segunda-feira, 10 de abril de 2017

ARTIGO - Um Perigo Real (RMR)


UM PERIGO REAL
Rui Martinho Rodrigues*


O ataque americano à Síria pede uma reflexão sobre o perigo de guerra em larga escala. Conflitos entre grandes potências tendem a acontecer quando um lado está em declínio em face de outro. As duas guerras mundiais são exemplo disso. Os EUA e a Rússia estão em declínio.

A China é candidata favorita ao posto de primeira potência. A limitação do poder a dois polos facilitou o entendimento, na guerra fria. Hoje temos multipolaridade, com poderes regionais emergentes, como o Irã e a Índia, tornando mais complexa a política internacional, com maior probabilidade de conflito.

A demarcação das áreas de influência da URSS e dos EUA contribuiu para evitar a IIIGM. Havia uma linha separando os dois blocos, reconhecida por ambos. Hoje a China contesta os limites da área de influência americana no Oriente. A Rússia disputa os limites de influência da UEA, ameaçando a Ucrânia e as repúblicas bálticas.

Guerras acontecem quando as democracias se desarmam e tentam resistir às pressões das ditaduras. UEA e Japão gastam menos de dois por cento do PIB com defesa. Não por acaso temos crise na Ucrânia, na Coreia e no mar da China. Os EUA gastam muito, mas se encontram mais fracos do que nunca desde a IIGM.

As democracias estão falando grosso na Europa, dando garantias às repúblicas bálticas e à Ucrânia. A firmeza verbal diante da China; como em face das ameaças da Coreia do Norte, mas não têm respaldo na força militar. É o caminho do desastre. 

O conflito da Síria lembra a guerra civil espanhola às vésperas da IIGM, pela presença de potências rivais, internacionalizando o litígio e como campo de provas de armas e exibição de poder. Lideranças despreparadas, populistas e agressivas, usando os conflitos externos em busca de apoio popular interno, completam a receita da guerra. EUA, Rússia e Coreia do Norte se encaixam nesta situação.


Só as armas nucleares estão evitando uma grande guerra. Isso será suficiente?



sábado, 8 de abril de 2017

NOTA ACADÊMICA - Edson Queiroz Neto Tomará Posse


EDSON QUEIROZ NETO
TOMARÁ POSSE NA ACLJ


O empresário Edson Queiroz Neto, Diretor de Administração-Estruturação do Grupo Edson Queiroz e Superintendente do Sistema Verdes Mares de Comunicação, foi aclamado pela Decúria Diretiva sucessor de sua saudosa avó, Dona Yolanda Vidal Queiroz, na dignidade de Membro Benemérito da ACLJ, conforme consignado em Ata da Reunião Deliberativa do dia 14 de dezembro de 2016.

Edson Queiroz Neto é filho do primogênito do casal Edson e Yolanda – o Chanceler Airton Queiroz, e é primo legítimo do Dr. Igor Queiroz Barroso, ambos detentores do mesmo título honorífico da nossa Academia, pelo trabalho que cada um realiza no Ceará pela educação, a cultura e as artes.

Airton Queiroz se destaca à frente da Fundação Edson Queiroz e da Universidade de Fortaleza (UNIFOR), com sua magnífica pinacoteca e galeria de artes, enquanto Igor é  instituidor e mantenedor do Instituto Myra Eliane, que atua em favor da educação  infantil, em conjunto com o Ministério Público Federal.

A posse ocorrerá na 6ª Assembleia Geral Aniversária da ACLJ, na noite do dia 04 de maio, no Palácio da Luz, na Praça dos Leões, sede da Academia Cearense de Letras e de suas congêneres cearenses principais.

Na oportunidade, Dr. Edson será saudado pelo Presidente da ACLJ, Reginaldo Vasconcelos, outorgará a Comenda Yolanda Queiroz a quatro grandes compositores cearenses, e descerrará o retrato pictórico do falecido jornalista, ator e cantor Guilherme Neto, para a Galeria dos Patronos Perpétuos da ACLJ.



