quarta-feira, 8 de novembro de 2017

NOTA JORNALÍSTICA - Um Chocalho Que Toca Há 33 Anos


UM CHOCALHO QUE
TOCA HÁ 33 ANOS


O Grupo Chocalho é um movimento cultural concebido, mantido e presidido pelo professor Auriberto Cavalcante, um abnegado militante das causas sociais, que a princípio formava com as esquerdas socialistas, das quais recentemente apostatou, renegando as hostes petistas, após revelados os desvios morais de seus representantes no poder.

O idealista Auriberto Cavalcante pertence à terceira geração de repórteres fotográficos cearenses – seu avô, um famoso fotógrafo sobralense; seu pai, fotógrafo oficial do Governo do Estado por longos anos; seus irmãos e sobrinhos, vários profissionais da imagem – um deles com militância em grandes veículos de imprensa nacionais.

Bancário na juventude, Auriberto agitava no movimento sindical, versejando e panfletando contra as iniquidades e os desmandos na política, como um verdadeiro Plínio Marcos local, até que se firmou no magistério, convertendo-se depois ao catolicismo carismático, através da Comunidade Católica Shalom, compreendendo enfim, já na fase espiritual da vida, que o plano de Deus é soberano.


O movimento cultural “chocalheiro” está completando 33 anos de existência – por acaso, a chamada “idade de Cristo” – e para marcar essa efeméride, na noite do último dia 31 de outubro, Auriberto Cavalcante reuniu no auditório da Associação Cearense de Imprensa (ACI), entidade a cuja diretoria ele pertence, uma plêiade de personalidades gradas, as quais agraciou com um troféu de honra ao mérito.



Dentre os muitos laureados destacamos o advogado Flávio Jacinto, um dos causídicos mais prestigiosos do Estado; a poetisa Sílvia Braun, representando a ACI; o odontólogo Diogo Fontenele, agnominado “O Poeta Menino”, e o advogado Iranildo Pereira, político veterano aposentado, ex-deputado estadual e federal, marcado pela bravura com que defendia as suas ideias e com que combatia os adversários na tribuna.




Iranildo acaba de lançar a sua biografia – intitulada “Pau Pereira” – belíssima obra memorialística que teve a sua revisão confiada pela RDS Editora ao acadêmico da ACLJ Reginaldo Vasconcelos.
    

CRÔNICA - Estão Chamando Nossa Turma (WI)


Estão chamando
nossa turma
Wilson Ibiapina*



O pernambucano Antônio Maria, cronista, jornalista, colunista, compositor, antes de ficar famoso no Rio passou por Fortaleza, onde fez sucesso como locutor esportivo. Chico Anysio contava que um dia, quase ele mata a mulher do atacante Pipiu, durante um jogo em que o goleiro do time adversário era um tal de Puxa a Faca. Na época, a bola era chamada de pelota ou couro. 

E Maria transmite: “Pipiu vai cabecear, vem Puxa Faca e arranca o couro da cabeça do Pipiu. A mulher do craque, ouvindo a transmissão do jogo pelo rádio, não pensou duas vezes antes de desmaiar. “Escalparam meu marido.” 

Em 1952, Antônio Maria fez a letra e o Zé Gonzaga, irmão do Rei do baião colocou a música e cantou:

Nós era sete / Fumo morrendo / Fumo morrendo / E só fiquemo eu / Não houve reza / Não houve nada / Fumo morrendo / E só fiquemo eu”.

Essa música só lembra os amigos jornalistas que vão ficando pelo caminho. E não são poucos.

No Ceará, o Galeguinho, repórter policial, Flávio Pontes, Odalves Lima, Agladir Moura. Carlos Paiva, Ciro Saraiva, Edmundo Castro, Edmundo Maia, Ezaclir Aragão, Venelois Xavier, Vander Silva, Edilmar Norões, Durval Aires, Francisco Bilas, Neno, Guilherme Neto, Dário Macedo, Tomas Coelho, Rangel Cavalcante, Lustosa da Costa.

Aqui em Brasília nem se fala. Carlos Castelo Branco, Abdias Silva, João Emílio Falcão, Alfredo Obleziner, Elísio Pontes, Carlos Chagas, Pompeu – o do Ceará e o do Pará. É gente demais. São tantos, que nem lembro todos.

