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sábado, 1 de agosto de 2015

CRÔNICA - Dilma Rousseff, a Presidenta

DILMA ROUSSEFF,
A PRESIDENTA
Reginaldo Vasconcelos*


Quando ainda pensávamos que Dilma Rousseff fosse de fato e de direito presidente do Brasil, e a levávamos a sério, nos insurgimos contra o seu decreto feminista informal de que a chamassem “presidenta”.

Seus tantos simpatizantes alegavam que o termo está dicionarizado, como se isso indicasse estar correto. Os dicionários registram usos encontradiços na literatura, tanto clássica como popular, sem abonar sua correção gramatical.

Todavia, agora que o País se encontra sem rumo e sem metas, completamente à deriva, politicamente sequestrado por um grupo de piratas que o parasita há doze anos, sodomizando moralmente o seu povo, vampirizando o erário, conspurcando a dignidade da Nação perante o mundo, passamos a admitir que realmente nós não temos Presidente.

Dilma Rousseff é mesmo “presidenta”, apodo infame que serve agora para reduzi-la de Governante séria a mera “governanta”  forma também dicionarizada com que se convencionou designar aquela senhora subalterna aos seus suseranos que comanda a criadagem das mansões.

Aliás, o feminismo e o machismo são dois lados da mesma moeda, cunhada no pior latão antropológico, pelos que não se sentem confortáveis dentro do gênero a que pertencem. Os que são machos na essência não carecem de nenhum movimento social em seu favor, e as que são genuínas fêmeas vivem cercadas de carinho e de atenções por seus opostos, em nada lhes incomodando os sutiãs.

Os(as) feministas, especificamente, esses (e essas) não têm plano de voo para um objetivo definido. Uma hora pugnam pela absoluta igualdade entre mulheres e homens, na linha Betty Friedan, no sentido de que se confundam as duas classes e que elas se uniformizem em todos os direitos e deveres; outra hora requerem regalias e tratamento especial para as mulheres, levantando simbolicamente a bandeira francesa com aquele dístico jocoso: "vive la differénce".

Essa confusão de teses opostas, que convivem na esquizofrenia feminista, se observa principalmente no discurso que os seus adeptos propõem, principalmente na prosopopeia que praticam. Por exemplo, obrigam o orador a enfatizar “a todos e a todas”, sempre que se refere ao público indistinto, como se elas e eles não se pudessem misturar.

Mas, por outro lado, para referir àquela que escreve poemas, proscreveram a bela palavra “poetisa”, que as distingue  étimo devidamente dicionarizado e absolutamente escorreito – agora impondo confundirem-se ambos os sexos com um único adjetivo: o masculino “poeta”.

Entretanto, contrario sensu, Dilma quer ser “presidenta”, e é obedecida pelos varões desvairados e pelas desgraciosas viragos que a cercam – e, nas Forças Armadas, as “militaras” querem ser “soldadas”, “sargentas”, “tenentas”, “majoras”, “coronelas”... Ora bolas! Mulheres são mulheres e homens são homens, não se confundem nunca, e não se precisam distinguir pela flexão gramatical.

O que interessa a todos (e a todas) é a distinção essencial entre sábios e tolos, entre honestos e ladrões. Para as mulheres, em sua particular psicologia, importa mais a diferença entre gordas e magras, entre feias e bonitas, entre bem-amadas e encalhadas. O resto é perfumaria ideológica.





NOTA DO EDITOR:

A língua é dinâmica, e não é proibido criar neologismos. Tudo que a lei não proíbe é tacitamente permitido. Assim, o adjetivo “presidente”, ao ser substantivado, pode ir ao feminino (e ao masculino), como acontece, por convenção idiomática, com o termo “governanta”, citado na matéria publicada.

Assim, no caso da futebolista brasileira Marta, que no time é atacante, poderia ela passar a ser chamada de Atacanta Marta?. Em tese, sim. Necessário? Não. E “o que não é preciso fazer, é preciso não fazer”, para citar o pensador romano Públio Siro. Imagine-se um presidente querer que o chamem "presidento".

Então, para adotar uma inovação desnecessária, pacificamente, a pessoa precisa gozar de alguma autoridade filológica – autoridade essa que não assiste a Dilma Rousseff. Com essa arbitrariedade linguística, ela apenas produziu uma gag, que serve para  distinguir seus seguidores dos cidadãos livres do País, os quais se recusam a obedecê-la. Por exemplo, falando à CPI da Petrobrás, um governista, no mesmo discurso, se referiu à Presidenta Dilma e à Presidente Graça Foster. Não são mulheres todas duas?

O protesto dos intelectuais e a resistência da imprensa independente não se funda, portanto, em purismo linguístico, mas na motivação feminista que fez Dilma Rousseff tentar impor ao povo uma forma particular e inusual de ser chamada, atitude própria dos ditadores em geral.

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