terça-feira, 14 de dezembro de 2021

CRÔNICA - Borba (TL)

 BORBA
Totonho Laprovitera*
 

A cidade de Fortaleza coleciona em seu itinerário existencial centenas de personalidades que contam a sua história. São figuras típicas que se tornaram populares e marcaram gerações que não esquecem de suas arrumações.



Pois é, as cidades se estabelecem muito além de seus prédios, ruas, praças etc. Afinal de contas, mais do que uma área densamente povoada, onde se ajuntam zonas residenciais, comerciais e industriais, dentre outras, as cidades são as suas pessoas, com relações e fenômenos sociais, culturais e econômicos.

Na Cultura Ceará Moleque, mantendo a tradição de um povo gaiato, Fortaleza sempre foi cheia de tipos curiosos, daqueles de chamar atenção. A maioria nativa da “loura desposada do sol” – do grande Paula Ney! – mas de quando em vez aparecia uns de fora, que mesmo temporariamente marcavam presença na cidade.

Pois bem. Na década de 1970, Borba foi uma figura de evidência em Fortaleza. Bem alegre, era um coroa carioca que veio morar aqui para trabalhar, mas ninguém tinha conhecimento em que ou onde. Sabia-se o que ele se dizia ser, um profissional de carreira internacional, tendo trabalhado até na ONU.

Borba possuía uma cultura geral privilegiada e nas horas vagas exercia uma boemia bem colorida. Acompanhava e animava várias turmas em noitadas memoráveis nas mesinhas da Beira Mar, na lanchonete do Mercantil 10 (vizinho ao Náutico) e nas barracas da Praia do Futuro.

O ponto alto da sua animação era quando se deitava na mesa, erguia as pernas e, em frenéticas pedaladas, praticava a repentina coreografia da “lambretinha”. Com sua voz rouca e forte, citava clássicos da literatura e entoava canções francesas, fazendo a alegria de todas as mesas que frequentava, sempre insistindo em pagar as contas.

Embora costumeiramente ele elegesse um príncipe para exercer seu platônico amor, nunca ninguém teve notícia de alguma pessoa que tenha consumado qualquer coisa com o espevitado Borba.

Mas de uma hora pra outra Borba desapareceu e ninguém teve mais notícia dele. Uns dizem que voltou para o Rio de Janeiro, onde se aposentou e viveu até seus derradeiros dias. Outros dizem que ele se mandou para o estrangeiro, lá pelas bandas da Turquia, onde trabalhou tomando conta de um afamado harém, ao lado da mãe de um poderoso sultão, de origem otomana do Irajá.

Sobre o verdadeiro paradeiro do Borba, ninguém sabe. O certo mesmo é que ele sumiu do mapa e c'est fini!


domingo, 12 de dezembro de 2021

CRÔNICA - As Eleições do Circo (RV)

 AS ELEIÇÕES DO CIRCO
Reginaldo Vasconcelos*

 

Tivemos uma CPI realizada pelo Senado Federal, por ordem de um Ministro do Supremo Tribunal (Respeitável Público!), que deveria e poderia ter tido um escopo positivo para o interesse nacional, ajudando o Governo a desvendar desvios de verbas destinadas ao combate à pandemia, apontar episódios de corrupção, identificando os inimigos do povo e amigos do dinheiro público, tacitamente conhecidos e apontados pelas redes sociais.

Mas o tal inquérito parlamentar se converteu no espetáculo mambembe que o País presenciou em tempo real pela televisão e pelo rádio, capitaneado por políticos desprovidos de isenção moral e de decoro, vários indiciados em procedimentos ou processos criminais, portanto carentes de bons antecedentes e sem ostentar passado ilibado, que seria requisito essencial. 

Então, passada a dita “CPI do Circo”, se aproximam as eleições, que já se prenuncia serão disputadas pelos mais circenses personagens. Serão as “Eleições do Circo”, que colocarão no picadeiro as mais variadas “criaturas do pântano político”, na expressão do histriônico Ministro da Economia, Paulo Guedes.

