segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

NOTAS JORNALÍSTICAS - Confraternização Na Embaixada e Homenagem ao Poeta


EMBAIXADA 
DA CACHAÇA
CONFRATERNIZAÇÃO 
COM UM VETERANO

O movimento Pelos Bares da Vida, capitaneado pelo engenheiro, cronista e blogueiro Altino Farias (membro da ACLJ), tem sede no Empório Embaixada da Cachaça, onde realizou neste último sábado uma confraternização natalina, em torno de um dos mais antigos donos de bar em Fortaleza, o “Seu Airton” (que na imagem destacamos), com 30 anos de atividade no ramo.


Na foto, Altino Farias está sentado ao chão com chapéu panamá, vestindo a camisa azul da ACLJ; em pé, de blusa roxa e chapéu de feltro, o arquiteto Romeu Duarte. Perto dele, de boina azul claro, o poeta Luciano Maia. Mais para o centro, de óculos escuros e camisa laranja, o cronista Dejoces Batista, que aprecia versar sobre a vida boêmia e os boêmios, como abaixo exemplificamos. 

A Embaixada da Cachaça é um pub especial, com área climatizada onde funciona uma butique de bebidas finas, inclusive cachaças de alta qualidade, o único destilado brasileiro mundialmente conhecido, que o nome da casa prestigia.   

Altino Farias, há dois anos, convenceu o confrade Reginaldo Vasconcelos a lhe ceder o imóvel ocioso, e com o sócio Átilla  criou esse agradável ambiente, familiar e cultural, para ali congraçar a intelectualidade boêmia da cidade, promovendo lançamento de livros e exposições de arte em seus espaços.



A Embaixada faz realmente um trabalho de diplomacia entre os bares da cidade, notadamente os mais tradicionais, alguns daqueles botequins muito simples, que no Rio de Janeiro são apelidados de “pés-sujos” – de modo que os proprietários se frequentam entre si. Na imagem, na galeria de arte da Embaixada, um frequentador mostra o cartaz homenageando o bar concorrente neste caso, um dos que já não existem mais, por aposentadoria do dono. 

Aliás, não há concorrência nesse ramo de negócios, porque cada bar tem clima único, tem horário e dia mais próprios, músicos diferentes se apresentam, em datas diferentes; tem sua clientela cativa, além de frequentadores que são itinerantes entre eles. Um bar não substitui o outro, pois todos se somam como opções recreativas.

Serviço:

Embaixada da Cachaça: Rua João Brígido, 1245 - Joaquim Távora - Segunda à Sábado - Defronte à Procuradoria da República. Fone 30.85.04.28  



A HIENA
Dejoces

Noite de sexta-feira, Butikim De Uma Mesa Só abarrotado de Rinocerontes. Ao largo, Seu Airton superfaturando no caderninho da confraria.

A criatura surgiu como uma fera que abandona o esconderijo para dar o bote. Encruado, trazia na pele acobreada marcas de fome, nas mãos, garras esmaltadas e um anel de rubi. 

Cabeça descomunal, mais focinho que rosto, o sorriso era de subserviência, mas os olhos tinham o brilho de ódio dos impotentes. Cumprimentou a Manada e partiu pra cima do Véi: 

– O senhor é o proprietário? 

– A privada é no fim do corredor – retrucou o Véi, se fazendo de abestado. 

A manada fez silêncio, o circo estava armado. 

– O senhor tem alvará? – mordeu a criatura.

– Só Brahma e Antártica – frescou o Véi.

– Infelizmente, vou ter que fechar o bar – rosnou a criatura, crendo alcançar a jugular.

– Duvido! Faz mais de uma hora que eu quero fechar e nem sinal dessa cambada querer ir embora. 

Pressionada pela Manada, a hiena desapareceu. Fim dos tempos, e o Véi nunca teve alvará. Só Brahma e Antártica. 



LUCIANO MAIA 
RECEBE
MEDALHA RACHEL DE QUEIROZ
NA CONFRATERNIZAÇÃO DA 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE BIBLIÓFILOS



No último dia 15 de dezembro, durante a confraternização de natal da Associação Brasileira de Bibliófilos, o poeta Luciano Maia, Consul da Romênia em Fortaleza, membro da Academia Cearense de Letras e da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, recebeu a Medalha Rachel de Queiroz, instituída pela ABbi.

