sexta-feira, 23 de novembro de 2018

NOTA ACADÊMICA - Reunião na Tenda Árabe - Momento Cultural na Embaixada

REUNIÃO 
NA 
 TENDA ÁRABE


Na noite da última terça-feira (20.11.18) reuniram-se na Tenda Árabe os acadêmicos Arnaldo Santos, Marcos Gurgel, Reginaldo Vasconcelos, Adriano Jorge, Paulo Ximenes, Altino Farias, Rui Martinho Rodrigues e João Pedro Gurgel.

A experiência gastronômica desta vez foi "Arroz Maria-Isabel", que é um rizoto nordestino preparado com carne de sol, frita na manteira de garrafa, temperado com leite de coco, cúrcuma e verduras, notadamente cebola, pimenta-de-cheiro e cheiro verde.

O  prato pertence ao repertório da cozinha regional da família do Presidente Reginaldo Vasconcelos, transmitido às gerações atuais  pela saudosa matriarca.

Seguiu-se à reunião a sessão leitura de poesia e de prosa poética, o "Momento Cultural da Embaixada da Cachaça". 




Esta prática artística e performática nasceu em Chicago, na Green Mill Tavern, em meados dos anos 80, por inciativa do escritor Marc Kelly Smith, disseminando-se por todo o país e depois pela Europa, e por outras partes do mundo. A palavra Slam refere a poesia produzida para ser lida em público.




Roberto Paiva, cliente da casa, sempre presente entre os leitores, abriu a sessão de leituras, seguido por  Sérgio Simonetti, que declamou um soneto, composto por um personagem da novela que ele produz no Facebook – portanto uma "face-novela". 




Dona Maria de Jesus, moradora do bairro, a bordo da sua "cadeira voadora", participou novamente da tertúlia cultural, desta vez lendo uma crônica sobre o seu relacionamento com a grande escritora e jornalista cearense, falecida em 2003, Rachel de Queiroz.




Altino Farias leu uma crônica burlesca sobre o amigo mais bem apessoado de sua turma de rapazes, que, certamente enebriado de rum e lança, brincou uma noite de carnaval com a moça mais feia do clube, para espanto de todos. Ao final do baile, pediu a ela que retirasse a máscara para que revelasse a sua beleza...



Reginaldo Vasconcelos prestou uma homenagem a Jáder de Carvalho, Príncipes dos Poetas Cearenses a seu tempo, dizendo de cor o poema telúrico "Terra Bárbara". Romeu Duarte atacou com a poesia satírica de Dejoses, de quem leu três curtos versos. 



Marcos Gurgel leu uma de suas croniquetas, tratando de quando foi chefe de órgão público em Fortaleza, e de um servidor humilde e ingênuo que nele trabalhava.

  

Já João Paulo, o mais jovem membro titular da ACLJ, leu seu primoroso e despretensioso poema em que ele declara, com deliciosa ironia, não saber fazer poesia.

  
ANALFABETO
POÉTICO

Que droga
Que agonia
Eu não sei
Fazer poesia

Pisca o olho
Pisca o alerta
Até a besta desperta
No barulho do dia-a-dia

Que feia
Que fria
Essa tentação
De fazer poesia

Vou me calar
E esperar o dia
Que minhas palavras
Saindo do papel
Façam magia

Vou transformar o tédio
Em melodia
E nesse dia
Vou fazer poesia

CONVITE - Lançamento do Livro Sobre a Vida do Nirez


quinta-feira, 22 de novembro de 2018

ARTIGO - Os Médicos Cubanos (RMR)

OS MÉDICOS CUBANOS
Rui Martinho Rodrigues*


Os médicos cubanos voltaram a integrar a pauta do debate nacional. Eles são uma realidade separada dentro do programa Mais Médicos. Esculápios de outras nacionalidades, integrantes do citado programa, não estão em discussão.

Os motivos da polêmica são: (i) profissionais procedentes de outras nacionais podem trazer suas famílias; (ii) não estão regidos por um acordo que obriga o Brasil a renunciar ao direito de conceder asilo a algum médico que solicite tal proteção; (iii) nem somos obrigados a entregar quase todo o salário ao governo do país de origem. Nem é preciso entrar no debate sobre a exigência do exame de aptidão profissional, conhecido como “revalida”.

