sábado, 15 de janeiro de 2022

Soneto Decassilábico Português (VM)

 PARA O ÁRCADE
NOVO ARTHUR ZÉFIRO
[Nome Decassilábico Perfeito]
 
Vianney Mesquita*
[Jovem Khrónos]

 

O traço individual que se acrescenta às nossas feições a aos nossos gestos fere os indiferentes e cativa os que nos amam. FRIEDRICH HEBBEL, poeta alemão. [Welsselburen, 18.3.1813; Viena, 13.12.1863]. 

 

Meu conterrâneo de insigne raiz

Das melhores ações é um paladino,

Da cultura, fiel beneditino,

Para atos corretos, diretriz.

 

Dotado de prudência e descortino,

Não se alterca a verdade do que diz,

Um cristão de caminho são-paulino,

Difícil é um cidadão com tal verniz.

 

Zéfiro [Arthur] da nossa Arcádia Nova,

À ordem de Fortuna, é posto à prova,

Ao conduzir a folha da palmeira.

 

Seu nome – um decassílabo – comprova

Por que a Palmácia, ardentemente, aprova

Paulo Tadeu Sampaio de Oliveira.


quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

NOTA CULTURAL - Palestra Rui Martinho Rodrigues

PALESTRA

Rui Martinho Rodrigues*



Na sexta-feira 14 de janeiro às 15:00h (14/01/2022), teremos Live no canal no Youtube (
http://bit.ly/2XI46B9). Lembrando que valerá horas complementares, e o formulário será enviado no chat da Live.

O palestrante será o professor Rui Martinho com o tema: “Origens do Totalitarismo”. 

Sinopse: “Examinemos alguns casos, em seguida busquemos a compreensão dos aspectos gerais. O método é o reflexivo, com a demarcação das categorias teóricas, análise multifatorial, conjecturas e refutações. 

O caso da Alemanha, com o antissemitismo, banqueiros e capitalistas no papel de bode expiatório; a derrota na guerra vista como traição dos políticos; a visão de uma grandeza perdida; dificuldades econômicas, obrigações impostas pelo Tratado Versalhes; o mito da superioridade racial germânica; voluntarismo; conflito como motor da história; hegemonia ideológica [e liderança carismática?]. 

Aspectos gerais: a ideia de grandeza perdida, exploração estrangeira, traição dos políticos; torpeza dos “tubarões”; voluntarismo político e promessa, dificuldades econômicas; hegemonia ideológica; fatores de longa duração e os (de)deformadores de opinião são fatores presentes na origem do totalitarismo”. 

Link do canal no Youtube: http://bit.ly/2XI46B9

CRÔNICA - Jogando Conversa Fora (TL)


terça-feira, 11 de janeiro de 2022

RESENHA - Reunião Virtual da ACLJ (10.01.2022)

 REUNIÃO VIRTUAL DA ACLJ
   (10.01.2022)





PARTICIPANTES

Estiveram reunidos na conferência virtual desta segunda-feira, que teve duração de uma hora, 07 acadêmicos e um convidado especial, o Engenheiro e Empresário  Maurílio Vasconcelos (Porto Velho - RO).   

Presentes ainda o Jornalista e Advogado Reginaldo Vasconcelos, o Bacharel em Direito e Especialista em Comércio Exterior Stênio Pimentel (Maricá - RJ), o Advogado e Sionista Adriano Vasconcelos, o Médico, Filósofo e Latinista Pedro Bezerra de Araújo, o Jornalista Wilson Ibiapina (Brasília-DF), o Marchand e Publicitário Sávio Queiroz Costa e o Agrônomo e Poeta Paulo Ximenes.

Justificaram suas ausências, abaixo representados no mosaico iconográfico, o ex-Juiz de Direito, Professor e Advogado Aluísio Gurgel do Amaral Júnior, o Procurador Federal Edmar Ribeiro, o Jornalista e Sociólogo Arnaldo Santos e o Advogado Betoven Oliveira. Estes dois últimos por motivo de trabalho, Edmar por conveniência de saúde e Aluísio em razão do fuso horário, pois estando em Doha, no Qatar, teria que entrar na conexão em alta madrugada. 
  


TEMAS ABORDADOS

Na abertura da reunião desta segunda-feira, o Presidente tratou de apresentar o convidado Maurílio Vasconcelos, estreando na conexão, cearense radicado em Rondônia há muitos anos, que recebeu as boas vindas dos demais. Na imagem ele exibe atrás de si a floresta amazônica que circunda a casa do sítio em que reside.

