sábado, 21 de setembro de 2024

NOTA ACADÊMICA - A Despedida do Poeta Paulo Ximenes

A ACLJ SE
DESPEDE DO
POETA
PAULO XIMENES







MISSA DE 7º DIA
DA MORTE DE PAULO XIMENES
CAPELA DE SÃO PEDRO
PRAIA DE IRACEMA










DISCURSO

Antes de tudo, queremos agradecer ao Padre Virgínio pela generosa concessão de espaço na Santa Missa, nesta Capela de São Pedro, para prestarmos esta homenagem póstuma ao nosso confrade Paulo Ximenes, no sétimo dia da sua morte. 

Grande satisfação que nós sentimos pelo fato de que o Paulo, assim como eu, foi “iracemita”, ou seja, morador de Iracema, e ambos fomos também “iracemistas”, frequentadores deste especialíssimo bairro da cidade, quando ele ainda era menos dos turistas e mais nosso. E fomos ambos crismados neste altar. 

Inclusive, Padre, uma das últimas vontades expressadas pelo Paulo, por telefone, já muito combalido, foi de dar uma volta de carro comigo pela Praia de Iracema. Fui buscá-lo, mas então ele já se sentia indisposto, e desistiu desse passeio. 

Eu e a Liana, primogênita de Paulo e Carmem Lúcia, jovem Procuradora Federal, um dos orgulhos da família, considerávamos hoje, por telefone, que passado o período do nojo, do luto, superado o choque da mudança dele para os campos etéreos, o que nos assoma ao espírito é a felicidade de ter podido conviver com ele tantos anos – ela, particularmente, toda a sua vida até aqui. 

Assim, a partir de hoje, Paulo Ximenes continua sendo para todos nós sinônimo de alegria, embora o Pai Celeste haja resolvido libertá-lo da matéria já agora. Paulo fazia tanto análise de teses filosóficas sérias, como relatos de histórias engraçadas. Ele era música, era poesia, era festa, era carnaval – e não há razão para deixar de sê-lo,  na nossa lembrança, no nosso afeto, nas nossas conversas. 

Mas, vou replicar aqui o que disse na missa de corpo presente, ainda muito magoado com o infausto, porque o texto é peça literária, que, como as preces, os poemas e as canções, produtos do sentimento refinado, da emoção e não da razão, devem ser registradas e reiteradas sempre que houver motivo para dizê-las, e corações para escutá-las.  

Disse eu então:

Nascemos para nos afeiçoar a um grupo de pessoas, metade das quais vamos perdendo, e a nós, nos perderá a outra metade. 

O Paulo não era o Paulo, tão-somente; o Paulo éramos nós, a nossa turma de juventude; os membros da nossa Academia de Letras.  

Portanto, a sua morte nos mutila. Produz uma ablação no campo existencial da minha pessoa. 

Ele não morre sozinho. Com ele, nós morremos um pouco. No meu caso, morro muito. 

Ele testifica agora o abismo que já devorou o Ricardo, irmão dele, e o Arcoverde, nosso amigo fraterno. 

Sim, o meu patrimônio afetivo tem sido muito desfalcado ultimamente pela morte, produzindo um resignado sofrimento. 

Mas o Paulo pertencia ao mesmo pelotão filosófico que componho, e, morrendo, ele leva a metade do mapa vivencial que desenhávamos. 

Que fazer agora das lembranças comuns, da poesia, da boa música, da boa mesa, das namorices, dos carnavais, da memória preciosa das aventuras que vivemos quando rapazes? 

Apenas conforta lembrar que para onde ele partiu de inopino, todos nós também iremos, mais cedo ou mais tarde, e lá certamente retomaremos a nossa velha parceria, sempre imbuídos dos mais nobres sentimentos e dos projetos mais edificantes. Que Deus o tenha, na sua imortalidade literária. Que Deus o guarde. 

Lavivá!


Reginaldo Vasconcelos

sábado, 14 de setembro de 2024

NOTA FÚNEBRE - Faleceu Paulo Ximenes

ACLJ DE LUTO

FALECEU
PAULO XIMENES
14.09.2024

 


Faleceu, no início da tarde deste 14 de setembro de 2024, o acadêmico Paulo Ximenes, aos 74 anos, Membro Titular Fundador da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, um intelectual refinado, bom desenhista, inspirado poeta, musicófilo apaixonado, fervoroso patriota. 

