segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

COLUNA DO VICENTE ALENCAR

  VICENTE ALENCAR
SEGUNDA-FEIRA
11 DE JANEIRO DE 2021
FORTALEZA - CEARÁ - NORDESTE - BRASIL
EDIÇÃO Nº 1917

 

“Muitos que agora são os primeiros serão os últimos, e muitos que agora são os últimos serão os primeiros” Mc10,21 (Do livro “Diariamente Com a Bíblia Sagrada”,  do Escritor cearense Gonzaga Mota).


“Somente o amor multiplica positivamente”
(Poeta Antônio de Fortaleza). Para sua Maria.

 
LEIA E PRESTIGIE OS AUTORES BRASILEIROS:
 
1. EM PASSOS LENTOS, CHEGO LÁ
Fernando Antônio Freire de Holanda
 
2. ISPAIA BRASA - O BLOCO QUE FOI ESCOLA 
Sérgio Pires
 
3. À FLÔR DA PELE
Vera Lúcia Albuquerque de Moraes
 
4. MOMENTOS
Heitor Lavor
 
5. PORTUGUES FÁCIL, FÁCIL...
J. Olímpio de S. Araújo
M. Murilo de Araújo
 
6. LUACESA
Dionísio Lopes
 
7. MEDITAÇÕES DE ÉTICA MORAL
Raimundo Bezerra Falcão
 
8. HUMBERTO MENDONÇA - 80 ANOS
Humberto Mendonça
 
9. REFLEXÕES DO DIA A DIA
Maria Luciene
 
10. COMIGO
Vital Bizarria
 
11. FAMÍLIA AMARAL
Maria Helena do Amaral Macedo
 
12. POR TRÁS DA JANELA
Tereza Porto
 
Atenção Amigos:
Plantem Sapotis. Esta árvore está sendo dizimada no Ceará. A mesma coisa devemos fazer com Cajueiros, Mangueiras, Mangabeiras, Coqueiros.
 
PS. Muitos meninos nascidos, criados e vividos em apartamentos são sabem o que é isso.
 
ABOLIÇÃO E A MÚSICA
É importante ouvir:
 
TERRA SECA - Samba
de Ary Barroso.
Orquestração de Lírio Panicalli.
Gravação Continental.
Com Déo e Coro
 
PRETINHO - Samba
De Custódio Mesquita e Evaldo Ruy
Gravação RCA Victor
Com Isaurinha Garcia
Plante Sapotis
 
ALGODÃO - Samba
De Custódio Mesquita e Favi Nasser
Gravação RCA Victor
Com Silvio Caldas
 
O HOSPITAL DO DIABÉTICO continua esquecido pelos políticos cearenses, tanto os antigos como os novos. Não há interesse na  sua Construção embora 16 por cento dos Nordestinos sejam diabéticos. Lamentável.
 
Alguns laboratórios e algumas redes de farmácia perderiam muito em seus mirabolantes lucros.
 
 
TROVAS:
 
Fitei, fitei tua face,
beijei, beijei tua ausência
e pensei, se eu não te amasse,
eu não teria existência.
NEIDE AZEVEDO LOPES.
 
A solidão muito abate,
seja qual for o mortal,
e quem na dor se debate
padece agrura do mal.
ANTENOR GOMES DE BARROS LEAL +
 
O Brasil e Portugal
jamais se separarão
Fraternos no mesmo ideal,
possuem um só coração.
DULCE SIQUEIRA - Pernambuco.
 
A pior coisa do mundo
é o amor louco e incontido
que de tão grande e profundo
termina sem ter sentido...
CID CARVALHO.
 
Que o trovador lá de cima,
nosso Poeta Preferido,
mostre o bem, o amor, a rima
e seu rastro a ser seguido.
VÂNIA MARIA SOUZA ENNES - Paraná.
 
