quinta-feira, 8 de maio de 2025

CRÔNICA - Memórias da Beira Mar (TL)

 MEMÓRIAS
DA BEIRA MAR
Totonho Laprovitera*

 

 Os momentos especiais de hoje são
as memórias de amanhã.” (Aladdin)

  

No Mercado dos Peixes, lembrei-me dos pescadores carregando pescados em enfieiras sobre os ombros. Pela cidade, ao serem chamados pelos fregueses, tratavam o peixe fresco ali mesmo, nas calçadas, deixando as escamas como marcas de suas passagens. 

Na bela Enseada do Mucuripe, reduto histórico a partir da bravura dos jangadeiros, guardo recordações das redes de pesca presas aos calões. Foi naquelas águas onde tomei meu primeiro banho de mar, durante uma temporada passada em uma casa à beira mar.

 

Recordo-me da Avenida Beira Mar – ainda uma via estreita de mão dupla, na época – sendo asfaltada no início dos anos 1960. Lembro-me também das peixadas e da casa de Luiz Gonzaga, amigo do papai, de onde, do sobrado, assistimos a uma animada gincana automobilística, disputada por jovens casais. 

No Mucuripe, era comum vermos casas de palha, pescadores típicos e jangadas de piuba – indo ou voltando do mar. Era a alegria e a paz do sustento de todos, abençoado nas missas da Capela de São Pedro, ou dos Pescadores, guardiã há 150 anos dos valores culturais da cidade e, sobretudo, dos moradores do bairro. 

Uma vez, bem criança, na praia do Iate Clube, do qual meu pai foi um dos primeiros sócios, eu me perdi da família ao me afastar entre as pessoas. Chorando, tentei encontrar nosso carro pelo instinto, mas felizmente fui achado e levei um carão do tamanho de um bonde. 

Nos anos 1970, descobri a vida noturna do Mucuripe, entre bares, peixadas e encontros. Frequentava a casa de Cláudio Pereira, um espaço democrático, cheio de artistas e intelectuais, e o bar do Anísio, onde descobri a crônica de costumes, desenhando e escrevendo. 

De lá para cá, era a Beira Mar do Alfredo “Rei da Peixada”, Aquarius, Badalo, Baiuka, Bem, Benzinho, Coqueluche – com luz negra! – Dom Victor, Escorrega, Expedito, Hong Kong, Martins, Peixada do Meio, Sandra’s, Tocantins, Trapiche e Trastevere. Das boates Meia-Noite, Fortim e Barbarella. Era a Fortaleza das tertúlias nos clubes Diários, AABB, Náutico e Iate. Era a Fortaleza ainda adolescendo. 

Mas também havia, na calçada da praia, as mesinhas com geladíssima cerveja, deliciosa caipirinha de limão e o enfarofado churrasquinho de gato. Para a higiene dos fregueses, uma bacia de flandres com água servida para lavar copos e utensílios. 

De primeiro, fazia parte do roteiro de entretenimento dos fortalezenses dar uma volta de carro pela Beira Mar. Mas essa já é uma história que contarei depois.

segunda-feira, 5 de maio de 2025

CRÔNICA - Habemus Novas Papisas Acadêmicas (RV)

HABEMUS
NOVAS PAPISAS
ACADÊMICAS
Reginaldo Vasconcelos*

 

CONCLAVE

Antes de tudo, quero rogar a Deus que ao receber em sua Corte Celeste Jorge Bergoglio, o Papa Francisco, que lhe feche as oiças às nossas queixas contra ele, que não eram feitas de ódio, mas de incômodos naturais pelas nossas divergências filosóficas em relação aos próprios preceitos da religião católica que professamos e cuja Igreja era por ele chefiada – nós no exercício do livre pensamento das pessoas comuns, ele escravo das altíssimas responsabilidade de líder espiritual universal.

