domingo, 26 de abril de 2015

ARTIGO (VA)



OBRIGADO, OBRIGADA
Vicente Alencar *


Agradecer, em muitas oportunidades, é uma maneira educada de demonstrar a alguém alguma coisa feita em nosso favor, ou mesmo uma atitude favorável ou simpática para conosco. Poucas são as pessoas que sabem agradecer, ou que fazem isso por terem recebido uma educação doméstica, que não precisa ser esmerada, mas, pelo menos, razoável.

Entre as muitas  formas de agradecer algo usamos a palavra obrigado (para homens) e obrigada (para mulheres). A expressão não é nova. Muito se fala, no Brasil, em virtude dos pais terem o pouco contato com os filhos em formação (babás, boas ou más, jogos computadorizados, televisão à vontade e muitas outras opções ocupacionais, atrapalham, mais do que ajudam a educar), que as pessoas, pouco a pouco, vão perdendo o contato com expressões importantes, conhecidas “como palavras mágicas”.

Por isso mesmo comenta-se, principalmente entre educadores, que pais e mães (face ao corre-corre do dia-a-dia), não querem mais agir tal como fizeram seus avós. Vão deixando para as professoras – atualmente, recebendo o descabido apelido de “tias” –  uma boa parte da instrução e da educação doméstica.

Assim sendo, “com licença”, “por favor”, “muito obrigado”, “me desculpe”, somente são aprendidas na Escola, o que é, na verdade, uma falta absoluta de atenção, por parte dos pais.

Voltando ao termo “obrigado” ou, certamente, a expressão “muito obrigado”, esta vem do latim obligatus, particípio de obligare (ob+ligare), ou seja: ligar, amarrar, em volta de, etc. Na verdade o agradecimento é uma forma de expressão "eu fico obrigado (a) a lhe retribuir esse favor". Na economia das palavras, em que tudo é possível, chegamos  a “obrigado” e “obrigada”, muito bom de usar, pois seu uso é sinal de razoável educação.

“Obrigado”, “desculpe”, “por favor”, “com licença”, são expressões obrigatórias ao bom convívio social, porque são palavrinhas mágicas que gostamos de ouvir.

Obrigado pela atenção!


* Vicente Alencar 
Jornalista, Poeta. Escritor
Membro da União Brasileira de Trovadores - UBT Fortaleza.
Integrante da ALMECE - Academia de Letras dos Municípios do Estado do Ceará.
Secretário Geral da Academia Fortalezense de Letras
 Membro da Academia Cearense da Língua Portuguesa, 
da Academia Cearense de Retórica e da
Sociedade Cearense de Geografia e História.
 Titular da Cadeira nº 27 da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo.

sábado, 25 de abril de 2015

NOTA FÚNEBRE


ADEUS AO AUDIFAX

Morreu na tarde deste 25 de abril, na sua cidade natal de Santana do Acaraú, no norte do Ceará, de infarto do miocárdio fulminante, o artistas plástico Audifax Rios. 

Audifax era um desenhista extremamente talentoso, cujo traço fazia lembrar as gravuras características da literatura de cordel, porém dotado de feérico colorido. Ele ilustrou mais de 100 publicações, e mantinha com o filho João a edição do Almanaque De Um Tudo.

Na manhã de hoje, Assis Martins, em sua crônica Um Cego, Três Moedas, postou neste Blog talvez a última ilustração de Audifax a ser publicada. Ele faleceria de forma súbita apenas algumas horas depois.

A ACLJ, e toda a comunidade lítero-jornalística de Fortaleza, lamentam a perda desse importante homem de cultura e arte, apresentando condolências à família. 

VICENTE ALENCAR. EDIÇÃO Nº 785.



CRESÇA
"Não deixe que o desânimo chegue perto de você. Acredite no que faz, e os seus dias serão bem melhores, a partir de hoje. Cresça para o mundo" (Jornalista Vicente Alencar).

POESIA – DE LEVE
1 - "No plenilúnio quando vagueias, corre em minhas veias uma dor surda" (Poeta José Telles, da Academia Cearense de Letras).