O evento e a outorga da medalha tiveram lugar no Ideal Clube, e a entrega da láurea foi feita pelo bibliófilo José Augusto Bezerra, que também pertence às três referidas instituições literárias, sendo Membro Benemérito da ACLJ, e Presidente da ACL e da ABbi. 

Na imagem abaixo, o homenageado entre José Augusto e sua mulher, Ana Maria Jereissati, que acima lhe coloca a insignia, e ele em seguida faz o discurso de agradecimento.


ARTIGO - Seguir a Lei (RMR)


SEGUIR A LEI
Rui Martinho Rodrigues*


Não temos líderes. Temos dezenas de partidos que não têm caráter de partido. Há indícios de que a maioria dos agentes políticos têm envolvimento com práticas ilícitas, comprometendo a legitimidade do sistema representativo, assim desmoralizado.

O judiciário politizou-se, ao seguir a trilha do ativismo judicial, embriago pelo que Nietzsche chamou de “vontade de potência”. Alegando preservar a estabilidade normativa, sob a desculpa de preservar a estabilidade normativa, o STF usa e abusa da “interpretação conforme”, decretando que textos normativos sejam lidos ao arrepio da literalidade dos mesmos, ao invés de simplesmente legislar negativamente. Legislar deste modo não salva a estabilidade normativa.

O STF vai além: substitui o Legislativo, alegando preencher lacunas do ordenamento jurídico, legislando positivamente, em flagrante abuso da autopoiese do Direito, inclusive fazendo uso de interpretação extensiva para restringir direito; ou aplicando pena sem prévia cominação legal, como o afastamento de um parlamentar do seu mandato, sem pedir licença à Câmara.

Quando o Legislativo não introduz uma inovação no ordenamento jurídico está vetando tacitamente a pretensão. Tal não se confunde com uma procuração dada ao Judiciário para legislar.

A Constituição atual é excessivamente analítica, dirigente, programática e com vagueza dos princípios nela positivados. O STF tem se aproveitado disso para usurpar a função legislativa, como Supremo Legislativo Federal, de natureza eminentemente política. A judicialização da política politiza o STF.

A política apaixona, divide e gera conflitos. O Judiciário deveria ser o ente pacificador, mas está se revelando um provocador de conflitos. Quem julga não deve legislar, para não ter poder ilimitado. Temos nesta atitude uma forma grave de abuso de poder, não tipificada na lei penal. A separação dos poderes está sendo abertamente violada.

O MP não deveria legislar. Camuflar a iniciativa legislativa sob o manto da iniciativa popular não convalida o vício de origem da iniciativa inconstitucional. Quem acusa não deve definir os limites da própria atuação.

O ativismo do MP é mais compreensível do que o judicial. Temendo um acordão, os procuradores enveredam pelo ativismo, buscando mobilizar a opinião pública contra alguma medida do tipo “salva ladrão”, termo da Itália para a legislação que barrou a operação “Mãos Limpas”.

A República sofre de falência geral de órgãos. No Império Romano esta situação levou ao domínio dos “senhores da guerra”, que passaram a exercer o poder arbitrariamente nas áreas sob seu domínio. O Império Otomano viu surgirem os “jovens turcos”, levando à Revolução de Ataturk.

Nós tivemos, na primeira República, o tenentismo, que depois de algumas quarteladas derrubou a Primeira República e deu no Estado Novo. Seu último suspiro foi 64, quando os tenentes já eram marechais. Agora o MP e a magistratura encarnam o espírito do tenentismo, trocando o ativismo de farda pelo ativismo da toga.

Seria mais sábio e mais prudente seguir a lei, sem mais legoleios, sem ativismos e sem salvadores da pátria. Não faz sentido lutar pelo comando de um navio que naufraga.



COMENTÁRIO:

Perfeito professor.

