sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

NOTA ACADÊMICA - Segunda Assembleia Geral 2023

ACLJ
 SEGUNDA
ASSEMBLEIA GERAL
ORDINÁRIA
2023

 



O Palácio da Luz, silogeu que sedia as principais academias literárias do Estado, situado na Praça General Tibúrcio em Fortaleza – a Praça dos Leões, o mais antigo prédio público da Cidade, para marcar o rico histórico que o seu longo passado registra, na noite deste último dia 06 de dezembro foi palco de mais um momento de glória e de glamour. 

No auditório principal do edifício e na data referida, a Academia Cearense de Literatura e Jornalismo (ACLJ), cumprindo mais uma vez a sua nobre missão institucional, exaltou o valor de seis ilustres personalidades femininas cearenses, às quais outorgou a “Medalha-Troféu Rachel de Queiroz – Honra ao Mérito Feminino”. 



 





São elas a jornalista Adísia Sá (representada por sua sobrinha-neta Lia Abreu), a comunicadora e advogada Jeritza Gurgel, a Desembargadora Federal Germana Moraes, e as empresárias Graça Dias Branco da Escóssia, Paula Queiroz Frota e Patriciana Queirós Rodrigues, todas aclamadas para receberem a honraria pela Decúria Diretiva da ACLJ.

A Profa. Adísia Sá, 94 anos, recebendo em casa,
comovida, a Medalha-troféu Rachel de Queiroz.




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 https://drive.google.com/drive/folders/1K3d_kwQ1mCgDBZT878C-w6Y0MDfs8y7G

Na pauta da mesma solenidade o empresário Ricardo Cavalcante, Presidente da Federação as Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), e Vice-Presidente do Conselho Nacional da Indústria (CNI), recebeu o título de "Cearense de Ano de 2023", a que foi eleito pela ACLJ pelo seu magnífico desempenho na administração das referidas entidades.


Foram ainda agraciados com o troféu “Destaque Cearense” o advogado João Alfredo Teles Mello, Superintendente do Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace), e o Capitão de Fragata Daniel Rocha, Comandante da nossa Escola de Aprendizes-Marinheiros. 

O título a que fizeram jus foi reconhecimento pela ótima administração que desenvolvem nas respectivas instituições, sobretudo pelo seu bom relacionamento com os próprios comandados, galgando o seu respeito, a sua admiração e o seu afeto – bem como pelas boas iniciativas implementadas por cada qual, a bem do órgão que preside. 



Finalmente, foi concedida a “Medalha Benemérito Ivens Dias Branco” a quatro jornalistas cearenses veteranos, que são Sabino Henrique, Fernando Maia, Egídio Serpa e Regina Marshall (in memoriam), esta representada por suas filhas Vivian e Marjorie. 

Regina Marshall teve como proponente do seu nome o acadêmico Sávio Queiroz Costa, amigo das suas filhas, de cuja ilustre mãe a saudosa mãe dele foi admiradora e muito amiga.









 

Sabino Henrique teve o nome lembrado e proposto pelo jornalista e acadêmico Arnaldo Santos, Fernando Maia pelos irmãos Reginaldo e Adriano Vasconcelos, enquanto Egídio Serpa teve propositura de Beto Studart, empresário e Benemérito da ACLJ. 

A solenidade foi conduzida pelo jornalista e radialista Vicente Alencar, que formou a mesa com o Presidente Reginaldo Vasconcelos, o Presidente de Honra Lúcio Alcântara, os Membros Beneméritos José Augusto Bezerra e Beto Studart, e os Membros Titulares Cândido Albuquerque, Vianney Mesquita e Paulo Ximenes.


Compareceram os acadêmicos Reginaldo Vasconcelos, Paulo César Norões, Luís Carlos Moreira, Edmar Ribeiro, Aluísio Gurgel, Ulysses Gaspar, Marcos Maia Gurgel, João Paulo Gurgel, Vianney Mesquita, Paulo Ximenes, Humberto Ellery, César Barreto, Adriano Vasconcelos, Sávio Queiroz Costa, Geraldo Gadelha, Vicente Alencar, Luciara Aragão, José Maria Chaves e Cândido Albuquerque, além dos Beneméritos Beto Studart, Paula Queiroz Frota, Lúcio Alcântara e José Augusto Bezerra.


A solenidade, prestigiada por convidados e por parentes e amigos dos homenageados, transcorreu com toda a pompa e circunstância, como tradicionalmente acontece, inclusive com a presença da Banda de Música do Exército, que, além do Hino Nacional, executou a Ode Alencarina, hino da ACLJ.

