segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

NOTA FÚNEBRE - Morre Ricardo Boechat (RV)

MORRE RICARDO BOECHAT
ÚLTIMO ÂNCORA DO
TELEJORNALISMO NACIONAL
Reginaldo Vasconcelos*


Morreu Ricardo Boechat, o último “âncora” do telejornalismo brasileiro, desde o grande Boris Casoy, ainda vivo e em atividade na mesma emissora, mas cuja atuação mais incisiva na imprensa o petismo inviabilizou, já no início do primeiro período Lula e durante todo o reinado de seu partido no Governo, pela  disposição de Casoy em escancarar na mídia as “vergonhas” nacionais. Boechat recebeu o bastão e continuou.

Nenhum outro apresentador de telejornal tinha a autonomia jornalística recebida da emissora, e a bravura moral para apresentar críticas pessoais, sempre isentas, sobre políticos e políticas de Governo. Cala-se, portanto, uma das raras vozes que falavam pelo povo – sem exercer viés ideológico.

A Editoria deste Blog somente apresenta-se de luto nos necrológios que publica quando tratando de membros da ACLJ ou, de seus colaboradores, ou pelo menos, de jornalistas cearenses falecidos. Mas resolvi carpir pessoalmente nesse nosso espaço a morte do Boechat, porque entendo que, sendo argentino de nascimento e carioca de coração, era ele um jornalista nacional.

Conheci-o presencialmente, de quanto a Universidade de Fortaleza o convidou para uma palestra a que eu assisti. E tinha a esperança de encontra-lo de novo para cumprir uma promessa que fiz ao também jornalista carioca Artur da Távola, desde quando este me disse que o Boechat não simpatizava com ele, e ele não sabia o motivo.

Prometi ao Artur da Távola que perguntaria ao Boechat pessoalmente as suas razões para a aparente antipatia, e lhe comunicaria – mas Távola se foi primeiro de repente, e agora se vai aquele que eu ainda pretendia um dia interpelar a esse respeito.

Eu ouvira a edição de hoje do seu programa radiofônico matinal, que a TV Bandeirantes levava ao ar todos os dias, em que ele colocava no ar o colunista satírico José Simão, e logo depois tive a notícia de que saindo de lá em um helicóptero Boechat tivera um acidente e falecera.

Isso reforça as minhas prevenções contra esse fatídico meio de transporte aéreo, desde o que me disse certa vez um ex-colega de colégio que já na infância pretendia ser piloto de helicóptero, e que conseguiu sê-lo, o qual encontrei na fila de cumprimentos de um casamento, na Igreja do Líbano. Na oportunidade, ele confessou-me que a sua profissão era de fato uma atividade de alto risco. Aliás, nunca mais eu soube dele, Paulo Cavalcante, primo do famoso construtor Luciano, de mesmo sobrenome. 

Rico que eu fosse, jamais recorreria a essa invenção aeronáutica, que continua sendo uma solução eficiente para muitas missões, mas se mantém como uma perigosa improvisação da ciência, que se sustenta no ar por um esforço mecânico exacerbado, afrontando a aerodinâmica e desafiando de forma atrevida a gravidade, a depender de muitos mecanismos delicados e frágeis, de cujas mínimas falhas o resultado é tenebroso.

O acidente do Boechat aguça as minhas preocupações com os meus amigos, afetos, confrades, que podem e abusam dessa traquitana voadora, que eu conheci de perto, e por dentro, e nos ares, quando Assistente do Governado Manuel de Castro, que costumava usar um deles para ir a Morada Nova, nos idos de 1982, e eu era forçado a companhá-lo.

Na imagem do meu arquivo pessoal apareço recebendo o Chefe do Executivo estadual em sua fazenda – eu que já fora por terra em precursão e montava um cavalo, optando desta vez por meios de transporte mais seguros.

