OBTUSO
Vianney Mesquita*
Se, para defender-me, basta o escudo, não devo
empunhar a espada. FRANCISCO
DE VITÓRIA [Teólogo espanhol neoescolástico].
Se, para defender-me, basta o escudo, não devo
empunhar a espada. FRANCISCO
DE VITÓRIA [Teólogo espanhol neoescolástico].
Trabalhei no Detran há coisa de 30 anos, e há 20 eu caí numa blitz de trânsito, conduzindo automóvel nas imediações de Ideal Clube, no meio da noite, em pleno carnaval.
Ainda não vigoravam os rigores da “lei seca”
atual, mas eu tinha bebido bem, e já havia restrições ao consumo excessivo de
álcool pelos condutores de veículos.
Mas o fiscal que me abordou me reconheceu, e acrescentou que fora ao lançamento de um de meus livros, e que tinha um exemplar devidamente autografado.
Dei um beijo de agradecimento em sua testa e ele me deu passagem, dispensando-me da reprimenda merecida, que substituiu pela recomendação de que fosse logo para casa. Não fui, mas sobrevivi.
Hoje resolvi ir à praia do Porto das Dunas com
a família – as mesmas companhias daquele remoto carnaval – e na volta fui
parado por uma grande barreira de trânsito, próximo ao Beach Park, que visava
impor isolamento social aos transeuntes.
Todos de máscaras, o agente iniciou a sua peroração sobre o inconveniente de estar eu circulando, em desobediência aos decretos sanitários, quando eu então lhe disse que trabalhara no Detran havia anos, e lhe citei os nomes de colegas daquela época longínqua.
Ele então, para minha surpresa, me perguntou se no período eu conhecera o Reginaldo. Eu dei uma arriada na máscara para responder à sua pergunta: “O Reginaldo sou eu...”.Felicitamo-nos, e desta vez eu não bebera – e já estava mesmo de volta para casa, a fim de reverenciar Momo com uma tradicional dose de gim inglês, em absoluta segurança.
E viva o Zé Pereira!
COMENTÁRIO
Que coisa extraordinária! Salve o poeta! Salve o ser humano! Salve o Geraldo Amancio, de quem sou fã número um...
Como agradeço a Deus o fato de pertencer à sua espécie, oh nobre colega da Academia Brasileira de Literatura e Jornalismo!
Vianney Mesquita
Sonhava com um cantinho só nosso e um pedaço de mar a perder de vista. Muitos sonham também. Para isso havia adquirido um terreno na praia há anos, mas as condições financeiras nunca haviam permitido a construção de qualquer benfeitoria que fosse. Mais um ano passado, mais uma vez adiado o sonho. Parecia a linha do horizonte, que se afasta de nós na mesma proporção em que nos aproximamos dela.
Havia dias em que minha mulher me flagrava na prancheta rabiscando o que seria a casa da praia. Um puxão de orelhas me trazia de volta a realidade das posses restritas e sonhos postergados. “Sonhar não custa nada”, argumentava eu. “Quem sabe um dia...”
O ramo da construção civil, no qual eu atuava, é cheio de altos e baixos para pequeno empreendedor, meu caso. Num desses altos, separei modesta quantia, e, num ato de pura irresponsabilidade, resolvi construir uma casinha no local. Tomei a decisão sozinho, pois, submetida ao colegiado doméstico, seria voto vencido ante as demandas prioritárias do cotidiano.
Orçamento e cronograma prontos, escalei pedreiro e servente e mãos à obra. Às terças e sábados corria até a praia, distante setenta quilômetros, para acompanhar o serviço e suprir necessidades. Bronzeado, minha mulher, intrigada, perguntava por onde eu andava. “Sou peão de obra e vivo no sol”, respondia desconversando. Mas a pulga continuava atrás de sua orelha.
Ao cabo de quatro semanas um pretexto mal inventado levou a família completa à praia: eu, minha mulher, filha e filho pequenos. Outra desculpa explicava a carrocinha cheia de tranqueiras que o carro rebocava. Ao chegarmos ao terreno, protesto geral: “Construíram um casa em nosso terreno!”; “Como é que ninguém viu isso?”; “E agora?”.