Desfilou com quase nada
“vestindo” tanga de gaze...
Vibra em coro  a arquibancada;
Queremos ver sem o quase!!!
LÊDA COSTA LIMA +
 
A mulher não sei de quem,
no ensejo de um ruge-ruge,
deixou na face de alguém
manchas de batom... de ruge...
SINÉSIO CABRAL +
 
Uma trova de  rima rica
pode mostrar, com emoção,
toda centelha que fica
no fundo do Coração.
IDA DUTRA SACRAMENTO - Minas Gerais.
 
No amigo sempre devemos
cegamente confiar
às vezes até batemos
e carinho ele vem dar.
GENÉSIO CABRAL.
 
“O Jornalismo é o sistema nervoso da Sociedade e o Jornalista precisa ter o sentimento da coisa pública. E acima de tudo é preciso paixão. Sem paixão não se faz nada de grande!” (Jornalista Pompeu de Sousa +) Cearense radicado no Rio de Janeiro, depois em Brasília. foi um brilhante Senador da República Brasileira).
 
vicentealencar25@yahoo.com.br

ARTIGO - Novo Paradigma (FCVT)

 NOVO PARADIGMA
Francisco Cadorno Vasconcelos Teles*


Descobertas e invenções na ciência são geralmente revolucionárias em si mesmas. O progresso científico condicionado pela flexibilidade e pela mente aberta são as qualidades necessárias para compor uma nova perspectiva sociocultural. 

Segundo Thomas Kuhn em A Estrutura das revoluções científicas “(...) Se o número de estudiosos não foi marcado por isso, e em grande medida, não haveria revoluções científicas, nem o subsequente progresso da ciência”.  (Kuhn 1985, p.318) 


A sociedade padece entre achismos e opiniões. Sentimos atualmente uma crise no paradigma que envolve ciência, cultura e sociedade, e lembrando que os inúmeros movimentos de transformação social, sejam eles radicais ou utópicos, que as últimas décadas viram surgir, tiveram, como articuladores em sua principal força, a juventude. 

Do ponto de vista social, dentro do grande poder de mobilização e pela natureza das ideias que circulam, a juventude de nosso país passa por uma situação limítrofe entre cientificismo e pseudocientífico. Onde está o discurso dentro da prática social que baliza esses jovens? O exercício sistemático da tecnologia como crítica está conseguindo debater realmente os problemas de nossa sociedade?

Novos atores históricos são importantes nesse contexto nesse tumultuado debate político-cultural. Temos que fugir de abordagens reducionistas, das especializações estreitas e análises estatísticas parciais que são propagadas virais em redes sociais e aplicativos de mensagens rápidas. Resíduos de conhecimento são jogados e apesar da divergência entre a visão de mundos, convergem entre as faixas etárias corroborando para o momento atual.

Culpabilizar não é o caminho. As divergências e as controvérsias devem ser analisadas em várias frentes. É importante salientar ainda que a ideia de que à juventude cabe sempre o papel de renovação da ordem social é um tanto quanto limitada. 

Devemos enaltecer as realizações científicas e deixa-las se aproximar do convívio da maioria da sociedade, rejeitando as ideologias anticivilizatórias e o misticismo, e incutir na juventude valores e percepções holísticas e desenvolver os campos das ciências inter e multidisciplinares para compor um novo paradigma da ciência. Uma ciência mais humanística, cultural, sistêmica e holística para uma sociedade mais justa.

ARTIGO - Direito e Legitimidade (RMR)

 DIREITO E LEGITIMIDADE
Rui Martinho Rodrigues* 

 

A relação entre direito e política pode ser encarada como uma dinâmica circular; sem uma anterioridade lógica concernente a legitimação de um pelo outro destes fatores (Norberto Bobbio, 1909 – 2004, “Teoria geral da política”). O Direito precisa ser reconhecido pela política e a política não tem legitimidade sem o Direito. Poderíamos acrescentar: certos aspectos do Direito podem ser considerados como o imperativo categórico (Immanuel Kant, 1724 – 1804, na obra “Fundamento da metafísica dos costumes”). Assim estaríamos nos colocando além do o historicismo e do antropocentrismo do juspositivismo. 

