quarta-feira, 9 de julho de 2014

ENSAIO (VM)

ESTRUTURA DO SONETO
Aos Pesquisadores Científicos
Vianney Mesquita*

A ciência é o cemitério das ideias mortas (Miguel de Unamuno y Jugo. * Bilbao, 29.09.1864; + Salamanca, 31.12.1936).


O poema seguinte foi elaborado na grade métrica do soneto, ideação poética de quatro estâncias - dois quartetos e dois tercetos, perfazendo catorze versos – com várias possibilidades de localização das rimas.

Constitui homenagem àqueles que, diuturnamente, buscam respostas para as manifestações precisas da Natureza e de seus entes, sob a totalidade de ângulos de exame, configuradas na atividade científica, isto é, a procura atentiva e aprofundada de algo que não é notório, ou cujo conhecimento, deseixado de profundez e explicações plausíveis, é pautado na chamada communis opinio ou senso comum.

Sejam benditos os pesquisadores
Com seus rigores a buscar verdades;
Capacidades de interlocutores.
E de ouvidores de obscuridades.

Ao perquirir tão insondáveis fatos,
Cujos relatos pedem teorias,
Por essas vias, os feitos transatos
Têm, mais que atos, metodologias.

Neste exercício de sabedoria,
Ao revelar seus faustos de vivência,
Tranquilidade e douta teimosia,

É demonstrado em toda a percuciência
Extasiando o mundo, que aprecia
Um vivaz operário da ciência.

O entrecho poético ocorreu sob inspiração do relatório final da primeira pós-graduação stricto sensu da hoje professora doutora Maria MARLENE Lopes CIDRACK (Educação em Saúde - UNIFOR), detentora de uma cátedra de membra-titular (*) da Academia Cearense de Odontologia.

Para obter o título de mestre (ela é mestrA, mas o título é de mestrE), compôs um verdadeiro paradigma de ensaio acadêmico, o qual muito me impressionou, a igual do ocorrido há quatro anos, quando defendeu tese de doutoramento na Universidade Federal do Ceará – Faculdade de Educação, com base na história do antigo SAPS, no Jacarecanga-Fortaleza (Escola de Nutrição Agnes June Leith),  concedendo ensejo à publicação do livro Visitadoras de Alimentação, editado pela Universidade Federal do Ceará (Edições UFC).

A estrutura métrica desde soneto assenta em versos decassilábicos portugueses quase-sáficos, com ictos na quarta, às vezes na oitava, e na décima de cada linha das duas primeiras estâncias. Nestas, as rimas estão nos primeiros com os terceiros e nos segundos com os quartos versos.

Usei, no feitio desta composição supostamente petrarquiana (Francesco Petrarca -1304-1374), de não consoar os quartetos – o que representa uma opção autoral – porém é de relevância proceder a esta consonância.

Entrementes, nos trísticos, o primeiro verso do primo terceto rima com o seu terceiro e com a segunda linha do segundo. Por sua vez, o segundo verso do primeiro trístico faz rimas com o primeiro e o terceiro do segundo terceto, ao passo que o primeiro e o terço versos do primeiro grupo de três corresponde em som rimado ao segundo verso do derradeiro terceto.

Destaco, neste comenos, o emprego da rima encadeada – atualmente bem mais rara – nas linhas versificadas das estrofes quádruplas, o que confere mais estesia à composição.

(*) Embora de lícita aplicação, membra é feminino muito pouco empregado no Brasil.


*Vianney Mesquita 
 Docente da UFC 
Acadêmico Titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa  
Acadêmico Emérito-titular da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo 
Escritor e Jornalista

terça-feira, 8 de julho de 2014

CRÔNICA FUTEBOLÍSTICA–A TRAGÉDIA (RV)

PLACAR IMPLACÁVEL
Reginaldo Vasconcelos*

Pronto. Fica provado que futebol é qualidade técnica, preparo físico, habilidade, entrosamento, tática, estratégia, de nada adiantando ao torcedor ter fé e fazer mandinga – e eu não sei se, no campo do mérito difuso, um povo que elege tantos cretinos para o Governo da Nação, há tanto tempo, merece ser campeão de alguma coisa.

