terça-feira, 19 de junho de 2018
ARTIGO - A Condução Coercitiva (RMR)
A CONDUÇÃO
COERCITIVA
Rui Martinho Rodrigues*
O STF declarou a inconstitucionalidade da
condução coercitiva. A polêmica em torno do tema tende ao exagero. Um lado
estranho: o STF levou trinta anos para descobrir a inconstitucionalidade. Parece
casuísmo. A impunidade seria beneficiada.
A medida considerada inconstitucional tem
previsão legal, sempre foi praticada, existe nas democracias e se um juiz pode
decretar prisão, medida mais gravosa, pode mandar conduzir coercitivamente,
medida menos gravosa. Os argumentos mais lembrados e de maior apelo popular são
a necessidade de combate à corrupção e de apoio popular aos procedimentos da persecução
penal.
Contrários alegam que a previsão legal se
destina apenas aos réus, exige que haja processo em curso, não se aplica aos
suspeitos ou investigados contra os quais não há processo, nem descumpriu
intimação ou dela se esquivou. Discutem, ainda, a espetacularização da ação
penal e o propósito de aplicação de pena de execração pública, sansão
inexistente no nosso ordenamento jurídico e expressamente proibida na CF/88. O
caráter de antecipação de pena, entrevista na medida, é outra crítica a ela
dirigida.
O STF pode exercer controle repressivo de
constitucionalidade, legislando negativamente, retirando a medida do
ordenamento jurídico. A demora para tanto, de trinta anos, é suspeita quando o
mundo político está sob ameaça de condenação penal. Os corruptos não terão a
impunidade garantida só por isso. A condução coercitiva não fará tanta falta. A
persecução penal não tem muito a perder com a proscrição da medida, pois, afinal,
o conduzido tem o direito de permanecer em silêncio. Outras democracias adotam este
direito, mas nelas o silêncio pode ser interpretado contra o réu. No Brasil o
magistrado não poderá usar o silêncio do interrogado para condená-lo.
A intimação poderá ensejar a destruição de
provas ou a obstrução da ação penal. Mas, nesse caso, caberia a prisão cautelar.
Seria caso de prisão, não de condução coercitiva. A condução “debaixo de vara”,
como se dizia antigamente, produz feitos danosos sobre políticos, exceto para
aqueles cujos seguidores não vacilam em apoiar criminosos.
A condução não deve ser espetáculo. O MP e o
Judiciário, porém, estão enfrentando forças muito poderosas e não confiam nos
tribunais superiores. Arriscam a própria segurança, como se viu na Itália.
Precisam do apoio popular. A mobilização da sociedade se beneficia do espetáculo.
Buscar apoio popular não deveria ser a conduta dos órgãos citados. A causa
supralegal de exclusão da ilicitude, porém, se aplica ao caso pelos motivos
expostos.
domingo, 17 de junho de 2018
ARTIGO - Precisamos da Ordem dos Advogados (CA)
PRECISAMOS DA
ORDEM DOS ADVOGADOS
Cândido Albuquerque*
Pela
sua história de lutas em defesa dos direitos e interesses coletivos, além da
defesa intransigente das prerrogativas dos advogados, a Ordem dos Advogados do
Brasil converteu-se no principal porta-voz da sociedade civil. A OAB, hoje, de
fato, já não é uma instituição apenas dos advogados, mas um patrimônio da
sociedade brasileira. E assim precisa ser tratada e mantida.
A
responsabilidade de manter a nossa entidade como uma referência ética e
engajada na defesa dos direitos individuais e coletivos é, e sempre será, dos
advogados. Somos nós os responsáveis pela renovação dos dirigentes, o que
precisa incluir a preocupação no sentido de não permitir que falsos profetas,
travestidos de defensores dos fracos e dos oprimidos, façam da nossa entidade
um trampolim, em busca de interesses pessoais.
Precisamos todos nós, os jovens e
os experientes, ter consciência de que não podemos transigir com os destinos da
nossa entidade. Mais que isso, precisamos cobrar de quem está na entidade, e de
quem pretende ali se instalar como gestor, uma postura altiva, impessoal,
serena e combativa. O diálogo com as demais entidades, notadamente com o
Judiciário e com o Ministério Público, precisa ser respeitoso, e tanto somente
será possível se o Presidente da OAB for visto como alguém com credibilidade
ética e intelectual.
A
profissionalização da política de classe, com a presença de marqueteiros
ensinando como conquistar o voto dos jovens, por exemplo, e ainda o espetáculo
verdadeiramente constrangedor a que se assiste a cada eleição, com a presença
de conhecidos advogados assediando os eleitores na porta das sessões
eleitorais, não podem mais ser tolerados. É chegada a hora do voto eletrônico, à distância, como já acontece em algumas entidades.
A campanha precisa ser
retomada tendo-se em vista os principais interesses da advocacia e a
recuperação das nossas instituições. Os jovens precisam compreender a
importância da OAB como instituição de classe, independentemente de quem seja o
presidente, devendo o bastonário, por dever de ofício, representar a classe,
identificar os interesses coletivos e “governar” para todos.
O
diálogo com o Judiciário é imprescindível e reclama clareza, respeito e
conhecimento do ofício. A cada dia, advogar está ficando mais difícil, e quem
paga essa conta é a sociedade. As disfunções éticas na advocacia, no Judiciário
e no Ministério Público precisam ser combatidas com firmeza. Não podemos
aceitar que a OAB tenha receio ou conveniência no combate a irregularidades
cometidas por quem está a serviço da prestação jurisdicional. Somos, os
advogados, representantes da sociedade e guardiões dos seus melhores valores.
Portanto,
como teremos eleições este ano, cumpre a nós, advogados e advogadas, jovens ou
já experientes, pôr sobre os nossos ombros a responsabilidade de manter a nossa
entidade como uma referência na defesa dos interesses da sociedade e,
principalmente, das prerrogativas profissionais. Aliás, seremos nós, em
primeiro lugar, as vítimas das más escolhas. Sem uma entidade capaz de
estabelecer o diálogo com os entes públicos, será cada dia mais penoso advogar,
e, com isso, será cada vez mais difícil defender os direitos que nos são
confiados.
NOTA JORNALÍSTICA - Beto Volta e Fala aos Amigos
BETO VOLTA
E FALA AOS AMIGOS
De volta a Fortaleza, neste sábado, dia 16 de
junho, o empresário Beto Studart, 10º Presidente da Federação das Indústrias do
Estado do Ceará (FIEC), e 10º Membro Benemérito da Academia Cearense de
Literatura e Jornalismo (ACLJ).
Beto
retorna de uma temporada de 20 dias em São Paulo, aonde se foi submeter a uma
intervenção cirúrgica, da qual veio curado e feliz pelo sucesso do
tratamento, naturalmente enternecido pelo apoio recebido dos amigos durante
esse transe existencial que vivenciou.
O
megaempresário cearense, dos mais prestigiados atores do cenário corporativo
local, vigorosa promessa para a política estadual, dono de excepcional
afabilidade, revela-se filosoficamente fortalecido pela provação que superou de
forma estoica.
Em
todos os momentos da aventura incidental Beto manteve fé em Deus e grande paz
interior, com a serenidade bíblica que o Cristo aconselhou aos seus discípulos,
na undécima hora do seu suplício pessoal: “Não
se turbe o vosso coração”.
Abaixo,
o vídeo que Beto Studart gravou logo ao pisar o chão alencarino em seu retorno,
ainda no hangar do aeroporto, e que divulgou aos amigos na rede social, exercitando
a sua notória transparência e imensa integridade moral, posando ao lado da sua
amada Ana Maria.
