quinta-feira, 24 de setembro de 2015

ARTIGO - A Feiticeira Renunciará? (RMR)

A FEITICEIRA RENUNCIARÁ?
Rui Martinho Rodrigues*


A ortodoxia econômica foi satanizada. A austeridade levaria a queda de receitas, originando um ciclo vicioso ladeira abaixo. Keynes e Kalecki foram invocados. Confundimos gastança, que gera desequilíbrio, com alavancagem da economia pelo uso racional do crédito. Repudiamos investimentos privados, sejam nacionais ou estrangeiros. Propomos consumo sem renda; aumento real de renda sem aumento de produtividade; e investimento sem poupança; enquanto amaldiçoamos investidores e mutuantes.

Sonhamos com uma república na qual todos sejam movidos por virtudes cívicas. Santarrões que somos, entusiasmamo-nos com uma sociedade baseada no altruísmo. Platão arrependeu-se de haver pensado assim em “A República”, chegando a escrever outro livro, “As leis”, no qual começa fazendo autocrítica, dizendo que aquele do seu livro anterior era um modelo político para anjos, não para homens.

As nossas instituições de ensino divulgam a obra que o grande filósofo repudiou e sepultam a outra, que é lucidez pura. É mais atraente fracassar com delícias irrealizáveis do que cultivar êxitos por caminhos ásperos. Aristóteles também desacreditava da República. Alegava a que esta depositava suas esperanças na ação desinteressada dos homens. Preferia a monarquia, por ser mais efetiva convidando-nos a colaborar com o interesse social a troco de honraria.

A intelligentsia, intelectuais que se reúnem para cultivar ilusões, satanizou a austeridade. Foi o que Raymond Aron chamou de “ópio dos intelectuais”. Houve também interesse em participar do festim dionisíaco. Os que elaboraram o feitiço do almoço sem conta chegaram ao poder. Fizeram a gastança. Era a “nova matriz econômica”. Mas a conta chegou. O feitiço virou contra o feiticeiro. Quem prometeu facilidades agora cobra sacrifícios. Invocou a deusa que os gregos chamavam de Bem Aventurança. O espírito invocado baixou e está surrando os feiticeiros, resta-lhes a renúncia à condição de vidraça, voltando a ser estilingue.

A feiticeira renunciará?


Joinvile, 20 de setembro de 2015.




COMENTÁRIO

Isto, mestre Rui, que no seu périplo catarinense não esquece nosso "blog". Ele é uma das coisas mais sérias e interessantes e apropriadas e ecléticas que já vi na minha vida – literata e jornalística e tudo o que é bom em matéria de informação e opinião – tudo deseixado da bobice e da "artistagem", próprias dos deserdados.

Tive alento, emulação, desde que comecei a ler e escrever para este jornal, com o qual vibro diuturnamente. É a prima coisa que acesso. É nosso O PÃO, mas com manteiga "Lírio", daquelas das vaquinhas da lata, de quando eu era menino nos '50. Não há exceção na beleza, atualidade, verdade e plasticidade de suas colaborações.

Sou um entusiasta deste "blog", que basta seguir nesse ritmo para ser bem recepcionado. Não, não precisa mudar... São verdades ditas sem paixão, com responsabilidade, graça, jeito, inteligência, preparo e muito bom Português.

Dr. Rui, sou seu fã, sabe disso. E sou aficcionado da leitura dos demais colaboradores, admirador número um de todos eles, sem restrição, até por que a editoria poda os excessos e limita os transportes, aplicando a isenção, tudo de acordo com o colaborador.

É um nosso orgulho, do muito que cultivamos.
Paraíso para seus editores!

Grande abraço.

Vianney Mesquita.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

ARTIGO - Cleptocracia (RV)

CLEPTOCRACIA
Reginaldo Vasconcelos*


Otimistas têm defendido que, apesar da crise, a República Brasileira vive em plena normalidade democrática, porque, segundo eles, a instituições estão funcionando muito bem.