O que se viu em campo foi um grupo de garotos milionários, que em vez de se manterem jogando no seu País, honrando e desenvolvendo a escola futebolística brasileira – aquela que vem de Pelé e Garrincha – vão jogar no estrangeiro em busca da fortuna mercenária, de modo que ao serem convocados de última hora para defender as cores da nossa bandeira estão alheios ao futebol nacional e absolutamente desentrosados entre si.

Após o apito final chamei a família consternada para lembrar a cada um que a derrota na Copa do Mundo de Futebol não vai interferir na nossa saúde, nas nossas finanças, no bem-estar dos nossos velhos e das nossas crianças – e que nas eleições que se seguirão – ali, sim, o mau resultado pode alterar gravemente a nossa vida pessoal.
Não era cada um de nós que estava em campo envergonhando a nossa Bandeira, mas seremos nós que vamos votar logo em seguida para os Governos dos Estados e para a Presidência da República, e nesse caso a vergonha das más escolhas e do mau desempenho é toda nossa.

*Reginaldo Vasconcelos
Advogado e Jornalista
Titular da Cadeira de nº 20 da ACLJ 

NOTA EDITORIAL

 DE-UM-TUDO 
AUDIFAX  RIOS
  
 De-Um-Tudo é uma publicação cearense bimestral, do gênero almanaque e em formato de revista, idealizada, dirigida e ilustrada por Audifax Rios.

Audifax Rios é um artista multimídia, que começou na televisão ainda menino como pintor dos cenários das novelas, na velha TV Ceará, depois evoluiu para a publicidade, como ilustrador e redator, tornando-se afinal um dos mais respeitados pintores e cronistas do Estado.

Santanense do Acaraú, Audifax Rios é daquelas personalidades overgrown, que não se compadecem de haveres mundanos, para quem fama e dinheiro, por mais bem-vindos, não são valores essenciais para o real gozo da vida. O exercício da vocação, o reconhecimento dos amigos, o respeito dos doutos, a admiração dos notáveis, o orgulho dos netos – é isso que lhe importa e que ele desfruta.

O título da publicação é inspirado na forma regional da expressão “de tudo um pouco”, e o subtítulo “O Almanaque da Identidade Cearense” completa  e define a sua feição editorial. Seu mentor, que conta hoje com a colaboração de seu filho João Rios, é integrante da confraria literária informal Clube do Bode, a mais tradicional instituição cearense do gênero.

Ilustram este artigo a capa da atual edição do almanaque De-Um-Tudo, bem como a reprodução de matérias internas que homenageiam quatro luminares das letras cearenses – o empresário Gastão Bittencourt, eleito presidente do Clube do Bode; o médico, político e escritor Lúcio Alcântara, que lança novo livro; o saudoso jornalista e professor Antônio Girão Barroso, que completa centenário; o jornalista e pesquisador Nirez, atual presidente do Museu da Imagem e do Som do Ceará, que acaba de fazer 80 anos – estes últimos três também pertencentes a categorias diversas da ACLJ. 

sábado, 5 de julho de 2014

CRÔNICA FUTEBOLÍSTICA - A MISSÃO (RV)

ESPERANÇA, FÉ E... CARIDADE!
Reginaldo Vasconcelos*


O destino faz das suas peripécias. Agora, nem com os dribles e evoluções de “São Neymar” o Brasil vai poder contar para vencer a vertente Copa Mundi.

O regime de “um por todos” vai se converter no de “todos por um” – todos por aquele para quem as expectativas se transfiram.

Os doentes terminais têm que recorrer a tudo, a todos os remédios e a todas as magias, a todas as rezas e às mínimas esperanças, ao que lhes prescrevam os doutos e ao que as comadres lhes ensinem.

