quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

REUNIÃO NA TENDA ÁRABE - MOMENTO LITERÁRIO (11.12.18)

REUNIÃO 
NA 
 TENDA ÁRABE
E MOMENTO LITERÁRIO
DA EMBAIXADA


Na noite da última terça-feira (11.12.18) reuniram-se na Tenda Árabe os acadêmicos Adriano Jorge, Altino Farias, Rui Martinho Rodrigues, Arnaldo Santos, Humberto Ellery e Reginaldo Vasconcelos.




A experiência gastronômica desta vez foi um espaguete a bolonhesa, antecedido de tira-gosto de calabresa com fritas, e entrada de canecas de caldo de feijoada com torradas.

Seguiu-se à reunião a sessão leitura de poesia e de prosa poética, o “Momento Cultural da Embaixada da Cachaça”.



Esta prática artística e performática, internacionalmente designada como poetry slam,  nasceu em Chicago, na Green Mill Tavern, em meados dos anos 80, por inciativa do escritor Marc Kelly Smith, disseminando-se por todo o país e depois pela Europa, e por outras partes do mundo. A palavra inglesa slam refere a poesia produzida para ser lida em público.


Roberto Paiva, cliente da casa, sempre presente entre os leitores, abriu a sessão de leituras com um de seus poemas, seguido por  Altino Farias, que leu uma bela crônica dedicada à sua mulher, sobre a artificialidade da indústria de cosméticos ante a beleza essencial, e em seguida um pequeno conto de natal, tratando do contraste entre a ceia noelina da classe média e dos mais simples, muitas vezes privados desse momento em família por motivo de trabalho.




Na sequência, o imortal da ACL e da ACLJ Luciano Maia leu o poema "Bênção para os Campos dos Quatro Cantos do Mundo", de Daniel Varujan,  poeta armênio falecido em 1915, cuja obra lírica Luciano traduziu com maestria.  Reginaldo Vasconcelos, por seu turno, disse o Soneto da Marrã Extraviada, dedicada a ele pelo autor, Luciano Maia, no seu livro "Do Mar ao Rio".




A poetisa Concita também leu um poema de sua autoria, de inspiração natalina; Romeu Duarte declamou versos do saudoso bardo amazônida Jorge Tufic, de origem libanesa, autor do Hino do Estado do Amazonas,  que se radicou no Ceará há muitos anos, e que faleceu em fevereiro deste ano de 2018, aos 87 anos. 



Humberto Ellery narrou de forma teatral a Batalha de Zama (202 a.C), em que o maior estrategista militar de todos os tempos, o general cartaginês Anibal Barca, após grandes feitos militares contra o poderio de Roma, foi finalmente derrotado pelo exército de Cipião; Adriano Vasconcelos leu Fernando Pessoa, e finalmente Maria de Jesus rememorou bela mensagem de natal que produziu anos atrás, para colegas de trabalho.

O escocês Andrey, da empresa Johnny Walker/Ypioca, estava presente a um desses momentos literários da Embaixada da Cachaça, e quis participar, cantando uma cantiga de seu país, que trata do êxodo da juventude em direção aos EUA  conforme foi registrado no vídeo abaixo.



terça-feira, 11 de dezembro de 2018

ARTIGO - Um relato Atualizado Para a História (CB)


UM RELATO ATUALIZADO
PARA A HISTÓRIA
Cássio Borges*


É prazeroso transmitir para os leitores deste jornal o que escreveu o jornalista Alan Neto em sua conceituada coluna de domingo, dia 2, deste periódico, com palavras elogiosas sobre o livro que escrevi enfocando o planejamento hídrico da vale do Rio Jaguaribe no Ceará: “Guardião do DNOCS velho de guerra, o engenheiro Cássio Borges escreveu um livro para os anais da história – A Face Oculta da Barragem do Castanhão, um  relato atualizado para a História. Uma joia rara...”.