Em meio ao pânico que se estabeleceu, minha mulher viu Max, o pedreiro que
trabalhava para mim, sair da casa, e sorriu aliviada, entendendo de imediato o
que se passava. Foi assim que aconteceu, e graças a essa “irresponsabilidade”
até hoje nos refugiamos no “Solar Além do Horizonte” para curtir o por do sol, bronzear
o corpo todo, ouvir o silêncio, ver o amanhecer, que é lindo...
SARAU MOMINO
In Doce Mar Selvagem – Paulo Ximenes - 2021
Fórmulas políticas são concebidas para o homem. A Antropologia Filosófica está presente nelas, nem sempre de modo explícito. A modernidade, mormente na vertente contratualista, adotou o pressuposto do estado de natureza, anterior ao contrato social. Nela as relações sociais seriam a expressão da natureza humana. Thomas Hobbes (1588 – 1679), John Locke (1632 – 1704) e Jean Jacques-Rousseau (1712 – 1778) formularam diferentes concepções políticas considerando tal concepção. Peculiaridades culturais, geográficas, econômicas, confessionais, políticas ou de outra ordem foram olvidadas por eles.
As constituições analíticas e programáticas, dirigentes ou totais atendem à inspiração dos intelectuais ironicamente classificados por Thomas Sowell (1930 – vivo) como ungidos. O homem abstrato, criticado por De Maistre, está na base das concepções universalistas, de democracia e organização social, alheias às peculiaridades das sociedades. A ampliação do interesse público, a publicização do direito privado, a exemplo da obra “Direito civil constitucional”, de Anderson Schreiber e Carlos Nelson Konder restringindo a liberdade negocial. É fruto da tutela dos ungidos sobre os cidadãos havidos como incapazes.
No direito privado o que não é expressamente proibido é permitido. No direito público o que não é expressamente permitido é proibido. Luís Felipe de Cerqueira e Silva Pondé (1959 – vivo) denunciou repetidamente em seus escritos a ampliação do interesse público como liberticida. A representatividade, na forma de governo consentido, exerce uma função moderadora do dirigismo fundado em elucubrações criativas, mas distanciadas da realidade. Ganha força, todavia, a ideia de um saber superior, de uma elite intelectual dirigente, que dispensa o consentimento popular para o exercício do poder político, conforme proposta de Vladmir Iliych Ulianov (Lênin, 1870 1924), na obra “O que fazer”. Muitos seguem esta orientação sem relacioná-la com o autor na obra citada.
O ativismo judicial pretende fazer justiça. Atenta
para a singularidade do caso concreto, livre dos limites da norma escrita,
tendo por base princípios tais como a razoabilidade e a dignidade da pessoa. Não
da dignidade peculiar ao caso concreto, mas do homem abstrato. O vanilóquio das
doutrinas que, embora proclamem desprezo pelo abstracionismo idealista, são
eivadas de voluntarismo, titanismo romântico e abstracionismo dos idealistas. A
práxis apregoada não reconhece o erro das teorias da pauperização e do exército
industrial de reserva, bases da inconformidade com a ordem espontânea descrita
por Friedrich August von Hayek (1899 – 1992). O romantismo e o idealismo de
tais cogitações são desnudados por Isaiah Berlin (1909 – 1997), nas obras
“Ideias políticas na era romântica” e “Limites da utopia” respectivamente.
“Mesa
de bar não é lugar apropriado para a resolução dos problemas do mundo, nem para
o desfile de azedumes pessoais. Ao contrário, ela foi desenhada para o trato
das amenidades, para os que reverenciam as amizades, deixam ascender a poesia e os bons fluidos, e viajam com a música para onde ela for”
A propósito desta amolada orientação aos
navegantes, devo detalhar que eu a confeccionei em uma grande folha de papel
cartolina, tecida com pincel atômico (no tom vermelho mais aberrante que pude
encontrar) e a afixei afrontosamente na porta de um frequentado bar nas
cercanias da cidade de Campos Sales, Estado do Ceará, pelos idos de 1995, com a
aquiescência do seu proprietário.