Desesperados, precisam crer no improvável, tentar todas as soluções, das mais caras alopatias às poções mais primitivas, que se vendem nas feiras dos sertões.    

Agora, sim, vale “amarrar o santo”, rezar, fazer mandinga e contar com a sorte.

Que Felipe Scolari tenha a inspiração necessária para indicar o melhor sucedâneo ao craque Neymar, em todo contingente de futebolistas nacionais.

Que os psicólogos da CBF consigam motivar o grupo a se superar, pela nobreza da causa.

Que a equipe se desdobre em esforços, mesmo chorando, gemente e rangendo os dentes, e, afinal, vença o campeonato. Amem!


*Reginaldo Vasconcelos
Advogado e Jornalista
Titular da Cadeira de nº 20 da ACLJ

APRECIAÇÃO LITEROCIENTÍFICA (VM)

VIOLÊNCIA NAS RELAÇÕES
DE GÊNERO E CIDADANIA*
Vianney Mesquita*

 Mostrai-me um homem violento que tenha  chegado a bom fim e eu o considerarei meu Mestre. ( LAO-TSÉ. *Tchu, Prov. Henan – China, + ou – 600 a.a.C).


A unidade de ideias violência, gênero e cidadania, em particular na atualidade, envolve conceitos a absorver cuidados do lado de estudiosos, porquanto estes se preocupam frequentemente em explicar seus entendimentos, ao lume dos diversificados esgalhos do saber ordenado, na demanda de elucidar suas manifestações, em especial, no trato, nem todas as vezes pacífico, da vinculação social.

Investigadores de variados estratos, mormente os partícipes da reflexão sociocomportamental – Sociologia, Antropologia Social, Psicologia e saberes conexos – compuseram já, em toda a generalidade da diligência reflexiva, farta literatura concernente às mencionadas áreas do conhecimento controlado, com focagens distintas, ao ponto de não ser possível estabelecer domínio absoluto acerca de volume e extensão racional de tão avultados entendimentos.

Sucede desta maneira, é evidente, pelo fato de não se cuidar de mera temática, todavia de assuntos para cujo deslinde são requeridos do investigador máxima acuidade sindicante e depurado preparo intelectivo na senda de abrangência na qual se inscrevem os léxicons objeto destas notas, principalmente no que margeia às noções de violência, atada às ideações de gênero e caráter cidadão feminino.

Eis que a professora doutora Maria do Socorro Ferreira Osterne não sorveu a taça dessas travosas dificuldades, normalmente arrostadas pelos pesquisadores catecúmenos.

Já faz algum tempo – na contingência de revedor de suas composições valiosas para o recheio da ciência e fiel admirante dos escritos que publica – acolita-se em procissão leitora o apreciável trajeto universitário e docente da autora de Violência nas Relações de Gênero e Cidadania Femininos, razão por que é lícito certificar-se, prazerosamente, sua feição de investigadora das melhores cepas, titulada com refinamento e acurácia em distintos ambientes acadêmicos stricto sensu do Brasil.

As produções editadas carreiam sinetes pessoais, contributo de estimação à causa do saber, sem servilismos a escolas da moda, tampouco subserviência a autores de gosto e nomeada atual, pois granjeou, de motu próprio, e com demarcada responsabilidade professoral, a circunstância de investigadora com clarão interior, não adventício, sem gravitar à órbita de qualquer mentor, modus procedendi com o qual ela não simpatiza.

Ao revés, a despeito de se louvar em opiniões de valor incontestável – por cujo íntimo se movimenta sem importunação, pois se aprontou para tal – arroga-se o direito e o dever do bom pesquisador de operar saber de colheita particular, o qual incorpora descobertas, consagrando aos seus ensaios o status da excelência.