Somente algumas inquirições: o caso é que se deixarmos "cada macaco no seu galho" o país não anda! (?). Ou melhor, anda para o bolso de alguns, uns, melhor dizendo.

Grande abraço,

Luiz Rego


sábado, 17 de dezembro de 2016

NOTA ACADÊMICA - Assembleia Geral de Fim de Ano

ASSEMBLEIA GERAL
DE FIM DE ANO
DA
ACADEMIA CEARENSE
DE
LITERATURA E JORNALISMO


A Assembleia Geral que a ACLJ promove no mês de dezembro, que tem caráter de confraternização de fim de ano, é sempre uma agenda muito complicada de datar, tendo em vista as muitas festividades que se organizam no período, e que naturalmente concorrem entre si.


Fotos: Giovanni Santos/sistema FIEC - Vídeo: CL Produções (Cira e Rocélio)



Ocorreu na manhã deste sábado essa reunião especial, no Palácio da Luz, sede da Academia Cearense de Letras, coroada de sucesso, tendo em vista o numeroso público que compareceu à solenidade, na qual tomou posse a nova diretoria da entidade, para o biênio 2017-2018, e foram outorgados uma comenda e um título especial.


Fotos: Giovanni Santos/sistema FIEC - Vídeo: CL Produções (Cira e Rocélio)



















TÍTULO O HOMEM DO ANO


Recebeu o título de HOMEM DO ANO NO CEARÁ EM 2016 o empresário Beto Studart, Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, eleito para essa láurea segundo os critérios da ACLJ, em virtude de sua vigorosa e profícua atuação na sociedade cearense, seja como empreendedor do ramo da construção civil, seja como líder de classe.

Opera ainda um generoso mecenato, benfeitor de logradouros e de entidades culturais, por meio de parcerias público-privadas, sendo ainda colaborador da ciência, financiando pesquisas no campo da medicina.




É também um discreto benemérito social, assistindo crianças pobres por meio de sua fundação, que sua mulher, Dona Ana Maria, administra. Beto Studart foi saudado pelo acadêmico Humberto Ellery, seu amigo de infância. 


Fotos: Giovanni Santos/sistema FIEC - Vídeo: CL Produções (Cira e Rocélio)



A par de alinhar todas essas virtudes do homenageado, Ellery destacou a nobreza de seu caráter, que desde garoto procurava trabalhar e empreender, mas que jamais deixou de se comportar de forma simples, tratando a todos com grande urbanidade, embora tenha adquirido fortuna e sendo um megaempresário.  

Beto Studart, em relação à ACLJ, já é “prata da casa”, pois desde o ano de 2014 ele pertence à sua constelação de Membros Beneméritos. Nem por isso a sua eleição foi uma ação pro domo sua, na direção do nepotismo institucional.

Na verdade, pode ocorrer seguidas vezes a eleição de Membros Benemérito da ACLJ ao título de Homem do Ano, pois a essa casta especial de acadêmicos pertencem as maiores personalidades do Estado, todas elas suscetíveis de se fazerem credoras daquela homenagem, a cada ano.

Fotos: Giovanni Santos/sistema FIEC - Vídeo: CL Produções (Cira e Rocélio)




COMENDA CATEDRÁTICO
RAIMUNDO DE FARIAS BRITO

A Comenda Catedrático Raimundo de Farias Brito foi instituída em 2015, destinada a distinguir a cada vez um destacado membro do magistério superior no Ceará.




Para tanto a ACLJ pesquisou a real fisionomia desse grande filósofo cearense, para com ela produzir um retrato em óleo sobre tela, com vistas à sua galeria de paraninfos, bem como imprimir a efígie da medalha.




O cirurgião e professor de medicina da Universidade Federal do Ceará José Huygens Parente Garcia foi proposto pelo acadêmico Arnaldo Santos, e eleito para receber a Comenda, em novembro do ano passado, porém a solenidade de outorga foi suspensa de última hora por fatos alheios à ACLJ e ao homenageado, desiderato que somente na Assembleia Geral de hoje (17.12.16) se cumpriu.

Dr. Huygens é um destacado operador, na especialidade de transplante de fígado, nacional e mundialmente conhecido no meio médico e acadêmico, pelas técnicas que desenvolveu e que ensina aos seus alunos, bem como pelo grande número de intervenções cirúrgicas bem sucedidas que vem fazendo em pacientes brasileiros, principalmente cearenses, acometidos de patologia hepática aguda.




A saudação de improviso que lhe fez o jornalista Arnaldo Santos, que tem um jovem filho médico, enalteceu essas virtudes profissionais de Dr. Huygens, mas revelou a grande gratidão que lhe devota, porque ele tratou sua mãe idosa e  acometida de câncer, em estado terminal.

Segundo Arnaldo, em não podendo mais salvá-la, em face do gravíssimo estado da doença, Dr. Huygens se dedicou a lhe garantir a sobrevida eventual com o mínimo sofrimento, para que ela fizesse com o máximo de dignidade e conforto a passagem para o éden. 

   

Estando fora do Estado por motivo de força maior, um membro de sua equipe de cirurgiões, o Dr. João Batista Marinho Vasconcelos, compareceu à solenidade de hoje e recebeu em nome do Dr. Huygens a medalha e o diploma correspondentes à Comenda. O homenageado enviou o seu discurso de agradecimento pela láurea recebida, que foi lido em plenário pelo Presidente Reginaldo Vasconcelos.

Estiveram presentes à Assembleia de hoje 33 acadêmicos, das três dignidades acadêmicas, aqui relacionados em ordem alfabética: Adriano Vasconcelos, Alfredo Marques, Altino Farias, Aluísio Gurgel, Amaro Pena, Antonino Carvalho, Arnaldo Santos, Augusto Borges, Beto Studart, Cássio Borges, Concita Farias, Dorian Sampaio Filho, Durval Aires Filho, Evaldo Gouveia, Geraldo Gadelha, Geraldo Jesuino, Humberto Ellery, João Pedro Gurgel, José Augusto Bezerra, Luciano Maia, Luciara Aragão, Marcos Gurgel, Nirez, Paulo César Norões, Paulo Ximenes, Reginaldo Vasconcelos, Roberto Moreira, Rui Martinho Rodrigues, Sávio Queiroz, Totonho Laprovitera, Ulysses Gaspar, Vianney Mesquita e Vicente Alencar.




Virtualmente presentes, porque justificaram a ausência física, os acadêmicos Cândido Albuquerque, Cid Carvalho, Ednilo Soares, Fernando César Mesquita, Graça Dias Branco da Escóssia, Hermann Hesse e Lúcio Alcântara.

Durante essa Assembleia Geral de fim de ano foram anunciados novos livros da lavra dos acadêmicos, e distribuídos alguns exemplares aos presentes, bem como houve diversas expressões líricas a guisa de mensagens natalinas, finalizadas pela crônica do Presidente Reginaldo Vasconcelos, que em seguida transcrevemos. 


CRÔNICA
DE NATAL

DUZENTOS E DEZ ANOS


Embora ainda desconheça o específico mecanismo, a ciência faz uma conjectura lógica para explicar o fenômeno da terapia de regressão, aquela em que, sob um transe hipnótico, o paciente relata vivências de milhares de anos atrás, e se expressa em línguas mortas, que se confirmam autênticas por historiadores e linguistas.

Os reencarnacionistas defendem que o espírito da pessoa submetida ao tratamento salta barreiras de seguidos nascimentos e revive experiências que teve em suas encarnações anteriores. Mas os cientificistas, que não reconhecem a existência da alma, acreditam ser possível que a pessoa traga nos genes memórias de seus antepassados, que vêm à tona durante a abstração hipnótica em que mergulha.

O que sei é que sinto hoje ter duzentos e dez anos, mais ou menos, somados os meus sessenta de idade ao tempo de vida de meu pai e do pai dele. Eu os conheci fisicamente, e intelectualmente conheço sua filosofia e sua história, vendo-me hoje um continuador de ambos, já que não dissenti da sua trajetória moral e que absorvi toda a sua experiência de vida para o meu próprio proveito, contados os seus acertos e os seus erros.

