ADVENTO
E PROGRESSO
DA
AVICULTURA CEARENSE
Reginaldo Vasconcelos*
O OVO E A GALINHA
O ovo, que é tido como o alimento perfeito,
por fornecer uma gama enorme de vitaminas, além de proteínas biológicas e
minerais essenciais aos organismos, está também entre os itens mais baratos da
geladeira e da despensa. Ademais, não é
super calórico, e, pelo contrário, ajuda no controle do peso porque leva à
saciedade imediata, outrossim não produz o indesejável colesterol LDL, ao contrário do que se
pensava no passado, tendo a ciência absolvido inteiramente os ovos dessa
injusta acusação.
Artigo de alto consumo diário na mesa, o ovo,
presente na cozinha das famílias, aplicado como ingrediente básico num grande
universo de receitas, salgadas e doces, é ele internacionalmente reconhecido
ainda como muito saboroso – frito ou cozido, à la coque ou pochet, em omeletes
ou malassadas, assim como no ajitama e no chavamuch da culinária japonesa – ou
ainda numa infinidade de delícias da rotisseria confeiteira, bolos e doces
característicos de cada país e sua cultura gastronômica.
Certamente, se fosse de difícil criação ou
obtenção, o ovo estaria entre as mais valiosas e mais dispendiosas vitualhas
deste mundo, e estaria entre víveres preciosos e prestigiados – principalmente
pelo sabor, como também pelo seu poder alimentar.
Quando falamos em ovo nos remetemos
obrigatoriamente às galinhas poedeiras, que são hoje selecionadas em suas
características raciais mais produtivas, e mantidas em grandes criatórios,
paralelamente a outras variedades galináceas de corte, criadas em granjas
especializadas na produção de proteína animal, de alto valor biológico e também
a baixo custo.
HISTÓRICO
Quando a avicultura ainda era incipiente, o
consumo de aves deixou de depender somente da caça de plumíferos selvagens, ou
da coleta de ovos nos ninhais da Natureza, evoluindo para as criações de
galinhas e outros galináceos, de origem europeia ou africana, em precários
terreiros camponeses.
Isso ainda lhes emprestava status de artigos
de luxo para as mesas mais ricas, e raridade para as famílias mais modestas, o
que o jornalista gaúcho Apparício Torelly, o Barão de Itararé (1895-1971)
evidenciou, em uma de suas frases humorísticas: “Quando o pobre como frango um
dos dois está doente”.
Sim, até os anos 40, no Brasil, só se comiam
ovos e galinhas daquelas que se criassem nos quintais, ou se adquirissem nas
feiras, ainda vivas, de sitiantes residentes nas cercanias das cidades, ou de vendilhões
que apregoavam esses produtos pelas ruas.
No Ceará, a avicultura industrial foi iniciada
nos anos 60, quando então começaram a aparecer em Fortaleza pontos de venda
específicos, de aspecto asseado, de aparência asséptica, com atendentes
uniformizados com batas e tocas brancas, atrás de lustrosos balcões de aço
inox.
Desenvolveram-se métodos industriais de
seleção racial, criação e produção de galinhas em massa, abate e refrigeração,
para oferta de sua hígida carne branca e de seus ovos, atividade seguida da
venda de galetos assados nas cidades para o hábito regular do seu consumo.
O progresso da avicultura no Brasil veio enriquecer sobremaneira a dieta da população e garantir a segurança
alimentar para todas as faixas de renda, inclusive e principalmente as mais
modestas.
OS MAIS CAROS ALIMENTOS DO MUNDO
Os alimentos mais caros do mundo o são pela
sua raridade, pela dificuldade de sua obtenção, ou pelos caprichos e segredos
técnicos para serem elaborados. Tudo potencializado pela fama e pela mitologia
criada quanto a eles na alta gastronomia mundial – menos por serem
excepcionalmente nutritivos ou gostosos.
Dessas iguarias caríssimas as mais famosas são
o “caviar albino”, o “açafrão crocus de outono” e a “trufa branca de Alba”,
constantes dos menus mais refinados, em opções gourmet, a serem harmonizadas
com os vinhos mais valorizados mundo a fora.

A latere,
tem-se o pato laqueado de Pequim, os queijos franceses, o presunto pata negra
da Ibéria, o mel das cavernas da Turquia, a carne do gado Wagyu, engordado com
cerveja no Japão, além de crustáceos raros e de peixes de água fria. Há até
folhas de ouro em certas preparações sofisticadas, um belo metal precioso que,
entretanto, não tem sabor nenhum, tampouco nutre o organismo.
Acontece que todo esse glamour dos caríssimos
acepipes que a sociedade humana enaltece não importa necessariamente em
consistência nutricional especial, nem em sabores inusitados que façam supor,
no imaginário coletivo, emular o paladar sublime do maná do Sinai, que Deus
fazia aparecer magicamente no deserto para o povo de Moisés, nem da mítica
ambrosia que, no Olimpo, alimentava os deuses gregos.
OS MELHORES ALIMENTOS DO MUNDO
Mas o nosso tema são os melhores alimentos do
mundo – não os mais sofisticados e mais caros, mas aqueles de sabor riquíssimo
e de valor nutricional incontestável, e, principalmente, facilmente produzidos,
em harmonia com o meio ambiente, acessíveis a toda a humanidade a baixo custo.
Além do ovo e da galinha, a sardinha, por exemplo.
Entretanto esse pequeno peixe não se obtém em
criatórios, portanto não é um bem de oferta perpetuamente garantida, pois os
seus cardumes naturais são desfalcados aos milhões e milhões de indivíduos pela
indústria da pesca, que ainda concorre com grandes animais marinhos, os quais
têm nas sardinhas as suas presas principais.
Já a avicultura é um setor perfeitamente sustentável
da pecuária mundial, atividade que no Ceará é muito profícua, movimentando uma
indústria vigorosa, tocada por empenhados e prósperos empresários, como o Roberto
Pessoa, em Maracanaú, município da Região Metropolitana de
Fortaleza, do qual ele é Prefeito.