Maurílio é muito conhecido pelas gerações dos anos 70 e 80 do século passado em Fortaleza, como professor de matemática, que muito jovem fundou o Curso Cipan, inicialmente preparatório paro o Exame Vestibular, evoluindo depois para escola de 2º Grau, ministrando os três anos curriculares do então chamado "curso científico".

Saindo da atividade de ensino, Maurílio demandou à Rondônia, Estado em cuja Capital instalou uma bem sucedida construtora, exercendo com grande êxito a sua formação na área de engenharia.

O assunto suscitou comentários saudosistas, e o  grupo divagou longamente sobre fatos e personagens daquele período em Fortaleza, ligações de família e de amizade, um agradável exercício memorialístico da cidade.


Por fim, o Presidente exibiu a medalha e o diploma destinados ao General de Exército Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, recipiendário do título de "Cearense do Ano em 2021", que lhe foi outorgado pela ACLJ, por ter sido ele nomeado Comandante Geral do Exército Brasileiro. 


O referido militar iguatuense recebeu em mãos correspondência oficial da nossa entidade, sobre a outorga da honraria, conduzida pelo Empresário Ricardo Cavalcante, Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará,  comprometendo-se o General Paulo Sérgio a vir recebe-la solenemente neste mês de janeiro, em data a ser fixada entre a sua assessoria e o nosso Membro Titular Fundador, o Jornalista Wilson Ibiapina, que nos representa em Brasília.

Finalizando a reunião virtual, Ibiapina encerrou-a com uma frase lapidar do polímata iluminista estadunidense (1706-1790) Benjamim Franklin: "A tragédia da vida é que ficamos velhos cedo demais, e tarde demais ficamos sábios". 


DEDICATÓRIA 


A reunião virtual da ACLJ nesta segunda-feira, dia 10 de janeiro, foi dedicada ao nosso Presidente da Honra, o Senador Cid Saboia de Carvalho, advogado, jornalista e professor, ocupante da Cadeira nº 1 da nossa quadraginta numerati, patroneada pelo seu pai, o jornalista e advogado Jader de Carvalho, assim como ele imortal da Academia Cearense de Letras, o terceiro Príncipe dos Poetas Cearenses. 


Dr. Cid, aos 86 anos, acometido de uma síndrome gripal relacionada à epidemia de Influenza, aos cuidados de sua mulher Luce, de sua nora Ester e de seu filho e nosso confrade Antonino, convalesce em sua casa, de onde voltou a apresentar a sua crônica radiofônica "Doa a Quem Doer", e o programa de variedades "Antenas e Rotativas", pela Rádio Cidade, emissora que mandou instalar um estúdio residencial, de onde ele continua apresentando o seu trabalho.  

A ele o nosso abraço e a nossa efusiva saudação, com votos do mais urgente e pleno restabelecimento da saúde. 
 

  

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Soneto Decassilábico Português - Gilardo - Árcade Novo (VM)

GILARDO – ÁRCADE NOVO
*Vianney Mesquita
(Árcade Novo Jovem Khrónos)

 

Há pessoas que renunciam ao que as distingue dos animais: a inteligência [CHOU KING]

 

Na escola convencional, apenas

Colheu o início da capacidade,

Logo, entretanto, se tornou mecenas

N’autodidaxia da vontade.

 

Pela prudente via da idade,

Nobres estrofes produz às centenas,

Ao versejar com zelo e acuidade,

Avizinhando-se de Roma e Atenas.

 

Membro da Arcádia Nova Palmaciana,

Sua verve poética soberana

Canta as vitórias de um perfeito bardo.

 

Vate artefato dos desvãos da vida,

No ressonante ardor de sua lida

Eis o perfil do árcade Gilardo. 


ARTIGO - O Totalitarismo em Gestação (RMR)

 O TOTALITARISMO
EM GESTAÇÃO
Rui Martinho Rodrigues*
 


As novas tecnologias potencializam o controle dos cidadãos pelo poder estatal e agentes não estatais, como as big techs. Câmeras omnipresentes, invasão de computadores, intimidades devassadas por meios mais poderosos do que a “teletela” da ficção “1984”, de Georg Orwell (Eric Arthur Blair, 1903 – 1950), com reconhecimento facial, ao lado dos meios eletrônicos de pagamento e de outras transações são convite totalitário. 