Na
gravação, Beto manifesta pessoalmente o seu estado de êxtase pelo bom sucesso do
episódio e seu absoluto happy end,
pela volta à sua querida terra natal, bem como pela epifania que lhe propiciou a
experiência, pondo-o de repente cara-a-cara com o Supremo Arquiteto do Universo,
e lhe fazendo esplender ante os olhos do espírito o virtuoso “Mundo São” a que
pertence e que cultua.
sexta-feira, 15 de junho de 2018
COLUNA VICENTE ALENCAR - Edição 1283 - 15.06.18
VICENTE ALENCAR
COLUNA 1283
15 DE JUNHO DE 2018
SEXTA-FEIRA
FORTALEZA – CEARÁ – BRASIL
2018 – Ano do
Sesquicentenário de nascimento do Escritor cearense Antônio Sales.
2018 – ano do
Centenário de nascimento do Escritor e Jornalista cearense Otacílio Colares.
A FEIRA DO ESCRITOR CEARENSE,
vitoriosa ideia do
ex-Governador e Escritor Gonzaga Mota, acontecerá amanhã, sábado, das 9 da
manhã às 18 horas, no Centro de Compras Center UM, que se localiza na Av.
Santos Dumont, em frente ao Centro de Compras Del Paseo.
MAIS DE 500 TÍTULOS
de escritores
alencarinos de todos os municípios cearenses serão comercializados. Você,
que não conhece os novos escritores alencarinos, esta é uma ótima
oportunidade de ver de perto suas obras. Compareça.
VOCÊ VERÁ
livros de Antonio de
Albuquerque Sousa Filho, Marum Simão, Francinete Azevedo, Clara Leda, Márcio
Catunda, José Maria Chaves, Tereza Porto, Giselda Medeiros, Margarida Alencar,
Francisco José Costa Eleutério, Sílvio dos Santos Filho, Maria Luísa Bomfim,
Regine Limaverde, Ângelo Osmiro Barreto e muitos outros.
ACADÊMICA ANA PAULA
Medeiros, que é
Professora da Universidade Federal do Ceará-UFC, estará em Brasília entre os
dias 17 (2a feira) e 20 (4a feira), participando de reunião de Educadores
Brasileiros no Ministério da Educação.
O IDEAL CLUBE,
uma agremiação de
grande importância em nossa Capital, entre outras atrações, conta com uma
bem cuidada biblioteca para o seu quadro social.
BENEDITO VASCONCELOS MENDES
Professor da
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Mossoró, cearense de
nascimento, será o conferencista desta terça-feira, dia 19 na reunião da AJEB,
no Palácio da Luz.
O TEMA
de seu
pronunciamento será a “Cultura Sertaneja”. Terá 50 minutos, o tempo de uma
hora-aula para dissertar sobre o assunto.
FRANCINETE AZEVEDO
que foi indicada
pelo escritor Alberto Galeno, há alguns anos, para assumir a Presidência da Ala
Feminina da Casa de Juvenal Galeno, recusou por ser ainda muito jovem, receberá
agora homenagem da Academia Cearense de Poesia.
da Copa do Mundo
atualmente em realização a Sociedade Brasileira dos Jornalistas
Correspondentes – SBJC, que congrega nomes veteranos da Imprensa do Ceará,
prestará significativa homenagem a memória do recém falecido Radialista,
Jornalista e Escritor Tonico Marreiro.
TONICO MARREIRO
destacou-se na imprensa
interiorana e da Capital cearense, sempre elevando os fatos e os feitos de
Canindé e Caridade, entre outros municípios da sua Região.
A SOCIEDADE DE CULTURA LATINA
do Brasil que nos
temos a honra de ser o Vice Presidente Nacional lançará em 19 de Julho, em São
Luís, do Maranhão, a I Coletânea em Prosa e Verso, congregando os seus
associados.