Eu nem sempre concordava com o que o Boechat dizia, mas era consciente de que ele sempre o fazia de boa-fé, ainda que eventualmente equivocado, como eventualmente discutíamos a respeito eu e o confrade Paulo Ximenes, que também rebatia às vezes as suas afirmações. Ainda está na face do Blog um artigo postado na semana passada – “A Nova Ordem Nacional” – em que eu cito o Boecht, para contradizê-lo, porém, com respeito e elegância.


domingo, 10 de fevereiro de 2019

NOTA SOCIAL - Dilson Pinheiro e o Seu Bloco da Alegria


DILSON PINHEIRO
E O SEU BLOCO DA ALEGRIA


O acadêmico Dilson Pinheiro, grande carnavalesco e folclorista, apresentador do programa Ceará Caboclo, pela TV Ceará há 20 anos, continua promovendo o baile semanal de pré-carnaval, intitulado “Num Ispaia Sinão Ienche”, defronte ao tradicional Bar da Mocinha, nos altos da Praia de Iracema, nos fundos do Hotel Praia Centro.







A sensação da festa àquela noite foi o bloco “Supremo Tribunal da Folia”, com os seus brincantes fantasiados de beca – os homens com as brancas cabeleiras empoadas das velhas cortes da Inglaterra – uma brincadeira espirituosa com a corte federal brasileira tão em evidência no momento.    



Os confrades Reginaldo e Adriano Vasconcelos compareceram na noite deste sábado ao evento público de que o Dilson é o timoneiro, vergando as camisas decoradas que identificam os seus foliões – na imagem,  com o amigo Marcus Lázaro, carioca radicado no Ceará que, como todo o povo da velha Guanabara, adora o carnaval.      

NOTA JORNALÍSTICA - Cássio e Eliomar


O engenheiro e a
hidrologia do Castanhão


Na primeira reunião do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Coema), realizada nessa quinta-feira, na sede da Semace, sobre os riscos das barragens federais no estado do Ceará estarem sujeitas a qualquer risco de rompimento, o engenheiro Cássio Borges ocupou espaço. Ele se referiu ao problema da hidrologia que, na sua avaliação, não está sendo levado em conta na análise que está sendo feita em relação a este problema.

Citou, como exemplo, a Barragem do Castanhão, projetada em 1985 pelo extinto DNOS (não confundir com o Dnocs) que apresenta de 10 a 12 erros grosseiros de engenharia em sua concepção hidrológica.

Cássio disse: em 2009, o referido empreendimento quase que teria rompido. Revelou ter advertido que, se naquela ocasião, tivesse havido uma enchente como as de 1974 ou as de 1985, com certeza a barragem não teria resistido, pois sua capacidade máxima é de 6,7 bilhões de m³ e o volume de espera para controle de enchente, é de apenas 2,3 bilhões de m³.

Adiantou também que, em 2009, passou pela seção do Açude Castanhão um volume de 8,1 bilhões de metros cúbicos de água, enquanto em 1985 transitou, pela referida seção do Rio Jaguaribe, 19,9 bilhões de metros cúbicos.


BLOG DO JORNALISTA ELIOMAR DE LIMA – JORNAL O POVO – FEVEREIRO 8, 2019 2:42 PM – BRASIL CEARÁ RECURSOS HÍDRICOS


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

ARTIGO - O Argumento Liberal (RMR)


O ARGUMENTO LIBERAL
Rui Martinho Rodrigues*



Quem declara uma identidade política pode aludir a diferentes conjuntos de concepções políticas. O socialismo tem mil e uma faces. Conservadores também não têm unidade ideológica ou programática. Liberalismo pode vir acompanhado de alguns adjetivos. Tanto para os que se declaram liberais, como para os seus críticos, o conceito é polissêmico. Liberalismo estritamente econômico é outra coisa: liberismo. Nos limites destas reflexões examinaremos, em apertada síntese, o liberalismo político.