Paulo, agrônomo de formação, servidor veterano do Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace), foi surpreendido no começo deste ano pelo diagnóstico de câncer hepático, em estado avançado, contra o qual lutou com todos os recursos de que dispunha a medicina, mas que não foi possível debelar. 

O confrade deixa viúva a consorte Carmem Lúcia, além dos filhos Liana, Artur e Gustavo. O seu passamento enluta toda a nossa grei, que fica desfalcada de um dos seus mais dedicados Árcades. Dos etéreos campos divinais para onde o seu espírito se transfere certamente emanará eflúvios de fraternidade e de luz moral para a nossa confraria.




ARTIGO - A Venezuela e Um Estudo de Caso

A VENEZUELA
E UM
ESTUDO DE CASO
Rui Martinho Rodrigues*

 

Considerações preliminares 

Estudo de caso, como metodologia de pesquisa, permite o aprofundamento da investigação ao limitar o campo de observação. Exige clareza quanto aos limites do campo, o fenômeno em exame, objetivos, fontes selecionadas conforme Fábio Appolinário, na obra Dicionário de Metodologia Científica. Enseja cotejo com casos análogos. Um ensaio de poucas linhas não equivale a um relatório de pesquisa. Uma reflexão, porém, inspirada na metodologia citada, é uma tentação. Oscar Wilde (1854 – 1900) dizia que a melhor maneira de enfrentar uma tentação é entregando-se a ela, pensamento válido para algumas escolhas, como refletir, de forma semelhante a um estudo de caso, sobre a situação da Venezuela.

A História Comparada (J. D’Adassunção Barros 1957 – vivo) é uma polifonia com vozes voltadas para as bases sociológicas da compreensão do passado; outras cotejando civilizações; modos de produção; problemas ou totalidades. Estudo de caso serve para comparações. A Venezuela oferece, por comparação, lições da deusa Clio. 

Paul Veyne (1930 – 1922), na obra Como se Escreve a História e Foucault Revoluciona a História, diz que a reflexão Histórica procura discernir a verdade, diversamente do romance, que se preocupa com outros aspectos, como a beleza. Nós acrescentaríamos que a distinção é necessária porque ambas as formas de expressão reúnem, em um relato, ambientes, personagens e enredo. 

O paraíso terrestre 

A verdade, nos processos judiciais, é adjetivada como processual, o que está nos autos. Mas no processo penal, prevalece a verdade real ou dos fatos. Na pesquisa histórica a “verdade processual” tem fundamento nas fontes históricas. Vejamos o que dizem tais fontes sobre a situação da Venezuela, usando os fatos públicos e notórios. 

A ideia de um Estado provedor tornou-se hegemônica. Reafirmada na Venezuela, nos anos de riqueza do petróleo, quando todos tinham direito a tudo sem pagar, entendido tal direito como norma assecuratória. Transporte público; eletricidade; água e esgoto eram gratuitos. 

Inquilinos, por prodigalidade do Leviatã, deixaram de pagar alugueis. Foi um sucesso eleitoral. Os “beneficiados” não deram crédito a Milton Friedman (1912 – 2006), para quem não existe almoço sem uma conta. A cobrança chegou acompanhada do arrependimento. Era tarde, porque é possível votar para entrar nas ditaduras, não para sair delas. 

A queda do preço do petróleo foi responsabilizada pelo desastre, junto com as sanções econômicas impostas pelos EUA. O Irã também tem no petróleo a sua principal fonte de renda, sofreu sanções, mas não teve uma crise econômica tão grave, apesar de ter despesas militares pesadíssimas. 

Outros países exportadores de petróleo não sofreram tanto com a desvalorização do ouro negro. Não sofreram embargos econômicos, mas têm orçamentos de defesa onerosos e não tiveram colapso econômico. A Venezuela colapsou. A fome expulsou mais de vinte por cento da população do país. A criminalidade e a violência do Estado contribuíram para a diáspora. Novamente lembrando Friedman, quem troca a liberdade pela promessa de bem-estar perde as duas coisas. 

A conquista do Estado começou| pelo domínio das ideias. A passividade dos professores – e o despreparo – permitiu às gerações que chegavam substituir o ensino por proselitismo. Os empresários, por sua vez, não entenderam que a propaganda ideológica fantasiada de proteção dos pobres levaria ao totalitarismo. 