2 - "Teu olhar me desnuda e percorre as veredas de minha alma à procura de respostas que eu não tenho" (Poetisa Ana Paula Medeiros, da Academia Cearense da Língua Portuguesa).

3 - "Tanta ternura ainda resta em nossas vidas! Quem sabe... um louco amor à nossa espera, para novamente ouvir frases descabidas" (Poeta  Moreira Brito (Autor de Sonhos & Lamentos).

4 - "Arde em meu peito a chama do desejo. Quem dera mais um beijo para queimar a boca" (Poetisa Juçara Valverde, da Academia Brasileira de Médicos Escritores).

5 - "Sem sorriso no rosto sigo o brilho cego dos olhos que cercam" (Poetisa Natércia Rocha autora de "Rumo Norte").

6 - "Vejo com o coração/ um amor que existe/ procuro a compreensão/ daquela que não desiste" (Poeta Gonzaga Mota autor de "Ao Vento Poemas".

7 - Desejo ser um pássaro da mata, voar livre, acordar primeiro que o sol, dormir após a Lua" (Poetisa Rita de Cássia autora de"Cores").

8 - Você não sabe, é melhor nem saber, o quanto eu queria contar da saudade de mim por você" (Poetisa Déa Campos Frota, do Movimento Cultural Terça-Feira em Prosa e Verso).

9 - "No caminhar repleto de ternura construiu sua estrada com primor, procurou dedicar-se à agricultura, e de ninguém jamais guardou rancor" (Poetisa Ana Maria do Nascimento, da Academia de Letras dos Municípios do Estado do Ceará ALMECE)

10 - "Minutos se passaram, esperei pouco tempo. Quando ela deixou cair a túnica de seda, um novo mundo foi descoberto" (Poeta Vicente Alencar autor de "Madrugada Fria").

SÁBADO, 25 DE ABRIL DE 2015.
FORTALEZA  CAPITAL BRASILEIRA DO ARTESANATO.
CEARÁ – AQUI NASCEU A PRIMEIRA ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL.

BRASIL  – UM PAÍS QUE DEVE ACABAR EM BREVE COM OS SEUS CORRUPTOS.

* Vicente Alencar 
Jornalista, Poeta. Escritor
Presidente da União Brasileira de Trovadores - UBT Fortaleza.
1º Vice-Presidente da ALMECE - Academia de Letras dos Municípios do Estado do Ceará.
Secretário Geral da Academia Fortalezense de Letras
 Membro da Academia Cearense da Língua Portuguesa, 
da Academia Cearense de Retórica e da
Sociedade Cearense de Geografia e História
 Titular da Cadeira nº 27 da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo


sexta-feira, 24 de abril de 2015

NOTA FESTIVA

BRILHO ACADÊMICO NA ACLJ

Noite de brilho no vetusto auditório da ACI, neste dia 23 de abril, em que o empresário Igor Queiroz Barroso tomou posse na dignidade de Membro Benemérito da ACLJ, em evento concorridíssimo, que culminou com um luxuoso coquetel no terraço do Edifício Perboyre e Silva, a Casa do Jornalista.

Contaram-se 31 pelerines, portanto expressivo número de acadêmicos acelejanos se fizeram presentes, inclusive três que, impossibilitados de comparecer por motivo de força maior, gravaram mensagens para o telão do evento, em que saudaram e deram boas vindas ao novo confrade.

Foram eles os Beneméritos Beto Studart e Deusmar Queiroz, e Hermínio Macedo Castelo Branco, o artística plástico Mino, o maior cartunista cearense, titular da Cadeira de nº 17 da ACLJ, patroneada pelo poeta e jornalista Paula Ney.


Aliás, a mensagem do Mino emocionou e enterneceu, pois ele narrou um momento da infância do Igor, quando, participando com ele de domingueira 

da família em sítio de Maranguape, o artista mostrou ao garoto uma montanha ao longe, o qual ficou impressionado com a visão à distância do assomo geológico.