John Locke (1632 – 1704) é um dos mais destacados pensadores liberais. As fundações das suas concepções políticas são o falibilismo e a defesa de três categoria de bens jurídicos: vida, liberdade e patrimônio. Muitos confundem (inadvertidamente ou para desqualificar)  o o conceito mais amplo de bens jurídicos com o mais restrito de bens materiais, como se Locke defendesse só o patrimônio físico.

O falibilismo é a compreensão de que todo pensamento é susceptível ao erro. Assim, nas Cartas Sobre a Tolerância, o autor citado adverte que as concepções religiosas, políticas e de toda espécie, sendo sujeitas à falibilidade humana, não devem encarar a divergência como absurdo, erro ou heresia. Daí a necessidade de convivência pacífica com as concepções contrárias, já que estas podem estar certas e as nossas podem estar erradas. Isso afasta a reengenharia social e antropológica. Só infalíveis querem criar um novo homem, criando uma nova sociedade, um mundo melhor, sem base em uma ciência exata. Promessa maravilhosa serve para legitimar torpeza. O historiador Eric John Ernest Hobsbawm (1917 – 2012), militante comunista, reconheceu este argumento liberal como válido (O Novo Século, Companhia das Letras, 2009).

A defesa da vida sustentada pelo pensador liberal fortaleceu as ideias contrárias à pena de morte, encorajando a tendência para restringir cada vez mais o seu uso. É um tema controverso. Norberto Bobbio (1909 – 2004), na coletânea A era dos direitos, ressaltou a tendência histórica para restringir o uso da pena capital. O Brasil é exemplo dessa restrição, limitando-a aos casos de traição nacional em tempo de guerra.

Os liberais defendem a liberdade para fazer e agir (José Guilherme Merquior, 1941 – 1991). Libertários, diversamente, defendem a liberdade de ser. Disponibilizar a dimensão ôntica, colocando-a sob o controle da volição do sujeito não é liberdade, mas voluntarismo. A essência do ser não é disponível. A teoria do ser, em Aristóteles (384 aC – 322 aC.), é a reunião de forma e matéria (matéria + forma= sínolo). Uma estátua equestre tem forma (cavalo) e matéria (bronze).

A liberdade deve ter limite no direito de outrem. O fundamento disso é uma Antropologia Filosófica, segundo a qual o homem se pertence. Mas não existe direito absoluto. Alguns bens jurídicos são indisponíveis: a vida, a integridade física, a liberdade e a dignidade da pessoa. Os três primeiros são conceitos claramente delimitados. Já dignidade é um critério indeterminado, e por isso polêmico. A convivência pacífica exige que a normatividade social defina os limites da liberdade. Isso distingue o liberalismo de permissividade.

A normatividade social precisa da proteção do Estado. Isso distingue o liberalismo de anarquismo. Autoridade dos governantes deve ser consentida pelos governados e a liberdade de agir encontra limite apenas na lei, não se subordinando às concepções de algum pensador supostamente genial. A boa norma é aquela que limita o poder do mais forte, do tipo que reprime roubo, homicídio, cobrança de impostos sem autorização legal anterior e condenação sem o devido processo legal, contendo o mais forte. O liberalismo é o governo das leis, não dos homens. Não empondera ninguém. As democracias liberais têm um histórico de sucessos e fracassos, superando assim as fórmulas supostamente geniais que só colecionam fracassos.

A igualdade defendida pelos liberais é a de oportunidades, não de resultados, abrangendo a igualdade de alguns em algo (como as aposentadorias especiais e os direitos das minorias) e de todos em algo, como a obrigação de obedecer a lei. Não sendo utópico, não esconde o que fazer com a divergência e a oposição: tolerância quando não viole a lei e as penas previamente definidas para o crime. Não é concebida para anjos, afastando-se da República, obra de juventude de Platão (427/28 aC. – 347/47 aC.), e aproximando-se de As Leis, obra de maturidade do autor citado, na qual ele repudiou a República, dizendo que exigiria uma sociedade de anjos, enquanto As Leis seria uma fórmula política para uma sociedade de humana.