O eleitor não tem alternativa. Vai ter que assistir à pantomima dos debates rádio-televisivos, deprimente show a supurar o mais repugnante fluxo de falsidades e da assunção dos mais inexequíveis compromissos. 

O elenco será variado como as trupes dos antigos “circos de cavalinhos”, compostas por prestidigitadores hábeis em esconder coisas e fazer surgirem outras, no seu ilusionismo cretino, bem como malabaristas das palavras. Mas, principalmente, uma boa horda de palhaços, a seringar água dos olhos sobre o público, em flagrante falso pranto, e a trocar bordoadas com porretes cenográficos. 

Claro, assim como antigamente, aparecerão também aberrações da natureza, como a mulher barbada, irmãos siameses, bichos bicéfalos por teratologia patológica, animais de cinco patas. E também vedetes idosas ou de falsa beleza, maquiadas e esculpidas por malhas compressoras, por sob os maiôs coloridos de seda barata. 

Que o “respeitável público” das arquibancadas saiba distinguir, dentre os saltimbancos todos, quem sonha tocar fogo no circo para se apropriar dos seus despojos, e quem pretende de verdade o bem do povo, disposto a ariscar a vida pela sua biografia, com a coragem dos trapezistas e o sincronismo dos que se dispõem a encarar a vertigem do globo da morte.

             

CRÔNICA - "Imbecilis Tropicalis" (SQC)

IMBECILIS TROPICALIS
Sávio Queiroz*

Também conhecido por “otarius tupiniquensis”, imbecilis tropicalis” é uma subespécie humanoide que habita várias regiões do Brasil. 

Devido à baixa capacidade cognitiva, seus hábitos ainda são um mistério para os pesquisadores. As primeiras pistas indicam que se alimentam de mortadela e têm uma religião primitiva, que adora um deus-ladrão.  

Ainda não foram registradas atividades laborais, o que leva a crer que sejam alguma espécie de parasita, que sobrevive do trabalho alheio. 

Com baixíssima capacidade de entrosamento entre espécies, o imbecilis tropicalis, geralmente, é avistado somente em bandos ruidosos, gritando ofensas aos demais. 

O aspecto contraditório, aliás, é o que mais intriga os pesquisadores. Acham que queimando pneus, estátuas, depredando bens públicos e particulares, ou fechando ruas em algazarras estão exercendo a cidadania e a democracia. 

Pedem respeito a todas as crenças, mas desrespeitam a crença da maioria. Dizem-se defensores de gays, mas defendem um regime que exterminou homossexuais. Apoiam o feminismo, mas abrem espaço para o transformismo. Militam pelos direitos humanos, mas fazem campanha pelo aborto. 

Apesar de raciocinarem como primatas, têm conduta parecida à dos pombos. Fazem muito barulho, muita sujeira e sempre saem de peito estufado. Esse hábito de postura ainda é um mistério. 

A maior discussão, entre os cientistas, é como essa espécie se desenvolveu. Alguns apoiam a teoria de que o otarius tupiniquensis é fruto de uma época de muitas facilidades, que se acomodou à sombra de um Estado corrupto e paternalista. Outros aventam a possibilidade de uma infecção viral e temem uma epidemia. 

O terceiro grupo, porém, acredita que são frutos de experiências secretas, realizadas por professores e pela grande mídia, numa tentativa macabra de reengenharia social. 

Sem dúvida é uma raça de mentecaptos que infelizmente habitam o Brasil, e que lutam para ser escravos num regime comunista.


ARTIGO - Honestidade Intelectual (RMR)

 HONESTIDADE
INTELECTUAL
Rui Martinho Rodrigues*


A neutralidade axiológica é um debate insolúvel, embora tenha por objeto um problema simples. Algumas proposições se repetem, ao longo do tempo, sobre neutralidade e engajamento. Todos têm um lado; neutralidade como omissão, conivência ou cumplicidade e máculas associadas ao “isentão”. Tudo isso procede e não procede. Tratando-se de juízo de valor, a isenção pode ser uma das condutas citadas, mas como juízo de realidade, também chamado de fato ou de existência, ter lado é um erro ou desonestidade intelectual. 

