quarta-feira, 26 de agosto de 2015

CRÔNICA - Parece Castigo (RV)

PARECE CASTIGO
Reginaldo Vasconcelos*

Havia uma mendiga em Fortaleza, lá pelos anos 70, a qual toda a cidade conhecia, pelo método que ela adotava para enriquecer a sua féria de pedinte.

Cabocla clara, talvez quarentona, sempre de vestido enfestado, suas formas roliças não denunciavam miséria absoluta, de modo que não se enquadraria ela no célebre poema Verso e Reverso, de Padre Antônio Tomás:

Essa mulher de face escaveirada / que vês tremendo em ânsias de fadiga / estendendo a quem passa a mão mirrada / foi meretriz antes de ser mendiga”.

No caso, a  criatura parecia não haver atingido o “reverso” a que a poesia se refere, pois em querendo ainda tinha saúde para militar na mais antiga profissão, sem tremor de fadiga nem fisionomia de caveira.

Pelo contrário, ela sentava-se na calçada, recostada na fachada de uma loja, e fazia um vigoroso alarido, clamando por uma moeda, por uma ajuda, apelando exageradamente à piedade dos passantes.

Quem chegava à Praça do Ferreira, por qualquer vertente, já ouvia a latomia pungente daquela mendiga, geralmente instalada entre a Leão do Sul e a Miscelânea, ou entre esta e o Salão Lord.

Não contente com as instâncias verbais chorosas, pedindo ajuda como se estivesse afogando, com uma das mãos ela segurava a barra das calças ou o tornozelo de quem lhe passasse mais próximo, enquanto estendia a outra em concha na direção do seu virtual esmoleiro.

Muitos censuravam a atitude de alguém de aparência sã, dotada de plena capacidade de trabalho, e que recorria à caridade pública por comodismo ou por preguiça. A grande ironia é que, certa feita, sentada no chão em sua função mendicante, na esquina da Farmácia Teodorico, um veículo envolveu-se em acidente, no cruzamento das ruas, subiu a calçada e lhe decepou uma das pernas.

Após receber alta da Santa Casa de Misericórdia ela voltou a pedir esmolas, agora exibindo uma real mutilação incapacitante, para enfim justificar a mendicância, sem mais carecer de tanta súplica.

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Deu-se muito parecido com a Presidente Dilma Rousseff nesta sua crise de governo, quando ela recorreu à uma imaginária conjuntura mundial adversa para explicar os efeitos de sua incúria e seus desmandos na economia brasileira.

Na verdade, o drama econômico sistêmico internacional aconteceu em 2008, causado pelo desequilíbrio financeiro americano, após o ataque às Torres Gêmeas e as consequentes guerras no Islã.

Na época, o então presidente Lula da Silva declarou que aquele tsunami na economia do Primeiro Mundo chegaria ao Brasil como uma tênue “marolinha”, o que até se confirmou, à medida que tudo se normalizou rapidamente.

Agora, revelado o estado gravíssimo em que se encontram as nossas empresas estatais, sangradas em bilhões de reais durante a administração petista para o financiamento de campanhas, com o enriquecimento ilícito dos executivos envolvidos, Dilma resolveu culpar pela sua desídia a velha “marolinha” ocorrida há sete anos.

Então, como aconteceu com aquela mendiga cearense, a justiça divina parece lhe puniu pela blasfêmia. Sobreveio esta semana a explosão da bolha da economia chinesa, ameaçando de crash todas as Bolsas de Valores. Agora tudo ficará ainda pior, e doravante a Presidente poderá dizer, com alguma verdade, que o agravamento da nossa desgraça vem de fora. Parece castigo.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

ARTIGO - A Seca (RMR)

A SECA
Rui Martinho Rodrigues*

O centenário da seca do quinze é um ano de seca. Não temos o deslocamento de populações; epidemias; saques de cidades e outras tragédias que acompanhavam os anos de baixa pluviosidade.

A população rural já não migra. Extinguiu-se. Moradores das fazendas mudaram-se para as cidades. Não temos economia rural. A cotonicultura acabou e não foi substituída, como a carnaúba e a oiticica. A pecuária ficou reduzida a uma proporção diminuta.

