A propósito da
Habilidade Natural,
de Vianney Mesquita
Ítalo Gurgel*
O texto do Vianney, confrade ilustre e
amigo preclaro, distingue-se, desde o título, pela agudeza de uma formulação
que contrapõe à Inteligência Artificial a expressão Habilidade Natural — HN,
achado vocabular ao mesmo tempo engenhoso e provocador
A declaração afronta tema de incontestável atualidade e o faz sob perspectivas particularmente relevantes: a autoria, a honestidade intelectual, a formação do conhecimento, o respeito às fontes e a responsabilidade de quem subscreve e publica um texto.
Fiel à sua reconhecida erudição e ao zelo que sempre dedicou ao vernáculo, o autor não se limita a registrar uma preferência pessoal: suscita uma reflexão necessária sobre os limites entre o auxílio instrumental e a substituição do trabalho criador. Pode-se concordar ou não, integralmente, com a rígida separação estabelecida entre HN e IA; permanece, contudo, o mérito maior da declaração: lembrar que nenhuma ferramenta, por mais avançada que seja, dispensa o discernimento, a experiência, a consciência ética e a responsabilidade autoral.
Num tempo em que a tecnologia
frequentemente se antecipa à reflexão sobre seus próprios efeitos, Vianney traz
ao debate uma advertência lúcida, corajosa e oportuna.


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