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domingo, 19 de julho de 2015

CRÔNICA - Geometria e Trigonometria (VM)


GEOMETRIA e TRIGONOMETRIA
Vianney Mesquita*

Todas as ciências têm os seus atrativos, mas não há outra que se avantaje à Matemática, ou até, que se lhe iguale no poder de absorver a atenção e em distrair poderosamente o espírito de toda espécie de objetos. (JAIME Luciano Antônio BALMES y Urpiá. Filósofo, teólogo, apologista, sociólogo e político catalão. *+Vic. 28.08.1810 – 09.07.1848).

Em consequência de defeitos de partida nos estudos da Ciência dos Cálculos – o primeiro dos quais assenta no fato de minha alfabetizadora (1) também a detestar – jamais me adiantei nos seus meandros, de sorte a haver apenas estacionado, a rigor, no degrau número um do alfabetizado, com relação à Matemática, no concernente às suas operações com algarismos, letras e outros sinais.

Sob o aspecto pedagógico, diz-se ser alfabetizada a pessoa que adquiriu os códigos alfabético e numérico no começo da contingência acadêmica, o dito letramento, configurado na conjunção ler, escrever e contar. Com relação à lectoescrita, no âmbito dos estádios da infância, divisados, entre outros, por Vygotsky, Piaget, Walon, Lúria e Ana Teberosky, efetivaram-se, de logo, bons progressos, pois a frequência a bons estabelecimentos, com excepcionais professores, permitiu vantagem, no tempo ordinário, em boa parte dos conhecimentos cujo acesso não dependesse de contas da Matemática e seus desdobramentos, como Aritmética, Álgebra, Geometria e Trigonometria, por exemplo.

O aportamento a uma posição regular – absolutamente nada de extraordinário  no universo das pessoas bem postas sob o prisma informacional ocorreu não muito cedo, mas à medida do trato com a prática do periodismo, as leituras repetidas, ex-vi das exercidas ações docentes na Academia, em campos multidisciplinares, diga-se, peculiaridade da informação ordenada, porém com carga maior de atenção para os estudos de Comunicação em Língua Portuguesa.

Tudo isto ocorreu, cumpre anunciar, sem deixar de conceder relevância à historiografia metodizada dos saberes, inclusive das manifestações matemáticas no que diz respeito aos seus mentores, pressupostos, sistemas, leis, ordenamentos e demais aspectos das expressões do conhecimento, desde que em incursões avessas ao emprego dos números, fórmulas e equações enunciadas em carroções escomunais, de dois e três “andares”, como se dizia, as quais o professor passava de 15 a 30 minutos para deduzir.

A Geometria, com várias subdivisões, é uma das ciências do cálculo cujo escopo é o exame do espaço e das figuras passíveis de ocupá-lo. Há as formas algébrica, absoluta, afim, e de Bolyai, na qual o quinto postulado de Euclides é substituído por um que assinala haver mais de uma paralela, da lavra de romeno János Bolyai, do mesmo modo como a versão riemanniana (ou elíptica) procede do alemão Georg Fridrich Bernhard Riemann e a euclidiana advém de Euclides de Alexandria, matemático grego, professor em Alexandria (Egito), chamado o Pai da Geometria, o mais importante geômetra de todos os tempos. Ainda há vários outros perfis deste galho disciplinar, trazendo ou não o nome do seu principal.

Trigonometria, por sua vez, como tributária menor das matemáticas, em comparação com a Geometria, prescreve os métodos de resolução de triângulos e estuda as funções trigonométricas, cujo mentor é o tedesco Bartolomeu Pitiscus, sem contar com outros afluentes calculísticos, como, entre outros, as citadas Álgebra e Aritmética.

Muito de compraz o fato de contar amigos matemáticos brasileiros, como são os professores doutores João Lucas Marques Barbosa (2), Antônio Gervásio Colares, Ciro Nogueira Filho, Sebastião Carneiro de Almeida, do Departamento de Matemática da UFC, e, dentre muitos outros, meu irmão, Prof. Vicente de Paulo Mesquita, e os Professores Roberto Cláudio Frota Bezerra (ex-Reitor da UFC 2x) e Gregório Maranguape da Cunha, todos da mesma Instituição.