As epidemias desapareceram por falta das grandes migrações de flagelados que propiciavam doenças extintas pela imunização e demais fatores ligados à modernidade.

O comércio movimenta negócios conforme o pagamento dos servidores públicos e dos programas de assistência social. Estes não sofrem alteração nos anos secos. Os carros pipa mitigaram o desabastecimento d’água.

As velhas obras contra os efeitos da secas deram algum resultado. O nosso semiárido apresenta a maior densidade demográfica entre os ambientes análogos em todo o mundo. A açudagem fixou populações, inclusive originando cidades, como Orós, Banabuiú, Forquilhas. Cidades usam água de açudes, como Campos Sales abastecida pela barragem Poço da Pedra, Senador Pompeu pelo açude Patu. Fizeram-se açudes e estradas em tempos de seca, empregando a mão-de-obra desempregada pela estiagem.

Hoje não são criadas frentes de serviço de emergência, como eram chamadas as obras destinadas a oferecer emprego aos rurícolas sem roça, desempregados pela seca. A assistência social não oferece oportunidade de trabalho. O consumo proporcionado por tal forma de assistência se encerra nele mesmo. Não investe nem não prestigia a cultura do trabalho. Não restam açudes, nem poços, nem estradas após a seca.

A transposição do S. Francisco não veio. O custo comparado entre ela e a dessalinização nunca foi divulgado. Agora, com as grandes empreiteiras envolvidas na Lava Jato é improvável que a tal transposição aconteça, logo em época de ajuste fiscal. O turismo voltado para sexo e drogas, limitado pela sazonalidade, é a única novidade, depois que as culturas tradicionais desapareceram.

A irrigação sofre com a evaporação dos trópicos, que leva a água e deixa os sais, prejudicando o solo. A piscicultura nunca foi suficientemente explorada. O aumento de consumo do precioso líquido foi ocasionado pela urbanização, a chegada do automóvel, a multiplicação de piscinas e a disponibilidade fácil de água encanada. Os reservatórios tornam-se insuficientes. É preciso construir novos açudes e ampliar alguns dos já existentes. Mas não temos notícias de tal coisa.

As represas Castanheiro e Aurora, no rio Salgado, poderiam fazer grande parte do que a transposição do S. Francisco faria, por um custo muito menor. Construí-las ensejaria empregos, injeção de recursos com as indenizações e o fornecimento para as obras, além de permitir uma grande provisão do líquido que nos falta nas secas. Até o Fronteiras, que esteve prestes a ser iniciado, foi esquecido.


A crise, além de política, moral e política, é também uma crise de falta de planejamento.


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

ARTIGO - Trair e Coçar (RV)

TRAIR E COÇAR
(UM CONTRAPONTO ANTROPOLÓGICO)
Reginaldo Vasconcelos*


Embora racional, o homem é tão animal quanto os elefantes e os pinguins, que da mesma forma nascem, crescem, procriam e morrem.

E, como estes, as pessoas têm as pulsões instintivas que originalmente lhes serviam para a busca do alimento, a preservação da vida, a conquista de parceiros, o zelo da prole.

A faculdade da comunicação e o consequentemente  raciocínio reprimem os instintos, à medida que o ser humano se submete às crenças místicas, às normas jurídicas, às convenções da sociedade, em prol das boas relações entre as pessoas, a partir da experiência civilizatória acumulada.

Todavia, como tudo que é objeto de pressão se fluidifica e tende a vazar pelas brechas que encontrar, os comandos instintivos se esgueiram pelos esconsos da conduta humana, em forma de pecado e transgressão.

Acontece que na mais ampla classificação científica do reino animal o “bicho homem” é vertebrado, pulmonado, bípede, vivíparo, placentário, terrestre, mamífero, ubíquo, e... polígamo, como os lobos e os cavalos – e não monógamo, como os roedores e os pássaros.

A poligamia está intimamente relacionada com a evolução das espécies, inclusive a espécie humana, que a praticou durante milênios, da pré-história à idade média, quando os poderosos mantiveram haréns e serralhos.

