domingo, 21 de julho de 2024

ARTIGO - O Brasil e o Nordeste nos Anos 50 (AS)

 O Brasil e o Nordeste
nos anos 50
Arnaldo Santos*

 

Os fundamentos históricos e condicionantes político-econômicos para o desenvolvimento tardio da Região Nordeste e o Banco do Nordeste do Brasil como ação para o projeto nacional desenvolvimentista do presidente Getúlio Vargas

De conhecimento global é o fato de que a relação de dependência econômica, científica e tecnológica do Brasil perante o mundo desenvolvido ocorreu, especialmente, à extensão de toda a primeira metade do século imediatamente anterior.

Revisitando a história desde o fim do mencionado espaço temporal, encontra-se registro da realização, já em 1947, no Rio de Janeiro, de Conferência Internacional sobre a defesa dos interesses econômicos do Brasil no Continente. No evento, os representantes nacionais cobraram ao Presidente dos EUA, Harry S. Truman, anuência para que fosse criada uma comissão bilateral com o objetivo de debater modalidades de incentivar o investimento privado no País. Propositura aceita e confirmada, organizou-se um grupo de trabalho denominado Comissão Técnica Brasil-Estados Unidos, liderada por John Abbink, representante estado-unidense, e por Otávio Gouveia de Bulhões, indicado pelo Brasil. O grupamento ficou conhecido como Missão Abbink. 

Na sequência de determinação do referido grupo, já em 1949, a Missão Abbink elaborou um documento onde analisou, não só, os segmentos econômicos e as precondições para o desenvolvimento, mas, também, a participação do Estado Brasileiro e do capital estrangeiro. Esse estudo foi a primeira tentativa de assentar um plano de desenvolvimento para o Brasil, apesar de não detalhar os projetos, tampouco de estimar os recursos financeiros necessários à implementação, o que já evidenciava sua ineficiência para alcançar os objetivos pretendidos. 

O Governo de Eurico Gaspar Dutra, a seu turno – e que vinha trabalhando paralelamente com os mesmos dados - também divulgou, em 1949, um conjunto de medidas a serem implementadas daquele ano até 1953. Essas medidas ficaram conhecidas como Plano Salte. O acrônimo SALTE é constituído pelas letras iniciais das palavras Saúde, Alimentação, Transporte e Energia, que compunham as áreas a serem incentivadas. 

Como, até então, não havia recursos externos para alavancar a industrialização, o Governo Dutra perfilhou uma política de crédito mais liberal, concedendo, por exemplo, empréstimos do Banco do Brasil a setores industriais considerados essenciais.

Dessa ideação resultaram algumas fábricas localizadas no Sudeste, mas nada de relevante para o Nordeste – o que reafirmava o afastamento da Região desde sempre – pelo fato de que o Salte não previa um planejamento em escala nacional. Ainda assim, nos últimos anos do Governo sob comentário, a economia brasileira denotava índices de crescimento expressivos, de 6% ao ano. O Nordeste, entretanto, mais uma vez não se beneficiou dessa dilatação, confirmando a tradição malsã de excludência, ainda vigente na realidade em curso. 

Nesse período, impõe-se enfatizar o fato de que, por décadas, as tragédias ocasionadas pelo clima no Brasil eram somente as “secas do Nordeste”, estampadas nas primeiras páginas dos jornais e na maioria dos meios de propagação coletiva em todo o Estado Nacional, que exibiam imagens de crianças esquálidas pela fome, migração em massa, animais no chão esturricado, forjando o estereótipo de um grande e oneroso locus para o País, já que a ação da elite política local se limitava, tão somente, a pressionar o Governo Federal por mais e mais recursos, sem, todavia, propor uma política de desenvolvimento para a Região. Essa atitude só contribuiu para reforçar o estigma de uma terra cada vez mais miserável! 

Vale o registro de que foi na primeira metade da década de 1950, isto é, correspondente ao início do segundo Governo Vargas, que ocorreu a maior saída, até então registrada, de nordestinos desesperados para outras regiões do País, especialmente para São Paulo, o que intensificou as preocupações do Governo Federal com o flagelo regional. Nesse tempo, além da seca, a economia do Nordeste vinha de um extenso período de estagnação, com agricultura atrasada e pouco diversificada, grandes proprietários de terras, débeis relações capitalistas de produção, concentração de renda e indústria com baixíssima produtividade. 

Malgrado todas essas adversidades de atraso econômico e social, baixa industrialização, falta de infraestrutura rodoviária e de transporte, energia e telecomunicações, foi que ocorreram as novas eleições. Consoante registrado na História, no dia 3 de outubro de 1950, Getúlio Vargas foi eleito Presidente da República, retornando, então, pelo voto, a ocupar a mais alçada função no País. 