SERÁ NA PRÓXIMA TERÇA-FEIRA
às 16 horas a próxima
reunião da Sociedade Cearense de Geografia e História na Casa de Juvenal
Galeno. Solicita-se a todos os Confrades e Confreiras cumprirem o horário correto,
fato que favorecerá a todos.
VANESSA MORAES,
que vem presidindo
com muitos acertos o Centro Cultural do Ceará – CCC,
empossou na última reunião os membros da Ala Jovem. Com isso, incentiva os
novos valores que se iniciam em nossas Letras. Vanessa tem grandes planos para
o segundo semestre.
NA TRANSMISSÃO DE POSSE
na Presidência da Academia de Letras dos Municípios do Estado do
Ceará – ALMECE, estarei passando a
cadeira principal para o Escritor Nicodemos Napoleão. Será amanhã, sábado,
precisamente às 16 horas, na sede da Academia Cearense de Letras – Palácio da Luz, Rua do Rosário, nº 1, no Centro.
OS ACADÊMICOS
deverão portar suas
Pelerines e Medalhas. Espera-se que todos os Membros possam chegar com
antecedência ao local da solenidade, para que sejam evitados problemas de
última hora.
lançou ontem, dia
14, a às 18 horas no Ideal Clube o seu mais novo livro especializado. Trata-se
da publicação “Memória & Silêncio no Cinema Chileno”. Retóricas do Cinema
chileno e brasileiro: ensaios comparativos.
Trata-se de um livro
que conta bem da realidade do terceiro país em produção de Cinema na América
Latina ficando depois de Brasil e Argentina. Uma experiência válida para quem
gosta de Arte, neste mundo de meu Deus.
No dia 08 de agosto – 19
HORAS – Teatro JOSÉ DE ALENCAR – NÃO ESQUEÇA”, COMPAREÇA. VOCÊ
QUE ADMIRA A CULTURA DO CEARÁ ESTEJA PRESENTE. TODOS SÃO CONVIDADOS!
A TROVA FAZ BEM A SAÚDE DA GENTE
Só tenho felicidade
neste mundo de meu
Deus
se tanjo toda a
saudade
e caio nos braços
teus.
Zenaide Marçal
Da UBT-Fortaleza.
Folguedos da
Mocidade
vejejam, hoje,
tristonhos,
por sobre o mar das
saudade,
na jangada dos meus
sonho!
Francinete Azevedo
Da UBT-Fortaleza.
Ah! se soubesse quão
triste
me é lembrar que,
ressentida,
nsem sequer te
despediste
no momento da
partida!
Pereira de Albuquerque
Da UBT-Fortaleza.
LEIA E PRESTIGIE OS AUTORES BRASILEIROS.
Nosso contato: vicentealencar25@yahoo.com.br
quinta-feira, 14 de junho de 2018
CRÔNICA - A Cidade e o Campo (RV)
A CIDADE E O CAMPO
Reginaldo Vasconcelos*
O
bucolismo que embala a minha alma não faz de mim um mentiroso; a cidade tem
seus encantos, suas benesses. Por que negar? Muito tempo longe dela, e as formas
de mato começam a assumir saudosamente as silhuetas das moças bonitas que
desfilam pela Praça do Ferreira. As linhas arenosas dos caminhos ao sol fazem
vertigens, copiando de nossa lembrança os corpos mornos na praia. Todo
sertanista sabe disso.
A
cidade embriaga e vicia com toda a bulha que oferece. Prende o homem aos seus
confortos comodistas e fá-lo voltar, como o canário que, uma vez solto, após
muito tempo preso, volta à gaiola, onde lhe pagam o canto e amarelo com alpiste
e convivência. A saudade das coisas nos embosca no ermo, enquanto na cidade nos
escondemos dela, porque pouco temos tempo de senti-la.
Mas
a mim me atinge vez por outra a sede das aves, das arribações que voltam sempre
ao sertão, alçam voo sobre o oceano e vêm beber suas doces águas barrentas. Em
ciclo, acomete-me um estro matuto de derramar a vista nos campos e nas abas de
serra, nos céus bojudos e no espelho das lagoas.