Porto Alegre, 6 de fevereiro de 2019.


COLUNA VICENTE ALENCAR Nº 1399


COLUNA DO VICENTE ALENCAR
EDIÇÃO N° 1399
QUARTA-FEIRA, 06 DE FEVEREIRO DE 2019
FORTALEZA – CEARÁ – NORDESTE – BRASIL
Colaboração de Fernando de Alencar, Silvio dos Santos Filho, Ângelo Osmiro Barreto e Celina Freitas.


ONTEM À NOITE,
terça-feira dia 05, no Centro Cultural do Ceará, este colunista esteve a convite da Presidência da organização proferindo palestra sobre Dona Barbara de Alencar.  Falamos sobre a primeira heroína cearense, embora nascida na Cidade de Exu, Estado de Pernambuco.

Dissertamos sobre a vida e o trabalho democrático desenvolvido por ela, nas revoluções de 1817 e 1824. A Mãe de José Martiniano de Alencar (genitor do escritor José de Alencar) e Tristão Gonçalves Pereira de Alencar (que depois adotaria o Aposto de Araripe, modificando seu nome).

Foi uma noitada das mais interessantes, e na plateia, entre outros convidados, lá estiveram Neuzemar Gomes de Moraes, Presidente da Academia Cearense de Retórica; José Maria Chaves, Presidente da Academia Cearense de Médicos Escritores; Ernani Machado, Presidente de Honra do Centro Cultural do Ceará; Ângelo Osmiro Barreto, Presidente do Grupo de Estudos do Cangaço; Professor Eleazar, especialista no estudo de conflitos bélicos; Regine Limaverde, da Academia Cearense de Letras.

Também o Jornalista Paulo Tadeu, representando a Associação Cearense de Imprensa, Nirvanda Medeiros, do Fórum de Debates do Ceará, além dos Confrades e Confreiras do CCC. Barbara de Alencar, a extraordinária heroína que está sepultada na Igrejinha da Fazenda Touro, no Município de Campos Sales, continua sendo figura marcante em nossa História, e, sempre que se fala sobre ela, todos mantêm a melhor atenção.


LEANDRO SERPA,
que se constituiu num dos maiores árbitros do futebol cearense, é atualmente um comentarista esportivo vibrante, atuando na Rádio Cidade AM 860, no horário das 11:00h às 11 11:55h, no Programa Futebol em Debate, tendo ao seu lado JB Fontelles.

O ESTADO DO CEARÁ NECESSITA NOS SEUS 184 MUNICÍPIOS, INCLUINDO A CAPITAL DE MAIS ESTABELECIMENTOS DE ENSINO. AQUELES ONDE OS MAIS POBRES POSSAM ESTUDAR.

OS PAIS QUE GANHAM SALÁRIO MÍNIMO NO BRASIL NÃO PODEM PAGAR O ENSINO PARA SEUS FILHOS. POR ISSO PRECISAM DE ENSINO PÚBLICO.

O ENSINO PÚBLICO PRATICAMENTE NÃO ALCANÇA SEUS OBJETIVOS. O NÚMERO DE ESTABELECIMENTOS É INFINITAMENTE MENOR QUE O NECESSÁRIO.

GONZAGA MOTA,
ex-governador do Estado do Ceará programou para o próximo dia 14, quinta-feira, o lançamento do seu livro “Meus poemas Ilustrados”.

Será na Livraria Benfica, que se localiza no espaço do estacionamento do Shopping Benfica, na Av. Carapinima, 2.200. O horário a ser cumprido no lançamento vai das 19:00h às 21:00h, numa promoção da Editora IMEPH.

Todos os amigos, colegas, políticos, ex-alunos, ex-colegas de Secretariado, confrades e confreiras acadêmicas estão sendo convidados para se fazerem presentes.