Aquilo não foi uma gaiatice fortuita. Apesar
dos muitos deleites em que ali vivi, devo confessar que atravessei também uns
bons maus bocados. Muitos dos seus incautos frequentadores andavam se
esquivando da correta destinação a que se prestam os bares: julgando-se
conhecedores dos homens e do mundo, entre baforadas de cigarros, doses de
cachaça e ares professorais, levantavam polêmicas de toda a sorte, quando não
traziam na ponta da língua elucidações para quaisquer dúvidas que porventura
ali surgissem. Sabichões de plantão, donos absolutos da verdade.
Já outros se davam ao desplante de transformar
uma mesa de bar numa extensão enfadonha das suas atividades laborais; outros
faziam pior: passavam a exigir atenção pupilar, enquanto revelavam
detalhadamente seus doridos queixumes, tim-tim por tim-tim, impondo aos demais
arcar com a tortura daquela audição...
O leitor acha que a coisa não poderia desandar ainda mais um pouquinho? Saiba então que presenciei alguns fanfarrões sob o efeito da “marvada” com os dedos em riste e a voz nas alturas, acelerados pela reles divergência de opiniões ou até pelas discussões do mundo do futebol, arvorando um clima de afrontamento ao sossego.
Avacalhava-se naquela forma, a passos largos,
o sagrado fito da nossa serena tenda do ócio – eu queria crer que a finalidade
de um bar fosse justamente pôr água fria na fervura da vida – e eu já estava
que não podia mais. Concedo agora que talvez eu tenha sido menos sutil do que
eles, ao fazer a emenda maior que o soneto.
Passado algum tempo, por motivos imperiosos, saí da cidade. Segundo a informação dos que por lá ficaram, por mais uns três anos permaneceu a desbotada cartolina no mesmíssimo local, prestando relevantes serviços aos boêmios. As letras se desbotaram, a cartolina sumiu, o tempo passou e aquilo foi uma ousadia que já não me acompanha mais.
Dizem existencialistas que a liberdade é a máxima escravidão. Traz, inexoravelmente, a angústia existencial. E, por conseguinte, licença para se ofender e se infernizar.
Ora, não se pode ver o “ser” humano sem ser humano, cujo “estar-no-mundo” é um constructo individualizado, com ressonâncias intercambiais do meio.
A liberdade mostra-nos a imperfeição, que motiva o ser a buscar uma aprendizagem contínua, o que se faz através de escolhas.
No entanto, escolhas implicam em conhecimento, em valores, em necessidades, diante de opções, as quais devem ser vistas com o “meu-ser-em-mim-e-no-mundo”.
No subjetivismo, há princípios e matrizes imanentes, as quais não podem ser vistas como “nada”, pois, dúvidas e inquietações são inquilinos de nossa “necessidade”. Não são um estorvo, porém estímulo à aprendizagem responsável.
A liberdade não pode ser exercida fora do contexto de nossa humanidade. Assim, o texto da vida precisa ser analisado no contexto de humanidade, ou seja, não somos ilimitados, nem absolutos.
Todavia, posso fazer de minha liberdade uma prisão, um cárcere, uma alienação ou qualquer coisa. Posso fazê-lo, sobretudo quando minha escolha é não fazer escolha, no emaranhado de ignorância, de opiniões, de ideias, que me falseiam a realidade contingente e que “nihilizam” minhas raízes existenciais e “desestruturam” minhas razões vivenciais.
O ser humano tem o livre arbítrio, tanto para o bem, quanto para o mal, tanto para cuidar(se), como para apenar(se). E não é difícil constatar-se que não é verdade que “sempre” escolhe o bem, a não ser que o mitiguemos com polissemias, que não suportam uma criticidade humana.
Viver é definir sua liberdade, sem se deixar escravizar pela própria miragem de infinitude. São essas limitações, que nos permitem crescer, fazer ajustes e desejar o Ilimitado, que se chamam Deus.
Liberdade
pode incomodar, mas, é o maior galardão que o ser humano se dá a si mesmo. Ela
não se consome, senão serpeja como águas que rolam para o mar do “estar-no-ser”.