O troglodita mais capaz tornava-se líder tribal, e então tinham direito a mais fêmeas, e às fêmeas melhores. Logicamente ele tinha mais filhos, e filhos melhores, e dessa forma os homens e mulheres mais fracos transmitiam sua genética muito menos.

Os párias se tinham de contentar com uma só mulher, de sua mesma casta, norma de conduta que terminou se generalizando na sociedade moderna, seja por força de lei ou por orientação religiosa, que impõe a monogamia universal, exceto em alguns países muçulmanos e africanos.   

Porém, alguns machos da espécie humana não conseguem controlar o impulso de conquistar novas parceiras e de obter variação sexual, mesmo amantíssimos da suas consortes, o que explica a manutenção da prostituição feminina e o adultério masculino.

Como os instintos operam de forma diversa nas fêmeas, movidas por outros hormônios, o adultério feminino tem etiologia própria. Diferentemente do homem, que trai ainda quando plenamente feliz com a companheira, a mulher somente o faz quando está insatisfeita física ou moralmente com o marido ou namorado.

É obvio que há homens e mulheres sexualmente mais frios e moralmente mais resistentes, de modo que esses conseguem vencer os apelos instintivos de trair, ainda quando a vida a dois esteja monótona, a sede sexual seja intensa e a tentação da oportunidade se insinue.


CRÔNICA - Pulando a Cerca (WI)

PULANDO A CERCA

Wilson Ibiapina*

"As coisas mais bonitas do mundo são os filhos da gente e as mulheres dos outros". A frase, do jornalista Rangel Cavalcante, serve para mostrar que o décimo mandamento “não cobiçar a mulher do próximo” está atualíssimo. E também para provar que desde que o mundo é mundo o homem e a mulher não conseguem dominar o instinto sexual. 

O cara tem uma mulher maravilhosa em casa, mas vai atrás da outra, até mais feia que a dele, por puro desejo, tara, sei lá o que. A verdade é que a traição está institucionalizada em todo o mundo. Existem no Brasil sites destinado aos que buscam pular a cerca com sigilo e discrição.

Em Brasília tem gente que especializou-se em relacionamento extraconjugal. Adora mulher casada, principalmente as dos amigos dele. Certa feita, um cidadão, vítima do conquistador, foi bater na casa de um amigo, no Lago Sul, tão logo descobriu que sua mulher estava de caso com o tal garanhão. Chegou e foi pedindo logo uma dose dupla de uísque. Aos prantos, desabafou: "Olha, minha mulher está me traindo com fulano. Juro que preferia que fosse com você".

O marido já sabia, também, que sua fogosa mulher já tinha passado no papo do confidente amigo.

Infidelidade é mais comum do que você pode pensar. O ator Marcos Caruso chegou a escrever a peça “Trair e Coçar, É Só Começar”. Volta e meia nos surpreendemos quando descobrimos que aquele vizinho com cara de inocente é um tremendo conquistador de mulheres comprometidas. As casadas são mais discretas, não se apaixonam com facilidade, são melhores para rápidas aventuras. É aí que mora o perigo. 

Um empresário cearense marcou um encontro com a mulher de um amigo dele. Ela estava no Rio e o marido dela em Fortaleza. Foram para um hotel em São Paulo. Coisa rápida, encontro de uma noite. Teria sido uma maravilha se ela não tivesse morrido de enfarte. Até hoje não sei como ele se explicou para o marido traído.

Há poucos dias, numa roda de vinho, num bar em Brasília, o assunto era aventura extraconjugal. Um dos presentes contou o sufoco que passou certa noite. Levou uma garota para o Hotel Eron. Por volta da meia noite resolveu ir para casa e a mulher pediu para ficar mais um pouco no hotel. Ele até providenciou mais uma garrafa de champanhe. Já em casa, começou a lembrar da história de um jornalista mineiro que morava no Rio. Ele deixou a garota de programa no hotel e foi para casa. No dia seguinte, ao chegar à redação, soube que ela tinha pulado do prédio. O cara de Brasília disse que entrou em pânico. Temendo que o caso se repetisse com ele, pegou o carro e foi direto para o Eron. Graças a Deus, a mulher já tinha ido embora.