O volume que se tem o lance de anotar constitui, induvidosamente, fato auspicioso, pois aí exprime magistralmente seus contornos de escritora laureada, onde também manifesta, com nitidez meridiana, todo o alcance da sua formação acadêmica, fazendo-se, com efeito, legítima componente do alcunhado Alto Clero, com assento cativo na exigente Cúria da Academia, o que, de fato, representa mais uma glória para a inteligência de sua Pátria.


*Obs. Texto modificado das guarnições de Violência da Relação Gênero e Cidadania Femininos. Fortaleza: Edições UECE, 2008. 297p.

*Vianney Mesquita 
 Docente da UFC 
Acadêmico Titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa  
Acadêmico Emérito-titular da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo 
Escritor e Jornalista

sexta-feira, 4 de julho de 2014

CRÔNICA FUTEBOLÍSTICA (RV)

FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE
Reginaldo Vasconcelos*

Sempre que viajo pela região de Itapajé, no norte cearense, procuro adquirir as frutas que se oferecem por ali, já na margem da rodovia, oriundas dos pequenos sítios das Serras de Santana, Santa Luzia e Uruburetama, portanto absolutamente orgânicas, livres dos tratos artificiosos das culturas intensivas.

Passando por lá há algum tempo deparei com a feira-livre armada aos sábados no centro da cidade, e no meio daquele alegre mafuá matuto encontrei uma enorme banca de fitoterápicos – raízes, sementes, cascas, folhagens, pós e méis, infusões e outras beberagens de pretensão medicinal, herança da cultura indígena e dos tempos coloniais, de quando ainda não se isolavam os princípios ativos das plantas para a feitura de remédios.

Depois de perguntar ao “raizeiro” a indicação de cada um de seus produtos e a sua posologia costumeira, e percebendo nele tanta convicção em prescrever os seus “remédios do mato”, eu lhe inquiri de chofre, lhe fitando nos olhos, mostrando a minha pior fisionomia de delegado de polícia, se de fato aquelas meizinhas tinham o efeito anunciado.

Surpreendido e capturado de repente pela dureza da minha súbita indagação, ele perlustrou com a vista os tabuleiros, coçou a cabeça, e me deu a sua resposta mais franca: “Home... A pessoa tendo fé!... Né? (sic).

Em poucas palavras está resumido, na resposta daquele caboclo, o espírito brasileiro. “Andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiá”, diz Gilberto Gil em letra de música, glosando a brasilidade mais profunda, que agora se reflete nos jogos da Copa do Mundo de Futebol Association.

Ora, ganhar os jogos e vencer o campeonato mundial depende unicamente da habilidade dos atletas, de seu vigor, de sua velocidade – bem como da perícia dos técnicos que organizam os treinos e estabelecem as estratégias.

Mas o povo brasileiro abandona esse pragmatismo lógico e se entrega a orações e simpatias, rezas e superstições – não como simples lenitivos morais de cada um, ou como adjutórios místicos, mas como componentes fáticos da lei de causa e efeito, que determina os resultados – exatamente como no caso daquele vendedor de puçangas, que coloca o fideísmo acima das propriedades químicas curativas das “garrafadas” e dos cataplasmas que prescreve.

Por conta desse vezo, subliminarmente consciente de que o selecionado nacional não pode depender somente das manobras de um único jogador – o hábil, acrobático, veloz e sereno Neymar Júnior – o País interpreta que o choro do capitão do time e do goleiro possa interferir na cabala ou na macumba entrevistas na tal da “corrente prá frente”, de modo que isso possa prejudicar o resultado.

Bobagem sobre bobagem. Todos conhecemos a imagem clássica em que o jovem Pelé chora em preto e branco ao final de uma Copa Mundi do passado, sem que isso haja denotado fraqueza sua ou lhe tenha trazido azares desportivos. Pelo contrário, o pranto emocionado muitas vezes é sinal de grandeza moral e pureza d’álma,  que não desmerecem nem envergonham a seu ninguém.

