segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

POESIA - Soneto Decassilábico Português - Obtuso (VM)

 OBTUSO
Vianney Mesquita*

 

 

Se, para defender-me, basta o escudo, não devo empunhar a espada. FRANCISCO DE VITÓRIA [Teólogo espanhol neoescolástico].

 

 

Bronco, tolo, boçal, bruto, abstruso,
Inteligência mal apaniguada,
Racionalidade atrapalhada
Mente septa, entrando em parafuso. 

Orate e imbecil, fora de fuso.
Gente doida, idiota e descarada,
Pusilanimidade deslavada,
Comportamento perfuro-contuso.

Riscado do convite, mas intruso,
Perfeito simulacro do mau uso
Cara lisa, fedida, mal lavada.
 

És o Nobel, o galardão do nada,
Forma inumana desconsiderada:
Eis aí os conceitos do obtuso.




domingo, 14 de fevereiro de 2021

CRÔNICA DE CARNAVAL - O Passado Não Passa (RV)

 O PASSADO NÃO PASSA
Reginaldo Vasconcelos*

  

Trabalhei no Detran há coisa de 30 anos, e há 20 eu caí numa blitz de trânsito, conduzindo automóvel nas imediações de Ideal Clube, no meio da noite, em pleno carnaval. 

Ainda não vigoravam os rigores da “lei seca” atual, mas eu tinha bebido bem, e já havia restrições ao consumo excessivo de álcool pelos condutores de veículos. 

Mas o fiscal que me abordou me reconheceu, e acrescentou que fora ao lançamento de um de meus livros, e que tinha um exemplar devidamente autografado. 

Dei um beijo de agradecimento em sua testa e ele me deu passagem, dispensando-me da reprimenda merecida, que substituiu pela recomendação de que fosse logo para casa. Não fui, mas sobrevivi.

Hoje resolvi ir à praia do Porto das Dunas com a família – as mesmas companhias daquele remoto carnaval – e na volta fui parado por uma grande barreira de trânsito, próximo ao Beach Park, que visava impor isolamento social aos transeuntes.

Todos de máscaras, o agente iniciou a sua peroração sobre o inconveniente de estar eu circulando, em desobediência aos decretos sanitários, quando eu então lhe disse que trabalhara no Detran havia anos, e lhe citei os nomes de colegas daquela época longínqua. 

Ele então, para minha surpresa, me perguntou se no período eu conhecera o Reginaldo. Eu dei uma arriada na máscara para responder à sua pergunta: “O Reginaldo sou eu...”.

Felicitamo-nos, e desta vez eu não bebera – e já estava mesmo de volta para casa, a fim de reverenciar Momo com uma tradicional dose de gim inglês, em absoluta  segurança. 

E viva o Zé Pereira!

POESIA - Castigo (GA)

 CASTIGO
Geraldo Amancio*

No maior dos carnavais,
Lugar em que o escárnio descamba,
Nós vimos  um ano atrás,
Em uma escola de samba,
Uma infernal zombaria,
No desfile da folia,
O que ninguém tinha visto,
A encenação deprimente,
Do cão em forma de gente,
Arrastando Jesus Cristo.


 Foi isso em dois mil e vinte,
Por castigo ou ironia,
Bem logo no mês seguinte,
Chega a fatal pandemia.
O vírus universal,
Parou todo carnaval,
Talvez Deus tenha parado,
Pra dar um exemplo ao povo,
Pra não ver Cristo de novo,
Arrastado e massacrado.


O Deus Supremo e Infinito,
É o mesmo Deus afinal,
Das dez pragas do Egito,
Do Dilúvio Universal,
Deus da Torre de Babel,
Deus de Sodoma a infiel,
De Gomorra destruída,
Divino, Supremo e Forte,
Antes de ser Deus da morte,
Deus é mesmo, o Deus da vida.


 O vírus não quer saber,
Quem é ateu ou tem fé,
Não há quem saiba dizer
se é um castigo ou não é.
Quando um castigo aparece,
Paga até quem não merece,
Por que? não sei explicar,
Só Deus da verdade é dono,
A Deus eu nunca  questiono,
Só sei temer e adorar.