O que um legista diz, em um laudo pericial, é um juízo de fato. Exemplificando: a perícia deve dizer que constatou, no cadáver, uma ferida perfuro-cortante no terceiro espaço intercostal esquerdo, com lesão de tais e tais vasos, ocasionando hemorragia externa e interna e óbito por hipovolemia. Tal seria um juízo de realidade, quer esteja certo ou errado. 

O que caracteriza tal juízo é a natureza do objeto (fatos), não a perfeição da descrição e das conclusões. O legista não formulou nenhum juízo de valor, não reprovou nem justificou a conduta do autor do golpe mortal, observou a neutralidade axiológica e não foi omisso, conivente ou cúmplice com o autor do homicídio. Tivesse ele formulado juízo de valor teria sido desonesto intelectualmente, não só por extrapolar suas funções e por julgar a conduta baseando-se apenas no exame cadavérico, desprezando o conjunto probante. 

O órgão do Ministério Público, dirigindo-se aos membros do Conselho de Sentença do Tribunal do Júri, descreveu o mesmo fato como agressão injustificada, covarde e traiçoeira. Formulou juízo de valor. Certo ou errado o acusador formulou um juízo de valor com base no conjunto de provas factuais, conforme os requisitos de conveniência e de oportunidade da discricionariedade facultada ao órgão ministerial. 

Não deveria haver dificuldade em reconhecer as duas situações do exemplo citado. O debate, porém, não tem fim, quando se trata de questões políticas. A essência do fato político é o juízo de valor. A decisão política, porém, nada obstante ter caráter valorativo, precisa de fundamento factual. A inflação é mais prejudicial para os mais pobres, configurando um problema ético. 

Como conter a inflação e identificar suas causas são fundamentos factuais relevantes para a decisão política que é valorativa. As ciências, da natureza ou da cultura, podem ser descritivas ou compreensivas. Estas buscam o significado da conduta dos sujeitos da ação social, sem pretensão de regulamentar condutas (Maximilian Karl Emil Weber, 1864 – 1920, na obra “Metodologia das Ciências Sociais). A normatividade se restringe a ética e ao Direito. 

A sofocracia dos reis filósofos projeta novas condutas e novos sentimentos em sua reengenharia social e antropológica. Tais “engenheiros” têm como inspiração as mais elevadas e altruísticas motivações, reforçadas pela vontade de potência mencionada por Friedrich Nietzsche (1844 – 1990), afinal, os generosos demiurgos da sociedade e de um homem inteiramente novos são “mais iguais”, na nova ordem pretendida, nos termos da alegoria de Georg Orwell (Eric Arthur Blair, 1903 – 1950), “A revolução dos bichos”. 

O problema ético não pode ser excluído das decisões políticas, mas não podem conflitar com a realidade factual. As considerações valorativas podem observar a ética da convicção, da responsabilidade ou situacional. Ter lado não poder servir de salvo-conduto para mentir e enganar. Os valores podem ser contemplados na perspectiva teocêntrica, cosmocêntrica ou antropocêntrica, podendo ser abordados do ponto de vista crítico ou teórico. Seria necessário, para tanto, outra reflexão.


sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

POESIA - Uma Poesia a Fórceps (AGAJ)

 



CARTA - Carta ao Diário do Nordeste (CB)

 CARTA AO
DIÁRIO DO NORDESTE
Cássio Borges*


Nos meus 88 anos de idade fico feliz em ver esta matéria do Diário do NORDESTE de hoje, com o subtítulo PROGRAMA TEM HISTÓRIA, relembrando o início da Campanha dos 2.000 Sócios do Fortaleza Esporte Clube que idealizei em 1978, ano em que a situação financeira daquele Clube era tão difícil que não tinha condições de, até mesmo, quitar, junto a Teleceará, a conta mensal dos dois telefones de sua propriedade. 

Para começo de conversa, não poderia deixar de citar, inicialmente, o apoio que recebi do General Edmar Rabelo Maia e Cid Paracampos, dois grandes dirigentes da época, que acolheram e apoiaram aquela minha inusitada ideia, numa condição, por mim exigida, de que meu nome não fosse revelado para a imprensa. Sem dúvida, o apoio da imprensa foi fundamental para o êxito desse empreendimento. 

