domingo, 13 de fevereiro de 2022

RESENHA - Reunião Virtual da ACLJ (12.02.2022)

 REUNIÃO VIRTUAL DA ACLJ
   (12.02.2022)





PARTICIPANTES

Estiveram reunidos na conferência virtual deste sábado, que teve duração de 40 minutos, cinco acadêmicos e um convidado especial, o Dr. Betoven Rodrigues de Oliveira, detentor do título de Advogado Padrão, outorgado pela OAB-Ce. 

Compareceram ainda o Jornalista e Advogado Reginaldo Vasconcelos, o Bacharel em Direito e Especialista em Comércio Exterior Stênio Pimentel (Maricá - RJ),  o Jornalista e Sociólogo Arnaldo Santos, e o Professor e Procurador Federal Edmar Ribeiro. 

Simbolicamente presentes,  porque justificaram previamente a suas ausências, os confrades Dmitry Sidorenko (São-Peterburgo-RU), Pedro Bezerra de Araújo, Dennis Clark (Maringá-PR) e Wagner Coelho (Rio de Janeiro-RJ), por choques de agenda, em razão do novo horário e dia da semana, e o  convidado especial  Maurílio Vasconcelos (Porto Velho-RO), este por motivo de saúde. 
  


TEMAS ABORDADOS

Na primeira reunião virtual da ACLJ em dia de sábado os participantes se dedicaram ao tema do livro, abordando o drama das família dos intelectuais e bibliófilos que falecem, que via de regra não sabem que destino honroso dar aos muitos livros que eles reuniram a vida toda, e pelos quais tinham grande apreço e imenso zelo.

Foram lembradas as valiosas bibliotecas pessoais do Barão de Studart, encontrada entregue às traças e umidades de um sótão pelo historiador Raimundo Girão, que recuperou parte dela; a do grande poeta Jáder de Carvalho, ainda sob o cuidados da família; a do Professor José Alves Fernandes, doada à Biblioteca Pública do Estado; a do literato Moreira Campos, confiada à Universidade Federal do Ceará, onde ele foi professor.

Comentou-se que costuma acontecer de serem essas bibliotecas pessoais  subtraídas de suas obras mais raras e valiosas, por familiares mais astutos, logo após o falecimento dos proprietários, de modo que quando oferecidas às instituições já não têm a condição qualitativa original, restando a volumosa quantidade de livros de menor importância.       

Na sequência, os participantes da reunião apresentaram livros relacionados à  sua história de vida, Arnaldo Santos apresentando e recomendando a obra que está lendo no momento, "Maquiavel no Inferno", de Sabastian de Grazia. 

Edmar Ribeiro leu trecho da obra "Senador dos Bois", do saudoso jornalista cearense Lustosa da Costa, que lhe teria pedido para transcrever datilograficamente, do original escrito a mão  cuja edição tem nos exórdios o registro da gratidão do autor ao esforçado intérprete das suas mal traçadas linhas. 

Stênio Pimentel, por seu turno, apresentou livro com que lhe presenteou o seu genitor na sua juventude, "A Cultura Brasileira", devidamente autografado pelo pai, evidenciando a preocupação deste com o interesse do filho pelo tema relevante, ele que era um intelectual dedicado às letras e às artes cênicas. 

Reginaldo Vasconcelos, por últimoapresentou o exemplar original do primeiro livro que ganhou e que leu, aos seus oito anos de idade, intitulado "Viagens Maravilhosas de Marco Polo", com dedicatória de seu falecido Tio Osiris, datada de 24 de dezembro de 1963.  

O livro apresenta um panorama do mundo oriental, desvendado pelo jovem mercador veneziano, em torno do ano de 1.300. Osiris, então ainda jovem, antecipava o seu futuro de agente comercial internacional, que o faria correr o mundo todo, trazendo ao sobrinho a narrativa de suas experiências de viagem. 
  
DEDICATÓRIA
 

A reunião virtual deste sábado, dia 12 de fevereiro de 2022, foi dedicada à memória da eterna Miss Ceará, eleita Miss Brasil no ano de 1955, Emília Correia Lima.  


Emília Correia Lima foi uma das semifinalistas do Miss Universo 1955. Era professora e foi eleita Miss Ceará, representando o hoje extinto Clube Maguari. 