Vargas tomou posse em 31 de janeiro de 1951. O debate iniciado no Governo Dutra sobre estratégias de desenvolvimento econômico teve continuidade, então, com muito maior ênfase, oportunidade em que o Presidente Getúlio Vargas aventou para sua regência a decisão central acerca das políticas sobre o tema, considerando que era necessária a intervenção governamental para direcionar o crescimento econômico brasileiro, de preferência com o apoio do capital estrangeiro.

O Banco do Nordeste do Brasil como ação para o projeto nacional desenvolvimentista de Getúlio Vargas 

No segundo governo Vargas, tinha curso um ambiente institucional favorável à criação de um banco como o BNB. No começo, havia sido objeto de promessas de campanha, apontando para a continuidade do desenvolvimento impulsionado pela ação estatal, que caracterizou o período ditatorial de Vargas. Secundariamente, experimentava seguimento uma filosofia desenvolvimentista de cariz institucional consubstanciada na Constituição vigente do País, com base na qual a ação do Estado era largamente protegida. Assim, neste entretempo – segundo Governo Varguista – mudava somente o ambiente político, com a redemocratização, via Carta Grande de 1946, mas o espírito desenvolvimentista impulsionado pelo Estado continuava muito robusto e, objetivamente, expresso no próprio Texto Constitucional. 

Nesse âmbito de efervescência desenvolvimentista, foram instituídos dois grandes bancos estatais que mudaram a própria configuração institucional do sistema financeiro nacional – o BNDES e o BNB. As motivações, todavia, para instituir ambas as instituições financeiras foram bem diferentes. A primeira distinção foi que a ideia para implantação do BNB não surgiu de um simples plano, mas de uma filosofia de governo, expressa nos vários discursos da campanha de Getúlio Vargas à Presidência da República, que era para sustentar a continuidade do desenvolvimentismo, transportado robustamente pela ação estatal, iniciado com a Revolução de 1930. Já o BNDES aflorou da ideia de impulsionar o desenvolvimento por meio da industrialização do País e, como é farto na História, inspirado pelas análises da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos – CMBEU. 

O aparecimento do BNB na ambiência regional, no início dos anos de 1950, assinala um ponto de inflexão estratégica na política até então vigente com a qual o Governo Federal cuidava dos problemas do Nordeste, onde o Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs) ocupou, por cerca de 40 anos, o lugar de efígie central daquela sucessão desenvolvimentista. 

A seca de 1951-1953 registra um significado especial no argumento histórico do Banco do Nordeste do Brasil, porquanto foi depois de uma visita que o Ministro da Fazenda, Horácio Lafer, fez à Região, todavia – uma vez atingida por estiagem prolongada e devastadora –, que despontou a ideia de originar a Instituição. Assim, para o BNB, mais do que uma catástrofe em seus efeitos naturais e políticos, aquela comprida e dolorosa estiagem constituiu, também, um marco em sua trajetória. 

Em 1951, conforme há pouco expresso, ocupava o Ministério da Fazenda o político e homem de negócios paulista, que participava no Recife, naquele ano, de um evento promovido por empresários ligados ao setor algodoeiro. 

Depois que retornou ao Rio de Janeiro, por meio de uma Exposição de Motivos circunstanciada, Lafer propôs ao Presidente Vargas o instituto de um banco especial, que veio a representar, também, uma mudança radical nos procedimentos de apoio do Governo Nacional ao Nordeste, sob a visão de que esse amparo não devia se restringir apenas aos momentos aflitivos do povo da Região, mas ter um caráter de permanência, atuando como um instrumento transformador da economia regional. 

A seca de 1951-1953 e a formulação da proposta para a criação do Banco do Nordeste 

Alguns analistas entendem que o BNB foi originado em razão da visita que Horácio Lafer fez ao Nordeste em 1951, quando começava mais uma seca devastadora, e teria ficado bastante impressionado com o que viu – o sofrimento do povo atingido pela seca, a desarticulação do sistema produtivo regional e a impotência das políticas governamentais em decurso, mormente as de “combate às secas”, que eram remédios ineficazes para tanger aquela situação dramática. 

Sobra evidente o fato de que uma decisão complexa como a de sugerir o estabelecimento de uma grande instituição financeira de desenvolvimento não haveria de ser resultado de uma impressão conjuntural do Ministro da Fazenda. 

Há de se entender, então, o que motivou a formação do Banco do Nordeste, feito algo que era amadurecido, não exatamente como uma ideia de originar uma agremiação nos seus moldes, mas como fundamento para uma política sob a qual convergiam as convicções técnicas, por assim dizer, do financista Horácio Lafer, e as premissas do projeto político do Segundo Governo Varguista. A seca de 1951 patenteou, somente, um fator de precipitação, um catalisador, alguma ideação que faltava para deflagar mudanças cujos fundamentos já vinham sendo constituídos, bem antes de Getúlio Vargas assumir a Presidência pelo voto popular. 