A complexidade do mundo afasta a compreensão dos problemas pelo homem comum e até por especialistas. Em torno destes problemas se fazem políticas públicas. Quantos compreendem uma reforma tributária, a matriz energética, a preservação ambiental ou políticas sanitárias? Profissionais altamente qualificados divergem entre si. Então a prestidigitação explora uma adolescente de família economicamente bem situada, de país que já conquistou uma condição das mais favoráveis para discorrer sobre o que ela não entende, adotando atitudes que não podem ser massificadas. Viajar da Europa aos EUA em barco a vela, como fez a adolescente sueca Greta Thunberg, não é exemplo do que pode substituir o avião. O mundo não pode seguir tal figurino. A complexidade e a manipulação emocional, porém, abrem a porta da manipulação. 

Graves ameaças reais são argumentos que podem ser usados pelos que pedem mais poder, mais controles invasivos, mais restrição das liberdades individuais. Terrorismo, evasão de divisas, corrupção, enriquecimento ilícito, tráfico de drogas, pessoas e armas são ameaças tão reais e perigosas quanto pandemias devastadoras. O poder crescente da criminalidade vulgar, controlando territórios, impondo “leis”, quebrando o monopólio da violência e do controle territorial pelo Estado são aflições dramaticamente sentidas pelo homem comum. Tudo favorece a vontade de potência referida por Friedrich Nietzsche (1844 – 1900).

As novas tecnologias são tão poderosas que permitiram, aliadas a outros fatores, a imposição de censura ao presidente dos EUA por uma big tech. Texto do primeiro ministro da Hungria, Viktor Mihaly Orbán (1963 – vivo), descrevendo os efeitos da imigração em massa em seu país, também foi censurado. Redes sociais, tribuna oferecida democraticamente a todos, são atacadas. O pretexto são as mentiras que nelas são divulgadas, como se as mentiras e a técnica de manipulação por meio do destaque, da repetição, do ângulo apresentado e da omissão não fossem praticadas pelas mídias tradicionais. O argumento de autoridade, com seus especialistas, títulos e entidades renomadas, invocando em vão o “santo nome da ciência”, como se tal espécie de conhecimento fosse unívoco, doutores sempre fossem doutos e consensuais em suas opiniões, não passa de falácia. 

As mídias tradicionais são mais perigosas do que as redes socais. Dominam melhor as técnicas de manipulação. Os grandes perigos são reais, mas o uso deles pelo messianismo “do bem”, restringindo a liberdade de expressão e de crítica, ferindo a liberdade de consciência, lembra a aparência do “anjo de luz”, que se apresenta como a encarnação das virtudes, querendo poder para fazer o bem, semelhantes aos “falsos profetas que enganarão a muitos” (Mt 24;11). 

Um poder absoluto, sem a representatividade do voto popular, como é o STF, aplicando pena sem prévia cominação legal (proibindo alguém falar), invocando tipo penal inexistente (fake news), mudando de entendimento conforme a ocasião por meio de contorcionismo hermenêutico é engano. O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente (John Dalberg-Acton, 1834 – 1902).

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

RESENHA - Reunião Virtual da ACLJ (03.01.2022)

   REUNIÃO VIRTUAL DA ACLJ
   (03.01.2022)




PARTICIPANTES

Estiveram reunidos na conferência virtual desta segunda-feira, que teve duração de duas horas e vinte minutos, 06 acadêmicos e um convidado especial, o advogado Betoven Oliveira.   

Presentes ainda o Jornalista e Advogado Reginaldo Vasconcelos, o Bacharel em Direito e Especialista em Comércio Exterior Stênio Pimentel (Maricá - RJ), o Advogado e Sionista Adriano Vasconcelos, o Professor e Físico Wagner Coelho (Rio de Janeiro), o Empresário e Bibliófilo José Augusto Bezerra e o Agrônomo e Poeta Paulo Ximenes.
  

TEMA DE ABERTURA

Na abertura da reunião desta segunda-feira, a primeira deste ano, comentou-se sobre a oportuna e paulatina ocupação de cada uma das seis Cadeiras Acadêmicas vagas atualmente na quadraginta numerati da ACLJ – uma delas aquela fundada e legada pelo confrade Augusto Borges, que adentrou a imortalidade acadêmica no último mês de junho  as demais liberadas pelos que foram sublimados no II Census ad Lustrum,  em dezembro passado. 