Considerar o direito natural como anterior à política, na lógica da legitimação, é ignorar os aspectos puramente técnicos do Direito e é um debate próprio da zetética, onde as discussões são intermináveis e invocam a subjetividade das convicções inafastáveis do Direito e da política. É aí que o direito legitima a política e no curso da função legiferante, que atividade política por excelência. Mas as convicções são controversas. 

A reflexão filosófica não precisa ter fim, ser aceita por todos ou dirimir conflitos. O Direito, mormente no campo processual, precisa chegar a uma conclusão e pacificar litígios. Jusnaturalistas ou juspositivistas, precisamos oficializar referências pelas quais as pendengas sejam solucionadas. 

Reconheçamos a política como fonte de legitimação do ordenamento jurídico, diversamente dos regimes teocráticos; reconheçamos o Direito como legitimação da política, sob pena de consagrarmos o absolutismo. A legitimação circular entre Direito e política, sem uma anterioridade lógica entre ambos é consistente. Lembra a síntese dos contrários, da dialética de Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770 – 1831).


O direito natural é invocado como fundamento do Estado do bem-estar. Mas diversamente do direito sinalagmático, não tem a exigibilidade contra terceiros (obrigação de fazer). Propõe direitos potestativos. Impõe a todos o respeito a certos valores e interesses. Proíbe que se obstaculize a fruição de certos bens jurídicos. Não é patrocínio. Todo homem tem direito a uma companheira (não é bom que o homem esteja só, Gênesis, 2; 18). Mas nenhuma mulher é obrigada a satisfazer tal direito, nem o Estado. 

Garantir o desfrute dos direitos de segunda geração via patrocínio do Estado é estatizar a solidariedade e as obrigações morais. Permite a confortável sensação de ser virtuoso sem nenhum ônus. O distributivismo fiscal é pensado para redistribuir a renda dos outros. Quem queira distribuir a própria riqueza não precisa da intervenção do Estado para tanto. 

Obrigação de fazer confere poder ao obrigado. O leviatã obrigado a tudo, tudo pode. “Quem come do meu pirão apanha do meu cinturão”, diz o provérbio. Saúde como direito de todos e dever do Estado faculta ao Leviatã controlar o consumo de açúcar, sal, gorduras, tabagismo, álcool, expropriar bens. Há até “críticos” do socialismo (sem saber que assimilaram ideias desta corrente) que consideram ganhos de um executivo de uma empresa, recebendo, digamos, salário de quinhentos mil reais, uma imoralidade. Trata-se de visão equivocada sobre justiça e evolução histórica do bem-estar (Friedrich August von Hayek, 1899 – 1992). 

A reserva do possível é negligenciada pelos arautos do welfare state que invocam John Maynard Keynes (1883 – 1946). O famoso economista respondeu, sem nenhum rubor na face, quando indagado sobre o endividamento do Estado, que a longo prazo todos estaremos mortos.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

NOTA ACADÊMICA - ACLJ - Primeira Reunião Presencial de 2021

 ACLJ
PRIMEIRA REUNIÃO
PRESENCIAL DE
2021

 



Sucesso absoluto a primeira Assembleia Geral deste ano,  em que foi outorgado o título de DESTAQUE CEARENSE ao Dr. Cabeto Martins Rodrigues, Secretário da Saúde do Estado do Ceará, ao empresário Alexandre Sales, o primeiro triticultor do Ceará,  e ao humanista benemérito Igor Queiroz Barroso, do Instituto Myra Eliane.

O Dr. Cabeto recebeu o Troféu Prasinus Angelos (Anjos de Esmeralda).



O empresário Alexandre Sales o Troféu Empreendedores Brasileiro.


O humanista Igor Queiroz Barroso, representado pelo seu primo Sávio Queiroz Costa, o Troféu Benemerência Brasileira.

  

Enquanto no velho normal se fazia um esforço ingente para lotar os auditórios durante as nossas Assembleias Gerais, desta vez foram selecionados poucos convidados, e convocados poucos acadêmicos, em razão das limitações do protocolo sanitário.