A propósito, nem a nova política para o Nordeste, que se propunha, em que o estabelecimento do BNB foi o marco zero, era, como ideia motriz, algo tão novo assim. É azado expressar o argumento de que a falência da velha política assistencialista, exercitada havia cerca de 40 anos, tinha sido constatada há várias décadas por outro titular da Fazenda, o Ministro Ruy Barbosa. 

Na vigorosa advertência para a ineficácia daquele tratamento concedido aos flagelados pelas secas do “Norte” (o conceito de “Nordeste” ainda não existia), o Titular baiano do Ministério atentava para a relação entre os gastos astronômicos e os resultados pífios obtidos com aquela política oficial e a carga tributária elevada imposta aos contribuintes. Dizia ele que As despesas com os Estados afligidos pela seca formam, no orçamento, uma voragem, cujas exigências impõem continuadamente ao País sacrifícios indefinidos. Cumpre que a política republicana, apenas consiga desvencilhar-se dos grandes problemas que envolvem a sua inauguração, busque a esse problema solução mais inteligente e menos detrimentosa para os contribuintes”. (Apud Paulo Brito Guerra, em A civilização da seca). 

A importância do fundo das secas para a criação do BNB 

A ideia de instalar o BNB era estabelecer uma instituição para gerir os recursos do chamado “Fundo das Secas”. Os recursos que formavam tal substrato financeiro foram instituídos na Carta Maior de 16 de julho 1934, cujo artigo 177 estabelecia duas diretrizes fundamentais da política de assistência do Governo Federal ao Nordeste, no tocante à defesa contra os efeitos das estiagens, conforme vêm. 

a)     A defesa contra os efeitos das secas nos então chamados Estados do Norte deveria seguir um plano sistemático de caráter permanente, sob a responsabilidade da União. 

b)    Era estipulada uma quantia destinada à construção de obras e serviços de assistência de valor nunca inferior a 4% da receita tributária da União sem aplicação especial. 

Sobrava estabelecido o fato de que três quartos (75%) desse percentual eram destinados ao custeio das obras normais do plano fixado, ao passo que o restante dos recursos era depositado em caixa especial, para aplicação no socorro das populações atingidas pelas secas. 

Determinava-se, pois, que o importe de 4% deveria ser revisto por lei ordinária, após decorridos dez anos de seu estabelecimento. 

A Constituição de 1937, que instituiu no País o regime autoritário conhecido por Estado Novo, não tratou sobre o assunto, mas, na Carta Magna de 1946, em seu artigo 198, o tema foi retomado e os recursos do Fundo passaram a ser regidos pelas regras dispostas à continuidade. 

a)    Na execução do plano de defesa contra os efeitos de determinada seca do Nordeste, a União deveria aplicar, anualmente, com as obras e os serviços de assistência econômica e social, quantia nunca inferior a 3% da sua renda tributária. 

b)    Um terço daquele percentual haveria de ser depositado em caixa especial, destinada ao socorro das populações atingidas pela calamidade, sendo essa reserva, ou parte dela, passível de ser aplicada a juro módico, consoante as determinações legais, em empréstimos a agricultores e industriais estabelecidos na área abrangida pela seca.


As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.

 

sábado, 13 de julho de 2024

POESIA - Soneto "Mal Rimado" (VM)

 SONETO “MAL RIMADO”
Vianney Mesquita

 

A ignorância vacila entre a extrema audácia e a excessiva estupidez.

 

(Ambroise-PAUL-Toussant-Jules VALÉRY - poeta da Escola Simbolista. Sète, 30.10.1871; Paris, 20.07.1945).


Toinho, meu Irmão – Girão Barroso,
Na Tribuna*, a lume, por semana,
Por onde o engano, em tempo algum dimana,
Conduz seção de teor cuidadoso.
 
Um bronco, boçal, afeito à chicana,
Submeteu, entretanto, presunçoso,
Texto, na hebdômada, feoso,
E o Jornalista lhe estorvou a gana.
 
Se chué, na TC jamais se adita
Conto, soneto, peça mal escrita:
Nenhuma peta com qualquer desaire.
 
Certa vez, mal julgando, o besta cita
Um verso que Girão aceita e edita
Consoando mulher com Baudelaire.
 

* Tribuna, TC = Tribuna do Ceará. Jornal que existiu em Fortaleza-CE, pertencente ao empresário e político massapeense José Afonso Sancho, onde o Professor da UFC, escritor e jornalista Antônio Girão Barroso (chamado, pelo Prof. Magdaleno, de Toinho, meu irmão) mourejou por certo tempo).

