A Munificência Produtiva
do Escritor
Luciano Dídimo
Vianney Mesquita*
Revela apreciável realce, constitui um ideal dos mais belos, ao modo instado ao Senhor Deus na epígrafe, o momento propício de experimentar-se proceder a rápidas considerações acerca de mais uma triunfante diligência gráfica para circulação pública do tão celebrado autor, Luciano Dídimo, em A Rosa Cinzenta – Sonetos de Interioridade, relativos à sua figura de cidadão e escritor da melhor índole, neste volume sob o rito de imersão batismal no jordão librário do Ceará.
Aqui ele pluraliza encantadoras produções, de sublimidade transposta às raias ordinárias dos bens poemáticos, ao dispor, em relevo, a gentileza, a brandura e as mercês de seu gênio acumulado de positividade, transferidas, na sua maioria, para estrofes do estalão decassilábico, porém adicionadas de estâncias de arte menor – silabadas em sete ictos – e dodecassílabos alexandrinos, tudo no âmbito da bitola constitutiva do provençal sonet.
Sob a perspectiva histórica de ideação da craveira compositiva a que recorre o bardo sob comento – é oportuno exprimir, em velocíssima informação, carecente de incontáveis complementos – têm ressalto o italiano Francesco Petrarca e o português Francisco Sá de Miranda, entre quase inumeráveis outros seguidores e preceptores, conforme o pai do lavrador o exemplar sob comentário – Horácio Dídimo Pereira Barbosa Vieira – Rafael Sânzio de Azevedo e Otacílio Colares, ao se mencionar, por ensejada a ocasião, apenas literatos cearense.
Eis, por consequente, um Tomé são-joanino a presumir além do que divisa, sem ser preciso ver para crer, nem introduzir os dedos nas injúrias da pessoa ledora, feito um Dydimus, um To’Oma aramaico, gêmeo, duplo, em tempos distintos e distantes, de dois Horácios (menestréis Horácio Dídimo e Quinto Horácio Flaco) a creditar brandura e indulgência aos seus iguais circunjacentes, tanto integrantes do sistema familiar como outros partícipes de suas circunstâncias amistosas.
A isto ele procede, máxime, por intermédio dos expedientes da arte maior, do jeito como se exprimiu há pouco, pois a pluralidade é ofertada em pés decassílabos lusitanos, magnanimamente produzidos, com suporte numa alma branda, leve e benfazeja, admirada e aplaudida, pelos bem-afortunados leitores brasileiros e da língua portuguesa.
O Autor objeto destas fugazes notações, Luciano Dídimo Camurça Vieira, causídico operante no Tribunal Regional do Trabalho, no Ceará, e administrador da gema, já possui várias edições em formatos digitais e versões impressas, ao sabor de uma afluência selecionada de consulentes, no Brasil, em Portugal e nas outras sete nações lusófonas – Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial.
O doutor Luciano Dídimo estreou a mostra do seu alteado estro, no ano de 2011, com O Meu Carmelo é Marrom, acompanhado de A Rosa da Certeza (2016), contando, ainda, com o excecional séquito de A Rosa Marrom (2020), adido de A Rosa Verde – Sonetos de Esperança (2022) e da Rosa de Pérola – Sonetos Preciosos (2024). Mencionados proveitos editoriais são faustosamente ortografados, a ornar de estimação sua obsequiosa habilidade literária, motivo por que é admirado pelo universo ledor, sancionado em diversas análises críticas, as quais costumam avultar, sistematicamente, a essência dos seus bem mensurados escritos, favorecidos de certificação pela diligente e pertinaz massa de avalistas coestaduanos.
Neste lance prazenteiro, em decisão perto de conformar um atavio redundante, talvez pensem alguns – pois já devidamente apetrechado pelo rematado ânimo estral que enroupa sua caminhada rítmica -, o produtor da conjunção consoada A Rosa Cinzenta – Sonetos de Interioridade decidiu aduzir ao contexto já nutrido de medidas lusitanas de dez acentos, e poucos pés bilaquianos e setessílábicos da melhor verve, inscrições epigrafadas de passagens bíblicas, menções a fragmentos da lavra de romancistas, poetas e outros intelectuais do Ceará, do Brasil e do inteiro orbe escritural, incluindo o molde literário humano Horácio Dídimo, Miguel Ângelo de Azevedo – o Nirez, São João da Cruz, Rachel de Queirós et multi alii.
Ao manobrar de tal maneira, concedeu um teor mais real e denso e ameno e distinto e vigoroso e donairoso ao livro, à luz do farol harmônico e integral da peça, uma vez que o complexo de quadras e trísticos, haja vista sua precisão em dignidade e elegância estética, está absolutamente desnecessitado de inclusões com o intento de lhe ajuntar e completar valor.
Peculiaridade proveitosa, também, cursa nesta edição, configurada no fazimento de versos base com arrimo em concertos musicados ao lavradio de compositores brasileiros, conduta coberta de urbanidade e indicadora da valorização e benquerença de Luciano Dídimo em relação aos mentores de joias do cancioneiro nacional, com a honrosa e reta manifestação do seu reconhecimento, disposto na condição de intelectual, distinto da imensa cópia popular.
O polido agente de A Rosa Cinzenta – Sonetos de Interioridade – neste passo atreito aos propósitos de consultantes avezados à sensibilidade poética – ao concertar suas harmonizações, reflete semelhantemente ao acerado e zombeteiro intelectual franco, François-Marie Arouet, dito Voltaire (in Dicionário da Sabedoria. São Paulo: Fittipaldi – 1985, vol. 3, decodificação livre e com acréscimos), o qual, ao se enjeitar aqui suas acerbas maledicências ao Cristianismo, alcança a poesia como humanamente necessária, pois quem não aprecia versos detém o desalento, um espírito áspero e carregado, uma vez que os modelos versíficos estampam a música da alma.
Fazendo-se adições à conjectura do principal componente da parede intitulada Jovem Alemanha (Junges Deutschland), Lwdwig Börne (1786-1837, Ibidem), há de se entender, por conseguinte, segundo reflete seguramente, também, o trovador Luciano Dídimo, que, caso não houvesse inspiração, a vida não iria além de uma chaga icorosa, vez por outra sanguinolenta. As balizas métricas, plenas de dons, malgrado os males que devem ser denegados, nos outorgam o surripiado pela Mater Natura: autorizam-nos a vivência de um tempo áureo, que não envelhece, e a nós transfere uma felicidade sem nuvens e um verdor eterno.
Por via da coerência, não se descortina nada capaz de ser verazmente poético, se não for plenificado de autenticidade, à maneira do conteúdo encantador, recheado de graça do Rosa Cinzenta – Sonetos de Interioridade, ora disposto ao exame da imensa aleia admirante do alevantado conjunto manifesto pelo corpo arguto e a razão diserta do comentado sonetista.
Despeje-se na observação, preclaro consulente!
Fortaleza,
fevereiro de 2026.

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