domingo, 25 de fevereiro de 2024

NOTA JORNALÍSTICA - Almoço Literário e Jornalístico

 almoço literário
e
jornalístico

A Tenda Árabe recebeu para o almoço, na tarde deste sábado, dia 24, sete acadêmicos titulares e dois convidados, a saber, o jornalista Luis Joca, cearense radicado em Brasília há muitos anos, que retorna definitivamente ao Ceará, e Luciano Vasconcelos, Assessor Parlamentar da Assembleia Legislativa do Estado.


Na mesa "jotaforme", além dos convidados, os confrades Altino Farias, Rui Martinho Rodrigues, Pedro Bezerra de Araújo, George Tabatinga, Vicente Alencar, Reginaldo Vasconcelos e Fernando César Mesquita. 

Fernando César também fez longa e próspera carreira jornalística no Distrito Federal, onde fundou a Casa do Ceará e foi Porta-Voz da Presidência de República, e Governador Insular de Fernando de Noronha – dentre outros cargos importantes, e é fundador da Cadeira de nº 2 da nossa quadraginta numerati, patroneada pelo seu tio Perboyre e Silva.  Na imagem, com o confrade George Tabatinga. 

As performances realizadas durante a reunião foram a apresentação de duas pequenas trovas, pelo Pedro Araújo, e da leitura de duas crônicas de Reginaldo Vasconcelos. Ainda se ouviu e comentou a valsa Boa Lembrança, do George Tabatinga, todos abaixo demonstrados.

O tema mundano da reunião foram histórias de jornalismo e da vivência em Brasília do Luis e do Fernando, com referências saudosas e às vezes jocosas de velhos colegas da imprensa. Na curva do jota, entre os convivas mais ilustrados da mesa, sob a batuta intelectual do Prof. Rui Martinho Rodrigues,  os assuntos principais versavam em torno da atual situação sociopolítica e econômica do Brasil e do mundo.


VALSA BOA LEMBRANÇA, DE GEORGE TABATINGA:
 (Autor ao Clarinete)


TROVAS FACETAS DE PEDRO BEZERRA DE ARAÚJO:

Quando o amor se torna dor
Estrangula todo ardor
Em tão grande estertor
Da decisão move o valor
 
Guarda teus insanos beijos
Dá-me um lídimo abraço
Deixem-se os seixos
Venham os bons amassos

 

CRÔNICAS DE REGINALDO VASCONCELOS
(Do livro Traços da Memória – Laços da Província – Volume II )



POESIA - Soneto Decassilábico Português - Memórias (VM - MC)

 MEMÓRIAS
Quartetos de Vianney Mesquita* 
Tercetos de Márcio Catunda*

 Lembro-me até do que não quero, e não posso esquecer o que quero. [Marco Túlio CÍCERO]

 

Bendito é quem nos traz memórias boas,
Porque somente alteia nosso astral,
Merecedor de rematadas loas,
Benigno, indulgente, natural.
 
Quem degusta insultar outras pessoas,
Ao reverso, nocivo, só por mal,
De pregos só é digno das coroas,
Sobra insano, iníquo e imoral.
 
Na Pérsia, já falava Zoroastro
Da peleja de Ormuz contra Ariman,
Até a definitiva manhã.
 
Quando o Sol unir tudo no seu lastro,
No fulcro da memória guardiã,
No âmbito total do imenso Astro...


CRÔNICA - A Madrugada e Eu (AF)

 A Madrugada e Eu
Altino Farias* 

A madrugada me persegue. Ouço os seus passos, vejo sua sombra, mas ela, sorrateiramente, esconde-se de mim.

 

Bebo um gole de cachaça. Finjo brincar de boemia e ela vem se chegando, encabulada, por trás dos espaços já vazios. 

Agora o dissimulado sou eu. Faço de conta que não a vejo. Ela me joga um charme, mas fico indiferente. A cachaça e os pensamentos me bastam nesse momento. 

Sim, é tarde (ou cedo?). Estou no território dela, porém, contrariando a lógica, o senhor aqui sou eu. Mais uma dose, que desce suave, e uma enxurrada de pensamentos. O tempo passa devagar dose após dose. O meu tempo. Cansado, enfim, entrego os pontos. Voluntariamente. 

Assim deveriam ser os porres, as paixões, os amores. Não deveriam ser interrompidos, cortados, proibidos, e sim, esgotados por si próprios, como o carvão que, feito em cinzas, extingue o fogo, com o vento se encarregando de levar aquelas lembranças para bem longe... Ou para dentro do coração.