A miséria e opressão do povo tornou-se irrelevante para os poderosos. A cegueira dos paradigmas, de que fala Thomas Kuhn (1922 – 1996), na obra A estrutura das revoluções científicas, explica, em parte, a rendição ideológica das elites e do povo. 

O desejo de conquistar audiência tornou atraente dizer que todos os direitos são garantias; o desfrute dos bens e serviços não precisa de contrapartida; o esforço e a superação das dificuldades são desnecessários. Não mencionar produtividade, custos e recursos limitados e reserva do possível são omissões obrigatórias. 

A irrelevância do povo 

Amigos e parentes dos poderosos foram alcançados pela tragédia. Mas isso não sensibilizou a nomenklatura. Não se trata só dos altos dirigentes. O Estado profundo, formado por escribas, empresários, políticos, militares do oficialato superior e do generalato; intelectuais; serviços de inteligência e artistas influenciam e até governam agindo nas sombras. 

Hegemonia ideológica é ortodoxia imposta pela guerra cultural, conforme Antonio Gramsci (1891 – 1937) na obra Os intelectuais e a organização da cultura; Louis Althusser (1918 – 1990), na obra Ideologia e aparelhos ideológicos de Estado; e a vasta produção da Escola de Frankfurt. A guerra cultural até há pouco era travada por um lado só. Basta examinar produção intelectual e a indústria cultural. As universidades do mundo ocidental foram, em sua maioria, dominadas. 

O controle eleitoral 

O processo eleitoral é exercido pelo Conselho Nacional Eleitoral, que é dos cinco poderes independentes do país, juntamente com o Judiciário. O povo foi desarmado e ficou indefeso diante dos “coletivos”, facções armadas, encarregadas da repressão sangrenta. Esta é a situação na Venezuela. 

O narcotráfico violento e rico faz parte do jogo. As promoções políticas dos militares e os negócios lucrativos entregues a eles são muralhas da ditadura venezuelana. A brecha na panóplia foi o voto auditável. Ato político, o voto deve ser secreto. A sua apuração, porém, é um ato administrativo submetido ao princípio da publicidade. A ditadura, não obstante, não teve o cuidado de considerar tal coisa como antidemocrática. Não foi diligente.

sábado, 24 de agosto de 2024

NOTA CULTURAL - "A Vida Como Obra de Arte".


 BETO E ANA STUDART
PATROCINAM A BIOGRAFIA
DE
LÚCIO BRASILEIRO 
 
E
RECEBEM AMIGOS COMUNS
PARA A NOITE DE AUTÓGRAFOS
DO LIVRO
“A VIDA COMO OBRA DE ARTE”

ORGANIZADO POR 
REGINALDO VASCONCELOS
DA
ACADEMIA CEARENSE
DE
LITERATURA E JORNALISMO














Imagens: Cira Leona Produções


VÍDEO COMPLETO
ACIONE O LINK ABAIXO



Vídeo: Cira Leona Produções

Praça BS - Fortaleza - 13.08.2024 


sexta-feira, 23 de agosto de 2024

RESENHA - Eutimia (VM)

 EUTIMIA
Vianney Mesquita*

 

Malgrado nos tenhamos reformado, há alguns anos e por tempo de serviço formal (emprego), vemo-nos de braços com mil quefazeres, na informalidade, no cuidado com as leituras e outras res do espírito, de maneira que, após alguns anos de publicado, somente agora tivemos o lance de nos deliciar com ler, sob vagar e meditação desvelada, Eutimia – o Segredo da Felicidade Essencial.

Desta feita, entretanto, ainda nos não impendeu comentar no que toca ao cerne teorético do livro, o qual detém nos seus haveres o pormenor da disrupção, porque interrompe o curso normal dos seus entendimentos, entrelaçando as compreensões, razão por que, sendo, assim, afeito à contra intuição, não agrada à pluralidade dos leitores, conforme atesta o autor. 

Nosso propósito, neste passo, resulta em fazer remissões ao Escritor, por quem detemos admiração muito singular, deixando remansar para lance posterior os comentários atinentes aos teores de Eutimia. 


Convém, todavia, de saída, atentar para a noção de que, no raciocínio do próprio R.V., a obra desagrada os agnósticos pelo fato de acatar o espiritualismo, enquanto os espiritualistas não se aprazem com sua obliquidade cientificista, exempli gratia, por não considerar a fé como algo místico, mas feita ocorrência saudável e necessária. Seus entendimentos insertam as Escrituras configuradas na elevada sabedoria, não expressas, porém, como simples revelação extraterrena. Algumas outras razões subsistem, pois, para inserção, a posteriori, em prováveis exegeses pelos meios para difusão maciça. 