Admirada pelo jornalista Millôr Fernandes, Emília foi comparada à sua antecessora, quando ele disse que "A mulher, para ser bonita, precisa ter nariz. Marta Rocha não tem, e o de Emília dispensa qualquer elogio”. Ela faleceu no Rio de Janeiro, no último dia 04 de fevereiro, aos 87 anos.   


 

sábado, 12 de fevereiro de 2022

ARTIGO - Arte, Poder e Mídia (LA)

ARTE, PODER E MÍDIA
Luciara de Aragão*
 

 

A arte contemporânea, ou pós-moderna tem como característica principal a subordinação do artista ao sistema da arte. A dimensão dessa crise se mostra de modo inequívoco em todos os seus ângulos, independente de quaisquer teorias humanísticas, dificultando o entendimento do público não especializado, constatando o vazio de conteúdo e de significado numa pretensa arte de vanguarda.

Podemos considerar que, como quer  John Berger  em “Modos de Ver” (Martins Fontes, 1982), em qualquer período, a arte “tende a servir aos interesses da classe dominante, mas esta reflexão/provocação sobre a arte de nossos dias é “a antítese da atitude modernista de resistência à ideia da mercantilização da obra de arte” (Luciano Trigo, R.J.2009 “A Grande Feira”). 

Ao longo da História, está claro que a figura do artista sempre se ligou aos interesses econômicos do seu tempo, mas perplexos e desencantados, observamos, hoje, a distância entre as produções de vanguarda e a própria arte. A aliança promovida entre o capitalismo e o Estado burocrático é voltada para a maximização do lucro, a alienação artística e a atribuição de cotação diversa dos artistas na contemporaneidade. O grande problema nesta relação reside na domesticação da arte e no fato de que as grandes corporações investem numa agenda que diz respeito somente ao seu “business plan”. Não é novidade que as grandes corporações, patrocinadoras de arte, investem na formação de coleções milionárias, favorecendo artistas, museus, megaexposições cercadas de publicidade, elaborando a cotação dos próprios artistas contemporâneos. Podemos considerar que este processo frutificou e se profissionalizou, elevando os negócios de arte a um valor superior ao de qualquer campanha publicitária paga. 

A tradicional figura de um museu, instituição conservadora tradicional, que guarda e conserva o patrimônio ao longo do tempo, não representa mais a relevância de outrora. A tônica agora é elaborar conexões com redes de produção lucrativas e ágeis, todas voltadas para o lucro extraído do entretenimento das massas. 

Como as grandes patrocinadoras da arte, as grandes corporações aproximam-se, igualmente, da moda com as sofisticadas “maisons”, similares às das grandes galerias. Elas aproximam a linguagem publicitária da própria linguagem artística. Altos investimentos cercam a produção de filmes e argumentos de publicidade voltados para a venda e a materialização do consumo de artigos, produtos e serviços. 

O artista de nossos dias a isso se submete também, movido pela ideia da conquista da fama e do reconhecimento pessoal do seu trabalho. Na contemporaneidade, ele “precisa ser uma estrela: a fama é um índice de seu valor. Tanto quanto sua produção artística propriamente dita, importa o seu desempenho como figura pública capaz de chamar a atenção: é o artista como “performer” (Luciano Trigo, Idem). O marketing do autor e obra passou a ter uma importância vital para atrair a atenção da mídia e elaboração da propaganda. Por adendo, o domínio de um agressivo corporativismo adicionado a uma espécie de espírito de matilha, dominante na pequena fração da classe artística engolida pelo sistema, está pronta para desqualificar qualquer questionamento levantado. 

Os últimos trinta anos revelam a decadência artística assinalada por um desvio evidente, uma falta de rumos, inovações e criatividade, em sua grande maioria, submetidas ao mercado. Para esta constatação basta efetuarmos um rápido retrospecto no enfoque histórico da arte, tão diversa de quando então era gerada pelo formal e as elevadas ambições do espírito e vocação pessoal. 