As relações internacionais tendem a ser pragmáticas. Interesses nacionais são, quase sempre, a nota dominante na diplomacia. Ideologia, religião, segurança, economia, alianças de interesse estratégico, fatores históricos e culturais podem influenciar também. A geopolítica é tudo isso. Política externa envolve confiança, que por sua vez depende de orientação durável.
A democracia americana tem o mérito da alternância do poder. Isso pode causar instabilidade diplomática. A sociedade, mais precisamente, a cultura americana mudou. Os partidos agora diferem muito um do outro. A alternância democrática tende agora a provocar mudanças significativas nas relações internacionais.
O discurso de legitimação, vendido pelos políticos para o eleitorado, nos EUA, tende a destacar valores democráticos. As contradições eram camufladas com argumentos aceitos pela grande maioria dos cidadãos. Mas isso também mudou. “Primeiro a América” representa a tendência para a franqueza, dizendo que diplomacia é mais pragmática do que moral.
França e Reino Unido não tiveram apoio dos EUA na guerra pelo canal de Suez, em 1956, nem Portugal em suas guerras coloniais. Ditadores aliados foram jogados às traças e substituídos por ditadores inimigos, como o cubano Fulgencio Batista Zaldivar (1901 – 1973) e o nicaraguense Anastácio Somoza Debayle (1925 – 1980).
Ditaduras adversárias são apaziguadas, como China e Paquistão. Os EUA compram os inimigos e vendem os aliados. Realmente agem como pombos de igreja, que defecam na cabeça dos fiéis.
O poder mudou de mãos nos EUA. A descontinuidade das diretrizes diplomáticas está posta. A venda de cem bilhões de dólares em armas para os Emirados Árabes e Arábia Saudita já foi suspensa, prejudicando aliados na inútil tentativa de comprar a simpatia do Irã. Israel, informado pelo seu serviço secreto, já declarou que atacará o Irã se os EUA forem lenientes com o programa nuclear daquele país. A Coreia do Sul já discute a conveniência de produzir armas nucleares, por não confiar na aliança com os americanos.
A adesão dos EUA ao discurso do presidente francês sobre a floresta amazônica ser o pulmão do mundo e outras coisas, já está posta. O Departamento de Defesa tem cento e vinte dias para produzir um documento sobre a floresta amazônica e a segurança nacional dos EUA. Eles não compram os inimigos, só se forem fortes, como a China e o Paquistão. Mas podem vender os aliados. Desprezam os fracos e cedem diante dos fortes.
O neocolonialismo já não alega a missão
civilizadora do homem branco, como no poema de Joseph Rudyard Kipling (1866 –
1936), “O fardo do homem branco”. O argumento agora é salvar o planeta. A criação
de um inimigo externo para pacificar países divididos, como a França ou EUA, e
outros interesses geopolíticos estão postos. Os poderosos, reunidos em Davos ou
em outro lugar poderão repartir o mundo, como dividiram a Europa em Yalta e
Potsdam (1945).
Apesar dos rigores excepcionais de isolamento social, de contenção econômica e de estresse psicológico que a pandemia tem imposto ao mundo, ao Brasil, particularmente ao Ceará, a nossa ACLJ continua viva e atuante, cada um de seus membros produzindo literatura e jornalismo.
Em maio de 2020, auge da peste chinesa, deixamos de promover a tradicional Assembleia Aniversária, em que se festejariam em grande estilo os nove anos de existência da Entidade.
Todavia, fizemos uma bela comemoração virtual da efeméride neste Blog (Ano 9º– Evento Aniversário), com a participação videográfica de muitos acadêmicos, e um balanço geral das atividades no período.
A Assembleia Geral de fim de ano da ACLJ transcorreu presencialmente, observados todos os protocolos de segurança, e nela se outorgou o titulo de Destaque Cearense a três personalidades locais.
Cumprindo a tradição de enaltecer anualmente as maiores personalidades do ano no Estado, foram agraciados com diplomas personalizados o médico Cabeto Martins Rodrigues, o empresário Alexandre Sales e o humanista benemérito Igor Queiroz Barroso, registrada neste Blob sob o título "ACLJ – Primeira Reunião Presencial de 2021".
PC NORÕES – BOB MOREIRA – TOTONHO LAPROVITERA – MARCOS ANDRÉ
Sem embargo, apesar do flagelo sanitário, os acadêmicos Paulo César Norões, Roberto Moreira e Totonho Laprovitera, por exemplo, fundaram um novo complexo de comunicação – Jornal e TV Otimista – enquanto Marcos André Borges estreou uma nova iniciativa empresarial de índole jornalística – a TrendCe.
LUCIANO MAIA
O poeta Luciano
Maia, por seu turno, grande vate aceelino e acelenajo – imortal da ACL e da
ACLJ – já tem edição pronta do seu mais recente livro de poemas, que aguarda
para ser lançado na nossa Assembleia Aniversária de maio próximo.
Falo de uma obra de primorosa catadura gráfica, com chancela da vetusta “Casa de Tomás Pompeu” – a Academia Cearense de Letras – abonada em castelhana prefação pelo escritor e latinista argentino Raúl Lavalle, e em aurículas livrescas pelo poeta cearense Carlos Augusto Viana.
A sua telúrica
poesia glosa o seu passado ancestral de pecuária e valente vaqueirice, que na
infância ele ainda viveu em sua pátria Limoeiro, ao som do Jaguaribe, artéria
de sangue azul vertido por Geia nas suas intermitentes hemorragias hibernais.
KARLA KARENINA
Essas memórias ela resgatou em uma sessão terapêutica de regressão psicológica – a vivência de menina miserável que se converte em bailarina e cortesã – uma leitura agradável e obsedante, para ser sorvida de um só trago, desprezando a agenda e perfurando a madrugada.
Embaixo, o link pelo qual se pode acessar o lançamento virtual da obra, gravado no foyer do Teatro José de Alencar. Karla Karenina foi nomeada na mesma semana Diretora do Teatro São José.
Mais abaixo, um teaser da sua interpretação da prece "Salve Rainha" em latim, com a qual ela ungiu de bons fluidos exotéricos o lançamento do seu livro.
https://drive.google.com/file/d/1-vEGnsvECqPJgad4NRhheCldci6OX8mx/view?usp=drivesdk
PAULO XIMENES
O poeta Paulo
Ximenes, em sua vez, estreia com o livro de poemas “Doce Mar Selvagem”, cujo
título e capa evocam a sua infância praiana e “iracemita”, entre os diques e
píeres da Praia de Iracema, que amasiam aquele bairro histórico da cidade com o
indômito e verdeal oceano, de onde ele trouxe a maresia de seus versos.

Por fim, vai buscar em sua lira os céus surreais do Planalto Central, sob os quais, na madureza de seus anos, ele derrama o amor mais longevo, amor antigo que hoje se espraia para os netos, que lá medraram e que de lá lhe afagam o seu avito coração.
ALANA ALENCAR
A obra guarda a discrição e a simplicidade que caracterizam a elegância genuína. É todo vazado em tipo datilográfico desde a capa, os poemas apenas numerados, como artigos de uma linha de produção, apenas classificados por temática, ficando a sua titulação respectiva por conta de quem os lê ou reproduz.
O livro, de capa
dura, não tem abas com as tradicionais recomendação auriculares, tampouco
prefácio. Alana Gyranus Alankerkus encomendou
aos seus dois filhos infantes (Pedro Antônio e Benjamim) que fizessem a ilustração
da obra, a qual restou delicadíssima. Ao marido, Júlio César, incumbiu que
escrevesse a contracapa, onde ele a sintetiza como pessoa e a analisa na
condição de poetisa – o que dota o trabalho da graça sublime de uma obra de
família – pro domo sua – virtuosa e
gentilmente.
ARNALDO SANTOS
Na grade de programação da TV Assembleia, Arnwaldus Silverius Santorum já reservou espaço para o Programa “Um Livro Aberto”, a ser produzido pela ACLJ, com entrevistas de intelectuais e jornalistas e comentários sobre obras literárias, cujos protótipos pilotos foram gravados nos últimos dias de fevereiro de 2020, imediatamente anteriores ao inicio da pandemia, que deflagrou a quarentena e paralisou a iniciativa.