Tem gente que adora contar seus casos. Contam suas traições como se fossem a maior aventura do mundo. Às vezes pinta arrependimento, mas aí, não tem mais jeito, traição é traição. Homens e mulheres traem na mesma proporção. Tem uns que, dependendo do traidor, até incentivam a mulher, pensando em recompensa, sei lá. O que não falta é corno manso.

Em Araxá, um fazendeiro que transava com a mulher do vaqueiro, foi surpreendido um dia com um pedido para uma conversa reservada. Armou-se de revólver e quase não acreditou no que o vaqueiro lhe disse: “Doutor, tenho certeza de que a Matilde está nos traindo”.

Existem pessoas que adotam a poligamia como estilo de vida. Adoram ter duas mulheres, como aquele deputado baiano que ficou viúvo. A amante toda alegre achou que iam casar. E ele, "se eu casar com você, vou ter que arranjar outra amante". Ela preferiu ficar no posto. 

Em Fortaleza, um cidadão setentão, que também ficou viúvo, ouviu a mulher com quem tinha um caso há mais de 30 anos fazer a proposta:

– E aí meu velho, agora  vamos casar?

– Quem vai querer nós, minha velha?...

Donde se conclui: amante é também um cabra descarado.


APRECIAÇÃO LITEROCIENTÍFICA - Estado e Educação no Brasil (VM)

ESTADO E EDUCAÇÃO
NO BRASIL
Vianney Mesquita*

Os potros mais rebeldes e ferozes transformam-se, uma vez domados, nos melhores cavalos. (TEMÍSTOCLES).



Em nova oportunidade, o leitor brasileiro, afeiçoado aos estudos acerca do Estado e da atividade educacional no País, prova da ocasião de manter contato com outro ensaio da advogada, pedagoga e docente da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Tânia Cristina Meira Garcia, pesquisadora de projeção nacional.

Com diplomas de pós-láurea lato e stricto sensu (mestra e doutora) no fertílimo solo das Ciências da Educação, faz-se a autora, cotidianamente, fiel depositária de um saber absolutamente atual, hajam vistas a reciclagem constante e a submissão intencional a programas acadêmicos de formação em serviço, fato a lhe conferir, no campo de análise escolhido para investigar, o status de autoridade e fonte terciária de consultas.

Com bastante satisfação, desde algum tempo, assisto a autora como parecerista ad hoc, no concernente à propriedade linguística e elocutória dos seus escritos, tal a vigilância devotada por ela no referente à boa comunicação com seus alunos e leitores, muitas vezes como operação desnecessária, pois, feita habílima articulista, observa as características principais do discurso universitário, às quais tributa a máxima deferência.

Ei-la, pois, em prossecução ao ofício acadêmico de produzir para aportar conhecimento, com o livro Estado e Educação no Brasil (1987-1996), onde deita idôneas compreensões a respeito das vinculações obrigacionais do Estado com seus nacionais, sob o pálio da Grande Lei de 1988 e, sub tegmini fagi infraconstitucional, indigita equívocos e, a igual tempo, designa correção de decurso nos projetos e programas de Educação como direito do cidadão e múnus do Ser Estatal, nomeadamente na parte executora atinente às quatro esferas administrativas – União, Estados-Membros, Distrito Federal e municípios.

Toda esta configuração entre Ente Estatal-Educação, particularizando o interstício de dez anos empregado como linde da pesquisa, é esteada em nova e conforme bibliografia, a qual ajusta os diversos segmentos da investigação, ao passo que, tempestivamente, retifica as conceições da autora no concernente a este momentoso e preeminente tema.

Obra de qualidade e vulto intelectual – versando o consórcio de saberes respeitantes a Estado-Educação no Brasil e assentados em radicais históricos professoralmente indicados no escrito – significa acrescentamento qualiquantitativo às referências publicadas relativamente ao assunto no País.