Mesmo assim, com um público de trinta pessoas muito selecionadas, o evento, na Sala Carlos Studart do BS Design, na noite desta terça-feira dia 05, se revestiu de muita beleza e emoção, tendo em vista os discursos comovidos proferidos pelos homenageados e pelos proponentes de seus nomes.









Compuseram a Mesa de Honra o Presidente Reginaldo Vasconcelos, o Presidente Emérito Rui Martinho Rodrigues, o Magnífico Reitor Cândido Albuquerque, Membro Titular da ACLJ, e a condução da solenidade coube ao confrade Vicente Alencar.



Alexandre, referência da triticultura no estado do Ceará, foi um nome proposto por Marcos para receber a homenagem. Este proferiu um discurso ressaltando os méritos do empresário na ocasião. 

A seleta assembleia, que aconteceu na Sala Carlos Studart do BS Design, empreendimento do Membro Emérito da ACLJ, Beto Studart, contou com a presença de nomes como Paulo Ximenes, Karla Karenina, Sávio Queiroz Costa, Humberto Ellery, e Vicente Alencar. 

Além do presidente Reginaldo Vasconcelos, o presidente emérito Rui Martinho Rodrigues, o Magnífico Reitor Cândido Albuquerque, Membro Titular da ACLJ e as presenças virtuais de Cid Carvalho, José Augusto Bezerra e o Prof. Dr. Edmar Ribeiro, que gravaram mensagens em vídeo.

Referência especial ao jornalista Arnaldo Santos, titular da Cadeira de nº 13 da ACLJ, um dos presentes a essa Assembleia Geral Extraordinária, da qual ele foi um dos mais atuantes e efetivos colaboradores, como integrante da Decúria Diretiva da confraria, dando respaldo ao Presidente Reginaldo Vasconcelos  desde os debates sobre a eleição dos nomes propostos, até a arrecadação de recursos financeiros para viabilizar o evento  tendo sido um dos mais ferrenhos defensores da proposta do empresário Beto Studart em favor do agraciado Dr. Cabeto Martins Rodrigues, pela sua justa inclusão entre os grandes destaques deste ano.    






Sem sombra de dúvida, foi a mais elegante e emocionante de todas as reuniões presenciais realizadas pela ACLJ em seus longos 10 anos de existência.





 






O evento teve cobertura integral de equipe de reportagem do Sistema Verdes Mares, e teve registro vídeo-fotográfico da CL Produções. 

Eis abaixo o link para o vídeo com a cobertura cinegráfica do evento.

https://drive.google.com/file/d/1aHFT2sTaocerJ9d-rKE3PNcCwDlWp4FG/view




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Abaixo, o jornalista gaúcho Alexandre Garcia, da emissora americana de televisão CNN, na sua sucursal brasileira, registra os méritos do nosso homenageado Alexandre Sales em empreender em triticultura no Estado do Ceará, de forma pioneira, com grande sucesso.



domingo, 3 de janeiro de 2021

CRÔNICA - Cúmplices do Adélio (RV)

CÚMPLICES
DO
ADÉLIO
 Reginaldo Vasconcelos*


Desde a tentativa de assassínio de Bolsonaro pelo sicário Adélio Bispo, vão se juntando ao falso louco outros loucos verdadeiros que atacam o Capitão de forma covarde e motivo torpe, com as armas de que dispõem, sejam as togas do Judiciário, sejam as gambiarras da TV.


Sim. O Presidente é meio insano, pois fala pelos cotovelos e não tem papas na língua. Político há décadas, nunca aprendeu a fazer política – essa técnica de vale-tudo, inclusive a perfídia, principalmente a traição, a subserviência, notadamente a dissimulação e a mentira deslavada. 

Pois um dia desses acusavam o Mito de ser mitômano, quando o seu grande pecado é exatamente a desmedida franqueza, indiferente ao que a sabedoria reza: “Aquilo que não é preciso dizer, é preciso não dizer”. Ele diz. E diz tudo. É o rei do “sincericídio”. 