Decidimos perfilhar como bordão, em tudo aquilo que nos é dado referir ou deixar de o fazer, quando impraticável, o anexim de procedência helena – Sapateiro, não passe do calçado! – correspondente na língua do Lacio à dicção Ne, sutor, ultra crepidam! 

Na informação extraída do Lello Universal – Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro (Porto, 1983: 568), dita expressão, transposta para o latim, tem assento na obra História Natural, 35-36, do naturalista romano Caio Plínio Segundo, o Antigo (79 d. C), ao se reportar a um evento ocorrido com Apeles, o mais renomeado dos pintores da Hélade. 

Conforme a letra basta da História, Apeles, nascido em Cólofão, Lídia, teve existência no Séc. IV a. C, vivendo na casa de Alexandre Magno, de quem reproduziu retrato. Consoante retromencionada fonte librária, o Pintor se diferençou dos demais pelas cores brilhantes das figuras. 

Apeles era muito severo consigo. Aceitava sem se ofender qualquer crítica e até a provocava. Dizem que expunha seus quadros ao público, escondido atrás da tela, para ouvir as reflexões de cada qual. Certo dia, um sapateiro achou o que criticar na sandália de uma das figuras, representadas no quadro, e logo Apeles corrigiu o defeito. No dia seguinte, aquele chumeco audacioso entendeu que lhe era dado criticar igualmente outras partes do quadro, mas Apeles saiu do seu esconderijo e disse: – Não vá o sapateiro além da chinela. (IDEM, IBIDEM). 

Eis que, então, acedemos de imediato ao aconselhamento do Artista, referido por Plínio, o Antigo, pois não é cometido a quem não conhece enunciar opiniões em ultrapassagem aos chinelos do sapateiro apelesano. Assim acontece porque conceitos deste modo emitidos, sem substrato na verdade, recorrentemente, conduzem o leitor a penetrar a falácia e reproduzi-la por via da imensa força propagadora da comunicação massiva, exatamente em razão do despropósito do comunicador na transferência de mensagens de cujo teor não guarda certeza. 

Tal não intenta exprimir, porém, a ideia de que não haja lido e compreendido o conteúdo de Eutimia, absolutamente bem refletido pelo intelectual coestaduano Reginaldo Vasconcelos, senhor da facilidade de arrumar as palavras em todas as suas classes gramaticais e arranjos elocutórios e de quem somos admirante, desde a primeira vista d’olhos sobre um texto seu.

Consoante, muito apropriadamente, descreve o Dr. Arnaldo Santos, no antelóquio à Eutimia (Fortaleza: RDS Editora, 2013), o sentido de circunstância feliz da pessoa como destino da vida; a situação do ser humano e seus recontros; a realidade transcendental, considerando-se a relação das compreensões da atividade científica em seus decursos físico-químicos; bem assim a certeza da onipresença do Criador, configurado na Trindade Santíssima – entre outros temas saudáveis – constituem parte das abordagens do Autor de O passado não passa, agora também sob intelecções filosóficas acertadas e consistentes, a julgar pela clareza lógica com que explana suas certezas, postado (nós) na condição de imperito temático.

De acordo com o expresso nas obras lexicográficas de referência da língua portuguesa – e conforme o livro do Dr. Reginaldo ensina – em leitura livre, eutimia denota a exata tranquilidade espiritual, a sereníssima felicidade, conquanto tenham curso as intercorrências naturais da existência, como, num exemplo nosso, o advento inexorável da morte. Repisadamente, em situações vexatórias, estas fazem balançar o edifício eutímico, i. é, o endereço da pessoa feliz, embora, passada a borrasca, se retorne – após o lapso do nojo, o decurso penoso do luto – à circunstância de experimentação do bem-estar e da ventura. 

O étimo desse vocábulo é do grego euthumia/as = coragem, alegria, de eu = bom, bem + thumós/oú = sopro, princípio vital, alma, vida, ânimo. Seu inaugural registro em livro de referência sucedeu em 1836, com a grafia euthimia, conforme demarcam os lexicólogos Antônio Houaiss e Mauro de Sales Villar, no Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa (2001). 

