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quarta-feira, 29 de julho de 2015

CRÔNICA - Lampião Era Gay? (WI)

LAMPIÃO ERA GAY?
Wilson Ibiapina*


Já chamaram o pernambucano Virgulino Ferreira de Lampião, Rei do Cangaço. Há quem acredite que ele não passou de um facínora, bandido, calhorda. Agora, estão dizendo que ele também era bicha. A polêmica está na rua. Duvidar de sua masculinidade é desmoralizar o maior herói popular do Nordeste. Seria verdade?

Capitão Virgulino foi morto pela polícia no sítio Passagem das Pedras, em Sergipe, a 40 quilômetros de Serra Talhada, onde nasceu. Na década de 30 ele foi chamado também de defensor dos pobres e oprimidos do sertão.

O que não se esperava é que agora, 77 anos depois de sua morte, surgisse em Sergipe o juiz aposentado Pedro de Morais para duvidar da masculinidade do perverso cangaceiro. Lenha na fogueira. No livro Lampião – O Mata Sete, cuja publicação e comercialização foram proibidas em caráter liminar, a pedido da família do biografado, o juiz revela que o machão Lampião era homossexual.

Em entrevista a Ana Cláudia Barros, no Site Terra Magazine, o juiz diz que “o livro não trata exatamente da homossexualidade de Lampião. Eu apenas mostro que ele era homossexual, mas não com força pejorativa. Eu não tenho absolutamente nada contra os homossexuais, nem a favor. Eu relato um fato histórico. Aliás, não sou o primeiro a escrever sobre isso, e nem o vigésimo”.

O Juiz revela que tem depoimentos de remanescentes, de parentes de Maria Bonita, de Lampião. Que ela era adúltera está em todos os livros. E acrescenta: “O que eu digo e mostro é que havia no cangaço um trio amoroso, envolvendo Lampião, Maria Bonita e Luiz Pedro, o amor dos dois".

Luiz Pedro era um cangaceiro, que seria namorado de Lampião, e eles teriam trocado juras de amor eterno. Certa vez, Luiz Pedro matou o irmão de Lampião, que era a coisa que Lampião mais queria bem, e, em troca, Lampião, que nunca foi de clemência, absolveu Luiz Pedro, exigindo dele juras de que jamais se separariam. Isso não me parece coisa de macho.



NOTA DO EDITOR:

Gays apreciam a tese de que grandes personalidades históricas eram gays. Reis, gênios das artes, heróis em geral – O  imperador Adriano, o pintor Da Vinci, o escritor Proust, o quilombola Zumbi – eram todos eles gays, segundo defendem ativistas do arco-íris, puxando brasas para as suas sardinhas delicadas.

Na mão contrária, inimigos do terceiro sexo contra-atacam, apontando o uranismo como causa da monstruosidade de celerados notórios, os quais, amorosamente incompreendidos e frustrados, se teriam tornado pervertidos sexuais e criminosos violentos – Nero, Jack (o estripador), Hitler... Agora, Lampião.

Notar que homossexualismo, no Brasil atual, não é crime; para a Igreja Católica de hoje, não é pecado; para a medicina moderna, não é doença; para as Forças Armadas, não é mais justa causa de expulsão. Portanto, apontar a homossexualidade de alguém não o deveria denegrir, nem enaltecer, pois grandes homens e rematados facínoras, indistintamente, foram gays no passado, como outros o são hoje.  

Tampouco é considerado opção ser ou não ser homossexual, ao contrário do que se dizia até recentemente, de modo que sê-lo não envolve culpa ou dolo. Ser gay seria então uma contingência, uma característica inata, que não influi nem contribui com o caráter e a índole da pessoa, assim como ser daltônico ou ser canhoto.

Também não faz sentido o termo “homofóbico”, porque “fobia” indica doença, e a aversão intelectual, ou a reprovação moral, ou a intolerância religiosa a alguma postura ou conduta alheia nada tem de patológico. É uma faculdade do indivíduo, no seu inalienável direito de opinião e de expressão – o que permite gostar ou não, apoiar ou não, conviver ou não – embora não autorize ninguém a agredir, maltratar, injuriar quem quer que seja.

Sendo assim, a eventual homossexualidade de Lampião é matéria de interesse histórico relativo – era ele canhoto? Seria ele daltônico? – características eventuais que não concorreriam para os seus crimes, nem elidiriam as suas culpas – e não têm importância maior para a história e para a ciência.

Maria Bonita foi adúltera, pois traiu o marido barbeiro ao entregar-se a Virgulino – isso é fato. Se ela deitava com algum outro cangaceiro do bando, e se Lampião consentia ou não, isso está adstrito à intimidade do grupo e à conveniência do casal.

Mas o cangaceiro Zé Pedro, cujas feições eram realmente mais aprimoradas que as dos demais cangaceiros, tinha a sua própria companheira no bando. Também é fato. Então, não haveria um triângulo, mas um quadrângulo sexual?


Esclarecimento

Virgulino Ferreira da Silva nasceu  em 7 de julho de 1897, no sítio Passagem das Folhas, no Município de Serra Talhada (PE).

Foi morto em 28 de julho de 1938 pela ¨volante¨ comandada pelo Tenente João Bezerra, no município Poço Redondo (SE), na Grota de Angicos, perto do Rio São Francisco.

É sabido que a biografia do Lampião tem muitas controvérsias quanto a datas, locais, lendas surgidas em torno do mito, mas esses dados que apontei são os mais aceitos.

José Humberto Ellery
Engenheiro Químico
Ex-Oficial da Marinha Brasileira
Membro Honorário da ACLJ

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