De tal maneira, a expectativa é de que ocorram sua divulgação e leitura atentiva por parte dos consulentes da matéria, bem como que esta seja aprofundada e até reparada por outros investigadores, atraídos e emulados a cuidar de tão instigante substância didática.


domingo, 23 de agosto de 2015

POEMA - Etapas (CF)

ETAPAS
Concita Farias*


O botão de rosa
Fechado,
Concentrado
Em si mesmo,
É meditação.

A rosa desabrochada
Aberta para o vento,
Aberta para o tempo,
É contemplação.

Quando a rosa
Perde o vigor,
E fenece,
É sublimação!


07/09/2011


NOTÍCIAS - Notas do Diário do Nordeste (CB)


Enviado por Cássio Borges*



CRÔNICA - A Elegância do Chapéu (WI)



A ELEGÂNCIA DO CHAPÉU

Wilson Ibiapina*

Pegue um retrato do início do século passado e vai ver que as pessoas, homens e mulheres, estão todos de chapéu. Do rico ao pobre, do menino ao velho. Como todos ficavam elegantes!

A moda desapareceu quando eu comecei a gostar de usar chapéu. Numa viagem que fiz ao exterior nos anos 90, com um grupo de jornalistas, todos usávamos uma proteção na cabeça  bonés, gorros, por causa do frio. 

Mas,  dois desses companheiros – Pedro Rogério e Jorginho Costa Neves – usavam chapéus-coco, de feltro, forrados e com aquela faixa de couro perto da borda, chamada de "carneira", que serve de proteção contra suor da cabeça. Caros. Hoje então, porque raros, mais caros ainda. 



Pedro Rogério
 com seu tradicional chapéu
Depois da viagem, Pedro Rogério me deu de presente o chapéu que ganhara do pai, Vivaldi Moreira. Isso me motivou e comecei a comprar chapéus por onde passava. Depois ele pegou o dele de volta, mas minha coleção já estava formada. Coleciono também bonés, gorros, sombreiros mexicanos e akubras australianos, que é o chapéu de pelo de coelho. Tenho de palha, de pano e de fibra de coqueiro. 

Não  lembro  de meu pai de chapéu,  mas meus avós, lá na Serra Grande, no Ceará, ainda usavam. Coronel Pedro Ferreira e major Moises Aarão Ibiapina (ambos da Guarda Nacional) cobriam a cabeça com chapéus de massa de abas curtas e longas.

  Minha coleção de chapéus 
O chapéu é usado desde os tempos primitivos para proteger a cabeça do Sol, do frio e da chuva. As intempéries climáticas continuam, mas o homem parou de usar chapéu. A vida moderna nas cidades deixa as pessoas menos expostas ao tempo. 


 Paulo Brossard 
Aqui em Brasília, os últimos políticos a guardar seus chapéus na Chapelaria do Congresso Nacional foram o gaúcho Paulo Brossard e o piauiense Flávio Marcílio. Pelas ruas da Capital, quando faz frio ou muito calor, ainda encontro Pedro Rogério e Jorginho Costa Neves com os chapéus herdados dos país. Carlos Henrique de Almeida Santos imita o pai dele e os dois  podem ser vistos de chapéu ou boina. 

Até hoje há formatos de chapéus que marcam seus usuários. Não precisa descrever, basta dizer o nome que você lembra o estilo, tipo chapéu Santos Dumont, Fernando Pessoa, Napoleão Bonaparte, Lampião, Indiana Jones ou Chapeuzinho Vermelho. 

É de tirar o chapéu para essa moda que deixava as pessoas elegantes e protegidas. Hoje, apesar de fora de moda, continuo usando chapéu. Só tiro na igreja,  quando ouço o hino nacional ou quando estou diante de uma dama.