Como sucede em todos os lugares onde trabalha muita gente, notadamente pessoas de elevado patamar intelectual, há o folclore, as estórias, em geral hilárias, sempre no diapasão da atividade em que os circunstantes operam. Exemplo é o narrado à frente.

Conta-se que o Professor Euclides, filho do ex-docente Henrique Poincaré (também descendente de matemático, como parece óbvio pelo seu nome), era tão vidrado na Matemática que batizou os filhos gêmeos, homenageando essa Ciência exata, como Trigo e Geo, prefixos identificadores das duas vertentes científicas há pouco comentadas, e com alguns detalhes.

[Bom é lembrar que um professor novato do Departamento de Solos da mesma instituição universitária, chamado João Tricart, havia, bem antes, registrado e batizado um rebento seu com o nome de Bruno, nascido no sítio de seu pai, a que este concedeu o nome de Horizonte B, onde tinha também vindo à luz sua irmã, batizada com o nome de Formação Barreiras.  Até aí, tudo certo, mas o fato é que havia um complemento – “não cálcico” – Bruno não Cálcico (3)].

Coincidiu que os rapazes namoravam também duas irmãs – Emília e Carlota – filhas de um docente de Literatura Anglo-Saxônica da mesma Academia, e também reverendo anglicano, chamado Patrício Brontë de Oliveira Paula, natural de Maranguape.

Geo namorava Emily e Trigo encantava Charlotte, para inveja de Anne, que não tinha nenhum pretendente. O fato é que vieram a “convolar núpcias”, no “cartório e no pastor”, com direito a festa em casa no Meireles, em Fortaleza, a que a comunidade docente dos dois departamentos – Matemática e Literatura Inglesa  e as autoridades universitárias, incluso o Reitor, compareceram, após a celebração confessional, sob recepção pelo Prof. Henrique Poincaré, que era viúvo.

Passaram 15 dias em lua de mel, em Bradford – West Yorkshire (UK) – em cuja Universidade o Prof. Patrício Brontë, quando, ainda solteiro, desenvolvera programa de mestrado. Ao retorno, cada casal foi morar no seu apartamento.

Sucedeu, porém, após três meses do enlace, ter corrido o boato de que Charlotte abandonara Trigo. Logo depois, da maneira como medida provisória se transmuda em lei, os rumores viraram verdade, pois Trigo voltara a viver com o pai, ao passo que Geo e Emily continuavam mais seguros do que São Sebastião na laranjeira.

Até hoje não se tem conhecimento das matematicamente precisas razões de se haver dado a melódia, porém o Professor Paulão R, F. de Paiva, que privava da amizade dessa família, atilado como é, e sem qualquer inferência cauculística, entende que o motivo da continuidade do casamento de Geo-Emily e a separação de Trigo-Charlotte está nas duas subciências matemáticas: GEOMETRIA e TRIGONOMETRIA!



1) A extraordinária figura de Dona Eunice Leite de Carvalho, na mímima Palmácia dos ’50.


(2) Imortal titular da Academia Brasileira de Ciências, com sede no Rio de Janeiro.

(3) Em Pedologia, bruno não cálcico, de acordo com a taxinomia em curso, procedida pela EMPRAPA – Solos, é um solo não hidromórfico, em geral com horizonte A fraco e horizonte B avermelhado eutrófico, da ordem dos luvissolos.



*João VIANNEY Campos de MESQUITA 
(Na imagem, em visita ao Hermitage, na Rússia). É Prof. Adjunto IV da UFC. Acadêmico Titular das Academias Cearense da Língua Portuguesa e Cearense de Literatura e Jornalismo. Escritor e jornalista. Árcade fundador da Arcádia Nova Palmaciana. Membro do Conselho Curador da Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura-FCPC-UFC.

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