 

quarta-feira, 10 de julho de 2024

CRÔNICA - Uma Parada Na Rota do Meu Rumo (JB serra e Gurgel)

 

UMA PARADA
NA ROTA DO MEU RUMO
JB Serra e Gurgel* 

 



Meu melhor momento no Rio de Janeiro foi quando trabalhei com Ibrahim Sued. Diziam isso e aquilo sobre ele, mas, para mim, ele foi um pai. Não tenho nada a reclamar. Sempre me tratou com dignidade e respeito. Exigia notas “off the records”, “em primeira mão”, “bomba-bomba”, com identificação de fonte. Chegava cedo ao escritório na Rua Siqueira Campos, 43, sala 836, onde me esperavam dois telefones, 2376850 e 236 5212, e um “sebo”. Tinha que falar com meio mundo em Brasília via telefonista, com muita demora. 

Todo mundo queria ser informante de Ibrahim. Isto me facilitou a missão. Assim, no Senado a fonte era o Senador Gilberto Marinho, Presidente. Na Câmara, o Deputado José Bonifácio, Presidente. No Supremo, o Ministro Luís Galotti, Presidente. Na Academia de Letras, Pedro Calmon, Presidente. Todos amigos dele. No Itmaraty, os embaixadores Maury Gurgel, Donatello Griecco, Italo Zappa, idem. 

Ainda na Academia Brasileira de Letras: Josué Montello, Gilberto Amado, Guimaraes Rosa, Peregrino Júnior, Ivan Lins, Cícero Dias, Di Cavalcanti, Isaac Karabtchevsy. A elite empresarial do Rio de Janeiro era fonte. 

Ministros de Estado e dos Tribunais Superiores; procuradores, juízes, senadores, deputados, do governo e da oposição – todos os seus assessores de imprensa queriam ser fontes. 

Oscar Ornstein era informante de personalidades, pois era o poderoso gerente do Hotel Copacabana Palace. 

Eu não procurava o high socitety, que ficava por conta de Fernando Carlos de Andrade, irmão de Evandro Carlos de Andrade, que foi editor de O globo e diretor da Rede Globo, também sócio de Ibraim em objetos de arte. Tiveram uma galeria em Ipanema. 

Pintores famosos lhe levavam quadros, para que ele desse nota na sua coluna. Muitas dessas pinturas ficaram comigo. Eles saíam do escritório, Ibrain dava a nota e me dava os quadros. Fui o amigo de um que nunca foi ao escritório, Orlando Teruz. Este me deu um miniquadro, que fui buscar no seu atelier. Foi muito útil, pois não tendo como dar sinal em dinheiro para compra de um apartamento em Niterói, dei o miniquadro. Teruz me repôs com um desenho. 

Ibrahim chegava ao escritório, lia os recortes do Lux Jornal, jogava os papéis lidos no chão. Lia livros jogando as páginas lidas no chão.  Não esquentava a cabeça com os xingamentos de Stanislaw Ponte Preta, a quem respondia com seu clássico bordão: “ladram os cães, e a caravana passa”. Ou: “cavalo não desce escada”. Depois pegava um livro de pensamentos, tirava um deles e punha na boca de alguém. Certo dia, o embaixador Gilberto Amado ligou para o escritório querendo falar com ele, muito aborrecido. Ibrahim colocara na sua boca um pensamento que não se coadunava com sua pessoa. Ligou várias vezes, Ibrahim não o atendeu. 

Ibrahim ficava feliz quando chegava ao escritório e pedia que eu pusesse o Presidente Costa e Silva na linha. Eu ligava para o Major Lair de Almeida, Ajudante de Ordens, e dizia que Ibrahim queria falar com o Presidente. Rapidamente o Major punha o Presidente na linha e eu falava: “Ibraim! O Presidente”. Ele ficava muito tempo ao telefone, comentando coisas do dia-a-dia da política. Nunca falou com o Presidente Médici. Nunca falou com o Presidente Geisel. 

Aos sábados, quando fechávamos a coluna de domingo e de segunda de O Globo, Ibrahim chegava depois das duas, sempre vermelhão do sol da piscina do Copacabana Palace. Contava suas vantagens e suas aventuras. Certa vez, pegou um taco de polo e tentou fazer uma jogada no escritório. Deu-se mal, pois a bola acertou um lustre e foi um susto. 

O melhor momento de Ibrahim não foi quando lançou o seu livro “000  Contra Moscou”, mas quando foi eleito paraninfo de uma das primeiras turmas de comunicação da Universidade de Brasília. Elio Gaspari foi com ele a Brasília e ajudou a escrever a saudação. 

Eu saía do escritório na semana às 16:30h, indo de ônibus para a TV Globo, na Gávea, a fim de falar com meio mundo, colhendo notícias para o seu programa, “Ibrahim Sued, o Repórter”. Foram muitas “bombas-bombas”. Guardo fotos do programa de despedida quando me apresentou ao distinto público... 

Ibrahim me indicou a Joaquim Xavier da Silveira para um emprego na Embratur, ao Governador Raimundo Padilha para um emprego na Flumitur, e ao  Paulo Cesar Ferreira para um “bico” com o Ministro Delfim Neto – que se transformou num emprego com Carlos Alberto de Andrade Pinto no Embratur/IBC. 