Consoante se depreende da doutrina de Reginaldo Vasconcelos, quando cuida, entre outras ideias e com distintas palavras, de fé, paz, morte e condição ideal, a noção científica de eutimia está inserta na ciência psicológica e na psiquiatria médica, como limite de equilíbrio entre a distimia (humor perenemente baixo e sua feição mais intensa, a depressão maior), como da hipotonia, a qual denota a disposição de espírito constantemente elevada, com seu perfil mais intensivo – a mania. 

Constitui, por conseguinte, noutra interpretação conotativa, o objetivo da terapia das desordens de humor, como ciclotimia (ou psicose maníaco-depressiva) e transtorno bipolar, psicopatologias de cuidado da psiquiatria médica e da psicologia clínica, cujos limites – onde termina um destes saberes e começa o outro – não é simples estabelecer e até mesmo resta inviável precisar. 

Aportadas às sandálias do Pintor, estamos dispensado de prosperar com escólios mais demorados, em decorrência das razões há pouco manifestas, muito embora se expresse clara a ideia de que qualquer bom decodificador de escritos deste mérito está habilitado a adentrar com sucesso o assunto, louvado nos argumentos consentâneos do Autor e dos ensinamentos por este expendidos, porém fora dos domínios de seus consulentes, em especial, dos jejunos (como nós) em relação à matéria, sendo-lhes interdito deitar cátedra, até que se aprontem convenientemente para tal. 

Desta maneira – mesmo para não subtrair dos leitores o tempero da novidade trazida por Eutimia – eximimo-nos de prosseguir com notas relativas à nossa descodificação do teor do volume, porém devemos esposar o fato de que somos admirador do escritor Reginaldo Vasconcelos, pela facilidade de muito bem se expressar, quer em língua prosa ou noutros expedientes artísticos – como a poesia e a pintura, por exemplo – porquanto, para isso, se prontificou nos desvãos da procura do saber, de custosíssima apreensão – e disto só têm certeza aqueles que sabem. 

Efetivamente, o consideramos pessoa eclética, haja vista a variedade argumentativa coberta por suas apreciadíssimas crônicas, os poemas, artigos, ensaios, pinturas e outros gêneros de expressão literária e artística, onde se demonstra o analista percuciente, o cronista romântico, o pintor ideativo, o poeta eutímico, o epistológrafo atilado, interessante e alegre. Tal sucede até mesmo nos correios eletrônicos, os conhecidos e-mails, endereçados aos seus pares, quando sugerimos, quase sempre, transformá-los em escritos para socialização pelos meios de propagação coletiva, de alteada axiologia no modo como resultam, ao ponto de não deverem ir para a sarjeta e posterior recolha, feitos ciscos indignos, descartes desprezíveis, rejeitos inservíveis, pois, no nosso sentir, aproveitáveis são como material literário de prima essência e deleite de quem aprecia composições de significados tão singulares e estésicos. 

Tomamos tento, ainda, em deixar de ir avante, não apenas em obediência à parêmia romana de que cuidamos no começo destas notas, mas, também, como revelado há pouco, para não subtrair do público ledor em potencial o hors d’oeuvre, o prato de entrada, precedente do repasto principal, configurado no exame do recheio de Eutimia, mesmo ao esposar juízos de pessoa laica nesse sub-ramo do saber ordenado. 

Impõem-nos, por conseguinte, a responsabilidade e a ética de comunicador de que devamos transmitir o sentimento veraz de que o autor do volume sob relação é um escrevinhador fecundo e facundo, conhecedor dos recursos estilísticos da língua portuguesa e de sua gramática, com larguíssimos haveres morais e faculdades intelectivas, habilidades a lhe permitirem versar, exempli gratia, sobre matéria de sublime elevação, como ocorre ser esta repassada em Eutimia – o Segredo da Felicidade Essencial. 

Isto porque foi transitado por excelentes escolas formais, bem assim pelas ensinanças dos exercícios prescritos na vida diária, do que se aproveita para conceder aos seus bens artísticos os requisitos da certeza e da estesia composicionais, que sequestram o consultante do início ao termo das suas produções. 

Conforma, sem dúvida, para nós, um regozijo ter a ensancha de expressar contentamento por privar do comparecimento, em cátedra de sodalício, de pessoa de tal modo agraciada pelo Alto, que, ao jeito de Camões, cantando, espalha por toda parte, se a tanto o ajudam engenho e arte.