O acolhimento da torcida foi total e graças a outros renomados torcedores como, por exemplo, o engenheiro Egberto de Paula Rodrigues, Camilo Aguiar, José Cidrão, José Saboia Bezerra,  entre outros que não recordo o nome neste momento, faziam parte do grupo (auto dissolvido) denominado de “CARDEAIS”, a “Campanha” recebeu novos  adeptos, já agora contando como atuantes dirigentes o colega do DNOCS, economista Cleber Granjeiro e o oficial da Marinha Moacir Andrade Rabelo. O colega, também do DNOCS, Procurador  Nelson Machado Filho, era também membro da Campanha funcionando como Assessor Jurídico daquele empreendimento em caso de necessidade. 

Também merece destaque especial o ex-Presidente, deputado estadual Alfredo Machado, que devido o seu estado de saúde renunciou ao cargo obrigando-me a assumir a Presidência do Club na condição de vice-Presidente que me foi, involuntariamente (à revelia), imposto pelo General Edmar Rabelo Maia e Cid Paracampos.  O referido Deputado, desde o princípio deu total apoio a Campanha inclusive fornecendo uma sala mobiliada, no Edifício General Tibúrcio onde a Campanha exerceu às suas atividades administrativas durante quase dois anos de sua existência. 

A Campanha dos 2.000 Sócios não tinha empregados. Todos os seus membros exerciam suas funções espontaneamente. Apenas os “cobradores” recebiam um percentual pelo que recebiam. 

Para não ser mais longo, gostaria apenas de fazer um reparo nesta matéria do Diário do Nordeste de hoje apenas para dizer que o engenheiro Manoel Guimarães de Oliveira foi também membro importante da Campanha dos 2 mil Sócios, sendo eleito Presidente do Fortaleza Esporte Clube que, por sinal, fez uma grande administração naquele Clube.  

Também gostaria de citar como membro destacado daquele empreendimento o empresário Silvio Carlos Vieira Lima responsável por excelentes arrecadações financeiras durante os jantares promovidos pela Campanha em restaurantes de nossa cidade, sendo dois deles no Restaurante Caravelas na Rua Luciano Carneiro. A Campanha recebeu dezenas de outras importantes adesões como a de Francisco Camarço, por exemplo, para citar apenas este entre tantos outros membros daquele vitorioso movimento da torcida do Fortaleza. 

Este é apenas um segmento da longa história da Campanha dos 2 mil Sócios, cuja vitoriosa história deve ser resgatada. Os leitores deste-mail poderão nos corrigir em algumas falhas que eu tenho cometido, ou mesmo omissões e/ou complementações para enriquecer esta longa história, pelo que agradeço. 

Em 09.12.2021

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

RESENHA - Reunião Virtual da ACLJ (06.12.2021)

 REUNIÃO VIRTUAL DA ACLJ
   (06.12.2021)




PARTICIPANTES

Estiveram reunidos na conferência virtual desta segunda-feira, que teve duração de uma hora e meia, 10 acadêmicos e um convidado especial:  o Advogado Betoven Rodrigues de Oliveira.  

Também  o Jornalista e Advogado Reginaldo Vasconcelos, o Bacharel em Direito e Especialista em Comércio Exterior Stênio Pimentel (Maricá - RJ) e o Procurador Federal Edmar Ribeiro.

Presentes ainda o Marchand e Publicitário Sávio Queiroz Costa, o Advogado e Sionista Adriano Vasconcelos, e o Médico, Professor, Filósofo e Latinista Pedro Bezerra de Araújo e o Empresário e Bibliófilo José Augusto Bezerra.

Compareceram também o Jornalista Wilson Ibiapina (Brasília), o Professor e Físico Wagner Coelho (Rio de Janeiro), e o Agente de Comércio Exterior Dennis Clark (Maringá - PR). 




TEMA DE ABERTURA

Na abertura da reunião desta segunda-feira, obviamente, o tema foi a Assembleia Geral de Fim de Ano do ACLJ, ocorrida na última sexta-feira, dia 03 de dezembro, que o melhor da festa são os comentários posteriores.