O livro, de 362 páginas, um verdadeiro tratado sobre os recursos hídricos do estado do Ceará, ocupa-se especificamente dos erros de engenharia que foram cometidos no projeto da Barragem do Castanhão, a maior obra hídrica de açudagem do Nordeste. O empreendimento foi elaborado em 1985, pelo então Departamento Nacional de Obras de Saneamento-DNOS, extinto no início do Governo de Collor de Mello. A obra aborda também o perigo de o Projeto de Integração  do Rio São Francisco ser entregue a uma entidade que não tem identificação e vivência  com a problemática hídrica de nossa Região, de rios intermitentes.
 
Desde quando o Açude Castanhão surgiu no cenário cearense, como disse, em 1985, me posicionei contra a sua inclusão no Planejamento Hídrico do Vale do Rio Jaguaribe, tendo escrito quase uma centena de artigos fazendo alusão a esses erros de engenharia sem, contudo, ter sensibilizado os colegas da comunidade técnica/científica do estado do Ceará que preferiram ficar calados a dar qualquer resposta aos meus questionamentos sobre a referida obra. Foram quatorze anos de discussão que, aliás, não houve porque os defensores deste empreendimento preferiram o silêncio como resposta. Daí o motivo porque resolvi escrever este livro: “um relato atualizado para a História”.

  
Mas porque os idealizadores, defensores e promotores deste projeto preferiram ficar em silêncio? Por que não responderam os questionamentos que fiz a este respeito em centenas de artigos que escrevi? Por que utilizaram a evaporação como sendo de apenas 1.700 mm, em vez de 2.800 mm, como foi considerado no seu Estudo de Impacto Ambiental?  Por que cantaram em verso e prosa que a Barragem do Castanhão tinha a sua vazão regularizada como sendo de 30 m³/s e, só agora, trinta anos depois, admitem ser de apenas 10 m³/s?. Por quê?

A conclusão a que chego é que o fato acima deve servir de advertência. Isto é uma prova incontestável do desconhecimento que se tem aqui no Ceará das características do semiárido nordestino. É uma temeridade o Projeto de Integração do Rio São Francisco ser entregue, por exemplo, a uma entidade  que não tem o conhecimento e a expertise que tem o DNOCS, que há 109 anos atua na região nordestina, sem que tenha sido registrado, até hoje, qualquer problema em seus empreendimentos. Nunca é demais lembrar que o DNOCS criou uma florescente civilização em nossa Região e é considerado pelos estudiosos como “o maior fabricante de água do mundo” ou, como já foi denominado também de a “Universidade da Caatinga”.

A construção de 331 açudes públicos de médio e grande porte, de 632 açudes de pequeno porte em regime de cooperação que acumulam, no total, 38 bilhões de metros cúbicos de água, a construção de 22.000 quilômetros de rodovias, 34.000 poços públicos, cerca de 100 mil hectares de irrigação pública e 50 000 hectares de irrigação privada, perenização de 3.000 km de rios intermitentes, equivalente à extensão do Rio Danúbio (que atravessa dez países europeus), criação de nove Centros de Pesquisas Ictiológicas, que têm capacidade de produzir 109 milhões de exemplares de alevinos por ano, entre outras grandes realizações. Tudo isto equivale ao que é gasto através do programa BOLSA FAMÍLIA em cinco anos, sem que este gere um só emprego produtivo.

O DNOCS é a única instituição do Governo Federal ligada à problemática hídrica do semiárido nordestino, que é técnica e administrativamente bem estruturado para assumir, de fato e de direito, a gestão dos recursos hídricos federais de nossa Região. 
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Cássio Borges é engenheiro civil, formado pela Escola Politécnica de Pernambuco e cursos de pós-graduação em Barragens e Recursos Hídricos pela Escola Nacional de Engenharia e Escola Politécnica da Universidade Católica, ambas do Rio de Janeiro. O livro mencionado neste texto está à disposição dos interessados na Livraria Cultura.

