domingo, 3 de maio de 2026

FILOSOFIA - "Perdido Numa Esquina de Kensington" (CRA)

 “Perdido numa esquina
de Kensington”
Carlos Rubens Alencar*


Levei tempo para compreender que não há “eu” separado. Os cortes epistemológicos falham porque pretendem dividir o que é indivisível: Deus, ou seja, a Natureza.

Qual é o prazer da conquista? Compreender que a luta não é minha. É a substância pulsante neste modo finito que sou. A caverna não é prisão. É proposição. Platão quis transcender o fenômeno. Spinoza demonstrou a necessidade da sombra como consequência da lei. A negação é um afeto. A exigência de resposta é inadequação do entendimento. 

E compreendo: não há silêncio de Deus. Há conhecimento inadequado. Deus não fala porque é. A totalidade não se dirige à parte. A lei não se comunica com o caso particular. As coisas têm sentido íntimo? As coisas têm causa. Têm necessidade. Isso basta. É absoluto. É Deus. 

A imaginação sonha mil horas sem fim. Mas o limite do pensamento, e da beatitude, é conceber adequadamente: o melhor é o presente. Porque só no presente a eternidade se concebe sob o aspecto da compreensão do tempo. Convém que nos esforcemos por livrar-nos das paixões tristes. 

Que compreendamos nossa potência de agir. Temos um compromisso, não com a humildade que nasce da impotência, mas com a liberdade que nasce do terceiro gênero de conhecimento. E diante da substância, o intelecto indaga: vida minha, vida, olha o que é vida? Responde-se: sabe-se. Porque conhecer as causas é o mesmo que agir.


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