COMENTÁRIO:

Dentre os temas aqui tratados por distintos e competentes confrades de nossa Academia, é justo fazer um comentário destacado sobre a posse, no dia 4 de maio, do empresário Edson Queiroz Neto como Membro Benemérito de nossa entidade. Com certeza, uma merecida homenagem, extensiva a uma das famílias mais ilustres do nosso Estado, não só no campo empresarial e econômico, como no jornalístico e social. Todos nós estamos contentes e de parabéns por esta feliz e oportuna  decisão da Diretoria da nossa ACLJ.  

Cássio Borges

ARTIGO - Na Justiça ou nas Urnas (HE)


NA JUSTIÇA 
OU NAS URNAS
Humberto Ellery*


Nada me dá mais prazer do que, depois de manifestar minha opinião sobre qualquer assunto, assistir  a uma autoridade naquele assunto manifestar-se da mesma forma que eu fizera. Principalmente se essa autoridade está em posição do espectro ideológico diferente da minha.

A propósito da classificação, pra mim muito tola, de Direita X Esquerda (o espectro político-doutrinário é muito amplo, complexo e matizado para me posicionar. Sei que não sou de Esquerda, seria eu de Direita? Não sei,  não me preocupo, nem aceito rótulos).

O fato é que o brilhante sociólogo, este sim, assumidamente de esquerda, Demétrio Magnoli, em sua coluna de hoje (6/4/17) na Gazeta do Povo, pede ao Juiz Sérgio Moro que ande bem devagar, use toda a famosa lentidão do Judiciário, para não prender já o Lula, de modo a permitir-lhe  disputar as Eleições de 2018, a fim de que possamos derrotá-lo nas urnas.

No dia 19 de Março, três semanas atrás, eu defendi este mesmo ponto de vista, afirmando que a estaca que devemos cravar no coração do vampiro será derrotá-lo nas urnas. Dei ao post o título de “A Prova das Urnas”. O Rodrigo Constantino discorda, não quer correr o risco. Eu só tenho medo de ter medo!





COMENTÁRIO:

O dilema de prender o Lula, ou derrotá-lo nas urnas é uma repetição da dúvida existente em 2005 que surgiu em decorrência do escândalo do Mensalão: impeachment de Lula de Lula ou deixa-lo sangrar até as eleições de 2006? Escolheram vê-lo sangrar, e a opção foi péssima.

Esse episódio está tratado no livro “A Imprensa X Lula, Golpe ou Sangramento, de autoria de Antônio Barbosa Filho, da All Print Editora.

Fico com o Rodrigo Constantino: não dá para acreditar que o PT possa entrar numa disputa baseado em métodos lícitos de fazer campanha e de lisura em eleição. A última eleição foi uma prova disso.

Como o PT não tem plano B, a prisão e a consequente impossibilidade da candidatura de Lula, me lembra o  título do artigo de Valério Arcary, escrito em 16/08/2005: “O dia em que o PT morreu: Quando nem os fins nem os meios justificam”.

José Augusto Câmara

NOTA SOCIAL - Noite de Despedida e Poesia


NOITE DE DESPEDIDA 
E POESIA

 
O linguista russo Dmitry Sidorenko, Membro Honorário da ACLJ, que partiu na manhã desta sexta-feira (07.04.17) para São Petersburgo, após uma estada de 30 dias entre nós, ofereceu jantar de despedida ao seu anfitrião, o Presidente Reginaldo Vasconcelos, com direito a “esticada” noturna, escolhendo para tanto o aconchegante Bombar Beer Deck, na Aldeota, do simpático português Joaquim Mota, radicado no Ceará, casado com a amazônida Themis da Costa.






Participaram da noitada, e estão nas fotos da E para a D. Alexandre Maia, Dmitry, Reginaldo, Jô e Joaquim Mota.


Regado a caipirinha de morango, e embalado por voz e violão do cantor ítalo-paraense Ricardo Barsoteli (bom intérprete  do grande Raimundo Fagner, dentre outros), o papo se alongou até o fim da função da casa, quando então Mota recitou versos de poetas africanos, dos quais é admirador, seguido pelo convidado Reginaldo, que por sua vez foi de Vinícius de Moraes a Rogaciano Leite, os quais disse de cor.


  

COMENTÁRIO:

Amável amigo, Dr. Reginaldo Vasconcelos, M. D. Presidente da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, e demais companheiros presentes na foto.