A partir desse tema travou-se uma profícua discussão sobre o perfil ideal de um acadêmico literário, as características pessoais adequadas aos membros de uma confraria, as virtudes imprescindíveis para assumir uma cátedra de letras – para além do currículo humanístico do indivíduo e da produção literária que ele ostente. 

Que o verdadeiro intelectual não prospera se inseguro sobre o seu próprio talento literário, e não tem perfil de acadêmico se for demasiado desprovido de vaidade, infenso a pompa e circunstância. Ao mesmo tempo, a modéstia é essencial aos literatos verdadeiros, pois os que são deslumbrados consigo mesmos, que nunca reconhecem o valor alheio, convencidos de sua própria genialidade... esses são intoleráveis. 

Finalmente, José Augusto Bezerra, ex-presidente do Instituto do Ceará e da Academia Cearense de Letras, Presidente da Associação Brasileira dos Bibliófilos, brindou os demais com uma aula magna sobre oratória, matéria de que já foi professor. 


DEDICATÓRIA 


A reunião virtual da ACLJ realizada nesta segunda-feira, 03 de janeiro, foi dedicada ao terceiro ano da década de 20 do Século XXI.




Esperemos que 2022 seja mais auspicioso que os anos da mesma série que o antecederam – o cabalístico 2020 e o 2021 que o seguiu  os quais podem ser representados na imagem hagiológica de Sebastião de Narbona em seu martírio.



E que traga soluções reais para o País e para o Mundo, na representação santimonial de Jorge da Capadócia, guindando às lideranças do Planeta homens que combatam de fato os males bíblicos que vêm ameaçando e castigando, de forma draconiana, a nossa Nação e a humanidade como um todo.


 

  

 

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

ARTIGO - A Espiritualidade nos Contos de Tolstoi (LA)

 A ESPIRITUALIDADE NOS CONTOS DE TOLSTOI
Luciara Aragão*

 

 

Conhecemos todos o conto de Natal de Dostoievski e nos emocionamos com a narrativa do menino diante da árvore de Natal, na Casa do Menino Jesus, repleta de crianças como ele, anjos esquecidos e abandonados. Talvez, algum de nós conheça ainda, dentro do vigor da obra de Liev Tolstoi (1828-1910), os seus contos de inquestionável genialidade, simples e profundos, e com forte conteúdo espiritual.



Filho de nobres e descendente de senhores feudais, não conheceu a mãe, falecida quando ele completou três anos, e perdendo o pai poucos anos depois. Fascinado com a vida militar de um dos seus irmãos, participou de batalhas, no Cáucaso, e escreveu os seus dois primeiros romances:  Infância, autobiográfico, e Relatos de Sebastopol. Assim como Dostoievski, preocupou-se com os problemas sociais e,  em 1859, fundou, em sua propriedade, uma escola para adultos e crianças. Tentou recorrer a métodos que excluíam os castigos físicos, aplicando bondade e compreensão, como forma de disciplina. Combateu o isolamento russo na Ásia, bem como a servidão, e acreditava que uma aproximação com o Ocidente facilitaria o progresso econômico e cultural do seu povo.

Após o casamento com Sófia, uma amiga de infância que voltou a rever quando juiz de paz em Iasnaia, onde nasceu, passou a ver a literatura como um meio de ganhos pecuniários. Foi após o casamento que escreveu o inolvidável Guerra e Paz, tendo a esposa como sua secretária, e Ana Karenina, classificada por Dostoiewski como uma imortal obra de arte. A fama e o reconhecimento público não foram suficientes para acalmar o seu espírito inquieto e para dar respostas as suas aspirações morais e espirituais. Aproximou-se da religião ortodoxa, conviveu com monges, viveu em mosteiros, estudou os evangelhos e escreveu A morte de Ivan Ilitch, obra na qual reconhece a importância da caridade para a salvação.

Seu período de rebeldia preocupou os ortodoxos, pois contestava a religião, o governo, o socialismo; crendo ser um inspirado por Jesus, criou um tipo de tolstoismo, desconfiando do sistema, das ideologias e do próprio legado da cultura universal. Sua obra Ressurreição, de fama internacional, dando apoio a um grupo de camponeses que não desejava ir à guerra, optando por formar uma comunidade cristã, resolveu o impasse, e ele foi excomungado (1901), mas permaneceu arraigado ao próprio credo.