Enfim, para vencer a Copa e atingir o campeonato é necessário apenas que a seleção tenha sido bem escolhida e que esteja bem treinada, de modo a atuar de forma bem entrosada dentro em campo, realizando dribles eficientes e corridas velozes, no caso dos atacantes, e com tenacidade e vigor, no caso dos homens da zaga. Feito isso, não há reza que ajude nem há choradeira que atrapalhe.


 *Reginaldo Vasconcelos
Advogado e Jornalista
Titular da Cadeira de nº 20 da ACLJ

quinta-feira, 3 de julho de 2014

NOTA JORNALÍSTICA

ATUALIZAÇÃO CLÍNICA 
NA ODONTOLOGIA CEARENSE


A Comissão de Odontologia da UFC, tendo à frente o Prof. Dr. Alexandre Simões Nogueira e a acadêmica Mirele Bringel, organiza um curso de atualização clínica para alunos e profissionais da área, com uma abordagem multidisciplinar da saúde bucal, para o período de 12 de agosto a 02 de setembro deste ano.

Pouca gente sabe que muitas complicações de saúde podem ter origem em problemas odontológicos, que têm potencial para causar doenças gástricas, cardíacas e até desencadear processos cancerosos – além da notória importância dos dentes para a aparência das pessoas – como informa o Prof. Dr. Rui Martinho Rodrigues, Presidente da ACLJ, que além de advogado, jurista, historiador e cientista político, também tem formação em odontologia.

Embora apoiada pela Universidade Federal do Ceará, a iniciativa do curso procura abranger todo o universo científico, acadêmico e profissional da odontologia no Estado, Unidade da Federação privilegiada nesse campo, que conta inclusive com uma das maiores e mais tradicionais instituições especializadas do País, o Hospital Odontológico Jório da Escóssia.  

Demais disso, o Ceará tem a mais bem organizada e profícua entidade científica na área, a Academia Cearense de Odontologia, com 30 anos de existência, atualmente sob a presidência da Dra. Maria Fátima Lemos Alves, e tendo o Dr. Jório Almir da Escóssia presidindo o seu Conselho Fiscal.

Uma das musas desse evento científico é a jovem Thiena Leandro Vasconcelos, acadêmica quintanista do curso de odontologia da Unifor. Com problema raro no crescimento da dentição definitiva, ela foi case study  naquela faculdade, e desde então decidiu que seria dentista no futuro.

Na imagem, o seu luminoso sorriso demonstra o sucesso do tratamento recebido dos professores da Unifor ainda na primeira infância, bem como a sua plena satisfação vocacional. E é com esse sorriso que ela busca mais patrocínios para a realização do curso, ente 200 e 1.000 reais. Os telefones para contato são 8704-3881 e 8849-02000.     

COLUNA DO VICENTE ALENCAR. ED Nº 675.

PENSE:
A natureza humana, em sua essência mais profunda, consiste em amar.

ORAÇÃO DO AMIGO
Os amigos criam  laços fortes, que nem a morte consegue desfazer. Os verdadeiros amigos não precisam ser chamados, eles estão sempre presentes em nossa vida. Que sua ausência não seja motivo de tristeza para nós, que os amamos. Eles estão no Céu. Nós vos pedimos, Senhor!

RÁDIO SAUDADE
Dos nomes que se foram do microfone, e hoje são lembrados pelos amigos: Edson Martins, Remí Coutinho, José Eudes, Carlos Alberto, Tancredo Carvalho, Paulo César Carioca, Afrânio Peixoto, Marcos Miranda (Praxedinho) e Maria Luísa (Anicetinha).

CULTURA LATINA
A Sociedade de Cultura Latina do Brasil continua o seu trabalho de divulgação de nossas coisas, nossa gente, nossa cultura. Nacionalmente, dirige a entidade a escritora maranhense Dilercy Adler. Na nossa Regional do Ceará, um dos últimos trabalhos foi a discussão do livro "Navio Especial", do diplomata cearense Márcio Catunda, atualmente residindo na Espanha, de onde é Membro Correspondente da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo.
  
