DESTAQUES CEARENSES

DESTAQUES

CEARENSES

Edição

2020

Alexandre Sales

Troféu Empreendedores

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Igor Queiroz Barroso

Troféu Benemerência

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Cabeto Martins Rodrigues

Troféu Prasino Angelos

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PALAVRA DO ANO

EM 2020

“PANDEMIA”

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SENTIMENTO

MAIS DEMANDADO

EM 2020

“RESILIÊNCIA”

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domingo, 10 de maio de 2015

ARTIGO (VM)


MAIS UM EXCEPCIONAL CRONISTA ADMITIDO AO BLOG ACELEJANO
 Vianney Mesquita*

Alfaiates e escritores não podem esquecer a moda. (THOMAS FULLER.  YAldwincle, 1608-1661).

Na reunião festiva derradeira da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo (Non Male Sedet qui Bonis Adhaeret), ocorrida em 23 de abril recém-passado, o Presidente Emérito, Professor Doutor Rui Martinho Rodrigues, cotejou este medium eletrônico, em matéria de relevância da nossa memória literária, com o celebrado O Pão, órgão divulgador dos trabalhos literários de padeiros ligados à associação denominada Padaria Espiritual (1892), amplamente reconhecida como um dos motos literoculturais de grande prestígio em todo o País.

Ele remeteu-se à comparação, mutatis mudandis, em razão da qualidade produtiva, tanto de padeiros como de escritores acelejanos, sendo que O Pão, em virtude, entre outras, das dificuldades de tratamento tipográfico – hajam vistas o estádio então experimentado pelas Artes Gráficas, há 123 anos – somente publicou 36 exemplares, ao passo que o nosso faz cerca de três anos ou mais que todos os dias traz a público matérias de destacado valor temático, factuais e perenes, escritas – em tese  no melhor português e particular e agradável elocução de cada colaborador.

Para se ajuntar, então (e me refiro a somente três ícones da pena refulgente do cearense), a Paulo Maria Aragão, Rui Martinho Rodrigues e Reginaldo Vasconcelos, é agora magnificamente recebido o cronista ASSIS MARTINS, fecundo historiador das potocas e causos dados e passados na apoucada e interessante Fortaleza dos anos 1950, 1960 e aceiro dos 1970, que deles cuida artisticamente na escrita, ao modo de suas apreciadas ilustrações. Com efeito, vem conferir, redundantemente, talvez, mais vigor, graça e simpatia ao jornal, já tão aprestado de colaboradores de ascensa plasticidade no jeito de externar pensamentos inteligentes, a fim de aprestar leitores sedentos por mais saberes, como sói acontecer com os bons aficcionados do texto bem elaborado.
Funcionário de destaque na Universidade Federal do Ceará, Assis Martins granjeou escolaridade formal esmerada, com dois diplomas de graduação e um de especialista (pós-graduação lato sensu). Porta os melhores pendores artísticos para a ilustração, com inatas propensões para o drama, à reprodução e às cenas em geral. É, ainda, habílimo narrador de estórias, criador e recriador de versos de pés-quebrado, cordéis, sonetos e demais gêneros, com repertório invejável, registrado no ativo dos seus depósitos intelectivos sorvidos com detenção e esmero no curso de sua trajetória como partícipe da vida, cultural e galhofeira, dos tempos dos Manezinhos-do-bispo, Zé-Levis, Vassouras, Bien-Bien – Garapiére de Paris, Burra-Preta, Ze-Tatá, Garapa, e tantos outros que enricam o folclore e a crônica desta Cidade, registada, in albo signanda lappilo, por narradores de sua grandeza.

Assis Martins é personalidade leve, natural, é prestativo e educado, sem afetação, nem exibicionismos, muito estimado pelos seus circunstantes, sempre disposto a servir. A ele, porém, evite perguntar toleima, pois a resposta é diretamente proporcional à demanda; e eis mais um proveito seu: foi amicíssimo, desde menino, do Audífax Rios!

Seu estoque é inesgotável, constantemente com uma petranha quase igual, ou reinventada, na hora, com outra tinta e nova graça, e guarda a vantagem imensa de saber transferi-la para o papel e meios de propagação coletiva, vindo até o nosso jornal  que não chega a ser um O Pão, como a gazeta da Padaria Espiritual, de Antônio Sales (Moacir Jurema), mas é um carioquinha bem assado, amanteigado e gostoso, trabalhado por panificadores da estatura intelectual do fisicamente baixinho Assis Martins, agora parte da nossa tropa em admiráveis escritos.

Sinta-se em casa!

        
*Vianney Mesquita 
 Docente da UFC 
Acadêmico Titular da Academia Cearense da Língua Portuguesa  
Acadêmico Emérito-titular da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo 
Escritor e Jornalista

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