PERIGOSA DODORA
Aluisio
Gurgel *
Às vezes é difícil iniciar uma crônica por vários motivos, inclusive aqueles que a gente sequer conhece. Não posso dizer qual era a treta que rolava na ocasião, mas algo causava profundo incômodo à Dodora. Mesmo assim fomos ao teatro. O show era do André Geraissati e o clima estava ameno em São Paulo.
Platéia elegante e qualificada. Apagam-se as luzes e o canhão vai buscá-lo lá no canto e ao fundo e orienta sua caminhada até o microfone, sob aplauso. Ele se ajeita na cadeira, abraça o violão e entrega uma lindíssima e romântica primeira frase que a Dodora, aqui do meu lado, lenta e longamente, exclama: lindo!
Ela não exclamou para si. Muito menos para mim. Foi para o André, ela exclamou para ele e em volume que ele ouvisse lá do palco. Ele ouviu e sorriu enquanto prosseguiu dedilhando a canção. Naquele instante, uma voz grave e cavernosa me preencheu a consciência e sussurrou: perigosa Dodora!

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