Uma obra de arte digna deste nome, até a nossa evocada “modernidade”, um projeto autêntico e moderno de arte, revelava a sua própria autonomia, face a sua exposição. Pinturas da escola impressionista como as de Monet ou Renoir, fossem ou não expostas, permaneceriam como uma inconteste prova de arte, independentemente do local onde fossem expostas e seu valor intrínseco permaneceria imutável. Hoje, isto não acontece com a arte contemporânea, pois o valor de um objeto dito artístico está relacionado, em primeiro lugar ao local onde é exposto. Trata-se do entendimento da arte, vinculada ao local da exposição. Deu-se, portanto, uma inversão de valores. Antes, os museus e galerias se valorizaram pelas exposições de artistas consagrados com obras que tinham valor por si mesmas. Ao revés, o sistema corporativo de mercado adotado em nossos dias, faz com que os museus e galerias, por eles cooptados, sejam os que determinam se este ou aquele artista merece o reconhecimento de sua obra. São eles, em última instância, que determinam o valor artístico e financeiro da obra, estabelecendo na pós-modernidade, novos critérios de valorização e promovendo a consagração de autores para sublinhar a atribuição do seu “status”. Naturalmente, o valor dado a cada obra, não é o mesmo para todas as galerias e museus.

“O Urinol”, concebido por Marcel Duchamp (1917), antiarte provocadora e feito para não exposição e comercialização, traiu a sua própria antiarte, quando Duchamp produz oito réplicas adquiridas por museus e colecionadores. Este aparente sucesso mascara a subordinação ao mercado e ao cooperativismo das instituições, subordinando e impondo ao artista a permanência no lugar mais baixo da produção artística de nossos dias. 

A redistribuição de papéis é coercitiva. Nesta malha estão presos, além do próprio artista, curadores, críticos, promotores de arte, imprensa e academias. As pressões exercidas sobre eles, inibe as reações do bom senso e os coloca como meros expectadores a descritores de cores, formatos e conteúdos num arremedo de crítica externa, tão séria para os historiadores. Não se coloca em pauta, porém, a hermenêutica interna, com critérios de qualificação/desqualificação, inovação, repetição, criatividade. O senso crítico anestesiado estabelece significados mornos, dificultando-lhes a tarefa. A falta de um ponto fixo onde se possa apoiar o autor da crítica na análise da obra de arte, indo mais além do mero registro e do testemunho neutro é inexistente. 

A inversão de valores é tamanha que, para atender à demanda do mercado por suas obras, o artista britânico Damien Hirst administra um exército de operários, assistentes, engenheiros, químicos e artesãos, considerando ser importante apenas a ideia e não a sua execução. Uma arte dita conceitual, com instalações monumentais. Não se espera mais por criação do artista. Basta a sua assinatura na obra. Será isto legítimo, será verdadeiramente arte?

domingo, 6 de fevereiro de 2022

ARTIGO - Aparelhamento das Instituições (RMR)

 

 APARELHAMENTO
DAS INSTITUIÇÕES
Rui Martinho Rodrigues*

 

1 – Introdução

O estudo do aparelhamento das instituições, particularmente daquelas dedicada ao ensino, em especial as universidades e à comunicação social é o objetivo deste ensaio. O método aqui empregado é o reflexivo, baseado na observação dos fatos e atos dos sujeitos da ação política, social e cultural registrada por diversas fontes. Considerações sobre os antecedentes históricos mediatos e imediatos; o papel dos intelectuais, aqui entendidos, conforme Thomas Sowell[1], como aqueles que integram a intelligentsia; as organizações políticas e sociais envolvidas, que influenciam e são influenciadas pelo aparelhamento umas das outras, são aqui consideradas, em razão do espaço, em análise meramente perfunctória de organizações tais como associações profissionais, sindicatos, associações de bairros que alguns nomeiam como sociedade civil aparelhada. (CONTINUA)

ACIONE O LINK ABAIXO PARA ACESSAR A ÍNTEGRA DO ARTIGO


https://drive.google.com/file/d/1-6SUqW81Q6GTL36jBK68ASeOd0E-Vdwq/view?usp=sharing 

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

CRÔNICA - Peixinho e Iguarias (TL)

 

ARTIGO - A Diversidade Excludente (RMR)

 A DIVERSIDADE
EXCLUDENTE
Rui Martinho Rodrigues* 

 

A diversidade passou a ser a palavra de ordem do momento. É uma forma de exaltação do pluralismo democrático. A tolerância foi apresentada por John Locke (1632 – 1704), na obra “Cartas sobre a tolerância”, com o sentido de esteio da paz e da liberdade. O pensador citado não propunha uma tolerância seletiva, que seria um sofisma. Renomeada como diversidade, talvez para afastar o atavismo com o autor liberal, a ideia ressignificada não é uma proposta de paz ou tolerância. Trata-se de intolerância e combate com aqueles apontados como opressores. O acirramento de ânimos em todo o mundo guarda relação com a intolerância que usa diversidade como pseudônimo. 

