quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

NOTA OFICIAL - Universidade Federal do Ceará





Nota da administração superior da Universidade Federal do Ceará: Cerimônia de Colação de Grau 2019.2

Quarta, 15 Janeiro 2020 13:24

Na última terça-feira (14/1), a Universidade Federal do Ceará foi surpreendida com a atitude inconsequente de um pequeno grupo, que incluiu alguns professores e pessoas estranhas à própria comunidade acadêmica, que interrompeu os tradicionais ritos da cerimônia de colação de grau. O ato causou transtornos e abreviação da programação, quase provocando o cancelamento do evento da primeira turma a colar grau neste ano, o que não ocorreu devido à decisão firme do reitor de prosseguir com a solenidade, respeitando a Universidade e todos os presentes.

A UFC formará 1.875 profissionais no primeiro mês de 2020. Uma valiosa conquista dos nossos estudantes, da comunidade acadêmica e de toda a sociedade cearense que merece muita comemoração. Qualquer ato que coloque em risco a execução da cerimônia de colação de grau, comprometendo seus rituais históricos e legais, também macula o direito dos graduandos, de suas famílias – vindas das mais diferentes camadas econômicas e sociais e de diversas regiões – e de todos os convidados de vivenciar esse evento ímpar e memorável em sua plenitude.

O direito à manifestação é sagrado e assim sempre será tratado por esta administração. Mas não é aceitável que um grupo, por motivações ideológicas, coloque em risco o procedimento da colação. O principal compromisso da administração superior é assegurar os processos de certificação dos concludentes. Esse é um momento de natureza legal e simbólica na vida de qualquer pessoa que ingressa em uma instituição de ensino superior. É lamentável qualquer tentativa de sequestrar o protagonismo do evento, que pertence aos concludentes.

A UFC adverte que é absolutamente inaceitável que alguma pessoa, grupo político ou movimento sindical atue – individual ou coletivamente – contra a garantia da plena execução da cerimônia de colação de grau, com a consequente suspensão do evento. Isso acarretaria mal gravíssimo aos estudantes e à Universidade, causando atraso na emissão dos diplomas e no ingresso em diversas oportunidades profissionais. A existência de ações que comprometam a segurança humana ou patrimonial resultará, assim, na apuração e responsabilização civil, criminal e administrativa dos autores.

A Universidade Federal do Ceará agradece a solidariedade de amplos setores da sociedade que se manifestaram condenando o episódio. Ciente de seu compromisso social e da importância regimental da cerimônia para a efetivação da graduação, adotará todas as medidas possíveis para assegurar a programação de colação de grau.

Administração superior da Universidade Federal do Ceará


ARTIGO - Bons Argumentos e Péssimas Casas (RMR)


BONS ARGUMENTOS
E PÉSSIMAS CAUSAS
Rui Martinho Rodrigues*



A defesa da democracia frequentemente é usada como ornamento de causas antidemocráticas. Manifestações públicas são essenciais ao exercício da cidadania. São a concretização da liberdade de expressão e de defesa dos direitos e garantias constitucionais. 


Princípios e regras, todavia, não são absolutos. O limite do direito à manifestação política está no respeito à lei. Saudades do revolucionarismo, cujos dias áureos transcorreram entre o início da Revolução Francesa e as diversas revoluções de 1848, referidos por Eric John Ernest Hobsbawm (1917 – 2012) como “A era das revoluções”, e que se prolongou pelo Século XX, ainda anima ativistas. Prejudicar legítimos interesses de terceiros e o funcionamento de instituições ultrapassa os limites do direito à livre manifestação.

Bens públicos podem ser de uso comum, disponíveis indistintamente a todos como as ruas; podem ser de uso especial, destinados especificamente aos fins definidos em lei, podendo ainda ser do tipo dominical, que são patrimônio público (art. 99 CCB). Universidades Públicas são bens de uso especial. Destinam-se apenas aos fins para os quais são destinadas por lei. Manifestações que prejudiquem o funcionamento de Universidades e os interesses de concludentes rompem os limites da livre manifestação de protesto. Manifestações dos seus integrantes, ligadas aos interesses da instituição, são permitidas, sendo entendidas como parte do uso especial.

