quinta-feira, 11 de junho de 2026

CRÔNICA - A Espera, a Quietude, a Paciência e a Paz (AG)

A ESPERA, A QUIETUDE,
A PACIÊNCIA E A PAZ
Aluísio Gurgel*

 

Quando a paz e a quietude se dão as mãos, a espera deixa de falar de chegada. Ela passa a falar de presença. Nessa condição, a espera talvez diga à paciência: “Já não te peço resistência. Peço apenas companhia.” 

Porque existe uma paciência cansada, que suporta o tempo enquanto olha continuamente para o horizonte. Mas existe outra, mais madura, que se senta à sombra de uma árvore e compreende que o valor daquele instante não depende de quem venha pela estrada.

A paz retira da espera a ansiedade. A quietude retira dela o ruído. E então a paciência descobre algo curioso: não está mais guardando lugar para alguém. Está simplesmente habitando o próprio lugar. 

O personagem que quiser viver essa história talvez conheça bem a diferença. Aos vinte anos, a espera costuma perguntar: “Quando?” Aos sessenta e cinco, ela começa a perguntar: “Como devo viver enquanto isso?” E essa segunda pergunta é mais fértil. Se ela aparecer, a paz não será interrompida. Se decidir vir, também não. 

Nesse ponto, a espera diz à paciência: “Não somos mais vigias do futuro. Somos testemunhas do presente.” E a paciência responde: “Então, o tempo já não é adversário mas parceiro.” Logo, é chegar sem alarde. 

Ter certeza de que não se vai encontrar uma pessoa a mais, aflita à beira do caminho; é alguém que aprendeu a caminhar. E quem aprendeu a caminhar não corre ao encontro do destino. Apenas abre espaço para que ele se aproxime, se assim desejar.

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