 

Também esteve presente para homenagear o seu comandante a Banda de Música da Escola de Aprendizes-Marinheiros, por sinal composta por integrantes da turma de músicos aprendizes-marinheiros e que está concluindo o curso neste mês. 

Portanto, também estão se despedindo da Escola e, alguns deles, da Cidade e do Estado, pois são oriundos do Brasil inteiro. Executaram a canção Cisne Branco, Hino da Marinha, e a Canção dos Expedicionários Brasileiros. 

O momento burlesco da solenidade foi a quebra do protocolo exigido pela liturgia acadêmica, quando o jornalista Fernando Maia, um dos agraciados com a Comenda Benemérito Ivens Dias Branco, o qual informara previamente que não falaria, mas assaltou o microfone de repente e falou por meia hora, atrasando a cerimônia, mas animando a plateia com os seus bem-humorados disparates – lembrando o personagem “Rolando Lero”, do falecido ator Rogério Cardoso, do qual Fernando é sósia.





Após declarado o encerramento da solenidade pelo Dr. Lúcio Alcântara, houve o tradicional brinde com vinho do Porto, e um coquetel no salão principal do Palácio da Luz. 





Falaram durante a solenidade o Presidente Reginaldo Vasconcelos, os Beneméritos José Augusto Bezerra, Lúcio Alcântara e Beto Studart, o acadêmico Paulo Ximenes, e os agraciados Patriciana Rodrigues, Egídio Serpa, Sabino Henrique e Fernando Maia. 





O discursos que foram lidos estão abaixo reproduzidos. 

Academia Cearense de Literatura e Jornalismo
Dia 06/12/2023 – Palácio da Luz
REGINALDO VASCONCELOS


Senhores componente da Mesa de Honra, que saúdo na augusta pessoa do Dr. Lúcio Gonçalo de Alcântara, nosso Membro Benemérito, que qualifico como “doutor” pela sua nobre graduação em medicina, mas que também é herdeiro de uma longa tradição política da família, tendo sido, historicamente, Prefeito desta Capital, Deputado Federal Constituinte, Governador deste Estado, Senador da República, e, como se não Bastasse, Presidente do Instituto do Ceará e da Academia Cearense de Letras. 

Senhoras recipiendárias da Medalha Rachel de Queiroz – Honra ao Mérito Feminino neste ano, que cumprimento individualmente: a Professora e Jornalista Adísia Sá, a Desembargadora Federal Germana Moraes, a minha colega comunicadora e advogada Jeritza Gurgel, as empresárias Patriciana Queirós Rodrigues e Paula Queiroz Frota, esta museóloga diletante. 

Menciono ainda, com muita gratidão e reverência, a Dra. Graça Dias Branco da Escóssia, Vice-Presidente Financeira do Grupo M. Dias Branco, e o empresário Ricardo Cavalcante, brilhante Presidente da Fiec,  ambos agraciados nesta noite, mas ausentes por motivo de viagem profissional. 

Demais homenageados na noite de hoje, meus queridos confrades, senhores convidados, minhas senhoras e meus senhores.

Dizia Confúcio, o pensador chinês, que a palavra convence, mas o exemplo arrasta. Pois bem. Serei curto em minhas falas, para estimular que todos o sejamos, pois a nossa pauta de hoje é muito longa, em razão de precisarmos exaltar e abraçar uma grande plêiade de cearenses, ilustres e meritórios. 

Resta-nos a todos reverenciar a Deus por este momento sublime que vivemos nesta noite, cumprindo a mim agradecer a colaboração inestimável dos nossos Membros Beneméritos, principalmente aqueles mais comprometidos com esse honroso título que ostentam, os quais, reconhecendo os nossos esforços, nos apoiam e nos permitem viabilizar a nossa agenda cultural e social. 

Muito especialmente citamos, in memoriam, Dona Yolanda Queiroz, representada pela filha Paula Frota, bem como o Seu Ivens Dias Branco, por seu turno sucedido pela primogênita Graça da Escóssia, que, honrando a memória do pai, nunca, jamais deixa de atender os nossos apelos, sempre com o beneplácito de sua mãe, Dona Consuelo, para nós detentora do título de Primeira Dama do Empresariado Cearense. 

Finalizando, agradecer a presença de todos, e augurar que o próximo ano seja pleno de paz e de alegria para todos, especialmente para o nosso País e o nosso Estado, que reine o espírito democrático genuíno e verdadeiro, bem como se estabeleça segurança jurídica absoluta, rogando a Deus que o Brasil e o mundo superem essa fase horrenda de insensatez, injustiça e violência, e se reencontre o caminho da verdade, da fraternidade e do progresso. 