Certo dia me inscrevi para comprar um fusca na Caixa. Não sabia nem dirigir. Falei para ele que fora sorteado, mas não podia pegar o carro, pois não tinha a entrada. No outro dia ele chegou com um envelope com o valor da entrada e me disse: “Vá pegar seu carro”. Fui pegar o carro com um amigo que o levou para garagem em Niterói. 

Num determinado momento ouvimos, eu e o Fernando, que ele atendia muitos telefonemas do Dr. Roberto Marinho. Percebemos que o Dr. Roberto o aconselhava a manter o casamento com Dona Glorinha Sued, mãe de seus filhos, de quem fora padrinho do casamento. Vida que segue, Ibrahim foi em frente seu destino e o Dr. Roberto se separou da mulher, Dona Stela, e acabou se casando com Dona Lyli, que fora sua namorada na juventude e que fora casada com Horácio Carvalho, dono do Diário Carioca. 

Quando andava de taxi comigo, se era reconhecido, não gostava. Pagava suas contas no restaurante onde almoçávamos juntos. Não aceitava cortesia. 

No natal recebia muitos presentes, eu mesmo ganhava dele muitas cestas que levava para Niterói. 

Apoiou-me quando da minha ida para Brasília, indicado por Elio Gaspari e Evandro Carlos de Andrade, para assessorar o Nascimento Silva. O Nilo Dante indicou o Ricardo Boechat para me substituir. 

Quando Ibrahim ia à Brasília eu era seu motorista, do aeroporto para o hotel e do hotel para onde fosse. Continuei como informante da coluna, em admiração ao mestre, ao líder, ao colunista, a quem me acolheu com humanidade na parada do meu rumo.


 

Nota do Editor 

O jornalista cearense João Bosco Serra e Gurgel foi proposto à quadraginta numerati da ACLJ pelo confrade Fernando César Mesquita, tendo sido eleito e com posse prevista para o dia 04 de maio próximo, na Cadeira de nº 23. Nessa crônica de estreia ele fala de sua longa convivência jornalística com um dos primeiros e mais famosos cronistas sociais do Brasil, o carioca Ibrahim Sued (1924-1995).

segunda-feira, 8 de julho de 2024

CRÔNICA - Geraldo-Cacete (VM)

 GERALDO-CACETE

(Crônica para a História da Televisão Cearense)
Vianney Mesquita*


O sábio avalia o ignorante porque já foi ignorante. O ignorante, no entanto, não pode avaliar o sábio, uma vez que jamais foi sábio. [SADI DE SHIRAZ, poeta persa (iraniano); Shiraz, 1210-1291].
         

Indicado e conduzido pela Prof.a. Docente-Livre Adísia Sá até o Prof. Dr. Carlos d’Alge – aos quais sou eviternamente agradecido - fiquei na TV Educativa do Ceará – Canal 5, onde d’Alge era superintendente, de outubro de 1976 até fevereiro de 2005, quando fui acometido de infarto agudo do miocárdio, do que resultou aposentadoria.

Nessa época, não se cogitava em concurso público, especialmente para fundações sob o regime de CLT, de sorte que ali entrei (como todo o mundo entrava) pela janela – até porque não havia portas, somente compostas pela marcenaria reparadora da Constituição Cidadã em 1988. Ali exerci a função de redator, como jornalista profissional, operando na feitura dos telejornais, ao dividir o regime de trabalho de 40 horas semanais com o magistério da Universidade Federal do Ceará, sobrando 20 horas para dedicar à Emissora.

Nos seus começos (7 de março de 1974), a TV Educativa do Ceará – inaugurada por César Cals de Oliveira Filho, chefe do “Governo da Confiança” - pertencia à Fundação Educacional do Estado do Ceará – FUNEDUCE, da qual era parte, também, a UECE. Na sequência histórica, entretanto, essa Instituição foi bipartida, ensejando duas entidades em regime fundacional – a Fundação de Teleducação do Ceará – FUNTELC e a Fundação Universidade Estadual do Ceará – UECE, conforme sucede até o momento. Em 1993, no Governo de Ciro Ferreira Gomes, a então TV Educativa mudou a denominação-fantasia para TV Ceará - Canal 5, pertencente à mencionada FUNTELC, numa como homenagem à TV Ceará – Canal 2, que houvera se desconstituído.

No tempo relatado, o público da TV Educativa – Canal 5 – hoje chamado de stakeholders pela Ciência da Administração – era de duas seções, configurando, primeiramente, a equipe da Pedagogia, com os então chamados professores-autores (os quais preparavam as teleaulas) e seu grupo de apoio, com vistas ao ensino a distância.

Este era a “fina flor”, a “aristocracia”, a “nata” da Estação, os donos da situação, constituído por docentes, a maior parte compartindo seu ofício com o magistério na UECE, uma parcela absolutamente separada socialmente, pois sequer (em tese) se dirigia aos demais, somente os olhava à sorrelfa - a não ser quando a comunicação era vinculada a tratos profissionais. Era a vera câmara da Rainha Elizabeth II tupiniquim.

O outro segmento – evidentemente, sem fazer referência aos componentes das diretorias e seus funcionários – era formado pelo pessoal técnico, a maior parte do qual procedente da então desativada TV Ceará – Canal 2 (Rede Tupi de Televisão), a primeira televisão do Estado, inaugurada em 1960.

Essa, pois, era a turma do papoco, em geral e com muitas exceções (e isto se impõe que eu relate), deselegante, grosseira, mal-acostumada com a bagunça, pornográfica, semiapedeuta, produtora de comportamentos aos quais eu não era afeito, moleque e com aqueles vezos da ambiência teatral, em que tudo se afigurava natural, mesmo que certas condutas resultassem desrespeitosas, exceto, evidentemente, os caracteres de pessoas cujos procedimentos, conquanto insertas na dita esfera, eram vazados na decência e inseridos nos perfis da urbanidade.

Extraio nesta história modelos dessas restrições – e por isso dois deles estão aqui na Academia Cearense de Literatura e Jornalismo. Pinço, pois, o Ricardo Guilherme, uma das maiores inteligências que já tive a dita de deparar, autor teatral de escol, ainda hoje a pleno emprego, o qual veio a ser meu aluno na UFC (também o foi Ary Sherlock) e, algumas vezes, até me ajudou a ministrar conteúdos ligados ao Jornalismo, Cinema e Teatro (conforme o fez, também, o enorme Guilherme Neto), desde que se lhe aprestou o uso da razão.

Outro é Amaro Penna, o Peninha, músico, violonista, compositor, gente, na escorreita expressão da palavra, hoje também detentor de título de imortal da ACLJ, consoante sucede com o mencionado Prof. Ricardo Guilherme.

Vêm, ainda, na sua maior parte, vinculados ao Departamento de Telejornalismo, Alcyon Lemos e Maia Ferreira, hoje, amigos de minha intimidade, Oliveira Filho, jornalista, ator de novelas radiofônicas e advogado; Godofredo Pereira de Sousa, meu compadre, jornalista e professor da UFC; Everardo Sobreira, radialista da melhor felpa, advogado de elevado nível e docente da UFC; Heraldo Meneses; e tantos outros. Um destes é o moradanovense Sebastião Belmino Barbosa Evangelista, móvel deste escrito, meu amigo, moleque “safado”, incontinenti nas piadas, decentes ou não, meu contemporâneo no Curso de História da UECE e irmão do Marcos Belmino, o Ponhonhon (falecido), e que hoje ainda é capaz de “fazer hora” até com o juiz Sérgio Moro.

A trupe a que ora me refiro era o segmento intervalar, digamos assim, do ajuntamento pedagógico, configurado nos professores-autores do ensino a distância, em relação ao bloco do segundo tempo da TV do intelectual guaiubense Manuel Eduardo Pinheiro Campos (Manuelito, Manecão) – a raça do papoco, há pouco referida.

De tal modo, conquanto não privassem os jornalistas da total benquerença dos adeptos de Jean-Jacques Rousseau e Lev Semenovith Vygotsky (muitos dos quais de araque, do Paraguai ou Roscoff), não os aborreciam, conforme acontecia (salvante, evidentemente, as muitas exceções) com a camada de técnicos, auxiliares e tantos profissionais arrolados pela legislação do radialismo nacional, provindos da Televisão do Indiozinho, da qual os tuxauas paulofreireanos guardavam o devido afastamento.

Seu Geraldo, que a canalha logo apelidou de Geraldo-Cacete, procedia do interior do Ceará e era o vigia noturno da TV Educativa. Ele sempre portava um pedaço de pau, quando de suas andanças pelos lados de fora da Emissora. Era interessante nas suas conversas matutas e todo mundo caçoava dele, quando, por exemplo, ao atender ao telefone, saudava o cliente, dizendo:

– “ALÔ! É DA CANAL CINCO!”.

De certa feita, ele criticava os noticiários sobre as navegações interplanetárias dos soviéticos e estadunidenses, ao exprimir como mentiras a ideia de que o homem jamais foi à Lua, como era consabido pelo Mundo inteiro, em especial com a visita da Apollo Onze ao Satélite terrestre, em 20.07.1969, por Neil Armstrong e Edwin Aldrin.

A este pensamento expresso, o Sebastião Belmino observou:

– Deixa de ser besta, Geraldo, que o homem não quer mais saber de ir à Lua; ele vai agora é ao Sol!

Enraivecido, então, o Geraldo-Cacete disse de imediato:

– Só se for pra tocar fogo com o Sol naqueles avião véi deles!