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

POESIA - Soneto Decassilábico Português - Inverno Inespearado (VM)

 INVERNO INESPERADO
Vianney Mesquita*

No coração do inverno, a única folha do ramo luta contra o vento.
[STEFAN THEODORU]

 

Em trevas de estampidos e relampos, [1]
Trovões bravios bem enfurecidos,
Deixavam o nobre e o vil espavoridos [2],
Aterrando, inclusive, os pirilampos.
 
Céu desestrelejado, escassos campos,
Bichos inquietos, homens escondidos,
Saraiva densa de pétreos caídos
Sobre o bestunto da gente sem trampo.
 
Apagadas as lampas da cidade [3]
Então, no escuro, na infecundidade
Sobravam vivas, no aparente inferno,
 
Sem energia, nem imunidade,
Pessoas jovens que, na realidade,
Jamais tinham topado intenso inverno.


1 Vocábulo em voga desde 1589 (Cf. Arrais).
Anima nobili Anima vili [Homem e animal inferior].
3 Palavra usada, principalmente em Portugal, desde o Sec.XIV (Cf.FichVPM).

 

ARTIGO - Estado Democrático de Direito e Progesso (RMR)

 ESTADO DEMOCRÁTICO
DE DIREITO E PROGRESSO

Rui Martinho Rodrigues*

 

 

As transformações do Estado 

A adjetivação do Estado como democrático, classificado logo após como “de direito” não e apenas um pleonasmo destinado a enfatizar a natureza democrática da organização jurídico-política referida. Pretende fazer a distinção entre o Estado liberal, que é um Estado de direito entendido como guardião das liberdades negativas, que são aquelas de agir e fazer; a defesa dos direitos potestativos, que não admitem contestação, mas são de mera liberdade negativa, sem o sentido de patrocínio, sem título de crédito contra terceiros. O Estado Democrático de Direito (EDD) se coloca como “etapa evolutiva do Estado”, não apenas “mais avançada” do que o Estado absolutista e o Estado liberal. Até o Estado social seria menos avançado do que o EDD. Tem, portanto, o pressuposto de que a história social e política é evolutiva, entendendo-se como tal uma marcha triunfal na forma de uma sucessão de aperfeiçoamentos.

A superioridade do Estado liberal em face Estado absolutista concebido por Thomas Hobbes (1588 – 1679) não é objeto de discussão, podendo ser afastada, a exemplo da conduta adotada nos processos judiciais, denominada saneamento do processo, quando são retiradas de pauta os pontos não litigiosos. Registre-se apenas que o Leviatã hobbesiano se legitimava por oferecer segurança em face das desordens, descritas como tendentes à guerra de todos contra todos. O Estado liberal ofereceu mais do que proteção contra desordens ou algo mais grave, como a alegada guerra de todos contra todos aludida por Hobbes. Ofereceu liberdade concebida como aptidão para exercer escolhas no campo do agir e fazer, conforme José Guilherme Merquior (1941 – 1991), na obra O argumento liberal. 

O Estado social ofereceu bem-estar na forma de proteção aos grupos vulneráveis, propondo ainda a superação das desigualdades, sendo ultrapassado pelo EDD que pretende oferecer proteção a todos, não apenas aos vulneráveis, resguardando não apenas as necessidades objetivamente descritas como básicas e hierarquizadas por Abraham H. Maslow (1908 – 1970). A superação do Estado social pelo EDD é apresentada por Carlos Simões, na obra Teoria & crítica dos direitos sociais. 

Definido o que sejam necessidades humanas, segundo um padrão hierárquico não concebido pelos cidadãos, mas por “quem detém o conhecimento”, ganha “legitimidade” o poder exercido por uma elite política, intelectual e, por que não dizer, virtuosa, temos de volta o projeto dos reis filósofos de Platão (428 a.C.– 348 a.C.), da obra A república, considerada o Magnum opus do autor citado, embora ele tenha escrito uma retratação na obra As leis. Os intelectuais são deslumbrados com A República, afinal, nela eles são “mais iguais”, como diria George Orwell (1903 – 1950), na obra A revolução dos bichos. 

O que seria a evolução histórica? 