PERFORMANCES CULTURAIS

1. Pedro Araújo, nas letras, Pierre Nadie, disse um poema seu que trata do vigor da maturidade prazerosa, intitulado "Espírito Virente", que abaixo reproduzimos,  notando que enquanto o físico perde estâmina muscular, a mente se enriquece de sabedoria e paciência, e a alma se fortifica, na serenidade e no amor autêntico. 




Esse poema de Pierre Nadie diverge filosoficamente dos célebres versos do Padre Antônio Thomaz no poema "Contraste". Não obstante belo, entretanto é pessimista em relação à velhice, certamente pela visão de um sacerdote, que tem limitações ao amor romântico. 

"Quando partimos no verdor do anos / da vida pela estrada florescente, / as esperanças vão conosco à frente, / e vão ficando atrás os desenganos".

(...............................................................)   

Eis que chega a velhice, de repente / desfazendo ilusões, / matando enganos. /Então, nós enxergamos claramente / como a existência é rápida e falaz, / e vemos que sucede exatamente, / o contrário dos tempos de rapaz: / os desenganos vão conosco à frente / e as esperanças vão ficando atrás. 



2. Após a performance poética do Pedro Araújo, Edmar Ribeiro trouxe o tema do  pássaro Uirapuru, que tem um halo místico nas lendas da Amazônia, pela  beleza de seu canto e pela raridade de sua aparição. 

Além de trazer sortilégios a quem tem a oportunidade de escutá-lo, diz-se que todos os demais seres da floresta silenciam quanto canta o Uirapuru. 

Uma canção que fez sucesso no início da década de 60, intitulada "Uirapuru", gravada pelo conjunto musical "Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano", registra essa crença: 

"A mata inteira, fica muda ao teu cantar, / Tudo se cala, para ouvir tua canção, / Que vai ao céu, numa sentida melodia, / Vai a deus, em forma triste de oração".


E essa lenda tem uma valiosíssima confirmação testemunhal  por Edmar Ribeiro, que é acreano e foi menino da Amazônia. 

Contou ele que certa vez vagava pelo aceiro da mata em um jumento, quando percebeu que um pequeno pássaro pousou adiante, começou a trinar com sua voz maviosa, e então cessou todo o tumulto sonoro produzido na floresta.



Talvez esse fato tenha sido o prenúncio de que, muitos anos depois, Edmar Ribeiro seria guindado à imortalidade literária, empossado na Cadeira nº 4 da ACLJ, patroneada por Clóvis Beviláqua, em noite memorável. Será? Quem sabe?!

Edmar leu ainda um poema de Maria Eugênia Celso, de uma revista intitulada "Anuário das Senhoras", editada em 1947. 

Maria Eugenia Celso Carneiro de Mendonça (1886-1963) era uma poetisa natural de São João del Rei, Minas Gerais. Era filha do conde Afonso Celso, e neta do Visconde de Ouro Preto.   





3. Por fim, como de hábito, José Augusto Bezerra trouxe uma das relíquias de sua imensa coleção de raridades, desta vez a medalha de ouro que pertenceu ao Marechal Jerônimo Rodrigues de Morais Jardim, recebida por bravura militar, ele que foi o último presidente monarquista da Província do Ceará, herói da Guerra do Paraguai.  



DEDICATÓRIA 



A reunião virtual da ACLJ realizada nesta segunda-feira, 06 de dezembro, foi dedicada  ao jornalista Francisco José de Brito, cearense do Crato (1944), que acaba de sair da Rede Globo de Televisão após 40 anos de trabalho, empresa de comunicação em que Francisco José realizou mais de duas mil reportagens, em cinco Continentes.


O fato suscitou a edição de um livro, intitulado "40 anos no ar", em que ele conta sua longa trajetória na imprensa brasileira. Chico José fez carreira jornalística em Recife, e compunha uma tríade de jornalistas cearenses na Rede Globo, com Luiz Edgar de Andrade, sediado no Rio de Janeiro, e o nosso confrade Wilson Ibiapina, este em Brasília.