A isto, pois, o Belmino ajuntou:

– Geraldo, tu é de lascar! Os astronautas não vão “de dia”, que eles não são abestados! Eles vão é “de noite!”

O Geraldo, então, respondeu, convencido:


– AH, SENDO ASSIM, EU FICO CALADO!



COMENTÁRIO:

Lendo “Geraldo-Cacete (Crônica para a História da Televisão Cearense)”, de Vianney Mesquita, lembro que eu tive o programa “Pense!”, na TV União, em 2005. Cheguei até a gravar dois programas em Paris: um, com o escultor brasileiro Jaildo Marinho, na Torre Eiffel e Museu do Louvre; outro, com a escultora francesa Roseline Granet, em seu atelier.

Totonho Laprovítera.

terça-feira, 18 de junho de 2024

NOTA SOCIAL - 35 Anos da VSM

 VSM
GANHA BOLO
E
SOPRA VELAS

A empresa VSM é a pioneira no Estado no seu ramo de atividade, a Comunicação Corporativa. Foi idealizada e fundada pelo jornalista Marcos André Borges, ele mesmo Membro Titular da ACLJ, além de seu saudoso pai, o jornalista e engenheiro Manfredo Cássio Aguiar Borges, que era do grupo inaugural da nossa Academia, e um dos seus mais importantes e mais queridos integrantes, recentemente falecido. 


Marcos André, depois de formado em Comunicação pela Universidade Federal do Ceará, ingressou por concurso no Banco do Nordeste do Brasil, e experimentou a rotina das redações por algum tempo, até que resolveu queimar as caravelas. Demitiu-se de tudo e fundou a VSM, juntamente com dois colegas de faculdade, que logo decidiram fazer carreira solo. 

Na noite deste 17 de junho a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, por iniciativa do seu Presidente, Deputado Evandro Leitão, promoveu uma sessão solene em homenagem à VSM, no Plenário 13 de Maio, pelo transcurso dos exitosos 35 anos de fundação da entidade, oportunidade em que foram homenageadas diversas personalidades ligadas à história dessa empresa, alguns deles in memoriam.

 

Compuseram a Mesa de Honra, além do Presidente Evandro Leitão e do próprio Marcos André, o Magnífico Reitor da UFC, Custódio Almeida; o Secretário de Governo Hélio Leitão; André Montenegro, Vice-Presidente da Fiec; Carmem Lúcia Azulai, Presidente da Acert; Reginaldo Vasconcelos, Presidente da ACLJ; Helly Ellery, Presidente da ACI e Roberto Araújo, Presidente do Ilece.

ARTIGO - Encruzilhadas Históricas (RMR)

 

ENCRUZILHADAS HISTÓRICAS
Entre os trágicos
e os ungidos
TERCEIRA PARTE
 
Rui Martinho Rodrigues *

  

A lógica binária

As novas preocupações políticas repudiam algumas classificações binárias, sobretudo no campo das questões identitárias. Sistemas duais restringem o campo da cognição e isso impacta nas liberdades; são reducionistas e ignoram parte da realidade. Norberto Bobbio (1909 – 2004), na obra Direita e esquerda, analisa as possíveis diferenças entre os grupos que estão no título do livro. Enumera convicções democráticas, autoritárias e totalitárias, nacionalismo e cosmopolitismo, pacifismo e belicosidade, voluntarismo e determinismo ou conceitos assemelhados aos tópicos aqui enumerados. Fez o exame inicialmente na perspectiva da ontologia do ser.

Concluiu que todas as tendências examinadas eram encontradas tanto entre direitistas como entre esquerdistas. Mas no final admitiu que a dicotomia existe quando vista da perspectiva fenomênica. Grupos assim designados são observados empiricamente. Assim colocou os dois grupos políticos na perspectiva fenomênica e os reconheceu. Isto é: direita e esquerda realmente existem como realidade posta (fenômeno), quando examinados sem que se trate da essência das coisas. Bobbio Enfatiza a existência de muitas características comuns aos dois grupos, na perspectiva ontológica, concernente às essências inerentes à metafísica do ser.

A problematização feita por Bobbio é confirmada pelas diferenças internas dos dois grupos. Karl H. Marx (1818 – 1883) teria dito que a esquerda só se une na cadeia, porque o espaço é apertado. A direita também se queixa da falta de unidade entre os seus integrantes. Subdivisões de partidos ideológicos, causando conflitos internos, são públicas e notórias. As supostas distinções binárias da política são substancialmente frágeis, embora possam ser politicamente fortes. Dizer que a direita defende a liberdade e a esquerda luta pela igualdade passa ao largo das diferentes concepções do que sejam tais coisas. A disputa pode ser por concepções de liberdade e igualdade, mas isso não é tudo. Dizer que é contra ou a favor de uma delas é considerar, sem examinar, que só as concepções de um lado estão certas.