A dinâmica da História, na Antiguidade clássica, era um eterno retorno. Em Eclesiastes 1: 9 lemos: “O que foi é o que há de ser; o que se fez, isso se tornará a fazer; de modo que nada há novo debaixo do sol”. O eterno retorno estava também no pensamento dos gregos, conforme G. Reali e D. Antiseri, na obra História da Filosofia. Outra visão da dinâmica dos fatos históricos entende que o processo civilizatório é uma marcha triunfal na forma de sucessivos aperfeiçoamentos, como dito. 

Jacques Le Goff (1924 – 2014), na obra História e memória, distingue as transformações ocorridas em diferentes âmbitos. Assim, o campo da técnica avança rapidamente de aperfeiçoamento em aperfeiçoamento. A ciência também progride, mas em ritmo mais lento. Karl R. Popper (1902 – 1994), na obra Textos escolhidos, corrobora com Le Goff ao dizer que a ciência cresce corrigindo erros, logo, cresce no sentido de aperfeiçoamento. Le Goff adverte que as instituições, poderíamos destacar aquelas de natureza jurídico-políticas, não avançam sempre na direção do aperfeiçoamento, mas descrevendo uma curva cheia de altos e baixos. Não há uma tendência evolutiva no conjunto das transformações históricas. 

As instituições passam por transformações valoradas ou não como aperfeiçoamentos, dependendo das concepções adotadas. A dinâmica dos acontecimentos pode ser vista como determinada pela organização das forças produtivas, nos termos do “modo de produção” e as transformações seria obtidas pelo conflito. O reducionismo da História ao conflito é mais estreito quando descrito como luta entre as classes sociais. O materialismo histórico, assim compreendido, é uma das vertentes da percepção da marcha dos acontecimentos históricos como evolução com o significado de aperfeiçoamento. A concepção evolutiva da história ganhou força quando o mundo contemplou a grande evolução da ciência, da técnica e das organizações político-jurídicas. 

Outra visão da História ressalta o fato de que os aperfeiçoamentos da organização social, política e econômica, bem como os grandiosos avanços da ciência e da técnica só poderão ser considerados progresso da História, no sentido de aperfeiçoamento, se servirem para nos tornar (i) mais aptos a superar os nossos conflitos íntimos. Mas estamos menos ansiosos, menos insatisfeitos com o que somos ou fomos? Dependemos menos da ajuda de profissionais? Dependemos menos do escapismo que nos leva às drogas psicoativas lícitas ou ilícitas? O suicídio declina? A resposta negativa se é apropriada para cada uma destas perguntas. O “progresso” deve (ii) nos capacitar a conviver melhor com o outro. Convivemos melhor com os nossos familiares, vizinhos, colegas de trabalho, professores, alunos, patrões, empregados e demais comunicantes do que no passado? A criminalidade tende a cair continuamente ao longo da história? A paz é a tendência histórica contínua? Não é a resposta a todas estas indagações. (iii) Precisaríamos, ainda, para sermos aperfeiçoados, conviver melhor com a natureza. Não parece que isso esteja acontecendo. Então progresso, considerado genericamente, ou tomado como tendência histórica contínua nas relações sociais é falácia. Progressismo é ilusão. 

Fica a promessa de trazer mais algum complemento.


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Observação Literária e Linguística – Prof. Sousa Nunes

 VERBO DESTRUTOR
[Soneto de Vianney Mesquita]

SOUSA NUNES* 

                                                    

A palavra doce multiplica os amigos, ao passo que mitiga os inimigos; e a língua    discreta no homem bom produz abundantes frutos. [BÍBLIA, Eclesiástico, 6-5]. 



Em linguagem clássica e sem nenhuma concessão ao brilho fácil do jogo verbal, a par de uma admirável erudição, Vianney Mesquita oferta-nos um soneto maciçamente bom, atual e indispensável.

Desse seu belo poema é fácil inferir não apenas noções de poder, conflito e destruição, mas sobretudo valiosas reflexões sobre linguagem, moralidade, mudança social e redenção, apesar da aparentemente irremissível condição em que se encontra o ser humano. 

Há nos versos de Vianney Mesquita propriedade linguística, equilíbrio formal e uso exemplar dos recursos literários desencadeadores da emoção estética. O exímio sonetista articula uma tensão entre forças destrutivas e construtivas, simbolizadas pelo uso intensivo de verbos que expressam ação e consequência. Valendo-se de formas variantes pouco empregadas, porém corretíssimas, de verbos e outras categorias lexicais, como “expludo” e “opresso”, o autor encena um conflito interno ou uma luta contra forças externas, enquanto revela a destruição decorrente das relações de poder e seus efeitos nefastos sobre pessoas e coletividades.            

Do mesmo modo que alterna formatos usuais com eruditos, Vianney Mesquita trata, nos versos finais do soneto, da premência do reconstruir, focando os valores morais e a redenção, à luz de uma genuína ética cristã, sem olvidar severa advertência: “Se, a destempo, tu não reconstruis” / “Supresso estás da equipa de Jesus”. Aqui, a linguagem não só transmite um julgamento moral, mas também evoca uma estrutura de crença específica que valoriza a reconstrução e a reparação. A referência à Mãe Natura e à luz humana sugere uma valorização da Natureza e da Vida, em contraste com as ações destrutivas (“entupes, fero, e não constróis”) que ameaçam essa ordem natural e social. 

Pondo em relevo vocábulos de pouco uso ou condenados por incautos e indoutos, revela-nos Vianney Mesquita a riqueza da nossa Língua Portuguesa e denuncia a reinante pobreza vocabular, a avultar até mesmo nos meios universitários, infausta consequência de um país em que se lê tão pouco. 

Desse modo, VERBO DESTRUTOR é passível de ser visto como uma oportuna ponderação sobre a Natureza Humana, a responsabilidade e as consequências de nossas ações, além de um exercício reflexivo de metalinguagem, porquanto, sendo o homem apenas metade de si mesmo, a outra banda é a sua linguagem, espaço no qual se desenrolam e traduzem o drama e a redenção humana. 

Merece-nos, por fim, destaque a locução interjectiva “eia sus!” usada como elemento catalisador de mudança, ponto de inflexão a sublinhar tanto a capacidade do homem de superar a inércia ou o desespero, quanto sua vontade de agir para alterar o curso dos eventos. Conquanto revele a tendência humana à destruição, é para a redenção desse homem que um dia fomos ou ainda somos que o Poeta esmera o seu verbo, em um apelo dramático, encorajando uma passagem do derrame para a construção, do desalento para a esperança. 

Doutíssimo mestre Vianney Mesquita, meus parabéns!


COMENTÁRIO


A percuciente crítica de Sousa Nunes, à altura da erudição e da estesia do soneto vianneyano, revela quão acertada agiu a Academia Cearense da Língua Portuguesa, sob a Presidência do Prof. Marcelo Braga, em abrigar em seu quadro de associados efetivos o nobre confrade e queridíssimo ex-aluno. 


MYRSON MELO LIMA.

 

POESIA - Soneto Decassilábico Português - Verbo Destrutor (VM)

 SONETO
DECASSILÁBICO
PORTUGUÊS
Vianney Mesquita*

 Para R. Evaristo, Myrson Lima, Ítalo Gurgel e Sousa Nunes, da  Academia Cearense da Língua Portuguesa.

 

VERBO DESTRUTOR         

Quando eu expludo sob fúria, a sós,
Fitandoopresso, aquilo o qual destruis,
A mim me impende, ao ver como destróis,
Mostrar-te a desventura que construis.
 
Graças fastas – pores de vários sois –
A Mãe Natura sorte à humana luz,
Porém, entupes, fero, e não constróis,
Inserto no incerto – Eia! Sus!
 
Se, a destempo, tu não reconstruis
O por ti extinguido em desacerto,
Supresso estás da equipa de Jesus.
 
Insertado, então, neste concerto,
Remansas na existência sob aperto,
Contrapontado ao que a Graça induz. 


domingo, 4 de fevereiro de 2024

NOTA SOCIOCULTURAL - Projeto "Livro EntreVista com Lúcio Brasileiro"

 BETO STUDART 
RECEBE AMIGOS 
EM TORNO DE 
LÚCIO BRASILEIRO 
E DEFLAGRA PROJETO 
DE LIVRO 
COM ENTREVISTAS 
SOBRE  ESTE

O empresário Beto Studart promoveu nesta quinta-feira, dia 1º de fevereiro,  um almoço em petit comité, em torno do jornalista veterano Lúcio Brasileiro, na sala de recepções do BS Design – encontro e ceia larga que o nosso 10º Benemérito costuma realizar periodicamente para os seus amigos mais diletos.

 

O fito desta última reunião foi marcar o primeiro dos sessenta e cinco dias faltantes para o aniversário do convidado especial, que no início de abril completará idade nova  85 anos. É que o criativo jornalista resolveu comemorar doravante o seu natalício a cada mês de cada ano. 