Enfim, nós era sete. E só fiquemo eu.


terça-feira, 7 de novembro de 2017

SONETO DECASSILÁBICO PORTUGUÊS - El Greco (MC-VM)


EL GRECO
Márcio Catunda (quadras)*
Vianney Mesquita (trísticos)**


Domenikus, da Grécia foi à Espanha
Propagar o maneirismo lustral,
Aquela supernatureza estranha:
Rasgos de luz da ave celestial.

Na iconografia de sua façanha,
Uma expansão etérea em todo o astral,
Em chispas de claridade tamanha,
Flui dos arcanjos do reino imortal.

Sob adiantada verve expressionista,
De estilo claro e significativo,
Dogmatizou na fileira cubista.

Pontificou em Hispânia o Artista Divo,
Glória eternal de todo esteticista
Vitalício talento redivivo.







ARTIGO - Transparência Total (RMR)


TRANSPARÊNCIA TOTAL
Rui Martinho Rodrigues*



O ministro da Justiça, Torquato Jardim, disse que os comandantes da Polícia Militar do Rio de Janeiro são sócios do crime. Expressou o que é havido como fato público e notório em todo o Brasil, tanto para as polícias administrativas como para as polícias judiciárias e demais escaninhos do aparato estatal. O Tribunal de Contas do Rio de Janeiro teve todos os seus integrantes, com uma única exceção, presos por prática de improbidade. O TJ de Rondônia tem todos os seus desembargadores sob investigação.

A ex-ministra Eliana Calmon já disse que a Lava Jato chegará ao Judiciário. O Legislativo tem centenas de seus integrantes citados nos acordos de colaboração premiada firmadas em Curitiba e seus desdobramentos. O Poder Executivo tem ministros investigados e denunciados. A improbidade domina a União, estados e municípios. Já se disse que não se faz nenhuma obra pública, nem se recebe pagamento sem molhar a mão de autoridades.

Tornada evidente tal situação, as autoridades já não podem dizer que não sabem, nem podem desmentir os fatos. O resultado foi o abandono da hipocrisia. Já não se tem nenhuma consideração pelas virtudes públicas. Restou o cinismo, que a Ministra Carmen Lúcia nomeou como escárnio. A presidente do STF, sem nenhum constrangimento, transferiu um feriado do sábado para a sexta-feira, no Pretório Excelso.

Pequenos deslizes são a porta de entrada das grandes transgressões. A “teoria da janela quebrada” demonstra que a atmosfera de abandono ou de licenciosidade é um poderoso estímulo à conduta antissocial. Uma boutade de Stanislaw Ponte Preta descreve os desmandos generalizados diante dos quais dizia uma autoridade: “Ou restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos”. O desmascaramento generalizado destruiu a contenção do cinismo. A hipocrisia acabou. Chegamos a situação da velha anedota. Agora ou punimos a improbidade e o crime em geral ou todos se sentirão estimulados a participar das práticas ilícitas.

Exageros no campo do Direito Penal garantista e um escrúpulo político injustificado impedem o uso de meios institucionais para a defesa da paz social. Temos a total ineficácia das políticas de segurança pública. O Estado de defesa (art. 136, CF/88) e o Estado de Sítio (art. 137 a 139/CF/88) não são usados. Não é perigoso aplicá-los. Eles têm prazo de vigência e os atos praticados com base em tais medidas precisam ser submetidos a apreciação do judiciário. Não usamos os instrumentos de defesa da sociedade. Será que a proteção do crime explica?


NOTA JORNALÍSTICA - Golpe de Misericórdia


GOLPE DE MISERICÓRDIA
NA MEMÓRIA CEARENSE


José Quintino da Cunha, o poeta Quintino Cunha, tido como “o Bocage cearense”, nasceu em Itapajé, no norte do Ceará, em 1875, e faleceu em Fortaleza, em 1943.

Seu talento jornalístico aflorou cedo. Já aos 11 anos estreou na imprensa, redigindo O Álbum e colaborando no jornal O Cruzeiro, ambos de Baturité. Quintino estudou no Ginásio Cearense e na Escola Militar.

Emigrou para o Amazonas durante o ciclo da borracha, onde passou a publicar seus textos nos jornais locais da época. Por lá se notabilizou pela publicação do poema “Encontro das Águas”, sobre confluência bicolor dos Rios Negro e Solimões.

Voltando do Norte do País ao seu Estado, já atuando como rábula havia anos, ingressou na Faculdade Livre de Direito do Ceará, concluindo o curso em 1909, passando a atuar na advocacia criminal, notabilizando-se por suas atuações vitoriosas no Tribunal do Júri, marcadas pela sua veia satírica apuradíssima.

Foi deputado estadual entre 1913 e 1914, ocasião em que defendia fervorosamente a melhoria da instrução do povo e onde lutou contra a extinção da Faculdade de Direito, então cogitada na Assembleia.

Ingressou na Academia Cearense de Letras em 1922, na época da primeira reorganização, capitaneada por Justiniano de Serpa, ocupando a cadeira número 22, cujo Patrono era o poeta Paula Ney.

Mas Quintino integrou o histórico “Grupo dos Injustiçados”, assim como o Padre Antônio Tomás, por ocasião da segunda reorganização do sodalício, em 1930, em que foram excluídos, ele e o Patrono que escolhera. 

Injustiça maior em se tratando de um intelectual cearense que figura ao lado dos grandes mestres do improviso literário ferino, como Bernard Shaw, Quevedo e Swift, sendo considerado pelo crítico Agripino Grieco “o maior humorista brasileiro de todos os tempos”.

Contemporâneo de Leonardo Mota, Gustavo Barroso, Ramos Cotoco, Gil Amora, Renato Sóldon, Guimarães Passos, Emílio de Menezes e Paula Ney, foi homenageado por Euclides da Cunha, Guerra Junqueiro, Rostand e Émile Fagueto monstro da Academia Francesa”, de quem foi íntimo em Paris. Rachel de Queiroz o considerava "um patrimônio da terra”. 

Mas o grande título que Quintino Cunha ostenta hoje é de ter sido o primeiro humorista cearense, espírito do “Ceará Moleque”, precursor do grande Chico Anysio, do Renato Aragão, do Tom Cavalcante, do Paulo Diógenes e do Falcão, dentre outros quejandos.

Quintino Cunha é nome de rua em Itapajé, e de bairro em Fortaleza, entretanto sua cidade natal acaba de demolir a histórica casa em que ele nasceu, que já havia sido adulterada pelo seu proprietário anterior, o falecido dentista Eldo Rios Lousada. 

Os herdeiros venderam o imóvel, e os compradores, da mais tradicional família da região, os Gomes, deram o golpe de misericórdia na memória do Estado. 

Agora, a aprazível cidade de Itapajé, aos pés do frade de pedra, que já não tem as suas tradicionais linguiças de porco e a ótima paçoca de pilão, perdeu a única relíquia histórica de seu conjunto arquitetônico.  

Isso combina com o desalento que inspirou Quintinho Cunha ao escrever o seu próprio epitáfio, que até hoje pode ser lido no Cemitério São João Batista  em Fortaleza: O Pai Eterno segundo, reza a História Sagrada, tirou o mundo do nada, e eu nada tirei do mundo

sábado, 4 de novembro de 2017

NOTA ACADÊMICA - Assembleia Geral de Fim de Ano


ASSEMBLEIA GERAL
 DE
FIM DE ANO DA
ACLJ



Na reunião semanal da última quarta-feira (01.11.17), a Decúria Diretiva da ACLJ recebeu no lounge da Embaixada da Cachaça, espaço denominado Tenda Árabe, o seu Presidente Emérito Rui Martinho Rodrigues, que esteve em viagem por três meses.



  Convidados especiais os compositores Messias Batalha e Khalil Gibran Goch, aquele também artista plástico, e este último, na condição de produtor cultural, administrador do projeto Galeria dos Grandes Patronos Cearenses, da ACLJ, recentemente aprovado pelo Ministério da Cultura.

O grupo, composto pelo Presidente Emérito Rui Martinho Rodrigues, o Presidente Reginaldo Vasconcelos, o Secretário-Geral Vicente Alencar, o Segundo-Secretário Adriano Jorge e o Tesoureiro Paulo Ximenes, discutiu detalhes da última Assembleia Geral da ACLJ neste ano, que terá lugar no Iate Clube de Fortaleza, na noite do dia 23 de novembro, a convite de sua Diretoria Cultural.    



Na referida solenidade serão guindados à titularidade acadêmica os Membros Honorários Totonho Laprovitera, Humberto Ellery, João Pedro Gurgel e Manfredo Cássio Borges. Também tomará posse durante a solenidade a escritora Alana Girão de Alencar, que virá integrar e abrilhantar a ala feminina acelejana.