Podemos ter liberticidas havidos como defensores da liberdade; ou elitistas disfarçados de igualitaristas, conforme exemplos históricos de regimes “populares” ou “democráticos” que se transformaram em oligarquias semelhantes a monarquias absolutas e hereditárias. Georg Orwell (1903 – 1950), na obra A revolução dos bichos, descreveu bem o caráter liberticida e elitista que se oculta sob o manto libertário e populista.

Atribuir aos conceitos direita e esquerda aos lados da Assembleia revolucionária francesa, em que se posicionavam conservadores e revolucionários, seria reconhecer monarquistas conservadores como direita e revolucionários como esquerda. Mas a realidade não é tão simples. Fascistas são revolucionários. Serão direita ou esquerda?

Artificialidade da dicotomia política

Os dois grupos realmente existem nos meios políticos, como realidade posta no mundo fenomênico. A observação empírica, todavia, não afasta algumas bases comuns aos dois grupos, nem a diversidade interna deles. A suposta unidade dos dois polos passa ao largo das suas contradições internas. Quem defende o uso de drogas psicoativas ou casamento entre pessoas do mesmo sexo é esquerda? Pode ser, mas terá consciência de que estas defesas guardam estreita relação com a ideia de que o indivíduo pertence a ele mesmo? Tal entendimento se opõe ao coletivismo que o submete a individualidade. Classes sociais e grupos identitários, enfatizados pela esquerda, querem o indivíduo submetido às coletividades, opondo-se à direita, que se opõe à tutela do Estado sobre os cidadãos. Mas a esquerda também pode achar que o indivíduo pertence a si mesmo, e usa isso contra o poder do Estado quando se trata de criminalizar o aborto.

O indivíduo pertence a ele mesmo? Isso ampara o direito à posse de um meio de defesa (arma). Ideia da direita? O mesmo princípio é invocado pela esquerda e pela direita, em situações aparentemente diferentes, mas a base é a mesma: a tese de que a pessoa pertence a ela mesma. O uso dos conceitos ressignificados serve para encobrir contradições ou falta de conhecimento dos fundamentos das tradições políticas. Mas a dinâmica da política foi capturada pela dicotomia direita e esquerda. O sucesso da dualidade, na prática política e até na produção intelectual, se deve ao caráter simplista do reducionismo, que agrada porque atende a um princípio de propaganda: não exige maiores reflexões. Basta um “carimbo”: direita ou esquerda. Não precisa de explicar, nem perguntar o significado de conceitos polêmicos.

O presidente da Argentina, Javier Milei, defende menos Estado. Propõe até o fim dos bancos centrais, como seguidor que é de Friedrich Hayek (1899 – 1992), que já se opunha ao monopólio da moeda pelo Estado antes do advento das criptomoedas. Também defende a liberdade de expressão. Mas a rotulagem binária o coloca como direita, o que não seria problema se não o colocassem no mesmo grupo do fascismo, na classificação dicotômica, grupo que defende mais Estado. Ou fascismo é esquerda?

Outra crítica pertinente diz respeito ao maniqueísmo. Uma alta personalidade do mundo jurídico, falando em uma manifestação de um grupo ideológico, disse “nós vamos vencer porque somos “do bem” e eles são “do mal”. Isso é uma forma de manipulação. Não exige estudo ou reflexão. Enseja pronunciamentos curtos que podem ser lidos, ouvidos e compreendidos por quem não gosta de ler nem de pensar. Serve a quem quer desqualificar o outro sem análise e sem provas.

A dicotomia do espírito da política

Thomas Sowell (1930 – vivo) faz muitas e severas críticas ao maniqueísmo. Mas, na obra Os “ungidos”, propõe uma dicotomia que nos coloca na encruzilhada entre os ungidos e os trágicos. Usa, para definir os dois grupos, a presunção de superioridade moral e intelectual dos “ungidos”, que oferecem soluções perfeitas, se julgam capazes de conceber um paraíso terrestre, de modo semelhante a um demiurgos ou, minimante, como alguém capaz de empreender uma reengenharia social e antropológica.

Opostos ao ungidos temos os trágicos, que não acreditam em solução final para os infortúnios da existência, mas acreditam na falibilidade das soluções para os problemas, as quais, além de imperfeitas, causam novos inconvenientes. Ao invés de soluções acreditam em troca de problemas, buscando minorar os danos. Evitam a ressignificação de palavras

Por reconhecerem o próprio falibilismo deixam aos cidadãos a livre escolha entre custo e benefício de suas decisões. Por isso repudiam a criminalização de perigo abstrato (que só existe se criarmos uma hipótese) como é a posse de armas; repudiam a tutela dos cidadãos por um grupo de sábios ao modo da obra de Platão (428 a.C.– 347 a.C.) A República. Protegem o espaço da licitude (conduta facultativa), opondo-se ao alargamento do que é proibido e do que é obrigatório, repudiando a publicização do Direito Civil pelas constituições dirigentes (ou totalitárias?).