Já me sentindo acolhido por esse seleto grupo de personalidades ilustres, que prima em seus encontros pela cultura em sua expressão mais pura, não posso deixar de registrar aqui minha satisfação em ver que todos continuam juntos, apreciando as delícias da casa Bombar Beer Deck, do simpático português Joaquim Mota.

Espero o dia em que possamos repetir o convívio do sábado passado, sublimado agora pela poesia de Vinícius de Moraes recitada de forma tão primorosa pelo ilustre anfitrião, segundo imagino, de cujo autor e compositor o crítico literário e ensaísta Ivan Junqueira, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), assim se referiu:

Ao se voltar mais para as letras de música, a partir dos anos 50, o poeta Vinícius de Moraes fez uma escolha natural, um desdobramento até previsível em sua obra. A poesia que Vinicius publica na década de 40, sobretudo no livro Poemas, Sonetos e Baladas, já contém uma musicalidade de tal ordem que se poderia até prever que ele acabaria se enveredando pelas letras de música. E isso foi exatamente o que aconteceu”, disse Junqueira, em entrevista à Agência Brasil.

“Não há porque criticá-lo nesse ponto. Mas, de fato, ele deixou de lado a grande poesia que escreveu até 1949. Nesse ano, quando ele publica Pátria Minha, é quase uma despedida do Vinicius como o extraordinário poeta que foi. A partir daí, ele só vai lidar com música popular”, ressaltou.

A variedade de temas na poesia de Vinicius pode ser explicada, segundo o crítico, pelo fato de ele ter sido um poeta nato. “Eu considero muito importante a observação do Carlos Drummond de Andrade para se entender o Vinicius de Moraes: é que ele foi o único poeta daquela época que levou uma verdadeira vida de poeta. Todos os outros se recolheram a gabinetes. O Manoel Bandeira isolado naquela casa de Santa Teresa, o próprio Drummond trabalhando no Ministério da Educação e Cultura”, disse.

Para Ivan Junqueira, Vinicius de Moraes era um vocacionado para a escrita, mesmo fora da poesia. “Ele se deu bem em todas as vertentes literárias porque era um homem de um talento inesgotável”, destacou. Por isso e muito mais, não podemos nos distanciar desse grupo de amigos tão especial.

Abraço a todos!

Itaraiacy Araújo.


quinta-feira, 6 de abril de 2017

ARTIGO - A Bíblia e o Socialismo (HE)


A BÍBLIA E O SOCIALISMO
Humberto Ellery*


2 No deserto, toda a comunidade de Israel reclamou a Moisés e Arão.  3 Disseram-lhes os israelitas: quem dera a mão do Senhor nos tivesse Matado no Egito! Lá nos sentávamos ao redor das panelas de carne e comíamos pão à vontade, mas vocês nos trouxeram a este deserto Para fazer morrer de fome toda esta multidão. (Êxodo, 16 : 2,3) 


A Bíblia não é um livro de História, tampouco é um livro de Ciências; nela não se busque epistemologia, pois nada se encontrará que trate dos limites ou etapas do conhecimento humano. A Bíblia é simplesmente um livro de fé! Só tudo isso. No entanto impressiona-me a quantidade incrível de respostas que ela me dá, sobre qualquer assunto.

  
Há já algum tempo que venho estudando exaustivamente sobre um fenômeno que me deixa curioso, e que pode ser resumido em uma pergunta: O que leva um intelectual bem dotado, com quase cem bilhões de neurônios, estudioso, culto, viajado, bem informado, sadio física e emocionalmente, bom-caráter, resolvido econômica e financeiramente, capaz de elaborar raciocínios sofisticados e complexos a assumir o Comunismo como a ideologia salvadora da Humanidade?

Raymond Aron, no seu provocativo “O Ópio dos Intelectuais” (que no Brasil saiu como “Mitos e Homens”), fez um exaustivo trabalho para expor como é o comunismo, segundo ele “uma versão aviltada da mensagem cristã”,  mas apenas arranhou o por quê dos intelectuais se deixarem seduzir por uma ideologia tão estúpida.

Um intelectual com doutorado em Psicologia, Sociologia, Antropologia (tudo isso em um mesmo cérebro), como pode querer que funcione um sistema que tem em seu DNA a morte da Liberdade: “Extrair de cada qual segundo sua capacidade, e dar a cada qual segundo sua necessidade” Nem o Anarquista Proudhom (“toda propriedade é um roubo”) aceitaria essa dominação, pois afirmou: “quem botar as mãos sobre mim, para me governar, é um usurpador, um tirano. Eu o declaro meu inimigo!”.

Como pode um Economista, com Phd e pós doutorado encontrar alguma consistência, alguma racionalidade econômica num sistema que não tem como estabelecer sequer os cálculos dos preços? A Teoria do Valor-Trabalho, de Karl Marx, foi simplesmente esmigalhada por Böhm-Bowerk.

Aliás, a Escola Austríaca (de que o político cearense Ciro Ferreira Gomes declarou nunca ouviu falar), onde pontificaram também Hayek e Von Mises, fez picadinho (por sinal, indigesto) das estupidezes de Karl.

O Psiquiatra polonês Andrzej Lobaczewski mergulhou mais fundo na questão. Criou inclusive uma nova área de estudos psicológicos, a Ponerologia (estudo da maldade) e explicou como os psicopatas assumem o poder, e fundam a Patocracia. Tudo bem, se estamos falando de Lenin, Stálin, Mao, Pol Pot, Fidel, Dirceu, Lula, Chaves, e outros criminosos, mas eu estou tentando entender pessoas que, pelo menos eu julgo, sadias.

A explicação está na grande quantidade de pessoas que, de bom grado, trocam sua liberdade por uma panela de carne e pão à vontade. Mas e os intelectuais? Ora, eles serão os Faraós, ou farão parte da sua corte, a Nomenklatura, pois o trabalho pesado ficará com os escravos, ou proletários.

Eu prefiro queimar a sola dos pés caminhando, durante quarenta anos, sobre as areias escaldantes do deserto pela minha Liberdade, em busca de Canaã. Mesmo que eu não consiga chegar lá, como Moisés.


NOTA CULTURAL - As Artes Plásticas de Geraldo Sérgio (TL)


AS ARTES PLÁSTICAS
DE GERALDO SÉRGIO
Totonho Laprovitera*



A exposição de pintura “A Arte de Sorrir”, do artista e cirurgião plástico Geraldo Sérgio, inaugurará a “Galeria Iate Clube de Fortaleza” e será exibida de 06 a 09 de Abril de 2017, com abertura marcada para as 20:00h. A mostra terá parte da renda das obras destinada ao tratamento de pacientes com lábio leporino (Associação Beija Flor).




terça-feira, 4 de abril de 2017

POEMA - Prisão que Liberta (HE)


PRISÃO QUE LIBERTA
Humberto Ellery*


Poeta eu não sou, mas gostaria
de prender num soneto a minha dor,
transformar em canção minha agonia.
Mas o soneto é cruel. Dominador.

Um leito de Procusto é o soneto,
em seus quatorze versos, bem medido,
prende as palavras rimadas no quarteto,
sem liberdade e sem perder sentido.

Mas alegria maior há nesse feito,
ao confinar a ideia nesse leito,
em tanta norma que a poesia aperta.

Por no soneto o que lhe vai no peito,
é tão bonito que uma coisa é certa:
É o  soneto a prisão que liberta.




CRÔNICA - Ambígua Livraria (TL)


AMBÍGUA LIVRARIA
Totonho Laprovitera*



Nem faz tanto tempo assim, ao comentar que o livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, encontrava-se disponível na sessão “Pets” de uma famosa livraria da cidade, Marcelo me respondeu e complementou: “Ora, eu sei! Foi lá onde encontrei o ‘Insustentável Leveza do Ser’, de Milan Kundera, na sessão ‘Mundo Fitness’; ‘O Vermelho e o Negro’, de Stendhal, na ‘Livros para Colorir’; ‘O Idiota’, de Fiódor Dostoiévski, na ‘Autoajuda’; ‘A Divina Comédia’, de Dante Alighieri, na ‘Piadas’; e ‘1984’, também de Orwell, na ‘Sudoku’. Pelo visto as variadas sessões da livraria estão sendo muito ‘bem’ cuidadas!”

Aí, eu fui à tal livraria para conferir e vejam só o que encontrei: “A Laranja Mecânica”, de Anthony Burgess, na “Verduras e Frutas"; “A Vida de Pi”, de Yann Martel, na “Matemática”; “Apologia de Sócrates”, de Platão, na “Esportes – Futebol”; “As Asas da Pomba”, de Henry James, na “Ficção Erótica”; “O Banquete”, de Platão, na “Gastronomia”; “O Caráter de Cristo em Nós”, do Pr. Almeida, na “Esportes – Lutas Marciais” (leram Karatê!), “O Labirinto Perdido”, de Kate Mosse, na “Artesanato”; “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien, na “GLS”; “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, na “Economia”; “Os Pilares da Terra”, de Ken Follett, na “Engenharia”; e “Os Três Mosqueteiros”, de Alexandre Dumas, na “Entomologia” (leram Mosquiteiros).

É, tem jeito não...


segunda-feira, 3 de abril de 2017

ARTIGO - Judiciário e Política (RMR)


JUDICIÁRIO E POLÍTICA
Rui Matinho Rodrigues*


Vivemos uma grave crise. A polifonia em torno desta situação admite: o impasse político é o nó górdio da tempestade. A reforma política exige clareza do que entendemos como Estado democrático e o tipo de ordem política, econômica e social que desejamos. Os ingredientes da ordem política, qualquer que seja ela, incluem a noção de participação e representação dos cidadãos; divisão e equilíbrio de poderes; garantias institucionais; segurança jurídica; ao lado da Antropologia Filosófica a ser considerada, isto é, o que entendemos que sejam os seres humanos.

O homem “nasce bom e a sociedade o corrompe” (Rousseau)? É “um animal político (sociável) por natureza” (Sócrates)? Quem pensa assim tende a buscar fundamento para a democracia nas virtudes do povo. 

Pode-se, todavia, admitir mais acertadamente, que o homem se comporta como animal político por necessidade, não por virtude natural e a sociedade reflete as imperfeições dos homens como admitiu Platão na obra “As leis”. A democracia reconhece o direito do povo decidir porque não tem opção melhor. 

As imperfeições humanas não se corrigem com o aprimoramento intelectual. Não se pretende delegar ao povo decisões técnicas, mas questões valorativas; e que autorize temporariamente alguém a escolher decisões técnicas. Voto é confiança, não discernimento técnico. Os intelectuais produziram os piores regimes. Um líder apedeuta não representa o povo simples. Ele é um boneco de ventríloquo dos intelectuais.

Corporativismos devem ser evitados. O sistema de freios e contrapesos não deve ser esquecido. Mas o poder político, por ser representativo, malgrado as graves imperfeições da representação, deve ser a fonte de todo poder. O Judiciário, que deve ser independente, precisa ter um papel político. Por isso os ministros do STF devem ser escolhidos pelo poder representativo, não para subordiná-los aos partidos, mas para direcioná-los de acordo com uma política judicial, como o maximalismo ou minimalismo penal. 

A reforma política deve manter escrupulosamente a separação dos poderes, mas deve preservar a condição de legitimidade derivada do Judiciário, que nasce da escolha dos ministros do STF pela via política, como é na maioria das democracias. Não queremos um governo de juízes, sem legitimidade primária.


COMENTÁRIO:

Discordar de qualquer assertiva feita pelo Prof. Rui Martinho Rodrigues é tão temerário quando cutucar um leão com uma vara curta. Aliás, não importa o tamanho da vara. É sempre um perigo discutir com um sábio, e aquele é o membro mais ilustrado da nossa Academia, seguramente, sem favor nenhum, um dos maiores polímatas do Estado e do País.

Mas ouso me arriscar uma vez ou outra, se não para vencer o debate, tarefa inglória, pelo menos para exercitar a nossa “fera” do saber, estimular essa “cobra” dos argumentos a movimentar a musculatura constritora do privilegiado raciocínio, provocar o voo majestoso dessa “água” do conhecimento, que não ficaria nada a dever àquele outro Rui, dito a Águia de Haia.

Do alto da minha imensa ignorância, não acredito nesse conceito de legitimidade, direta ou indireta, a que o Prof. Rui se refere, mas apenas na capacidade intelectual das pessoas, no caráter moral das pessoas, predicados que somente podem ser reconhecidos ou negados por quem as conheça de perto – e ninguém melhor do que os próprios pares para apontar com segurança à Nação, dentre eles, os melhores.

Por isso, para mim, a nomeação política dos membros dos tribunais superiores é um equívoco, pois esses deveriam ser eleitos pela sua classe magistrada. Segundo penso, corporativismo é a autoproteção de uma classe em detrimento de outras, que não é o caso, pois o processo seria intestino. Discordo ainda do meu próprio mestre quando ele entende que a intelectualidade pessoal não contribui para o aprimoramento do caráter.

Para mim, os homens nascem bons ou ruins, a depender de sua genética, e melhoram ou pioram ao longo da vida, mercê de seu potencial de descortino, de suas experiências de vida, dos exemplos que tenham, da educação que recebam. E, me parece claro, a escolaridade, o saber livresco, o cabedal teórico, a cultura humanística, o domínio da história, a lucubração filosófica, a graduação acadêmica, se não pioram os homens, só os podem melhorar.

Por fim, o Prof. Martinho Rodrigues, após o seu sempre brilhante pontificado, encerra o artigo dizendo que “não queremos um governo de juízes”, sem designar quem ele inclui nesse sujeito oculto “nós”.  Digo-o... e corro.

Reginaldo Vasconcelos

RESENHA - Programa Dimensão Total (02.04.17)


PROGRAMA
DIMENSÃO TOTAL
02.04.17


Dimensão Total é um programa radiofônico semanal de debates, do Jornalista Ronald Machado, pela Rádio Assunção de Fortaleza, na sintonia AM 620 ou pela Web, aos domingos, entre 10 e 12 horas, apresentado interinamente por Reginaldo Vasconcelos, Presidente da ACLJ, tendo como assistente de estúdio o radialista e produtor executivo Alexandre Maia.


O apresentador abriu o programa pontuando que se fôssemos eleger a palavra do ano no Brasil em 2016, como fazem anualmente os americanos com termos em inglês, concorreriam dois vocábulos da língua portuguesa a que a política e a imprensa resolveram dar uma semântica diversa, para emprega-las de forma exaustiva na sua nova acepção.

A primeira palavra é “narrativa”, que originalmente designa o relato de uma história, e que durante os discursos do processo de impeachment da Presidente Dilma e da operação Lava Jato passou a significar cada tese de acusação, como também cada argumento de defesa.

A segunda palavra é “golpe”, cuja acepção mais comum é um acontecimento súbito e inesperado: um golpe de faca, um golpe de sorte, um golpe de estado, um golpe militar. Neste caso de golpe político, aplica-se quando um repentino ato de força de um grupo ilegítimo rompe a normalidade institucional de uma nação para a tomada do poder.

O recente impeachment de Dilma Rousseff, que a retirou da Presidência da República pela via constitucional, passou a ser insistentemente tratado como “golpe” pelos que não concordaram com o processo.

A propósito disso, o tema musical de abertura do programa de 02 de abril foi a música intitulada O Maior Golpe do Mundo, composição e gravação da dupla Deny e Dino, da década de 70, que estranhamente usa a palavra “golpe” de uma maneira positiva – talvez fazendo alusão irônica e velada ao golpe militar de 1964.

O título da canção, lançada em 1975, que se repete no refrão, coincide com a primeira frase da letra de uma música mais antiga, datada de 1967, do compositor e cantor popular gaúcho Teixeirinha, denominada "Canção de Luto", que foi tema de um filme cinematográfico do mesmo nome. 


O maior golpe do mundo / É ser malandro honesto / É fazer tudo certo / Como a vida diz.

O maior golpe do mundo / É não sentir saudade / Não ouvir maldade / Não ser infeliz.

O maior golpe do mundo / É você ser artista / E ter sempre em vista / O que é melhor.

O maior golpe do mundo / É se casar com ela / Ser marido dela / E sempre ser feliz.

Compareceram ao programa o jurista Djalma Pinto, o Professor Rui Martinho Rodrigues, o advogado Roberto Pires, o Senador Cid Carvalho e o Delegado da Polícia Federal César Bertozi – além de um convidado especial, o linguista russo Dmitry Sidorenko.


Os temas tratados na edição foram o julgamento da chapa Dilma-Temer pelo TSE, que ocorrerá no próximo dia 04 de abril, a baixa popularidade do atual Presidente da República, a reforma da Previdência e a Operação Carne Fraca da Polícia Federal.

O Dr. Djalma Pinto e o Delegado Bertozi afirmaram que não houve falha da Polícia Federal na divulgação da promiscuidade entre agentes do Ministério da Agricultura e grandes frigoríficos que aqueles deveriam fiscalizar com rigor, e que negociavam condições para fechar os olhos a exigências sanitárias não cumpridas. 

Assim como o Dr. Roberto Pires, ambos entenderam que os culpados pelas nefastas consequências para a balança comercial brasileira, com a suspensão das exportações de carne para diversos países, são os fraudadores, pois a Polícia tem obrigação profissional de fazer a persecução criminal, cabendo-lhe manter os fatos em sigilo apenas quando a sua divulgação for prejudicial às investigações.

O Professor Ruy Martinho Rodrigues demonstrou com argumentos técnicos que de fato a Previdência está em colapso financeiro, e que o imenso estoque das dívidas de grandes contribuintes inadimplentes e de uma massa de pequenos devedores, que se acumulou ao longo dos anos, em grande parte é constituído de um passivo irrecuperável, pela insolvência absoluta ou até pela extinção das pessoas responsáveis, físicas e jurídicas.        


Ao final, Dmitry Sidorenko respondeu a questionamentos sobre a aparente aproximação entre o Presidente Putin, da Rússia, com Donald Trump, dos Estados Unidos, e a reação dos seus conterrâneos aos boatos de que aquele tenha interferido nas últimas eleições americanas. 

Falou também sobre os privilégios de que desfrutavam os altos funcionários do Partido Comunista e da baixa qualidade dos serviços públicos no período soviético, comparados com esses mesmos serviços após a perestroica. 

Dentre os participantes do programa deste domingo, Djalma Pinto e Rui Martinho Rodrigues são membros da ACLJ, este último seu Presidente Emérito, bem como é titular da nossa Academia o Senador Cid Carvalho, seu Presidente de Honra. Dmitry Sidorenko, exímio conhecer do idioma português, interprete oficial da Embaixada do Brasil em São Petersburgo, e que vem  ao Ceará anualmente, é Membro Honorário da ACLJ.

NOTA JORNALÍSTICA - Visita Especial à Tenda Árabe


VISITA ESPECIAL
À TENDA ÁRABE

O radialista Alexandre Maia levou à Tenda Árabe, reduto social da ACLJ, na noite deste sábado (01/04/17), o casal Itaraiacy e Elizete Araújo, especialistas em nutrição, obesidade e emagrecimento saudável, que no próximo dia 07 de abril estará inaugurando uma nova clínica, na bucólica Maranguape.



A sua clínica Nutri Mais (NUTRY +), no Shopping Maktub, Centro de Maranguape, receberá seus clientes para avaliações antropométricas e orientações nutricionais, no tratamento de distúrbios alimentares, notadamente a obesidade crônica e mórbida, causadora de várias disfunções e doenças, redutora da qualidade de vida das pessoas por ela acometidas. 

A obesidade tem sido um grande problema de saúde pública no mundo moderno, em países da Europa, nos Estados Unidos da América e no Brasil, por conta da alimentação industrializada, do consumo excessivo de calorias e dos hábitos alimentares insalubres que a humanidade adquiriu durante o Século XX. Tudo agravado pelo sedentarismo.

Na imagem, da E para a D, Dmitry Sidorenko, o casal visitante, Alexandre Maia, Rui Martinho Rodrigues e Reginaldo Vasconcelos.

  

COMENTÁRIO:

Podemos dizer que nossa visita à Tenda Árabe deveu-se à generosidade do amigo Alexandre Maia, nos introduzindo em um ambiente tão especial e harmonioso como esse, onde se respira cultura e bem estar. Foi um grande privilégio para nós a carinhosa recepção de que fomos alvos, ainda maior pelos conhecimentos adquiridos em nosso breve "bate papo". Ficamos felizes pelo encontro e levaremos conosco suaves recordações desse agradável momento. Parabéns a todos que fazem a Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, que muito tem contribuído para o engrandecimento dos valores morais e culturais da nossa terra. 

Itaraiacy Araújo