ATENÇÃO!
Foi adiada a posse do Trovador Gutemberg Liberato de Andrade à frente da Diretoria da União Brasileira de Trovadores – UBT FORTALEZA. O evento não mais acontecerá sábado vindouro, dia 9, como estava previsto anteriormente. Uma outra data será posteriormente definida.

CONTINUARÁ
à disposição daqueles que gostam de Rádio, a Exposição de Aparelhos de Rádio Antigos, até o dia 11 (segunda-feira) que tem lugar na ACI – Associação Cearense de Imprensa, na Rua Floriano Peixoto, 735.

A promoção é da Associação Cultural dos Rádio-Ouvintes do Ceará – AOUVIR, sob a presidência da Advogada Verônica Fontenelle. 

Nesta reunião serão homenageados entre outros os Radialistas Cid Carvalho e Narcélio Limaverde.

VAMOS CONSTRUIR O HOSPITAL DO BÉTICOS DO BRASIL EM 14 POR CENTO DA POPULAÇÃO SOFREM COM A DOENÇA. E AQUELES QUE SÃO POBRES NÃO TEM COMO COMPRAR SEUS REMÉDIOS.

Escute
nas sexta-feiras, das 22 às 23 horas, o Programa Vicente Alencar – Educação, Cultura e Esporte. Rádio Assunção Cearense AM 620, também no seu Celular, pelo aplicativo e em seu computador. No mundo não há distância que nos separe.

ACADEMIA
Cearense de Literatura e Jornalismo, sob o comando do Jornalista Reginaldo Vasconcelos, realizou importante reunião ontem na Tenda Árabe, congregando, além da Decúria, um grande número de confrades e confreiras. Dentre eles o poetas Geraldo Amâncio e Alana Girão, e o Membro Correspondente no Paraná, Dennis Vasconcelos. Ausentes este colunista, por força maior, e o Presidente de Honra Rui Martinho Rodrigues, que se encontra em Porto Alegre-RS.  Entre outros assuntos, foi discutida a programação da Assembleia Geral Aniversário da Instituição, no 4 de maio vindouro.

CASA DE LIVROS USADOS,
Sebo “O Geraldo”, na Rua 24 de Maio, 950, aberto de 8 da manhã às 16 horas. Livros a partir de 5 reais. Conheça o nosso Espaço Cultural.

O FORTALEZA
Esporte Clube, depois de conseguir o retorno de Edinho, anunciou nesta quarta-feira o retorno do atacante Dodô, que estava fazendo  falta ao Tricolor de Aço.

A IMPRENSA:
Continua sendo o quarto Poder.



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

ARTIGO - A Nova Ordem Nacional (RV)


A NOVA ORDEM NACIONAL
Reginaldo Vasconcelos*

O tão lúcido jornalista Ricardo Boechat fez comentário confuso sobre as promessas de campanha de Bolsonaro, relativamente aos costumes, que, segundo o grande jornalista entendeu, estão sendo abandonadas, em função da reforma fiscal e das medidas econômicas. Não, aquelas promessas não foram vãs e eleitoreiras, e não estão sendo relegadas.

Ao contrário do que pensavam os incautos eleitores, não se previam medidas objetivas e imediatas e autoritárias do Governo contra a escalada da degeneração moral que estava em curso no País, que, para o candidato, agora Presidente, bem como para os seus apoiadores, compunham estratégia gramisciniana da esquerda brasileira, visando a degradação da República e a fragilização de democracia, por meio da vulneração da sociedade.


Claro que as medidas anticrise, e pela Segurança Pública, são absoluta prioridade. Quanto à doutrinação de crianças na escola; a legalização do aborto; o kit gay; a promiscuidade sexual; o desvirtuamento da família; o império da “pós-verdade”, tudo isso está sendo subliminarmente mitigado.

A ditadura do “politicamente correto”; o uso político-partidário das leis de incentivo à cultural do Minc; o exagero ambiental contra o agronegócio; o desarmamento da cidadania; a exacerbação do conceito de “direitos humanos” para proteger criminosos, tidos como vítimas do “sistema” – estas são políticas que estão sendo diretamente contestadas.