Anunciada a revogação dos mencionados itens do acordo, o governo de Havana optou por retirar os seus profissionais. Permitir que as famílias acompanhem os profissionais é para eles impensável. A possibilidade de algum médico obter asilo político no Brasil é inadmissível para o regime cubano. Salários muitas vezes superiores ao que eles ganham em seu próprio país é outra ideia repudiada prontamente, para evitar a perda de renda de um governo que procede como agência de terceirização de mão-de-obra.

Uma analogia com o Direito do Consumidor nos levaria a considerar as cláusulas citadas como leoninas. As condições resultantes de tal situação apontam para condições análogas ao trabalho escravo. Nada disso parece incomodar setores que tradicionalmente se apresentam como preocupados com os direitos de quem trabalha. A preocupação agora é com as populações assistidas pelos médicos cubanos, subitamente privada dos serviços por eles prestados. Trata-se de preocupação legítima. A oportunidade dada aos médicos da ilha caribenha, para que permaneçam prestando serviços, levou em consideração os interesses das populações agora desassistidas.

A recusa, por parte de Havana, compreensivelmente temerosa de uma fuga em massa de seus profissionais, caso eles pudessem trazer suas famílias e o governo brasileiro estivesse disposto acolher pedidos de asilo político por parte deles, criou um problema. O número de médicos brasileiros, porém, não é baixo. Devemos aproveitar a oportunidade para debater e oferecer condições para a interiorização destes profissionais, lembrando ainda que a promoção da saúde guarda relação com saneamento e muitos outros fatores.






COMENTÁRIO

Ao contrário do que têm insinuado na imprensa os esquerdistas de plantão, paladinos da democracia, pela qual eles dizem ter lutado durante aos governos militares, postando-se como defensores dos “direitos humanos”, cuja bandeira eles agitam, o Presidente Eleito, Jair Bolsonaro, nada tem contra os médicos cubanos, nem contra a medicina de Cuba, muito menos contra as populações brasileiras remotas que o Programa Mais Médicos atende.

O que Bolsonaro reprova são os termos do contrato firmado secretamente entre o Governo Dilma Rousseff e a ditadura cubana, que dá tratamento desumano aos seus profissionais, relegando-os a condição análoga à de escravos, proibidos de pedir asilo e de trazer as famílias para perto de si, obrigados ainda a receber apenas trinta por cento do que o Brasil paga por eles. De fato, isso não é democrático e nem humanitário.

Bolsonaro quer manter os cubanos no Brasil, pagando a integralidade de seus vencimento, e lhes garantindo asilo. Quem rompeu o acordo foi o Governo de Cuba, que não tem interesse algum em libertar os seus súditos, pobres vassalos submetidos a toda sorte de abusos pela ditadura mais odienta. Contra isso deveriam protestar todos os pretensos democratas brasileiros, que dizem defender com unhas e dentes as liberdades individuais dos cidadãos.

 Reginaldo Vasconcelos 


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

ARTIGO - Hotel Nacional (WI)


Hotel Nacional
Wilson Ibiapina*


Primeiro de setembro de 2007, um sábado, fui acordado pelo telefone. Era o querido jornalista Rodolfo Espínola avisando que estava sendo despejado do Hotel Nacional. Ele e mais uns 300 hóspedes foram avisados do despejo por meio de um papel deixado embaixo da porta pela gerência do hotel. Surpreendidos com o aviso, todos tiveram que arrumar a mala e deixar o local.

Quando cheguei ao hotel, Rodolfo estava no meio da rua. Um outro cearense ilustre, o ex-governador Gonzaga Mota, na mesma situação, já havia saído em busca de novo abrigo. Depois ficamos sabendo que o Nacional foi obrigado a retirar seus hóspedes por decisão da Justiça, que dava reintegração de posse à empresa dona do terreno, o Banco Rural, aquele que foi tragado pelo mensalão.

O grupo Canhedo, do empresário Wagner Canhedo (que ganhou a Vasp a preço de banana e levou à falência) não pagava a taxa de administração do imóvel havia mais de três anos. dívida de mais de 30 milhões de reais. No mesmo dia, à tarde, o Grupo Canhedo conseguiu cassar a liminar de despejo e o hotel voltou a funcionar normalmente, mas a imprensa foi proibida de entrar no local. Apenas alguns hóspedes voltaram ao Nacional. Era o declínio daquele hotel de luxo intimamente ligado à história política do País.




