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quarta-feira, 8 de julho de 2015

ARTIGO – Um Balanço da Modernidade (RMR)

UM BALANÇO DA MODERNIDADE
Rui Martinho Rodrigues*


A modernidade é laica. Adotou o codinome de humanismo para fugir da inquisição, ocultando o seu antropocentrismo. Dessacralizando o mundo permitiu o estudo de cadáveres e a busca de explicações naturais para a realidade. Graças a ela a liberdade de consciência desabrochou à sombra do laicismo. A ciência e a tecnologia se desenvolveram. O direito divino dos reis desapareceu. As liberdades políticas se fortaleceram. A economia adotou a racionalidade que resultou em prodígios na produção de bens e serviços. Visar o lucro, mudar de patrão e emigrar deixou de ser pecado.

a Segurança jurídica e a democratização, como a liberdade de consciência e de expressão foram então beneficiadas. Empreendimentos puderam deslanchar. Trocas específicas, sistema de preços, mercadorias facilitaram o cálculo econômico, viabilizando investimentos. 


Produtividade e economia de escala reduziram custos. Surgia a economia capitalista: propriedade privada dos meios de produção, trabalho livre e assalariado, produção para o mercado, lucro como motivação.

Modernidade reunia conceitos universais e uma gnosiologia com verdade e erro discerníveis. A lógica aristotélica era prestigiada, embora a Física do estagirita tenha sido substituída pela newtoniana. A busca das universalidades levou a Revolução Francesa a proclamar uma declaração dos direitos do homem, não dos franceses. Todos eram iguais perante a lei, sem igualdade na lei, em atenção à realidade; particularismos do Direito Medieval foram repudiados.

Modernos eram Newton; o princípio da impessoalidade e da publicidade dos atos administrativos; o Estado laico, baseado na neutralidade axiológica; as distinções entre a verdade objetiva de proposições singulares, conjecturas das generalizações teóricas, erro e mentira. Isso antes que o relativismo gnosiológico e ético da pós-modernidade transformasse tudo numa geleia geral.

A modernidade reduziu o analfabetismo, a mortalidade infantil, a fome endêmica, empurrou o escravismo para a esfera do crime e liquidou o colonialismo. Aumentou a escolaridade média, a expectativa de vida, popularizou os bens e serviços que representam conforto e qualidade de vida. Mulher, criança, deficientes físicos, doentes mentais e minorias comportamentais ganharam status mais favorável. Todos os indicadores de qualidade de vida melhoraram como tendência das sociedades modernas.

O determinismo reducionista e economicista levou a mudança do nome: a sociedade moderna passou a “sociedade capitalista”, como se a economia capitalista automática e necessariamente tornasse a sociedade toda capitalista, conforme preleciona Martin Kriele. Os benefícios da modernidade nos campos da ciência, tecnologia, instituições jurídicas e políticas, o crescente acesso ao conforto material foram negados. Dizia-se que havia pauperização. Os fatos desmentiram o empobrecimento. Então o desfrute de comodidades passou a “consumismo”. O bem-estar da modernidade passou a “conquista” de lutas políticas, como se tais lutas não tivessem sido viabilizadas pela modernidade.

A “novilíngua” confundiu modernidade com cupidez e falta de escrúpulos, embora tais coisas existissem séculos antes da modernidade e do “modo de produção capitalista” engendrado por ela.

Don Quixote precisa de um vilão para combater e uma Dulcineia para salvar.


*Rui Martinho Rodrigues
Professor – Advogado
Historiador - Cientista Político

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