 Fortaleza, 14 de fevereiro de 2021.



 

 COMENTÁRIO

Que coisa extraordinária! Salve o poeta! Salve o ser humano! Salve o Geraldo Amancio, de quem sou fã número um... 

Como agradeço a Deus o fato de pertencer à sua espécie, oh nobre colega da Academia Brasileira de Literatura e Jornalismo! 

Vianney Mesquita


CRÔNICA - A Casa da Praia (AF)

 A Casa da Praia
Altino Farias*

 


Sonhava com um cantinho só nosso e um pedaço de mar a perder de vista. Muitos sonham também. Para isso havia adquirido um terreno na praia há anos, mas as condições financeiras nunca haviam permitido a construção de qualquer benfeitoria que fosse. Mais um ano passado, mais uma vez adiado o sonho. Parecia a linha do horizonte, que se afasta de nós na mesma proporção em que nos aproximamos dela. 

Havia dias em que minha mulher me flagrava na prancheta rabiscando o que seria a casa da praia. Um puxão de orelhas me trazia de volta a realidade das posses restritas e sonhos postergados. “Sonhar não custa nada”, argumentava eu. “Quem sabe um dia...” 

O ramo da construção civil, no qual eu atuava, é cheio de altos e baixos para pequeno empreendedor, meu caso. Num desses altos, separei modesta quantia, e, num ato de pura irresponsabilidade, resolvi construir uma casinha no local. Tomei a decisão sozinho, pois, submetida ao colegiado doméstico, seria voto vencido ante as demandas prioritárias do cotidiano. 

Orçamento e cronograma prontos, escalei pedreiro e servente e mãos à obra. Às terças e sábados corria até a praia, distante setenta quilômetros,  para acompanhar o serviço e suprir necessidades. Bronzeado, minha mulher, intrigada,  perguntava por onde eu andava. “Sou peão de obra e vivo no sol”, respondia desconversando. Mas a pulga continuava atrás de sua orelha. 

Ao cabo de quatro semanas um pretexto mal inventado levou a família completa à praia: eu, minha mulher, filha e filho pequenos. Outra desculpa explicava a carrocinha cheia de tranqueiras que o carro rebocava. Ao chegarmos ao terreno, protesto geral: “Construíram um casa em nosso terreno!”; “Como é que ninguém viu isso?”; “E agora?”.

Em meio ao pânico que se estabeleceu, minha mulher viu Max, o pedreiro que trabalhava para mim, sair da casa, e sorriu aliviada, entendendo de imediato o que se passava. Foi assim que aconteceu, e graças a essa “irresponsabilidade” até hoje nos refugiamos no “Solar Além do Horizonte” para curtir o por do sol, bronzear o corpo todo, ouvir o silêncio, ver o amanhecer, que é lindo...


VÍDEOS - Olinda Sem Carnaval (AV)

 











FREVO - Antonio Nóbrega (LM)


 

VÍDEO DE CARNAVAL - Carnaval com Sofrência e Bar (SQC)

 


POEMA DE CARNAVAL - Sarau Momino (PX)

 SARAU MOMINO

Caiam lantejoulas sobre mim 
e sobre versos e marchas delirantes
Não pretende, por Deus, eu, doravante
Perder um sarau tão bom assim!

 

Durante o ano a labuta me corrói
em meses longos e rasos de alegria.
Vou garimpar, então, nesta folia
o que há de mais doce e não me dói.

Renasço agora – que é carnaval,
loucura solta e efervescente,
 nessa roupagem viva, diferente,
na magia momina de um sarau! 


Preciso de confetes e serpentinas
Tragam-me! Estou rapaz!
Tomei uns drinks e já sou capaz
de vê-los pierrôs e colombinas!


In Doce Mar Selvagem – Paulo Ximenes - 2021


ARTIGO - O Homem Abstrato (RMR)

 O HOMEM ABSTRATO
Rui Martinho Rodrigues*

 

Fórmulas políticas são concebidas para o homem. A Antropologia Filosófica está presente nelas, nem sempre de modo explícito. A modernidade, mormente na vertente contratualista, adotou o pressuposto do estado de natureza, anterior ao contrato social. Nela as relações sociais seriam a expressão da natureza humana. Thomas Hobbes (1588 – 1679), John Locke (1632 – 1704) e Jean Jacques-Rousseau (1712 – 1778) formularam diferentes concepções políticas considerando tal concepção. Peculiaridades culturais, geográficas, econômicas, confessionais, políticas ou de outra ordem foram olvidadas por eles.


Joseph-Marie De Maistre (1753 – 1821), em suas “Considerações sobre a França”, criticou o que lhe pareceu excesso de abstração dizendo que não há homem no mundo, afirmando ironicamente ter visto franceses, italianos, russos, etc, acrescentando ironicamente que graças as “cartas persas” de Montesquieu até soube dos ditos persas, mas nunca viu o tal homem. Os reis filósofos da república platônica e os déspotas esclarecidos se presumem dotados de conhecimento superior e suficientemente confiável para empreender uma engenharia social, colocando-nos no papel de cobaias, apesar dos sucessivos fracassos de suas experiências. Elaboram teorias sofisticadas que não passam do que Karl Raymond Popper (1902 – 1994) classificou como logomaquia. 

As constituições analíticas e programáticas, dirigentes ou totais atendem à inspiração dos intelectuais ironicamente classificados por Thomas Sowell (1930 – vivo) como ungidos. O homem abstrato, criticado por De Maistre, está na base das concepções universalistas, de democracia e organização social, alheias às peculiaridades das sociedades. A ampliação do interesse público, a publicização do direito privado, a exemplo da obra “Direito civil constitucional”, de Anderson Schreiber e Carlos Nelson Konder restringindo a liberdade negocial. É fruto da tutela dos ungidos sobre os cidadãos havidos como incapazes. 

No direito privado o que não é expressamente proibido é permitido. No direito público o que não é expressamente permitido é proibido. Luís Felipe de Cerqueira e Silva Pondé (1959 – vivo) denunciou repetidamente em seus escritos a ampliação do interesse público como liberticida. A representatividade, na forma de governo consentido, exerce uma função moderadora do dirigismo fundado em elucubrações criativas, mas distanciadas da realidade. Ganha força, todavia, a ideia de um saber superior, de uma elite intelectual dirigente, que dispensa o consentimento popular para o exercício do poder político, conforme proposta de Vladmir Iliych Ulianov (Lênin, 1870 1924), na obra “O que fazer”. Muitos seguem esta orientação sem relacioná-la com o autor na obra citada. 

O ativismo judicial pretende fazer justiça. Atenta para a singularidade do caso concreto, livre dos limites da norma escrita, tendo por base princípios tais como a razoabilidade e a dignidade da pessoa. Não da dignidade peculiar ao caso concreto, mas do homem abstrato. O vanilóquio das doutrinas que, embora proclamem desprezo pelo abstracionismo idealista, são eivadas de voluntarismo, titanismo romântico e abstracionismo dos idealistas. A práxis apregoada não reconhece o erro das teorias da pauperização e do exército industrial de reserva, bases da inconformidade com a ordem espontânea descrita por Friedrich August von Hayek (1899 – 1992). O romantismo e o idealismo de tais cogitações são desnudados por Isaiah Berlin (1909 – 1997), nas obras “Ideias políticas na era romântica” e “Limites da utopia” respectivamente.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

CRÔNICA - Mesa de Bar (PX)

 Mesa de Bar
 Paulo Ximenes*

  

“Mesa de bar não é lugar apropriado para a resolução dos problemas do mundo, nem para o desfile de azedumes pessoais. Ao contrário, ela foi desenhada para o trato das amenidades, para os que reverenciam as amizades, deixam ascender a poesia e os bons fluidos, e viajam com a música para onde ela for”.

 

 

A propósito desta amolada orientação aos navegantes, devo detalhar que eu a confeccionei em uma grande folha de papel cartolina, tecida com pincel atômico (no tom vermelho mais aberrante que pude encontrar) e a afixei afrontosamente na porta de um frequentado bar nas cercanias da cidade de Campos Sales, Estado do Ceará, pelos idos de 1995, com a aquiescência do seu proprietário.

  

Aquilo não foi uma gaiatice fortuita. Apesar dos muitos deleites em que ali vivi, devo confessar que atravessei também uns bons maus bocados. Muitos dos seus incautos frequentadores andavam se esquivando da correta destinação a que se prestam os bares: julgando-se conhecedores dos homens e do mundo, entre baforadas de cigarros, doses de cachaça e ares professorais, levantavam polêmicas de toda a sorte, quando não traziam na ponta da língua elucidações para quaisquer dúvidas que porventura ali surgissem. Sabichões de plantão, donos absolutos da verdade.

  

Já outros se davam ao desplante de transformar uma mesa de bar numa extensão enfadonha das suas atividades laborais; outros faziam pior: passavam a exigir atenção pupilar, enquanto revelavam detalhadamente seus doridos queixumes, tim-tim por tim-tim, impondo aos demais arcar com a tortura daquela audição... 

 

O leitor acha que a coisa não poderia desandar ainda mais um pouquinho? Saiba então que presenciei alguns fanfarrões sob o efeito da “marvada” com os dedos em riste e a voz nas alturas, acelerados pela reles divergência de opiniões ou até pelas discussões do mundo do futebol, arvorando um clima de afrontamento ao sossego. 

  

Avacalhava-se naquela forma, a passos largos, o sagrado fito da nossa serena tenda do ócio – eu queria crer que a finalidade de um bar fosse justamente pôr água fria na fervura da vida – e eu já estava que não podia mais. Concedo agora que talvez eu tenha sido menos sutil do que eles, ao fazer a emenda maior que o soneto.

  

Passado algum tempo, por motivos imperiosos, saí da cidade. Segundo a informação dos que por lá ficaram, por mais uns três anos permaneceu a desbotada cartolina no mesmíssimo local, prestando relevantes serviços aos boêmios. As letras se desbotaram, a cartolina sumiu, o tempo passou e aquilo foi uma ousadia que já não me acompanha mais.


 

ARTIGO - Liberdade (PN)

 LIBERDADE
Pierre Nadie*

 

 

Dizem existencialistas que a liberdade é a máxima escravidão. Traz, inexoravelmente, a angústia existencial. E, por conseguinte, licença para se ofender e se infernizar.

 

Ora, não se pode ver o “ser” humano sem ser humano, cujo “estar-no-mundo” é um constructo individualizado, com ressonâncias intercambiais do meio.

 

A liberdade mostra-nos a imperfeição, que motiva o ser a buscar uma aprendizagem contínua, o que se faz através de escolhas.

 

No entanto, escolhas implicam em conhecimento, em valores, em necessidades, diante de opções, as quais devem ser vistas com o “meu-ser-em-mim-e-no-mundo”.

 

No subjetivismo, há princípios e matrizes imanentes, as quais não podem ser vistas como “nada”, pois, dúvidas e inquietações são inquilinos de nossa “necessidade”. Não são um estorvo, porém estímulo à aprendizagem responsável.

 

E ninguém foge às suas consequências, porém, nem sempre é impossível revê-las.
 

A liberdade não pode ser exercida fora do contexto de nossa humanidade. Assim, o texto da vida precisa ser analisado no contexto de humanidade, ou seja, não somos ilimitados, nem absolutos.


Todavia, posso fazer de minha liberdade uma prisão, um cárcere, uma alienação ou qualquer coisa. Posso fazê-lo, sobretudo quando minha escolha é não fazer escolha, no emaranhado de ignorância, de opiniões, de ideias, que me falseiam a realidade contingente e que “nihilizam” minhas raízes existenciais e “desestruturam” minhas razões vivenciais.

 

O ser humano tem o livre arbítrio, tanto para o bem, quanto para o mal, tanto para cuidar(se), como para apenar(se). E não é difícil constatar-se que não é verdade que “sempre” escolhe o bem, a não ser que o mitiguemos com polissemias, que não suportam uma criticidade humana.

 

Viver é definir sua liberdade, sem se deixar escravizar pela própria miragem de infinitude. São essas limitações, que nos permitem crescer, fazer ajustes e desejar o Ilimitado, que se chamam Deus.

 

Liberdade pode incomodar, mas, é o maior galardão que o ser humano se dá a si mesmo. Ela não se consome, senão serpeja como águas que rolam para o mar do “estar-no-ser”.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

ARTIGO - A Diplomacia Americana (RMR)

 A DIPLOMACIA AMERICANA
Rui Martinho Rodrigues* 

 

As relações internacionais tendem a ser pragmáticas. Interesses nacionais são, quase sempre, a nota dominante na diplomacia. Ideologia, religião, segurança, economia, alianças de interesse estratégico, fatores históricos e culturais podem influenciar também. A geopolítica é tudo isso. Política externa envolve confiança, que por sua vez depende de orientação durável. 

A democracia americana tem o mérito da alternância do poder. Isso pode causar instabilidade diplomática. A sociedade, mais precisamente, a cultura americana mudou. Os partidos agora diferem muito um do outro. A alternância democrática tende agora a provocar mudanças significativas nas relações internacionais. 

O discurso de legitimação, vendido pelos políticos para o eleitorado, nos EUA, tende a destacar valores democráticos. As contradições eram camufladas com argumentos aceitos pela grande maioria dos cidadãos. Mas isso também mudou. “Primeiro a América” representa a tendência para a franqueza, dizendo que diplomacia é mais pragmática do que moral. 

Eleitor não gosta de recrutamento para guerra, nem de imposto para financiar conflito. Ao fim da Segunda Grande guerra Mundial Winston Leonard Spencer-Churchill (1874 – 1965) queria exigir da URSS a independência da Polônia. Os americanos cederam, embora os britânicos estivessem mais sacrificados. O general Douglas MacArthur (1880 – 1964) queria mais firmeza dos EUA na guerra da Coreia, usando até armas nucleares. A Casa Branca, que já havia abandonado os seus aliados chineses, não aceitou alegando poupar vidas e encorajando o que veria a ser a guerra do Vietnã. 

França e Reino Unido não tiveram apoio dos EUA na guerra pelo canal de Suez, em 1956, nem Portugal em suas guerras coloniais. Ditadores aliados foram jogados às traças e substituídos por ditadores inimigos, como o cubano Fulgencio Batista Zaldivar (1901 – 1973) e o nicaraguense Anastácio Somoza Debayle (1925 – 1980). 

Ditaduras adversárias são apaziguadas, como China e Paquistão. Os EUA compram os inimigos e vendem os aliados. Realmente agem como pombos de igreja, que defecam na cabeça dos fiéis. 

O poder mudou de mãos nos EUA. A descontinuidade das diretrizes diplomáticas está posta. A venda de cem bilhões de dólares em armas para os Emirados Árabes e Arábia Saudita já foi suspensa, prejudicando aliados na inútil tentativa de comprar a simpatia do Irã. Israel, informado pelo seu serviço secreto, já declarou que atacará o Irã se os EUA forem lenientes com o programa nuclear daquele país. A Coreia do Sul já discute a conveniência de produzir armas nucleares, por não confiar na aliança com os americanos. 

A adesão dos EUA ao discurso do presidente francês sobre a floresta amazônica ser o pulmão do mundo e outras coisas, já está posta. O Departamento de Defesa tem cento e vinte dias para produzir um documento sobre a floresta amazônica e a segurança nacional dos EUA. Eles não compram os inimigos, só se forem fortes, como a China e o Paquistão. Mas podem vender os aliados. Desprezam os fracos e cedem diante dos fortes. 