CENTROAVANTES
Perguntaram-me quais os melhores centroavantes que eu já vi jogar pela Seleção Brasileira. Não vi jogando, mas, os dois melhores foram, sem dúvida, Ademir Marques de Meneses, "O Queixada", da Seleção de 1950, vice-campeã do mundo, quando foi o artilheiro da Copa daquele ano, e Vavá, apesar de "grosso", campeão do mundo (bi) em 1958 e 1962. Respeita-se Ronaldo "Fenômeno", que chegou a marcar 15 gols, mas ele está muito aquém dos dois citados. Fred, atual atacante principal da Seleção, é fraquíssimo. Pode até jogar bem no Fluminense, mas, na  Seleção, não chega nunca.

INCRÉDULOS
Vocês sabiam que existe o Dia dos Incrédulos? Pois existe, sim. É o dia de hoje. Homenagem à São Tomé, conhecido por duvidar de tudo e de todos. Foi um dos 12 Apóstolos de Jesus e, é atribuída a ele a frase "só acredito vendo".

FLÁVIO MOREIRA
O jornalista e radialista Flávio Moreira, que dirige o Departamento de Jornalismo da Rádio Cidade AM 860, mantém, todos os dias, de segunda a sexta-feira, o programa VIDA, SAÚDE E POLÍTICA, informando assuntos dos mais importantes, com direção técnica de Ileuda Silva. Informações sobre todos os quadrantes, inclusive com Correspondente no Rio de Janeiro.


APELIDOS - HIPOCORÍSTICOS
O Ceará Moleque continua existindo. E, muita gente acredita que nunca acabará, inclusive eu penso assim. No tocante a apelidos, alguns como "Rolo de Fumo" e "Picolé de Alcatrão" estão novamente em alta. Vocês, descubram por que.

FERROVIÁRIO
O Ferroviário Atlético Clube precisa salgar a Casa. Deixar no Zero, e procurar uma "curriola" dos anos 70 e 80, que sejam torcedores do clube,  para tomar conta dele. A Ordem deve ser tirar a todos que lá estão e, começar da Estaca Zero. Do contrário  o clube e o time vão acabar. Socorro, Socorro, grita o Ferroviário.

MENINAS TREINANDO
A Seleção Cearense de Basquetebol feminino, até 15 anos, continua treinando firme, para o Campeonato Brasileiro, em Poços de Caldas (MG), em agosto vindouro. Os treinamentos estão sendo dirigidos por José Ângelo Barbosa e Marcelo Maia. Há uma expectativa positiva no grupo, por uma campanha brilhante. O que incentiva todo mundo é que "o cearense não tem medo de nada".

ELENCO
O elenco das garotas cearenses é formado por Ana Luísa Leite, Ana Vitória, Bárbara Sousa, Bárbara Sérgio, Bárbara Rodrigues, Caroline, Danielle, Fátima Reis, Lara, Lívia, Lourdes, Maria eduarda, Micaela Sousa, Rafaelle e Rhandara. O presidente da FCB é Adelson  Leite Julião que, deve chefiar a Delegação até Minas.

DISCRIMINAÇÃO
Hoje, dia 3 de julho, comemora-se o Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial. A data celebra a aprovação da Lei nº 1.390, mais conhecida como Lei Afonso Arinos, de 1951.

REDE WEB
A Web Radio Cearense de Rádio não é FM nem AM, é WEB. Ouça pela internet onde você estiver no mundo!

ADIADA

Em face do "feriadão" deste final de semana, foi adiada para o dia 18 de julho (Dia do Trovador) a reunião da UBT - União Brasileira de Trovadores, que seria neste sábado.