Poderia ser uma intolerância legítima se dirigida apenas aos atos verdadeiramente racistas, xenófobos e demais condutas agressivas. Mas temos sob o rótulo de aparência inclusiva o ataque aos adeptos da moral tradicional, acoimada de preconceito, embora incida sobre algo que se sabe o que seja, não sendo a expressão antecipada de um juízo de valor (pre+conceito), por parte de quem não sabe o que seja o objeto ajuizado. Não se trata de crítica ao pensamento conservador, mas ataque. A crítica deve ser livre. Mas independentemente do que se possa pensar sobre um juízo de valor e da crítica que se possa merecer, confundi-lo com preconceito é um erro ou má-fé. 

A inclusão excludente não recepciona, como parte da diversidade apregoada, a tradição judaico-cristã, salvo se secularizada, isto é, historicizada, transformada de teocentrismo em doutrina antropocêntrica, portanto substituída por outra doutrina sob a camuflagem da tradição confessional. Apresentar algo por distinto do que realmente é configura equívoco ou endrômina. Desqualificar os valores tradicionais como algo desprezível (preconceito) ou torpe (discurso de ódio) é incompatível com o discurso que apregoa a tolerância renomeada como inclusão ou diversidade. 

Inversamente, invocar uma tradição que prega perdão e amor como defesa da licenciosidade é desconhecimento ou desinformação. O caso exemplar da mulher adúltera na iminência de ser apedrejada, salva pelas palavras do Messias, que desafiou quem estivesse sem pecado a atirar a primeira pedra, foi seguida, logo após, de exortação que dizia: vai e não peques mais (João, 8;3-11). Não é preciso seguir a tradição judaico-cristã para compreender que a tolerância do episódio citado não é uma renúncia ao exercício da exortação e da reprovação de condutas havidas como impróprias. 

A exacerbação de ânimos tornou-se perigosa. O exercício de direito de livre expressão do pensamento, por parte de quem resiste ao movimento de mudança cultural forçada desencadeou a conflagração das sociedades. Quando não havia resistência à revolução dos costumes, fosse por tolerância ou por falta de percepção do alcance da transformação no campo axiológico, havia paz, aquela dos cemitérios. Só um grupo falava. As novas tecnologias e o aprofundamento da mudança cultural, revelando mais claramente o seu significado, estimulou a resistência. Então o discurso de tolerância renomeada como diversidade exibiu a sua essência intolerante. 

A relação entre a mudança cultural e a política nem sempre se mostra claramente. Mas o direito à livre expressão do pensamento; a liberdade de consciência, que é mãe de todas as liberdades; e o direito ao exercício da crítica, que é a essência da democracia, estão intimamente associados ao mundo da política. A preservação de referências valorativas é indispensável ao Direito. Quando o niilismo se instala não há distinção entre licitude e transgressão.

COLUNA VICENTE ALENCAR - Ed. Nº 3008 - 02.02.2022

 VICENTE ALENCAR
EDIÇÃO Nº 3008
TERÇA-FEIRA,
02 de FEVEREIRO DE 2022
 


FORTALEZA – Aguardando a construção do Hospital do Diabético. 

CEARÁ – 18 por cento da população sofre de Diabetes, afora aqueles que não foram ainda identificados. 

BRASIL – Pátria do otimismo, celeiro do mundo. 


LEIA E PRESTIGIE OS AUTORES BRASILEIROS:


1 - OLÍVIO, O PREDESTINADO

       Livro de José Maria Chaves, membro Titular da Academia Cearense de Médicos  Escritores (ACEMES). 

2 - ILUSAO DE UMA GAIVOTA.

     Livro de Déa Campos Frota. 

3 - UMA LENDA FANTÁSTICA 

     Livro (infantil) de Ana Maria Nascimento. 

4 - DO CORAÇÃO DE UM MÉDICO POETA

     Livro de Dirceu Vasconcelos. 