Resta-nos esperar que Paráclitos – a vertente divina que opera no espírito das pessoas e que inspira a sua mente, oriente os membros do conclave para a escolha de um sucessor ao trono de Pedro à altura de São João Paulo II, um indivíduo com uma lúcida visão de mundo e um caráter hagiológico, ou, pelo menos angelical, para honrar a memória de Jesus, o homem, e a sábia mensagem do Cristo, a vertente racional da divindade que encarnava. 

Que entenda, como o referido Papa santo, que lhe cabe dar exemplo e aconselhar o seu rebanho na direção da virtude, da bondade, da tolerância, da paz, do acolhimento, mas tendo a sapiência de se resignar à vontade imponderável de Deus-Pai – em vez da veleidade ou presunção de poder alterar o curso natural do destino do mundo revolucionando a sociedade.

Enfim, os bons cidadãos têm que optar por fazer o bem a qualquer um, sempre que lhes for possível e oportuno, e por não fazer mal contra ninguém, respeitando as pessoas, indiscriminadamente, pela sua simples condição humana e pelas suas virtudes, e não pela sua situação patrimonial ou financeira. Aos sacerdotes compete a missão da caridade, o que para os demais é prazerosa faculdade. 


FUMAÇA BRANCA NA ACADÊMIA

Saudamos as novas confreiras da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo (ACLJ), a Liana Ximenes Lessa e a Gabriela de Palhano, que na noite desde dia 03 de maio, durante a 7ª Reunião da Arcádia Alencarina, entraram para a imortalidade acadêmica, duas joveníssimas senhoras que vêm trazer a graça da juventude à confraria, e se somarem à ilustre ala feminina com a sua intrínseca beleza feminil, até porque as mulheres são as rainhas do Universo.

A começar pela augusta figura de Maria de Nazaré, a mãe do Santo Cristo, e, em suma, as mães e irmãs de todos nós, bem como as nossas sempiternas companheiras, assim também as nossas filhas e netas adoradas.

LIANA XIMENES LESSA


Liana, operadora do Direito no âmbito federal, sucede ao pai na ACLJ, o poeta Paulo Ximenes, que aplicava a sua poesia não somente em versos mas também na prosa graciosa de suas crônicas. 

Por exemplo, sobrinho do fundador do Náutico Atlético Cearense (o empresário Pedro Coelho), Paulo ganhara do tio uma valiosa ação de sócio proprietário do clube, que ainda estudante vendeu para custear o pretenso noivado com uma primeira namorada – idílio que não prosperou, mas que rendeu uma crônica tragicômica maravilhosa desde o título, aproveitado em um de seus livros: “Anotações de um Ex-Sócio do Náutico”. 

Engenheiro Agrônomo chapa-branca, já se poderia aposentar mas não deixavam, recorrendo a ele sempre que a repartição precisava trafegar por ciências mais humanas do que exatas, como quando foi convocado pelo superintendente do órgão, a que servia quase desde a fundação, para a produção de uma obra sobre a história da entidade. 

Era Membro Fundador da confraria literária e legou a sua Cadeira de nº 12 à filha que herdou os seus dotes intelectuais e o seu pendor ao beletrismo.

GABRIELA DE PALHANO


Gabriela, por seu turno, jovem jornalista de nomeada, com passagem por grandes emissoras de televisão e detentora de prêmios de reportagem, retornou ao seu Ceará para emprestar a sua experiência na imprensa nacional ao matutino da família.
 

O Estado, um dos dois mais tradicionais jornais da cidade, ainda na dignidade física do papel impresso, seguramente o mais charmoso, credibilizado e independente noticioso cearense, foi adquirido há muitas décadas e dirigido por seus avós Venelouis e Wanda, até a morte de cada um, empresa hoje sob a batuta da filha do casal Soraya Palhano, mãe da Gabriela. 

Wanda Palhano foi uma deusa da beleza cearense na sua juventude, cotada para ser Miss Ceará e Miss Brasil, mas em razão da morte de sua mãe nas vésperas do concurso desistiu de concorrer. Depois formou-se em Direito, na faculdade conheceu o futuro marido, tornando-se um dos ícones do jornalismo no Estado. 

Fundadora da ACLJ, ao falecer, em 2017, Dra. Wanda ascendeu ao panteão dos Membros Beneméritos, legando agora a sua Cadeira de nº 7 a sua neta, que vem abrilhantar o elenco feminino da entidade. 

Parabéns a ambas, a Procuradora da Fazenda Nacional Liana Ximenes Lessa e Jornalista Gabriela de Palhano, duas novas papisas da literatura e do jornalismo cearenses. 

         

sábado, 3 de maio de 2025

Análise Crítico-Literária do Soneto Barbeiro de Antanho (SN)

ANÁLISE CRÍTICO-LITERÁRIA
DO SONETO BARBEIRO 
DE ANTANHO 

Sousa Nunes*


(Decodificação para Língua Prosa)

 

 

 BARBEIRO DE ANTANHO

Vianney Mesquita

(Rimas Encadeadas nos Quartetos)

 

Se crês que, deixando crescer a barba, adquires sabedoria, o bode de lindo ornato já nasce um Platão completo.  [LUCIANO DE SAMÓSATA, literato turco. Província Romana da Síria - Turquia, 125; Atenas, 181). Obs. Não usava barba.

 

 

Nívea, repousa na minha lembrança,
Descansa esta memória dos barbeiros,
Matreiros, profissionais brejeiros,
Labrocheiros, porém com temperança.
 
Na dança de apólogos passageiros,
Ligeiros – e se freguês criança? –
Não cansa o intento da autoconfiança
Na mansa via dos cabeleireiros.
 
Caiçara ou caipira analfabeto,
Certo e errado, porém diz direto
No mesmo ensejo em que o cliente anui.
 
Na barba fluiu sangue após raspagem
De sorte que ele faz esta abordagem:
Quer “arco”, quer “tarco” ou quer que “ mui”? 

 

O soneto decassílabo lusitano Barbeiro de Antanho, do escritor palmaciano-cearense Vianney Mesquita, propõe uma fotografia pitoresca, bem-humorada e de leve sabor memorialista de uma figura típica do cotidiano antigo: o barbeiro popular. Inspirando-se, subsidiariamente, na epígrafe irônica de Luciano de Samósata – que ridiculiza a associação entre barba e sabedoria -, o poema constrói um painel de costumes em que a simplicidade popular é retratada com afeto e aguda percepção crítica. 

TEMA E TÍTULO 

O título, Barbeiro de Antanho, indica de imediato a perspectiva nostálgica: constitui o retrato de um tempo passado (“antanho”) em que o barbeiro era uma figura central em pequenas comunidades – conforme era a Palmácia do Poeta – tanto como profissional quanto na qualidade de contador de histórias, centro de conversas e, às vezes, quase uma espécie de “filósofo” popular. 

O mote central é a relação entre aparência e sabedoria – ou melhor, a falta de compasso entre elas -, tratado de modo irônico e afetuoso, em chave de crônica consoada - e com rima encadeada nos quartetos. 

LINGUAGEM E ESTILO 

A linguagem é viva, coloquial em muitos momentos, mas cuidadosamente elaborada. Expressões como “matreiros”, “brejeiros”, “labrocheiros” conduzem riqueza sonora e intensa conotação cultural, aproximando o leitor do universo simples e rústico evocado. 

O humor está em todo o poema, mas não é uma graça depreciativa, pois constitui uma celebração da autenticidade popular, mesmo quando mistura erro e acerto, sabedoria e ignorância (“Caiçara ou caipira analfabeto, /Certo e errado, porém diz direto”). 

O soneto é estruturado em versos decassílabos que fluem com leveza e agrado, reforçando a impressão de naturalidade e espontaneidade.

ESTRUTURA ARGUMENTATIVA 

As estâncias se organizam em duas etapas principais:

– Nos quartetos, evoca-se a memória dos barbeiros como tipos populares, destacando sua astúcia, alegria e modesta autoconfiança, mesmo diante de suas limitações. 