Bolsonaro é mestre no que em Direito se denomina “excesso de linguagem”. Mentira? Onde? Quando? A turma da tripa forra” viciada no erário, as viúvas da esquerda corrupta, os inimigos das liberdades alheias, os amantes das ditaduras, estão todos empenhados nessa sanha difamatória. Debalde. O homem é como massa de pão: Quanto mais batem nele, mais ele cresce. 

Ora, o Presidente é uma caricatura viva, cria os seus próprios “memes”, não se peja em lavar cuecas ante as miríades de paparazzi, profissionais e amadores, e de usar expressões macheiras sobre homossexuais e sobre mulheres. “Nem aí” para as patrulhas do politicamente correto. E ele mente? Sobre o que? 

Agora lhe concedem o falso título de “corrupto do ano”... Corrupto? Como assim? Quem o corrompeu? Quem ele comprou? Quais empreiteiras o presentearam? Cadê as contas em paraísos fiscais? Não. Não há “sinais exteriores de riqueza”. 

Pelo contrário, nesta pandemia, a corrupção grassou entre os governadores e prefeitos, antípodas de Bolsonaro que o Supremo Tribunal “empoderou. Vamos dizer que o Bolsonaro é feio, que é grosso, que tem a língua presa, que fala com uma macaúba na boca, que foi deselegante com a bela mulher do Presidente Macron. Mas, corrupto? Não...

Esse título de corrupto pespegado ao Bolsonaro é o suprassumo da pós-verdade, não tem fundamento, foge às lições de Antonio Gramsci e segue os ensinamentos de Joseph Goebbels: “As mentiras repetidas se tornam verdades”. Mas, no fim e ao cabo, a verdade é que Hitler perdia a guerra e não adiantava mais ao seu Ministro da Propaganda tentar negar os fatos. 

Na verdade, “a mentira tem pernas curtas”. E quanto mais mente a Globo, quando mais investe George Soros, quanto mais a esquerda fascista se rebola, quanto mais cumplices de Adélio Bispo brandem as suas facas cegas, mais o “bezerro de ouro” da Internet se agigante e conquista mais adoradores. 

Eu me lembro da fábula de “João e o Lobo”. Tanto o menino João mentiu sobre o aparecimento de um falso lobo, que quando a fera apareceu de fato devorou a si e o rebanho, pois ninguém mais acreditou nele.

          

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

CRÔNICA - A Inveja, Mais Uma Versão e Alguns Palpites (JSN)

 A INVEJA,
MAIS UMA VERSÃO E
ALGUNS PALPITES
 João Soares Neto*


“Quem inveja é porque quer o que não tem. Por que uns, e outros não? O mundo é assim”. ANNA VERÔNICA MAUTNER 

 

Você, caro leitor, como se sente? A inveja passa longe de você? Vivemos em um mundo em que os valores das pessoas podem deixar crer que são os bens que elas possuem que as fazem invejadas. Se forem esses os seus únicos valores, cobre delas, mesmo que muito tenham e alardeiem para deixar bem claro quem são no mundo da aparência ou do interesse. O pintor Salvador Dali, no auge da fama, por ele próprio estimulada, com sua vida tão surreal quanto as suas pinturas, ousou dizer: “O termômetro do sucesso é apenas a inveja dos descontentes”. Ele parecia ter ouvido o que falava o escritor Oscar Wilde, tão sofrido com a sua vida pessoal exposta e julgada: “O número dos que nos invejam confirma as nossas capacidades”. 

Mautner insiste: “E por que será que falamos tão pouco da inveja quando ela ocupa tanto espaço na nossa vida? Uma resposta plausível é que a gente prefere não pensar na nossa relação com os pecados que cometemos frequentemente”. Estranho que uma psicanalista fale de pecado como sentimento de culpa por algo que desejamos e não temos. Eu substituiria a palavra pecado por erro ou falha de caráter. O pecado pressupõe a crença em uma atividade maior que absolve ou culpa. Em fim, julga. O erro faz parte da humanidade e é, algumas vezes, desenho do aprendizado. Erro porque sou humano, e esta foi a forma que  encontrei para aprender e não para invejar o outro.