Artigo publicado no Jornal O Povo.


CRÔNICA - Autocídio Frustrado (VM)


AUTOCÍDIO FRUSTRADO
Vianney Mesquita*
                

É próprio do covarde desejar a morte. (Públio OVÍDIO Nasão).


De carona na crônica Repórter Amador, de Wilson Ibiapina, postada neste medium no dia 2 transato, transfiro a estória – sem ocorrência confirmada, é claro – de um rapaz de 24 anos que, de mal com a vida, tentava de todas as maneiras perpetrar a autoinflição. Em decorrência, entretanto, de circunstâncias alheias à sua vontade, por mais que tenha tentado, esta não se consumava.

Experimentou, por várias vezes, operar o auto-óbito, mas sem sucesso para o decesso. Em certa oportunidade, achou de contar a melódia para alguns elementos de sua turma, alguns dos quais bastante gaiatos – coisa, aliás, consabida como muito comum da molecagem cearense – que conversavam na calçada d’A Miscelânea, na rua Pedro Borges, Praça do Ferreira, em Fortaleza. Isto sucedeu no dia 19 de dezembro do ano à frente expresso, quando se desenvolviam as preliminares natalinas de enfeites das ruas e ornato das coisas em preparo para as circunstâncias de final de ano.

Corria, vagaroso, o fatídico 1968, com a ocorrência de motos populares em todo o Mundo – principalmente em França, e na China, no terceiro ano da Revolução Cultural empreendida por Mao-Tse-Tung, desde 1966 e estendida a 1976. 
         
No Brasil, perfazia o tempo de cinco anos da gloriosa, no fim do qual (13.12) fora assinado o famoso Ato Institucional número 5, componente mais pesado dos 17 decretos firmados durante o governo civil-militar instalado em 1964. O chamado golpe dentro do golpe, pelo jornal Correio da Manhã, teve a assinatura (com o polegar direito, almofada e mata-borrão perto – diz a rafameia do PSD) encabeçada pelo presidente, Marechal Arthur da Costa e Silva, acolitado por seu Ministério.

O Elisiário, protagonista desta estória, contabilizara no passivo uma série de desencantos, como o passamento do Eliseu, seu irmão, a perda do emprego nas Lojas Novail, onde trabalhara por seis anos, e algumas outras decepções carregadas, como o belo par com o qual a ex-namorada, Ritinha, havia enfeitado sua cabeça, principalmente (veio a saber, depois, pelo Fernando Siqueira) porque, dissera ela, o pretexto ter sido a liseira que, de inopino, se abatera sobre o Filho do seu Elísio.          

Naquele tempo, há cinquenta anos, Fortaleza ainda não era essa metrópole toda, como ocorria com Recife, Salvador e BH, por exemplo. Não tinha supermercado, a não ser o Sino, na rua 24 de Maio, tampouco agência de banco, senão no Centro, Tv em cores, aparelho celular etc. Edifícios – então – “altos” somente o IAPC, São Luís, Diogo e Sul-América. Nessas circunstâncias, a negrada ainda tinha a oportunidade de frequentar a Festa na Caiçara, do acelejano Augusto Borges, na PRE-9 (rua Sena Madureira), como também de cursar as conversas ali, na frente do São Luís, na porta da A Espingarda, na calçada da Cabana, nos bancos da Boticário - perto da Coluna da Hora etc. etc.
          
Nas lérias que mantivera com seu pessoal no passeio d’A Miscelânea, há pouco referidas, Eli, tocado profundo pelos dissabores e mágoas a si impostos como um fado, disse que, certa vez, no seu primeiro tentame à busca da Foice, deu cem mil cruzeiros a um amigo que trabalhava como contínuo na Faculdade de Medicina da então Universidade do Ceará para subtrair de um pesquisador de lá, fora do expediente, um frasco com estricnina (C21 H22 N2 O2). Seria termo vital certo, sem nenhuma dúvida, ao ingerir esse mortal alcaloide cristalino!

