DESTAQUES CEARENSES

DESTAQUES

CEARENSES

Edição

2020

Alexandre Sales

Troféu Empreendedores

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Igor Queiroz Barroso

Troféu Benemerência

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Cabeto Martins Rodrigues

Troféu Prasino Angelos

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PALAVRA DO ANO

EM 2020

“PANDEMIA”

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SENTIMENTO

MAIS DEMANDADO

EM 2020

“RESILIÊNCIA”

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quinta-feira, 21 de maio de 2015

CRÔNICA (VM)


    
CUMPLEÃNOS:
Oito Ponto Nove, Reduzido e Blindado
Vianney Mesquita*


Há muitos velhos brancos nos cabelos e verdes no juízo. (Juan de Torres Osório. YCuéllar, 16.01.1562 – Valadolid, 23.09.1633).


Desdobrava-se 1926, ano-raia da Primeira República Brasileira, em termos nacionais, com a eleição de Washington Luís Pereira de Souza para presidente, em 15 de novembro (deposto em 24.10.1930), época em que vigorava a política do café com leite, reunindo o poderio das elites agropastoris de São Paulo e Minas Gerais.

Também, ainda tinham curso, feridas em 1924 e terminadas em 1927, as escaramuças da famosa Coluna Prestes, movimento castrense de oposição às oligarquias do campo, mandatários da República Velha, liderada pelo então Capitão do Exército, o porto-alegrense Luís Carlos Prestes.

No panorama local, da provincianíssima Capital do Estado, teve registo o quinto título do Fortaleza Esporte Clube, quase a metade dos galardões nas doze edições, até então, do Campeonato Cearense de Futebol.

Naquele status quo, em que se localizam os três exemplos históricos, um dos veículos, exemplar da Criação humana, a que o título do texto se reporta metaforicamente, neste lance afortunado em que perfaz 89 anos, aportou em 21 de maio, nascido do consórcio José Martins de Castro e Mathilde Martins de Castro.

Liberal de Castro e Altino Farias
A remissão é feita ao Professor Doutor José Liberal de Castro, intelectual celebrado local e nacionalmente, autor de textos científicos com projeção, também, em terras lusitanas, mercê de suas amizades ligadas à puerícia da Arquitetura brasileira, onde ali radica, exportada para o Brasil no transcurso da colonização, tema do qual ele é senhor absoluto, pelo fato de suas vinculações com a Pátria-Mãe terem sido constantemente efetivas, sem qualquer intermitência, fato garante de sua atualidade no estado d’arte dos ramos científicos por ele cultivados, multicitado que é em trabalhos acadêmicos e de outras espécies. 

Arquiteto-modelo, professor habílimo e historiador exemplar, exatamente em razão de seus apreciáveis haveres de conhecimentos na seara das Ciências, Artes e Literatura – mormente na senda historiográfica e arquitetônica – o Nataliciante é referência obrigatória em assuntos da Ciência Histórica e da História da Arquitetura do nosso Estado. Isto porque, se considerando a horizontalidade do saber (Non datur scientia de individuo – não há ciência do particular), a necessidade das ligações permanentes dos feitos científicos solicita do operário da pesquisa o domínio total dos inumeráveis esgalhos da informação ordenada, patim a que, feito investigador pertinaz, Liberal de Castro havia sido assunto desde os primeiros momentos em que cursava, no Rio de Janeiro, a Faculdade Nacional de Arquitetura, da Universidade do Brasil (hoje UFRJ), no tempo do Magnífico Reitor Raul Leitão da Cunha (1934-45), onde se graduou em 1942.

Toda essa prontidão intelectiva – é de justiça dizer – teve início, evidentemente, no Colégio Cearense do Sagrado Coração, sob a direção dos Irmãos Maristas, instituição de Marcelino José Bento Champagnat, bem nos moldes do que se desenvolvia em França, à época e até bem depois, paradigma de educação-instrução, sem as munificências e aberturas hoje experimentadas sob os ditames da modernidade líquida, a que se refere o estudioso polaco Zigmunt Bauman, cujos dividendos a conquistar têm, infelizmente, futuro irresoluto.

Na peleja itinerária do Professor Doutor José Liberal de Castro, tem ressalto seu concurso, na qualidade de arquiteto e docente, na Universidade Federal do Ceará, juntamente com Neudson Braga e tantos outros paredros desse celebrado instituto, máxime na sua nascente e adolescência – e, por que não – na adultidade, onde foi partícipe, em tempo total, do seu enredo. 

Esteve ele lado a lado com Antônio Martins Filho – de quem era emérito consultor - no objetivo de conquistar os desígnios maiores da UFC, configurados na ministração de ensino e extensão comunitária, num consolidado de escolas, faculdades e unidades assemelhadas, com vistas à promoção do preparo profissional e científico de pessoal superior, bem assim da efetivação de investigações teóricas e práticas nos mais relevantes setores do conhecimento ordenado – humanístico, tecnológico e artístico – e a consequente propagação dos seus resultados a um público científico mais alargado.

Liberal de Castro, consoante ocorre de ser com alguns outros baluartes da nossa UFC – como Faustino de Albuquerque Sobrinho e Paulo Roberto Coelho Pinto, exempli gratia, somente para fazer remissão aos que inda estão entre nós – é figura preponderante na realidade universitária cearense. É ele referenciamento terciário, derradeiro, aquietante, em matéria de dúvidas a dirimir, no que concerne às anotações procedidas no nosso enredo como sociedade humana e componente da história.

Falar dos predicados do nosso aniversariante – em seus cumpleãnos, como a ele próprio é afeito dizer – é trabalho deleitoso, haja vista ser pessoa com quem o circunstante está constantemente a aprender, prevalecendo-se do seu incomparável estado de higidez física, certamente efeito da incessante atividade mental, na lucidez absolutamente cristalina do seu raciocínio rápido, racional e luminoso, donde se extraem as mais límpidas e verazes ilações.

Segundo a denominação imagética destas notas tencionou expressar, a máquina de Liberal de Castro, tanto em seu perfil anímico como de teor físico, está reduzida, “trucada”, no sentido de engrenar marchas de maior poder de tração para conferir mais trabalhabilidade veicular ao conjunto corpo-mente, além de restar blindada contra as propensões às inocências e bobagens ainda à solta na nossa circunstância de lugar onde a alvenaria das paredes é ainda muito incipiente.

Professor Liberal de Castro, aceite nosso abraço sincero de benquerença e admiração – de toda a Academia Cearense de Literatura e Jornalismo.


Ad multos anos!

*Vianney Mesquita 
 Docente da UFC 
Acadêmico Titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa  
Acadêmico Emérito-titular da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo 
Escritor e Jornalista

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