Muito grato. 

 

Academia Cearense de Literatura e Jornalismo
Dia 06/12/2023 – Palácio da Luz

PAULO XIMENES


O cidadão João Alfredo, natural aqui de Fortaleza, filho do Seu Antônio Fernando Melo e da Dona Thereza Telles Melo, é uma dessas pessoas que a gente logo aprende a admirar.

Senhoras e Senhores! 

Esse entusiasmo, essa mania de pontualidade, essa tendência de cumprir à risca toda a sua agenda semanal, tem trazido resultados inéditos ao IDACE: nunca o nosso instituto conseguiu reunir, em um espaço tão curto de tempo, tantos bons resultados na regularização fundiária, na celebração de acordos de cooperação técnica com outras entidades governamentais ou não governamentais, inclusive nas soluções de conflitos agrários. 

Estas ações têm englobado também parcerias importantes com outras instituições para a criação de Unidades de Conservação – principalmente na região do litoral – e, não posso deixar de mencionar, a busca por energias renováveis e pela gestão de resíduos sólidos para serem implantadas nos assentamentos estaduais.  

Enfim, uma noite inteira não seria suficiente para se abordar tudo o que tem sido feito nessa gestão do João Alfredo. 

Para concluir, devo afirmar que o nosso homenageado faz jus à presente comenda devido, sobretudo, à sua ação incansável em procurar soluções para os problemas agrários (que, diga-se de passagem, não param de se amontoar), à sua ideia de buscar parcerias para um maior grau de eficiência nos trabalhos, e à sua maneira sempre cortês com que atende tanto aos servidores do IDACE quanto aos camponeses (especialmente aos mais humildes), que ele veio a merecer esta concorrida medalha de Destaque Cearense de 2023. 

Se fosse instado a definir o João Alfredo Telles de Melo em uma única frase, eu diria o seguinte: é um homem encantado com o seu trabalho!  


Academia Cearense de Literatura e Jornalismo
Dia 06/12/2023 – Palácio da Luz
EGÍDIO SERPA

Aqui estou eu, 80 anos, três meses e seis dias depois de um parto natural que me trouxe à luz do mundo na mesma e vizinha Messejana que pariu, também, o maior romancista brasileiro – José de Alencar. Ninguém, na história deste país, escreveu como ele.  

Sou o primogênito de uma família de 13 irmãos, 12 dos quais vivos, vários deles testemunhando este momento rico para mim e para eles. Meu pai, José Oriá Serpa, foi construtor, uma profissão regulamentada por Getúlio Vargas; minha mãe, Maria Alice Saraiva Serpa, que viveu 100 anos, foi uma orgulhosa portadora do que, até recentemente, se chamava de prendas domésticas. 

Nasci vocacionado para o jornalismo. Aos 13 anos, redigi e editei à mão, em duplas folhas pautadas de papel almaço, as três únicas edições do “Sempre Alerta”, o jornalzinho de minha escola – o Ginásio Municipal Presidente Vargas, na geografia messejanense. 

Em maio de 1959, aos 16 anos, iniciei minha carreira de repórter na Rádio Dragão do Mar, cobrindo as sessões da Câmara de Vereadores, cujos pálidos discursos eu transformava em impactantes notícias. No texto da primeira delas, por completo desconhecimento, agredi a gramática: usei a vírgula para separar o sujeito do predicado. 

Desde então, tropeçando nas dificuldades próprias de uma profissão desafiadora, que exige, primeiro, o domínio do idioma, investi na leitura, que me ensinou a identificar a urgência e a distinguir a prioridade; e que me levou a conhecer a França, Espanha, Portugal, Alemanha, Japão, China, Austrália e Estados Unidos bem antes de, fisicamente, viajar até lá. 

Os clássicos da literatura nacional e estrangeira, aliados à experiência da vida, ensinaram-me a desatrelar o joio do trigo, a repelir os maus e a eleger os bons amigos, graças aos quais e ao meu próprio esforço, frequentei, de modo longevo, a redação dos grandes jornais brasileiros. 

É por causa da graça de Deus e do estímulo de um milhão de amigos que sou o que sou, que estou onde estou, que cheguei aonde cheguei, respeitando pronomes e advérbios. São os meus amigos – homens e mulheres com os quais a benção divina me presenteou – que me incentivam a prosseguir. 

