sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Soneto Decassilábico Lusitano - Ânsia Inócua (VM)

ÂNSIA INÓCUA
Vianney Mesquita*

 

(Para a acadêmica Giselda Medeiros)

 


“Os desejos infrenes são a fonte donde jorram os males afligentes das pessoas”  

(DIÓGENES LAÉRCIO, historiador/biógrafo romano de filósofos antigos)

 



Desabonar a dádiva improvisa
Ajusta-se à conduta racional:
Repele a ideia infesta e inconcisa,
Rejeita a incoerência exordial.
 
Não se haverá de ter como baliza
Desfecho imediato, excecional,
De um desejo infrene, o qual divisa
Veloz adimplemento natural.
 
A resposta, ao ser da Providência,
Não se sujeita à humanal vigência,
Porque restrita ao deciso Augusto.
 
Conservemos, por isso, a leniência,
No sítio da avidez, a paciência,
E Deus concederá o foro justo.





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