Tomou e, enquanto pedia perdão a Deus por ato tão insólito, ficou esperando os efeitos letais do chumbinho, os mal-estares, tonturas, dores, angústias e a queda derradeira...; mas, cadê? Parecia haver ingerido água!

Eis que, no outro dia, o conhecido do Eli viu o morfologista (meu amigo da UFC; Deus o tenha!) e professor doutor Aprígio Mendes Filho (conhecido como Carcará), procurando feito louco a proveta com um dos líquidos de seu experimento! O menino, em vez de pegar o veneno propriamente dito, recolheu foi o vaso com a preparação neutra, sem qualquer efeito farmacológico, o chamado placebo.

Deitou-se, uma vez, às sete da manhã no meio da avenida João Pessoa, na esquina do Beco do Segundo (rua Prof. Costa Mendes), para ver se, pelo menos, uma das camionetas da Parangaba o estraçalhava; todos, porém, paravam e, já naquele tempo, causou enorme engarrafamento, principalmente, de ônibus e camiões, passando pelo Bar Avião e indo até o começo da Sete de Setembro, perto da Igreja-matriz da Paróquia de Bom Jesus dos Aflitos.

No terceiro ensaio, Elisiário muniu-se de uma corda grossa, quase um camelo, subiu numa goiabeira do quintal de sua casa, amarrou ao pescoço e pulou. Levou boa queda, porém o cabo não lhe acochou o gargalo: além de o cordame ser comprido, a goiabeira é bastante dúctil, flexível, tendo cedido com o seu peso.

No derradeiro ensejo, encheu uma espingarda com 28 caroços de chumbo médios, carregou na pólvora, pois, em vez de só um polvorinho, botou dois (porque não era para caçar nambu!) e foi para os fundos de sua casa, embaixo duma jaqueira velha. Esticou a mão até alcançar o cão da lazarina e apertou o gatilho. Aconteceu o quê? – A espoleta estava resfriada e bateu catolé...

Logo após contar sobre a última tentativa, o Paulino Inácio (meu conterrâneo da Palmácia, filho da Dona Júlia), que fazia parte da tropa, logo arrumou um jeito de resolver o assunto.

– Eli, do jeito que vou lhe sugerir, é sem escapatória! Não digo que pode marcar a Missa de Sétimo Dia porque o padre não celebra – pelo menos o Padre Francisco Franciné Ferreira, o meu vigário (de 1963 a 1969), pois a Igreja ainda não aceita esse tipo de expediente. Mas vou falar como você faz...

Todo os dias, às sete da manhã, ali no Quartel General da Décima Região Militar, o general Oscar Jansen Barroso, seu comandante, passa em revista a tropa da caserna inteira, com hasteamento da Bandeira, canto do Hino Nacional, atuando a banda, e todas as praças e a totalidade dos oficiais armados até o talo.
Como a solenidade é aberta ao público, dê um jeito de ficar bem perto do General. Você bem sabe que o Marechal-Presidente pôs em vigor, agora no dia 13 deste mês, o Ato Institucional número 5, e que estamos no quinto ano da fase de exceção, de absoluta perseguição aos comunistas.

Quando ele passar, você vai gritar, bem alto, “Viva o comunismo!”. Não. Digo melhor. Como o General Jansen é, também, um catolicão, você vai vociferar, rasgando a goela: – VIVA O COMUNISMO ATEU! Acrescente “ateu”. Aí, amigo velho, providencie caixão e carpideira...   – Rapaz, como não pensei nisto?

Então, pelo fato de já ser sexta-feira à tarde, o Eli se preparou para a revista de segunda-feira próxima. 
         
Às 6 horas do dia 22 de dezembro de 1968, ele já estava lá na Praça de Nazaré, esperando o ônibus, a “lata velha da Muribeca” – como chamava meu Pai, seu Mesquita. Às 6h50min, Elisiário já adentrara o quartel, que se enchia de gente para cantar o Hino Nacional e assistir à solenidade inteira.