Quando, porém, prejudiquem o seu funcionamento, como é o caso dos protestos de ontem contra o Reitor da Universidade Federal do Ceará, com perturbação de ato formal de colação de grau; quando motivada por inconformidade partidária, impugnando ato jurídico perfeito de autoridade competente, como a nomeação de um professor de carreira da instituição, com experiência muito bem sucedida na administração universitária e no magistério, detentor de todos os títulos acadêmicos; que participou do processo seletivo, integrou a lista tríplice e foi nomeado por autoridade competente, tudo de acordo com a lei, é ato antidemocrático. É abuso do direito de manifestação e protesto.

Defesa da democracia é um bom argumento. Pode, todavia, ser usado em detrimento das instituições. Democracia é defesa da lei. A luta política pela modificação do ordenamento jurídico deve respeitar a legalidade. As Universidades Públicas são sustentadas pelo contribuinte. Devem ser geridas por quem tem legitimidade nas urnas em que todos os cidadãos votam. Isso é legitimidade originária dada ao chefe do Poder Executivo e aos legisladores.

Quem tem legitimidade originária nomeia, conforme a lei, administradores, que assim têm legitimidade derivada. Não cabe ao corporativismo, nas instituições, pelo voto dos seus integrantes, sem fundamento legal, colocar-se acima dos administradores dotados de legitimidade derivada, nomeados conforme ato jurídico perfeito. A atitude de desrespeito à cadeia de legitimidade é antidemocrática. Serve ao corporativismo e a partidos, não às instituições.

O patrimonialismo, categoria de análise weberiana, descreve o uso dos bens públicos como patrimônio dos servidores. Raymundo Faoro (1925 – 2003) usou-a para descrever a tradição do estamento burocrático, que usa a defesa da democracia como camuflagem para desfrute e ativismo partidário, que também é uma forma de desfrute. Linda Lewin (1941 – viva), na obra “Política e Parentela na Paraíba”, descreve o que chama de “cooperativas de poder”, citando o parentesco como vínculo importante nas ditas cooperativas. Hoje o partidarismo e os comportamentos são vínculos associativos mais fortes.



COMENTÁRIO

Lúcida, verdadeira e uefeceana opinião, à qual a nossa Associação dos Docentes da UFC deveria conceder atenção.

A ADUFC sempre foi para mim, desde a fundação até a antepenúltima diretoria, uma entidade paradigmática. Na penúltima, desceu as escadas de Dante Alighieri e, nesta, extrapola em comportamentos desasados, ferindo noss'alma mater, a UFC, como sua inimiga figadal, ao impedir o Reitorado absolutamente legal do Prof. Dr. Cândido Albuquerque, que já comprovou muitas vezes sua capacidade acadêmica e administrativa, conforme exprimiu o Prof. Dr. Rui Martinho. Espero que a A Diretoria fique ao lado da UFC, ajude – conforme é seu dever – ou, pelo menos, não atrapalhe!

Ainda há tempo!

Votei em vocês.

Vianney Mesquita


sábado, 11 de janeiro de 2020

SINOPSE - Confluência Método-Saber (VM)



CONFLUÊNCIA
MÉTODO-SABER
(Rapidíssima Sinopse)
Vianney Mesquita*




A ciência nada mais é do que o senso comum refinado e disciplinado. (Gunnar Myrdal, economista sueco – Prêmio Nobel de Ciências Econômicas de 1974. Gagnef, 6.12.1898 – Danderyd, 17.5.1987).




Convém expressarmos, a priori e por necessário, o fato de que saber e método, caminhando sempre juntos, denotam conceitos de requerida aprendizagem liminar, por parte de uma pessoa que intente compreender as duas ideias em ultrapasse às evidências da opinião geral.

Nos dias correntes, é consabido o fato de que, em todo o universo de cultura científica - incluso, evidentemente, nosso País – há muita reflexão acerca dessa matéria, com amparo em filósofos da ciência do passado, bem como, em específico, da centúria fluente.

Pensadores da dimensão intelectual de Karl Raimund Popper, filósofo austríaco e naturalizado inglês, do grão-britano Bertrand Russel e de outros que lhes seguem os passos ou com eles andam em paralelo à demanda de explicações para os eventos científicos, e.g, fazem grande escola e nos deixam como herdade um excepcional acervo librário. Neste passo, ajudam seus continuadores e pesquisadores em geral a, cada vez mais, dessedentar a garganta sequiosa da ciência na sua sede infrene por conhecer, procurando desvesti-la do caráter de mistério que lhe foi imposto pelos terroristas da dificuldade, quais verdadeiros súditos do impossível.

Este curto exercício objetiva carrear aditamentos à compreensão da matéria, constituindo-se como chamamento e convite aos visitantes dos misteres de procura das relativas verdades científicas a conhecerem as teorizações das diversas correntes e dos variados pensadores vinculados ao assunto.

Podem, com efeito, ser instituídas condições, desde os primeiros contatos com os respectivos feitos, para que se trabalhe o evento científico consoante os entendimentos consagrados na diuturna reflexão e pela via da prova em todos os quadrantes da ciência em suas mais distintas taxinomias.

Antes de adentrarmos as considerações e cotejamentos entre a noção de saber vulgar-senso comum e a ideia com teor científico, impende oferecermos um conceito de conhecimento. No jeito mais singelo de se exprimir, é válido dizer que o saber radica na assimilação dos objetos e sua retenção na memória, o armazenamento no espírito.

No ato de conhecer, existe um sujeito – o que conhece – e há um objeto – o conhecido, quando o sujeito retém o objeto e o reflete no entendimento.

Parece fácil depreender, pois, o fato de que sujeito e objeto são absolutamente indispensáveis para a consecução do ato cognitivo. Não havendo um para conhecer e na ausência de outro a fim de ser conhecido, manifestamente, se afigura impossível o conhecimento. Na integralização dessa obviedade, porém, de indispensável expressão a fim de que se aportem às devidas explicações, são convidados à colação dois outros elementos – o pensamento e a verdade.

O primeiro evoca, encadeia e capta as representações da mente, as quais são pretexto do nosso conhecimento. A verdade, in allia manu, é a adequação, a coerência entre a exposição mental do sujeito e do seu objeto. A ideação de verdade, por conseguinte, repousa na consonância entre o que foi refletido e o pensamento.

Ao ser concedido o início do conhecimento, o ser pensante exercita uma seleta, discriminativa, mediante a qual se apercebe das semelhanças e diferenças dos objetos. Quando contemplamos a realidade fatual, ou na oportunidade em que refletimos sobre os objetos, nos quedamos a compará-los, separando os que são análogos daqueles distintos. A compreensão do diferente é procedida no mesmo instante em que se efetiva o alcance dos objetos análogos.

Com efeito, seria inócuo o conhecimento se as coisas fossem todas iguais e se a realidade sobrasse homogênea e imutável. Há em toda cognição, pois – para remate dessas considerações – um status de relação, em que se ligam os objetos, podendo ser os vínculos de analogia ou diferença e de existência concomitante ou sucessão.

Tencionamos, noutro lance que for apropriado, retornar para prosseguir com estas reflexões.


CRÔNICA - A Insurgência do Ovo (ES)



A INSURGÊNCIA DO OVO
Edmar Santos*


Bem isso: ovo. Em sua branquitude ele era e não era. Em seu formato miscigenava perfeição e imperfeição: ovoide.

Defini-lo? Gosto de como Lispector (1920-1977) assim o fez: “Um ovo não tem um si-mesmo. Individualmente ele não existe. (...) não se vê o mundo por ele ser óbvio, não se vê o ovo por ele ser óbvio. E continua: “Ele é mais que atual: ele é no futuro (...) o ovo por enquanto será sempre revolucionário”. Ricos e pobres o procuram.

A representatividade da vida está dentro dele, está fora também. Mas nem por isso é notório, nem nobre. Prefere a humildade de não ser, para tornar-se sumidade nutritiva à vida dos que o buscam.

O “Outro” também foi assim. Chegou como tantos antes dele e após ele. Mas todos os que o buscaram, nutriram-se de vida. Estava dentro dele, estava fora também. Ainda o é.

Não foi dado ao homem compreender nem o ovo nem o Outro. Muito provavelmente por suas complexas simplicidades que fogem à fome dos reles sapiens. Estes últimos têm fome em demasia e, por tal, não contemplam o alimento: comem com voracidade. Poucos oram antes de se alimentarem.