E não virão os espíritas me dizer que reencarnei os meus defuntos coetâneos, nem os cientistas poderão alegar que acesso minha genética para viver o que viveram os ascendentes mais recentes.

Não. Apenas tomei o bastão no revezamento parental e segui em frente rumo ao comum objetivo, o da hombridade e da decência, o da grandeza e da modéstia, buscando a melhor virtude e a maior felicidade, para mim e para os meus, visando os valores maiores desta coletividade e desta Pátria.

Do mesmo modo, penso que também supera dois séculos um vetusto Beto Studart, computadas as suas primaveras, as do seu avô Godofredo, a riquíssima experiência de vida do Dr. Carlos Studart, seu ilustre e saudoso pai, um anjo esmeraldino que espalhou a sua medicina por Amazônias e Messejanas do Brasil.

Enfim, o Beto não é somente o Beto, porque é o produto dessa tríade virtuosa.

Assim também com o Desembargador Durval Menezes, que certamente traz na sua bagagem etária o avô Otávio Aires, magnífico cronista, historiador do Juazeiro, contemporâneo do Padre Cícero, bem como o pai homônimo, o grande ativista político e jornalista, os quais sem dúvida alguma forjaram o seu caráter e inspiraram a sua brilhante trajetória.

Não é diferente com a notória antiguidade de Antonino, o único de nós cujos dois avós varões pertenceram a esta Academia Cearense de Letras.

Ele também incorpora em si a biografia vigorosa do poeta mavioso, jornalista valente e bravo advogado que foi Jader de Carvalho, e ainda a história de vida de seu pai El Cid, o nosso eterno Senador, a quem se tem de reconhecer e respeitar a decência e a altivez, ainda quando discordando de suas posições políticas e convicções ideológicas.

Quantos anos de idade nos parece ter Ulisses Gaspar? Dos mais jovens de nós, ele traz em si a nobre vetustez do avô Adroaldo, oficial do Exército, de elevado grau maçônico, e do pai Ajuricaba, advogado e literato, que com certeza lhe emprestaram régua e compasso para ser quem hoje é, e que por seu turno estarão realizados em espírito ao encontrar o seu sucessor no chão sagrado desse silogeu de homens de letras.

Quem vê Dorian Sampaio Filho, por sua vez, não enxerga nele o bravo militar progenitor, covardemente espingardeado por um sicário da Intentona Comunista no Recife, muito menos nota nele o seu pai, jornalista e deputado, preso pelo regime militar que o comunismo contestava. Pois ambos fazem parte de sua genética física e moral, independentemente do específico pensamento ideológico que pervagou cada um durante a vida.

Que dizer do antiquíssimo Lúcio Alcântara, um dos maiores políticos cearenses de todos os tempos? Neto de prefeito, Seu Adelino, filho do médico, deputado, senador e governador, Dr. Valdemar, ele mesmo também médico, deputado, prefeito, senador e governador do Ceará? São séculos de medicina e de política, no exemplo e no exercício, com inatacável conduta e conceito reluzente.

No mesmo caso estão os Farias, que precedem ao Altino em sua família; os ilustres Alencar do eloquente Vicente; os Bezerra do Presidente Zé Augusto; os Ellery de José Humberto, cujos antepassados frequentaram esse palácio, quando sede do Governo; os Norões Coelho de Paulo César; os Borges de Cássio e Marcos André; os Moreira, do Roberto e do Moreira Brito; os Mesquitas palmacianos do imenso Vianney; os “da Costa” do Geraldo Jesuino; os Silva dos Santos do sociólogo Arnaldíssmo.

Também assim os Coelho e os Aragão Ximenes de Paulo Roberto, os Bezerra Pinto do Djalma; os Queiroz de Airton, Sávio e Igor; desde o genearca Genésio, passando pelo grande chanceler, e no caso do Igor os Vidal de Dona Yolanda e os Barroso do grande Parsifal.  Os Gadelha do nosso Geraldo: o avô Agileu da velha Soure e o pai homônimo, um dos poucos sobreviventes no naufrágio do Cruzador Bahia.