Às 7h55min, chega o jipão com o Comandante, que logo se apresta e vai fazer a revista.
Quando ele chegava bem pertinho, o Eli fez exato como o Paulino Inácio ensinou. Então, rasgou:

 Viva o comunismo ateu!!!

A soldadesca inteira, o público, os oficiais e o mundo ficaram olhando para o Gen. Jansen Barroso, o qual, vagarosamente, olhou para um lado e para outro e respondeu:


– V I V A !

ARTIGO - A tragédia de Milagres (RMR)


A TRAGÉDIA DE MILAGRES
Rui Martinho Rodrigues*


A missão precípua dos órgãos de segurança é proteger vidas. A morte de terceiros inocentes representa um fracasso dos citados órgãos em face do seu objetivo principal: é proteger vidas. Prender uma dezena de bandidos armados não é bem uma operação policial. É operação de guerra e em guerras ocorrem as lamentáveis perdas colaterais. Nas guerras se armam emboscadas. A surpresa é um objetivo tático e estratégico.

 
Operação de segurança têm múltiplos objetivos. A proteção da vida dos agentes do Estado é um deles. O número de policiais assassinados é alarmante e continua crescendo. Enfrentar o chamado novo cangaço, que reúne grande número de bandidos bem armados, é missão perigosa. As informações disponíveis na hora do enfrentamento nem sempre são tão completas como aquelas divulgadas depois do fato. Os policiais, por ocasião do combate, sabiam da existência de reféns? Deixaram de saber por alguma negligência? A Polícia Rodoviária Federal sabia da captura dos reféns, na calada da noite, em algum lugar nas centenas de quilômetros das rodovias do Ceará? Provavelmente não.


Policiais prepararam uma emboscada para os bandidos e valeram-se da surpresa? Terão agido de modo adequado ao tipo de missão que cumpriam, se assim o foi. Estavam diante do estrito cumprimento de um dever legal (art. 23, III, do CPB), que no caso era enfrentar bandidos fortemente armados e perigosos. Daí a excludente de ilicitude. Terceiros inocentes devem ser protegidos. Mas não esqueçamos a reserva do possível. Houve dolo, por parte dos policiais, ao atirar contra os reféns? Não está provado e não faz sentido. A presunção de inocência deve prevalecer. Não havendo dolo, teria havido imprudência ou negligência? Não parece configurar estas hipóteses efetuar disparos em meio a um combate, enfrentando uma verdadeira batalha campal, alta hora da noite, quando não se espera que existam reféns nem transeuntes.


Durante os jogos olímpicos de 1972, na Alemanha, terroristas sequestraram atletas de Israel. A intervenção das forças de segurança resultou na morte dos reféns. Os policiais alemães estavam bem equipados, eram bem treinados e sabiam da existência dos reféns. A tragédia, porém, não foi evitada. Operações envolvendo grupos numerosos de bandidos bem armados e pessoas inocentes não estão a salvo de terríveis tragédias. Não devemos, todavia, julgar episódios distintos da mesma forma. O episódio de Munique foi outro caso. Também não devemos misturar a tragédia de Milagres com outros acontecimentos em que alguns policiais agiram criminosamente. O cangaço tradicional foi combatido com muita energia. O novo cangaço também terá de ser enfrentado de modo enérgico.


sábado, 8 de dezembro de 2018

DISCURSO - Concurso Homem do Ano (RV)


DISCURSO DO PRESIDENTE
REGINALDO VASCONCELOS
NA AGO DE FINAL DE ANO DA
ACLJ
SOBRE O CONCURSO
HOMEM DO ANO


As regras do concurso O HOMEM DO ANO determinam seja agraciado com esse título o cearense que mais se tenha destacado no período, excluindo ocupantes de cargos eletivos locais, por mais bem avaliados na sua gestão, a menos alguém que tenha tido iniciativas absolutamente revolucionárias e exitosas, notadamente no campo da cultura e das artes – e se poderia citar aqui o Prefeito Juraci Magalhães nessa exceção, fosse ele e seu governo contemporâneos, pela restauração da Praça do Ferreira, hoje já tão degradada e abandonada novamente.