Na
cidade, existem manhãs ventiladas, de sol morno e de sombras leves, que parecem
antigas. Uma face de um edifício ainda dorme, outra metade entreabre pestanas,
já banhada de luz. E os transeuntes passam incógnitos uns pelos outros, como
figurantes, com ânimo novo e olhar adiante, como bonecos de uma maquete que
tomassem alento.
Vão
sem nome e sem humor próprio o carteiro e a moça bela, a mulher com a criança e
homem com a pasta que se repetem no tempo. Todo automóvel vai lento, e o
tráfego é ainda rarefeito. Passam o carrinho do lixeiro e a bicicleta da
lavanderia, com uma grande caixa e um ciclista feliz. Os contínuos e os
bem-sucedidos se cruzam em cada calçada, estes que se copiam em décadas de
gravata e jeito grisalho.
Os
mastros nus que fustigam o azul do alto, dominam a visão do mar azul fugindo a
verde. O mar não esta longe, está ali, do alto se vê o mar lambendo os pés da
cidade com lascívia. A crônica de Caio Cid percorre sua cidade em manhãs assim,
embora ele não acorde mais, já que cochila eternamente sob o chão da Pacatuba,
sua província, como quis, defronte à Serra da Aratanha, como desejava.
Tribuna do Ceará - Outubro de 1981
APRECIAÇÃO LITERÁRIA - Ressonâncias (VM)
RESSONÂNCIAS
(Acerca de Canção de um Solitário)
Vianney Mesquita*
A água voa sozinha, os corvos em bando; o
imbecil precisa de companhia, o sábio de solidão. FRIEDRICH RÜCHERT – poeta e prosador alemão.
19.05.1788 – 31.08.1866).
Há
poucos dias, de uma assentada de menos de uma hora, deliciei-me com a leitura,
ligeira mas profunda, de um livro, pequenino no tamanho e incomensurável na
conquista, intitulado Canção de um
Solitário, publicado em João Pessoa, da agricultura do ex-frade capuchinho
fortalezense Raimundo Luciano
Correia Lima de Menezes (fotografia),
o qual já priva da Glorificação paradisíaca.
Esta
substanciosa obra literária, malgrado suas frugais, porém amplíssimas 74
páginas de subido artifício literário e engenho anímico, me foi cedida para
leitura pelo sobrinho do Autor, o oficial da Polícia Militar do Ceará, Sérgio
Arruda, meu amigo de sadias conversas às sextas-feiras, em duas horas, no
máximo, durante as quais desenvolvemos saudáveis lérias, no estabelecimento
comercial do amigaço Sr. José Maria
Nascimento, no Benfica, em Fortaleza.
Em
Canção de um Solitário (foto), admiravelmente
composto em português que varia do castiço ao comum-correto, o Escritor expõe
todo o seu ardor inventivo, calçado em um estilo agradabilíssimo e com torneios
de fácil entendimento, ao expor o seu estro artístico de sábio na solidão.
Como
é simples de o leitor divisar, esta circunstância resta configurada, na
epígrafe destes comentários, pelo literato germânico Friedrich Rüchert (foto), célebre mestre de Contos Líricos (Lyrisische
Gedicthe), em cuja perspectiva, para que o pensador produza, se determina
uma contingência de insulamento, a fim de as relações pessoais não perturbarem
o veio produtivo no momento de materializar a criação.
Parece,
pois, haver sido tal isolamento das pessoas e fatos do Mundo, vinculados – seja
expresso – aqui, exclusivamente, ao amor conjugal, no decurso da conjuntura
monástica do Autor, que o conduziu a edificar um conjunto de reflexões
artístico-literário de tal estimação, conforme se ajuntam em Canção de um Solitário, de sabor
estético indiscutível e propriedades tão nobres, a conduzir quem o lê e
distingue ao apogeu da satisfação.
