DESTAQUES CEARENSES

DESTAQUES

CEARENSES

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2020

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“PANDEMIA”

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EM 2020

“RESILIÊNCIA”

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quarta-feira, 1 de julho de 2015

ARTIGO (JDVM)

GOTAS DE HISTÓRIA

PIERRE FAUCHARD
José Dilson Vasconcelos de Menezes*


A vida sem ciência é uma espécie de morte (Sócrates).


Pierre Fauchard nasceu na Bolonha (França) em 1670.

Oriundo de uma família modesta, aos 15 anos ingressou na Marinha Real.

Embarcado, iniciou-se na prática de Medicina Militar, sob a orientação do cirurgião naval Major Alexandre Poteleret, prestando assistência aos marinheiros que sofriam na boca os estragos do escorbuto que à época grassava entre os embarcadiços.

Poteleret, que há anos estudava as doenças bucais, estimulou Fauchard a realizar investigações sobre as descobertas de seus antecessores na arte de curar.

Após quatro anos embarcado, deixou a Marinha tendo passado a residir em Angers, onde montou consultório dentário. Nessa cidade, que à época constituía destacado centro universitário, adquiriu grande fama como dentista sem, todavia, ter frequentado nenhum curso.

Posteriormente, mudou-se para Paris, onde graças a sua excelente atuação profissional, se consagrou como o mais proeminente dentista de toda a França.

Leitor voraz e ávido por ampliar conhecimentos, cultivava imenso entusiasmo em aprender e compartilhar o saber com outros.

Era, com frequência, solicitado por eminentes cirurgiões gerais para consultas e pareceres relativos aos dentes e à cavidade bucal.

Antes de Fauchard os dentistas eram chamados "dentateurs" (fabricantes de dentadura) e poucos dentre eles faziam extrações dentárias.

Os barbeiros, àquela época, verdadeiramente cirurgiões, além de especialistas em aplicar sanguessugas na realização de sangrias, extraíam dentes.

Desde que residia em Angers, Fauchard denominava-se "Chirurgien Dentiste".  

A sua prática não se resumia em extrair dentes, pois os obturava, removia tártaro, assim como procedia à exérese de tumores benignos da gengiva.

Precocemente, manifestou excepcional habilidade na confecção de próteses dentárias.

Além de constituir-se o primeiro profissional dedicado à atuação dentária a considerar a Odontologia com arte e ciência, em vez de mero trabalho exercido por pessoas habilidosas, mas sem estudo, foi igualmente pioneiro em manifestar-se favorável às medidas preventivas, recomendando a escovação dos dentes e o uso de enxaguatórios bucais.

Descreveu muitas próteses dentárias e métodos de substituir a perda de alguns ou de todos os dentes. Colocava dentes artificiais de blocos talhados em marfim, de osso ou de dentes humanos, mantendo-os fixados a dentes hígidos com fios de ouro.

Em 1723, Fouchard concluiu a sua obra Le Chirurgien Dentiste, todavia, somente após cinco anos, em 1728, esse valioso compêndio foi publicado, em francês, reunindo, em 2 volumes, 863 páginas. Duas outras edições vieram a público em 1746 e 1786. Sua tradução para o alemão surgiu em 1773, tendo somente em 1946 sido traduzida para o inglês.

Le Chirurgien Dentiste alcançou, à época, considerável repercussão pelo fato de se constituir verdadeiro marco na evolução da Odontologia. Pelos conceitos científicos introduzidos, valeu a Pierre Fouchard o epíteto de "Pai da Odontologia Moderna".

Vale destacar o fato de que esse valioso livro, que encerra incomensurável soma de conhecimentos, antecipou-se 122 anos ao surgimento da primeira Escola de Odontologia do mundo – Baltimore College of Dental Surgery – ocorrido nos Estados Unidos da América do Norte, em 1840.

Seu falecimento ocorreu em Paris, 1761, aos 91 anos.

Um exemplar de Le Chirurgien Dentiste, em dois volumes, encontra-se em exposição no Museu Benito Vasconcelos Tavares, da Academia Cearense de Odontologia, doado pelo colega Thales Magalhães, Diretor do Museu Salles Cunha, da Associação Brasileira de Odontologia – Seção do  Rio de Janeiro.

No próximo Informativo da Academia Cearense de Odontologia, comentarei acerca do conteúdo desse histórico compêndio.

*José Dilson Vasconcelos de Menezes
Da Academia Cearense de Odontologia

Um comentário:

  1. "Olho para as minhas mãos,descubro nelas a leveza para alcançar o detalhe.A sensibilidade exata para interferir na dor.A mobilidade necessaria para atingir o mais difícil.A vivacidade que percebe o que não pode ser dito.Abre-se um sorriso,descubro nele a perfeição que faz de minhas mãos um instrumento." (Autor Desconhecido)

    Thiena Vasconcelos - PseudoCirurgiãDentista

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