domingo, 1 de março de 2026
CRÔNICA - Três Amores (AG)
TRÊS AMORES
CONTO - LITERATURA INFANTIL - Foguinhos e Bombeiros
FOGUINHOS E
BOMBEIROS
Maria Josefina*
Tã... tã,tã... tãtãtãtãtãtãtãtãtã-tarãm...
É assim que todos os dias são acordados os foguinhos que habitam a cabecinha do menino. Quem toca a corneta é o mais “quentinho” (não é à toa que é chamado pelos outros de Freni, o frenético), querendo logo que Boris (este era o nome do menino) se levante e comece suas atividades diárias.
Não precisava ser assim. Bem que poderia ser como todo menino: acordar, abrir os olhos, se espreguiçar, lembrar que é dia de aula... Virar para o outro lado e fingir estar dormindo. Até que mamãe venha fazer cosquinha no pé. Mas, não... Freni cutuca um, mexe na chama do outro, vai pisar nas labaredas de mais um... Até que todos se levantam para evitar mais provocações do Freni. Assim, começa o dia.
| Fonte: Pinterest |
Boris
dá um salto da cama, corre para o banheiro, joga água na boca, corre para a
cozinha e prepara, ele mesmo, seu leitinho com chocolate. Os foguinhos adoram
quando ele diz: “Duas pro copinho, uma prá boquinha” – jogando uma colherada de
chocolate direto na boca. “Ebaaaaaa!!!” – grita Freni – “Agora tô pronto para
mais um dia”.
Boris corre e vai se vestir para a escola, mas se lembra de que ainda falta o mais importante: fazer xixi. Veste-se, caça os sapatinhos e arruma a mochila. Mamãe já vem com a lancheira pronta, com o copo d’água e um batalhão de bombeirinhos dentro de uma cápsula que parece um foguete.
Quem não gosta disso? Advinha! – os foguinhos. Eles sabem que vão ter que se recolherem ao quartel, e ficarem bem quietinhos, pois os bombeirinhos que o Boris tem são muiiiiiito fortes!
Eles foram recomendados pela Doutora. Dá trabalho engolir. As vezes os bombeirinhos teimam em não querer descer “goela abaixo”, mas Boris entende que é para seu bem, e fala em pensamento: “Colabora carinhas, ôcheee!”.
Os foguinhos, embora eles entendam que é para Boris poder fazer suas atividades sem atropelos, queriam mesmo era ficar correndo de um lado para o outro na cabeça e no corpo de Boris, e brincar, até ficarem “mortos de cansados”.
Mas, vamos voltar no tempo!
Antes da mamãe e do papai levarem Boris para a Doutora, e ela dar uma arrumada na bagunça, Freni e os demais foguinhos eram donos do pedaço.
Eles estavam tão folgados que não deixavam Boris assistir à aula na escolinha que ele tanto ama, e em casa era só peraltice. Ficavam “futucando” o cérebro de Boris: “Vamos brincar... Que aula chata! A professora nem vai notar que a gente saiu!”.
Óbvio – como Boris costuma dizer – que era mentira. A professora estava de olho e tentava, de todo jeito, convencer Boris a ficar. A sorte é que ele é muito inteligente, e, mesmo com a bagunça na cabeça, a orelhinha se esticava para ouvir o que a professora ensinava.
Em casa, os pais falavam e os foguinhos diziam na cabeça do Boris: "Vamos fazer o circo pegar fogo!". E aí era “um Deus nos acuda”.
Até que um dia a coordenadora da escolinha chamou os pais e contou o que estava ocorrendo: Boris estava desatento, saindo da sala quase todos os dias, não conseguia se concentrar no que estava fazendo e criando situações de conflito com os amiguinhos e com as professoras.
Pausa na história.
Vamos ser sinceros: Boris era muito querido na escola, todos queriam ajudar, mas os foguinhos sempre venciam. Não adiantava castigo, conversa, promessas... Os foguinhos sempre levavam a melhor.
Mas... Suspense...
| Fonte: Geral Geek |
Os pais de Boris levaram-no para uma
Doutora que começou a arrumar as coisas. Ela era muito legal, conversava com
Boris, não o criticava pelo que os foguinhos faziam com ele, mas começou a dar
dicas para controlá-los. Para completar, a outra Doutora explicou para Boris e
seus pais que ele precisava formar um quartel de bombeirinhos, que seriam os
responsáveis para “apagar” o entusiasmo dos foguinhos.
Boris resistiu no começo, pois, para ele, estava tudo Ok. Mas quem sofria mais com tudo isto era sua irmã, que passou a ser seu alvo de brincadeiras, as vezes “sem graça”! Uma vez ela desabafou dizendo: “Já sei qual meu propósito de vida! Ser boneca de pano do Boris”.
Os bombeirinhos formaram um exército de combatentes dos foguinhos no corpo de Boris. Ele sentiu isto e aprendeu a perceber quando os foguinhos querem levar a melhor. Diariamente ele reforça seu exército e, com o passar do tempo, Boris aprendeu a controlar os foguinhos, mesmo quando a maioria dos bombeirinhos está de férias.
Isto acontece de sexta-feira a domingo, quando ele não abastece seu corpo com seus amiguinhos bombeiros.
Boris sabe que sempre vão existir foguinhos em seu cérebro, mas sabe também que pode contar com os bombeirinhos e com as “manhas” que a Doutora treinou com ele, por um bom tempo, para dar um “chega-prá-lá” nos foguinhos.
Boris
é um menino feliz, inteligente, amoroso e querido, mesmo que às vezes seja só
um pouquinho chato. Mas... quem não é!???