No ano passado esse regulamento apontou para o Senador Eunício Oliveira de forma incontestável – embora contestada por muitos a sua eleição, tendo em vista tratar-se de um político. Porém, nenhum cearense fizera naquele ano uma proeza maior do que assumir a titularidade do mais importante dos Poderes da República, de modo que era forçoso desconsiderar qualquer argumento em contrário. Ora, se não devemos utilizar critério político para eleger o Homem do Ano, também não podemos usá-lo para rejeitar alguém, apesar do mérito.

Neste ano de 2018 o concurso tomou rumo diferente, porque foram propostos pelos acadêmicos três nomes com méritos em atividades distintas – o campo cultural, o de fomento financeiro à produção, e o da hidrologia, uma ciência importantíssima para as esferas social e econômica no Estado.

Mas, para além das funções exercidas pelos indicados, constatou-se tratar-se de três figuras humanas magníficas, a merecerem estátuas nas praças pelo que são pessoalmente, pelo seu caráter nobre, muito mais do que pelo que fazem, com grande brilhantismo, no desempenho das funções.

Venceu a eleição o Dr. Ângelo Guerra, que com sua maneira muito simples e franca de ser, conquistou o coração dos acadêmicos. O Ministro Ubiratan já frequentava o afeto de todos, e como ele mesmo diz, ao longo da vida já conquistou todos os louros, todos os títulos, todas as homenagens, de modo que de per si é um vencedor, homem de todos os anos, há muitos anos, não só deste ano. O Dr. Romildo, na sua modéstia, não fez campanha, mas nos recebeu de forma muita lhana e aceitou concorrer sem maiores pretensões – e também teve seus defensores aguerridos.

Enfim, em nome da nossa ACLJ, eu saúdo esses três grandes cearenses, em especial o jovem Engenheiro Ângelo José de Negreiros Guerra, que com esse nome de príncipe e esse ar angelical de homem bom, em cada um de nós fez um amigo.

Obrigado.       

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

NOTA ACADÊMICA - Assembleia Geral Ordinária - Homem do Ano

ACLJ
ÚLTIMA ASSEMBLEIA GERAL 
DE 2018

“HOMEM DO ANO”
NOS RECURSOS HÍDRICOS

ÂNGELO GUERRA 

“DESTAQUES CEARENSES”
NA CULTURA E NAS FINANÇAS

UBIRATAN AGUIAR
ROMILDO ROLIM


Na noite deste último dia 06 de dezembro, no Palácio da Luz, sede da Academia Cearense de Letras e das suas congêneres afiliadas, ocorreu a última Assembleia Geral Ordinária da ACLJ neste ano.





No início da solenidade houve investidura da nova Diretoria para o biênio 2019/2020, e tomou posse na Cadeira de nº 28, patroneada pelo grande Patativa do Assaré, o poeta popular, violeiro e literato de cordel Geraldo Amâncio, que descerrou o retrato pictórico do Patrono Perpétuo da Cadeira. 


  
Em seguida, cumprindo a sua mais importante tradição, a ACLJ outorgou o título “Homem do Ano no Ceará em 2018” ao Engenheiro Ângelo José Negreiros Guerra, que fora proposto pelo confrade Cássio Borges e eleito pela Decúria Diretiva, considerado o melhor Diretor-Geral do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) nos últimos 30 anos. 


Essa láurea foi instituída em 2016, visando distinguir anualmente um cearense, por honra ao mérito, tendo em vista o seu desempenho profissional no ramo de atividade que ele exerça – seja no âmbito estadual ou com maior abrangência geográfica.

O Dr. Ângelo Guerra é o eleito deste ano – a personalidade que mais se destacou na vida pública no Estado, pelos critérios da ACLJ, à frente daquela autarquia, meritória instituição dedicada ao combate dos problemas climáticos do semiárido brasileiro, que exatamente agora chega à marca dos 109 anos de existência. Cássio Borges lhe entregou o diploma e o Deputado Daniel Oliveira fez a entrega da medalha.



Na oportunidade, receberam o título “Destaque Cearense” o Ministro Ubiratan Diniz de Aguiar, Presidente da Academia Cearense de Letras (ACL), e o Administrador Romildo Carneiro Rolim, Presidente do Banco do Nordeste do Brasil (BNB).



Ubiratan Aguiar, que neste final de ano entrega o mandato de dois anos, em sua brilhante gestão à frente da ACL criou o Colégio de Presidentes de Entidades Culturais do Ceará, promoveu o Primeiro Grito Pela Cultura, no Teatro José de Alencar, e fundou o Memorial da Cultura Cearense, no subsolo do Palácio da Luz, com modernos recursos eletrônicos.


Romildo Rolim, funcionário de carreira do BNB, vem se desempenhando com grande competência na sua presidência, indicado que foi para o cargo por critério eminentemente técnico, até por conhecer intimamente aquela importante instituição financeira de fomento, e nutrir por ela um grande amor profissional. Estando em Brasília, acompanhando a transição de Governo, recebeu os símbolos da sua comenda, das mãos do acadêmico Arnaldo Santos, o seu  Chefe de Gabinete, José Andrade Costa.

Com o auditório principal do Palácio da Luz repleto, compuseram a Mesa de Honra a Escritora Ângela Gutiérrez, Presidente Eleita da Academia Cearense de Letras, Reginaldo Vasconcelos, Presidente da ACLJ, o ex-governador Lúcio Alcântara, Presidente do Instituto do Ceará, a Empresária Paula Queiroz Frota, Presidente do Conselho Administrativo do Grupo Edson Queiroz, o Professor Rui Martinho Rodrigues, Presidente Emérito da ACLJ, o Engenheiro Ângelo Guerra, Diretor-Geral do Dnocs, e o Empresário Miguel Dias Filho, Presidente do Grupo Cidade de Comunicação.




A solenidade, tendo como Mestre de Cerimônia o Jornalista Vicente Alencar, teve início com o toque do trompete triunfal, pelo arauto oficial da ACLJ, Jean Carlos, seguido pela execução do Hino Nacional, pela Banda de Música do Corpo de Bombeiros. Depois, Jean Carlos tocou ao flugelhorn o Cântico Cearense, composta pelo Membro Benemérito Evaldo Gouveia para ser a Canção da Academia.



Compareceram ao evento os acadêmicos Beneméritos  Lúcio Alcântara, Paula Queiroz Frota, Miguel Dias Filho, Ubiratan Aguiar e José Alberto Bardawil; os Titulares Rui Martinho Rodrigues, Reginaldo Vasconcelos, Arnaldo Santos, Paulo César Norões, Karla Karenina, Alana Girão, Dorian Sampaio Filho, Denise Gurgel Sampaio, Adriano Vasconcelos, Paulo Ximenes, Aluísio Gurgel Júnior, Cândido Albuquerque, Augusto Borges, João Pedro Gurgel, Cássio Borges, Geraldo Jesuino, Vianney Mesquita, Humberto Ellery, Totonho Laprovítera e Roberto Moreira. Também presente o membro honorário Marcos Maia Gurgel. Confirmara presença e não compareceu, por razão não informada, o acadêmico Djalma Pinto.

Falaram o Presidente Emérito Rui Martinho Rodrigues, para declarar aberta a sessão, e finalmente encerrá-la; o Presidente Reginaldo Vasconcelos, falando sobre o concurso Homem do Ano; o poeta Geraldo Amâncio, que agradeceu, em versos, sua indicação e eleição; o Ministro Ubiratan Aguiar, fazendo um breve balanço da sua gestão à frente da ACL; o Engenheiro Cássio Borges, assim como os dois filhos de Ângelo Guerra, Emanuel e João Paulo, o saudaram   e o próprio Ângelo Guerra falou ao final, para expressar a sua emoção ao receber a homenagem.








Ao final, o Engenheiro Ângelo Guerra ofereceu um lauto coquetel aos seus convidados  – parentes, amigos e servidores do Dnocs.








Fora do protocolo: 


2 - Lançamento da 2ª Edição do Manual de Redação Profissional da ACLJ;



1 - Homenagem surpresa a duas acadêmicas que aniversariavam naquele mesmo dia, logo antes do brinde tradicional com vinho do Porto: Karla Karenina e Denise Gurgel.



3 - Reação bem-humorada do Presidente Reginaldo Vasconcelos e da Benemérita  Paula Queiroz Frota, à observação de um convidado que dormia a sono solto no auditório.



COMENTÁRIOS

Extraordinária noite! Embora razão muito particular me haja feito deixar a solenidade bem antes do seu final, apreciei todos os seus lances, com acuidade e veneração.

Parabéns ao novo acadêmico, aos agraciados e titulados e, mui especialmente ao intelectual Reginaldo Vasconcelos, paredro principal do nosso Silogeu, íntegro, probo e amigo e que conduziu a ACLJ a experimentar ser a mais profícua arcádia do Ceará. Comparecimento em massa me encheu de júbilo.

Até Morfeu foi à Sessão, levando um convidado nos braços!

Vianney Mesquita.

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Pois é, caro Vianney. O rapaz é um servidor do Dnocs na Bahia, que veio prestigiar o seu Diretor-Geral, Ângelo Guerra, eleito Homem do Ano no Ceará em 2018 Ele certamente estava muito cansado da viagem, e foi vencido pelo sono. Mas depois ele despertou e participou animadamente do coquetel que se seguiu à solenidade. 

Mostramos-lhe a imagem e aos seus colegas, que naturalmente fizeram com ele uma grande gozação. Sendo o Blog um espaço jornalístico, não se podia perder a oportunidade de fazer o registro do fato, e da simpática reação que provocou. A Benemérita Dra. Paula Queiroz Frota é pessoa de contagiante bom-humor, de modo que ela sempre, com muita graça e espontaneidade, quebra a formalidade das mais  austeras reuniões.

Reginaldo Vasconcelos


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 COMENTÁRIO

O nosso reconhecimento ao Presidente Reginaldo Vasconcelos pela condução à frente da ACLJ com maestria, transparência e louvável capilaridade, interagindo de forma ampla e democrática com a sociedade.

Os nossos parabéns, também,  a escolha do “Homem do Ano” na pessoa do obstinado defensor dos recursos hídricos da Região, engenheiro Ângelo Guerra, Diretor Geral do DNOCS, e o Título de “Destaque Cearense”, ao brilhante Ministro Ubiratan Aguiar, e Presidente da ACL,  e ao competente Administrador Romildo  Rolim, Presidente do BNB.

Lamentamos a nossa ausência por motivo de compromissos profissionais no mesmo horário. Ao mesmo tempo parabenizamos ao jornalista e amigo Arnaldo Santos pela eleição a Presidente da ACLJ e desejamos muito sucesso no novo desafio. 

Marcos André Borges
  
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Prezado Presidente Reginaldo Vasconcelos, tenho grande orgulho de privar de tua amizade, a qual resvala em irmandade fraterna. Por extensão, privar da amizade de grande parte dos membros da ACLJ.

For god sake! Bismillah! O músico do trompete deveria ter se postado logo atrás do fã do Soneca de A Branca de Neve!

Grande abraço,

Luiz Rego