O alinhamento ideológico do Foro de São Paulo a republiquetas ditatoriais, contra as grandes e prósperas democracias do mundo; o controle da grande imprensa através de verbas públicas publicitárias, a supertutela estatal de índios e quilombolas (ao invés de integrá-los à civilização) – todas estas pautas estão sendo combatidas. Para tanto, basta não as estimular, não permitir seus avanços e prestigiar os seus antagonistas.


REUNIÃO NA TENDA ÁRABE - MOMENTO LITERÁRIO (05.02.19)

REUNIÃO 
NA 
 TENDA ÁRABE
E MOMENTO LITERÁRIO
DA EMBAIXADA


Na noite da última terça-feira (05.02.19), reuniram-se na Tenda Árabe os acadêmicos Arnaldo Santos, Altino Farias, Reginaldo Vasconcelos, Dorian Sampaio, Paulo Ximenes, Alana Alencar,  Adriano Jorge, Dennis Vasconcelos, Geraldo Amâncio e os convidados Dennis Nalim, Júlio Soares e Guilherme Nobre.


Durante a reunião, a acadêmica Alana Girão apresentou o projeto intitulado Das Coisas de Dentro – um grande sarau literário a ser realizado no próximo mês de abril, alternativamente em salão do Ideal Clube ou do Iate Clube, evento da ACLJ que Alana concebeu e que se dispõe a organizar, iniciativa plenamente aprovada pelo coletivo da Decúria. 

O confrade Geraldo Amâncio, o maior poeta popular cearense vivo, grande cantador de viola e cordelista, por seu turno, apresentou à Decúria Diretiva a proposta de um convite oficial da ACLJ dirigido ao professor, físico, pesquisador e conferencista português Antônio de Abreu Freire, estudioso da nossa Literatura de Cordel, matéria sobre a qual publicou livro em Portugal, para que venha à Fortaleza, para participação no sarau literário organizado pela Alana. 

  
A experiência gastronômica desta vez foi de evocação hibérica, Galinha à Cabidela, após entrada de Consumê de Batatas com Tutano de Vaca, especialidade do repertório culinário da Família Vasconcelos. 


Seguiu-se à reunião a sessão de leitura de poesia e de prosa poética, o “Momento Literário da Embaixada da Cachaça”.


Essa prática artística e performática, internacionalmente designada como poetry slam,  nasceu em Chicago, na Green Mill Tavern, em meados dos anos 80, por inciativa do escritor Marc Kelly Smith, disseminando-se por todo o país e depois pela Europa, e por outras partes do mundo. A palavra inglesa slam refere a poesia produzida para ser lida em público.






Roberto Paiva, cliente da casa, sempre presente entre os partícipes, abriu a sessão de leituras. Seguiram-se os oradores Altino Farias, Luciano Maia, Paulo Ximenes, Dennis Vasconcelos, Romeu Duarte, Guilherme Nobre, Geraldo Amâncio, Nirton Venâncio, Alana Girão, Roberto Bomfim e Wagner Castro.

Reginaldo Vasconcelos, este fez leitura da crônica carnavalesca Simbora Amar, do seu livro Traços da Memória  Laços da Província  Volume II, a primeira das três crônicas de tema momino que ele pretende ler até o carnaval.


Luciano Maia leu poema, traduzido por ele mesmo, da obra do armênio Daniel Varujan, poeta que foi vítima do genocídio promovido pelos turcos, aos 31 anos de sua idade, em 1915. E a pedidos declamou o seu próprio poema Pacto, de seu livro Autobiografia Lírica, linda peça poética que ele tem de cor. 