QUINTA-FEIRA, 03 DE JULHO DE 2014
FORTALEZA - CEARÁ - BRASIL
AMÉRICA DO SUL
(Nós somos sul-americanos)


*Vicente Alencar
Jornalista e Radialista
Presidente da UBT - FORTALEZA
Titular da Cadeira nº 27 da ACLJ

terça-feira, 1 de julho de 2014

CRÔNICA (WI)

O BRASIL E OS TURISTAS
Wilson Ibiapina*


A copa da Fifa serviu para mostrar ao mundo o nosso poder de improvisação, visto pelos visitantes como a grande arte do brasileiro. Muita gente deste mundo de meu Deus achava que ia encontrar apenas índios, cobras, macacos e mulheres viciadas em sexo. Quebraram a cara quando se depararam com a beleza natural do Rio, com a arquitetura de Niemeyer, os espaços de Brasília, as praias do Nordeste, nossa música, a diversidade de ritmos, o sabor da rica culinária, a cordialidade do povo.

O tratamento que os estrangeiros receberam encantou a todos. Prestaram atenção em tudo, até na nossa mania de tomar banho diariamente, coisa que a maioria deles não faz. Além de limpos somos higiênicos. Não tocamos a comida com a mão, usamos guardanapo. Escovar os dentes após as refeições é outro costume que deslumbrou a francesa Nathalie Touratier. Almoço como principal refeição do dia virou exemplo para holandeses ingleses e neozelandeses.O jeitinho brasileiro foi visto com admiração pelos turistas . A importância que damos à família chamou, também, a atenção dos visitantes. Acompanhavam avós passeando nas ruas e praças com filhos e netos. 

O abraço entre amigos ou até desconhecidos foi lembrado por muitos visitantes que não estavam acostumados a tamanha confraternização. Lá fora o abraço só é dado entre a família. Na Ásia, chineses, coreanos e japoneses nem se tocam. O cumprimento é feito à distancia. O atendimento no comércio, com os vendedores acompanhando, oferecendo produtos, é outro ponto forte do Brasil que eles destacam como profissionalismo e cordialidade. E as festas? As pessoas movidas à caipirinha, que virou paixão dos gringos, só vão pra casa pela manhã, quando o Sol já ilumina tudo.

Mas nós, também, nos encantamos com os turistas que deixam por aqui alguns ensinamentos. Os brasileiros, por exemplo, ficaram impressionados com os japoneses catando lixo nos estádios após os jogos. Nas redes sociais, dizem que gostaram tanto que vão tomar uma atitude. Nos próximos jogos cada brasileiro vai levar um japonês. 

Agora, sem brincadeira, a vinda dos turistas, além da grana que deixam por aqui, serviu para mostrar como se comportam pessoas com costumes tão diferentes. A maior prova da impressão que os estrangeiros causaram está na matéria que O Globo publicou. O repórter Rubem Berta, conta que depois de um jogo da Copa, no Castelão, em Fortaleza, encontrou um garoto de uns dez anos vendendo balas na porta do hotel onde estava hospedada a seleção da Costa do Marfim. O garoto ajuda a mãe desempregada:

– E aí garoto, o que você quer ser quando crescer? 

Pensando que ele ia dizer que queria ser jogador de futebol, ficou surpreso com a resposta: 

– Quando eu crescer quero ser turista. Eles falam inglês, não falam?


*Wilson Ibiapina
Jornalista
Diretor da Sucursal do Sistema Verdes Mares de Comunicação
em Brasília - DF
Titular da Cadeira de nº 39 da ACLJ


CRÔNICA (VM)

EVOCAÇÃO DE LUSTOSA DA COSTA (1)
Vianney Mesquita*

É melhor o pouco da memória do que o muito do esquecimento. (Lewis Howard Latimer. *Chelsea-Mass., 04.09.1848; + Nova Iorque-NY, 11.12.1928).




Deparamos, na estante, Sobral – Cidade das Cenas Fortes, um dos 28 trabalhos em livro do nosso ex-professor na Universidade Federal do Ceará, na década de 1970 – disciplina Cultura Brasileira – imortal Francisco José LUSTOSA DA COSTA, por quem nutríamos crescida admiração, tanto na qualidade de pessoa como de intelectual de escol e cronista bem apessoado nas letras em quase todos os seus gêneros.

Aportou-nos, pois, à evocação a ideia de que, dos representantes da inteligência cearense nos diversos espaços do conhecimento, sem qualquer hesitação, o jornalista e acadêmico Lustosa da Costa (Cajazeiras-PB, 10.09.1938 – Brasília-DF, 03.10.2012) é o que mais conservou fidelidade à Terra Sobralense, onde viveu e formou o caráter de homem sério e formulou boa parte de sua constituição intelectual.

Escasso era o dia – se é que houve este – em que o Autor de Vida, Paixão e Morte de Etelvino Soares deixava de comentar qualquer coisa acerca de Sobral, desde Brasília, na sua coluna do Diário do Nordeste, evento demonstrativo de sua benquerença à pátria (2) de tantas pessoas ilustres a pontilharem nossa história.

A maioria de seus livros, vasta produção edificada no curso de muitos janeiros, tem a Cidade de Dom José Tupinambá da Frota como móvel principal do enredo, sempre carreando episódios do passado ainda não tocados pelos investigadores dos feitos locais, ao sobrepor os faustos históricos do ativo intelectual alencarino, a igual tempo em que elasteceu a memória de Sobral/do Ceará com matéria-prima histórica de qualidade indiscutível.

Adiu-se ao seu bem-querer peculiar pela Zona Norte o consistente substrato intelectual, haurido, jamais (3), em Sobral, no que respeita à prima base de acumulação de sua larga cultura, integralizada em Fortaleza, noutros cantos do País e na Europa. Por tal pretexto, seus escritos são esteticamente agradáveis e os argumentos - porquanto vazados em fontes idôneas - restam incontestáveis, fatos que concedem aos seus escritos o encanto da Arte Literária e o estatuto de veracidade histórica.

Eis, pois, que este sobralense honorário veio trazer (como o fez noutros ensejos, também) o mencionado Sobral – Terra das Cenas Fortes – cujo palco é, de novo, a Princesa do Norte e, feitas artistas, as pessoas da Cidade, achegando ao estoque de fatos mais matérias para nos ilustrar e estear a tarefa dos operários da cultura, representados pelos investigadores.


Foi, por conseguinte, mais uma ocasião de enlevo para quem estima Sobral a da publicação, com lançamento, do prefalado livro (Fortaleza: ABC, 2003), rebento da diligência deste emérito investigador, que tanto bem dedicou à urbe pela qual nutria imensa afeição e dela se apegou com igual firmeza.

Pela via do “e-eternidade”, mandamos o abraço particular e nossa manifestação de saudade ao imenso Escritor de Amor em Tempo de Seca e estimado ex-professor. Aos sobralenses, pelas páginas deste jornal, parabenizamos pelo que receberam em matéria de Literatura da pena refulgente deste jornalista que percorreu livremente as trilhas da cultura em qualquer lugar do Brasil e d’alhures.

N O T A S
(1) Texto inédito, escrito em 2003, na oportunidade em que foi feita a publicação e lançado o livro no Ideal Clube, em Fortaleza-CE. Agora foi ligeiramente modificado para se proceder à atualização.

(2) A fim de que não pairem dúvidas, pátria tem aqui como uma de suas acepções [...] 2 a parte do país em que alguém nasceu (HOUAISS; SALLES VILLAR, 2005) , de modo que pátria não é apenas a nação, o país onde alguém veio ao mundo. Nossa pátria, ou seja, local onde nascemos, v.g., é Palmácia-CE.


(3) Apreciamos o emprego de JAMAIS como advérbio de modo, não advérbio de tempo. Aqui é aplicado no mesmo sentido de especialmente, particularmente, principalmente, mormente etc.

*Vianney Mesquita 
 Docente da UFC 
Acadêmico Titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa  
Acadêmico Emérito-titular da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo 
Escritor e Jornalista