AVALANCHE DE FACULDADES
Régis Kennedy Gondim Cruz*
Educar mal um homem é dissipar
capitais; é preparar dores e perdas à sociedade. (François-Marie Arouet, dito VOLTAIRE. Paris, 21.11.1694-30.05.1778).
Vez por outra, neste periódico, deparo seus redatores
– articulistas e cronistas – aventarem o tema do Ensino Superior no País, com a
penetrante argúcia que lhes soa característica, em razão,
evidentemente, de sua boa formação escolar – média e universitária – conforme,
nalgumas ocasiões, já tive a chance de aqui mesmo comentar.

Hoje, em todo quarteirão, nas quatro esquinas e no meio, dos dois lados,
há uma faculdade, às vezes até somente com duas salas de aula, onde se
ministram sem competência as mais extravagantes graduações, ocorrência geral em
todo o País, concorrendo para conceder canudos a pessoas que, às vezes, nem ler
conseguem, quanto mais entender o que a mensagem intenta conotar.
Salvo as hipérboles do começo do texto, sem dúvida
expressas para conceder vitalidade à exposição, vejo na clareza de sua crônica
não lhe falecer nenhuma razão ao assacar essa crítica às autoridades
educacionais do Brasil, haja vista a gravidade que o problema assumiu nos
últimos anos, com escolas superiores a torto e a direito, a maioria sem a ínfima
condição de existência, quer de estrutura física, perfil pedagógico de seus
professores e, importante, prontidão intelectiva dos seus estudantes, ambos os
grupos, em tese, absolutamente despreparados para desenvolver a vida acadêmica
com um mínimo de proveito.

Sou licenciado em Letras Vernáculas pela Universidade
Federal do Ceará, no tempo em que as questões do concurso vago – o exame
vestibular – eram somatórias e a concorrência quase desumana. Eram necessários
horas, dias, meses a fio queimando pestanas para, por vezes, apenas figurar na
lista de classificáveis.
Uma instituição universitária (e isto é mais do que
cediço) pressupõe excelência, demanda um ensino padrão-ouro, o qual, pela Lei
5540/1968, não deve ser dissociado da extensão e da pesquisa, e tal não ocorre
nem de longe na maioria das escolas instituídas.
Não quero parecer, absolutamente, contra o progresso,
mas há de se ter bom senso e redobrada responsabilidade, para que sejam
preparados profissionais realmente qualificados, a fim de erradicar de vez o
fantasma do analfabetismo (também universitário) que desde 22 de abril de 1500 assola
nossa Pátria Mãe Gentil...

*Régis Kennedy Gondim Cruz
Docente das redes pública estadual do Ceará e
municipal de Fortaleza
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