Quando hoje, juntamente com meus queridos colegas Sabino Henrique e Fernando Maia, presentes aqui, e Regina Marshall, levada ao céu por merecimento, recebo, talvez por exibir agora a braçadeira de octogenário, a Medalha Benemérito Ivens Dias Branco – exemplo de trabalhador criativo, um homem a quem a indústria e a economia cearenses muito devem – olho pelo retrovisor de minhas mais de seis décadas dedicadas ao jornalismo e agradeço a chance que Deus me deu de ter convivido com os melhores da imprensa do Ceará e do país, maravilhosa experiência com a qual, muito feliz, sigo convivendo. 

No jornal O Estado, onde ingressei em 1960, sob o comando de Carlos D’Alge, fiz de tudo – por uma semana, escrevi o horóscopo, mesmo sabendo, como sei até hoje, que a astrologia não é ciência, mas adivinhação. Ciência é a astronomia. 

Sempre com carteira assinada, fui repórter empregado de O Povo, Gazeta de Notícias, O Cruzeiro, Folha de São Paulo, Jornal dos Sports, Diário de Pernambuco, Jornal do Brasil, TV Manchete, TV Verde Mares e Diário do Nordeste. 

Bem, este é um espaço acadêmico, razão por que devo ser breve e, mais do que isto, objetivo. Assim, digo para os meus colegas mais jovens: primeiro, tratem de ser corretos desde menino, pois é nesse tempo que se forma o caráter moral do futuro profissional; segundo, entendam como primícias que as consequências só vêm depois, lição que só aprendi quando me tornei cinquentenário.  

Por isto, cometi graves erros e grandes pecados. 

A bondade infinita de Deus, e só ela, perdoou-me, mas esse perdão veio apenas depois de eu haver cumprido severas e longas penitências que me tornaram um homem melhor, um profissional mais responsável, um marido mais fiel e apaixonado, um pai provedor, mas um avô, como todos os avôs e avós, deseducador dos netos. 

Pergunto a mim mesmo o que fiz para merecer tamanha e honrosa distinção dos imortais desta Academia Cearense de Literatura e Jornalismo. E encontro a resposta no primeiro dos três parágrafos com os quais este ateneu expõe sua Missão Institucional. Ele diz o seguinte: 

“Congregar 40 literatos e jornalistas cearenses, não necessariamente os melhores, desde que alguns sejam ótimos e que todos sejam bons, e que nenhum deles se possa apontar entre os piores”. 

Massageado pela magnanimidade estatutária deste sodalício, rejubila-se o meu ego com a certeza de que faz bem às pessoas o que fiz e sigo fazendo na vida profissional, no convívio familiar e na relação com os amigos. 

De quando em vez, recebo mensagens elogiosas de leitores e teleouvintes, dos quais também vem o que posso denominar de crítica construtiva, aquela que informa, esclarece e orienta. Para mim, essa crítica é o Selo de Qualidade, é o Grau de Investimento de uma agência de risco a respeito do meu trabalho. 

Agradeço, penhorado, esta homenagem, que recebo em boa e agradável companhia. Com efeito, Fernando Maia e Sabino Henrique e a inesquecível Regina Marshall, trio que conheci na segunda metade do século passado, são, como eu, jornalistas por vocação.  

Eu e Maia prosseguimos na batalha diária de coletar e transmitir informações; Sabino Henrique, mais inteligente, descobriu alternativas, enveredou por elas, progrediu, mas mantém o pé nesta nossa maravilhosa profissão.  Regina Marshall foi a repórter que excitou a sociedade cearense, revelando a intimidade de ricos e famosos e publicando os fuxicos da época, sendo, por isto mesmo, muito lida, da Aldeota ao Bom Jardim. 

Amigos da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo: este momento tem relevante importância para mim, para minha mulher Helena, ausente daqui porque se recupera de uma extensa cirurgia no joelho; para meus quatro filhos Serpinha, repórter da TV Verdes Mares, do Diário do Nordeste e do O Globo, chamado por Deus aos 24 anos de idade, Guido, Manuela e Guilherme; para os meus quatro netos Letícia, graduada em jornalismo, Sophia Maria, Ayrton e Samuel, aos quais, cotidianamente, é dedicado todo o meu esforço físico e mental no exercício de minha atividade profissional. Amo-os como Deus nos ama. Com eles, divido a alegria desta noite. 

Aos beneméritos e aos que integram esta Academia Cearense de Cultura e Jornalismo, a todos os que nos prestigiaram com sua presença, dedico o meu mais profundo sentimento de gratidão.

Obrigado!




Cobertura fotográfica por L C Moreira, da Coluna Sisi do Diário do Nordeste, e Cira Leôna e Rocélio, da CL Produções. 

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