Jornalistas Lúcia Fernandes
e Manuela Castro
Em Lisboa, com Ana Maria, 
Edilma, Jeferson e Jorge Oliveira


*Wilson Ibiapina
Jornalista
Diretor da Sucursal do Sistema Verdes Mares 
de Comunicação em Brasília - DF
Titular da Cadeira de nº 39 da ACLJ

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

NOTA JORNALÍSTICA - Antônio Albuquerque Lança Livro

ANTÔNIO ALBUQUERQUE
LANÇA LIVRO


O  agrônomo Antônio de Albuquerque Sousa Filho foi Secretário de Educação do Estado e de Ensino do Ministério da Cultura no passado, e ostenta largo currículo acadêmico e administrativo no campo das ciências agrárias, inclusive com passagem por universidades estrangeiras.

Ele, que é imortal da Academia Cearense de Ciências, e que concluiu a carreira na função de Reitor da Universidade Federal do Ceará, narra, em um segundo livro memorialístico de saborosíssima leitura, toda a sua saga pessoal pelas repartições do Brasil, e pelos sertões nos quais prestou serviço de campo na sua agronomia.

Ele conta desde quando saiu da sua primeira graduação na faculdade e adentrou pelos empregos públicos, deixando em casa ou levando consigo para os locais de lotação a jovem esposa Marlene, ela com quem construiu uma prole de varões, tendo uma somente exceção feminina entre os irmãos – Paulo Antônio, Newton, Beatriz e Alexandre.  

O concorrido lançamento da obra “Vivências de um Profissional”, de 268 páginas, editado pela Impressora do Ceará (Imprece), aconteceu nos salões do clube Náutico, na noite de ontem, 21 de agosto de 2015, sob a batuta cerimonial impecável do jornalista Vicente Alencar, amigo in pectore de Albuquerque.

A solenidade se revestiu de graça especial quando o escritor fez uma longa descrição oral da obra nova, brindando os que compareceram àquela noite de autógrafos com o privilégio de ouvir, na voz do próprio protagonista, detalhes bem-humorados de muitos dos relatos que no livro se contêm. 



O livro teve projeto do impagável capista e artista gráfico Prof. Geraldo Jesuíno da Costa, membro titular da ACLJ, e teve como mestre de cerimônia do seu lançamento Vicente Alencar, também acelejano.

Com o agrônomo e poeta da ACLJ Paulo Ximenes entre os convidados (ex-aluno do Prof. Albuquerque), o evento contou ainda, na sua mesa de honra, com as presenças do nosso Presidente Emérito, Prof. Dr. Rui Martinho Rodrigues, e do Presidente em Exercício, o jornalista e advogado Reginaldo Vasconcelos, que em nome da entidade fez uma rápida saudação ao escritor.

      

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ARTIGO - A Esquizofrenia Brasileira (RV)


A ESQUIZOFRENIA BRASILEIRA
Reginaldo Vasconcelos*


Já houve protestos de entidades médicas politicamente corretas contra a aplicação do adjetivo “esquizofrênico” como recurso de linguagem. Para eles, precisam-se respeitar as vítimas dessa patologia psíquica, em vez de ridicularizar sua condição, usando metáforas descabidas.

Besteira. O que marca a esquizofrenia é a contorção da lógica que o doente manifesta, a composição de uma realidade da qual pode fazer parte o irreal – na verdade o surrealismo de seu pensamento e de seus atos – tudo isso encaixado em uma falsa aparência de higidez e harmonia. E nada proíbe que certas circunstâncias da vida sejam tratadas de esquizofrênicas, quando a sua estrutura fática tenha tais características.

Por exemplo, a esquerda brasileira vive neste momento uma conduta esquizofrênica, quando defende o governo petista, protestando veementemente contra as suas diretrizes. E quando brada por democracia, enquanto se mantém aliada a ditaduras mundo afora – na Ásia, na África, nas Américas. Somente Salvador Dali poderia conceber um quadro assim.

Dilma jogou o País no caos absoluto, com sua administração desastrada, mas os seus partidários dizem, de forma esquizofrênica, que a culpa da crise é do resto do mundo, cujos problemas não têm nada a ver conosco – e até do outro mundo, porque São Pedro manda chuva demais, ou porque nos impõe uma estiagem – como se essas não fossem apenas circunstâncias adversas previsíveis, para as quais o País deveria ter se prevenido e precatado, se houvesse vida inteligente no Planalto.

