HAPPY HOUR
Reginaldo Vasconcelos*

Mas assim ele se mantém, serenamente,
depois que, esgotados os temas graves, o grupo de acadêmicos relaxa e adentra
nos assuntos vicinais, descontrai e se aventura sem grande seriedade pelas
conversas carroçáveis – a filosofia, a poética, o violão, o anedotário.

Aliás, a tasca está intimamente relacionada
desde sempre com a atividade cultural criativa. Poetas, escritores, pintores,
músicos, artistas em geral vão buscar inspiração na taberna, desde a
antiguidade, passando pelo medievo.

Esses
exemplos são apenas marcos notórios de uma realidade sociológica generalizada
no tempo e no espaço. Mas a sadia necessidade humana de espairecer na roda social,
expandindo os dotes líricos a partir da mesa de bar, corre no fio da navalha face
ao vezo vicioso que leva aos hábitos insalubres da vida boêmia dissoluta.

Por
outro lado, deve haver recomendações hipocráticas contra os hábitos etílicos
desmedidos, mas também já há revelações científicas de que os benefícios médicos
do consumo moderado de álcool podem superar os riscos de que ele possa causar
dano ao organismo, pelo seu poder relaxante, numa sociedade massacrada pelo
estresse.
Toda
sorte, com a merecida reverência aos que não bebem, e com grande respeito aos
que não podem beber, porque são alcoolistas patológicos, “a gente não quer só comida, a gente quer bebida, diversão e arte”,
parafraseando o compositor Arnaldo Antunes.

“A taberna medieval foi apresentada na literatura – nas
canções e poemas dos goliardos, nas Canções de Gesta e, também nos Fabliaux –
como um espaço de prazer.
Esse espaço voltado principalmente para o consumo de
bebidas – cerveja, vinho e sidra – acompanhada por porções de comidas simples
como pães, carnes salgadas e sopas, existiu não somente como lugar de prazer e
lazer, mas também, foi um local seguro para o descanso de comerciantes,
viajantes e peregrinos oferecendo pouso, comida, bebida e diversão.
Analisando algumas canções da obra Amatoria Potatoria
Lusoria, (século III) selecionamos o trecho In Taberna que nos mostra o
cotidiano de uma taberna medieval. Nosso intuito nesse artigo é analisar a
taberna como espaço de prazer e descanso e sua representação na literatura
medieval e sua reapropriação pela literatura contemporânea”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário