DESTAQUES CEARENSES

DESTAQUES

CEARENSES

Edição

2020

Alexandre Sales

Troféu Empreendedores

*******

Igor Queiroz Barroso

Troféu Benemerência

*******

Cabeto Martins Rodrigues

Troféu Prasino Angelos

_______________________

PALAVRA DO ANO

EM 2020

“PANDEMIA”

*******

SENTIMENTO

MAIS DEMANDADO

EM 2020

“RESILIÊNCIA”

______________________

terça-feira, 5 de maio de 2015

ARTIGO (RMR)

O PSDB
Rui Martinho Rodrigues*

O PSDB nasceu como partido de quadros. Até aí tudo bem. Isso o afasta do fascismo. Pretendia seguir a terceira via. Partidos de quadros necessitam de intelectuais e estadistas em suas fileiras. Não foram muitos os intelectuais que aderiram ao tucanato. Estadistas, esses são muito raros.

A terceira via é um desafio. O Estado provedor se financiava na economia capitalista para suprir as necessidades dos cidadãos. Mas já não se fala tanto nas delícias do Estado bem-estar. A crise fiscal lembrou que a conta sempre chega. Fala-se em custo Brasil. Pouco se fala no custo do tal Estado do bem-estar. É charmoso citar o exemplo nas maravilhas do Estado provedor, enumerando os benefícios, mas nunca se ouve alguém citar o preço disso.

A terceira via europeia foi implantada depois das sociedades do Velho Mundo se tornarem ricas. Uma sociedade com uma maioria próspera promovia o bem-estar de uma minoria não incluída na prosperidade. O bolo havia crescido quando se deu o corte das fatias, nos termos da metáfora famosa, que por conveniência o ex-ministro Delfim Netto, seu autor, repudiou. No Brasil temos uma minoria próspera e uma maioria não incluída na prosperidade. O desafio é muito maior. Na Europa a relação numérica entre financiadores e assistidos permitiu êxitos espetaculares por um algum tempo.

O bem-estar atraiu imigrantes. As aspirações que definem os limites do que seja "bem-estar" alargaram suas fronteiras. A conta ficou mais cara. A quebradeira começou pelos elos mais fracos da corrente: Portugal, Espanha, Grécia e Itália desmoronaram. Até o Reino Unido caiu no atoleiro, levando os conservadores ao poder e a um ajuste fiscal de doze por cento do PIB, dolorosa medida que tirou os britânicos do fundo do poço. E a Ásia arrebatou a liderança mundial dos europeus. 

No Brasil o desafio é infinitamente maior.

Os tucanos, no poder, foram obrigados a contrariar as expectativas mágicas de um saco de bondades. Perderam a credibilidade como arautos da terceira via dadivosa. Adquiriram a marca da impiedade própria de quem diz que "não existe almoço de graça". Temem proclamar a racionalidade econômica, mas tiveram de fazer o ajuste dos “malvados”, por imposição da realidade, a exemplo do que agora se repete com o PT. Perderam a confiança dos “generosos” e também dos realistas. Nem podem comparecer às manifestações mais autênticas da história deste País, temendo vaias.

O eleitorado que os tucanos perderam tem aversão aos vaqueiros da boiada cidadã. Não tolera a improbidade administrativa, o desrespeito às leis, às instituições e o aparelhamento do Estado.

Os tucanos não denunciam escândalos. Não tiveram protagonismo de oposição. Opuseram-se aos oposicionistas autênticos. Sentem-se mais próximos daqueles a quem oficialmente se opõem do que do sentimento de oposição disseminado na sociedade. Não estão na base governista porque o personalismo não deixa. A disputa se resume no problema da definição de quem seria o primeiro violino da orquestra.


*Rui Martinho Rodrigues
Professor – Advogado
Historiador - Cientista Político

Nenhum comentário:

Postar um comentário