Não é bem assim. Quando um ex-presidente, líder moral do partido do governo, vem a público dizer que em havendo um processo constitucional de impeachment ele acionará um “exército” irregular de sem-terras para se contrapor à cidadania, as instituições republicanas revelam  que têm fraturas muito graves.

Sem que tenha o ameaçador se retratado, nem sido desautorizado pela Presidente, dias depois um líder sindical diz na presença dela que, no caso de seu afastamento do cargo pela via legal, ele vai se entrincheirar em armas, com seus liderados, para enfrentar a sociedade pelas ruas – eis outra demonstração de abalo institucional em sua atualidade ou iminência.

Tudo isso se soma a declarações semelhantes proferidas por ditadores de países vizinhos ideologicamente alinhados com o partido do governo, que ameaçam o Brasil de invasão militar se o Congresso ou o Supremo Tribunal afastarem a Presidente – e nem o governo, nem o partido, dizem nada. Claro, há uma crise institucional viva e velada.

Mas não é somente isso. Os Presidentes do Senado e da Câmara Federais, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, também se posicionam contra os titulares do Poder Executivo, que, por seu turno, é acusado de cooptação de membros do Judiciário – tanto no seu máximo pretório quanto no Tribunal Eleitoral.

Ex-advogados, ex-militantes e ex-filiados do partido do governo, guindados pelos seus titulares à alta magistratura da Nação, tomam atitudes suspeitas denunciadas pela imprensa. E a Justiça, através do devido processo legal, no estado democrático de direito, é a última esperança da República.

E o chefe supremo do sacrossanto Ministério Público Federal, sabatinado no Congresso, indagado sobre a possibilidade de estar “blindando” políticos envolvidos na  corrupção na Petrobras, responde, em terrível ato falho, que para isso ele teria que “combinar com os russos” – como quem admite a hipótese, para lhe reconhecer a dificuldade.

Como se sabe, com essa expressão o jogador Garrincha teria desqualificado o plano tático do técnico da seleção brasileira para um jogo contra a Rússia, na Copa de Futebol de 1958. 

Então, mantido no cargo pela Presidente da República, ato contínuo o Procurador Janot resolve arquivar pedido de investigação contra ela, feito pelo Supremo Tribunal – sem para isso ter de combinar com seu ninguém.

Aliás, já há algum tempo, julgamentos contra corruptos do partido do governo no Supremo Tribunal Federal saíram da desejável serenidade jurídica, corolário da normalidade democrática, para entrar no vale-tudo das revoluções ideológicas.

Magistrados não podem acusar, nem defender, e o que se viu, por exemplo, no julgamento do “mensalão”, semelhou o embate entre um desesperado promotor de justiça e um cínico advogado de defesa, quando o relator e o revisor da matéria polarizavam a discussão e se atacavam mutuamente.

Um juiz vogal não profere seu voto para influenciar o colegiado, nem para vencer a causa, mas para exprimir a sua própria cognição sobre a matéria e fundamentar o seu convencimento pessoal, até porque, normalmente, se o julgamento de uma ação é sempre um jogo de perde e ganha para as partes litigantes, não pode sê-lo entre os membros de um tribunal superior.

Agora tudo se repete, quando o Ministro Relator de uma ação que envolve interesses do governo baseia seu voto denegatório na teleologia política malsã que entrevê na pretensão do autor da causa, faz um discurso ético-moralista ao longo de cinco horas, e por duas vezes abandona o Tribunal para não ouvir contrariedades. 

Depois, desveste a toga e se posiciona como mero cidadão, para afirmar, falando à imprensa, que agiu assim porque o País, afundado em corrupção sistêmica nas esferas mais altas da administração pública, vive uma nefasta “cleptocracia”, portanto submetido neste momento a um governo de ladrões.