Que o ovo é isso ou aquilo muito se diz; disseram sobre o Outro também. O ovo é rei sem majestade. Questionam sua origem; se ele foi ou não o primeiro. Não importa! Ele não é para que possa estar na boca de todos. Na casa de quem o busca.

Por sua eterna fome no mundo o homem quebrou o ovo sem contemplar a sua essência. Definiram-no como fonte proteica, sem entender sua transcendência geométrica – talvez cósmica – que está descrita em sua própria forma.

Do mesmo modo fizeram com o Outro: definiram sua humanidade, sem entender sua transcendência divina, que estava escrita em suas atitudes e falas. Comeram o ovo; mataram o Outro.

Apesar do homem e por causa dele, multiplicou-se o ovo, vive o Outro.


quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

ARTIGO - O Outro Como Abstração (RMR) - 08.01.20


O OUTRO COMO ABSTRAÇÃO
Rui Martinho Rodrigues*



O iluminismo foi um movimento intelectual e político que no Século XVIII queria produzir um conhecimento humanístico consistente, como a Física da Revolução científica do Século. XVII. Queria fazer previsões tão confiáveis quanto as que antecipam a passagem de cometas, o resultado de reações químicas e demais vaticínios das ciências da natureza. Queria acatamento. Reivindicava o status de autoridade. Eram intelectuais do tipo ungido.

Os chamados déspotas esclarecidos deixaram-se embair pelos iluministas e os acolheram em seus castelos, dando ouvidos aos seus conselhos. François-Marie Arouet – dito "Voltaire" (1694 – 1778) e Jean-Jacques Rousseau (1712 – 1778) são exemplos disso, tendo sido hospedados e patrocínados por nobres e reis.

Os iluministas citados escreviam com grande beleza. Não com rigor científico da Física do pretendido argumento de autoridade. Presumiam-se superiores intelectual e também moralmente. Paul Bede Johnson (1928 – vivo), na obra “Os intelectuais”, desnuda retalhos biográficos de alguns dos mais renomeados pensadores, mostrando que não havia entre eles superioridade moral.

Thomas Sowell (1930 – vivo), na obra “Os intelectuais e a sociedade”, descreve a atitude dos intelectuais ungidos nas vésperas da II Guerra Mundial. Alunos da Universidade de Oxford comprometeram-se publicamente a não lutar pela defesa do seu país, no chamado juramento de Oxford. Amavam o outro abstrato. Estudantes podem não ser intelectuais, mas expressavam a atmosfera intelectual da universidade citada. Sowell ressalta que Bertrand Arthur William Russel (1872 – 1970) defendia o desarmamento do Reino Unido. Assim ninguém (Hitler) teria motivos para temer e atacar os britânicos. Amor pelo outro abstrato.

Intelectuais ungidos amam abstrações. A presunção iluminista de esclarecimento não tem fundamento na realidade. Críticos das tradições declaram amor surpreendente a valores tradicionais como solidariedade e amor ao próximo, cujas origens passam longe do secularismo cientificista, evidenciando as raízes confessionais das religiões civis. Não amam, todavia, o próximo, mas o distante, envolto nas nuvens de suas abstrações e devaneios, fáceis de amar, que não nos contrariam, não representam ônus para nós. Amamos ao longe as criancinhas vitimadas pela guerra na Síria e amamos a concretude dos cachorros submissos e incondicionalmente leais.

O próximo não se confunde com a distante abstração. É o chefe, subordinado, cônjuge, filho, guarda do trânsito que interagem conosco de perto ou não se chamaria próximo. O narcisismo confundido com virtude procura vítimas e vilões ou não haverá heroí nem salvador. Tomar arbustos por donzelas agredidas e moinhos de vento por vilões enseja heroísmo. Basta fechar os olhos para a realidade.