Não
intento, e isto é mais do que evidente, deixar de lado sua atuação como ungido
do Senhor durante largo tempo, até conhecer sua Glória de Lourdes, numa
ensancha propiciada por Deus, a qual lhe concedeu o segundo half-time, após o seu primeiro tempo de
vencedor ao propagar a Palavra, com sabedoria, acerto e determinação, conforme
seu juramento na oportunidade em que recebeu o Sacramento da Ordem, (Foto) cuja
suspensão foi concedida, pela Santa Sé e ao seu rogo, em 1967.
Aproveitando
o ensejo de realização do Campeonato Mundial de Futebol, na Rússia (FOTO), no
segundo tempo desta Copa, de Deus e do Mundo, o Autor recebe, também, as
bênçãos de Cima, haja vista a família constituída, o bem esparzido, o exemplo
ordenado, a correção orientada, o caminho que procurou endireitar, as veredas
que, batistinamente, tencionou desentortar, para, enfim, aportar a uma
literatura de alevantada qualidade.
Este
status quo o transporta, sem nenhuma
dúvida, a um lugar de destaque na prosa brasileira, mesmo com obra curta, fato
ocorrente com vários escritores nacionais, como sucede com Augusto dos Anjos
(Foto), coincidentemente paraibano, o qual somente publicou Eu e outras Poesias e, assim mesmo, é
autor conhecidíssimo não apenas no Brasil.
Têm
ressalto na bela publicação ora comentada um lúcido e profundo prefácio da
lavra do médico, escritor e poeta Luiz Luciano Arruda de Menezes, bem assim um
texto de quarta-capa, de alçado teor histórico, a respeito do novo mundo do
Autor – o Mundo do Amor.
Dirijo
aos dois Lucianos os parabéns por haverem ornado, decerto, até em boa redundância
plástica, a obra do primeiro Luciano, já por si mesma alimentada de alcance e
idoneidade.
Nota:
o volume sob escólio, de Luciano Menezes, é raro, porém, foi publicado pela
Ideia Editora Ltda, de João Pessoa, e pode ser procurado por quem interessar
mediante o sítio "ideiaeditora@uol.com.br".
POEMA - Pedros (MV)
PEDROS
Martônho de Vasconcelos*
Ao poeta
PEDRO HENRIQUE SARAIVA LEÃO
Meu coração se faz repleto de montes de
pedras,
Mas na verdade e com certeza cheio de Pedros;
A idade, só e só, aparentemente provecta, não
lhe tiram
O jeito amolecado e frouxo dos meninos!
Suas coisas e o tempo me tornaram filho
temporão...
Arrodeado, todos os dias, por suas cãs
venerandas.
E também por um quê de moleque, um traquino!
Fizemo-nos assim atemporais e únicos...
Tu tens – tese e antítese – tudo com a poética
dos adultos e a eterna complacência das crianças...
NOTA SOCIAL - Eduardo e Roberto na Tenda Árabe
EDUARDO E ROBERTO
NA TENDA ÁRABE
DA
EMBAIXADA
Visitaram
na noite desta quarta-feira (13.06) a “Tenda Árabe”, reduto informal da ACLJ,
Eduardo Oliveira e Roberto Victor Ribeiro, presidentes da Academia Cearense de
Arte e da Academia Cearense de Direito, respectivamente.
Os
jovens acadêmicos, que estrearam no lounge
acelejano da Embaixada da Cachaça, foram recebidos pelos veteranos Rui
Martinho Rodrigues, Vicente Alencar, Paulo Ximenes, Adriano Jorge, Altino
Farias e Reginaldo Vasconcelos, integrantes da Decúria Diretiva da ACLJ.
O
tema debatido pelo grupo versou principalmente sobre os destinos do Colégio de
Presidentes, que ainda se estrutura, e sobre a organização do Fórum Cultural Alencarino,
evento previsto para o próximo dia 08 de agosto, ambos iniciativas do Ministro Ubiratan
Aguiar, atual bastonário da vetusta Academia Cearense de Letras.