Moderna, Anna fala que “a tecnologia parece atender a vontade infinita que temos de ser invejados. Estou em uma festa, em um restaurante e espalho isto para o meu mundo virtual. Basta ser meu amigo no Facebook para eu alcançá-lo”. Será que estaremos felizes apenas por mostrar as nossas companhias, os lugares que frequentamos, a estética das mesas de que participamos?

Creio que admitir que alguém tenha inveja de outro a partir de registro fotográfico ou de uma gravação amadora é presunção egoísta e de efeito relâmpago. Apaga-se o flash, desliga-se a câmera e o ambiente charmoso fica à espera do olho do outro, daquele que não está a participar do festim que tornou alguém exposto de forma infantil e nada sutil. 

Ariano Suassuna, no jeito peculiar dele, fala sobre a morte – como o fim da inveja – no “Auto da Compadecida” e mostra que invejosos e invejados morrem. Leiam-no: “Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre”. 

A própria Bíblia dá muita atenção ao tema inveja. Dois exemplos. Gálatas 5:26: “Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros”. Por sua vez, em Tiago 3:15 está dito: “Mas se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Esta não é a sabedoria que vem do alto, mas é  terrena, animal e diabólica”. 

Nesta história de inveja é preciso saber a quantas anda a autoestima das pessoas. Esta que oscila como os mares e as fases da lua e não nos assegura que o olho do outro fique de acordo com o que a nossa vaidade quer que ele enxergue, perceba, veja e, enfim, inveje. Mas, se alguém precisa da inveja do outro para se afirmar como um ser maior, estará a cada passo, diminuindo a sua estatura como refém do olhar de outrem, muita vezes perdido em suas próprias angústias e incapaz de, sequer, notar o outro. Alguém que não seja ele. 

01/08/2014  


João Soares Neto  in Crônicas Datadas   2019  



 

COMENTÁRIO 

Apresento mais alguns "palpites" para essa ótima crônica do livro de João Soares Neto. Pedro Nava refere a um amigo de juventude que prosperava em tudo que tentava, e sobressaía em tudo que fazia. Passava em todos os concursos em primeiro lugar, recebia láureas por honra ao mérito, era promovido para posições “o-de-penacho”, sempre se destacava “suma cum laude”. 

Então, para evitar a inveja dos amigos, a cada bom sucesso espalhava sobre si mesmo um infortúnio fictício: diagnóstico de uma doença grave, perda nas culturas da fazenda da família, malogro nos negócios... Ele não queria ser invejado, talvez porque tivesse a superstição de que a inveja alheia prejudicasse o invejado – processo que para mim dá-se ao contrário. 

Pessoalmente não tenho essa visão de que toda a inveja seja má. Existe a dita “inveja branca”, a que se faz referência quando louva algo com o adjetivo "invejável". Ela exulta com a boa sorte do invejado e estimula o invejoso a obter os mesmos júbilos. É a mola propulsora do progresso daqueles que apenas querem seguir o fluxo e ascender a novos patamares, unindo-se aos bons e nunca pensando em aniquilá-los (sentimento catabólico de inveja maléfica para o qual o idioma alemão têm uma palavra: “Schadenfreude”). 

Isso difere bem do sentimento de justiça que um experimento com macacos demonstrou ser um instinto natural. Dois pequenos símios colocados em gaiolas vizinhas recebiam todo dia uma ração determinada, que ambos ganhavam de bom grado e delibavam normalmente. De repente o tratador passou a fornecer uvas suculentas a um deles, servindo ao outro o alimento corriqueiro. 

Este último, então, observando a injusta discriminação, passou a rejeitar a ração que lhe satisfizera até então. Gritava, pulava, atirava contra o tratador o alimento que lhe era servido, inferior ao que recebia o outro macaco – e fez greve de fome até que se lhes igualasse o tratamento. Mas é notar que não investia contra o beneficiário das uvas, mas apenas se revoltada contra a iniquidade do destino. 

Reginaldo Vasconcelos