5 - EM PASSOS LENTOS, CHEGO LÁ

     Livro de Fernando Antônio Freire de Holanda. 

6 - QUANDO OS IPÊS FLORESCEM...

     Livro de Maria Gracinda Calado Barros. 

7 - OS VIVENTES DA SERRA NEGRA.

     Livro de Batista de Lima, da Academia

     Cearense da Língua Portuguesa.

 

CAFÉ LITERÁRIO

O Jornal Café Literário, mensário cearense foi criado por este Jornalista Vicente Alencar e pela Escritora Margarida Alencar, em  01 de setembro de 1998.

 

RÁDIO GUARANI DE FORTALEZA

(webradioguaranidefortaleza.com.br)

24 horas no seu computador e no seu celular.

Observe a programação e você sentirá a diferença. Quando puderes escute a Guarani.

 

BLÁ, BLÁ, BLÁ

Eduardo Cunha, criminoso político que estava preso na Papuda, voltou à cena política fazendo, inclusive, declarações contra um ex-Presidente. 

O Brasil reúne cada pessoa! Um Presidiário acusando o outro. Quem não sabe votar é responsável por tudo isso.

 


O Presidente Jair Bolsonaro informou para os Prefeitos do Estado de São Paulo, vítimas dos últimos problemas de cheias, vêm de liberar 1 bilhão e 800 milhões de reais.

Cada Prefeitura afetada dirá exatamente o que está necessitando para que seja atendida. 

O Senador José Serra (São Paulo), que estava de licença para tratamento de saúde há mais de um ano, retorna hoje as atividades políticas, quando da reabertura do Congresso.

 

JORNAL DOS ESPORTES

Ontem, pelas Classificatórias da Copa do Mundo (Eliminatórias jamais, ninguém joga para ser eliminado – A FIFA não entende de Língua Portuguesa e aí surgiu o erro, que é repetido dia a dia por alguns) a Seleção Brasileira venceu por 4 a 0 a onzena do Paraguai. 

Hoje à noite em Salvador o clássico BA x VI, ou seja, Bahia contra Vitória.

 

ONDE DEVE FICAR

Lugar de criminoso é na Cadeia. 

CRIMINALIDADE não suporta excesso de tolerância. É preciso acabar com visitas íntimas, saidinhas de Dia das Mães, saidinhas de Natal, e outros absurdos. 

Lugar de criminoso é na Cadeia. Por ter sido condenado ele é nocivo a Sociedade e não pode está ao seu lado.

CRÔNICA - Agora (PX)

 AGORA 
Paulo Ximenes*

 

O remelexo das mulatas na Praça Castro Alves, o frenesi nas ruas apinhadas do Recife e de Olinda, a arte afro-brasileira produzindo o maior espetáculo da terra na Marquês de Sapucaí, são incisivos por demais na minha tela de tevê. Desta feita, os festejos multicores de carnaval não me causam a mesma disposição de ânimo que costumavam me eletrizar e fazer de mim um baluarte da alegria.

 

Escrevo esta dorida crônica inteiramente no presente do indicativo, muito embora, alguns dias mais adiante, os seus verbos hão de se enquadrar melhor no pretérito perfeito. Esse agorinha mesmo a que tão arfantemente me refiro, vem ao propósito de eu exprimir para os ouvidos do futuro, que decorro, nesse exato instante, uma manga de solidão.  

Em outras palavras, isso é doidice de nordestino tupiniquim que se abestalha em mergulhar fundo no oceano dos sentimentos. É intrigante o redemoinho e o leva e traz de uma briga de amor. Nessas profundezas... Ah meu Deus! Há bichos e monstros que talvez sejam mesmo do tamanho que a gente imagina.  

O carnaval tem nada a ver com o caso. Ele só chegou na hora imprópria. Enquanto isso, confinado em meu apartamento, tenho o freezer locupletado de cerveja e o quartinho de depósito escondendo as relíquias do passado recente – um velho surdo, um reco-reco, dois tamborins, três baquetas, um quepe de marinheiro, uma camiseta alvirrubra, um bermudão branco e um colar havaiano...

