“DOA
A QUEM DOER”
A
SESSÃO DA SAUDADE DE
CID
SABOIA DE CARVALHO
A Academia Cearense de Literatura e Jornalismo (ACLJ) promoveu, na noite deste dia 11 de agosto, no Palácio da Luz, em Fortaleza, uma Sessão da Saudade dedicada à memória do Professor Cid Carvalho, jornalista, advogado, Senador da República Constituinte, um dos mais tradicionais e prestigiosos radialistas cearenses.
Da E para a D: General Júlio Lima Verde, Carlos Rubens, Lúcio Alcântara, Reginaldo Vasconcelos, Rui Martinho Rodrigues, Antonino Carvalho, Miguel Ângelo de Azevedo Nirez |
Cid Saboia de Carvalho era titular fundador da Cadeira de nº 1 da ACLJ, patroneada por seu ilustre genitor, o também jornalista e advogado Jáder de Carvalho, o terceiro detentor do título de Príncipe dos Poetas Cearenses, na sequência sucessiva determinada pela Academia Cearense de Letras (ACL), à qual pai e filho pertenciam.
Além de imortal da ACL, o Prof. Cid Carvalho integrava também o Instituto do Ceará – Histórico, Geográfico e Antropológico, a Academia Cearense de Retórica, a Academia Cearense da Língua Portuguesa, dentre muitas outras entidades culturais. E apresentava três dos programas radiofônicos mais longevos da cidade.
Ao meio-dia, de segunda a sexta, pela sintonia da Rádio Cidade, nas frequências AM e FM, ele produzia a crônica “Doa a Quem Doer”, tratando, em três minutos de elocução, um dos temas mais momentosos do cenário nacional, falando de improviso, opinando com aguda proficiência, com o seu grave e enérgico timbre e tom de voz.
Ele faleceu aos seus 90 anos, no dia 10 de julho, deixando ao microfone o seu primogênito, Antonino Carvalho, também jornalista, advogado e professor, que mantém no ar e no mesmo horário e sintonia o noticioso “Antenas e Rotativas”, que se seguia àquela crônica.
Na sequência, Cid Carvalho trazia à sua audiência uma terceira peça radiofônica, a “Crônica do Meu Sentimento”, uma longa reflexão saudosista sobre as coisas e pessoas do seu próprio passado, inseridas na história da cidade, texto que afagava a memória dos mais antigos e informava os mais jovens sobre as interessantes evoluções da sociedade.
Ao final da Sessão da Saudade cumpriu-se a tradição de proceder à sucessão do falecido confrade na sede vacante legada por ele, neste caso dando posse ao Dr. Lúcio Alcântara na Cadeira Primordial da nossa quadraginta numerati, o qual transitou da sublime categoria honorífica de Membro Benemérito para a dignidade de efetivo titular.
Dr. Lúcio Gonçalo de Alcântara, médico, intelectual, sucessivamente Prefeito da Capital, Governador do Estado e Senador da República, ex-presidente da ACL, a mais antiga academia literária do Brasil – e do Instituto do Ceará, entidade triciencial, o mais veterano e mais importante estamento cultural do nosso Estado.
Lúcio Alcântara enfatizou em seu discurso de posse que “sucede” ao Professor Cid Carvalho na Cadeira nº 1 da ACLJ, e na condição de seu Presidente de Honra – aclamado que foi para essa dupla investidura – mas que não o “substitui”, significando, em gentil exercício de semântica e de modéstia, que o seu antecessor seria insubstituível.
A propósito, tamanha era a audiência de Cid Carvalho no rádio, e o afeto que ele granjeava no seio do povo era tão grande que, quando se foi acertar com o um parque de estacionamento, localizado defronte ao Palácio da Luz, para permanecer aberto até o fim da solenidade, ao saber a quem era dirigida a homenagem póstuma da noite, o gerente Ivanildo sentiu-se honrado em nos servir e viabilizou o compromisso sem delongas.
Sendo o Dr. Cid adepto da doutrina espiritista, a recomendação geral era de não se manifestar tristeza e consternação, pois a saudade é natural, mas o espírito de quem faz a passagem para o outro plano da existência, em se tratando de quem viveu plenamente, de forma tão inspirada e gloriosa, pede a conformação aos desígnios divinos, que reflete felicidade e alegria aos parentes e amigos.
Uma grande homenagem!! Nossa Academia fazendo história!!!
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