O neocolonialismo já não alega a missão civilizadora do homem branco, como no poema de Joseph Rudyard Kipling (1866 – 1936), “O fardo do homem branco”. O argumento agora é salvar o planeta. A criação de um inimigo externo para pacificar países divididos, como a França ou EUA, e outros interesses geopolíticos estão postos. Os poderosos, reunidos em Davos ou em outro lugar poderão repartir o mundo, como dividiram a Europa em Yalta e Potsdam (1945).

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

NOTA ACADÊMICA - ACLJ Está "Bombando"

ACLJ ESTÁ
“BOMBANDO”


Apesar dos rigores excepcionais de isolamento social, de contenção econômica e de estresse psicológico que a pandemia tem imposto ao mundo, ao Brasil, particularmente ao Ceará, a nossa ACLJ continua viva e atuante, cada um de seus membros produzindo literatura e jornalismo. 

O jantar e sarau semanal das terças-feiras foi convertido em reuniões virtuais no mesmo horário, em que se discutem questões administrativas da entidade e se fazem performances literárias e poéticas, o que mantém o vínculo institucional e social. 

Em maio de 2020, auge da peste chinesa, deixamos de promover a tradicional Assembleia Aniversária, em que se festejariam em grande estilo os nove anos de existência da Entidade. 

Todavia, fizemos uma bela comemoração virtual da efeméride neste Blog (Ano 9º– Evento Aniversário), com a participação videográfica de muitos acadêmicos, e um balanço geral das atividades no período. 

A Assembleia Geral de fim de ano da ACLJ transcorreu presencialmente, observados todos os protocolos de segurança, e nela se outorgou o titulo de Destaque Cearense a três personalidades locais.

 


Cumprindo a tradição de enaltecer anualmente as maiores personalidades do ano no Estado, foram agraciados com diplomas personalizados o médico Cabeto Martins Rodrigues, o empresário Alexandre Sales e o humanista benemérito Igor Queiroz Barroso, registrada neste Blob sob o título "ACLJ – Primeira Reunião Presencial de 2021".

  

ATIVIDADE JORNALÍSTICA
E
PRODUÇÃO LITERÁRIA  


  

PC NORÕES – BOB MOREIRA – TOTONHO LAPROVITERA – MARCOS ANDRÉ

Sem embargo, apesar do flagelo sanitário, os acadêmicos Paulo César Norões, Roberto Moreira e Totonho Laprovitera, por exemplo, fundaram um novo complexo de comunicação – Jornal e TV Otimista – enquanto Marcos André Borges estreou uma nova iniciativa empresarial de índole jornalística – a TrendCe.

 

LUCIANO MAIA

O poeta Luciano Maia, por seu turno, grande vate aceelino e acelenajo – imortal da ACL e da ACLJ – já tem edição pronta do seu mais recente livro de poemas, que aguarda para ser lançado na nossa Assembleia Aniversária de maio próximo.

Falo de uma obra de primorosa catadura gráfica, com chancela da vetusta “Casa de Tomás Pompeu” – a Academia Cearense de Letras – abonada em castelhana prefação pelo escritor e latinista argentino Raúl Lavalle, e em aurículas livrescas pelo poeta cearense Carlos Augusto Viana.

“Assembleia dos Rios” é o título pelo qual responde o novo livro em referência, ainda inédito, que não trata senão do lirismo fluvial que o nosso Lucianus Nonius ab Maiam nos traz das suas origens sertanejas. 

A sua telúrica poesia glosa o seu passado ancestral de pecuária e valente vaqueirice, que na infância ele ainda viveu em sua pátria Limoeiro, ao som do Jaguaribe, artéria de sangue azul vertido por Geia nas suas intermitentes hemorragias hibernais.

 

KARLA KARENINA

A atriz, poetisa e psicoterapeuta Karla Karenina, no mesmo ritmo, lança virtualmente a obra “Como Dantes”, prosa na qual ela romanceia místicas memórias de sua vida em passada encarnação.

Essas memórias ela resgatou em uma sessão terapêutica de regressão psicológica – a vivência de menina miserável que se converte em bailarina e cortesã – uma leitura agradável e obsedante, para ser sorvida de um só trago, desprezando a agenda e perfurando a madrugada.