Anos depois Mino diz que encontrou Igor por acaso em um restaurante, já homem feito, e então não o reconheceu de pronto quando ele o abordou: “Tio Mino!”. Notando que não estava sendo identificado, Igor complementou: “Eu sou o Igor da montanha!”.

Finalmente, Mino mostrou um desenho que fizera a propósito, representando um menino sobre uma montanha, e com base nisso, considerou que o destino do Igor seria galgar grandes alturas – recomendando que em lá chegando, nunca se esqueça das pessoas da planície.

Também não puderam comparecer por razões profissionais, devidamente justificadas, os acadêmico Evaldo Gouveia e Djalma Pinto. Por motivos de saúde, justificaram previamente suas faltas os confrades Arnaldo Santos e Roberto Martins Rodrigues, que mesmo assim mandaram seu abraço ao novo membro.

O aniversário de quatro anos da ACLJ ocorrerá em 04 de maio, data que deveria coincidir com a Assembleia Geral Aniversária em que se daria posse a Igor Barroso – mas o vento acabou sendo antecipado em virtude da gravidez de Dona Aline, mulher do novo acadêmico, que espera o primogênito para os primeiros dias do mês vindouro.

Ao final da solenidade, a acadêmica titular Inês Mapurunga entregou às mulheres do Membros Beneméritos presentes, Dona Beatriz Alcântara, Dona Consuelo Dias Branco e Dona Aline Barroso, uma echarpe com uma ideograma da academia, elaborado com as letras ACLJ, devidamente estilizadas, compondo a feição gráfica de um cenáculo literário.


Como é tradicional, após a investidura do novel Benemérito, ele mesmo outorgou uma comenda, no caso a Medalha Governador Parsifal Barroso ao jornalista Ciro Saraiva, e deu  posse a acadêmico honorário, desta vez o produtor artístico Amaro Penna. As fotos postadas abaixo, cedidas pela coluna digital Balada In, do jornalista Pompeu Vasconcelos, falam por si. 


Igor Barroso e Pompeu Vasconcelos






MAIS IMAGENS















quarta-feira, 22 de abril de 2015

VICENTE ALENCAR EDIÇÃO Nº 783



21 DE ABRIL
Nosso respeito à memória de Tiradentes (José Joaquim da Silva Xavier), o mártir brasileiro assassinado na forca em 21 de abril de 1492.

22 DE ABRIL
A data de amanhã, dia 22 de abril não é Feriado Nacional. O Brasil foi descoberto nesta data em 1500. Seu dia de aniversário.

515 ANOS
São passados 515 anos da chegada de Pedro Álvares Cabral a Terra de Santa Cruz, em Porto Seguro, na Bahia.

METON MAIA E SILVA
Quem aniversaria amanhã, dia 22 de abril, é o Jornalista Meton Maia e Silva, completando 95 anos. É o mais antigo homem de Imprensa em ação no Estado.

79 ANOS EM AÇÃO
Meton tem 79 anos de Imprensa, pois começou aos 16 anos em Limoeiro do Norte como Correspondente da Zona Jaguaribana, nos jornais Correio do Ceará e Unitário. Um recorde.

NA ASSUNÇÃO
Atualmente Meton Maia e Silva é integrante da equipe  do Programa Vicente Alencar – Educação, Cultura e Esporte, na Rádio Assunção Cearense AM 620, das 22 às 23 horas, nos dias em que não há futebol.

MEDALHA
Meton Maia e Silva pelos serviços prestados ao Jornalismo Cearense em mais de 70 anos de atividades bem que poderia receber do Governo do Estado a Medalha da Abolição. Fica a sugestão da coluna.

HOMENAGEM NO INSTITUTO
Os integrantes da Força Expedicionária Brasileira – FEB que tomaram Montese, na Itália, em 1945, foram homenageados ontem à tarde pelo Instituto do Ceará – Histórico, Geográfico e Antropológico.

PRESENÇAS
O Comandante da 10ª Região Militar Soares Moreno, General Freire Gomes, se fez presentes com um grande número de Militares.