Após
o jantar, o grupo posou para a imagem – ausente da foto apenas o Embaixador
Altino Farias, que retomara o seu posto na administração da casa
diplomática, de cunho recreativo e cultural, em que se exibiam pinturas da
artista plástica Waleska, e se apresentava, com voz e violão, o artista sônico
Siribá Soares.
quarta-feira, 13 de junho de 2018
ARTIGO - O Pêndulo da História e o Neomedievalismo (RMR)
O PÊNDULO DA HISTÓRIA
E O NEOMEDIEVALISMO
Rui Martinho Rodrigues*
Arnold Toynbee (1889 – 1975) estudou mais de
uma centena de civilizações e concluiu: a História apresenta movimento
pendular. Os incômodos de uma situação estimulam mudanças. Esquecem-se, porém,
os inconvenientes da circunstância anterior, e sentem-se apenas os aborrecimentos
da condição atual. Então, dá-se a volta do pêndulo. Não como repetição, mas como
“neo” ou “pós” alguma coisa.
Na Idade Média predominavam o poder local, a
hegemonia do sagrado, o dogmatismo sobre a liberdade de pensamento e a ênfase
nos direitos de grupos específicos em detrimento das universalidades. A
modernidade fortaleceu o poder central com o absolutismo, dessacralizou a
cultura, abriu caminho à liberdade de consciência, de expressão do pensamento e
busca das universalidades, ao invés de particularismos. Proclamou direitos
universais fundados na razão.
A pós-modernidade retoma o particularismo dos
direitos de grupos específicos, e faz a revanche do sagrado, evidente na
retomada dos fundamentalismos, inclusive nas religiões políticas. Ameaça a
liberdade de consciência e a livre expressão do pensamento, com o argumento do “politicamente
correto”. Contraditoriamente, relativizou a razão, sob a fluidez de uma
diacronia voraz, enquanto institui uma ortodoxia politicamente correta.
Estaríamos a caminho de um “neomedievalismo”?
A confessionalidade retorna com a revanche do sagrado. A inquisição trocou a
fogueira pelo assassinato de reputações. A fragmentação substituiu as
universalidades e enfatizou os direitos de grupos específicos. O Estado Nação
parece claudicar, seguindo a onda que tudo fragmenta. A razão é contestada pelo
relativismo cognitivo e axiológico revigorado, chegando ao ceticismo, em
contradição com a ortodoxia dos fundamentalismos.
A reintrodução da sacralidade e da ortodoxia,
paradoxalmente de braços dados com o ceticismo cognitivo e axiológico, somada à
voracidade da fluidez que destrói a razão e a estabilidade mínima das
referências, introduz a anomia, invocando a memória da queda do Império Romano,
que levou à Idade Média. Família, escola, igrejas e Estado sucumbem nas águas
revoltas da fluidez pós-moderna.
A modernidade nos deu eleições como exigência
de legitimidade do poder político; isonomia perante a lei; garantias
individuais e separação de poderes. Tudo isso se encontra sob forte pressão. O
Judiciário legisla positivamente, indo além do controle concentrado de
constitucionalidade que lhe permitiria legislar apenas negativamente. O dito
controle de constitucionalidade existe em razão da rigidez constitucional.
Mas se o STF reforma a Constituição a toda
hora, em nome da “interpretação conforme” ou da “mutação constitucional”, sob o
argumento de que é preciso adaptar o Direito às transformações históricas,
então o que temos é uma Constituição flexível, sob a qual o controle abstrato e
repressivo de constitucionalidade deixa de ter sentido.
A volta do pêndulo da História parece ameaçar
a democracia com um neofeudalismo, cuja ortodoxia é dada pelo ativismo de
grupos agressivos.
Assinar:
Postagens (Atom)


