Embaixo, o link pelo qual se pode acessar o lançamento virtual da obra, gravado no foyer do Teatro José de Alencar. Karla Karenina foi nomeada na mesma semana Diretora do Teatro São José.

Mais abaixo, um teaser da sua interpretação da prece "Salve Rainha" em latim, com a qual ela ungiu de bons fluidos exotéricos o lançamento do seu livro.

https://drive.google.com/file/d/1-vEGnsvECqPJgad4NRhheCldci6OX8mx/view?usp=drivesdk



PAULO XIMENES

O poeta Paulo Ximenes, em sua vez, estreia com o livro de poemas “Doce Mar Selvagem”, cujo título e capa evocam a sua infância praiana e “iracemita”, entre os diques e píeres da Praia de Iracema, que amasiam aquele bairro histórico da cidade com o indômito e verdeal oceano, de onde ele trouxe a maresia de seus versos.

De lá, o nosso Paulus Rodberthus Cuniculus Shemenus pervaga os sítios bucólicos das cercanias da cidade-mãe, por onde delibou a sua meninice, bem como a rua de sua adolescência e mocidade e da paixão insuperável – além dos sertões acres por onde foi exercer sua profissão na juventude, dos quais voltou para nidificar, constituir família, ter seus filhos. 

Por fim, vai buscar em sua lira os céus surreais do Planalto Central, sob os quais, na madureza de seus anos, ele derrama o amor mais longevo, amor antigo que hoje se espraia para os netos, que lá medraram e que de lá lhe afagam o seu avito coração. 

 

ALANA ALENCAR

A poetisa Alana Girão de Alencar, de verve soberba e de fecunda produção, lança também virtualmente o seu segundo grande livro físico de poemas – “Metáforas de Uma Análise” – no qual escoa belamente o seu arsenal de “versos livres”, pejados de lirismo, movidos por um ritmo pulsante, alimentados de imagens metafóricas e telúricas, enfeitados de aliterações harmoniosas.

A obra guarda a discrição e a simplicidade que caracterizam a elegância genuína. É todo vazado em tipo datilográfico desde a capa, os poemas apenas numerados, como artigos de uma linha de produção, apenas classificados por temática, ficando a sua titulação respectiva por conta de quem os lê ou reproduz. 


O livro, de capa dura, não tem abas com as tradicionais recomendação
 auriculares, tampouco prefácio. Alana Gyranus Alankerkus encomendou aos seus dois filhos infantes (Pedro Antônio e Benjamim) que fizessem a ilustração da obra, a qual restou delicadíssima. Ao marido, Júlio César, incumbiu que escrevesse a contracapa, onde ele a sintetiza como pessoa e a analisa na condição de poetisa – o que dota o trabalho da graça sublime de uma obra de família – pro domo sua – virtuosa e gentilmente.

    


ARNALDO SANTOS

Por fim (but not least), o jornalista e sociólogo Arnaldo Santos, Membro Titular Fundador da ACLJ e integrante da sua Decúria Diretiva, o mais competente apresentador e mais tradicional homem de televisão no Ceará, acaba de tomar posse na Diretoria-Geral da TV Assembleia, que também inclui emissora de rádio. 

Na grade de programação da TV Assembleia, Arnwaldus Silverius Santorum já reservou espaço para o Programa “Um Livro Aberto”, a ser produzido pela ACLJ, com entrevistas de intelectuais e jornalistas e comentários sobre obras literárias, cujos protótipos pilotos foram gravados nos últimos dias de fevereiro de 2020, imediatamente anteriores ao inicio da pandemia, que deflagrou a quarentena e paralisou a iniciativa. 

  


O FUTURO


A ACLJ evoluirá em maio para uma circunscrição mais abrangente, passando a se denominar Academia Brasileira de Literatura e Jornalismo (ABLJ), ocupando parte  de suas cadeiras com literatos e jornalistas de outras naturalidades e com maior presença em todas as mídias nacionais
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