Neta do grande historiador cearense Raimundo Girão (imortal da Academia Cearense de Letras), Alana é advogada militante e psicanalista clínica. 

Poetisa, tem três livros publicados, e prepara para o dia 24 de novembro o lançamento do quarto título, “Detalhes da Alma de Alguém”. 

O nome de Alana Girão de Alencar foi proposto pela acadêmica Karla Karenina, e ela foi eleita por unanimidade pela Decúria Diretiva. 

   

NOTA CULTURAL - Biografia de Dona Olga Barroso


BIOGRAFIA
DE
DONA OLGA BARROSO


O Instituto Myra Eliane, tendo à frente o empresário Igor Queiroz Barroso, 12º Membro Benemérito da ACLJ, brinda a cultura cearense com o lançamento de mais uma obra importante para a memória do Estado, desta vez a biografia de Dona Olga Barroso, uma das mais queridas e mais memoráveis Primeiras Damas da História do Ceará.

Consorte do Governador Parsifal Barroso, no tempo em que se podia dizer que “há sempre uma grande mulher atrás de cada grande homem”, muitas vezes parecia que Dona Olga ia à frente na Administração do seu marido, tanto que este a ouvia nas decisões mais importantes, tão proficiente ela era no trato da política e da vida pública nacional.

O livro, escrito pelo historiador Juarez Leitão, árcade da Academia Cearense de Letras, e que tem prefácio de Igor Queiroz Barroso (neto de Olga e Parsifal), será lançado no próximo dia 10 de novembro, às 19:00h, no auditório da Biblioteca da Unifor.

  

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

SONETO DECASSILÁBICO PORTUGUÊS - Castelo de Sant'Angelo e Vila Adriana (MC-VM)


CASTELO DE SANT’ÂNGELO

VILA ADRIANA
Márcio Catunda (quartetos)*
Vianney Mesquita (tercetos)**


Um imenso pedestal por sepultura
Fez para si o Imperador Adriano,
Para que a humana geração futura
Admirasse um grande soberano.


 Da sua torre de grandiosa altura,
Que o Anjo espadachim fez aeroplano,
Vê-se a urbe de esplêndida estrutura
Do palimpsesto crístico-romano.

Coincidente com Elio Sparciano
Tívoli vimos deste Elio Trajano
Vila Adriana Oraria de verdade.



E hoje esse ambiente nababesco
Por deciso propício da Unesco,
É patrimônio da Humanidade.









quinta-feira, 2 de novembro de 2017

ARTIGO - A Criminalidade em Debate (RMR)


A CRIMINALIDADE
EM DEBATE
Rui Martinho Rodrigues*



Foi publicada estatística do crime. O homicídio (incluindo latrocínio e lesão corporal seguida de morte) continua crescendo. O desarmamento civil foi feito contrariando a consulta popular, prometendo que teríamos menos crimes. É uma lógica segundo a qual as armas ensejam o crime de ocasião, nos momentos de insensatez; o suicídio seria facilitado do mesmo modo; e a reação armada aos assaltos é estimulada pelas armas, levando ao desastre. Os fatos, porém, não colaboram com esta lógica.

Um argumento oculto é a proteção dada pelo Estado ao indivíduo contra ele mesmo, presente nas teses do crime de ocasião, da facilitação do suicídio e da reação desastrosa em face do agressor. Isto é: somos incapazes, não sabemos controlar nossas emoções nem nos comportar em face de agressões de criminosos, logo... precisamos da curatela do Estado! Mas se somos incapazes não temos direito à cidadania, ao voto e à maioridade em geral. Democracia de incapazes é quadratura do círculo. O Estado que pretende nos proteger de nós mesmos tem índole totalitária. Devemos nos proteger deste Estado.

Um segundo aspecto do desarmamentismo é o caráter falacioso da lógica apresentada. Alegar que praticou o crime sob violenta emoção é um direito da defesa. Mas não sabemos quantos destes crimes realmente foram praticados em tais circunstância, nem quantos foram alimentados durante anos pelo ódio de sociopatas. Julgar o balanço entre os alegados crimes de ocasião e a violência evitada pelo efeito dissuasivo das armas, exigiria a comparação quantitativa entre os dois fenômenos. Quantas vezes um tiro de advertência ou simples saque antecipado de uma arma evitou uma violência é um fato sem registro. Não se fazem boletins de ocorrência da violência evitada.