Agora, o hotel está sendo vendido para pagar dívidas. Parece que foi ontem que o Nacional era o centro do poder social da Capital. O jornalista José Luiz Silva lembra que a história de Brasília passava por ali. Enquanto esteve nas mãos de seu fundador, o empresário José Tjurs, dono da rede de hotéis Horsa, foi um sucesso.

Desenhado pelo arquiteto Nauro Jorge Esteves, o hotel, com dez andares e 347 apartamentos, tem uma suíte presidencial com quatro quartos; quatro closets, mesa de reuniões, bar e sala de jantar.

Inaugurado em 1961, hospedou a Rainha Elizabeth e o Duque Phillip, o francês Charles de Gaulle, os americanos Jimmy Carter e Ronald Reagan, e muitos outros políticos, diplomatas e celebridades como Roman Polanski, John Travolta e Roberto Carlos.


As suas galerias, na parte térrea, eram ocupadas por lojas de artesanatos, roupas, livrarias, empresas de aviação, agências de viagens, imobiliárias e lanchonetes que atraíam os brasilienses. O movimento em frente a entrada principal do hotel lembrava a rua Guilherme Rocha, em Fortaleza. Justamente o trecho da casa Parente, Loja Vox, livraria do Edésio, onde a moçada se postava, jogando conversa fora, cubando o movimento.

Foi na calçada do hotel, batendo papo, que conheci os jornalistas Roberto Macedo e Hélio Doyle, no inicio dos anos 70. O movimento aumentava quando do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Artistas como Paulo José, Dina Sfat, Darlene Glória, Ítala Nadi, Leila Diniz e Arduíno Colasanti, galã do cinema novo, que foi casado com a atriz e escritora cearense Ana Miranda, se exibiam na piscina do hotel, observados por jornalistas, hóspedes e fãs. 


A sauna era local procurado pelos brasilienses. Lembro que um dia juntamos um grupo de colegas da Rede Globo e fomos pegar uma sauna. Estava lotada e se não fosse o Arnaldo Artilheiro o programa não teria acontecido. Artilheiro, confiado em seus dois metros de altura e no seu possante físico, foi lá e aumentou a temperatura da sauna. Em poucos minutos não ficou ninguém. E ele, na porta, argumentando que ocorrera um problema. Quando todos foram embora, ele normalizou a temperatura e nós fomos nos divertir.

Nas décadas de 60 e 70 o hotel era o local de happy hour de políticos e jornalistas. Mesas de baralho, uísque, paqueras e conversas que varavam a noite, começavam no restaurante principal, com maitre e garçons vindos do Rio de Janeiro e São Paulo e geralmente passavam pela boate Tendinha, ou pelo restaurante Tabu. No Bar, os políticos, senadores, embaixadores, ministros, deputados se revezavam ao telefone, caçados pelas telefonistas para atender os chamados dos amigos e contar os bastidores. A feijoada, aos sábados, reunia a fina flor dos Ponte Preta.

Era no Nacional que a cidade promovia festas de debutantes e bailes de carnaval e de passagem de ano. Lembro que no baile em comemoração aos 15 anos de Brasília a Globo flagrou a presença da menina Brasília, a primeira a nascer na nova capital. Embora estivesse também completando 15 anos não lembraram de convidá-la. Ela viu tudo do jardim em frente ao salão de festa, no sereno, esquecida.

Hoje, o Nacional, com novo dono, pode até se reabilitar, mas jamais será o mesmo.



COLUNA VICENTE ALENCAR - 1345 (19.11.18)


COLUNA DO VICENTE ALENCAR
EDIÇÃO Nº 1345
SEGUNDA-FEIRA, 
19 DE NOVEMBRO DE 2018

 DIA DA BANDEIRA BRASILEIRA


A PRIMEIRA
bandeira nacional foi criada em 18 de Setembro, de 1882, mas, o modelo do atual pavilhão brasileiro foi projetado em 1889, por Raimundo Teixeira Mendes e Miguel Lemos.


A ESFERA AZUL
substitui a antiga coroa imperial e, dentro dela, está representada o céu do Rio de Janeiro, com a Constelação do Cruzeiro do Sul, exatamente, como apareceu no dia 15 de novembro, de 1889, e marcou a Proclamação da República.

A NOVA
bandeira foi aprovada no dia 19 de Novembro,  daquele ano de 1889, devendo completar, em 2019, nada menos que 130 anos.

TAMBÉM,
no dia de hoje, comemora-se o Dia Internacional do Xadrez, dia do nascimento de José Raul Capablanca, tido e havido como “o gênio e menino prodígio do Xadrez”. Ele foi campeão mundial da modalidade, de 1921 a 1927, jogando torneios em todo o mundo.

CAPABLANCA
morreu de um ataque cardíaco, em 1942, no Manhattan Chess Club, enquanto analisava uma partida.

NO CEARÁ,
dois grandes nomes se destacaram, ambos conquistando o título de Campeão Brasileiro de Xadrez. Ronald e Helder Câmara, irmãos do inesquecível pesquisador Christiano Camara e filhos do Professor Gilberto Câmara, este, irmão de Dom Helder Câmara.

MANIFESTO
O Colégio de Presidentes e Entidades Culturais do Ceará, presidido pelo Acadêmico Ubiratan Aguiar, enviou ao Presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, Manifesto em favor da Cultura do Estado do Ceara e do Brasil.

NA ÚLTIMA
reunião do colegiado foram designados pelo Presidente, os Acadêmicos Marcus Fernandes (AC Cinema), Jose Maria Chaves (ACM Escritores), Vicente Alencar (SCG Historia e UBE), Clara Leda (Ac Feminina), Assis Almeida (Camara do Livro), Neuzemar Gomes de Moraes  (AC de Retorica).

ATUALMENTE
o Colégio de Presidentes conta com ideias e planos dos mais diversos, para colaborar com o desenvolvimento educacional, cultural e esportivo do Brasil.

SOCIEDADE CEARENSE
de Geografia e Historia programou para o dia 18 de dezembro vindouro, o seu almoço de confraternização de final de ano no Ideal Clube.

POR SEU TURNO
a Associação Brasileira de Bibliófilos agendou para o dia 12 do próximo mês, o seu Jantar de final de ano, sob a égide do Presidente José Augusto Bezerra.

SERÁ AMANHA,
terça-feira, o lançamento da Antologia da AJEB deste ano, após as 9 horas e 30 minutos, na Academia Cearense de Letras (Palácio da Luz). A Presidente Elinalva Oliveira lembra aos Membros da necessidade da presença de todos.

COM APRESENTAÇÃO
do Cientista Político Rui Martinho Rodrigues, Presidente Emérito da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, será lançado às 19 horas desta terça-feira, a edição comemorativa dos 80 anos da obra, o livro O Outro Nordeste.

O LIVRO,
lançado em primeira edição em 1938, pelo Professor Djacir Menezes, tem reedição patrocinada pela Fundação Waldemar de Alcântara e, lançamento no Instituto do Ceará (Praça da Igreja do Carmo), numa iniciativa do Presidente Lúcio Alcântara. Todos os que admiram a nossa cultura estão convidados.


domingo, 18 de novembro de 2018

NOTA CULTURAL - Sarau Prazenteiro

SARAU PRAZENTEIRO


As poetisas Karla Karenina e Alana Alencar organizaram um sarau em que reuniram amigos literatos, na noite deste sábado (17.11.18). Foram convidados para a tertúlia cultural os confrades Reginaldo Vasconcelos e Paulo Ximenes, Presidente e Tesoureiro da ACLJ, da qual ambas são acadêmicas titulares.








Além destes, compunham a roda de leitura e declamação os poetas Camila Fernandes e Jacy Luz, Dom Júlio Soares, Gylmar Chaves, Breno Albuquerque, Jardel Maia, Marta e Mateus Pinto, Marisa e Thiago. 


O violonista Marcelo Melo fazia fundo musical para a leitura dos textos e executava canções nos intervalos.


O evento, em que prevaleciam penumbra e luz de velas, teve lugar no aconchegante jardim da casa de Karla Karenina, em que reina Estrela Dálmata, na imagem posando entre os convidados, fazendo as honras da casa em que também se considera anfitriã.


Além da produção autoral dos presentes, entre poesia e prosa poética, também foram lidas ou recitadas peças de Linhares Filho, Jáder de Carvalho, Artur Eduardo Benevides, Fernando Pessoa, Paula Ney, Olavo Bilac, Vinício de Moraes, dentre outros.



As músicas, no violão de Marcelo Melo, cantadas individualmente ou em coro, foram desde composições dos componentes do “Pessoal do Ceará” (Fagner, Belchior, Ednardo, Rodger Rogério) à Bossa Nova de Tom e Vinícius, passando pelos caririenses Luiz Fidélis e Abdoral Jamacaru, até os baianos do tropicalismo, Gil e Caetano – com concessões à música romântica italiana de Pepinno di Capri e Domenico Modugno.

Na oportunidade, Karla passou às mãos do Presidente Reginaldo Vasconcelos, para a biblioteca da ACLJ, um exemplar do Dicionário de Formas e Construções Opcionais da Língua Portuguesa (Edições UFC - Ano 2000), de autoria do seu saudoso pai, o lexicógrafo José Alves Fenantes, imortal da Academia Cearense de Letras, bem como membro titular da ACLJ.

Ao final, para a descontração do grupo, Karla Karenina fez performances rápidas com os seus personagens cômicos consagrados na TV, Gylmar Chaves disse poemas facetos, e Reginaldo Vasconcelos leu croniquetas burlescas de Dejoces, poeta da comunidade Pelos Bares da Vida.  

A ACLJ pretende promover e estimular esses encontros presenciais em que a arte se exercita, cumprindo a sua melhor missão, que é a ebulição dos mais nobres sentimentos da alma humana, em busca da estética sublime, no gozo supremo do intelecto, com o calor humano presidindo as relações sociais –  o que se tornou um luxo especial em tempos de mídias eletrônicas.


   

ARTIGO - Liberdade de Expressão (RMR)


LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Rui Martinho Rodrigues*


Todos adquiriram uma tribuna com o advento da internet. Umberto Eco (1932 – 2016) referiu-se aos idiotas beneficiários da democratização dos meios de comunicação pelas tecnologias de informação. Somos todos favoráveis ao direito de livre expressão do pensamento e todos devem ser iguais. Mas, quando os idiotas falam, nós os consideramos “menos iguais”, como diria George Orwell (1903 – 1950). Afinal, de que igualdade falamos? Não fica claro qual é a igualdade pretendida.

José D’Assunção Barros, na obra Igualdade e Diferença (Editora Vozes, 2016), classifica as concepções de igualdade em a igualdade de alguns em algo; de alguns em tudo; de todos em algo; e de todos em tudo. Platão (427 a. C. – 347 a.C) consegue seduzir os arautos da igualdade com a República, apesar de propor a igualdade de alguns (os filósofos governantes) em tudo, com base em um critério estritamente meritocrático. Outros defendem a igualdade de todos em tudo, situação que afastaria a proporcionalidade das necessidades especiais, a meritocracia e o que mais houver, inclusive aspectos aleatórios.

Há também os que propugnam pela igualdade de alguns em algo, em homenagem a proporcionalidade na forma das aludidas necessidades especiais e da meritocracia, da conduta pessoal na forma de virtù e da fortuna lembradas por Maquiavel (1469 – 1527). Finalmente existem as democracias do mundo real, na qual a igualdade de todos em algo está posta, como a obrigação de se submeter às leis, ainda que a exigibilidade de tal obrigação sofra deformações na ocasião da execução das normas estatuídas.

Parece que os simples ou iletrados, havidos como “idiotas” e “estúpidos”, são menos iguais, para alguns defensores da igualdade. Rubem Alves (1933 – 2014), quando das jornadas de junho de 2013, disse francamente que o monstro havia despertado e isso lhe dava medo. Quem era o monstro? Os cidadãos não arregimentados, não arrebanhados pelos vaqueiros da boiada cidadã, situados fora do controle dos diretores de consciência.

Mas não somos todos tolerantes e identificados com o lema paz e amor? Sim, mas nem tanto. Intolerante é sempre o outro. Nós queremos impor uma mudança cultural, verdadeira aculturação, porque somos mais iguais, somos mais conscientes, embora a axiologia não seja uma ciência exata e nem sequer seja ciência. Somos mais iguais por sermos superiores intelectualmente (meritocracia?) e moralmente (será mesmo?).


sábado, 17 de novembro de 2018

NOTA JORNALÍSTICA - Nota do Jornal O Povo (CB)








ARTIGO - A causa das "Jornadas de Junho" (RV)


A CAUSA DAS
“JORNADAS DE JUNHO ”
FINALMENTE REVELADA


Nas chamadas “jornadas de junho”, em 2013 – quando o povo brasileiro saiu às ruas, de repente, em massa, fazendo um protesto difuso e inespecífico – a ACLJ promoveu dois fóruns de debates, o primeiro na Fiec, o segundo na Unifor, reunindo estudantes, sociólogos, jornalistas e políticos locais, para discutir sobre aquele fenômeno inusitado.

O que era aquilo? O resultado dos dois fóruns foi absolutamente inconclusivo. Ninguém tinha uma ideia exata do que estava acontecendo, nenhuma análise lógica, nenhuma teoria satisfatória apareceu para explicar aquela convulsão, espontânea e apartidária, cujo estopim foi uma pequena majoração no preço das passagens de ônibus na Cidade de São Paulo.

A partir desse pretexto, passeatas enormes se formaram em todo o País, manifestando revolta real sobre fatos obscuros, exibindo clara insatisfação com as mais várias circunstâncias ou com toda a conjuntura nacional. A princípio de forma ordeira, depois degringolando para a baderna, o vandalismo, a violência, o quebra-quebra.

Corria o governo Dilma Rousseff, que conseguiu se reeditar mediante flagrante estelionato eleitoral, para ruir logo em seguida, obrigado a passar o cetro ao seu insuspeitado “filho Brutus”, que veio de déu em déu, tentando ficar sobre as próprias pernas, porém sem êxito, sofrendo ataques ferozes de todo o “sistema” corrompido.

Naquele processo de impeachment, e neste período de mandato tampão, magistrados supremos, falsos paladinos da justiça, empresários portentosos, políticos até então impolutos no conceito popular, apareceram nus de dignidade, despidos de espírito público, vestidos de parcialidade fisiológica, alguns em listras de presidiários, rotos e esfarrapados agentes do mais devasso “mundo cão”.

Finalmente, nestas eleições gerais de outubro, vieram a furo e se revelaram as razões das “jornadas de junho”, agora e somente agora, com a vitória de Jair Bolsonaro e a derrota dos “bezerros de ouro” da política nacional. Venceu a causa tácita das tais jornadas: o fim da velha política, a morte do sistema arcaico, em prol da real vontade do povo, diretamente manifestada pelas redes sociais.

De nada adiantaram o derrame de verbas públicas, as manobras espúrias, os conchavos por espaço desigual de propaganda na mídia eletrônica tradicional, a facada no candidato, as fake news, as ameaças, as tentativas de captação de sufrágio por meio de promessas demagógicas. Nada disso funcionaria mais. E nunca mais vai funcionar.

A eleição de Bolsonaro ao Palácio do Planalto, e de seus apoiadores a Governos de Estados e ao Parlamento Nacional, é a derrocada da “pós-verdade”  (de esquerda e de  direita), da depravação dos costumes (que fez derruir o Império Romano),  enfim, da falsa verdade popularmente difundida ou oficialmente consagrada.

Inverdades que se costumavam impor ao povo por meio de reputações manipuladas, de mitológicos preceitos “politicamente corretos”, de ademanes dos punhos de renda da política nacional. Tudo isso acabou. E o choro e ranger de dentes que ainda se escutam são apenas estertores de resistência dos carcomidos conceitos moribundos.

Em virtude dos descaminhos dos últimos governos, o Brasil vive neste momento uma crise geral sem precedentes – máquina pública inchada, déficit fiscal e previdenciário, desequilíbrio financeiro, desinvestimento, saúde pública fragilizada, descrédito internacional, desemprego, criminalidade descontrolada – de modo que será hercúlea a tarefa do Governo Bolsonaro, que mesmo não prosperando terá inaugurado uma nova realidade.

O sistema penal, as Forças Armadas, as Santas Casas de Misericórdia, as universidades públicas, os museus, os teatros, os centros de estudos e pesquisas – tudo deficitário ou até sucateado. Somente prosperam as “orcrim's”,  a arte popular menor, o tráfico de drogas, a grande imprensa marrom, a corrupção e a violência no futebol, pelos cartolas desonestos e pelas ditas “torcidas organizadas”.

O Supremo Tribunal Federal (última esperança que morre) se encontra desacreditado, em face dos dislates jurídicos que tem protagonizado. Resta a confiança do povo nas Forças Armadas, no Ministério Público (pós Janot e Miller), nos juízos de primeira instância e nos tribunais ordinários da Justiça Federal  – e, em última instância, na justiça superior pela clava mística de Deus Pai.