HOMEM
DESORGANIZADO
Aluísio Gurgel*
Gerusa virou-se para mim e perguntou o que eu achava. Indaguei se era necessário achar algo e ela respondeu com um seco “obviamente!”. Agora todos me olhavam. Ninguém queria seguir a vida antes de saber o que eu achava.
Não sei exatamente onde
arranjei coragem para perguntar a respeito do que eu deveria achar, e ela quase
cuspiu na minha cara aos berros: você pode nos dizer a sua opinião sobre homem
desorganizado? Só então suspirei aliviado. É isto. Pensei que fosse coisa
séria. E danei a falar. Disse algumas qualidades do homem desorganizado,
abonei-lhe os defeitos porque todos os temos, mas na hora da conclusão resolvi
dar um nó cego na cabeça dela: “Gerusa, o homem desorganizado nunca é
raparigueiro, pode reparar”.

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