A crítica social passa ao largo de todos os indicadores objetivos que evidenciam a enorme melhoria das condições de vida nos últimos cem anos. Mortalidade infantil e esperança de vida, anos de escolaridade e analfabetismo, acesso aos bens que proporcionam conforto, com eletrodomésticos, que se tornaram populares. José Guilherme Merquior (1941 – 1991), na obra “O argumento liberal”, ressalta que um operário qualificado hoje vive melhor do que vivia um rei na Idade Média. Não olhamos para isso, mas para a pobreza comparada. Nos mesmos cem anos de grande melhoria das condições de vida houve grande concentração de renda, que varremos para debaixo do tapete da História para não perdermos a nossa Dulcinéia, com licença de Miguel de Cervantes Saavedra (1547 – 1616).



COLUNA VICENTE ALENCAR - Edição nº 1590 - 07.01.2020


COLUNA VICENTE ALENCAR
EDIÇÃO Nº 1590
3ª FEIRA, 07 DE JANEIRO DE 2020
FORTALEZA - CEARÁ


2020 - Registraremos:

Os 45 anos da Morte do Marechal Juarez Távora (1957).

Os 105 anos de fundação da Câmara Junior Internacional (1915).

Os 105 anos do Poeta trovador Aires de Montalbo (Pseudônimo do Padre Aloísio Furtado, nascido em Baturité (1915).

Os 130 anos de nascimento do Pintor cearense Raimundo Cela (1890).

Os 135 anos de fundação do Clube Internacional do Recife (1885).


Notas

Hoje às 5 horas da manhã A HORA DA NOTICIA com Luciano Clever, Vicente Alencar,  Newton Mourão e Ricardo Oliveira.

As 22 horas o Programa Vicente Alencar - Educação, Cultura e Esporte.

Ambos pela Rádio Assunção Cearense AM 620.

Dia 10, sexta-feira, às 20 horas a posse da Dra. Nilza dos Reis Saraiva, à frente da Sociedade Cearense de Medicina Veterinária
e Academia Cearense de Veterinária.

Local: auditório da Policlínica Veterinária, Av. Rui Barbosa, 1880 (altos).

Escritor Abílio Martins seguindo para a Cidade do Ipu, onde dia 15 lançará seu mais novo livro na sede da Academia Ipuense.

Tizim, que integra as formações da Almece e Academia de Retórica, às voltas com a organização do Centenário da Cidade de Cedro que será comemorado este ano.

O Fortaleza Esporte Clube estreará na Copa Sul Americana dia 13 de Fevereiro em Buenos Aires, diante do Independientes.

Parte da população da Cidade de Boa Viagem muito aborrecida em face da ausência do seu representante no Campeonato Cearense de Futebol.

Maus brasileiros continuam noticiando somente o lado negativo do  nosso país. É o que chamamos de Imprensa Marrom.

Surpreende a muita gente o amplo noticiário policial principalmente no horário do almoço, enfocando assaltos, mortes e fatos outros do mesmo nível.

Tudo isso em detrimento de um noticiário Cultural, ou que trate de Educação e Turismo, estradas, moradia e assuntos de relevância. Uma pena!

Dia 14, às 9 horas e 30 minutos na Academia Cearense de Letras a primeira Terça-Feira em Prosa e Verso deste ano.



domingo, 5 de janeiro de 2020

RESENHA - Artigo "Honestidade Intelectual", de Rui Martinho Rodrigues (VM) - 05.01.20


LIÇÕES PROCEDENTES, CREDORAS DE CEM POR CENTO DE FÉ
Vianney Mesquita*


Sapiens incipit a fine, primo stultum finem. (George PÓLYA. Budapest, 13.12.1887; Palo Alto – Ca, 7.7..1985).**


Perspicazes, magnificamente corretas, compostas com óculos professorais da mais cristalina visibilidade, constituem no meu sentir as preleções do Professor Doutor Rui Martinho Rodrigues, da Universidade Federal do Ceará, concernentes ao decoro espiritual que deve presidir à atuação do operário em decurso de demanda científica.

Reporto-me, sem lhe tencionar qualquer ideação crítica, tampouco imprimir adendas e fazer substituições – porquanto inadmissíveis  ao texto intitulado Honestidade Intelectual, editado neste medium no dia dois imediatamente transato. Ali, decerto se transportando a muitas pesquisas denotantes de senões metodológicos e fugas dos pressupostos da Filosofia da Ciência e de outros ramalhos que presidem o assunto  por ele divisadas no seu mister como docente dessas matérias – o Presidente Emérito deste Silogeu comenta a incumbência moral de quem depara o múnus de investigar eventos novos, com vistas a – nisi hoc tantum quod (só e apenas isto) – fundear ao porto da verdade. Se isto não obtiver, pois, que o resultado falseie, definitivamente, a intenção de que o pretenso achado oriente conhecimento, o chamado saber brocado, como, exempli gratia, a ideia popularesca e desacertada de que o leite vacum é antídoto de poções químicas venenosas.

Infelizmente, seja isto expresso, muitos resultados enganosos concedem extensões às buscas, de modo que até certos operadores de ciências mais novas, nomeadamente algumas das dispostas no rol de sociais – com não muito mais de cem anos de batismo – se louvam em metodologias equívocas e técnicas avessas aos ditames das configurações filosófico-metodológicas, afastando-se dos lineamentos esmerados suscitados por seus genitores, abandonando, por conseguinte, as determinações de honestidade espiritual exigíveis do operador de ciência, fazendo, assim, prosperar a inverdade, mormente no hodierno estádio de emprego das vertentes virtuais da rede mundial de computadores, nem sempre de boa procedência.

Menciono, verbi gratia, na Linguística, Ferdinand de SAUSSURE (Genebra, 26.11.1857; Vufflens-le-Château, 22.2.1913) e Noam CHOMSKY (Est Oak Lane, 7.12.1928 – vivo, 91 anos); e, na Antropologia, FRANZ Uri BOAS (Minden-Al., 9.7.1858; Colúmbia-EUA, 21.12.1942) e Bronislaw Kasper MALINOVSKY (Cracóvia, 7.4.1884; New Haven; Conn-EUA, 16.5.1942), como patronos cujos modi operandi de procura científica são desvirtuados, com recursividade, sob adendos e substitutivos metodológicos desajustados em relação ao que por eles foi operado e dimanou ajustado, razão por que os precitados cientistas continuam reconhecidos como paredros de seus ramos disciplinares, havendo operado com a devida e exigível honestidade intelectiva, neste passo, divisada e transferida aos leitores por via deste extraordinário mass media da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo e pela destra e cérebro de seu renomeado produtor de experimentos, ora sob anotação despresumida.

Os teóricos, escritores de Metodologia Científica e Filosofia das Ciências, bem assim os pesquisadores  conforme ocorre com o intelectual sob escólio, o Prof. Dr. Rui Martinho Rodrigues (autor, dentre muitos outros, de Pesquisa Acadêmica  como facilitar o processo de preparação de suas etapas. São Paulo: Atlas, 2007)  desaconselham, ensinam, prescrevem, impõem, alfim, que abandonem o mau vezo de operar com metodologias desarranjadas, ao empregarem procedimentos mais fáceis que jamais transportarão a algo de proveitoso, trazendo, contrario sensu, uma falsa existência de “fatos”, o que é conducente, cada vez mais, à tacha do erro, o qual deflui da inexistência de obrigação moral do pesquisador de que seja isento e honesto.

Forrado, então, de notáveis informações e ilações pessoais – principalmente estas  na sua extensa e batistinamente endireitada vereda de demanda científica, como escritor experto nesta seara e docente de dotes invulgares – esse mestre polimático doutrina, com profundidade e fastos de detalhes, a respeito do assunto honestidade espiritual do operador de ciência. Ali, ele conforma uma lição irrepreensível, que todos devem hospedar com carinho, sem qualquer tinta de reserva, e, ocorrendo de o leitor-demodulador daquela mensagem ser trabalhador da busca do fato novo, pode ele armazená-la como recheio de sua biblioteca – nos moldes atuais, a guarda no computador – para uma oportuna aplicação no seu modus faciendi de trabalhador do conhecimento constantemente diligenciado.

O artigo sob comentário é uma estela de beleza científico-pedagógica, não apenas sob o ponto de vista da preceituação no âmbito temático, mas, também, em decorrência de seu estilo ameno e atraente, capaz de prender o bom ledor da prima à derradeira manifestação vocabular, pois não é comum, pela rigidez e sequidão de termos e dicções científicos, um observador estudar informações sob o trato do saber parcialmente ordenado, provando, também, de uma como estesia literária de ficção, ou qual se fora romance, conto, crônica, ode, sátira, narrativa histórica, poesia et reliqua...

Obedeço na inteireza suas observações, pois aficionado seu desde os primeiros escritos, de dois dos quais tive o lance honroso e feliz de participar na qualidade de comentador nos próprios volumes: Príncipe, Lobo e Homem Comum (UFC, 1997, com 38 notas de rodapé) e Contratualismo, Política e Educação, em parceria com os, também, professores da UFC doutores José Gerardo de Vasconcelos e Cândido Lustosa Bittencourt de Albuquerque (Reitor atual), com o Estudo Introdutório, sob a designação de Hobbes, Locke e Rousseau sob o Crivo de Três Notáveis (UECE, 2016, p. 8-23).


** O sábio começa no fim; o tolo termina no começo.




COMENTÁRIO

Caro amigo Vianney, agradeço comovido os generosos comentários que você dedicou ao meu texto. Sinto me faltar engenho e arte, como diria Camões, para retribuir, fazendo a apreciação da sua vasta e meritória produção intelectual. 

Rui Martinho Rodrigues
   


quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

ARTIGO - Empoderamento (RMR) - 02.01.20


EMPODERAMENTO
Rui Martinho Rodrigues*



Empoderar é dar poder. O léxico político o direciona aos oprimidos. Acredita que problemas se resolvem pelo conflito. Pretende modificar costumes e valores que considera injustos. Supõe que padrões culturais infelicitam pessoas por serem fruto da assimetria de poder, favorecendo os dominantes.

A opressão pode ser sentida em circunstâncias diversas, conforme a pessoa. Alguns aspectos, porém, podem ser considerados objetivamente, segundo critérios explícitos. Assim, oprimido pode ser quem sofre restrição nas escolhas que não afetam a alteridade. Regular masturbação é opressão, para o liberal que concebe o autopertencimento da pessoa. Mas o empoderamento não é liberal. O jusnaturalismo vê opressão no que contraria o Direito Natural, não inspira o empoderamento antropocêntrico, que não é jusnaturalista.

Opressão pode ser delimitada pelo imperativo categórico (Immanuel Kant, 1724 – 1804), princípios que adotados por todos seriam benéficos por serem compatíveis com a natureza humana. Não é a inspiração do empoderamento, que é voltado para a historicidade, não para a natureza humana. Opressão é, para o empoderamento, a crueldade do sistema social e político. Repudia a experiência histórica como injusta, não se inspira na experiência empírica. Também não é teocêntrico. Nem é a razão falseável de Karl Raymond Popper (1902 – 1994). É elucubração filosófica e propõe uma reengenharia social. Mudança cultural forçada gera conflito, que historicamente solucionou alguns problemas. Roma destruiu Cartago, solucionou a convivência com uma potência concorrente. Destruição semelhante nem sempre é possível e não é desejável.

Escravos sudaneses no Brasil tinham escrita, técnicas de navegação e fundição de metais. Fizeram dezenas de rebeliões na Bahia, entre a década de noventa do Século XVIII e as quatro primeiras décadas do Século XIX. Eram muçulmanos, mas não deixaram nenhuma mesquita na Bahia. Os bantos, ágrafos, sem técnicas sofisticadas, influenciaram profundamente a cultura brasileira. Pacíficos, seguiram, sem saber, Sun Tzu (545 a. C. – 470 a.C.). Aproximaram-se do inimigo, ao invés de odiá-lo.

A mudança cultural forçada exacerba conflitos. A catequese “esclarecida” está falhando. O interativismo, não o conflito, é a solução. O significado do justo é parte da cultura. Culturas são incomensuráveis, são totalidades, não podem ser comparadas. Historiadores consideram errado interpretar o passado com valores do presente, designando tal conduta como anacronismo. A consideração do injusto envolve referências culturais distintas. É etnocêntrico. Comparável ao anacronismo. Foi a conduta dos missionários do período colonial. A sensibilidade política preserva as culturas dos índios (multiculturalismo diferencialista), mas não é sensível diante da cultura tradicional, praticando assimilacionismo que se presume esclarecido.

