O FUTEBOL
DEVERIA
SE CHAMAR
PELÉ
Carlos Rubens
Alencar*
A Copa acabou e ficou a ressaca. É nesse vazio que a gente volta a falar dele.
Edson Arantes do Nascimento nasceu em 23 de outubro de 1940, em Três Corações, Minas Gerais. Cresceu em Bauru, São Paulo, jogando descalço no campinho de terra.
E aos 17 anos, em 1958, na Suécia, reinventou o que a gente entende por futebol.
Desde então, em 100 anos de Copa, um nome virou régua. Chega um craque novo: “Será melhor que o Pelé?” Cai um recorde: “Mas o Pelé fez antes”.
Ser Rei é isso, como disse Paulo Vinícius Coelho: Ser coroado aos 17 e passar 70 anos sendo a comparação.
Puskas tinha o canhão.
Di Stéfano, a elegância.
Cruyff, o cérebro.
Garrincha, o drible de
outro planeta.
Beckenbauer, a
imponência.
Maradona, o carisma.
Ronaldo, a explosão.
Messi, a modernidade.
Cristiano, a obsessão pelo gol.
Todos gigantes. Mas todos jogaram o esporte do Pelé.
Foram 3 Copas do Mundo: 1958, 1962 e 1970. Foram 1283 gols oficiais. Jogou de ponta, de 10, de volante. Até de goleiro já foi.
Levou o Santos para a África e para a Ásia em excursões históricas. Em 4 de fevereiro de 1969, na cidade de Benin, na Nigéria, a Guerra de Biafra fez um cessar-fogo para o povo ver o Santos de Pelé jogar. O Alvinegro venceu por 2 a 1.
O mundo segue gritando por um novo Pelé. O marketing cobra um novo Pelé. Não vai ter. Grandeza assim é única e não se repete.
Por isso, talvez, a gente precise chamar as coisas pelo nome certo. Se futebol é o esporte que ele inventou, então que leve o nome dele.
A partir de hoje não é mais futebol. É Pelé.
Aí tudo faz sentido: Messi é o melhor jogador de Pelé da Argentina. Maradona foi o melhor jogador de Pelé de Nápoles. Mbappé é o melhor jogador de Pelé da França.
“Pelé
jogou. O mundo parou”. Se o mundo parou, que o esporte leve o nome de quem
fez parar. Porque Deus é Deus. E Pelé é Pelé. Nunca houve. Nunca haverá igual.