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Ao lado do Presidente Ednilo Soares, o Comandante integrou a Mesa das Autoridades, ao lado do Vice-Presidente Pedro Sisnando Leite, Secretário Geral Osmar Diógenes, os "pracinhas" Raimundo Nonato Ximenes e Geraldo Oliveira, e do Capitão Gustavo Augusto, do Colégio Militar de Fortaleza, o conferencista da tarde, enfocando "A presença dos Brasileiros na Segunda Guerra Mundial".

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Após a abertura pelo Presidente Ednilo Soares e execução do Hino Nacional, o Vice-Presidente Pedro Sisnando Leite fez discurso póstumo enfocando a personalidade marcante do ex-presidente do Banco do Nordeste, Nilson Holanda, recentemente falecido, e que foi Membro Efetivo do Instituto.

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Também o Sócio Efetivo Marcelo Gurgel usou da palavra, enfocando pormenores, da presença médica na FEB, durante a Segunda Guerra Mundial.

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O colunista esteve  atuando como Mestre de Cerimônia.

PORTUGUESA CONVOCA
A Diretoria da Academia Cearense da Língua Portuguesa convida a todos os seus Membros para a reunião de amanhã, dia 22, às 15 horas. Será na Faculdade de Educação da UFC, no Benfica.

ACADEMIA DE JORNALISMO
Na quinta-feira, dia 23, em solenidade programada para as 19 horas no auditório da Associação Cearense de Imprensa – ACI, Rua Floriano Peixoto, no Centro, a Academia Cearense de Literatura e Jornalismo concederá ao Empresário Igor Queiroz Barroso o título de Sócio Honorário da entidade.

FORTALEZENSE LEMBRA
A editoria da revista Contemporânea, da Academia Fortalezense de Letras lembra a todos os colaboradores que os trabalhos deverão ser entregues, impreterivelmente, com redação final até o próximo dia 30.

ANTENAS & ROTATIVAS
Logo mais ao meio dia e até às 13 horas o noticioso ANTENAS & ROTATIVAS pela Rádio Cidade AM 860.

TODO CUIDADO É POUCO
Nada menos que 5 árvores centenárias enormes, que estão pendendo para o leito da rua, poderão causar uma tragédia na Rua Dr. José Lourenço, entre Catão Mamede e João Carvalho, na Aldeota. E se chover elas poderão tombar imediatamente. Vale a pena uma poda. Com vistas às autoridades.

TERÇA-FEIRA, 21 DE ABRIL DE 2015.
FORTALEZA – CAPITAL DO NORDESTE.
CEARÁ – TERRA DA LUZ.
BRASIL – NÓS SOMOS SUL-AMERICANOS.
SALVEMOS A FLORESTA AMAZÔNICA.

ELA ESTÁ SENDO DESMATADA DIARIAMENTE!

* Vicente Alencar 
Jornalista, Poeta. Escritor
Presidente da União Brasileira de Trovadores - UBT Fortaleza.
1º Vice-Presidente da ALMECE - Academia de Letras dos Municípios do Estado do Ceará.
Secretário Geral da Academia Fortalezense de Letras
 Membro da Academia Cearense da Língua Portuguesa, 
da Academia Cearense de Retórica e da
Sociedade Cearense de Geografia e História
 Titular da Cadeira nº 27 da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo


APRECIAÇÃO LÍTEROCIENTÍFICA (VM)


CONTROLE JUDICIAL DAS CORTES DE CONTAS COMO CIRCUNSTÂNCIA DE INELEGIBILIDADE
Vianney Mesquita*

Quem é verdadeiramente probo continua, sem dúvida, honesto, porém, fica onde está: raramente sobe. (Fiedrich LOGAU, poeta e escritor polaco. Y Niencsa, 1605; Legnica, 1655).