Paradoxos e contradições foram constantes em sua vida pessoal , mas sempre demonstrando genialidade inegável e maestria em seus escritos. Ele próprio reconhecia as suas limitações a santidade, mesmo quando mergulhou profundamente nos estudos do Evangelho e na vida de Jesus, tomando-o como mestre e guia. Reconhecendo a estreiteza de caminho que conduz à santidade , nos diz para repreender a ele, Tolstoi,  e não a estrada  que escolheu para trilhar; ele indica aos que  o  indagam onde se situa o caminho. “Ir bêbado, aos tropeços para casa”, explica Tolstoi, não significa equivocar-se sobre a escolha da estrada. Seu desejo intenso por paz e por recolhimento afastou-o da Corte e da esposa de quem se separou. Fugiu de casa e faleceu na aldeia de Astápovo, cercado pela admiração em todo o mundo.

Sua maestria como escritor e conhecedor dos meandros da alma humana, seu propósito de tornar experimental os sonhos, assim como os arroubos místicos de sua vida, compõem o legado perfeito de uma alma que conheceu os refinamentos da espiritualidade, registrados em seus belos contos, tornando-os tão preciosos quanto Guerra e Paz. Seu interesse por questões e por soluções espirituais, pelas dicotomias entre pureza e vilania, justiça e injustiça, vileza e nobreza, o fizeram criar tipos , presentes em Trabalho, Morte e Enfermidade (1903), no qual reconta a história, já conhecida dos indígenas da América do Sul. As motivações, os comportamentos humanos e os conceitos contidos ,em suas obras, levou Ghandi a adotar a resistência passiva com base na não violência. Foram também os seus textos religiosos que lhe fizeram conquistar o respeito do Ocidente, principiando por ser traduzido com grande entusiasmo na Inglaterra.

O seu desejo de simplicidade e de clareza, a luminosidade de seus textos, nos contos espirituais, são como um cartão de Natal e auspícios de esperança para todos nós no Ano Novo .Podemos aprender humildade com Os três Eremitas (1886), visitados por um bispo e vivendo  numa ilha deserta; sobre o desprendimento com  o De Quanta Terra precisa um Homem, mostrando a ganância da natureza humana; e sobre os acertos nas escolhas da vida , com  o maravilhoso Os Dois Anciãos (1885),  que prometem cumprir um voto na Terra Santa; e, sobretudo, aprendemos acerca do amor, na surpreendente  história de um idoso sapateiro, que, por sua crença no Evangelho, tenta viver conforme os ensinamentos de Jesus e O espera numa visita, oportunidade em que aprende, de forma terna e profunda, que ONDE EXISTE AMOR  DEUS AI ESTÁ(1885). Uma lição para todos nós em 2022.

ARTIGO - Quando o Milho Somos Nós (RMR)

 QUANDO O MILHO
SOMOS NÓS
Rui Martinho Rodrigues*

 

Espécies transgênicas são geneticamente modificadas. A engenharia genética modificou espécies produtoras de alimentos, como soja e milho. Houve, então, grande debate. Dizia-se que poderia haver prejuízos para o ambiente e riscos para a saúde dos consumidores. Os maiores temores aparentemente não se confirmaram. Deixo a palavra com os estudiosos do assunto, já que falo como leigo, exercendo o direito de reivindicar informações. Os benefícios anunciados aparentemente se confirmaram. 

Hoje há um debate sobre a vacina da Pfizer, que estimula a produção, pelo organismo da pessoa vacinada, a produzir uma molécula que é parte do vírus causador da Covid-19. O ácido ribonucleico do tipo mensageiro (RNAm ou mRNA), conforme conhecimento ministrado no ensino médio (segundo grau ou científico), transporta a informação do DNA (ácido desoxirribonucleico, situado no núcleo da célula) para os ribossomos, situados no citoplasma, que são as fábricas de proteínas. O RNAm da Pfizer estimula a produção de uma proteína que é parte do vírus da COVID-19, um antígeno, simulando uma invasão pelo agente citado. Organismo produz anticorpos contra a proteína que ele mesmo produziu, valendo como defesa contra a doença. 

Especialistas divergem, fato comum na ciência. Um lado argumenta que é um meio mais barato, mais rápido e massificável de produzir vacina em meio a uma emergência gravíssima; além de afirmar que a relação custo/benefício é favorável. Os contrários alegam que não houve teste seguro (seria então uma vacina experimental aplicada em massa), que os riscos são grandes, podendo estimular doenças autoimunes, já que o organismo produzirá anticorpos contra uma proteína que ele mesmo produziu. Dizem ainda que a possibilidade de produzir imunizantes pelo método tradicional, introduzindo o agente infeccioso atenuado ou inativado afasta a necessidade do uso massivo de um produto que seria experimental e os riscos muito grandes. A maior polêmica diz respeito ao uso desta vacina em crianças nas quais a relação custo benefício seria diferente, dada a baixa letalidade no grupo específico.