Pessoalmente não discordava da tese esposada com bravura pelo ex-Ministro Joaquim Barbosa ao julgar o mensalão,  e abono as preocupações de Gilmar Mendes, que votou pela manutenção do financiamento privado de campanha, contrariando a OAB que impetrou a ação,  com a simpatia do PT. Afinal,  nós já aprendemos que quando esse partido é a favor de uma tese, a causa não é confiável.

Também me concita a consciência a observação de que o financiamento privado de campanhas políticas seja deletério, entretanto já tinha refletido sobre a possibilidade de que a sua proibição neste momento, com a torcida do PT, poderia ser como fechar a porta da casa com o ladrão já dentro dela, conforme denuncia o Ministro Gilmar. 

Penso que, a rigor, financiamento de campanha deveria ser exclusivamente público, porém absolutamente limitado. Nada de impressos e de comícios, muito menos saturação publicitária de rádio e TV, que não tem sentido vender candidato como refrigerante e sabonete. Bastaria espaço idêntico na mídia para a exposição da vida pregressa e dos planos de governo. No mais, apenas debates ao vivo para a desmistificar os canastrões.   

Mas o que me preocupa neste momento é a constatação óbvia de que a crise brasileira é tão grave que está tirando dos trilhos a locomotiva da República, à medida que entidades espúrias ameaçam a Nação impunemente, e estamentos oficiais perdem as estribeiras e partem para a luta de foice contra a impostura política – ou a favor dela – o que aponta, sim, para a anormalidade democrática.


ARTIGO - Repensando o Parlamentarismo (RMR)

REPENSANDO O PARLAMENTARISMO
Rui Martinho Rodrigues*


O parlamentarismo foi rejeitado por duas vezes no Brasil. A preocupação de presidenciáveis que viam no sistema parlamentar uma tentativa de alijá-los contribuiu para tanto, juntamente com o temor de instabilidade dos gabinetes de ministros. A eleição direta do chefe do Poder Executivo tornou-se um tabu, depois que o consulado militar adotou eleições indiretas. Isso também contribuiu para nos afastar do parlamentarismo.


Esquecemo-nos de que no mundo inteiro só os EUA adotaram o sistema presidencialista com relativo sucesso, mas já começa a manifestar sinais de desgaste. Esquecemo-nos ainda de que o presidencialismo cria um sistema imperial, rígido, cujos fracassos são difíceis de contornar, pois os presidentes são mais estáveis, sem que isso signifique maior governabilidade.

Presidentes atrapalhados, sem base parlamentar baseada em programa de governo, sem aptidão para negociar, sem liderança, sem capacidade de expressar de modo inteligível a direção que pretendem seguir, podem ser mais prejudiciais à governabilidade do que as sucessivas quedas de gabinetes ministeriais que o parlamentarismo pressupõe.

A má qualidade do nosso Parlamento também tem sido citada como argumento contrário ao Parlamentarismo. Esquecemo-nos, neste caso, da má qualidade dos presidentes; esquecemo-nos ainda do fato de que os parlamentos precisam governar para amadurecer.

Presentemente temos uma presidente que não sabe negociar, não sabe expressar a direção das suas políticas econômicas, não tem base parlamentar, não tem a confiança de investidores, de consumidores e dos cidadãos em geral e nem sequer dos seus correligionários. Os prejuízos decorrentes de um (des)governo sem condução, podendo agonizar por longo tempo, é claramente pior do que a possível instabilidade de gabinetes parlamentares. Tal instabilidade tende a corrigir-se. A dissolução do parlamento, como consequência da queda de gabinetes ministeriais, é um incômodo para os parlamentares, porque os obriga a enfrentar novas eleições. Este é mais um fator favorável ao amadurecimento do parlamento.

Agora não existe nenhum presidenciável ungido, com imagem de vestal salvador da pátria, que possa parecer prejudicado pela perda dos poderes imperiais do presidente no presidencialismo. O último salvador da pátria caiu do pedestal.

A crise do milagre prometido por quem dizia que tudo só dependia de “vontade política” trouxe um pouco de lucidez de volta. Prometer benefícios para todos, sem sacrifícios para o “andar de baixo” para ganhar eleição, nos termos do discurso dos teóricos “do bem”, para depois governar com o discurso de sangue suor e lágrimas, nos termos da sinceridade do velho Churchill, político conservador inglês, já não é tolerado.

Seria preciso dizer que o discurso da “turma do mal” é que era o certo; que a “turma do bem” sustentou um discurso equivocado ou de má-fé durante gerações. Não basta chamar o Levy para fazer o discurso de “sangue, suor e lágrimas” enquanto finge que não tem nada com isso. É hora de responsabilizar o Congresso e o Executivo via parlamentarismo.


Criciúma, SC, 20/09/15


domingo, 20 de setembro de 2015

CONTO - Uma Vida em Capítulos (AF)

UMA VIDA EM CAPÍTULOS
 Altino Farias*



INTRODUÇÃO

Achava que a vida deveria ser vivida em capítulos como contos independentes. Ao virar uma página, o que passou, passou. Ponto. Sem interferências nos capítulos seguintes, sem traumas, mágoas, rancores ou lembranças. Assim se viveria tantas vidas diferentes quanto se quisesse. Para que ser advogado ou funcionário público por toda uma vida? Por que construir uma família para sempre? Por que morar numa mesma cidade por décadas a fio?

CAPÍTULO I 

Nasceu em boa família. Estudou bastante. Brincou um pouco. Namorou e casou com seu primeiro amor ainda bem jovem, antes mesmo de formar-se médico. Aliás, esse capítulo e o casamento terminaram antes que concluísse o curso.



CAPÍTULO II

Conheceu uma nova-iorquina descendente de porto-riquenhos pela internet, largou o curso e mandou-se para os EUA. Bebeu, conheceu drogas e proclamou: “Liberdade! Essa é a vida que eu quero!". Decidiu estudar artes cênicas, mas seu visto de permanência venceu e ele teve de voltar ao Brasil. Deixou a nova-iorquina no passado, assim como o filho que ainda estava por nascer. De volta à pátria mãe, escolheu uma cidade do litoral para viver, mas passou o restante deste segundo capítulo sem saber ao certo que caminho seguir.

CAPÍTULO III

“Meu Deus, já? Não sabia que quarenta anos se passam tão rápido!”. Mas a vida começa aos quarenta, não é mesmo? Ou ao terceiro capítulo de qualquer história. Mas este terceiro capítulo foi curto, e acabou antes que ele resolvesse qualquer coisa.

CAPÍTULO IV

Contrariando o que pensara na introdução, aqui aconteceram coisas absurdas. Os capítulos começaram a se entrelaçar inesperada e freneticamente. Aquela do primeiro amor cobrou-lhe anos de desatenção apontando para o filho desajustado. “Ausência total do pai”, acusava ela. Ato reflexo, quis conhecer o rebento fruto do romance com a nova-iorquina, mas não obteve sucesso. Impacientou-se. A saúde também lhe cobrou uma conta pelos excessos da temporada teatral. Um capítulo inteiro tentando desesperadamente reorganizar a vida antes que ele terminasse.

CAPÍTULO V
Inteligente e criativo, sem dúvidas, enfim, encontrou uma atividade que lhe satisfazia e rendia algum dinheiro para seu sustento, pois seus pais, que antes lhe proviam de tudo, haviam falecido no capítulo anterior. O único irmão, dele não queria nem notícias há tempos, pois temia perder pelo menos um capítulo inteiro de sua própria vida envolvido com a do mais novo. Assim, esse capítulo terminou mais ou menos, porém, ainda a tempo de um novo amor.

CAPÍTULO VI

Este capítulo começou com o fim de mais aquele romance. Desistiu. Ou era realmente complicado, ou os relacionamentos eram complicados. Obviamente achava que o problema não era ele. Sozinho, ia vivendo sem mais aquele viço de criatividade, sem planos futuros nem mais sonhos aos sessenta e poucos, no entanto, alentava a esperança de ficar em paz com seus filhos. Arrumou um cachorro de todas as raças para servir de companheiro, e terminou o sexto capítulo cheio de esperança.

CAPÍTULO VII

Reconciliou-se com o irmão e, enfim, aguardava a visita dos filhos no capítulo seguinte, que se aproximava rapidamente. Uma vizinha amiga prontificou-se para arrumar-lhe casa, os cabelos e unhas; um garoto, que o tratava por vovô, ofereceu-se para banhar o vira latas. Estava tudo pronto, no entanto, a vida dele terminou inesperadamente antes do final deste capítulo. Uma pena.


EPÍLOGO

Enquanto transitava entre uma dimensão e outra, pensava no caleidoscópio que fora sua passagem na Terra, os capítulos de sua vida. Não aproveitou o suficiente o primeiro capítulo, base da vida. Fora afobado e egoísta. No segundo, deu asas à liberdade, confundiu-se, viveu intensamente e voltou ao ponto de partida. No terceiro nem percebeu o tempo passar. No quarto, colheu o que plantara nos capítulos anteriores. No quinto, tentou se reequilibrar na tênue linha da vida; no sexto, sossegou o espírito. Agora, depois do fatídico sétimo capítulo, conseguia enxergar tudo o que se passara com ele, e tinha a esperança de que o entendessem e perdoassem. Desperdiçou muito tempo e sentimentos e agora daria tudo por mais um capítulo em sua vida... Por mais breve que fosse.

FIM



sábado, 19 de setembro de 2015

NOTA FÚNEBRE - Morre Marciano Lopes

MORRE MARCIANO LOPES

Morreu, aos 79 anos, o historiador, memorialista e jornalista José Maria Lopes, (conhecido nas letras como Marciano Lopes), no início da manhã desta última sexta-feira (18) em Fortaleza, após sofrer diversas complicações de saúde, entre elas uma queda na qual quebrou o fêmur.

De acordo com Luciano Titara de Mesquita, amigo de infância, Marciano já enfrentava diversas complicações de saúde, como a falta de lucidez e problemas de locomoção, além de já ter levado uma queda na qual quebrou o fêmur, mas nesta manhã teve uma falência múltipla de órgãos. "Foi uma morte natural. Ele já estava muito debilitado, não se levantava mais", explica Luciano.

O velório do memorialista aconteceu na tarde deste sexta, na Funerária Paz Eterna. O sepultamento ocorreu no Cemitério São João Batista. 

Marciano Lopes era escritor, tendo publicado diversas obras, entre elas o livro "Royal Briar", no qual ele conta suas memórias sobre a cidade de Fortaleza dos anos 1940, época em que a capital começava a se modernizar, porém conservando sua atmosfera bucólica característica da Belle Époque. 

O memorialista também cuidava de um antiquário na Rua Jorge Rocha, no bairro Aldeota, além de ter concebido e fornecido material para o Museu da Propaganda Eduardo Brígido. Marciano também foi colaborador do Diário do Nordeste com a coluna Tirada do Baú, publicada no caderno Gente.


NOTA DO EDITOR: No dia 02 de março de 2012 este Blog divulgava a nota abaixo, sobre Marciano Lopes.

  

MARCIANO LOPES SOFRE PEQUENO ACIDENTE


Ontem, 1º de março, o jornalista veterano, antiquário e famoso escritor memorialista cearense Marciano Lopes passou mal e caiu na via pública, em avenida da Aldeota, ferindo a cabeça sem maior gravidade.

Uma equipe do SAMU, chamada por funcionários da revenda de automóveis usados do Grupo Ventura, que socorreram o jornalista, chegou muito rápido ao local, e prestou um atendimento exemplar ao autor de Royal Briard.

Louve-se o atendimento prestimoso e competente do médico Denis Colares, chefe da equipe, que aplicou os primeiros socorros, checou a pressão arterial e a glicemia do paciente, examinou o ferimento e convocou a ambulância, a qual também não demorou.

A foto que registra a ocorrência está propositadamente desfocada, em respeito ao Marciano, que sempre foi avesso a divulgar sua imagem, mesmo por ocasião dos concorridos lançamentos de seus livros de memórias. A ACLJ faz votos de pronta recuperação e de vida longa ao insigne jornalista.



quinta-feira, 17 de setembro de 2015

NOTA ACADÊMICA - Ibiapina em Fortaleza


 IBIAPINA EM FORTALEZA

Em visita a Fortaleza, o jornalista Wilson Ibiapina, Diretor da Sucursal do Sistema Verdes Mares no Distrito Federal, foi recebido nesta terça-feira, 15 de setembro, por um grupo de confrades da ACLJ, na Embaixada da Cachaça e na Tenda Árabe, locais dos encontros descontraídos dos acadêmicos acelejanos.

Compareceram à reunião Altino Farias, Reginaldo Vasconcelos, Humberto Ellery e Cássio Borges, além do nosso “comendador”, o radialista Alexandre Maia, responsável pela  missão de fazer os traslados do visitante. Com um elenco desses, o papo fluiu em alto nível. 

Durante o encontro o grupo assistiu ao Programa Brasília-Ceará, da TV Diário, apresentando por Ibiapina, que vai ao ar às 14:30 horas das terças-feiras. 


Na edição desta semana Reginaldo e Altino se entrevistam sobre a relação dos bares com as artes, a música, o beletrismo. Altino Farias, o fundador da Embaixada, é líder do movimento Pelos Bares da Vida, e edita um jornal virtual com o mesmo nome.  

Esse evento televisivo semanal tem alcançado bons índices de audiências, sob a produção da eficiente equipe do jornalista Roberto Moreira, Diretor da emissora, que também é acelejano titular. (Clique nas imagens para ampliá-las)    

CRÔNICA - Bye Bye Brasil (RV)

BYE BYE BRASIL
Reginaldo Vasconcelos*


"Coisa séria se improvisa. Mas sacanagem tem que ser muito organizada".
(Lord Cigano, por José Wilker, no filme Bye Bye Brasil - 1979)




“Na casa em que não tem pão todos gritam e ninguém tem razão” – este é o ditado popular que explica os desentendimentos no Governo, o "fogo amigo", ministros que discordam, medidas anunciadas e logo depois renegadas, culminando com a apresentação de um orçamento negativo ao Congresso Nacional. 

Essa situação patética acaba de provocar o rebaixamento do grau de investimento no Brasil, por agência de risco internacional. Saquearam a despensa, secaram o pote, e  o País está desidratando sob o sol  da recessão.

Dilma Rousseff agora admite que seu governo cometeu erros, e o faz, certamente, com “um puxando e dois tangendo”, pois, por ela, jamais confessaria. Ela conhece o mantra do bom mentiroso: “Tudo que é bem negado nunca é bem sabido”. 

Todavia, os conselheiros credenciados, que são muito poucos, devem tê-la convencido a duras penas de que reconhecer as evidências, neste momento, seria menos mau do que continuar negando o inegável, com essa história de colocar a culpa na crise mundial, ou na falta de chuvas. Como se diz, “a desculpa do amarelo é comer barro”.

Mas ela não diz quais foram os erros que “possivelmente” cometeu, além de declarar que até o fim do ano passado não percebia os descalabros em que estava metida, e que resultaram na falência do seu Governo e do País. Então, nós vamos dizer quais foram os erros.

Errou quando se comportou de maneira imperial durante todo o primeiro mandato, a motivar o comentário da jornalista palaciana: “Nunca Dilma foi tão Dilma!” – expressão ilustrada com uma cara de ódio e um bico de arrogância.

Errou quando se fez passar por graduada, brandindo um diploma duvidoso – essa a segunda grande mentira, pois a primeira falsidade ideológica foi timbrada pela mitologia do partido: a de que teria lutado pela democracia no passado, quando na verdade lutou por uma ditadura comunista, contra o advento da qual se armou a lamentável e vintenária ditadura militar que a prendeu e torturou.
  
Como “o cesteiro que faz um cesto faz um cento”, as mentiras se sucederam a mancheias, desde a afirmação de estar lendo um determinado livro, de que na verdade nunca ouvira falar, enquanto a assessora lhe soprava o título, pela técnica dos ventríloquos, ao vivo, durante entrevista coletiva, em rede nacional de TV.

Mais grave, quando  sustentou que, Ministra de Minas e Energia, depois Presidente do Conselho Diretor da Petrobrás, finalmente Presidente da República, jamais soubera dos negócios ruinosos e do propinoduto que ligava a administração da petroleira ao partido do Governo e seus aliados.

Claro que também não foi nada esperto da parte dela ter-se mantido alinhada ao comunismo moribundo dos Castros e ao bolivarianismo rastaquera das republiquetas de bananas, em que tristes lideres populistas ensaiam uma farsa de democracia, e que conduzem o seu povo à indigência, passando ridículo ante o resto do mundo. Outro erro crasso.

Por fim, as mentiras fiscais, as tais “pedaladas”, que configuram crime de responsabilidade e podem ser consideradas fundamento para o seu impeachment – já que “fazer o diabo” para se reeleger, prometer o paraíso, gastar fortunas em doações legais de campanha com origem duvidosa, mentir, mentir, mentir, para se desmentir completamente logo que reeleita – todo esse estelionato eleitoral ainda não está contemplado entre os tipos penais dos nossos códigos. Mas são erros notórios.

Errou, quebrou o País, e ainda assim se mantém agarrada ao mandato, sabedora de que, se renunciar, dá um abraço de afogado no seu partido político, que perde milhares de empregos graciosos na máquina pública, perde o dízimo que estes prestam aos cofres partidários, expõe os correligionários à devassa moral que certamente sofrerão, o que vai revelar muito lixo sob o tapete e muitos esqueletos nos armários da Nação.

Ela e o seu partido levantam a honrada bandeira da democracia para manterem-se no poder, chamando de “golpe moderno” o pedido de afastamento da Presidente pelo rito republicano constitucionalmente prescrito, encabeçado pelo jurista Hélio Bicudo, fundador do Partido dos Trabalhadores. Age novamente sob o pálio roto da mentira, enquanto pede sacrifícios ao povo, para que a economia do País “siga crescendo”.

Quer recriar e aumentar impostos para corrigir seus disparates, e diz que o Governo, para fazer a sua parte, pretende “cortar na própria carne”. Dizendo assim, imagina-se que ela vá cortar mordomias, reduzir para no máximo 15 os 39 ministérios, para 2.000 0s 22.000 cargos federais comissionados, que vá taxar os bancos que enriqueceram exponencialmente na era petê, que vá reinternalizar o capital de brasileiros mantido no exterior, que vá confiscar as fortunas que o filhotismo político produziu.

Sim, filhos de Lula, de Mercadante, de José Dirceu (certamente de muitos outros petistas), adquiriram formidável capital eleitoral ou tiveram uma vertiginosa evolução patrimonial durante os governos petistas, fenômeno que deve ser examinado com uma lupa pelo Ministério Público, e revertido pela Justiça Federal. 

Mas não. O que Dilma chama de cortar na própria carne é sangrar o funcionalismo federal, reduzir os direitos trabalhistas, as verbas da educação, os programas sociais. Assim, ela pretende “fazer cortesia com o chapéu alheio”. Se esse estado de coisas perdurar, não vai me causar estranheza se começarem a aparecer barcos cheios de brasileiros aportando nas praias da Europa, engrossando as hordas de refugiados em busca da Alemanha, o novo país do futebol. Que Deus se apiade de nossas almas!.

         

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

APRECIAÇÃO LITEROCIENTÍFICA - Recursos Naturais no Semiárido (VM)


RECURSOS NATURAIS NO SEMIÁRIDO
(Usos e Manejo)
Vianney Mesquita*


Expulsa o natural e ele voltará a galope. (Philippe Destouches. YTours, 04.04.1680 – †Melun, 04.07.1754).


Na constituição dos primeiros grupos sociais humanos, estava intocada a Natureza, virgínea, na imensidade dos seus recursos em todos os domínios inventariados pela Ciência.

O uso intensivo desses meios regulares concedidos à Terra pelo Criador – mesmo indiscriminado – não oferecia ameaça de iminente esgotamento dessa riqueza difusa, bem comum da Humanidade, pois toda a intervenção invasiva antrópica era insuficiente para lesar a grandiosidade do seu patrimônio.

Com a evolução sociopolítica, entretanto, dos grupos, hordas, nações e Estados, bem assim do consequente crescimento dos contingentes civis, o mundo natural, abrigo e sustentáculo da vida, foi em proporção crescente mais solicitado, ao ponto de, em dado momento – mormente no século XX – não mais responder positivamente como bem inato dos seus usufrutuários.

Passou, com efeito, a oferecer respostas negativas – as respostadas – porquanto, em decorrência da interposição, inocente ou irresponsável, de sua principal espécie, o Homo sapiens, não consegue mais repor seus ativos devastados por estas ações deletérias. Então, vêm os cataclismos, as torrentes a destempo e a seca, a fome e a peste, o desequilíbrio ecológico e um rosário infindo de males e prejuízos, como se afluíssem para expiar o comportamento transgressor do homo não muito sapiens em relação à Mãe-Terra, na expressão do historiador britânico Arnold Toinbee.

Como resguardo contra a escalada de tantas contestações ordinárias à infringência humana, é imperiosa aos habitantes de todas as nações a adoção de práticas cidadãs de respeito e convivência com o meio natural, temática amplamente propagada, hoje, por diversos segmentos da sociedade – estudiosos, cientistas, ONGs, instituições políticas, confissões e muitos outros setores da comunidade inteligente.

São estas considerações alusivas ao livro que ora achei de reler – Uso e Manejo dos Recursos Naturais no Semiárido - da autoria do meu conterrâneo (Palmácia-CE), Prof. Dr. Francisco José Martins Holanda, da Universidade Federal do Ceará, então mestre no assunto, o qual, praticamente desde que nasceu e até seu precoce trânsito para a Vida Nova, abraçou esse ramo científico relevante para estudar e propagar sob forma didática.

Docente inato que foi, pajem de dotes profissionais insuperáveis, o Dr. Chico Holanda tratou a matéria com a máxima intimidade, simplificando o peso do jargão epistemológico e exigido pela Metodologia da Ciência, conferindo legibilidade ao texto, de modo a alcançar qualquer leitor com mediana habilidade de decodificação.

Aos seus aprestos linguístico-comunicacionais, ele ajunta competência imagético-informativa, quando ade ao conjunto escrito as mais elucidativas ilustrações, com fotografias, quadros, gráficos e figuras, cuja simbiose resulta na mais esclarecedora leitura.

O volume sob nota, por conseguinte, representa o apanhado de pontos relevantes e úteis no âmbito das disciplinas edafológicas e ambientais, feito ao longo de dezenas de anos de estudos do Autor em qualificados centros de inteligência no Brasil e no Exterior, sem jamais haver perdido a conexão com o trato da terra e da Natureza.

Por todas as razões expostas, este trabalho obteve o mais absoluto sucesso, e sua maior difusão, ainda hoje, via leituras em cursos, seminários, oficinas e eventos assemelhados, significa incomensurável benefício à causa das civilizadas relações Homem-Natureza.