sexta-feira, 5 de junho de 2026

 ISAURA
Totonho Laprovitera*

 

Era querida pelos que tinham seu sangue e pelos que tiveram a sorte de conhecê-la. Isaura possuía um dom raro: bastava chegar para mudar o humor do ambiente. Aparecia nas casas dos parentes trazendo bons ventos. Sentava-se, ajeitava a saia, puxava conversa e, quando se percebia, já estava todo mundo rindo – enquanto suas mãos seguiam, tranquilas, fazendo crochê. 

Suas tiradas eram ligeiras e certeiras, sempre carregadas de sabedoria disfarçada de brincadeira. O bom humor de Isaura não era distração da vida – era inteligência mesmo, pois rir é uma forma elegante de enfrentar o mundo.

Para os sobrinhos, Isaura era figura encantada. Parecia ter nascido com a missão de espalhar leveza. Sabia escutar, sabia aconselhar e, quando o assunto ficava sério demais, logo inventava uma graça que devolvia equilíbrio às coisas. 

Com o tempo, alguns passaram a dizer – meio em tom de brincadeira, meio em tom de verdade – que Isaura era um anjo que havia crescido e resolvido ficar por aqui, andando entre as casas da família, vestida de chita e espalhando alegria. 

E talvez fosse mesmo. 

Porque, afinal, muitas famílias guardam uma pessoa assim: alguém que chega, senta-se, conversa e deixa no ar a sensação de que a vida, apesar de tudo, ainda vale muito a pena. 

Isaura era isso. 

A tia querida de todos os sobrinhos – e, de algum modo, um pouco tia de todo mundo.



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