Os Borges, do veterano Augusto; os Azevedo do célebre Nirez, cujo pai poeta integrou a casa literária de Tomás Pompeu Sobrinho; os Laprovitera ítalo-brasileiros do Totonho. Os Gurgel do Amaral do Aluísio. Como também os Martinho e Martins Rodrigues dos primos Rui e Roberto, nossos sábios e cultos bastiões.

Embora sempre muito ausentes ao nosso convívio, não ficam de fora de nosso exemplo os Sá Cavalcante de Tales Montano, do seu avô João ao seu pai Ari, vizinhos de minha família desde sempre, a matriarca, Raimunda Sá, grande amiga de minha avó.

Dilson Pinheiro e seus avoengos; Marcos e João Pedro Gurgel, nosso infante honorífico; Hermann Hesse e os seus antigos; Alfredo Marques: o Jairo seu pai, o ilustre tio homônimo. O Amaro Pena, seu avô fazendeiro nas planícies de Caucaia, e seu pai militar. 

E o nosso Luciano Maia, com sua poesia telúrica ancestralmente polinizada pelos ventos e regada pelas águas da região jaguaribana, percorrida pela vaqueirice intrépida do bisavô Chico Bento, do avô Antônio da Costa Maia, por fim, de Napoleão primeiro, pai dele, como do poeta Virgílio e do segundo Napoleão, o nosso Ministro? 

Enfim, a mais ditosa herança genética é o caso de todos nós aqui presentes, inclusive e principalmente dos Aragão da Luciara e do nosso saudoso Paulo Maria; dos Fernandes da Karla Karenina e do inolvidável José Alves; e dos Miranda da Inesita, nas quais cumprimento as confreiras Josefina, Concita e Denise, já indiretamente referidas.

Nelas exalto também as grandes mulheres antigas entrevistas nas respectivas linhagens femininas, viragos maravilhosas, consortes amorosas e mães devotadas, de quando eram elas as abelhas rainhas das famílias, esteio moral dos lares e razão maior da luta de todos os “zangões” aqui citados.

Bem, feita a chamada de nossos afetos mais saudosos, preceptores de nosso caráter pessoal, convocando-os a estar virtualmente conosco por ocasião desta última Assembleia do ano, transmito a todos, em meu nome e em nome da nossa ACLJ, os nossos melhores votos de feliz natal, e de um ano novo venturoso, com muita fé e com muita esperança.

Reginaldo Vasconcelos




COMENTÁRIOS:

Merece o reconhecimento dos acadêmicos, integrantes da ACLJ, intelectuais membros das demais instituições, guardiãs das letras, das artes e da cultura em geral, o intenso trabalho desenvolvido por esta arcádia.

Este blog, pelo largo espectro e qualidade de sua produção intelectual, e a rapidez com que faz publicar todo o seu conteúdo, é a materializarão do que aqui afirmamos.

Mais relevo ainda merece a dedicação e o trabalho aplicado do acadêmico, advogado, jornalista e filósofo Reginaldo Vasconcelos, idealizador e fundador da ACLJ.

Seu dinamismo, persistência e paciência para administrar as vaidades e os humores, próprios daqueles que integram instituições como esta, são a explicação para uma agenda tão fértil, dinâmica e frenética, que a ACLJ tem desenvolvido até aqui.

O ideal seria que todos nós, partícipes desse seleto grupo, tivéssemos o mesmo entusiasmo e dedicação do Reginaldo Vasconcelos, o "bruxo", como bem o definiu nosso Presidente Emérito, Professor Rui Martinho Rodrigues.

Arnaldo Santos



Realmente foi uma reunião de rara beleza, digna dos maiores elogios. O nosso Presidente Reginaldo Vasconcelos merece o nosso total apoio, pois  a nossa Academia não pode continuar funcionando apenas em função do seu entusiasmo e dedicação, sem um respaldo financeiro por parte dos seus associados, por menor que seja a contribuição. FELIZ NATAL para todos e para os que lhes são caros.

Cássio Borges


Cumprimento o nosso presidente pela dedicação à causa da nossa Academia, aproveitando o momento para desejar a todos um Feliz Natal e um 2017 repleto de muita paz, saúde e prosperidade. Feliz Ano Novo!