 

De resto, não me faltam os mimos da tecnologia, os controles remotos pra tudo quanto é serventia; as facilidades para tudo quanto é lado; as respostas rápidas a um toque de dedo. No bolso uma boa pecúnia e na garagem um carrinho modesto, mas abastecido até a tampa para o caso de ganhar o mundo. Dos bares, meus amigos me mandam recados pelo Zap, convidam-me para cair na folia. Blocos de carnaval, maracatus e outros ziriguiduns fervilham pelos bairros de Fortaleza. E ainda há, durante as noites, os bailes do Náutico. Mas onde já se viu ir ao carnaval com a alma despedaçada? 

Vêm-me as lembranças do quanto eu me envolvi com essas coisas! Fui tão longe quanto se possa ter ido: na avenida pus as mãos em tamborins, apaixonei-me pelas passistas, pintei o sete, cantei o samba como um louco, meti a mão no bolso, fiz o que pude para ver a minha escola sagrar-se campeã. No afã daqueles sonhos, percebo agora, vadeei pelas marginais do raciocínio.

  

Mas nesse instante vivo, nesse ar que me enche os pulmões, tenho o coração trapaceado e os pés noutra estação. Tudo se aplana numa noite morna, e os ruídos do carnaval são apenas martírios que devo suportar. Se abro janelas e afasto cortinas, contemplo espigões herméticos zombando de mim. Vinga neles a tirania da verdade. Estou morto mesmo! Para que serve um indivíduo apaixonado? 

Moro um pouco afastado desses epicentros. Olho para a rua largada de gente, sem um pé de pessoa, sem o ronco de um carro. Uma rajada de vento tenta alegrar as folhas de uma castanhola, mas só a torna mais submissa, presa em seu lugar. Eu, as calçadas e as folhas presas estamos sem brios! Não combinamos com essa expansão de alegria. Tornamo-nos unos, chatos de galochas. 

La fora me perturbam as repetições que antes não me incomodavam: as mesmas marchinhas carnavalescas, os mesmos ritmos dos tambores, a mesma cadência, e, quem sabe, as mesmas fantasias de todos esses anos... Estabelece-se um contraste entre o que vejo na televisão e o que sinto cá dentro do peito. 

Não tenho vontade de ler. Invento um gole de cerveja. Continuo arriscando um olho na telinha. A cerveja não desce. O ritmo não inova. Nem mesmo sei o que estou buscando. As cores explodem no meu televisor, mas o brilho é fusco. Nem ao menos identifico que cidade é aquela e que povo maluco é aquele. Só percebo que o batuque evolui de forma medonha, arrasta multidões, serpenteia pelo chão feito um dragão chinês.  Bisonhice!!! 

Céus! Provenham-me com um mínimo de lucidez! 

Não pode ser aquilo uma bisonhice! Carnaval é agua fria na fervura da vida. O que vem para a alegria geral do povo só pode ser da providência divina. Bisonho é o meu coração aflito, que não respira, não relaxa e leva um carnaval a ficar triste.


terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

RESENHA - Reunião Virtual da ACLJ (31.01.2022)

REUNIÃO VIRTUAL DA ACLJ
   (31.01.2022)





PARTICIPANTES

Estiveram reunidos na conferência virtual desta segunda-feira, que teve duração de uma hora e meia, 10 acadêmicos e um convidado especial, o médico cearense Francisco Machado, radicado em Brasília, pertencente à Casa do Ceará naquele Distrito Federal.  

Compareceram ainda o Jornalista e Advogado Reginaldo Vasconcelos, o Bacharel em Direito e Especialista em Comércio Exterior Stênio Pimentel (Maricá - RJ), o Advogado e Sionista Adriano Vasconcelos (do volante do seu carro), o Jornalista Wilson Ibiapina (Brasília-DF), o Físico e Professor Wagner Coelho Rio de Janeiro-RJ), o ex-Juiz de Direito, Professor e Advogado Aluísio Gurgel do Amaral Júnior, o Agente Comercial de Exportação Dennis Vasconcelos (Maringá-PR), o Médico, Filósofo e Latinista Pedro Bezerra de Araújo, o Agrônomo e Poeta Paulo Ximenes e o Arquiteto, Artista Plástico, Cronista e Apresentador de TV Totonho Laprovitera.

Simbolicamente presentes os convidados especiais Betoven Oliveira e Maurílio Vasconcelos (Porto Velho-RO), que justificaram previamente a sua ausência, que teve motivo de saúde. 
  

