Pelé jogar. O Alvinegro venceu por 2 a 1. 

O mundo segue gritando por um novo Pelé. O marketing cobra um novo Pelé. Não vai ter. Grandeza assim é única e não se repete. 

Por isso, talvez, a gente precise chamar as coisas pelo nome certo. Se futebol é o esporte que ele inventou, então que leve o nome dele. 

A partir de hoje não é mais futebol. É Pelé. 

Aí tudo faz sentido: Messi é o melhor jogador de Pelé da Argentina. Maradona foi o melhor jogador de Pelé de Nápoles. Mbappé é o melhor jogador de Pelé da França. 

Pelé jogou. O mundo parou”. Se o mundo parou, que o esporte leve o nome de quem fez parar. Porque Deus é Deus. E Pelé é Pelé. Nunca houve. Nunca haverá igual.