Padrões culturais são naturalizados. O “natural” é aceito. Não infelicita, salvo quando a mudança cultural forçada desnaturaliza as práticas culturais e provoca infelicidade induzida. O conflito resulta em violência contra o mais fraco. Só os pescadores de águas turvas ganham com isso. Democracia é o reino das leis, não das pessoas. Norberto Bobbio (1909 – 2004) ressalta que as duas primeiras gerações de Direito eram contrapoder. Diziam ao mais poderoso: não mate, não roube, não tome a mulher do outro, limitando o poder do mais forte. A segunda geração disse ao governante: não cobre imposto sem lei que o autorize, não prenda sem culpa formada. Contrapoder é norma boa. Empoderar enseja abuso e conflito.


RESENHA - Razão e Fé do Carvoeiro, de Rui Verlaine O. Moreira e Anchieta Barreto (VM) - 02.01.20



EXPEDIENTES PARA A
ESTÉTICA DE UM TEXTO
Vianney Mesquita*


Quem não encontra prazer na arte sequer alcança o sentido da beleza (LOUIS BURLANT),


Alegoria, símile e metaforismos de toda ordem constituem tropos linguísticos de que os autores se utilizam para conceder às suas produções a singularidade estilística que os faz distintos das demais pessoas praticantes do exercício textual, menos na Ciência e na Filosofia, no entanto, bem mais intensivamente na comunicação literária.

Tal dessemelhança em relação a outros executores do discurso gravado – em qualquer suporte de registo informacional – é, no entanto, subsidiária à intenção autoral de conceder aos escritos o componente estético, cujo ajustamento da mensagem preside, no ato de seu recebimento, a acolhida fiel por parte do destinatário, com a conquista de um recado perfeito.

Ao justapor adequadamente os elementos informativos e estéticos, nesse dúplice aspecto da comunicação humana, tomando na devida consideração o nível de sua audiência, o escritor – ou comunicante qualquer de boa qualidade – logra infundir no receptor a simpatia pela ideia fácil, à qual ele se afeiçoa por definitivo, uma vez ataviada pela beleza resultante dos expedientes elocutivos.

Com efeito, os bons produtores de qualquer gênero escritural constituem nação especial no concerto dos demais comunicadores, porquanto seus objetivos são bem meditados e transferidos consoante os atributos da mensagem e as regras não muito fixas da elocução (ou estilo), motivo por que apanham sempre a melhor recepção.

Muito me apraz, por conseguinte, reiterar a conclusão, tirada há alguns anos, de que esta é a feição produtora dos professores doutores Rui Verlaine Moreira e José Anchieta Barreto, compartes de extenso tempo na ideação didático-científica, expressa em livros e artigos de raro alcance – mormente na Filosofia da Ciência – numa apreciável periodicidade produtiva, considerando que, nos últimos ciclos,  trazem, pelo menos, um volume por ano.

Neste comenos, ao invitar os múltiplos recursos de que a Língua Portuguesa dispõe, bem assim, os meios oferecidos pela Estilística, esses pesquisadores organizaram – e presidiram como docentes da disciplina Teoria e Método das Ciências, na Universidade Federal do Ceará – a obra Razão e Fé do Carvoeiro, contrapondo razão e conhecimento da communis opinio (aqui a fé), ao estudar, juntamente com onze parceiros, o ideário de filósofos como Descartes, Sartre, Schutz, Marcuse e Feyerabend, oferecendo novas decodificações do seu pensamento nem sempre bem compreendido pelos que não se debruçam, como fizeram os signatários desses ensaios, na filosofia de escritores tão prestigiosos e celebrados, e que compõe Razão e Fé do Carvoeiro.

A denominação alegórica com que inteligentemente intitularam a obra procede do entendimento desarrazoado de muitos, às vezes na fé inabalável, que não dá ouvidos a argumentos razoáveis, assentada na seguinte historieta: o Diabo, com disfarce de eremita, entrou na cabana de um carvoeiro, a quem indagou:

 Em que tu acreditas?

Creio no que acredita a Santa Igreja Católica, Apostólica e Romana – respondeu o carvoeiro.

E o que crê a Santa Igreja? – Redarguiu o Demônio.

Acredita no que creio – respondeu o carvoeiro, que se limitou a estas respostas, sobrando o Demo logrado.