Experimentei o deleite de examinar detidamente, ao ser-me oferecido para revista, o escrito investigativo de substancioso recheio científico, cingido ao título Controle Judicial das Decisões dos Tribunais de Contas como Hipótese de Inelegibilidade, de autoria do jovem advogado, professor e produtor de textos forenses, Dr. André Garcia Xerez Silva.

Reporto-me ao relatório de sua defesa de Mestrado, erguida, Magna cum Laude, no segundo semestre do ano recém-transato, na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará, sob orientação diligente do Prof. Dr. Hugo de Brito Machado Segundo, e de cuja banca ainda foram partícipes os também celebrados docentes, Doutores Germana de Oliveira Moraes e Martônio Mont’Alverne, todos de projeção nacional na seara do ensaio jurídico, multicitados em peças acadêmicas dessa área em todo o País e nas nações lusófonas.

Movemo-nos, neste momento, pelo curso de uma quadra interessante e alvissareira, quando os segmentos responsáveis pela maximização da legalidade e da legitimidade democrática, relativa aos eventos de escolha de postulantes a cargos eletivos dos dois poderes – Executivo e Legislativo – tomam tento em aperfeiçoar as regras para se aportar a uma eleição ideal, deseixada dos mínimos defeitos, sem tisna nem mancha qualquer.

Quando, pois, a Constituição Cidadã, ao largo de 27 anos de madureza, se achega à perfeição, eis que o autor depara o instante oportuno, volvendo-se, então, para as atribuições das cortes de contas, no papel de órgãos patrocinadores de elementos ancilares às decisões da Justiça Eleitoral, no âmbito demarcado de seus controles, relativamente ao exame e julgamento de contas públicas, com o fito de declarar a inelegibilidade de pretendentes a mandatos, cujas contabilidades restaram inabilitadas pela exigente joeira desses tribunais.

O Dr. André G. X. Silva deixa evidente para seus consulentes o fato de que, com a redação concedida pela Lei Complementar número 135/2010 à suposição de inelegibilidade, já expressa na L.C. 64/1990, impõe-se definir meios para conduzir o Foro Eleitoral a editar decisos acertados, honrando, inclusivamente, as competências das mencionadas cortes.

Em comunicação absolutamente digna sob o prisma de correção, clareza e exatidão lexicais do Português – também pontos de saliência no relato escrito do seu experimento universitário – ele investiga acerca dos propósitos dos tt de cc na contextura institucional, evidentemente, sob as estremas da Grande Carta, bem assim do caráter jurídico das suas decisões, no que é pertinente à vigia dos dispêndios financeiros públicos operados pelos gestores em múnus oficiais, máxime no respeitante às suas ligações com a função jurisdicional.

Na seção de seguimento, o autor questiona, em exame acurado e sob raciocínio arguto, a figura da inelegibilidade configurada no artigo primeiro, item I da letra g – LC 64/90, com o texto novo admitido pela sobredita LC 135/10,  impondo reservas ao direito político fundamental de pleitear eleição para cargo público, perfazendo as exigências cruciais para sua distinção: a) rejeição de contas; b) irrecorribilidade da decisão; c) detecção de irregularidade insanável; d) que essa irregularidade caracterize ato doloso de improbidade administrativa; e e) inexistência de provimento judicial suspensivo.

No módulo de fecho, recorre, também, a literatura nova, bem como se reporta a vertentes clássicas do Direito – conforme, aliás, o procedeu com todas as seções de sua relação investigativa de Mestrado – a fim de dar sustentáculo teórico-conceitual a este admirável esquadrinhamento, mui especialmente, demonstrativo de suas manifestas prontidões intelectivas. Tal sucede porque, a despeito de invitar autores de peso, a estes não se submete em sujeição servil, a for dos escritores meramente iniciados, porém, denota conhecimento e vigor nas posições de sua assunção, e até refuta conceições, para ele equívocas, dessa linha literojurídica, evidenciando diafanamente os haveres culturais que, malgrado sua juventude, já logra conduzir.  