Vai, poesia / até os ermos da minha pobre terra... / Dá um abraço de orvalho às madrugadas poentas do sertão... / Dá-lhes alento. / Vai, calmamente pede aos passarinhos que emudeçam ao menos um momento. / Não mereço a alegria dos seus cantos. / Adentra a noite e o sono dos meus pais / e pede-lhes, por Deus, ainda uma benção. / Beija as suas frontes cheias de saudade. / Diz-lhes que eu aprendi mal a lição / copiada no meu caderno Avante / e até as pedras choram meu destino. / À minha doce mãe, que me perdoe / pelas vezes que a fiz chorar. Por lágrimas / derramadas por seu poeta menino. / E diz ao meu irmão que não sou puro / como ele sempre quis acreditar. / Que o castigo e o remorso têm morada / em meu desconsolado coração. / Que a saudade me acorda e me golpeia / em meus sonhos de exílios e distâncias. / Diz às minhas pretéritas amantes / que a elas, na verdade, eu nunca amei. / Que só lhes presenteei de despedidas / e que as trai por nada, o inconstante. / Vai, poesia. / À minha dor não tens que regressar. / Nossa aliança agora se desfaz. / Não fazemos, por certo, um belo par. / Não venhas ver-me, amiga, nunca mais


Completando o mixing  cultural do Momento Literário da Embaixada da Cachaça, o poeta Wagner Castro anunciou o lançamento de um CD musical, de cuja capa leu a letra de uma das canções, narrando antes a sua gênese.

Segundo ele, chegou certa vez, portando o seu violão, a uma mesa boêmia, numa madrugada de Fortaleza, a que se assentavam Luciano Maia e Romeu Duarte, dentre outros poetas, que lhe pediram que tocasse. Cansado, ele recusou-se, mas se prontificou a mostrar uma melodia que compusera, mas que ainda não tinha letra. Os bardos se arregimentaram imediatamente, muniram-se de papel e caneta, e a letra da música foi composta. 





O poeta cearense Nirton Venâncio, artista multifacetado – poesia, música, cinema – longamente radicado em Brasília, veio à Fortaleza lançar seu mais recente livro, no dia 15 de fevereiro, na Livraria Lamarca. Ele fez dramáticas declamações de seus poemas. Na imagem, Nirton, entre os amigos Romeu Duarte e Galileu. 


Ao final, o sociólogo, historiador e fotógrafo Luizinho Ferreira exibiu a 2ª Edição de seu livro Quando éramos felizes... nem tanto”, que acaba de lançar, cuja 1ª Edição é de 2008. Com ele, a amiga Chrystiane.  

domingo, 3 de fevereiro de 2019

ARTIGO - A Crítica Social (RMR)


A CRÍTICA SOCIAL
Rui Martinho Rodrigues*



Um professor de literatura, na Inglaterra, orientou a produção de um conto: um escândalo sexual, um mistério e a família real poderiam torná-lo mais atraente. Um rapaz fez o “dever de classe” escrevendo o seguinte texto: “A rainha está grávida e não se sabe quem é o pai”.

A crítica social também tem uma receita mais diversificada. Defenda a igualdade, mas de modo vago. Não faça distinção entre “desigualdade” (que é jurídica, social ou cultural) e “diferença” (que é física, legítima ou natural).

Não distinga entre igualdade de todos em tudo; de todos em algo; de alguns em tudo; de alguns em algo. Também não diferencie a igualdade de oportunidades da igualdade de resultados. O relativismo servirá de panóplia. Não existindo verdade, você jamais estará errado. Mas não deixe de invocar a verdade contra quem diverge de você.

A dialética, que Lucio Colletti (1924 – 2001) considerava “uma senhora de costumes cognoscitivos fáceis”, será de grande ajuda. Permite contradições escudadas na tese da unidade dos contrários. Use conceitos indeterminados, como justiça e dignidade humana. A exemplo do que ocorre com as obras de arte, cada um entenderá a seu modo. Joaquim Maria Machado de Assis (1839 – 1908), no conto Teoria do Medalhão, já recomendava o discurso vago como forma de contornar divergências e aparentar sabedoria.