O direito à informação pede esclarecimentos. Haveria semelhança da vacina que usa o RNAm com a engenharia genética dos transgênicos? Curiosamente os que na sociedade se opunham a genética modificada na agricultura hoje defendem a vacina do RNAm e, reciprocamente, os defensores, digamos, do milho geneticamente modificado, hoje combatem a dita vacina produzida com técnica genética. Debate ao vivo entre especialistas seria oportuno, juntamente com divulgação ampla de ambas as correntes. Quando o milho somos nós (uso a analogia como uma licença dos tropos de linguagem) os papeis se invertem.

O debate deveria apresentar mais informações. Não devemos subestimar a capacidade do público razoavelmente letrado. A Epidemiologia tem nas metodologias quantitativas um valioso instrumento. Os dados relativos aos riscos por faixa etária, associados aos grupos específicos acometidos por comorbidade, o grau de proteção obtida inclusive quanto a transmissibilidade, a incidência de efeitos colaterais severos e outras informações deveriam ser mais divulgadas. A definição de políticas públicas e a adesão da população a um procedimento deve ter informações técnicas como base. Não basta invocar nomes prestigiosos de pesquisadores, instituições ou grupos corporativos como argumento de autoridade. Isso é subestimar a capacidade do público. Nós, cidadãos leigos, temos direito à informação.

NOTA - Retrospectiva UFC (CA)

RETROSPECTIVA
UFC




 

CRÔNICA - Cidade na Medida (TL)

CIDADE NA MEDIDA

 

A respeito de Antonio Girão Barroso (1914–1990), poeta, jornalista e professor da Universidade Federal do Ceará, conta a história da genialidade cearense que... 

Chegando do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, ele espiou pela a janela do avião e indagou: “Fortaleza, meu bem, você está grávida?!”. 

Espreitando o fervilhar do comércio, no Centro de Fortaleza, comentou: “As mulheres são belas e vão às compras”. 

Fraternalmente, Antonio Girão Barroso era avocado pelos amigos de “Toim Meu Irmão”. 

Falando em cidade, nunca mais eu vi pelas ruas quase descalças desta nossa Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção, um daqueles cachorrinhos de pelúcia dependurados no vidro traseiro dos carros, que balançavam a cabeça e acendiam os olhos quando o motorista freava. 

Nem tampouco aquelas miniaturas de rede avarandada, balançando pra frente e pra trás, principalmente quando o veículo sacudia ao cair em um buraco ou passar em catabique. 

Coisas que o tempo carregou, quando a nossa cidade ainda adolescia... 

De uns tempos pra cá, tenho reparado que uma cidade quando cresce muito, ela se transforma em várias cidades. Bem, falar delas é para mim pensar em qualidade de vida. Cogitar a razão da sua existência, de suas razões e de seus significados. É dizer sobre a sua ambiência e a sua escala. 

Sobre escala, eu entendo o palmo como muito mais do que os estipulados 22,86 centímetros medidos com a mão toda aberta desde a ponta do dedo polegar até a ponta do dedo mínimo. Assim como a braça (com 2,20 metros, medidos de ponta a ponta de cada braço aberto dos dedos maiores das mãos), o côvado (com 67,2 centímetros medidos da distância entre o cotovelo e a ponta do dedo médio da mão), o pé (com 30,48 centímetros, calculado no tamanho do pé de um homem), a polegada (com 2,54 centímetros, da largura do dedo polegar humano na base da unha) e a passada, além dos convencionados 64 centímetros. 

Seguramente, são medidas que contém sentimentos e carregam em silêncio os desejos do “ir e vir”, do “partir e chegar”, do “planejar e realizar”. Muito mais do que números, elevam os sentidos das pessoas, oferecendo-lhes a extensão de referência com o próprio corpo humano. 

Pois é, aí eu me lembro quando certa vez disse doutor Fran Martins, na medida certa, ao apresentar a minha exposição “A Cidade como Extensão do Corpo”, em 1982: “Os desenhos de Totonho Laprovitera representam um grito em favor da humanização da cidade – já que as cidades, como as pessoas, tem um corpo cuja beleza depende exclusivamente dos cuidados e do carinho dos que a administram e dos que a habitam”.