Não. Na verdade, a causa da crise é a política externa equivocada, com foco em cupincharia ideológica; é a subversão da economia nacional, com vistas à manutenção de um projeto de poder; é a prioridade à indigente “agricultura familiar”, em detrimento da agroindústria, esta, sim, meio de produção de empregos, de impostos, de divisas, de riqueza.

Enfim, a causa da nossa miséria é a inversão de valores que o governo praticou, premiando a isegoria, em vez de buscar a isonomia e a isotimia. Significa dizer que não vigorou em suas políticas a valorização do maior mérito, nem da igualdade geral perante a lei, mas apenas da força da massa ignara votante, o que é uma distorção do sentido de democracia e de república.

O partido político do Governo tem seus expoentes máximos e seus tesoureiros condenados e presos por improbidade indefensável, e assim mesmo a sigla continua arrotando honradez e honestidade, se dizendo vítima de elites brancas, de perseguição da imprensa livre e daqueles (milhões) que não se conformam com a ascensão de um operário à Presidência da República.

Mentira. Repete-se com insistência que pedra não é pedra e que pau não é pau, contra toda a evidência, para iludir as miríades de cegos de saber e de aleijados morais que se difundem pela massa, na presunção de que a mentira possa afinal se impor e prosperar contra a verdade, segundo acreditava o nazista Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Hitler, o qual, enfim, com essa tese, se inseriu na galeria histórica dos maiores idiotas do Universo.      

Defendem também os áulicos do Inri Cristo petista que a partir de seu primeiro governo milhões de pobres adentraram a classe média, quando na verdade estes apenas se tornaram reféns de sextas básicas e de bolsas famílias, em estado “nem-nem”, portanto sem trabalhar nem estudar – contanto que mantenham o partido no poder votando nele, para que seus caciques fiquem ricos, e enriqueçam os filhos, estes sim, exemplos de excepcional mobilidade social.

Dilma e a escola de samba Unidos do Absurdo dizem que falar em impeachment nesta hora seria “golpismo”, e hasteiam a bandeira da democracia em sua defesa. Na verdade, a impugnação de um mandato presidencial por crime de responsabilidade é expressamente prevista na Constituição Federal, e portanto nada tem a ver com golpe político, nem com “terceiro turno” eleitoral, e portanto não fere a democracia nem de longe.

O impeachment de Dilma é uma possibilidade legítima e real, e nós temos precedente  recente, de quando Fernando Collor foi afastado da presidência, de forma institucional e republicana.  O processo contra a Dilma será instaurado logo que o Tribunal de Contas da União anuncie o trânsito em julgado da sua sentença por crime de fraude fiscal, as tais “pedaladas”, já perfeitamente configurado contra ela.

A conduta ilícita da Presidente já foi confirmada pelos fatos, de modo que o tempo cedido à sua defesa corresponde apenas a uma prerrogativa formal, considerando-se a possibilidade hipotética de que ela apresente alguma circunstância "excludente de ilicitude". Mas isso é quase impossível, pois na verdade o objetivo das pedaladas foi meramente eleitoreiro, visando iludir a Nação, o que as qualifica pelo torpeza do motivo. 

Não vigora o argumento defensivo de que outros praticaram peladas fiscais impunemente no passado, porque um erro não justifica outro. Não fosse assim, o precedente de Jack o Estripador elidiria a culpa do Chico Picadinho e do Maníaco do Parque. Não. Não é assim que funciona a ciência criminal.  

Porém, como Lula da Silva, o grande mentor do partido, ainda continua incólume em sua blindagem, enquanto se denuncia o Deputado desafeto Eduardo Cunha, poupando-se até agora o Senador que apoia o Governo, ambos inquinados no mesmo escândalo financeiro, não se pode esperar coerência dos tribunais e de outros estamentos judiciários do País. Pode ser que continuem a derreter relógios e a produzir elefantes voadores.  

Daí dizer-se do exotismo deste Brasil do carnaval, em que há padres agnósticos, magnatas comunistas, prostitutas orgásticas e bandidos federais. Que Deus se apiade de nossas almas!