A responsabilidade individual por crimes deve ser abolida ou minimizada, mas seletivamente. Negue a possibilidade de escolha livre e consciente. Ninguém perceberá que isso é incompatível com a democracia. Atribua as nossas decisões e condutas às estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais, e o transgressor será vítima. Mas seja seletivo. Aponte a pobreza como causa do crime, ignorando a criminalidade dos ricos, sem deixar de condená-los, conforme a conveniência. Isso faz sucesso e a contradição não será percebida, ou a “senhora de costumes cognoscitivos fáceis” o absolverá. Também não notarão que se a pobreza levasse ao crime, então os pobres seriam criminosos ou, no mínimo, suspeitos, o que é um preconceito perigoso.

Pregue a solidariedade. Mas tenha o cuidado de estatizar as obrigações daí decorrentes, para que elas não recaiam sobre os seus ombros, mas sobre o Estado, cujo financiamento será parte do redistributivismo fiscal. Sim, distribuir a renda não pode faltar. Mas a renda a ser distribuída é a de quem ganha mais do que você, pois não seria preciso o Estado distribuir os seus próprios haveres.

Proponha colher sem plantar. É a velha promessa muito simpática da deusa grega Bem-Aventurança, mulher formosa e sedutora, que os críticos chamavam de Mentirosa. Confunda Direito com patrocínio e transforme direitos sinagmáticos com direitos potestativos, na forma de crédito sem obrigação. Direitos humanos devem ser ampliados até alcançarem toda elástica categoria das chamadas necessidades básicas, ou direitos sociais. Afaste a ideia de esforço, superação, responsabilidade, perseverança e outras virtudes. São valores desconfortáveis.

Pregue a necessidade de ter a mente aberta, mas aferre-se às suas convicções, não importa que elas tenham sido desmentidas pelos acontecimentos históricos em todas as suas experiências. Basta apoiar-se em autores de grande prestígio, de preferência que sejam muito lembrados, pouco lidos e ainda menos compreendidos. Não é preciso ser virtuoso, basta aparentar virtude, já dizia Nicolau Maquiavel (1469 – 1527).

Porto Alegre, 2 de fevereiro de 2019.






COMENTÁRIO

Este artigo do Prof. Rui Martinho Rodrigues é constituído de gorda proteína filosófica e da mais pura vitamina sociológica, entre fibras de carboidratos econômicos.

Mas o leitor que tiver preguiça de pensar não vai conseguir aproveitar a sua rica substância, simplificar os seus compostos complexos e absorver os óleos essenciais da sabedoria aplicada de que o texto é impregnado, a exigir do intelecto um vigoroso processo digestório.

Bem mastigado, o artigo demonstra o terrível engano das teorias messiânicas segundo as quais todos têm direito a tudo, a benesses gratuitas fornecidas pelo Estado, a promessa de leite e mel fluindo de forma dadivosa das políticas sociais, por força de lei.

Dando irônicas lições, Rui escancara o equívoco ideológico do “estado de bem-estar social” absoluto, independentemente de mérito ou de demérito dos beneficiários, indiferentemente ao que eles criem, desenvolvam, edifiquem, produzam, contribuam ou perpetrem – tudo sob a bandeira magnânima dos “direitos humanos”, um conceito sacrossanto e inefável.

A reflexão de Rui é especialmente oportuna no Brasil, neste momento de aguda crise moral, fiscal e previdenciária, em que a nova política disruptiva começa a sepultar mitos, crestar privilégios e mitigar injustiças.

Porém, em contrapartida, vai exigir os sacrifícios entrevistos em medidas moralizadoras e em grandes rigores penais, os quais serão impostos contra os desonestos de todas as castas, e os cavilosos de todos os níveis principalmente os egoístas e arrivistas elitizados, cúpidos por poder e pecúnia  mas também as hordas de desocupados por opção, reivindicadores profissionais, agitadores contumazes, insuflados por brancaleônicos ideólogos.

Reginaldo Vasconcelos