Cândido Albuquerque 



Discurso brilhante e emocionante, caro Reginaldo! Lamento não ter podido comparecer à tão importante sessão de nossa confraria por motivos de saúde!

Minha gratidão pela lembrança de meu pai, esse sim, merecedor de todas as lembranças referentes à contribuição de valores morais e culturais a nós deixadas!

Desejo muito mais sessões como esta e poder estar presente tanto quanto possa nos próximos anos e que os laços fraternos entre nós estejam mais fortalecidos.


Karla Karenina


Prezado Presidente Reginaldo e Diretoria, registro que o blog continua excelente e parabenizo-os. Mais uma vez desejamos Boas Festas e um venturoso Ano Novo  para todos os que fazem esta importante entidade cultural.

José Augusto Bezerra

  

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

NOTA CULTURAL - Airton Queiroz, O Colecionador (SQ)


Airton Queiroz,
o colecionador 
Sávio Queiroz*


Ao completar 40 anos, em 2013, a Fundação Edson Queiroz presidida pelo chanceler Airton Queiroz, nos brindou com a exposição “Trajetórias - Arte Brasileira na Coleção Fundação Edson Queiroz”.

Essa exposição coroou, ao seu tempo, o esforço da fundação na difusão da arte e da cultura. O Espaço Cultural Airton Queiroz da Universidade de Fortaleza que já foi palco de inúmeras outras exposições, vem se firmando como um dos principais centros irradiadores de cultura no estado do Ceará.

Este ano, Airton Queiroz resolveu mostrar pela primeira vez ao grande público, sua impressionante coleção particular. Melhor dizendo, uma parte dela.

Não há como não encontrar semelhanças entre a trajetória de Airton Queiroz a do empresário e mecenas de origem arménia Calouste Gulbenkian. Ambos conscientes de que a educação é o motor da mudança. Ambos amantes das artes e preocupados com a sua difusão. Ambos colecionadores refinados e dedicados.

A sessenta anos atrás, Gulbenkian criou em Portugal uma fundação destinada a fomentar o conhecimento e a melhorar a qualidade de vida das pessoas através das artes, da beneficência, da ciência e da educação.

Airton Queiroz buscou, através da fundação criada por seu pai, o desenvolvimento social, educacional e cultural do Ceará e colocou a universidade na posição de detentora da maior e melhor coleção de artes visuais entre as universidades privadas do país.

Paralelamente construiu com sua coleção particular, ao longo de cinco décadas, um panorama extraordinário da arte, uma das mais importantes coleções de arte do Brasil, com obras que vem dos tempos da ocupação holandesa até os dias atuais, além de contar com excelentes exemplos de arte mundial. 

As 251 obras expostas são um grande passeio, desde o século XVII até os dias atuais. Encontramos Rubens, Renoir, Frans Post, Albert Eckhout, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Miró, Salvador Dalí, Chagall, Mestre Aleijadinho, Botero, Lygia Clark, Adriana Varejão...

Impressionante é o mínimo que se pode dizer do acervo apresentado. Ele é a realização de uma vida, resultante de um olhar movido a paixão.

A exposição tem como curadores Max Perlingeiro, Fábio Magalhães e José Roberto Teixeira e divide as obras entre períodos históricos e movimentos artísticos, totalizando cinco eixos: Do Brasil Holandês à República, Modernismo, Abstração, Contemporâneos e Presença Estrangeira.

Até 18 de dezembro de 2016 o público terá a sua disposição uma necessária viagem ao mundo da arte. Um momento, talvez único, de ver o que o Ceará tem de melhor em termos de arte.

Serviço
Exposição Coleção Airton Queiroz
Abertura: 15 de junho de 2016, às 20h
Visitação: 16 de junho a 19 de fevereiro de 2017
Local: Espaço Cultural Airton Queiroz (Av. Washington Soares, 1321)
Mais informações: 3477.3319

A visitação é gratuita e pode ser feita de terça a sexta, de 9h às 19h; sábados, de 10h às 18h, e domingos, de 12h às 18h