TEMAS ABORDADOS

Na abertura da reunião desta segunda-feira, Stênio abordou o confrade Totonho sobre uma irmã dele, Lucinda, que foi colega deste em repartição do Governo do Estado, lá pelos anos 80. A Suop (Superintendência de Obras Públicas), hoje extinta, abrigou em seus quadros funcionais uma elenco de jovens desenhistas, engenheiros e arquitetos, como Messias Batalha, Cecílio, Mansur Elias Daher... 

O Dr. Machado afirmou que o General Paulo Sérgio, Comandante Geral do Exército Brasileiro, de quem ele é médico, continua afirmando que virá ao Ceará, logo que oportuno, receber os símbolos físicos do título de Cearense do Ano que a ACLJ lhe outorgou.

A seguir, Reginaldo apresentou a peça que Aluísio Gurgel trouxe do Qatar para o relicário da Tenda Árabe, uma placa comemorativa do dia nacional daquele país do mundo árabe.

 
Também informou que o  russo Dmitry Sidorenko, Membro Honorário da ACLJ, linguista especializado em idiomas latinos, formado em letras pela Universidade de São-Petersburgo, intérprete oficial do Consulado do Brasil naquela cidade, está escrevendo as suas memórias em português, que lhe incumbiu de revisar.  

O titulo da obra, que se afigura de excelente qualidade, é CAMINHO PARA FORTALEZA. Um pequeno trecho, em que o autor se refere ao período em que trabalhou na Guiné-Bissau, país da África que fala português, sonhando em conhecer o Brasil. Ele compara os restaurantes da Guiné aos da Rússia soviética.  Lido na reunião, é transcrito abaixo.    
 

Outro ponto alto do dia a dia eram os restaurantes em Bissau. Havia bons restaurantes, com o serviço impecável e muito boa qualidade da comida. Os garçons pretos, vestidos de branco, serviam vinho português de luvas brancas e carne de cabrito ou de carneiro, grelhada na hora. 

Claro, não eram baratos, mas para nós não era caro, pois ganhávamos muito bem. Comparando com a situação soviética, em Leningrado, segunda cidade do país que era potência nuclear, a história era esta: os restaurantes, naquela época, que eram poucos, todos estatais, e situados, na sua maioria, no centro da cidade, ficavam sempre meio vazios. 

Normalmente o serviço era assim: O cliente batia na porta, e então aparecia um homem gordo da segurança, com a cara meio irritada por ter sido incomodado, dizendo logo que a casa não tinha vaga (mesmo com o restaurante meio vazio). Mas, vendo pelo vidro da porta uma nota de três rublos ficava logo mais simpático, já pedindo para esperar – e mesmo assim ainda demorava. Afinal, vinha abrir a porta indicando a mesa. Também demorava bastante a vinda de um garçom, que aparecia sempre exibindo o cardápio e uma cara de sono e de preguiça, insatisfeito por ter sido chamado ao serviço. 

O cardápio desses restaurantes estatais não tinha muita variedade: bife de carne suína ou de boi, batatas com arenque, caviar. A chegada dos bifes também demorava uma eternidade, e o próprio bife vinha escondido debaixo de muito molho e de uma montanha de cebolas. Tirando tudo isso, a faca era cega e não dava para cortar a carne, que parecia ter sido feita no dia anterior, e lembrava um pedaço de sola de sapato. 

Contudo, duas ou três doses de vodca faziam esquecer a má qualidade da comida. O restaurante meio vazio, alguns homens gordos tomando vodca com caviar, certamente diretores ou funcionários do Partido Comunista. Ninguém tinha interesse em servir bem, ganhando o mesmo salário, independentemente do número de clientes, que só davam trabalho. 

Foi uma boa experiência na minha vida conhecer aquele país africano de manga e caju, onde passei quinze meses trabalhando com o idioma português. Porém, Fortaleza ainda era longe para mim.

 


  
DEDICATÓRIA
 

A reunião virtual da ACLJ nesta segunda-feira, dia 31 de janeiro, foi dedicada à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Essa organização internacional acaba de enviar uma carta-convite ao Brasil, para dar início ao processo de análise dos requisitos para a entrada do nosso País na entidade. 

O governo brasileiro aguardava esse sinal verde desde 2017, quando solicitou o ingresso na OCDE, que até pouco tempo atrás era conhecida como um “clube de países ricos“.