Artigos acadêmicos de prestigiosas universidades defendem o desarmamento. Evitam a comparação entre alguns países cuja população é armada (EUA) e outros de população desarmada (Brasil), desfavorável ao desarmamento, alegando desníveis de renda. É o caso do professor David Hemenway, ligado à prestigiosa Harvard, que não aceita comparar os índices de homicídio brasileiros (29 homicídios por cem mil habitantes) com o dos EUA (5,4). Ótimo. Comparemos países de renda assemelhada: Paraguai, onde os cidadãos têm inteira liberdade de adquirir armas, 10,6 homicídios por cem mil habitantes; Uruguai, país mais armado do continente,7,9. Brasil, onde o cidadão é protegido contra ele mesmo pelo Estado, não podendo, na prática, ter arma legalmente, tantas são as restrições burocráticas, 29,0.

Entre os ricos: Israel, com a população mais armada do mundo, 2,2. E tem o conflito com a população árabe lá dentro. Nem é preciso lembrar a transferência da responsabilidade das pessoas para os objetos, uma loucura; nem que a escassez de um bem leva aos bens substitutos: quem não tem arma de fogo mata com outra coisa. Na Idade Média a violência era endêmica. Convicções ideológicas e prazer narcísico de ser “do bem” obscurecem os fatos.

Quem já sabe como são feitas as teses “politicamente corretas” nas universidades não se surpreende que falácias sejam associadas ao nome de instituições prestigiosas.

Fortaleza, 01/11/17

Publicado no blog da ACLJ e no jornal on line focus.jor


quarta-feira, 1 de novembro de 2017

ARTIGO - Teremos Inverso Normal em 2018 (CB)


TEREMOS INVERNO NORMAL
EM 
2018?

Na coluna do Jornalista Paulo Cesar Norões, do Diário do Nordeste, de 22/12/2016, portanto em dezembro do ano passado, eu disse o seguinte sobre a probabilidade de haver ou não um bom inverno no próximo ano de 2018:

Assim seja! Poucos homens conhecem tão bem a questão hídrica do Ceará quanto o engenheiro Cássio Borges. E ele se baseia em mais de 100 os de observações pluviométricas obtidas pelo DNOCS, no Nordeste, para acreditar que teremos chuvas no próximo ano. “Estatisticamente, a partir de 2017, devermos iniciar um ciclo de dez ou 11 anos de chuvas na média, ou acima da média”, diz ele. Benza a Deus, Dr. Cássio”.


Nota: Realmente no ano de 2017 tivemos as chuvas na média no vale do Rio Jaguaribe e no Norte do Estado as chuvas ficaram acima da média, conforme acima previsto. Os pequenos açudes encheram e ainda hoje continuam com água, graças a Deus, em suas respectivas bacias hidráulicas. Uma benção da natureza.


Dez meses depois, recebo a seguinte matéria, publicada no jornal Tribuna do Norte, de que vai chover em nossa região no próximo ano de 2018, na qual o entrevistado é meteorologista Luiz Carlos Molion, meteorologista  e professor a Universidade Federal de Alagoas:
  
“Vai chover no próximo ano e, segundo os meteorologistas, o ciclo de seis anos seguidos de seca severa para o semiárido do Nordeste está encerrado e não deverá se repetir na próxima década. Os prognósticos do meteorologista Gilmar Bertroi (EMPAM) a reportagem da Tribuna do Norte é corroborada por Luiz Carlos Baldicero Molion, meteorologista e professor da Universidade Federal de Alagoas. As análises apontam para um inverno que varia de normal e acima da média, em 2018, abrindo uma possível sequência de nove anos com baixa possibilidade de secas repetidas”.

O prognóstico que fiz na coluna do jornalista Paulo Cesar Norões foi,  como acima foi visto, com base em dados estatísticos obtidos da série de dados pluviométricos colhidos pelo DNOCS a partir do ano de 2009 por ocasião dos estudos hidrológicos do açude Banabuiú de que participei intensamente. Pelo visto, o prognóstico do meteorologista Molion, certamente, foi fundamentada na mesma metodologia por mim adotada, portanto, não foi baseado em informações meteorológicas.


Nota: Luiz Carlos Molion é meteorologista brasileiro, professor e pesquisador da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). É, também, representante dos países da América do Sul  na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial.