POEMA - Morri Algumas Vezes (SQC)
Morri
algumas vezes
Savio
Queiroz Costa*
Já
morri algumas vezes.
Nunca
houve velas,
nem
cortejo,
nem
mãos fechando meus olhos.
Sempre
morria um pouco
daquilo
que, em mim, ainda acreditava
na
eternidade das coisas.
Fiquei
de pé,
como
ficam as árvores
depois
da tempestade:
silenciosas,
partidas, vivas.
A
vida seguiu —
impiedosa
e bela —
mesmo
enquanto meus escombros
aprendiam
a respirar outra vez.
Com
o tempo, compreendi:
há
mortes que não levam o corpo.
Levam apenas o que já não cabia na alma.
Desde
então,
renasço
devagar,
sem
anúncio,
sem
testemunhas.
Como
quem floresce
no
escuro.
Como
quem aprende
que
sobreviver
também
é uma forma de poesia.
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