quinta-feira, 1 de outubro de 2026

CRÔNICA - A Noite Em Que Vi o Futuro (AG)

 A NOITE
EM QUE VI O FUTURO

Aluisio Gurgel*


ra uma sexta-feira, 28 de agosto de 1970. O céu abafado de San Antonio guardava o bafo pesado do final de verão texano. O ar condicionado dos carros parecia um luxo distante e o asfalto ainda exalava o calor do sol que se pusera pelas 19h28. Eu estava lá dentro, espremido na penumbra do Jam Factory, um clube noturno e de dança situado na zona central (perto da área de Jack White com a Nueva, onde anos mais tarde restaria apenas o asfalto de um parque de estacionamento). O ambiente fedia a cerveja barata, tabaco americano sem filtro e o suor coletivo de uma juventude que vestia calças boca de sino e camisas xadrez desabotoadas.



A noite prometia peso. Os britânicos do Deep Purple vinham espalhar o fogo do recém-lançado álbum In Rock, mas a atmosfera nos bastidores azedara antes mesmo de os amplificadores Marshall começarem a rugir. Ritchie Blackmore, o homem da guitarra Fender Stratocaster que liderava a banda, prostrou-se no quarto do hotel, combalido por uma séria indisposição que o impedira de sair da cama para o segundo concerto da noite.

O pânico rondava os promotores. Cancelar a atuação num clube lotado de malucos ávidos estava absolutamente fora de questão. Foi então que o empresário local Joe Miller achegou-se de um adolescente de cabelos fartos e encaracolados, que circulava pelo clube como um fã devoto: Christopher Charles Geppert. 


Vi quando o chamaram ao canto. Vi-o hesitar, engolir em seco e apertar a correia de uma guitarra Gibson Flying V vermelha que pesava quase tanto quanto ele. Quando subiu ao palco improvisado da velha cave urbana, os amplificadores zumbiram com a eletricidade crua dos anos setenta. Ian Gillan empunhou o microfone e avisou sem rodeios que o guitarrista titular não estava em condições. 


O burburinho foi instantâneo, mas bastaram os primeiros acordes desajeitados e intensos para que o ceticismo derretesse. Christopher não era Blackmore – faltava-lhe a frieza cirúrgica do mestre britânico, mas sobrava-lhe uma alma texana que encaixou nos riffs de blues-rock como uma luva gasta. 


Tocaram o que ele sabia, improvisaram até as mãos começarem a arder nos trastes e transformaram um potencial desastre corporativo numa lenda de porão.Poucos anos mais tarde, o mundo conheceria o rapaz com o nome de Christopher Cross, a cantar Sailing e outros clássicos que compôs, e baladas de rádio FM – assim entronizado como ganhador de cinco Grammy Award em uma mesma premiação (fato jamais repetido). Porém, fecho os olhos e ainda ouço o som cortante da Flying V rasgando a noite quente de agosto, numa altura em que ninguém fazia ideia de que assistíamos ao nascimento improvável de duas histórias ao mesmo tempo.

 HOMENAGENS 
NO CREMEC

DIA 16
DE OUTUBRO DE 2026



No dia 16 de outubro, no mês em que se comemora o Dia do Médico (18 de outubro) já no dia 16 o Conselho Regional de Medicina (Cremec), homenageará os médicos da Turma de Medicina JK, de 1976, com o Diploma de Mérito Ético-Profissional. 

Entre os agraciados o Professor-Doutor Pedro Bezerra de Araújo, latinista oficial da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo (ACLJ), instituição em que ocupa o cargo de Segundo-Secretário na sua Decúria Diretiva, e em que é um dos "fardonados" da Arcádia Alencarina.   

A ACLJ saúda o confrade pela importante honraria de que, muito merecidamente, é recipiendário, elevado reconhecimento de valor, e preito de louvor, pela entidade de classe a que pertence.