– Nos tercetos, mostra-se uma miúda cena humorística: após um corte de barba malfeito que provoca sangramento, o barbeiro oferece ao cliente, com seu linguajar pitoresco, três opções de “tratamento”, cuja pronúncia mal articulada reforça o retrato carinhoso de sua simplicidade. 

A progressão da poesia é narrativa e visual, como uma pequena crônica, rimada em miniatura. 

SIMBOLISMO E FILOSOFIA 

O barbeiro de antanho representa mais do que um tipo social, porquanto é símbolo de uma sabedoria instintiva, prática, muitas vezes desprovida de educação formal, mas cheia de experiência de vida. Em contraste com a falsa ideia de que a aparência (como o uso da barba) conduz automaticamente à sabedoria – ironizada já na epígrafe – o conjunto poemático sugere outra modalidade de erudição: aquela que nasce da vida simples, da prática cotidiana e da convivência direta, experimentada por V.M. na Palmeiras de antanho, hoje Palmácia. 

Há também um leve subtexto sobre as ilusões humanas: tanto o cliente quanto o barbeiro/cabeleireiro aceitam os acidentes da vida (como o corte acidental) com resignação e humor, sem dramatismo – uma lição tácita sobre aceitar as imperfeições com leveza. 

TONALIDADE E MUSICALIDADE 

O tom do poema é leve, bem-humorado e nostálgico, com momentos de ironia suave. A musicalidade é bem trabalhada: as rimas nos quartetos e tercetos concedem a essa produção poética uma cadência agradável, quase conversacional, que reforça o espírito de anedota viva a perpassar toda a composição. 

REMATE 

Barbeiro de Antanho é um soneto de memória afetiva e crítica branda, em que Vianney Mesquita combina humor popular, ironia filosófica e grande habilidade formal. Mediante a estampa do barbeiro rural, o Poeta recobra um mundo desaparecido, mas o faz sem saudosismo ingênuo: é um olhar lúcido, que reconhece as limitações daquele universo, mas também celebra sua autenticidade e lhe festeja a vitalidade. 

A combinação de linguagem rica, ritmo fluido e crítica sutil torna a composição sob comento uma peça deliciosa de ler e de reler, oferecendo tanto prazer estético quanto alimento para a reflexão sobre as falsas aparências e o valor da sabedoria prática.


 

quinta-feira, 1 de maio de 2025

ARTIGO - Ana Paula Ribeiro - Vianney Mesquita (SN)

Excursão da Prof.a. Dra. Ana Paula de M. Ribeiro pela mais Recente Produção de Vianney Mesquita
 Sousa Nunes*


As cores esboçam o corpo, entretanto o que delineia a alma são as obras (FRANCISCO DE QUEVEDO Y VILLEGAS)

 



Assinala Quinto Horácio Flaco, em sua Arte Poética: Muitas palavras que já caíram renascerão, e as que agora estão em voga e estimação também hão de cair, se assim o quiser o uso, o qual é o juiz, o árbitro da linguagem. 



Vem o sábio Napoleão Mendes de Almeida e completa: Não disse HORÁCIO que tanto mais caprichoso é o uso de um idioma quanto menos escolas tem a Nação que o fala? De tal forma se entranham solecismos e barbarismos no falar de universitários que de estranho nada se poderá encontrar dentre pouco na afirmação de que a língua que se fala no Brasil não tem gramática nem vocabulário que a caracterizem. Se não há muito escarnecia-se o erro, hoje o estudioso e lido é o que se escarnece (Dicionário de Questões Vernáculas).

Assente neste fertílimo terreno regado por Quevedo, Horácio e N. M. Almeida, reporto-me a uma alteada manifestação de Ana Paula em relação ao novo livro, Reservas da minha Étagère, do Prof. Vianney Mesquita (Arcádia Nova Palmaciana / Academia Cearense de Literatura e Jornalismo – 2024), ao se debruçar com rigor e sensibilidade sobre essa obra monumental, em texto editado aqui na ACLJ, em 24 de abril recém transato (Nas Prateleiras do Gênio).

Ana Paula de Medeiros Ribeiro, além de cumprir a exigente tarefa de análise crítica, o fez com a rara firmeza de quem alia erudição sólida a uma percepção estética apuradíssima. 

Sua resenha, moldada com a argúcia de quem compreende o labor e a vastidão de uma inteligência em estado de emoção contínua, é, ela própria, um tributo à obra que comenta. 

De frase em frase, desenha-se o contorno da grandeza do Autor comentado, ao mesmo tempo que o lê e decodifica com visão atenta à arquitetura da linguagem e à tessitura do pensamento. 

A obra de Vianney Mesquita, densa, original e inconfundível, procede de uma inteligência invulgar – dessas que transitam com igual desenvoltura pela reflexão filosófica, via crítica filológica e caminho da expressão literária, compondo um conjunto que desafia classificações fáceis e exige do leitor atenção e, particularmente, reverência. 

Há na pena de Ana Paula admirável configuração de clareza e profundidade, sobriedade e entusiasmo discreto – virtudes raras, que fazem de sua resenha um juízo acerca de uma produção científica, literária e, mormente, um gesto de verdadeira celebração intelectual.

Ante a grandiosidade do Autor e da inteligência da Leitora sob escólio e que o examinou, resta-me o grato sentimento de que a palavra escrita continua sendo, em mãos de tal modo hábeis, o mais nobre veículo da permanência e da consagração. 


quinta-feira, 24 de abril de 2025

ARTIGO - Nas prateleiras do Gênio (APMR)

 NAS PRATELEIRAS
DO GÊNIO
(Excursão em Reservas da minha Étagère, de Vianney Mesquita)

Ana Paula de Medeiros Ribeiro*

 

A verdadeira facilidade de escrever provém da arte e não do acaso. ALEXANDER POPE.

       

Ler Reservas da minha Étagère foi como ingressar em uma cápsula literária, ser arremessada para dentro de um caleidoscópio e orbitar entre múltiplos arranjos de erudição e de estilo.

A obra, publicada em 2024 pela Expressão Gráfica, apresenta-se como um relicário! São vinte e cinco peças exímias de apreciação crítica que revelam o pensamento vasto e a inteligência singular do autor. 

Vianney Mesquita, mestre de estirpe intelectual elevada, imortal da Academia Cearense da Língua Portuguesa, da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo e da Arcádia Nova Palmaciana (fundador) e cultor supremo da língua, finca sua pena nas 180 páginas da obra com a elegância de um espadachim clássico. 

Cada capítulo, ora ensaístico, ora dissertativo, por vezes laudatório, apresenta-se como uma obra repleta de refinamento vocabular e exatidão sintática que fazem da leitura um exercício de elevação intelectual. 

A diversidade temática presente no livro é sobremaneira notável: Filosofia, História, Direito, Educação, Medicina e Literatura. As obras apreciadas, de autores oriundos das mais prestigiadas universidades do Ceará e de fora dele, ganham, sob o crivo de Vianney, uma releitura que transcende o comentário acadêmico. Sob a visão de Vianney, tornam-se peças dialógicas e intertextuais que expandem o conhecimento que já traziam originalmente. 

O estilo de Vianney possui feição inconfundível! Suas escolhas léxicas e a orquestração da pontuação conduzem o leitor em trilhas sonoras, musicadas sintaticamente como o fazem os grandes escribas da língua portuguesa. 

Não bastasse a excelência das apreciações, o fecho do volume é coroado com oito textos laudatórios redigidos por distintos autores sobre obras do próprio Vianney, um epílogo que não apenas homenageia, mas ratifica o lugar de destaque que ocupa o autor nas letras brasileiras. 

A excursão pelas prateleiras do gênio fez-me rendida pelo encantamento do rigor, da erudição e da poesia de sua inteligência! 

Foi raro deleite! 