 

sábado, 4 de dezembro de 2021

NOTA ACADÊMICA - Assembleia Geral de 2021

ACLJ
PRIMEIRA ASSEMBLEIA GERAL
DE 2021



 


Transcorreu com grande êxito a primeira Assembleia Geral da ACLJ deste ano, no último dia 03 de dezembro, sexta-feira, com a ressalva de que a Assembleia de fim de ano correspondente a 2020 foi realizada em janeiro último, mas com a presença de apenas 30 pessoas, em auditório especial do BS Designe dotado de equipamento adequado de exaustão, disponibilizado pelo Membro Benemérito Beto Studart, tudo em razão da pandemia. 

Porém, a rigor, a reunião deste mês, realizada no Palácio da Luz, foi aquela que devolveu a esperança de normalidade social aos acadêmicos, restando apenas, dentre os protocolos, a cautela do uso obrigatório da máscara sanitária, que todos cumpriram com altivez e galhardia, grande parte dos acadêmicos ostentando o adereço com identificação institucional que a organização disponibilizou, trazendo o dourado monograma da ACLJ bordado nele. 



A cerimônia foi conduzida pelo radialista Vicente Alencar, acadêmico titular, e compuseram a mesa o Presidente Reginaldo Vasconcelos, o Presidente Emérito Rui Martinho Rodrigues, os Membros Beneméritos Lúcio Alcântara (Presidente da Academia Cearense de Letras), José Augusto Bezerra (Presidente da Associação Brasileira de Bibliófilos) e Beto Studart (ambos empresários),  o jurista e advogado Djalma Pinto e o Professor Vianney Mesquita, acadêmicos titulares e fundadores da confraria. 






No início da longa pauta da solenidade deu-se posse a três novos acadêmicos – o Procurador Federal Edmar Ribeiro, o jurista cearense Stênio Pimentel, radicado no Rio de Janeiro, especializado em câmbio e comércio exterior, ex-executivo de várias instituições bancárias no País, e o médico, filósofo, teólogo e latinista Pedro Bezerra de Araújo, que, em seu nome e em nome dos demais fez uma fala inaugural.




A homenagem especial da noite foi ao jornalista Edilson Araújo, assessor do Grupo Empresarial M. Dias Branco, que recebeu a “Comenda Benemérito Ivens Dias Branco”, pela imprescindível interação que sempre promoveu entre a ACLJ e a ilustríssima família do paraninfo.




Na sequência foi outorgada a “Medalha Comunicador Augusto Borges” a três jornalistas cearenses veteranos – Arnaldo Santos, Lúcio Brasileiro e Cid Carvalho – este último, Presidente de Honra da Confraria, impedido de comparecer à solenidade por motivo de saúde, receberá a comenda a posteriori. 






Depois a ACLJ concedeu o título de “Destaque Cearense” à médica Mayra Pinheiro, do Ministério da Saúde, e ao empresário Ricardo Cavalcante, Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, pela sua brilhante atuação, cada um na sua área de atividade, combatendo a pandemia e resistindo institucionalmente aos seus efeitos. 

Mayra Pinheiro teve seu nome proposto pelo acadêmico Djalma Pinto, que é seu advogado, e que lhe fez uma bela saudação, antes de passar às suas mãos o troféu e o diploma.



O nome de Ricardo Cavalcante foi proposto à Decúria Diretiva para receber a láurea pelo Membro Benemérito Beto Studart, que discursou em sua homenagem e fez a entrega do diploma e do troféu. Ricardo fez uma comovida fala de agradecimento.

 









Finalmente, foi concedida a distinção Talentos da Mídia a sete pessoas que atuaram na imprensa e nas redes sociais ao longo do regime de isolamento social da pandemia, informando, distraindo ou alegrando a população, enfim, produzindo conteúdos jornalísticos, artísticos e culturais e pondo-os a serviço da coletividade. 

São eles os repórteres especiais Almir Gadelha e Amenhotep Rodrigues, da TV Verdes Mares, os médicos Elias Leite e João Flávio Nogueira, que atuam na Internet, o arquiteto e artista plástico Totonho Laprovitera, do sistema de comunicação Otimista, o cineasta e documentarista Roberto Bomfim, e a cantora Roberta Fiúza. Foi o acadêmico Totonho Laprovitera quem agradeceu a homenagem, em nome próprio e em nome dos demais. 