No citado capítulo, assim tão bem entretelado literariamente para sancionar suas convicções definitórias, o Dr. André G. X. Silva remata a exposição, na demanda de determinar fronteiras para o controle da Justiça Eleitoral a respeito das decisões exaradas pelos tt de cc, no intento de votar pela inelegibilidade de aspirantes a cátedras dos dois poderes montesquieuanos em pleito censitário, bem assim com vistas a buscar segura aplicação da Lei 64/1990 na corrente ambiência democrática.

Tudo isto se referenda na investigação de assuntos como discricionariedade administrativa e judicial, conceitos jurídicos indeterminados e nas reflexões herdadas do racionalista holandês, filho de portugueses judeus e homem de vida curta, Baruch Espinosa (1632-1677), e seus desdobramentos na democracia como ambiência para o exame de questões vinculadas aos lindes desta espécie de intendência por parte da Justiça.

O trabalho sob glosa – não demonstro qualquer incerteza – servirá de arrimo conceitual a quaisquer intentos editoriais literário-jurídicos na senda eleitoral, nomeadamente em alusão à Lei da Ficha Limpa (LC. 135/2010), de sorte que (acerca disso também não ostento dúvida) será publicado e adotado nos cursos de Direito do País, máxime nos de pós-graduação stricto e lato-sensu, pois é obra de grandeza e cobertura completa, atinente ao estudo do controle da Justiça acerca das decisões das cortes de contas como sugestão de inelegibilidade.


*Vianney Mesquita 
 Docente da UFC 
Acadêmico Titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa  
Acadêmico Emérito-titular da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo 
Escritor e Jornalista

terça-feira, 21 de abril de 2015

CRÔNICA (RV)

UM CONTO DA VIDA REAL
Reginaldo Vasconcelos*


Inês Mapurunga é acadêmica da ACLJ, titular da Cadeira de nº 35, cujo Patrono Perpétuo, por escolha dela mesma quando da fundação da sua cátedra vitalícia, em 2011, é Alfredo Carneiro de Miranda, seu velho pai, ainda presente ao mundo até então, mas já mentalmente ausente das tribulações materiais, até que em 2014 seu espírito foi a Deus.

Esta semana passada, Inês perdeu um pacote de dinheiro público com que faria pagamentos em uma aldeia quilombola aonde ia trabalhar, cumprindo a sua função profissional, a serviço do Governo do Estado.

O numerário sumiu-lhe durante a viagem no automóvel oficial, sem hipótese de que lhe tivesse sido subtraindo por alguém, vez que ela não se afastara por um instante da sua bolsa a tiracolo. Mistério e angústia, prejuízo e desespero, pois o valor era expressivo para ela.

A chefia, informada no dia seguinte, sofreu solidária com a Inês, mas a dificuldade de provar sua versão improvável a esmagava.  Não era apenas o esforço ingente que teria de fazer para repor a quantia ao cofre público – o que efetivamente faria – mas antes o seu impoluto e valioso conceito pessoal junto aos colegas de trabalho, que restasse ameaçado, era o grande componente de seu sofrimento moral naquele transe.

Aí Inês rezou, e ocorreu-lhe dirigir ao pai e patrono acelejano falecido uma oração especial, pedindo-lhe inspiração sobre como agir, requerendo luz sobre os fatos da viagem, solicitando indicação que desvendasse aquele perverso segredo que o mau fado lhe impunha.

A elevação da alma a Deus, com a intervenção espiritual do velho pai, a fez lembrar que sentira uma indisposição já na partida da viagem, e que enquanto o motorista abastecia o carro ela procurara a farmácia em frente ao posto para comprar um analgésico.

Ela então se socorreu de um amigo acadêmico para voltar no carro dele à drogaria, e o proprietário lhe devolveu incontinente o pacote recheado de maços de notas, todos intactos, que ao procurar a carteira na bolsa para pagar o remédio, na aflição de sua dor, ela deixara cair sobre o balcão. 

Com o bendito pacote de dinheiro voltou Inês ao seu apartamento em lágrimas, mistas de susto e gratidão, de alegria e de receio. Como demonstrar à Repartição que fora assim; que fora o destino, e não ela, que se arrependera da maldade e a revertera?

Nesse exato momento dois acadêmicos da Decúria Diretiva da ACLJ lhe tocam a campainha, para convocá-la pessoalmente à Assembleia Geral Anual do silogeu que ocorrerá esta semana – sem terem eles conhecimento prévio do seu drama – mas notando incontinenti a expressão de angústia semialiviada da confreira.

Ato contínuo, os dois foram então com ela à drogaria em que se dera o inocente perdimento, e a devolução virtuosa, e munidos de um aparelho celular que portavam gravaram em vídeo e áudio um depoimento franco do honesto farmacêutico. 

Inês Mapurunga é convicta agora de que o espírito de seu velho genitor operou em seu socorro, e que para fazê-lo mobilizou a confraria, da qual, in memoriam, também ele é integrante. Duvidar disso se pode, mas os fatos não nos permitem desmenti-la. Se é assim, Amém!
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Alfredo Miranda vivia no frescor da serra, onde produzia licor de frutas diversas, oferecido aos visitantes de Viçosa em sua loja de sabores, que a família ainda mantém. Era um emérito contador de histórias, um memorialista, um poeta, um conversador delicioso.

Era ainda fazedor e tocador de pífaros, essa mágica flauta transversa que certamente remonta aos primórdios da memória antropológica.

Pífaro é instrumento que vem de tempos imemoriais, apareceu em muitas culturas e em todas as latitudes do Planeta, e com denominação vária em diversos dialetos, de muitos idiomas.

Uma fina canela de osso, um esguio gomo de bambu, um pequeno cilindro oco de qualquer matéria rígida, com meia dúzia de furos por onde se controla com a ponta dos dedos a saída do ar soprado pela boca no conduto interno, vai produzindo sonoridade melódica maviosa.

Porém, a manufatura desse objeto rústico, bem como retirar dele as melodias pretendidas, são diferentes habilidades delicadas, a exigir apuro prático e lavor artístico refinados. Até por sua simplicidade essencial, o pífaro é coisa que requer muita ciência e muita lírica para ser feita com acerto e ser tocada com beleza.

Esse mago de saberes, um autêntico mestre da cultura cearense, que do acervo ibérico que nos veio em caravelas e subiu a montanha, sincretizado com a experiência hereditária dos indígenas, fez a sua própria arte.

E ele produziu uma bela prole, à qual transmitiu sua vocação: a filha musicista, ilustradora, poetisa, compositora de belas loas de maracatu; uma neta latinista, instrumentista, formada em música e especializada em sonorização e sonoplastia de cinema.

*Reginaldo Vasconcelos
Advogado e Jornalista
Titular da Cadeira de nº 20 da ACLJ


segunda-feira, 20 de abril de 2015

NOTA ACADÊMICA

A primeira Assembleia Geral Anual da ACLJ ocorrerá na noite de quinta-feira, dia 23 de abril, na sede da ACI, no centro da Capital Cearense.

Durante a solenidade, tomará posse na dignidade de Membro Benemérito da nossa entidade o empresário Igor Queiroz Barroso, unanimemente eleito pela Decúria Diretiva a partir de proposição do acadêmico titular Reginaldo Vasconcelos, que saudará o novo confrade. Na imagem, Igor com a sua esposa Aline.

Como manda a tradição, o acadêmico empossado para a quadratura institucional mais elevada, na mesma cerimônia dará posse a mais um Membro Honorário do sodalício, no caso o compositor e produtor musical Amaro Penna, sócio de Humberto Pinho e Raimundo Fagner no Estúdio Ararena. 

Ainda na pauta do evento a homenagem merecida ao jornalista e escritor cearense João Ciro Saraiva de Oliveira, nas letras J. Ciro Saraiva, que receberá a Medalha Governador Parsifal Barroso, comenda reservada aos grandes literatos e homens de imprensa cearenses. Ficam convidados a prestigiar o evento todos os componentes da comunidade literária cearense, bem como os amigos dos novos acadêmicos e do homenageado.