Desses 85 anos, 70 foram dedicados, ininterruptamente, à imprensa cearense, escrita, falada e televisada, casamento da pessoa com o seu ofício que é marcado como as bodas específicas, o “jubileu de vinho”, que  no caso de Lúcio Brasileiro é recorde mundial.  

Sempre surpreendente e elegante, ao chegar, Lúcio Brasileiro mimoseou cada um dos presentes com uma catita medalhinha mariana, trazida por ele da Europa, com legenda em italiano – singelo preito de fé que só engrandece o espírito étnico cristão, do âmbito social em que Deus nos quis pousar.

Ao longo da prosa, a roda trouxe à baila a conveniência e a oportunidade de se cristalizarem em livro as muitas memórias do homenageado, com suas ricas lembranças e interpretações jornalísticas no âmbito do futebol, do cinema, do mundo político, e da sociedade cearense, para enriquecimento da História recente do Estado. 

Lúcio Brasileiro concordou, e então Beto Studart, sugerindo que o livro tenha a forma de uma longa entrevista, lançou a “pedra fundamental” da nova obra, enquanto o Dr. Lúcio Alcântara ofereceu sugestões sobre a fórmula livresca e sobre nomes de personalidades que deverão entrevistá-lo.  

Entre os convivas que aplaudiram e contribuíram com a idealização dessa providência editorial, além do anfitrião, do convidado principal e do Dr. Lúcio Alcântara – José Carlos Pontes, Pádua Lopes, Mino Castelo Branco, Eulálio Costa, José Antunes Mota, Paulo Aragão, Reginaldo Vasconcelos e Cláudio Targino.

 

Para marcar a proclamação da nova iniciativa literária, Cláudio Targino, que além de empresário é um músico habilidoso, acompanhou ao violão Lúcio Brasileiro cantando lindamente música inédita do saudoso Evaldo Gouveia –  nosso querido e pranteado Membro Benemérito.

Após o advento do projeto do novo livro de memórias do Lúcio Brasileiro, que Beto Studart proclamou e de que se fez o grande arauto, já se está pensando na relação de personalidades que vão perquirir o jornalista para a obra, ao longo de 15 horas de vídeos, a serem produzidos e depois degravados e organizados para o prelo da editora. 

Já se prevê a entrega da obra em 09 de maio vindouro, em solenidade da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, e depois concorridíssima noite de autógrafos que se deverá promover no Ideal Clube, ou no Náutico Atlético Cearense, à escolha do grande protagonista da efeméride.

CRÔNICA - O Mundo Melhor de Pixinguinha - Cinquentenário (AG)


O MUNDO MELHOR
DE PIXINGUINHA
 (CINQUENTENÁRIO)

Aluísio Gurgel*

 

Era o carnaval de 1974 e o grêmio recreativo Escola de Samba Portela entrava na avenida homenageando o cidadão Alfredo da Rocha Vianna Filho, mais conhecido como Pixinguinha. Ele falecera nas proximidades do carnaval de 1973, na cidade do Rio de Janeiro. Agora, no aniversário de um ano de sua morte, a Portela lhe rendia esta bela, justa e merecida homenagem de contar a história de sua vida. 

O desfile foi espetacular, mas a campeoníssima foi a Acadêmicos do Salgueiro. A Portela ficou em segundo lugar por um ponto de diferença, mas eternizou seu samba enredo por todos os carnavais. 

Ainda hoje aquele samba enredo é cantado: 

Lá vem Portela / Com Pixinguinha em seu altar / E altar de escola é o samba / Que a gente faz / E na rua vem cantar / Portela / Teu carinhoso tema é oração / Pra falar de quem ficou / Como devoção / Em nosso coração/ Pixinguim, Pixinguim, Pixinguim / Era assim que a vovó/ Pixinguinha chamava / Menino bom na sua lingua natal/ Menino bom que se tornou imortal / A roseira dá / Rosa em botão / Pixinguinha dá/ Rosa canção/ E a canção bonita é como a flor / Que tem perfume e cor / E ele / Que era um poema de ternura e paz / Fez um buquê que não se esquece mais / De rosas musicais / Lá vem Portela…

Certamente, há algum desaviso da memória quanto à letra, mas a melodia deste hino ficou gravada na memória de todos. A letra é do Jair Amorim e a música é do nosso Confrade Evaldo Gouveia, que recebe esta homenagem em forma de crônica lá no Céu, com as felicitações da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo pelo cinquentenário da maravilha que deu à luz!