O Dr. Elias Leite não pôde comparecer por motivo de viagem, então gravou um vídeo agradecendo a homenagem, que foi exibido no telão.


Após a solenidade foi servido um lauto coquetel, com drinques de frutas a cargo do barman Thiago dos Santos, e salgados quentes da Melissa Eventos. 




O link abaixo contem uma reportagem do médico João Flávio Nogueira para o seu canal da Internet - "Histórias e Estórias de Fortaleza do Ceará", em que ele cobre exatamente a história do Palácio da Luz e a Assembleia Geral da ACLJ do dia 03. Vale a pena existir à reportagem.

 Mais embaixo, a íntegra do discurso do Presidente Reginaldo Vasconcelos. 

https://drive.google.com/file/d/1JbONAtec_MDOKCSy3NfzSQbVj3f-K1uT/view?usp=drivesdk

DISCURSO
REGINALDO VASCONCELOS
03.12.2021

 


Srs. componentes da Mesa Diretiva, Senador Lúcio Alcântara, Professores Rui Martinho Rodrigues e Vianney Mesquita, Empresários José Augusto Bezerra e Beto Studart, Jurista e Advogado Djalma Pinto, insignes homens de letras, integrantes, dentre outras arcádias, da nossa Academia. 

Prezados confrades, 

Recipiendários desta noite, 

Ilustres convidados. 

Minhas Senhoras e Meus Senhores, 

Em discurso que proferi há alguns anos neste auditório, exortando os confrades da ACLJ a manterem entre nós a política de cordialidade que até então era reinante, lancei mão do título de uma peça de cinema que fez grande sucesso nos anos 60 – “Mundo Cão” – um documentário que tratava da luta sangrenta pela sobrevivência entre os animais comuns, e das correspondentes atrocidades cometidas pelo homem. 

O meu alvitre, então, era de que não permitíssemos que o “mundo cão” entrasse aqui; que no seio da confraria imperasse sempre o “mundo são”, o mundo das pessoas tolerantes e cordatas, das pessoas compreensivas e serenas, das pessoas que cultuam a paz de espírito e as sadias relações dos indivíduos – enfim, em linguagem bíblica, o mundo dos justos, não dos ímpios. 

Agora volto a apelar para essa mesma alegoria a fim de lembrar a todos a premissa de que somos pessoas de bem, homens e mulheres de boa fé, pacifistas, humanitários, cidadãos interessados no bem comum e nos preceitos da virtude. 

E que, pacificado esse postulado, todos respeitemos as convicções de cada um, sua visão de mundo, sua concepção particular do que seja melhor para si e para os outros. 

Cada pessoa tem o seu patrimônio estético, composto por tudo aquilo que aprecia, que aprova, que admira, que deseja, acervo esse que certamente se contrapõe ao que ela deplora e repudia. Esse cabedal psicológico de atrações e de repulsas deflui das vivências que cada qual experimenta, em grande parte desde a infância, mas também em face das benesses da sorte e das frustações que a vida adulta lhe impõe.

Baseado nisso o pensador francês Jean Paul Sartre dizia que as escolhas que cada um faz na sua vida – as lícitas e as espúrias, as corretas e as equívocas, as desastrosas e as felizes – são, na verdade, cada uma, a única opção de que a pessoa dispõe no momento decisório, tendo em vista o seu universo interior – o seu descortino filosófico e o estoque de experiências boas e más acumuladas – como também as perspectivas, mesmo enganadoras, que ele vislumbre pela frente. Para Sartre não haveria alternativa, pois o arbítrio nunca é livre, já que é induzido pelas circunstâncias fáticas e psicológicas da pessoa.  

Para me explicar melhor eu lhes proponho uma questão comparativa, a partir da constatação obvia de que alguém que tenha sobrevivido a um acidente aéreo, na primeira vez em que voou, vai sempre achar que a aviação é um perigo, quando sabemos que há milhares de aeroviários aposentados pelo mundo, que voaram por décadas sem grandes sustos, e que por isso têm certeza absoluta da segurança do avião. 

Ambos têm razão parcial, e a razão de cada um, para ele, é imperativa. O avião representa um grande avanço tecnológico para a evolução da humanidade, do ponto de vista utilitário, e, estatisticamente, é seguro. Mas também é verdade que ainda se trata de uma ousadia mecânica no que tange à segurança, haja vista os milhares de pessoas que ele já devorou desde o seu advento – e não garante que está farto. 

Mas tanto os que têm medo pânico de voar, como tinham os artistas Belchior e Dominguinhos, como os que não têm medo nenhum, ambos estão baseados muito mais no seu emocional vivenciado que na razão mais pragmática – de modo que só novas e agudas experiências, amaviosas ou traumáticas, os poderão demover de suas posições – jamais os argumentos cartesianos de terceiros. 

Saindo da analogia vaga para a tese objetiva, é também assim com os que torcem no futebol por Fortaleza ou Ceará, e com os que professam essa ou aquela religião, também com os que adotam essa ou aquela orientação erótico-afetiva, assim como com os que acreditam nesta ou naquela solução ideológica para o País e para o mundo. 

Em relação a esta última – a vertente sociopolítica e macroeconômica ideal para a perfeita e mais justa administração da sociedade – deixemos a nossa opinião sobre isso para a livre individualidade do sufrágio, o voto secreto, enquanto vigorar a democracia no País. 

Os intelectuais que somos, resguardemos esse tema para as teorias livrescas que podemos sorver e elaborar. No campo prático, a questão vai para a discursão nos parlamentos e para as políticas de Governo, que, votados pela maioria, bons ou maus, os eleitos são o retrato do País, na sensatez, ingenuidade ou ignorância de seu povo. 

Em última instância, quando não mais vigora a democracia interna ou a soberania nacional, então, infelizmente, é inelutável que as nações assumam o “mundo cão” – entrevisto nas revoluções civis e nos conflitos militares, que não são do interesse de ninguém – mas provocados por intransigência e cupidez. 

Aos de nós que militamos na imprensa – pois essa também é uma casa que comporta jornalistas – nesse atual cenário de embates políticos e de confronto ideológico, procuremos expor nossas ideias na mídia de maneira elegante, isenta, verdadeira, sem farisaísmos, até para representar bem esta nossa prestigiosa confraria. 

Evitemos conduta panfletária de ativista ou militante partidário, que a nossa função é informar e divertir. Foi-se o tempo em que a imprensa se constituía em “formadora de opinião” por excelência. Hoje as opiniões se formam, de maneira absoluta e interativa, nas redes sociais da Internet. A grande mídia só as alimenta e as repercute. 

Então, volto a recomendar que não deixemos que a cerebração de cada um, sobre o que quer que seja, interfira nas relações fraternas entre nós. Que não discutamos nem tentemos impor nossas convicções e nosso ideário aos circunstantes, que todos já têm desenhado o próprio sintagma filosófico, desde a educação que recebeu na infância, as influências juvenis, as experiências que a vida lhes propôs.  Não será possível ilidir suas paixões mais arraigadas, e desse debate inócuo só resultarão ressentimentos. 

Enfim, devemos presar a cultura de paz e cultuar o bom convívio, naquilo que realmente nos interessa nos umbrais de nossa Arcádia – o beletrismo, as belas artes, a cultura cearense, a exaltação dos grandes conterrâneos do presente e o passado, e a revelação dos novos talentos. 

Resgatar e registrar a memória do Estado e a sua documentação histórica; viver a poesia, a prosa poética, a boa música, enfim, a lírica em geral, que essa é a vocação deste parnaso alencarino. 

Os políticos, meus confrades, são vezeiros em colocar o povo na rinha da ilusão, na arena da discórdia, no ringue da paixão, quando tudo que querem e buscam de forma obstinada é poder e fortuna pessoal. Raríssimas exceções confirmam a regra – e nós temos uma em nossa mesa. 

Grato pela sua atenção. 

Eu tenho dito.