Fortaleza, 22 de abril de 2025.


sábado, 19 de abril de 2025

NOTA ACADÊMICA - 15ª Assembleia Geral Aniversária

ACLJ
TRÊS LUSTROS DE EXISTÊNCIA VIRTUAL
14º ANO DE SUA INSTALAÇÃO OFICIAL


A Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, a ACLJ, chega aos quinze anos de sua gestação, e quatorze da solenidade de sua instalação oficial. 


ANIVERSÁRIO 

Neste primeiro quarto de século a existência da ACLJ transcorreu brilhantemente, com grandes realizações no campo da literatura e da cultura cearense como um todo – acontecendo exatamente na transição entre o jornalismo exclusivo de imprensa física, radiofonia e televisão, para a comunicação cibernética direta e interativa pelas redes sociais da Internet. 

Essa confraria de letrados tornou-se a mais operosa e prestigiada do Ceará, que dentre as Unidades da Federação é pioneiro na criação de entidades desse gênero, e tem tradição de instituir congêneres, reunindo uma diversidade de vocações artísticas e de vertentes do intelecto, disseminadas por todas as regiões e maiores cidades do Estado.


SOLENIDADE – POSSES 


Na Assembleia Geral Aniversária da ACLJ deste ano, prevista para o dia 14 de maio, no auditório principal do Palácio da Luz, tomarão posse na dignidade de Membros Beneméritos o economista e professor Gonzaga Mota, Ex-Governador do Estado, e o engenheiro e megaempresário José Carlos Pontes, CEO do Grupo Marquise, nomes propostos pelo empresário Beto Studart, Membro Benemérito, e eleitos pela Decúria Diretiva.

 

SOLENIDADE – DOCUMENTÁRIO

A pauta do cerimonial deste ano não terá a tradicional retrospectiva vídeo-fotográfica. A Decúria Diretiva resolveu, em vez disso, dedicar a sessão natalícia ao teatro cearense, tendo em vista que, no ano do advento da instituição, ocorreu a última temporada da opereta A Valsa Proibida. 

A única peça do teatro clássico produzida no Estado, que estreou em 1941, a opereta foi um fenômeno de público e de crítica a cada uma das suas várias montagens, recorde de lotação do Teatro José de Alencar – até a primeira década deste século. Dois de seus coautores são Patronos Perpétuos de cadeiras da ACLJ, cujos acadêmicos titulares são respectivos filhos deles.

 

A peça teve todos os seus diálogos escritos pelo dramaturgo Silvano Serra (pseudônimo de Joaquim Gomes Filho [1904-1982]), pai do Stênio Gomes, de atuais 82 anos; a letra da música-tema é do intelectual Otacílio de Azevedo [1892-1978], pai do Nirez (pseudônimo de Miguel Ângelo de Azevedo), hoje com idade de 91 anos, todos pertencentes à quadraginta numerati da ACLJ.  O autor das músicas da opereta, por seu turno, foi o artista sônico Paurilo Barroso [1894-1968]. 

O Grupo Empresarial M. Dias Branco patrocinou a elaboração de um interessante documentário sobre A Valsa Proibida, e a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) prestou apoio cultural, trabalho videográfico primoroso, elaborado e dirigido pelo jornalista e pesquisador Roberto Bomfim, e produzido pela Zoom Digital, do videomaker Eduardo Barros Pinheiro. 

Ao final da solenidade será exibido o documentário referido, um verdadeiro show de cultura e memória histórica do Estado Alencarino.

 

ARCÁDIA ALENCARINA

Abrindo a semana de aniversário da ACLJ, no dia 03 de maio a Arcádia Alencarina, composta pelos acadêmicos acelejanos fardonados que subvencionam a entidade, promoverão uma reunião especial para dar posse a duas novas acadêmicas, a jornalista Gabriela de Palhano, que sucederá à avó, Wanda Palhano, na Cadeira nº 7, e a Procuradora da Fazenda Nacional Liana Ximenes Lessa, que, por seu turno, será sucessora do pai, o poeta Paulo Ximenes, na Cadeira nº 12.